Ser pobre é usar roupa velha como pano de chão......

veja todos os voos de drone em

www.Zmaro.tv/Drone

 

 

Mais
acessados

Principal

Modelos de
Documento

Receitas

Resumos
de Livros

 Perguntas e Respostas
 Jurídicas

Idéias para
ficar rico

Dicas gerais

Dizem que

Ser pobre é


Memorização

Curso de Memorização

Memorização:
que dia cai?

Demais
Cursos e
apostilas


Gastronomia

carnes

bacalhau

dicas gerais

microondas

 receitas diversas

Receitas

em vídeo

tudo sobre congelamento

vinhos


Download

delivery

palpites para loteria

simulador keno (bingo)

treine digitação

ringtones de graça

Saiba quais números
mais e menos saem
na MEGASENA


Contato

Fale com o Zmaro
e/ou
PobreVirtual

Site do
Programa Zmaro

Vídeos do
Programa Zmaro
Humor inteligente
de forma descontraída...

 
A Lista de Ailce - Herbet de Souza
envie seus resumos e sugestões, clique aqui
Na noite de 20 para 21 de setembro de 1942, em pleno período de ocupação alemã, setenta membros da Resistência aguardam a morte nas celas do Forte de Hã, perto de Bordeaux. Pouco depois, numa manhã chuvosa, diante do pelotão de execução entoam pela última vez a Marselhesa. A vida é dura em Montillac, a despeito dos esforços de Camille, que procura compor a situação diante de Fayard, o encarregador das adegas que sonha apropiar-se das terra. Em Paris, Léa está uma vez mais em casa das senhoras de Montpleynet. Volta a encontrar o escritor Raphaël Mahl, informante da Gestapo, assim como o enigmático François Tavernier, por quem continua a sentir uma espécie de paixão agitada. Atordoa-se freqüentando restaurantes clandestinos e assiste impotente à detenção de Sarah Mulstein pela Gestapo. Sarah será torturada mas, graças à ajuda de Raphaël Mahl, conseguirá fugir. Antes de lhe darem fuga de Paris, Léa e François Tavernier a escondem na casa das senhoras de Montpleynet. Enquanto Laurent é procurado pela polícia nazi, Camille é presa. Encerrada no Forte de Hã e depois no campo de Mérignac, acaba por adoecer. De volta volta a Montillac, Léa tudo faz para libertá-la. Sem nada obter de Camille, a Gestapo acaba por soltá-la. Entre Mathias Fayard, amigo de infância que optou pela Alemanha, e os irmão Lefèvre, elementos da resistência, tal como ela mesma, Léa descobre uma triste realidade: a do horror e da tortura... O Mathias de sua adolescência morre quando a estupra em um hotel sórdido mantido por uma prostituta imunda. Em seu lugar existe agora um homem brutal que a assusta. Muitos jovens da região de Bordeaux trabalham para Gestapo. Uma atmosfera de ódio divide as pessoas. Nesse clima deprimente, Léa espera por François Tavernier, que chega, enfim, a Montillac, onde participa do almoço oferecido em homenagem a um jovem francês colaborador da Gestapo, que Laure, a ingênua irmã caçula de Léa, havia conhecido. Todos se deixam iludir; mas, à tarde, o dr. Blanchard é abatido por esse mesmo jovem. Laurent d'Argilat e François Tavernier encontram-se face a face, pela primeira vez após três anos de afastamento. De comum acordo, decidem enviar para paris as moradoras de Montillac. Os franceses recomeçaram a ler, mas as livrarias estão vazias. É a época dos jovens excêntricos, do quilo de manteiga a trezentos e cinqüenta francos e do café a mil ou dois mil francos. Os alemães recuam na frente oriental. Assaltada pelo frenesi do prazer, Léa diverte-se para não pensar nos amigos mortos ou desaparecidos. Pouco tempo depois, toma novamente o trem para Bordeaux. Raphaël Mahl, renegado pelos amigos da Gestapo, transformou-se no prisioneiro número 9793 de uma das celas do Forte de Hã. Aí, contudo, não deixa de recolher informações, sobretudo acerca da presença de pilotos ingleses não indentificados pelos alemães. Friamente, vai lhes fornecendo nomes. Certa noite, porém, o cadáver de Raphaël Mahl, horrorosamente mutilado pelos companheiros de cela, é atirado numa fossa e coberto de imundícies. François Tavernier encontra-se com Léa em Montillac, mas volta a partir quase em seguida. Léa fica só... veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Calabar: o elogio da traição - Chico Buarque de Hollanda


A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa.
Vivia o Brasil sob a opressão do regime ditatorial militar, e era comum o uso das metáforas nas produções artísticas a fim de, por um lado, burlar a censura rigorosa do sistema (sendo popular a figura de Armando Falcão, militar encarregado dessa tarefa canhestra) e, por outro, denunciar a situação atual.
Chico Buarque foi um mestre no uso dessas figurações: e o episódio histórico do traidor Calabar, comum em todos os livros didáticos como um dos maiores exemplos de perfídia - serviu de mote para justamente questionar a chamava versão oficial.

