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O romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, foi publicado pela Francisco Alves Editora, 17a; edição, da qual foram extraídas as citações utilizadas na análise. Rodrigo S.M., narrador onisciente, conta a história de Macabéa, personagem protagonista, vinda de Alagoas para o Rio de Janeiro, onde vivia com mais quatro colegas de quarto, além de trabalhar como datilógrafa (péssima, por sinal). Macabéa é uma mulher comum, para quem ninguém olharia, ou melhor, a quem qualquer um desprezaria: corpo franzino, doente, feia, maus hábitos de higiene. Além disso, era alvo fácil da propaganda e da indústria cultural (para exemplificar, seu desejo maior era ser igual a Marilyn Monroe, símbolo sexual da época). Nossa personagem não sabe quem é, o que a torna incapaz de impor-se frente a qualquer um. Começa a namorar Olímpico de Jesus, nordestino ambicioso, que não vê nela chances de ascensão social de qualquer tipo. Assim sendo, abandona-a para ficar com Glória, colega de trabalho de Macabéa; afinal, o pai dela era açougueiro, o que lhe sugeria a possibilidade de melhora financeira. Triste, nossa personagem busca consolo na cartomante, que prevê que ela seria, finalmente, feliz... a felicidade viria do "estrangeiro". De certa forma, é o que acontece: ao sair da casa da cartomante, Macabéa é atropelada por Hans, que dirigia um luxuoso Mercedes-Benz.

Esta é a sua "hora da estrela", momento de libertação para alguém que, afinal, "vivia numa cidade toda feita contra ela". "Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever. (...) Pensar é um ato. Sentir é um fato." Existe a necessidade constante de descobrir-se o princípio, mas o homem, limitado que é, não conhece a resposta a todas as perguntas. A personagem narradora não é diferente dos outros homens, porém, mesmo sem saber tais respostas, de uma coisa ela tem certeza e, por isso, ela afirma: "Tudo no mundo começou com um sim." É preciso dizer sim para que algo comece, por isso, ela diz "sim" a Macabéa. Alguém que forçou seud nascimento, sua saída de dentro do narrador, tornando-se a nordestina, personagem protagonista de seu romance. É o grito do narrador que aparece no corpo de Macabéa: "Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás - descubro eu agora - também não faço a menor falta, e até o que eu escrevo um outro escreveria. Um outro escritor sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas." Assim, ela é uma entre tantas, pois quem olharia para alguém com "corpo cariado", franzino, trajes sujos, ovários incapazes de reproduzir? Com ela o narrador identifica-se, pois ele também nada fez de especial (qualquer um escreveria o que ele escreve); teria de ser escritor, mas nunca escritora; por outro lado, não se pode esquecer de que quem escreve é Clarice Lispector, conforme se afirma na dedicatória. Dessa forma, desencadeia-se, na primeira parte do livro, todo um processo de metalinguagem, que entrecortará a narrativa até o seu desfecho. O narrador homem - Rodrigo S. M. - tecerá reflexões sobre a posição que o escritor ocupa na sociedade, seu papel diante dela e, principalmente, sobre o processo de elaboração da escritura de sua obra: "Escrevo neste instante com prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela - e é claro que a história é verdadeira embora inventada - que cada um reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espíirito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa do que ouro - existe a quem falte o delicado essencial. Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei, embora seja obrigado a usar as palavras que vos sustentam. A história - determino com falso livre arbítrio - vai ter uns sete personagens e eu sou um dos mais importantes deles, é claro. Eu, Rodrigo S. M. Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e ‘gran finale’ seguido de silêncio e chuva caindo." Ironizando, repetidas vezes, o desejo que os leitores têm da narrativa tradicional, Clarice Lispector (aqui transfigurada no narrador Rodrigo S. M.), em contrapartida, não abre mão de suas características mais marcantes, ou seja, a reflexão, o elemento acima do enredo, o "silêncio e a chuva caindo", que marcarão a personagem protagonista. Como contar a vida sem menti-la? Para isso, pondera o narrador, a narrativa há de ser simples, sem arte. O narrador está enjoado de literatura. Não usará "termos suculentos", "adjetivos esplendorosos", "carnudos substantivos", verbos "esguios que atravessam agudos o ar em vias de ação". A linguagem deve ser despojada para ser precisa e para poder alcançar o corpo inteiro e vivo da realidade. Como escreve o narrador? "Verifico que escrevo de ouvido assim como aprendi inglês e francês de ouvido. Antecedentes meus do escrever? Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto. (...) Que mais? Sim, não tenho classe social, marginalizado que sou. A classe alta me tem como um monstro esquisito, a média com desconfiança de que eu possa desequilibrá-la, a classe baixa nunca vem a mim." Chegamos, aqui, ao ponto mais importante desse trabalho de metalinguagem: a consciência do escritor como um marginalizado. É aqui que o narrador se funde com sua personagem: ambos são marginalizados, num espaço que não os aceita. Tal fusão se dá em todos os níveis - não apenas no desejo de simplicidade da linguagem despojada; para poder falar de Macabéa, o escritor torna-se um trabalhador braçal, faz-se pobre, dorme pouco, adquire olheiras fundas e escuras, deixa a barba por fazer, lidando com uma personagem que insiste, com seus dezenove anos, mesmo tendo "corpo cariado", comparada a uma "cadela vadia", "numa cidade toda feita contra ela", em viver. Assim, personagem e narrador dão seu grito de resistência em busca da vida. A resistência de Macabéa pode ser representada, por exemplo, nos momentos em que sorri na rua para pessoas que sequer a vêem; a resistência do narrador, na busca da palavra, cheia de sentidos secretos... a "coisa", que, quando não existe, deve ser inventada (o narrador escritor como senhor da criação). Tanto Macabéa como a palavra são pedras brutas a serem trabalhadas. A palavra será a mediadora entre o narrador e o leitor, e entre o leitor e Macabéa, pois é por meio dela que conheceremos a história da personagem, os fatos e, principalmente, o nascimento deles. O narrador, ao contar Macabéa, conta a si mesmo, não só pelas sucessivas identificações com a personagem, mas porque ela sai de dentro de si, imanente que é a ele ("pois a datilógrafa não quer sair de meus ombros.") . Dessa união, nasce uma nordestina vinda de Alagoas para o Rio de Janeiro. Datilógrafa, "o que lhe dava alguma dignidade", fazendo-a acreditar que tal profissão indicava que "era alguém na vida" (aqui, não lhe passa pela cabeça que é uma péssima profissional, semi-analfabeta... ela não tem consciência de nada disso). Alguém com aparência bruta, capaz de enojar suas quatro companheiras de quarto (na pensão onde morava), trabalhadoras das Lojas Americanas: "... dormia de combinação de brim, com manchas bastante suspeitas de sangue pálido (...) Dormia de boca aberta por causa do nariz entupido. Ela nascera com maus antecedentes e agora parecia uma filha de não-sei-o-quê com ar de se desculpar por ocupar espaço. No espelho distraidamente examinou as manchas do rosto. Em Alagoas chamavam-se ‘panos’, diziam que vinham do fígado. Disfarçava os panos com grossa camada de pó branco e se ficava meio caiada era melhor que o pardacento. Ela toda era um pouco encardida pois raramente se lavava. De dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente, embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela." Sua falta de percepção física acompanha a psicológica. Começa com o fato de ela ser alvo fácil da sociedade consumista e da indústria cultural: gosta de colecionar anúncios; seus parcos conhecimentos são extraídos da Rádio Relógio (informações ouvidas, mas nunca entendidas); gosta de cachorro-quente e coca-cola. Aceita tudo isso sem questionar, pois teme as conclusões a que pode chegar (arrepende-se em Cristo por tudo, mesmo não entendendo o que isso significa; não se vingava porque lhe disseram que isso é "coisa infernal"; apaixona-se pelo desconhecido, como no caso da palavra "efemérides", mas nunca procurava, efetivamente, conhecer o incognoscível, pois era mais fácil aceitar aceitar-lhe a existência e admirá-lo a distância). Conseqüentemente, torna-se personagem "torta", de tanto encaixar-se num meio que tanto a repele. O próprio emprego de datilógrafa é revelador: ela o era por acreditar que este lhe dava alguma dignidade. Buscava a dignidade, como se não tivesse direito a ela. Outro dado revelador é seu relacionamento com Olímpico, desculpando-se com ele todo o tempo, chegando a dizer-lhe que não é muito gente, que só sabe ser impossível. Ela não se defende por seus próprios valores, mas tenta adaptar-se aos valores do namorado, nunca discutindo a validade deles. Olímpico representa o contraponto em relação a Macabéa. Seus valores em nada se relacionam aos dela: metalúrgico, quer ser deputado, afastar-se de Macabéa e ficar com Glória, a loira oxigenada, colega de trabalho de Macabéa; afinal, o pai dela era açougueiro, o que lhe dava maiores perspectivas de vida. E tudo isso é, literalmente, engolido, tão deglutido, que ela não admite a idéia de vomitar; afinal, isso seria um desperdício. Ao mesmo tempo, é sensual em seus pensamentos, ou nos momentos de solidão, como quando viu o homem bonito no botequim, ou ainda quando ficou em casa - ao invés de ir trabalhar - vivendo a sensação de liberdade. O prazer em Macabéa é algo que sempre se alia à dor. Ao ver o homem, por exemplo, apesar do prazer que tal visão lhe dá, há o sofrimento por não o possuir e por ter a certeza de que alguém assim é mesmo só para ser visto. Macabéa já havia experimentado essas sensações contraditórias com outra pessoa, a tia, que, ao bater na menina, sentia prazer ao vê-la sofrer: "... e ela era só ela", imune à vida, vida que era morte, por tanta aceitação. O instinto de vida, que está ligado ao prazer, vem sustentáa-la. Diz o narrador: "Penso no sexo de Macabéa (...) seu sexo era a única marca veemente de sua existência." E ainda, mais adiante, ligando o prazer à morte: "Ela nada podia mas seu sexo exigia, como um nascido girassol num túmulo." De que "relação sexual" se pode falar no caso de Macabéa? Da relação com a própria vida, que ela insiste em manter, no seu conceito tão particular de beleza: usava batom vermelho, queria ser atriz de cinema com Marylin Monroe, apreciava os ruídos, pois eram vida. Essas sensações se intensificam quando vai à cartomante Carlota (por recomendação de Glória), no momento em que esta lhe revela: a felicidade viria de fora, do estrangeiro. A cartomante mostra-lhe a tragédia que é sua vida (coisa de que, até o momento, não havia tomado consciência), mas, ao mesmo tempo, dá-lhe a esperança de acreditar que as coisas poderiam ser diferentes... a possível felicidade. Quando sai da casa da cartomante, é atropelada por Hans, que dirigia um automóvel Mercedes-Benz, momento em que a vida se torna "um soco no estômago": "Por enquanto Macabéa não passava de um vago sentimento nos paralelepípedos sujos. (...) Tanto estava viva que se mexeu devagar e acomodou o corpo em posição fetal. Grotesca como sempre fora. Aquela relutância em ceder, mas aquela vontade do grande abraço. Ela se abraçava a si mesma com vontade do doce nada. Era uma maldita e não sabia. (...)" A morte dela é o momento em que Eros (Amor) se une a Tanatos (Morte), vida e morte, num momento doce, e sensual: "Então - ali deitada - teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. (...) E havia certa sensualidade no modo como se encolhera. Ou é como a pré-morte se parece com a intensa ânsia sensual? É que o rosto dela lembrava um esgar de desejo. (...) Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Não, não era morte pois não a quero para a moça: só um atropelamento que não significava sequer um desastre. Seu esforço de viver parecia uma coisa que se nunca experimentara, virgem que era , ao menos intuíra, pois só agora entendia que mulher nasce mulher desde o primeiro vagido. O destino de uma mulher é ser mulher. Intuíra o instante quase dolorido e esfuziante do desmaio do amor. Sim, doloroso reflorescimento tão difícil que ela empregava nele o corpo e a outra coisa que vós chamais de alma. (...) Nesta hora exata, Macabéa sente um fundo enjôo de estômago e quase vomitou, queria vomitar o que não é corpo, vomitar algo luminoso. Estrela de mil pontas. O que é que eu estou vendo agora é e que me assusta? Vejo que ela vomitou um pouco de sangue, vasto espasmo, enfim o âmago tocando no âmago: vitória!" Sua boca, agora, vermelha como a de Marylin Monroe, no apogeu orgásmico da morte, grita, pela primeira vez, depois de vomitar, à vida: "E então - então o súbito grito estertorado de uma gaivota, de repente a águia voraz erguendo para os altos ares a ovelha tenra, o macio gato estraçalhando um rato sujo e qualquer, a vida come a vida." Chegamos, afinal, ao momento da epifania do narrador fundido à Macabéa: é a vida que grita por si mesma, independente da opressão e da marginalização social. O momento, entremeado com silêncio, da consciência a que se chega pelo ato de escrever: "(...) O instante é aquele átimo de tempo em que o pneu do carro correndo em alta velocidade toca no chão e depois não toca mais e depois toca de novo. Etc. , etc., etc. No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada. Eu vos pergunto: - Qual é o peso da luz? E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?! Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim." Enfim, descobrimos, agora, que tudo começa e acaba com um sim. Também é preciso coragem para morrer, silêncio para ouvir o grito da vida. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Este livro tem por temática central a formação do professor, é uma reflexão sobre a tarefa do educador como exercício permanente de auto-aprendizado, é uma síntese que demonstra sua maturidade, lucidez e vontade, com simplicidade de abordar questões fundamental para a formação dos educadores de forma objetiva, onde a prática deve ser em favor da autonomia dos alunos, uma vez que é mais simples formar que educar.
Sua linguagem é poética e política, calma e ao mesmo problematizadora, a serviço do pensar. Demonstra crença nos homens e nas mulheres e na educação autêntica como caminho para a justiça e a paz.
Chama os educadores para com a ética, crítica, competência científica e amorosidade ensinarem os educandos a serem mais. Devemos nos assumir como sujeitos éticos, e lutar por essa ética. Ética que deve combater a ética de mercado mundial, a baseada em lucros, este esta embutido no processo educativo. Para isso sugere que leve a política para as salas de aulas.
Para a prática docência, ele afirma que não há docência sem discência, pois quem forma se forma e re-forma. O ensino não depende exclusivamente do professor, assim como o aprendizado não é algo apenas do aluno. Quem ensina aprende ao ensinar que quem aprende ensina ao aprender. Assim, professor e aluno são participantes do mesmo processo da construção da aprendizagem. O educador deve desenvolver a si mesmo como pesquisador sujeito curioso, que busca o saber e o assimila de uma forma critica e orienta seus educandos a seguirem esta mesma linha metodológica de estudar e entender o mundo. Não há ensino sem pesquisa, nem pesquisa sem ensino. A esse pesquisar só ocorre quando o professor souber pensar, e duvidar de suas próprias certezas, cabe ao docente desenvolver em seus alunos o mesmo espírito.
Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. Para ensinar exige-se respeito à autonomia do aluno.
Respeitar sua curiosidade faz parte de sua ética. É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber em que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano. Para isso deve fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater, para isso é preciso gostar do que faz e quere bem seu aluno sentir prazer em vê-lo descobrir o conhecimento. Há uma discussão sobre a mudança de curiosidade ingênua pra uma curiosidade epistemológica, que diferem quanto a sua complexidade e ao rigor metódico.
Para Freire educar é construir, é libertar o ser humano das cadeiras do determinismo neoliberal, reconhecendo que a história e a um tempo de possibilidades. Ensinar é onde a identidade cultural atinge a dimensão individual, de conscientização e testemunho à vida. É toda troca entre aluno e professor.Educar é como viver,é respeitar e doaçpgar. Aprender e uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser. Alfabetizar só se realiza quando se expulsa o opressor de dentro do oprimido, o libertar da culpa, precisa se ter um respeito mutuo entre a autoridade docente e a liberdade dos alunos. Assim, conseqüentemente, teorias e práticas não estariam separadas.
A educação com intervenção significa mudar a sociedade no campo da economia, relações humana, propriedades, direito ao trabalho, a terra a educação, a saúde.
A educação é ideológica, mas dialogante e atentiva, a pedagogia deve ser vigilante contra todas as práticas de desumanização. É necessário que o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitada ajudem a evitar a degradação humana e o discurso fatalismo da globalização.
Alguns fatores que auxiliam na resolução de problemas da pratica educativa:
• Rigorosidade metódica e q pesquisa;
• A ética e a estética;
• A competência profissional;
• O respeito pela identidade cultural;
• A rejeição de toda e qualquer forma de discriminação;
• A reflexão critica da pratica pedagógica;
• A corporeificação, o saber dialogar e escutar;
• O quere bem aos educandos;
• O ter liberdade e autoridade;
• O ter curiosidade;
• O ter consciência do inacabado. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Gaúcho narra em terceira pessoa a história de um menino, Manuel Canho, que admira muito a seu pai, grande conhecedor de cavalos, que é assassinado. O filho nunca o esquece. Odeia o padrasto e, após a morte desse, busca vingar o assassinato do pai. Na execução deste projeto de vingança o gaúcho Manuel Canho vive peripécias ligadas à Guerra dos Farrapos, mais particularmente a Bento Gonçalves. Depois de vingado, Manuel apaixona-se por Catita. Durante uma viagem de Manuel, a moça deixa-se envolver por outro homem, mas, quando Manuel regressa, Catita arroja-se a seus pés, protestando-lhe o amor. Manuel afasta-se no seu cavalo, mas a moça lança-se à garupa e o livro termina com os dois cavalgando pelo pampa infinito, numa louca carreira, em meio a uma paisagem apoteótica de céu encoberto, relâmpagos cortando e ventos zunindo. No capítulo II do livro I podemos contemplar a paisagem do sul do Brasil: O gaúcho a cavalo correndo pelos pampas. Este romance, publicado em 1870, foi o primeiro da série com qual Alencar tentou um "retrato do Brasil", focalizando ambientes brasileiros afastados do bulício da corte, outras obras de Alencar regionalista são: O tronco do Ipê (interior fluminense 1871), Til (interior paulista - 1872) e o sertanejo (interior do nordeste - 1875). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Contos Novos (1947) foi escrito num período de crise pessoal, teve publicação póstuma. Reúne narrativas da maturidade artística do autor, marcadas pela maior depuração compositiva e estilística. "Eu também me gabo de levar de 1927 a 42 pra achar o conto, e completá-lo em seus elementos" (Carta a Alphonsus de Guimaraens Filho). De estrutura moderna, seu gênero demosntra acolhida às principais correntes ficcionistas que marcaram a Literatura Brasileira das décadas de 30 e 40. Mais do que os fatos exteriores, os relatos procuram registrar o fluxo de pensamento das personagens. Seu contexto histórico-cultural passa-se em São Paulo, capital e interior, décadas de 20 a 40; processo de urbanização e industrialização (cidade); patriarcalismo X progressismo (ambiente rural). Enredos: 1. "Vestida de preto": Juca, em flash-back, recupera as primeiras experiências amorosas com sua prima Maria, bruscamente interrompidas por uma Tia Velha. A repressão associa-se à rejeição da prima, que o esnoba na adolescência. A prima se casa, descasa, e o convida para visitá-la. "Fantasticamente mulher", sua aparição deixa Juca assustado. 2. "O ladrão": Numa madrugada paulistana, um bairro operário é acordado por gritos de pega-ladrão. Num primeiro momento, marcado pela agitação, os moradores reagem com atitudes que vão do medo ao pânico e à histeria, anulados pela solidariedade com que se unem na perseguição ao ladrão. Num segundo momento, caracterizado pela serenidade e enleio poético, um pequeno grupo de moradores experimenta momentos de êxtase existencial.