Na peça, Domingo Calabar passa de comerciante que visava o lucro e que, por isto, traíra os portugueses e colonos brasileiros - para um quase herói, que tinha por objetivo não o ganho pessoal, mas o melhor para o povo brasileiro (na verdade um conceito ainda inexistente, no século XVIII).
A intenção dos autores, porém, não era denunciar um erro histórico, nem tinha a pretensão de promover uma revisão: o alvo era, justamente, o próprio Regime militar, sua censura, os veículos de comunicação que, engessados pelas versões dos fatos sempre acordes com o sistema, passavam ao povo imagens que precisavam ser questionadas em sua veracidade.

Músicas
Dentre as músicas que compõem o repertório da obra, algumas foram sucesso, como "Não existe pecado ao sul do Equador" (cantada por Ney Matogrosso); "Cala a boca, Bárbara", e outras.

Iniciativa ousada
Calabar: o elogio da traição, foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de trinta mil dólares e empregava mais de oitenta pessoas.

A peça e a ditadura
A censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em 20 de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e, como se não bastasse, ainda proibiu que a proibição fosse divulgada.
O prejuízo para os autores e para o ator Fernando Torres, produtores da montagem, foi enorme.
Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Herbart

Biografia
Johann Friedrich Herbart, nasceu em Oldenburg,1776, Alemanha, e conheceu alguns dos mais importantes intelectuais de seu tempo. Aos 18 anos já era aluno do filósofo Johann Fichte (1762-1814) na Universidade de Iena.Logo em seguida trabalhou durante quatro anos como professor particular em Interlaken, na Suíça, período em que ficou amigo do educador Johann Henrich Pestalozzi, aprofundou as propostas desse educador.tornou-se professor na Universidade de Göttingen em 1802. seis anos depois, assumiu a cátedra deixada vaga por Immanuel Kant em Königsberg, onde lecionou até 1833, quando reassumiu o posto de professor de filosofia em Göttingen. Em Königsberg, fundou um seminário pedagógico com uma escola de aplicação e um internato. Os estudos mais importantes de Herbart foram no campo da filosofia da mente, a qual subordinou suas obras pedagógicas (entre elas, Pedagogia Geral e Esboço de um Curso de Pedagogia). A influência de sua teoria se estendeu a uma legião de pensadores, dando origem a várias interpretações, até entrar em declínio no início do século XX.
Morreu em 1841.
Herbart viveu numa época em que a Alemanha produziu os mais importantes intelectuais da História, como Johann Wolfgang Von Goethe na literatura, Kant na filosofia. As universidades alemãs constituíam uma cultura sólida, onde filósofos ocupavam também cátedras de pedagogia. A influencia protestante nos governos cercaram de funcionários cultos que ajudaram a criar um contexto em busca de um bem comum, porem não democrático. Correntes idealistas, românticas e realistas dessa época deixaram contribuições fundamentais para a educação.

Idéias
Com ele a pedagogia foi formulada pela primeira vez como ciência, organizada, abrangente e sistemática, com fins claros e meios definidos.sua teoria se baseia numa filosofia do funcionamento da mente, com caráter cientifico e com a adoção de psicologia aplicada como eixo central à educação. Este pensamento pedagógico vincula-se até hoje nas teorias de aprendizagens e à psicologia do desenvolvimento de Piaget.
Para Herbart a mente funciona como base em representações (imagens, idéias ou outras manifestações psíquicas). Ele negava a existência de faculdades inatas.a dinâmica da mente estaria em relações entre essas representações, que nem sempre são conscientes. O homem assimila as informações do ambiente de forma global.
Relaciona-se com o ambiente e cria representações.
Elas podem se combinar e produzir resultados manifestos ou entrar em conflito entre si e permanecer inconscientes.este processo viria a influenciar mais tarde, Sigmund Freud.
O principio de que a doutrina pedagógica tornou-se cientifica é que precisa ser comprovada experimentalmente, idéia de Kant. Alimentando assim a teoria com a prática num processo de atualização e aperfeiçoamento constante.
Na sua teoria, memória, sentimento e desejos são modificações das representações mentais. Agis sobre elas significa influenciar em todas as esferas da vida de uma pessoa.assim, Herbart cria a teoria de uma educação que pretende interferir os processos mentais do estudante como meio de orientar sua formação.
A educação é a instrução que modifica os grupos de idéias já possuídas pelo espírito, levando-as a formar uma nova unidade ou uma série de unidades harmoniosas, que determinam a conduta. Desperta o interesse dos alunos pelas matérias escolares, a seleção de conteúdos de instrução e pela utilização de métodos condizentes com o desenvolvimento psicológico do aluno.
O objetivo de sua pedagogia, é o acumulo de informações e a formação moral do estudante, enfatizando ao conceito de instrução como instrumento para se alcançar os objetivos da educação.
Influenciando todo o mundo ocidental e também o Japão, seus princípios resultaram no que conhecemos hoje por tradicional.

Metodologia
A Instrução para Herbart é o elemento central dos três procedimentos que constituem a ação pedagógica.
1. O primeiro é o que chamou de governo –manutenção da ordem pelo controle do comportamento da criança, uma contribuição dos pais e dos professores. Trata-se de regras impostas de fora com o objetivo de manter a criança ocupada.
2. a instrução educativa tem como motor o interesse, que deve ser múltiplo, variado e harmonicamente repartido.
3. a disciplina, que tem como função preservar a vontade no caminho da virtude. Nessa etapa fortalece-se a autodeterminação como pré-requisito da formação do caráter. Ao contrario do governo, consiste em um processo interno do aluno.
Conteúdos deveriam ser unificados, correlacionados, a partir da própria Historia da humanidade. Propõe que se comecem os estudos pelos poemas de Homero seguidos por literatura grega e romana.
Métodos, umas séries de passos, determinados a ser estudado pelo interesse da criança, a observação, a solicitação e a ação, correspondendo aos passos de instrução, como regras de exposição; na sua teoria do interesse escola ajuda o aluno a desenvolver e integrar as representações mentais que se formam em contato com a natureza (através da experiência) sociedade (convívio social).
Sobre os conteúdos, os estudos deveriam ser unificados, correlacionados, a partir da própria Historia da Humanidade. Na medida em que o desenvolvimento do individuo recapitula, até certo ponto, o desenvolvimento da humanidade. Herbart propõe que se comecem os estudos pelos poemas de Homero, que seriam seguidos por outras partes da literatura grego romana, combinadas com certos períodos da Historia, escolhido em função da progressiva complexidade dois interesses da criança. Isto é: começando pelos fatos mais simples e evoluindo progressivamente para os mais complexos.
Organização dos materiais instrucionais / conservar a unidade para desenvolver no aluno uma consciencia plena. O conhecimento é um todo só se compartimentalizado em matérias escolares para fins didáticos facilitar o estudo e a assimilação.
A matéria deve ser organizada de tal forma que o aluno percebe a relação entre elas e a unidade do conhecimento.
Com o aparecimento do movimento da escola ativa, as suas idéias tornou-se ultrapassadas.

A Escola
Suas escolas transmitiam ensino totalmente receptivo, sem diálogo entre professor e aluno e com aulas que obedeciam a esquemas rígidos e preestabelecidos. Nela ele previa cinco etapas no ato de ensina: preparação, apresentação, associação, sistematização, aplicação.
1. preparação- processo de relacionar o novo conteúdo a conhecimentos ou lembranças que o aluno já possua, para que ele adquira interesse na matéria, abrangendo clareza as idéias antigas relacionadas com as novas, coordenadas.
2. apresentação ou demonstração do conteúdo.
3. associação - na qual a assimilação do assunto se completa por meio de comparações minuciosas com conteúdos prévios, na combinação do novo com o velho.
4. generalização ou sistematização - parte dos conteúdos recém-aprendidos para a formulação de regras globais como a mais importante para desenvolver a mente além da percepção imediata, na elaboração de teórica de novo conceito.
5. aplicação - que tem como objetivo mostrar utilidade para o que se aprendeu, ou seja, a utilização pelo indivíduo em atividades do conceito aprendido.

Críticas
Dewey fez críticas a doutrina herbartiana, dizendo que pregava um mestre todo-poderoso, encarregado de manipular os processos mentais do aluno por meio da instrução. Para Dewey e a maioria dos pedagogos do século XX, o pensamento de Herbart subestima e ignora a ação do aluno e sua capacidade de auto-educar-se. A pedagogia contemporânea tornou-se o aluno sujeito do ensino e substituiu o individualismo do século XVIII.

Bibliografia
PILETTI, Claudino e Nelson, Filosofia e Historia da Educação, 7.ª edição, 1988, editora Ática, São Paulo,SP
Nova Escola, setembro de 2004, pp. 28 a 30 veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Eu quero a estrela da manhã Onde está a estrela da manhã? Meus amigos meus inimigos Procurem a estrela da manhã Ela desapareceu ia nua Desapareceu com quem? Procurem por toda a parte Digam que sou um homem sem orgulho Um homem que aceita tudo Que me importa? Eu quero a estrela da manhã Três dias e três noites Fui assassino e suicida Ladrão, pulha, falsário Virgem mal-sexuada Atribuladora dos aflitos Girafa de duas cabeças Pecai por todos pecai com todos Pecai com os malandros Pecai com os sargentos Pecai com os fuzileiros navais Pecai de todas as maneiras Com os gregos e com os troianos Com o padre e com o sacristão Com o leproso de Pouso Alto Depois comigo Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples Que tu desfalecerás Procurem por toda parte Pura ou degradada até a última baixeza Eu quero a estrela da manhã. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário

10. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário. Porto Alegre. Artmed. 2002