Os comportamentos se sucedem, numa linha que vai do instinto gregário ao esvaziamento trazido pela rotina. 3. "Primeiro de Maio": Conflito de um jovem operário, identificado como "chapinha 35", com o momento histórico do Estado Novo. 35 vê passar o Dia do Trabalho, experimentando reflexões e emoções que vão da felicidade matinal à amargura e desencanto vespertinos. Mesmo assim, acalenta a esperança de que, no futuro, haja liberdade democrática para que "sua" data seja comemorada sem repressão. 4. "Atrás da catedral de Ruão": Relato dos obsessivos anseios sexuais de uma professora de francês, quarentona invicta, que procura hipocritamente dissimular seus impulsos carnais. Aplicação ficcional da psicanálise: decifração freudiana. 5. "O poço": Joaquim Prestes, fazendeiro dividido entre o autoritarismo e o progressismo, é desafiado por um grupo de peões que se insubordinam, desrespeitando o mandonismo absurdo do patrão. 6. "Peru de Natal": Juca exorciza a figura do pai, "o puro-sangue dos desmancha-prazeres", proporcionando à família o que o velho, "acolchoado no medíocre", sempre negara. 7. "Frederico Paciência": Dois adolescentes envolvidos por uma amizade dúbia, de conotação homossexual, procuram encontrar justificativas para esse controvertido vínculo e se rebelam contra as convenções impostas pela sociedade. 8. "Nélson": Registro do comportamento insólito de um homem sem nome. Num bar, um grupo de rapazes exercita seu "voyeurismo" pela curiosidade despertada pelo estranho sujeito: quatro relatos se acumulam, na tentativa de decifrar a identidade e a história de vida de uma pessoa que vive ilhada da sociedade, ruminando sua misantropia. 9. "Tempo de camisolinha": Juca, posicionando-se novamente como personagem-narrador, evoca reminiscências da infância, especialmente do trauma que lhe causou o corte de seus longos cabelos cacheados. Reconcilia-se com a vida ao presentear um operário português com três estrelas-do-mar. Foco narrativo de 1ª pessoa - Centra-se no eixo de individualidade de Juca, protagonista-narrador. Por meio de evocação memorialista, em profunda introspecção, ele relembra a infância, a adolescência e o início de vida adulta. Foco narrativo de 3ª pessoa - Centra-se num eixo de referência social, de inspiração neo-realista. A denúncia de problemas sociais se alia à análise da problemática existencial das personagens. Espaço - Integra-se de forma dinâmica nos conflitos das personagens. Por exemplo, em "O poço", o frio cortante do vento de julho, no interior paulista, amplifica o tratamento desumano que o fazendeiro Joaquim Prestes dá a seus empregados. Personagens - Nas nove narrativas, evidencia-se um profundo mergulho na realidade social e psíquica do homem brasileiro. Os quatro contos de cunho biográfico e memorialista, centrados em Juca, promovem uma "interiorização" de temas sociais e familiares. Já os com enunciação em terceira pessoa apresentam personagens cuja densidade psicológica procura expressar a relação conflituosa do homem com o mundo. Em contos como "Primeiro de Maio", "Atrás da catedral de Ruão" e "Nélson", os protagonistas não têm nome: isso é índice da reificação e da alienação que fragmentam a existência humana na sociedade contemporânea. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Calabar: o elogio da traição - Chico Buarque de Hollanda


A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa.
Vivia o Brasil sob a opressão do regime ditatorial militar, e era comum o uso das metáforas nas produções artísticas a fim de, por um lado, burlar a censura rigorosa do sistema (sendo popular a figura de Armando Falcão, militar encarregado dessa tarefa canhestra) e, por outro, denunciar a situação atual.
Chico Buarque foi um mestre no uso dessas figurações: e o episódio histórico do traidor Calabar, comum em todos os livros didáticos como um dos maiores exemplos de perfídia - serviu de mote para justamente questionar a chamava versão oficial.

Na peça, Domingo Calabar passa de comerciante que visava o lucro e que, por isto, traíra os portugueses e colonos brasileiros - para um quase herói, que tinha por objetivo não o ganho pessoal, mas o melhor para o povo brasileiro (na verdade um conceito ainda inexistente, no século XVIII).
A intenção dos autores, porém, não era denunciar um erro histórico, nem tinha a pretensão de promover uma revisão: o alvo era, justamente, o próprio Regime militar, sua censura, os veículos de comunicação que, engessados pelas versões dos fatos sempre acordes com o sistema, passavam ao povo imagens que precisavam ser questionadas em sua veracidade.

Músicas
Dentre as músicas que compõem o repertório da obra, algumas foram sucesso, como "Não existe pecado ao sul do Equador" (cantada por Ney Matogrosso); "Cala a boca, Bárbara", e outras.

Iniciativa ousada
Calabar: o elogio da traição, foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de trinta mil dólares e empregava mais de oitenta pessoas.

A peça e a ditadura
A censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em 20 de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e, como se não bastasse, ainda proibiu que a proibição fosse divulgada.
O prejuízo para os autores e para o ator Fernando Torres, produtores da montagem, foi enorme.
Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A obra se classifica entre o conto e o romance e fala do drama do retirante diante da seca implacável e da extrema pobreza que leva a um relacionamento seco e doloroso entre as personagens, quase um monólogo. Os participantes da história são: Fabiano o chefe da família, homem rude e quase incapaz de expressar seu pensamento com palavras; Sinhá Vitória, sua mulher com um nível intelectual um pouco superior ao do marido que a admira por isto; O menino mais novo, quer realizar algo notável para ser igual ao pai e despertar a admiração do irmão e da Baleia, a cadela; O menino mais velho, sente curiosidade pela palavra "inferno" e procura se esclarecer com a mãe, já que o pai é incapaz; A cadela, Baleia, e o papagaio completam o grupo de retirantes, na história; Representando a sociedade local, na história, estão o soldado amarelo, corrupto e arbitrário, impõe-se ao indefeso Fabiano que o respeita por ser representante do governo; Tomás da Bolandeira, dono da fazenda, onde a família se abrigou durante uma tempestade, e homem poderoso da região que impõe sua vontade. O livro tem l3 capítulos, até certo ponto autônomos, ligando-se por alguns temas. I - Mudança Este capítulo é o inicio da retirada, com as personagens citadas acima. Supõe uma narrativa anterior: "Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos." Tocados pela seca chegam a uma fazenda abandonada e fazem uma fogueira. A cachorra traz um preá: "Levantaram-se todos gritando. O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho. Sinhá Vitória beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensangüentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo," Fala da terra seca e do sofrimento. A comunicação é rara e ocorre quando o pai ralha com o filho e esse procedimento é uma constante no livro. Há uma intenção do autor de não dar nome aos meninos, para evidenciar a vida sem sentido e sem sonhos do retirante. "Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira duma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disto." II - Fabiano "Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passara uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fizera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro. Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara - se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado." Contente dizia a si mesmo: "Você é um bicho, Fabiano." Mostra o homem embrutecido, mas capaz de auto-análise. Tem consciência de suas limitações e admira quem sabe se expressar. "Admirava as palavras compridas da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas." III - Cadeia Na feira da cidade o soldado convida Fabiano para jogar baralho e depois desentende-se com ele e o prende arbitrariamente. A figura do soldado amarelo simboliza o governo e, com isto, o autor quer passar a idéia de que não é só a seca que faz do retirante um bicho, mas também as arbitrariedades cometidas pela autoridade. Ao fim do capítulo ele toma consciência de que está irremediavelmente vencido e sem ilusões com relação á sorte de seus filhos. "Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo." IV - Sinhá Vitória Enquanto o marido aspira um dia saber expressar-se convenientemente, a mulher deseja apenas possuir uma cama de couro igual a do seu Tomás da bolandeira, fazendeiro poderoso que é uma referência. Ela recorda a viagem, a morte do papagaio, o medo da seca. A presença do marido lhe dá segurança. V - O Menino Mais Novo Quer ser igual ao pai que domou uma égua e tenta montar no bode caindo e sendo motivo de chacota de irmão e da Baleia. O sonho do menino é uma forma de resistência ao embrutecimento, tal como a mãe que sonha com a cama de lastro de couro. VI - O Menino Mais Velho As aspirações da família são cada vez mais modestas. Tudo que o menino mais velho desejava era uma amizade e a da Baleia já servia bem: "O menino continuava a abraçá-la. E Baleia encolhia-se para não magoa-lo, sofria a carícia excessiva." VII - Inverno É a descrição de uma noite chuvosa e os temores e devaneios que a chuva desperta na família. Eles sabiam que a chuva que inundava tudo passaria e a seca tomaria conta de suas vidas novamente. VIII - A Festa É um dos capítulos mais tristes. É natal e a família vai à festa na cidade. Fabiano compara-se com as pessoas e se sente inferior. Depois da missa quer ir às