Introdução

Embora seja difícil e demande tempo, a escola necessita de trans-formações profundas no que concerne ao aprendizado da leitura e da es-crita, que só serão alcançadas através da compreensão profunda de seus problemas e necessidades, para que então seja possível falar de suas possibilidades.
Capítulo 1
Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário
Aprender a ler e escrever na escola deve transcender a decodificação do código escrito, deve fazer sentido e estar vinculado à vida do sujeito, deve possibilitar a sua inserção no meio cultural a qual pertence, tornando-o capaz de produzir e interpretar textos que fazem parte de seu entorno.
Torna-se então necessário reconceitualizar o objeto de ensino tomando por base as práticas sociais de leitura e escrita, re-significando seu aprendizado para que os alunos se apropriem dele 'como práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir'.
Para tornar real o que compreendemos ser necessário é preciso conhecer as dificuldades que a escola apresenta, distinguindo as legítimas das que fazem parte de 'resistências sociais' para que então se possa propor soluções e possibilidades.
A tarefa é difícil porque, a própria especificidade do aprendizado da leitura e da escrita que se constituem em construções individuais dos sujeitos agindo sobre o objeto (leitura e escrita) torna a sua escolarização difícil, já que não são passíveis de se submeterem a uma programação sequencial. Por outro lado, trata-se de práticas sociais que historicamente foram, e de certo modo continuam sendo, patrimônio de certos grupos, mais que de outros, o que nos leva a enfrentar e tentar buscar caminhos para resolver as tensões existentes na instituição escolar entre a tendência à mudança (democratização do ensino) e a tendência à conservação (reprodução da ordem social estabelecida).
É difícil ainda, porque o ato de ensinar a ler e escrever na escola tem finalidade puramente didática: a de possibilitar a transmissão de saberes e comportamentos culturais, ou seja, a de preservar a ordem pre-estabelecida, o que o distancia da função social que pressupõe ler para se comunicar com o mundo, para conhecer outras possibilidades e refletir sobre uma nova perspectiva.
É difícil também, porque a estruturação do ensino conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear acumulativa e irreversível entra em contradição com a própria natureza da aprendizagem da leitura e da escrita, que como vimos ocorre por meio de aproximações do sujeito com o objeto, provocando coordenações e reorganizações cognitivas que lhe permite atribuir um novo significado aos conteúdos aprendidos.
E, finalmente, a necessidade da escola em controlar a aprendizagem da leitura faz com que se privilegie mais o aspecto ortográfico do que os interpretativos do ato de ler, e o sistema de avaliação, onde cabe somente ao docente o direito e o poder de avaliar, não propicia ao aluno a oportuni-dade de autocorreção e reflexão sobre o seu trabalho escrito, e conseqüentemente não contribui para a construção da sua autonomia intelectual.
Diante desses fatos, o que é possível fazer para que se possa conciliar as necessidades inerentes a instituição escolar e, ao mesmo tempo, atender as necessidades de formar leitores e escritores competentes ao exercício pleno da cidadania?
Em primeiro lugar devem se tornar explícitos aos profissionais da edu-cação os aspectos implícitos nas práticas educativas que estão acessíveis graças aos estudos sociolingüísticos, psicolingüísticos, antropológicos e históricos, ou seja, aqueles que nos mostram como a criança aprende a ser leitora e escritora; o que facilita ou quais são as prerrogativas essen-ciais a esse aprendizado.
Em segundo lugar, é preciso que se trabalhe com projetos como fer-ramenta capaz de articular os propósitos didáticos com os comunicativos, já que permitem uma articulação dos saberes sociais e os escolares. Além disso, o trabalho com projetos estimula a aprendizagem, favorece a au-tonomia, já que envolve toda a classe, e evita o parcelamento do tempo e do saber, já que tem uma abordagem multidisciplinar.
"É assim que se torna possível evitar a justaposição de atividades sem conexão - que abordam aspectos também sem conexão com os conteúdos -, e as crianças tem oportunidade de ter acesso a um trabalho suficientemente duradouro para resolver problemas desafiantes, construindo os conhecimentos necessários para isso, para estabelecer relações entre diferentes situações e saberes, para consolidar o aprendido e reutilizá-lo... ".(p.23).
Finalmente, é possível repensar a avaliação, sabendo que esta é neces-sária, mas que não pode prevalecer sobre a aprendizagem. Segundo a au-tora, 'ao diminuir a pressão do controle, toma-se possível avaliar aprendi-zagens que antes não ocorriam [...]' já que no trabalho com projetos os alunos discutem suas opiniões, buscam informações que possam auxiliá-los e procuram diferentes soluções, fatores importantíssimos a formação de cidadãos praticantes da cultura escrita.

Capítulo 2 - Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita
"O desafio [...] é formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida, explicita ou implicitamente, pelos autores dos textos com os quais interagem em vez de persistir em formar indivíduos dependentes da letra do texto e da autoridade dos outros", (p.27)
Para que haja uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da escrita, a escola precisa favorecer a aprendizagem significativa, abandonando as atividades mecânicas e sem sentido que levam o aluno a compreender a escrita como uma atividade pura e unicamente escolar. Para isso, a escola necessita propiciar a formação de pessoas capazes de apreciar a literatura e de mergulhar em seu mundo de significados, formando escritores e não meros copistas, formando produtores de escrita conscientes de sua função e poder social. Precisa também, prepa-rar as crianças para a interpretação e produção dos diversos tipos de texto existentes na sociedade, conseguindo que a escrita deixe de ser apenas um objeto de avaliação e passe a ser um objeto de ensino, capaz não apenas de reproduzir pensamentos alheios, mas de refletir sobre o seu próprio pensamento, enfim, promovendo a descoberta da escrita como instrumento de criação e não apenas de reprodução. Para realmente transformar o ensino da leitura e da escrita na escola, é preciso, ainda, acabar com a discriminação que produz fracasso e abandono na escola, assegurando a todos o direito de 'se apropriar da leitura e da escrita como ferramentas essenciais de progresso cognoscitivo e de crescimento pessoal'.
É possível a mudança na escola?
Ensinar e ler e escrever faz parte do núcleo fundamental da instituição escolar, está nas suas raízes, constitui a sua missão alfabetizadora e sua função social, portanto, é a que mais apresenta resistência a mudanças. Além disso, nos últimos anos, foi a área de que mais sofreu com a invasão de inovações baseadas apenas em modismos.
"... O sistema de ensino continua sendo o terreno privilegiado de todos os voluntarismos - dos quais talvez seja o último refúgio. Hoje, mais de que ontem, deve suportar o peso de todas as expectativas, dos fantasmas, das exigências de toda uma sociedade para a qual a educação é o ultime portador de ilusões"2.
Sendo assim, para que seja possível uma mudança profunda da prática didática vigente hoje nas instituições de ensino, capaz de tornar possível a leitura na escola, é preciso que esta esteja fundamentada na evolução histórica do pensamento pedagógico, sabendo que muito do que se propõe pode ser encontrado nas ideias de Freinet, Dewey, Decroly e outros pensadores e educadores, o que significa estarem baseadas no avanço do conhecimento científico dessa área, que como em outras áreas do conhecimento científico, teve suas hipóteses testadas com o objetivo de desvendar a gênese do conhecimento humano - como os estudos realizados por Jean Piaget. É preciso compreender também, que essas mudanças não dependem apenas da capacitação adequada de seus pro-fissionais, já que esta é condição necessária, mas não suficiente, é preciso conhecer o cotidiano escolar em sua essência, buscando descobrir os mecanismos ou fenômenos que permitem ou atravancam a apropriação da leitura e da escrita por todas as crianças que ali estão inseridas.
O que vimos até hoje, por meio dos trabalhos e pesquisas que temos realizado no campo da leitura e da escrita, é que existe um abismo que separa a prática escolar da prática social da leitura e da escrita - lê-se na escola trechos sem sentido de uma realidade desconhecida para a crian-ça, já que foi produzido sistematicamente para ser usado no espaço es-colar - a fragmentação do ensino da língua (primeiro sílabas simples, de-pois complexas, palavras, frases...) não permite um espaço para que o aluno possa pensar no que aprendeu dentro de um contexto que lhe faça sentido, e ainda, fazem com que esta perca a sua identidade.
"Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazer funcionar o aprendido fora da escola, em situações que já não serão didáticas, será necessário manter uma vigilância epistemológica que garanta uma semelhança fundamental entre o que se ensina e o objeto ou prática social que se pretende que os alunos aprendam. A versão escolar da leitura e da escrita não deve afastar-se demasiado da versão social não-escolar". (p.35)
O "Contrato Didático"
O Contrato Didático aqui é considerado como as relações implícitas estabelecidas entre professor e aluno, sobretudo porque estas exercem influência sobre o aprendizado da leitura e da escrita, já que o aluno deve concentrar-se em perceber ou descobrir o que o professor deseja que ele 'saiba' sobre aquele texto que o professor escolheu para que ele leia e não em suas próprias interpretações: "A 'cláusula' referente à interpretação de textos parece estabelecer [...] que o direito de decidir sobre a validade da interpretação é privativo do professor...".
Se o objetivo da escola é formar cidadãos praticantes da leitura e da escrita, capazes de realizar escolhas e de opinar sobre o que leem e veem em seu entorno social, é preciso que seja revisto o Contrato Didático, prin-cipalmente no âmbito da leitura e da escrita, e essa revisão é encargo dos pesquisadores de didática - divulgando os resultados obtidos bem como os elementos que podem contribuir para as mudanças necessárias -, é responsabilidade dos organismos que regem a educação - que devem levar em conta esses resultados -, é encargo dos formadores de professores e de todas as instituições capazes de comunicar à comunidade e particularmente aos pais, da importância que tem a análise, escolha e exercício de opinião de seus filhos quando do exercício da leitura e da escrita.