barracas de jogo mas a mulher é contra porque ele bebe e fica valente. Acaba pegando no sono na calçada e em seus sonhos os soldados amarelos praticam arbitrariedades. A família toda sente a distância que os separa dos demais seres. Sinhá Vitória refugia-se no devaneio, imaginando-se com a cama de lastro de couro. IX - Baleia É um capítulo trágico. O autor faz uma humanização da cadela Baleia. Ela parece doente e será sacrificada. Desconfiada, tenta esconder-se. Não entende porque estão querendo fazer isso com ela. Já ferida ela espera a morte e sonha com uma vida melhor. Na história, a Baleia e sinhá Vitória são as personagens que conseguem expressar melhor os seus anseios. X - Contas Fabiano tem de vender ao patrão bezerros e cabritos que ganhou trabalhando e reclama que as contas não batem com as de sua mulher. Revolta-se e depois aceita o fato com resignação. Lembra que já fora vítima antes de um fiscal da prefeitura. O pai e o avô viveram assim. Estava no sangue e não pretendia mais nada. XI - O Soldado Amarelo É uma descrição dessa personagem. Ele aparece como é socialmente e não como é profissionalmente. A sua força vem da instituição que representa. Mais fraco fisicamente, arbitrário e corrupto, acovarda-se ao encontrar-se à mercê de Fabiano na caatinga. Fabiano vacila na sua intenção de vingança e orienta o soldado perdido. A figura da autoridade constituída é muito forte no inconsciente de Fabiano. XII - O Mundo Coberto de Penas O sertão iria pegar fogo. A seca estava voltando, anunciada pelas aves de arribação. A mulher adverte que as aves bebem a água dos outros animais. Fabiano admira-se da inteligência da mulher e procura matar algumas que servirão de alimento. Faz um apanhado da suas desgraças. O sentimento de culpa por matar a Baleia não o deixa. "Chegou-se á sua casa, com medo, ia escurecendo e àquela hora ele sentia sempre uns vagos tremores. Ultimamente vivia esmorecido, mofino, porque as desgraças eram muitas. Precisava consultar Sinhá Vitória, combinar a viagem, livrar-se das arribações, explicar-se, convencer-se de que não praticara uma injustiça matando a cachorra. Necessário abandonar aqueles lugares amaldiçoados. Sinhá Vitória pensaria como ele." XIII - Fuga A esposa junta-se ao marido e sonham juntos. Sinhá Vitória é mais otimista e consegue passar um pouco de paz e esperança. O livro termina com uma mistura de sonho, frustração e descrença. Fabiano mata um bezerro, salga a carne e partem de madrugada. "E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Luneta Mágica é uma obra que se afasta do romance ligeiro de complicações amorosas e desenlaces piegas, não se aproxima de nada. Paira indecisa entre a fábula, o conto de fadas, e a historieta, tudo entremeado de digressões pseudofilosóficas. As frequentes e nem sempre oportunas especulações sobre o Bem e o Mal se conduzem através de um discurso em que predomina o lugar-comum romântico, enunciado por um narrador que proclama sua miopia física e moral desde a primeira página. Em primeira pessoa, Simplício, o narrador, conta-nos suas desventuras de míope que a duas polegadas dos olhos não distingue um girassol de uma violeta. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Passa-se durante o reinado de D. José I, governo do Marquês de Pombal. Enquanto o Marquês declara guerra à Espanha D. José se diverte com tourada com os nobres. O conde dos Arcos morre enquanto toureando e seu velho pai, o Marquês de Marialva, desce da tribuna e enfrenta suicidamente o touro. Ele vence, no entanto, e quando o Marquês de Pombal chega, ele consola o de Marialva e pede ao rei que acabe com as touradas. D. José o faz. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em A Rosa do Povo, livro de Carlos Drummond de Andrade, ao qual pertence o poema "O Elefante", objeto central deste trabalho, encontra-se também o poema Procura da Poesia, em que o poeta coloca seu conceito acerca da construção da arte poética: "Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os poemas que esperam ser escritos. / Estão paralisados, mas não há desespero, / há calma e frescura na superfície intacta." Em O Elefante, encontramos uma relação semelhante à desse texto acima transcrito: o poeta será aquele que se coloca diante de seu desígnio - a palavra -, esperando decodificá-la, nomeá-la poeticamente; feito isso, estabelece-se a relação criador/criação, autor/material. Tal fusão será tão intensa, que chegaremos ao momento em que um se confundirá com o outro, num mesmo instante poético. A dialética criador/criação é um dos pontos mais abordados pela arte literária moderna, tanto em sua escritura como em sua crítica. Modernamente, o conteúdo é conseqüência do trabalho que o poeta faz com a palavra, e não mais sua causa. A criação poética passa a ser exatamente essa relação entre o autor e seu material. Segundo Alfredo Bosi, em O Ser e o Tempo na Poesia, o homem, ao criar, coloca-se como o "deus" da criação, a partir do momento em que, como o "Grande Criador", tem o poder de nomear os seres.

Nomear significa reconhecer, identificar; no nome, encontra-se toda a vivência do criador: é como ele vê o mundo, como entra em contato com ele, como estabelece esta inter-relação. No caso do poeta-criador, este mundo a ser reconhecido é o "reino das palavras"; a palavra é o seu desafio maior, no desígnio de nomeá-la, dando-lhe sentidos especiais, tornando-a poética. Sendo assim, ao nomear, é como se se colocasse diante da vida, criando um processo metalingüístico dela. É o reconhecimento de que a "Grande Obra" do Criador está incompleta... Afinal, é como se Ele deixasse uma parte - pequena apenas na aparência -a essa sua criatura, que se transforma em criador ao relacionar-se com ela. A sensibilidade do poeta reconhece tudo isso: à imagem do Criador, que se estende em sua Grande Obra, desdobra-se na criação... desdobra-se tanto, até chegar a um momento em que não há diferença entre um e outro - criador e criação fundem-se num único espaço e tempo, sem limites, como resistência - conforme coloca Alfredo Bosi - diante da rotulação pré-estabelecida. Assim, também busca algo, ao mesmo tempo grande e grandioso em seu desígnio: sua criação é um elefante; não é o elefante, mas um elefante; não se pretende único, definido, específico, mas busca apenas ser um, modestamente composto de "poucos recursos"; é grande (elefante), porém, indefinido (um). É como se houvesse aí o primeiro de uma seqüência de paradoxos: "o elefante"- como nós o conhecemos- é definido ao extremo (visível e espalhafatoso em sua forma), mas "um elefante"- este, criado pelo poeta - será indefinido, etéreo, com todo o direito a sê-lo... é sua criação, em sua capacidade de perceber a forma, que pede para ser interpretada. O material de que será composto sairá da observação da "vida presente" (de que o poeta fala em "Mãos Dadas"), parte a parte, ainda etéreo, indefinido: "Um tanto de madeira / tirado a móveis velhos / talvez lhe dê apoio". É assim o pretenso apoio do elefante- "móveis velhos"; o mundo, a vida já existente, que o poeta pretende recriar. Sua essência mantém a estrutura diáfana: "... o encho de algodão, / de paina, de doçura". Ele é leve - é tudo o que não esperávamos de um elefante! As orelhas são "pensas", mantendo a estrutura inicialmente delineada: tem nelas, pela sua audição, seu acesso inicial - embora ineficiente - ao mundo. Mas "a parte mais feliz / de sua arquitetura" é a tromba. O elefante, como observamos no prosseguimento da montagem, terá nela seu acesso mais possível: é possível sentir o cheiro do mundo, inalá-lo e envolvê-lo no enchimento de doçura e algodão, todavia é pouco possível ouvi-lo e comunicar-se com ele. Quem enxergaria um elefante tão etéreo ("Vai meu elefante/ pela rua povoada, / mas não o querem ver")? Tal impossibilidade de comunicação será ainda mais flagrante na tentativa de figurar as presas. Todos sabemos que o mundo valoriza o marfim; mata-se por ele... e é exatamente essa parte que o criador não consegue edificar - esta ele deixa para os circos; seu elefante é para a rua. Na atitude de o poeta colocá-lo na rua, localiza-se o ponto alto de tensão do poema: o elefante é a criação do poeta mandada às ruas, num desejo de contato sensacionista, num desejo de comunicação... é querer atingir o mundo... o criador expõe-se através da criatura, no início da fusão entre o autor e o material. A tensão resulta do fato de que o eu poético não concretizará seu desejo. O primeiro índice disso está no fato, já anteriormente mencionado, de não conseguir figurar as presas, exatamente aquilo que, de forma mais convencional, é observado num elefante. A riqueza de sua criação irá parta os olhos - "a parte do elefante / mais fluida e permanente, / alheia a toda fraude", pois, enquanto portais da alma, os olhos transmitem e geram vida; assim sendo, ninguém mata por eles: ninguém os ambiciona, porque ninguém os entende. Nessa tensão, o elefante, ingenuamente, tenta o contato, pois "sai à procura de amigos": "e move lentamente / a pele costurada / onde há flores de pano / e nuvens, alusões / a um mundo mais poético / onde o amor reagrupa / as formas naturais". É esta a sua arma maior: o amor. Como Platão, também acredita no Amor como energia maior do Mundo Inteligível, capaz de reagrupar, articular o que se apresenta desarticulado. Sua inocência é tão etérea quanto sua forma incognoscível; sua percepção não é suficiente para captar sua imensa fragilidade ("a cauda ameaça deixá-lo ir sozinho").Num processo de gradação, consegue ser "todo graça", embora "as pernas não ajudem / e seu ventre balofo / se arrisque a desabar / ao mais leve empurrão". O ventre, refúgio da vida, é preenchido também de doçura... mas ainda falta, sempre falta, e ele ainda está "faminto" Como não é visto, corre o risco de ser empurrado; como é apenas costurado, corre o risco de arrebentar e desabar. Mesmo assim, sustenta "sua mínima vida", mesmo que não haja "...na cidade / alma que se disponha / a recolher em si/ desse corpo sensível / a fugitiva imagem". Sensível e engraçado, dois adjetivos paradoxalmente entrelaçados. O paradoxo se dá devido à existência de dois ângulos de enfoque: ele é sensível em sua essência; é engraçado a partir do olhar alheio - é tocante, mas não é tocável. É como se os seres, no máximo, conseguissem ter pena dele... mais daí a tocá-lo, há uma grande distância, visto que, para chegar-se perto do que não se conhece, dá medo, é arriscado, principalmente se for algo que pode desabar a qualquer momento, de tão pesado. É um peso a não compreensão... o elefante está balofo de tanta vida; ele respira pela tromba enorme. É vivo demais para que se possa suportar, daí a idéia da comicidade... o riso preenche a lacuna deixada pela falta de entendimento: algo cômico torna-se algo descompromissado e, por conseguinte, não há razão para se entender. O mundo recua... e ele avança, acentuando o paradoxo inicial; tudo porque "o campo de batalha" o convida. Em detrimento do riso alheio, o elefante mantém-se faminto. É a tensão do Eu X Mundo que se reforça: os outros riem; ele tem fome. A contraposição intensifica-se na conjunção adversativa utilizada pelo poeta - "mas" - revelando toda a desarmonia, a desarticulação entre o universo do criador/criatura e o do mundo. "Mas faminto de seres / e de situações patéticas" - também (e, talvez, principalmente) o patético faz parte da "vida presente"; porém é preciso entendê-lo para poder prosseguir. O patético riso é o desafio para chegar-se aos "encontros ao luar / no mais profundo oceano / sob a raiz das árvores / ou no seio das conchas / de luzes que não cegam / e brilham através dos troncos mais espessos" - é a máxima docilidade, que busca atingir o que o comum jamais atinge, o estrato vivo e essencial de cada ser, a luz, brilho na totalidade, desde o "profundo oceano", chegando ao "seio das conchas" - o fora (oceano, árvores) e o dentro (conchas)... num caminho ascendente, sem causar danos a nada, "sem esmagar as plantas / no campo de batalha". Mais importante que tudo é caminhar "à procura de sítios, / segredos, episódios / não contados em livro", aquilo que "os homens ignoram", por trazerem a "pálpebra cerrada"; novamente, para o homem, é preciso ignorar por medo de surpreender-se. Feito de "nuvens" e "flores de pano", ele "volta fatigado / as patas vacilantes / se desmancham no pó". Os passos, até agora desengonçados e constantes, fraquejam, por alguns instantes, tristes e cansados. "Ele não encontrou o de que carecia, / o de que carecemos, / eu e meu elefante, / em que amo disfarçar-me." Até esse instante do poema, tínhamos um elefante andando sozinho, buscando sozinho, qual personagem criado, "o de que carecia, / o de que carecemos". O pronome demonstrativo o é neutro: a essência buscada é vaga, ampla, grande demais, pois é luz (como anteriormente se mencionou), toda resumida no demonstrativo o; é a simplicidade reforçada. A criação carece... o criador carece... mais do que isso, um carece através do outro e vice-versa. Enfim, "eu e meu elefante, / em que amo disfarçar-me", num momento de epifania para o leitor: o elefante fabricado é o poeta e sua poesia (autor/material). Desta vez, o gauche do "Poema das Sete Faces" transformou-se num grande e desengonçado elefante, mantendo, em sua origem, o estigma de personagem torta: "caiu-lhe o vasto engenho / como simples papel", descolado, "e todo o seu conteúdo / de perdão, de carícia, / de pluma, de algodão, / jorra sobre o tapete, / qual mito desmontado"... imagem triste que pode gerar a idéia de que o criador vai desistir. Novamente, contrariando nossas expectativas, com a forma simples que lhe é característica, ele afirma: "Amanhã recomeço". Recomeçar, reconstruir, refazer... a poesia, constante diálogo com o mundo, perpetua-se na certeza da possibilidade de busca... é a palavra tornando-se vida, continuamente. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
INTRODUÇÃO A obra de ficção mais conhecida de Guimarães Rosa consta de contos, novelas e um romance monumental, publicado em 1956, que é Grandes Sertão: Veredas - livro que desconcertou a crítica. Entre os livros de contos, destaca-se Sagarana, seu livro de estréia, publicado em 1946, que foi recebido como "uma das mais importantes obras aparecidas no Brasil contemporâneo"; Primeiras Estórias (1962); Tutaméia (Terceiras estórias), de 1967; e o livro póstumo Estas estórias (1969). Corpo de Baile contém várias novelas e, a partir de 1964, foi desdobrado em três volumes: "Manuelzão e Miguilim", "No Urubuquáquá, no Pinhém", e "Noites do Sertão". As duas primeiras, também conhecidas como "Uma estória de amor" e "Campo Geral". Como observa Beth Brait, em "Literatura Comentada", da Abril Editora, "Campo Geral é uma narrativa profundamente lírica que traduz a habilidade de Guimarães Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança." Pode-se dizer que Campo Geral é uma espécie de biografia, em que muitos críticos vêem traços autobiográficos do autor. O tema do livro é a infância - a infância de um menino da roça, com usas descobertas da vida. Como sempre, tudo vem trabalhado com o inconfundível estilo de Guimarães Rosa numa linguagem estonteante nos seus recursos expressivos. Quanto a "Uma estória de amor", que focaliza a outra ponta da vida, de forma igualmente lírica, relata-se, ao mesmo tempo que se vai reconstituindo a vida do vaqueiro sessentão Manuelzão, a festa de consagração de uma capela que ele faz construir na fazenda que administra. Toda a narrativa desenvolve-se na véspera de sair uma boiada, o tema boi serve de ligação entre as cenas, reaparecendo aqui e ali, dominante, ora como o próprio animal, ora como vaqueiro ou instrumento de trabalho (contracapa). As duas novelas complementam-se como histórias de um começo e de um fim de vida. Enquanto a do menino é uma constante e por vezes dolorosa descoberta do mundo, a do vaqueiro sessentão é um relembrar também por vezes doloroso do que foi a sua vida, em que as recordações se misturam com os fatos do presente, como se aquela festa fosse a própria súmula de seus dias (contracapa). A NOVELA COMO ESPÉCIE LITERÁRIA Como espécie literária, a novela não se distingue do romance, evidentemente, pelo critério quantitativo, mas pelo essencial e estrutural. Tradicionalmente, a novela é uma modalidade literária que se caracteriza pela linearidade dos caracteres e acontecimentos, pela sucessividade episódica e pelo gosto das peripécias. Contrariamente ao romance, a novela não tem a complexidade dessa espécie literária, pois não se detém na análise minuciosa e detalhada dos fatos e personagens. A novela condensa os elementos do romance: os diálogos são rápidos e a narrativa é direta, sem muitas divagações. Nesse sentido, muita coisa que chamamos de romance não passa de novela. Naturalmente a novela moderna, como tudo que é moderno, evoluiu e não se sujeita a regras preestabelecidas. Tal como o conto, parodiando Mário de Andrade, "sempre será novela aquilo que seu autor batizou com o nome de novela". Como autor (pós)-modernista, Guimarães Rosa procurou ser original, imprimindo, em suas criações literárias, a sua marca pessoal, o seu estilo inconfundível. Suas novelas, contudo, apesar das inovações, sempre apresentam aquela essência básica dessa modalidade literária, que é o apego a uma fabulação contínua como um rio, de caso-puxa-caso. MIGUILIM: ESTRUTURA/ENREDO Campo Geral é uma novela narrada em terceira pessoa. A estória, entretanto, é filtrada pelo ponto de vista de Miguilim, uma criança de oito anos. Por essa razão, a visão de mundo apresentada pelo autor é organizada a partir desta expectativa: a vivência de um menino sensível e delicado, empenhado em compreender as pessoas e coisas que o cercam. A estória se desenvolve no Mutum, um remoto lugarejo das Gerais, e envolve várias personagens. Como é próprio da novela: a mãe, o pai, os irmãos, o tio, a avó e outras que têm relacionamento demorado ou passageiro com essa família. Com cerca de 150 páginas, a novela se organiza à semelhança de Grande Sertão; Veredas, ou seja, a narrativa não é dividida em capítulos e as falas, nos diálogos, não se sujeitam às normas convencionais. A narrativa, entretanto, pode ser dividida em alguns núcleos básico que passamos a descrever: 1) Ao completar sete anos, Miguilim é levado pelo tio Terêz até um lugarejo distante para ser crismado. Nessa viagem, uma lembrança que o marcou e que jamais esqueceu foi o dito de um moço que já estivera no Mutum: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..." Essa opinião opunha-se à da mãe, que ali morava e vivia queixando-se do triste recanto. Ao voltar, esta será a sua primeira preocupação: dizer à mão "que o Mutum era lugar bonito". A mãe, evidentemente, não lhe deu importância, apontando o morro como causa do seu infortúnio e da sua tristeza. "Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver..." 2) A família de Miguilim é numerosa e compõem-se de pai, mãe, irmãos, avó, tios, empregados, gatos e cachorros. Inicialmente, o seu relacionamento é bom como todos eles, aos poucos, vai-se percebendo a sua maior predileção pelo irmãozinho Dito. Mais novo do que Miguilim, Dito se destaca pela sabedoria e esperteza: "O Dito menor, muito mais menino, e sabia em adiantado as coisas com uma certeza, descarecia de perguntar". "Dava até raiva, aquele juízo sisudo, o poder do Dito, de saber e entender, sem as necessidades". Grande era a amizade que unia os dois. Boa parte da novela concentra-se nessa amizade e nas conversas de ambos: "Era capaz de brinca com o Dito a vida inteira, o Ditinho era a melhor pessoa, de repente, sempre sem desassossego". 