Ferramentas para transformar o ensino
Vimos que transformar o ensino vai além da capacitação dos profes-sores, passa pela sua revalorização pessoal e profissional; requer uma mudança de concepção da relação ensino-aprendizagem para que se possa conceber o estabelecimento de objetivos por ciclos que abrangem os conhecimentos - objeto de ensino -de forma interdisciplinar, visando diminuir a pressão do tempo didático e da fragmentação do conhecimento.
Requer que não se perca de vista os objetivos gerais e de prioridade absoluta, aqueles que são essenciais à educação e lhe conferem significado. Requer ainda, que se compreenda a alfabetização como um processo de desenvolvimento da leitura e da escrita, e que, portanto, não pode ser desprovido de significado.
Essa compreensão só será alcançada na medida em que forem conhecidos e compreendidos os estudos científicos realizados na área, e que nos levaram a descobrir a importância da atividade mental construtiva do sujeito no processo de construção de sua aprendizagem, re-significando o papel da escola. Colocando em destaque o aprendizado da leitura e da escrita, consideramos fundamental que sejam divulgados os resultados apresentados pelos estudos psicogenéticos e psicolingüísticos, não apenas a professores ou profissionais ligados à educação, mas a toda soci-edade, objetivando conscientizá-los da sua validade e importância, levando-os a perceber as vantagens das estratégias didáticas baseadas nesses estudos, e, sobretudo, conscientizando-os de que educação também é objeto da ciência.
Voltando a capacitação, enfatizando sua necessidade, é preciso que se criem espaços de discussão e troca de experiências e informações, que dentre outros aspectos servirão para levar o professor a perceber que a diversidade cultural não acontece apenas em sua sala de aula, que ela faz parte da realidade social na qual estamos inseridos, e que sendo assim, não poderia estar fora da escola, e ainda, que esta diversidade tem muito a contribuir se o nosso objetivo educacional consistir em preparar nossos alunos para a vida em sociedade. No que concerne a leitura e escrita, parece-nos essencial ter corno prioritária a formação dos professores como leitores e produtores de texto, capazes de aprofundar e atualizar seus saberes de forma permanente'.
Nossa experiência nos levou a considerar que a capacitação dos professores em serviço apresenta melhores resultados quando é realizada por meio de oficinas, sustentadas por bibliografias capazes de dar conta das interrogações a respeito da prática que forem surgindo durante os encontros, que devem se estender durante todo o ano letivo, e que contam com a participação dos coordenadores também em sala de aula, mas que, à longo prazo, capacitem o
professor a seguir autonomamente, sem que seja necessário o acompanhamento em sala de aula.
Capítulo 3 – Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular
É importante que, ao propor uma transformação dídática a uma instituição de ensino, seja considerada a sua particularidade, o que se dá através do conhecimento de suas necessidades e obstáculos, implícitos ou explícitos, que caberá a proposta suprir ou superar. É imperativo que a elaboração de documentos curriculares esteja fortemente amparada na pesquisa didática, já que será necessário selecionar os conteúdos que serão ensinados o que pressupõe uma hierarquização, já que privilegiará alguns em detrimento de outros.
"Prescrever é possível quando se está certo daquilo que se prescreve, e se está tanto mais seguro quanto mais investigada está a questão do ponto de vista didático".(p. 55).
As escolhas de conteúdos devem ter como fundamento os propósitos educativos', ou seja, se o propósito educativo do ensino da leitura e da escrita é o de formar os alunos como cidadãos da cultura escrita, então o objeto de ensino a ser selecionado deve ter como referência fundamental às práticas sociais de leitura e escrita utilizadas pela comunidade, o que supõe enfatizar as funções da leitura e da escrita nas diversas situações e razões que levam as pessoas a ler e escrever, favorecendo seu ingresso na escola como objeto de ensino.
Os estudos em torno das práticas de leitura existentes ou preponderantes no decorrer da história da humanidade mostraram que em determinados momentos históricos privilegiavam-se leituras intensas e profundas de poucos textos, como por exemplo, os pensadores clássicos, seguidos de profundas reflexões realizadas por meio de debates ou conversas entre pequenos grupos de pessoas ou comunidades, se tomarmos como exemplo a leitura da Bíblia.
Com o avanço das ciências e o aumento da diversidade literária disponível - nas sociedades mais abastadas - as práticas de leitura passaram a se alternar entre intensivas ou extensivas (leitura de vários textos com menor profundidade), mas sempre mantendo um fator comum: elas, leitura e escrita, sempre estiveram inseridas nas relações com as outras pessoas, discutindo hipóteses, ideias, pontos de vista ou apertas indicando a leitura de algum título ou autor.
O aspecto mais importante que podemos tirar acerca dos estudos históricos é que aprende-se a ler, lendo (ou a escrever, escrevendo), por-tanto, é preciso que os alunos tenham contato com todos os tipos de texto que veiculam na sociedade, que eles tenham acesso a eles, que esses materiais deixem de ser privilégio de alguns, passando a ser patrimônio de todos. Didaticamente, isto significa que os alunos precisam se apropriar destes textos através de práticas de leitura significativas que propiciem reflexões individuais e grupais, que embora demandem tempo, são essenciais para que o sujeito possa, no futuro, ser um praticante da leitura e da escrita.
"...É preciso assinalar que, ao exercer comportamentos de leitor e de escritor, os alunos têm também a oportunidade de entrar no mundo dos textos, de se apropriar dos traços distintivos[...] de certos gêneros, de ir detectando matizes que distinguem a 'linguagem que se escreve' e a diferenciam da oralidade coloquial, de pôr em ação [...] recursos linguísticos aos quais é necessário apelar para resolver os diversos problemas que se apresentam ao produzir ou interpretar textos [...[é assim que as práticas de leitura e escrita, progressivamente, se transformam em fonte de reflexão metalingüística". (p. 64).
Capítulo 4
E possível ler na escola?
"Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita...".(p.73).
Ensinar a ler e escrever foi, e ainda é, a principal missão da escola, no entanto, dois fatores parecem contribuir para que a escola não obtenha sucesso:
1. A tendência de supor que existe uma única interpretação possível a cada texto;
2. A crença - como diria Piaget - de que a maneira como as crianças aprendem difere da dos adultos, e que, portanto, basta ensinar-lhes o que julgarem pertinente, sem que haja preocupação com o sentido ou significado que tais conteúdos tem para as crianças, o que, além de tudo, facilita o controle da aprendizagem, já que essa concepção permite uma padronização do ensino.
Para que seja possível ler na escola, é necessário que ocorra uma mudança nessas crenças, é preciso, como já vimos, que sejam conside-rados os resultados dos trabalhos científicos em torno de como ocorre o processo de aprendizagem nas crianças: que ele se dá através da ação da criança sobre os objetos (físicos e sociais), sendo a partir dessa ação que ela (a criança) lhe atribuirá um valor e um significado.
Sabendo que a leitura é antes de tudo um objeto de ensino que na escola deverá se transformar em um objeto de aprendizagem, é importante não perder de vista que sua apropriação só será possível se houver sentido e significado para o sujeito que aprende, que esse sentido varia de acordo com as experiências prévias do sujeito e que, portanto, não são suscetíveis a uma única interpretação ou significado e que o caminho para a manutenção desse sentido na escola está em não dissociar o objeto de ensino de sua função social.
O trabalho com projetos de leitura e escrita cujos temas são dirigidos à realização de algum propósito social vem apresentando resultados positivos. Os temas propostos visam atender alguma necessidade da co-munidade em questão e são estruturados da seguinte forma:
a) Proposta do projeto às crianças e discussão do plano do trabalho;
b) Curso de capacitação para as crianças visando prepará-las para a busca e consulta autônoma dos materiais a serem utilizados quando da realização das etapas do projeto;
c) Pesquisa e seleção do material a ser utilizado e/ou lugares a serem visitados;
d) Divisão das tarefas em pequenos grupos;
e) Participação dos pais e da comunidade;
f) Discussão dos resultados encontrados pelos grupos;
g) Elaboração escrita dos resultados encontrados pelos grupos (que passará pela revisão de outro grupo e depois pelo professor);