3) A morte prematura de Dito vai provocar nele um impacto doloroso e chocante - exatamente Dito que não pensava em morrer e traçava planos para o futuro. "?Eu gosto de todos. Por isso que eu quero não morrer e crescer, tomar conta do Mutum, criar um gadão enorme. Mas Dito morre, e a desolação de Miguilim é total: "Miguilim doidava de não chorar mais e de correr por um socorro". "Soluçava de engasgar, sentia as lágrimas quentes, maiores do que os olhos". "Miguilim sentou no chão, num canto, chorava, não queria esbarrar de chorar, nem podia - Dito! Dito!..." 4) O relacionamento com o pai, a princípio, bom e cordial, vai-se deteriorando e chega ao clímax, quando, numa briga com um parente que os visitava, Miguilim é surrado violentamente por ele. A revolta detém-lhe as lágrimas e Miguilim nutre um ódio mortal pelo pai: "Não chorava, porque estava com um pensamento: quando ele crescesse, matava Pai". A mãe, sempre preocupada e zelosa, afasta-o de casa, mandando-o passar algum tempo com o vaqueiro Salúz. Miguilim retorna carrancudo e ainda mal-humorado: "Chegou e não falou nada. Não tomou bênção". A partir dessa cena, Miguilim começa a ajudar na capina da roça, quando passa mal e põe-se a vomitar. Estava doente, muito doente. O pai se desespera e é tomado de profunda comoção: "Pai chorava, demordia de morder os beiços". Acabou perdendo a cabeça e "se enforcou com um cipó", e Miguilim se restabeleceu. 5) O conflito gerado pelo relacionamento existente entre o pai, a mãe e o tio Terêz, irmão do Pai, é outro núcleo que se destaca na narrativa. Tudo indicava que havia alguma coisa entre a mãe e o tio Terêz, e o pai certamente sabia. Uma vez, Miguilim viu-o bater na mãe e foi surrado também. A partir daí, o tio Terêz, tão amigo de Miguilim afasta-se da casa. O ambiente estava carregado. Um temporal está prestes a desabar, o que fazia o Dito dizer sério: "? Por causa de Mamãe, Papai e Tio Terêz, Papai-do-Céu está com raiva de nós de surpresa..." Tempos depois, quando levava comida para o pai no roçado, tio Terêz aparece a Miguilim e pede-lhe que entregue um bilhete à mãe. Esse bilhete, segredo não revelado nem a Dito, torna-se, por muito tempo, o seu tormento, pois adivinhava o seu conteúdo. Acaba devolvendo-o ao tio. Terêz entende o seu dilema. No final da narrativa, com a morte do pai, tio Terêz retorna e tudo acaba bem: "?Se daqui a uns meses mão se casar com o tio Terêz, Miguilim, isso é do seu gosto? - indagava a mãe". "?Tio Terêz, o senhor parece com Pai..." - dizia Miguilim. 6) A novela se encerra com uma cena altamente simbólica: a descoberta de que era míope e a possibilidade de uma nova vida em outro lugar. Foi assim: De repente, chega ao Mutum, um senhor de óculos (Dr. Lourenço) e a amizade se estabelece: Deus te abençoe, pequeninho. Como é teu nome? Miguilim. Eu sou irmão do Dito. E o homem de óculos logo foi percebendo (era doutor): "Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista?" Era isto mesmo: Miguilim era piticego, tinha vista curta, e não sabia. E então o senhor (que era doutor) tirou os óculos e deu-os a Miguilim: "?Olha, agora! Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. O Mutum era bonito! - agora Miguilim via claramente. E então veio o convite: -O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. E, assim, Miguilim teria uma nova perspectiva na vida: a criança de calça curta ia penetrar, agora, em um novo mundo. PERSONAGENS Além de Miguilim, protagonista da estória., o qual se revela um menino sensível, delicado e inteligente ao longo da narrativa, o universo da novela "Campo Geral" é composto de várias outras personagens: 1) A família de Miguilim é constituída do pai (Nhô Berno), meio seco autoritário; a mãe (Nhanina), que "era linda e tinha cabelos pretos e compridos"; os irmãos Tomezinho e Dito; as irmãs Chica e Drelina; a avó Izidra; e o tio Terêz. 2) Fazendo parte da família, como empregadas da casa, destacam-se a preta Mãitina, Rosa Maria e Pretinha. Ligados à família, mas com alguma independência, destacam-se aqui também, os vaqueiros Salúz e Jé. 3) Ainda no universo da família, podemos inserir aqui os cachorros (sempre individualizados com um nome próprio), o gato Sossõe e o papagaio Papaco-o-Paco. 4) Entre os conhecidos e amigos, destacam-se o alegre e simpático seu Luisaltino, que veio morar com a família e ajudava o Pai no roçado. Para finalizar, é importante observar que, ao contrário da cidade grande onde as pessoas praticamente são anônimas, no mundo roseano tudo e todos têm um nome que os caracteriza e individualiza. MANUELZÃO - SÍNTESE Mais conhecida como Manuelzão, o verdadeiro nome da novela é Uma estória de amor e se passa na Samara, "nem fazenda, só um reposto, um currais-de-gado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra dos Gerais". A novela se abre com a expectativa de uma festa que reuniu muito povo e o padre para benzer a capela "-templozinho, nem mais que uma guarita, feita a dois quilômetros da Casa", que Manuelzão faz construir, a pedido de sua mãe (dona Quilina) , já falecida,. Que é bastante lembrada ao longo da narrativa. Num discurso indireto livre, em que o narrador parece falar pela boca de Manuelzão (tudo é filtrado pela sua ótica), a novela vai sendo conduzida sem divisão em capítulos, tangida como uma boiada, meio caoticamente, a lembrar o mundo inóspito e selvagem do sertão. Tudo gira em torno de Manuelzão, senhor da festa e da novela, que desbrava aquelas terras, cujo verdadeiro dono (Frederico Freyre) raramente aparecia por lá. De cima de seu cavalo e dos seus quase 60 anos, Manuelzão contempla a azáfama do povo nos preparativos da festa e vai reconstituindo o seu passado de "porfia", "fazendo outros sertões, comboiando boiadas, produzindo retiros provisórios". "Na Samara, Manuelzão conduzira o início de tudo, havia quatro anos, desde quando Frederico Freyre gostou do rincão e ali adquiriu seus mil e mil alqueires de terra asselvajada - Te entrego, Manuelzão, isto te deixo em mão, por desbravar! E enviou o gado." Sessentão solitário do sertão, que não destila o fel da casmurrice nem da solidão, Manuelzão busca no passado distante o Adelço, "filho natural, nascido de um curto caso", agora já com 30 anos, casado com a Leonísia, e pais de sete filhos, seus netinhos. Entretanto, embora "mouro trabalhador", o Adelço não é bem visto por ele, Manuelzão. De repente, na calada da madrugada, quando todos dormiam, o inesperado: o riacho, dito "Seco Riacho", que abastecia a casa com sua água e formosura, cessou. "Foi no meio duma noite, indo para a madrugada, todos estavam dormindo. Mas cada um sentiu, de repente, no coração, o estalo do silenciozinho que ele fez, a pontuda falta da toada, do barulhinho. Acordaram, se falaram. Até as crianças. Até os cachorros latiram. Aí, todos se levantaram, caçaram o quintal, saíram com luz, para espiar o que não havia (...).O riacho soluço se estancara, sem resto, e talvez para sempre. Secara-se a lagrimal, sua boquinha serrana. Era como se um menino sozinho tivesse morrido". Criatura boa e humilde, talqualmente a mãe, dona Quilina, era o velho Camilo, que ali viera aportar a sua velhice, depois de "asilar-se em ranchos ou cafuas mal abandonadas no campo sujo". Seo Camilo "era apenas uma espécie doméstica de mendigo, recolhido, inválido, que ali viera Ter e fora adotado por bem-fazer, surgido do mundo do Norte: Ele asséste mais é aqui, às vezes descasca um milhozinho, busca um balde d'água. Mas tudo na vontade dele. Ninguém manda, não.... A festa tem início realmente, na véspera, com chegada do padre (frei Petroaldo), que é recebido com foguetes e muita alegria. "A voz do povo levantou um louvor, prazeroso. Via-se, quando se via, era muito mais gente, aquela chegança, que modo que sombras. Gente sem desordem, capazes de muito tempo calados, mesmo não tinham viso para as surpresas". Outras pessoas iam chegando para a festa: João Urúgem, homem estranho que vivia isolado como bicho; o senhor de Vilamão, "homem de muitas possas, de longes distâncias dentro de suas terras", já alquebrado e velhinho, "o cabelo total embranquecido, trajado de vestimenta que não se usava mais em parte nenhuma- o cavour"; "chegava também o Lói, ex-vaqueiro, vestido com a baeta - um capote feito de baeta" e, fazendo muita algazarra , como se estivessem tangendo uma boiada, o Simão Faço mais seu irmão Jenuário e outros: "? Eh, Manuelzão, já fomos, já viemos...". Chegou ainda "seo Vevelho, com seus filhos, tocadores de música". Assim, tocando a sua narração (mais dele do que do narrador que se mistura), Manuelzão vai ruminando casos e mais casos, ali em meio àquele povão, na animada festa: "?Estória! - ele disse, então. Pois, minhamente: o mundo era grande. Mas tudo ainda era muito maior quando a gente ouvia contada, a narração dos outros, de volta de viagens". Na calda da noite, dando uma trégua na festa, ecoam, por entre silêncios atentos e não dormidos, as estórias de Joana Xaviel, "essa que morava desperdida, por aí, ora uma ora noutra chapada": "O seguinte é este..." Joana ia contando suas estória de reis, rainhas e vaqueiros, que Manuelzão escutava, deitado, na espreita de o sono chegar: "Se furtivava o sono, e no lugar dele manavam as negaças de voz daquela mulher Joana Xaviel, o urdume das estórias. As estórias - tinham amarugem e docice. A gente escutava, se esquecia de coisas que não