h) Redação coletiva do trabalho final;i) Apresentação do projeto à comunidade interessada.
j) Avaliação dos resultados.
Nesses projetos tem-se a oportunidade de levar a criança a extrair in-formações de diversas fontes, inclusive de textos que não foram escritos exclusivamente para elas, e que, portanto, apresentam um grau maior de dificuldade. A discussão coletiva das informações que vão sendo coletadas propicia a troca de ideias e a verificação de diferentes pontos de vista, como acontece na vida real, e, ainda, durante a realização desses projetos as crianças não leem e escrevem só para 'aprender', a leitura as-sume um propósito, um significado, que atende também aos propósitos do docente - de inseri-las no mundo de leitores e escritores. Os projetos permitem ainda, uma administração mais flexível do tempo, porque pro-piciam o rompimento com a organização linear dos conteúdos já que costumam trabalhar com os temas selecionados de forma interdisciplinar, o que possibilita a retomada dos próprios conteúdos em outras situações e ainda, a análise destes a partir de um referencial diferente.
Acontecem concomitantemente e em articulação com a realização dos projetos, atividades habituais, como 'a hora do conto' semanal ou momen-tos de leitura de outros gêneros, como o de curiosidades científicas e ativi-dades independentes que podem ter caráter ocasional, como a leitura de um texto que tenha relevância pontual ou fazer parte de situações de sistematização: passar a limpo uma reflexão sobre uma leitura realizada durante uma atividade habitual ou pontual. Todas essas atividades con-tribuem com o objetivo primordial de 'criar condições que favoreçam a formação de leitores autônomos e críticos e de produtores de textos adequados à situação comunicativa que os torna necessário' já que em todos eles observam-se os esforços por produzir na escola as condições sociais da leitura e da escrita.
"É assim que a organização baseada em projetos permite coordenar os propósitos do docente com os dos alunos e contribui tanto para preservar o sentido social da leitura como para dotá-la de um sentido pessoal para as crianças". (p.87).
Ainda, o trabalho com projetos, por envolver grupos de trabalho e, abrir espaço para discussão e troca de opiniões, permite o estabelecimento de um novo contrato didático, ou seja, um novo olhar sobre a avaliação, porque admite novas formas de controle sobre a aprendizagem, nas quais todos os sujeitos envolvidos tomam parte, o que contribui para a formação de leitores autônomos, já que estes devem justificar perante o grupo as conclusões ou opiniões que defendem. É importante ressaltar, que essa modalidade de trabalho torna ainda mais importante o papel das intervenções do professor - fazendo perguntas que levem a ser conside-rados outros aspectos que ainda não tenham sido levantados pelo grupo, ou a outras interpretações possíveis do assunto em questão. Em suma, é importante que a necessidade de controle, inerente a instituição escolar, não sufoque ou descaracterize a sua missão principal que são os propósi-tos referentes à aprendizagem.
O professor: um ator no papel de leitor
É muito importante que o professor assuma o papel de leitor dentro da sala de aula.
Com esta atitude ele estará propiciando a criança a oportunidade participar de atos de leitura. Assumir o papel de leitor consiste em ler para os alunos sem a preocupação de interrogá-los sobre o lido, mas de conseguir com que eles vivenciem o prazer da leitura, a experiência de seguir a trama criada pelo autor exatamente para este fim, e ao terminar, que o professor comente as suas impressões a respeito do lido, abrindo espaço para o debate sobre o texto -seus personagens, suas atitudes.
Assumir o papel de leitor é fator necessário, mas não suficiente, cabe ao professor ainda mais, cabe-lhe propor estratégias de leitura que aproximem cada vez mais os alunos dos textos.
A Instituição e o sentido da leitura
Quando os projetos de leitura atingem toda a instituição educacional, cria-se um clima leitor que atinge também os pais, e que envolvem os professores numa situação de trabalho conjunta que tem um novo valor: o de possibilitar uma reflexão entre os docentes a respeito das ferramentas de análise que podem contribuir para a resolução dos problemas didáticos que por ventura eles possam estar vivendo.
As propostas de trabalho e as reflexões aqui apresentadas mostram que é possível sim! Ler e escrever na escola, desde que se promova uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático, reconsiderando as formas de avaliação, não deixando que estas interfiram ou atrapalhem o propósito essencial do ensino e da aprendizagem. Desde que se elaborem projetos onde a leitura tenha sentido e finalidade social imediata, trans-formando a escola em uma 'micros-sociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pais e professores...". (p. 101).