sabia". Nas elocubrações de Manuelzão, vira-e-mexe, a beleza de Leonísia, sua nora: "Leonísia era linda sempre, era a bondade formosa. O Adelço merecia uma mulher assim? Seu cismado, soturno caladão, ele encabruava por ela cobiças de exagero, um amuo de amor; a ela com todas as grandes mãos se agarrava". Manuelzão ruminava: bem que o Adelço, depois da festa podia ir no seu lugar conduzindo a boiada, no comando, para longes distâncias. Afinal, não já estava sessentão? Não era ele quem mandava? "Eh, Manuel J. Roíz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". "Montado no meu cavalo eu abri este sertão..." No dia seguinte, a festa coma a missa celebrada. "A Capelinha estava só de Deus: Fazendo parte da manhã lambuzada de sol, contra o azul, mel em branca, parecia saída de um gear". Manuelzão, "a frente de todos, admirado por tantos olhos", dirige-se ao altar para beijar a Santa e dizer um padre nosso. Depois saiu, pois a capelinha era muito pequena, e "o aperto dava aflição". "O povoame enchia a chã, sem confusão nenhuma. Mesmo aqueles com os revólveres na cintura, armas, facas. Ao que Manuelzão, cá bem atrás ficou, no coice. Gostava todos aprovassem essa simplicidade sem bazófia, e vissem que ele fiscalizava". Após a celebração, a festa prossegue com danças, contradanças e muita alegria. Quadras ecoam dos violeiros do sertão, numa animação cheia de brincadeira, com o Pruxe, seo Vevelhoi e Chico Bràabóz no comando: Seu subi pelo céu arriba numa linha de pescar: preguntar Nossa Senhora se é pecado namorar!... -Olerê, canta! O Rio de São Francisco faz questão de me matar: pra cima corre ligeiro, pra baixo bem devagar... -Olerê, canta! Depois de muita festança e alguma comilança, a festa vai-se acabando. Ainda não. O velho Camilo, "todo vivido e desprovido", ia contar um caso - o fantástico "Romance do Boi Bonito, que vaqueiro nenhum não agüentava trazer no curral..." Até que assucedeu, brotado de repentemente, um vaqueiro encantado, por enquanto chamado apenas de Menino, que, montado num Cavalo de conto de fada, domou o Boi Bonito: ...O Boi estava amarado, chifres altos e orvalhados. Nos campos o sol brilhava. Nos brancos que o Boi vestia, linda mais luz se fazia. Boi Bonito desse um berro, não agüentavam a maravilha. E esses pássaros cantavam. O vaqueiro Menino foi "dino" (= digno): não quis dote nem nenhum prêmio pela proeza - queria tão-somente que livre Boi Bonito pastasse naquelas pairagens: "Vosmecê, meu Fazendeiro, há-de me atender primeiro, dino. Meu nome hei: Seunavino... Não quero dote em dinheiro. Peço que o Boi seja soltado. E se me dê esse Cavalo. Atendido, meu Vaqueiro, refiro nesta palavra. O Boi, que terá por seus os pastos do fazendado. Ao Cavalo, é já vosso. Beija a mão, meu Vaqueiro. Deus vos salve, Fazendeiro. Vaqueiros, meus companheiros. Violeiros... Fim Final. Cantem este Boi e o Vaqueiro, com belo palavreado..." Inebriado pela estória de seo Camilo, Manuelzão se revigora: apesar de seus 60 anos quase, ele está pronto para mais uma proeza - conduzir a boiada desbravando bravamente os caminhos do sertão das Gerais. PERSONAGENS Ao contrário de Muguilim, em que se focaliza um universo bastante limitado, coerente com a faixa etária do protagonista, em "Manuelzão", por estar a personagem na outra ponta da vida, tendo, portanto, passado por lugares vários, conhecendo gente e mais gente, o universo é bem maior.,. Aqui, pois, sugestivamente, a novela é povoada de gente que não acaba mias, reunida na Samarra para a festa de Manuelzão. Tudo gira, sem dúvida, em torno de Manuelzão, cuja trajetória de vaqueiro desbravador do sertão vai sendo reconstituída em meio à festa do presente. Ao contrário de Dom Casmurro, em que a velhice é marcada por mágoas e ressentimentos, aqui a vida é uma festa, movida por muita alegria e poesia, não obstante haver na novela também alguns lampejos de baqueamento. Apesar de vaqueiro sessentão, Manuelzão vai em frente, resistindo à idade, pois "de todo não queria parar". No final, sugestivamente, a novela se encerra com o início de uma nova jornada: "A boiada vai sair". Como é próprio da gente do sertão, o perfil de Manuelzão marca-se pela dedicação ao trabalho de vaqueiro e administrador da Samarra, tudo fazendo de uma forma abnegada e obstinada: "Eh, Manuel J. Roiz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". Por outro lado, ao longo da narrativa, percebe-se como traço de sua personagem, além da pródiga hospitalidade demonstrada com a festa, uma necessidade obsessiva de ser reconhecido e admirado como homem de valor: "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele, Manuelzão, falariam depois com respeito". Quanto às outras personagens, as que mais se destacam já ficaram esparramadas pela síntese que se fez da novela. LINGUAGEM Filtrado pelo ponto de vista de uma criança, a narrativa de Miguilim apresenta, coerentemente, uma linguagem que utiliza recursos morfológicos, sintáticos e semânticos, que reproduzem bem a expressividade da linguagem infantil, o mesmo acontecendo em Manuelzão, em que tudo é visto pela ótica do adulto. Por outro lado, também coerentemente, com o mundo apresentado, o registro da linguagem coloquial, tal como é falada pelo sertanejo, combina bem com a gente simples e rude que povoa as duas novelas. 1) Como é próprio da linguagem infantil, são constantes os diminutivos reduzidos em "-im", a começar pelo próprio nome Miguilim. "...tretava coragem de chegar pertim". "Miguilim, me dá umm beijim!" Algumas vezes o diminutivo é usado indevidamente, em função da expressividade. "E agorinha, agora, que ele carecia tanto de qualquer assinzinho de socorro". "Você me ensinazinho a dançar, Chica?" Em Manuelzão, expressando a ótica do adulto e combinado com o mundo apresentado, ocorre, com freqüência, o aumentativo, expresso não só no nome do protagonista como ao longo de toda a narrativa: "Laço, lação! Eu gosto de ver a argolar estalar no pé-do-chifre e o trem pular pra riba!" 2) Como é próprio da linguagem popular, é muito freqüente, em ambas as novelas, o uso duplo de negativas ("Mas nem não valia") e o emprego do advérbio não no final ("Ninguém manda, não"). 3) Outra coisa freqüente é o uso constante de sufixo -mente em situações não convencionais: "Mesmamente que acabavam a arrancação de inhame" "Só um caxinguelê ruivo se azougueou, de repentemente" "Pois, minhamente: o mundo era grande" 4) Como é próprio da linguagem interiorana, a presença de arcaísmo é freqüente: "Menino, eu te amostro!" "Escuta, Miguilim, você alembra..." 5) Também constantes são as inversões, como nos exemplos abaixo: "se coçando das ferroadas dos mosquitos, alegre quase" "...touro do demônio, sem raça nenhuma quase" 6) Reflexo da sintaxe popular, a silepse, caso de concordância ideológica aparece com freqüência: "A gente vamos lá!" "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele" 7) Outra coisa que se destaca na linguagem roseana é a aliança com a poesia, em que o autor explora recursos próprios da poesia, como aliterações, ecos, sonoridades, rimas, etc: "Teu lume, vaga-lume?" "Miguilim, me dá um beijim!" Refletindo a visão altamente lírica que ocorre em ambas as novelas, há passagens de oura poesia, como esta de "Manuelzão": "Fizeram noite, dançando. As iaiás também. O quando o dia já estava pronto pra amanhecer, céu já se desestrelando. No seguinte, na rompidinha do dia, a vaqueirama se formou". A esse propósito, Beth Brait, em "Literatura Comentada", afirma que "a lírica e a narrativa fundem-se e confundem-se, abolindo intencionalmente os limites existentes entre os gêneros." 8) Em suma, Guimarães Rosa "não se submete à tirania da gramática", fazendo largo uso da semântica, da sintaxe e da morfologia populares. Nesse sentido, em função da expressividade, são freqüentes na sua linguagem erros de colocação, de regência, de concordância etc. "Não truxe os óculos, Manuelzão. Assim, não dletreio..." "O que eu não posso agora é campear ela..." 9) Por outro lado destaca-se no estilo de Guimarães Rosa a inventividade - o gosto para criar palavras novas, usando sempre os recursos e possibilidades que a língua oferece: "Vezes que sucede de um adormorrer na estrada" "Tinha vergonha de saberem que estava lá em sua casa, em luademéis" "...ia ter mãezice de tolerar os casos, coisas que a todos desapraz?" "...mas insofria por ter de esperar" "O cachorrinho era com-cor com a Pingo" "O cachorro Gigão caminhara para a cozinha, devagaroso" "O vaqueiro Jé está dizendo que já vai dechover" "Mas agora o Gigão parava ali, bebelambendo água na poça" "Se encontrou com padrinho Simão, correu ensebado, veadal" "Tinha de ser lealdoso, obedecer com ele mesmo" "... enquanto Pai estivesse raivável" "As estórias - tinham amarugem e docice" "Carecia de um filho, prosseguinte" 10) Outro aspecto que reflete bem o mundo sertanejo e sabedoria popular é o suo constante ditados ditos populares, sempre, com rimas e musicalidade: "Lá chove, e cá corre..." "Eh mundão! Quem me mata é Deus, quem me come é o chão..." "Chuva vesprando, cachorro soneja muito" "Estou triste mas não choro. Morena dos olhos tristes, esta vida é caipora" "Mourão, mourão, toma este dente mau, me dá um dente são!" 11) Comuníssimo também em ambas as novelas, em mais aliança com a poesia, é o uso da frase nominal, sem estrutura oracional, desguarnecida de verbo: "Os violeiros desnudavam, Seo Vevelho, mais os filhos. A sanfona. Chico Bràabóz, preto cores pretas, mas com feições. Ô homem da pólvora quente!" 12) Combinando com a atmosfera festiva de "Manuelzão", são freqüentes, sobretudo nessa novela, quadras e versos, que refletem bem o gosto popular: O galo cantou na serra da meia-noite p'r'o dia. O touro berrou na margem no meio da vacaria. Coração se amanheceu de saudade, que doía... 13) Sempre em busca de originalidade, uma constante na ficção roseana, são comuns os jogos de palavras com verdadeiros achados como estes: "Lá é Cristo, cá é isto..." "Os bois todos andando, p'r'acolá, p'r'acoli" Como se pôde ver, o mundo ficcional roseano não é fácil, pois a linguagem sai do convencional, do já-feito, buscando um maneira nova de expressão: "O impulso primeiro é desistir", diz Beth Braitm que desafia: "Quem se atreve a adentrar espaço de eleitos?" ESTILO DE ÉPOCA A originalidade da linguagem de Guimarães Rosa, a sua inventividade e criatividade configuram bem o estilo de época (pós)-modernista. Essa preocupação em fazer diferente, saindo do convencional, é, sem dúvida, uma das grandes característica do estilo de época contemporâneo. É o próprio Guimarães quem fala: "Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros". Outra coisa que marca bem o estilo de época na obra é a capacidade revelada pelo escritor (pós)-modernista para refletir sobre problemas universais, partindo de uma realidade regional. É o que diz a contracapa de "Literatura Comentada": "Nele , quanto mais - aparentemente - particularizado o tema, mais universal ele é. Quanto mais simplórios seus personagens, mais ricas sua personalidades. Assim, rudes sertanejos refletem de forma peculiar e extremamente sutil os grandes dramas metafísicos e existenciais da humanidade". É isto que se vê em Guimarães Rosa e outro grandes escritores na nossa Literatura: há sempre uma dimensão universal no aparentemente regional. "O sertão que vem de Guimarães Rosa não se restringe aos limites geográficos brasileiros, ainda que dele extrais a sua matéria-prima. O sertão aparece como uma forma de aprendizado sobre a vida, sobre a existência, não apenas do sertanejo, mas do homem". Como dizia o próprio Guimarães: "o sertão é o mundo". ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES Além de apresentar o mundo sertanejo nos seus costumes, crendice e maneira próprio de ser, "Campo Geral" retrata basicamente a infância de um menino da roça nas suas incertezas, dúvida, angústias, crendices e descobertas do mundo e da vida. 1) Ao longo da novela, não são poucas as cenas e passagens em que se pode perceber a ruindade adulta em oposição ao sentimento puro e nobre da criança. Revela-o não só a história de cadela Pingo-de-Ouro, quase cega, que á doado aos outros pelo pai, como também a cena da caça ao tatu em que as pessoas grandes são recriminadas pela criança, na sua inocência e pureza. "Então, mas por que é que Pai e os outros se apraziam tão risonhos, doidavam, tão animados alegres, na hora de caçar àtoa, de matar tatu e os outro bichinhos desvalidos? " Miguilim via essas coisas e não compreendia. Na sua inocência de criança ficava a nódoa da imagem perversa: "Miguilim inventava outra espécie de nojo das pessoas grandes." "Miguilim não tinha vontade de crescer, de ser pessoa grande, a conversa das pessoas grandes era sempre as mesmas coisas secas, com aquela necessidade de ser brutas, coisas assustadas". 2) Como já deixamos claro no enredo, difícil e doloroso foi-se tornando o relacionamento de Miguilim com o pai. A cena da surra revela bem o sadismo e a prepotência do adulto ao espancar uma criança pequenina e indefesa: "(Pai) pegou o Miguilim, e o levou para casa, debaixo de pancadas. Levou para o alpendre. Bateu de mão, depois resolveu: tirou a roupa toda de Miguilim e começou a bater com a correia da conta. Batia e xingava, mordia a ponta da língua, enrolada, se comprazia. Batia tanto, que Mãe, Drelina e a Chica, a Rosa, Tomezinho, e até Vovó Izidra, choravam, pediam que não desse mais, que já chegava. Batia. Batia..." 3) A cena do bilhete, em que tio Terêz pede a Miguilim para entregá-lo à mãe, evidencia outro drama crucial para a criança: a angústia gerada pela dúvida entrer entregar ou não entregar o bilhete. Angustiava-se ante o compromisso assumido com o tio e a consciência de que estava fazendo alguma coisa errada. Nem mesmo Dito, com toda a sua sabedoria, pôde dar-lhe uma resposta que pudesse aliviar-lhe o tormento: nem mesmo a mãe, nem mesmo o vaqueiro Jé pôde tirar-lhe a dúvida que roía a alma: "Mãe, o que a gente faz, se é mal, se é bem, ver quando é que a gente sabe? Vaqueiro Jé: malfeito como é, que a gente se sabe? Menino não carece de saber Miguilim. Menino, o todo quanto faz, tem de ser é malfeito..." Ainda bem que o tio Terêz foi bom e compreensivo e aceitou o bilhete de volta: "Miguilim, Miguilim, não chora, não te importa, você é um menino bom, menino direto, você é meu amigo!" 4) O mundo da criança é sempre povoado de superstições e crendices que refletem o adulto. Algumas dessas crendices e superstições revelam bem o poder e a influência da religião com seu conceito de pecado, além de expressar também aspectos da cultura popular. Em "Campo Geral", várias passagens podem ser destacadas como exemplos: "Contavam que esse seo Deográcias estava excomungado, porque um dia ele tinha ficado agachado dentro da igreja". "Ah, não fosse pecado, e aí ele havia de ter uma raiva enorme, de Pai, deles todos, raiva mesmo de ódio, ele estava com razão". "Entre chuva e outra, o arco-da-velha aparecia bonito, bebedor; quem atravessasse debaixo dele - fu" - menino virava mena, menina virava menino: será que depois desvirava?" "Por paz, não estava querendo também brincar junto com o Patori, esse era um menino maldoso, diabrava. Ele tem olho ruim, - a Rosa dizia - quando a gente está comendo, e ele espia, a gente pega dor-de-cabeça..." "Ali no oratório, embrulhados e recosidos num saquinho de pano, eles guardavam os umbiguinho secos de todos os meninos, os dois irmãozinhos, das irmãs, o de Miguilim também - rato nenhum não pudesse roer, caso roendo o menino então crescia para ser só ladrão" "Quando a estória da Cuca, o Dito um dia perguntou: ?Quem sabe é pecado a gente ter saudade de cachorro?" 5) Por meio do contato com seo Aristeu e sobretudo através das conversas com Dito, muitas lições de vida Miguilim vai aprendendo: "O Dito dizia que o certa era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma". Era uma bela lição essa que o Dito ensinava a Miguilim: a alegria de viver. Aliás, a mesma lição é transmitida a ele por seo Aristeu, quando estava doente sem estar, e pensava em morrer. Foi só seo Aristeu fazer umas graças e Miguilim se restabeleceu da enfermidade. "Vai, o que você tem é saúde grande e ainda mal empenada." No final, com o happy-end provocado pelo destino, Miguilim chorava de emoção: "Sem alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim", Miguilim, de óculos nos olhos míopes, agora enxergavam diferente - tinha uma nova visão do mundo e da vida. Tendo também o mundo do sertão como pano de fundo, a ponto de parecer uma obra tipicamente regionalista, "Manuelzão" focaliza esse universo nos seus costumes, nas suas crendices, nas suas labutas, no seu sentimento religiosos e, sobretudo, na sua espontaneidade. Aqui certamente porque ainda não foi corroído pela civilização, o sertanejo se revela bom e puro, aproximando-se do bon sauvage dos românticos. 1) Maunelzão, como expressa o título, é realmente "uma estória de amor", em que tudo vem lindamente misturado: gente, bichos, coisas - a natureza. Aqui, gente rica e gente pobre, brancos e negros, homens e mulheres, reunidos numa capelinha minúscula, se irmanam numa festa de confraternização. Tal como em "Miguilim", também aqui a visão que se passa é positiva, alegre, apesar da rudeza do sertão inóspito. "Seo Camilo, a estória é boa! Manuelzão, sua festa é boa!" 2) Diferente de Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que a velhice é apresentada como uma fase amarga da vida, marcada pela solidão e pelo desencanto, aqui, apesar de algumas incertezas, Manuelzão e outros velhos da novela não sentem esse drama ou, pelo menos, não têm consciência dele Solteiro a vida toda, largado pelo mundo como vaqueiro desbravador do sertão, é bem verdade que Manuelzão, aos 60 anos, começa a sentir saudade da estabilidade doméstica que nunca teve, sentimento que se desperta sobretudo com a presença de Leonísia, sua nora, casada com o Adelço: "Nem havia de ter coragem: e a Leonísia sendo tão bonita - mulher para conceder qualquer felicidade sincera". Entretanto, a velhice era uma realidade a que não podia fugir. Ali estava o velho Camilo e o senhor Vilamão, já no ocaso da existência, que esperavam, com paciência e sem revolta, o adormorrer inevitável: "A gente olhava aquela lamparina se esprivitando no arder, no umbral da porta, e daqui a pouco, no empretecer das estrelas, era o fim da festa se executando". 3) Não obstante, Manuelzão vais resistindo como pode. "De todo não queria parar, não quereria suspeitar em sua natureza própria de um anúncio de desando, o desmancho, no ferro do corpo. Resistiu. Temia tudo na morte". Mas agora nem não carecia ter medo do adormorrer. Enquanto não chegava, ele, Manuel Roíz, bravamente ia desbravar mais de uma boiada pela Gerais imensas do sertão sem fim. 4) Bonita também e altamente positiva é a visão da vida envelhecida sem envilecer, que é mostrada como manancial de sabedoria, em que vêm beber as gerações do porvir a fim de se dar continuidade à festa, que deve ser a vida de cada um. Entretanto, como ensina o final do livro, "a festa não é pra se consumir - mas para depois se lembrar..." Esse lembrar, sem dúvida, é o que fica e é o grande consolo dos que se aproximam da dimensão maior, que se conquista com o adormorrer. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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