Capítulo 5
O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor
"O saber didático é construído para resolver problemas próprios da comunicação do conhecimento, é o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre o professor, os alunos e o objeto de ensino; é produto da análise das relações entre o ensino e a aprendizagem de cada conteúdo específico; é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas". (p. 105).
É importante considerar que o saber didático, como qualquer outro objeto de conhecimento, é construído através da interação do sujeito com o objeto, ele se encontra, portanto, dentro da sala de aula, e não é exclu-sividade dos professores que trabalham com crianças, ele está presente também em nossas oficinas de capacitação. Então, para apropriar-se desse saber é preciso estar em sala de aula, buscando conhecer a sua realidade e as suas especificidades.
A atividade na aula como objeto de análise
O registro de classe apresenta-se como principal instrumento de análise do que ocorre em sala de aula. Esses registros podem ser utilizados durante a capacitação objetivando um aprofundamento do conhecimento didático, já que as situações nele apresentadas permitem uma reflexão conjunta a respeito das situações didáticas requeridas para o ensino da leitura e escrita.
Optamos por utilizar, a princípio, os registros das 'situações boas' ocor-ridas em sala de aula, porque percebemos, através da experiência, que a ênfase nas 'situações más' distanciava capacitadores e educadores, e para além, criavam um clima de incerteza, por enfatizar o que não se deve fazer, sem apresentar direções do que poderia ser feito, em suma, quando enfatizamos 'situações boas´ estamos mostrando o que é possível realizar em sala de aula, o que por si só, já é motivador.
É importante destacar que as 'situações boas' não se constituem em situações perfeitas, elas apresentam erros que, ao serem analisados, en-riquecem a prática docente, pois são: considerados como importantes ins-trumentos de análise da prática didática - ponto de partida de uma nova reflexão - sendo vistos como parte integrante do processo de construção do conhecimento.
"... a análise de registros de classe opera como coluna vertebral no processo de capacitação, porque é um recurso insubstituível para a comunicação do conhecimento didático e porque é a partir da análise dos problemas, propostas e intervenções didáticas que adquire sentido para os docentes se aprofundarem no conhecimento do objeto de ensino e de s processos de aprendizagem desse objeto por parte das crianças", (p. 116).
Palavras Finais

Quanto mais os profissionais capacitadores conhecerem a prática pedagógica e os que exercitam essa prática no dia-a-dia: as crenças que os sustentam e os mecanismos que utilizam; quanto mais conhecerem como se dá o processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita na escola, mais estarão em condições de ajudar o professor em sua prática docente. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Primeiramente trata-se de uma obra metalingüística, pois o livro conta a história da origem do próprio livro melhor explicando a obra é uma herança deixada para um amigo, seu conteúdo é a biografia do autor que após morrer endividado explica o porquê de tê-lo escrito: dar explicação para o saber viver vive dito pelos franceses, aproveitar a vida de modo a conquistar dela o máximo. Acreditava o autor que tal obra seria de grande valia para a humanidade e isto alçaria a obra à lista dos best–sellers e sanaria as suas dívidas póstumas. É um típico romance balzaquiano, pois a procura do conforto material, o ascender social e o gozo são caricaturas dos personagens, muitas vezes satirizados nas situações que enfrentam. CORAÇÃO Guiado pelo coração Silvestre, nosso personagem – biográfico ama sete mulheres ( sete é o símbolo dos pecados capitais que levam o homem ao degredo da alma ). Sete mulheres . "O meu noviciado de amor passei-o em Lisboa. Amei as primeiras sete mulheres que vi e que me viram." 1° mulher - Leontina, vizinha de Silvestre, órfã, criada por um ourives, meigo do par dela, analfabeta, de olhos bonitos. Por ela também era apaixonado um outro vizinho, um algibebe (vendedor de roupas), que, tomado pela paixão descuidava de seus negócios. Ele odiava Silvestre e lhe escreveu uma carta ‘anônima’ - Leontina reconheceu a letra ameaçando-o de morte.

A moça teve raiva do algibebe por isso. Cientificado por outra carta anônima do algibebe de que Leontína namorava Silvestre, o ourives levou-a para sua propriedade rural e casou-se cora ela, apesar da objeção das filhas dele. Silvestre ignorou o rumo tomado pela amada. Contudo o leitor fica sabendo que esta após algumas desventuras acaba por enriquecer-se após o óbito do marido, vem posteriormente casar-se com o algibebe que vem a ganhar um prêmio lotérico tornaram-se gordos e ricos. 2° mulher - Silvestre nunca soube o nome dessa outra vizinha. Ela só aparecia na janela, assim mesmo ficavam visíveis apenas os olhos, entre as tábuas das persianas. Silvestre lhe remeteu uma carta enorme declarando-se. Como resposta, recebeu um bilhete, incentivando-o a escrevei mais. Julgando que ela o ironizara, Silvestre chegou a adoecer de urna febre que o reteve onze dias na cama. ( Caro leitor observe o exagero romântico desta cena! Aos nossos olhos contemporâneos chega a parecer hilária tal postura ). Nunca mais Silvestre viu a vizinha. Soube depois que a moça era amante de um conde, que, por ser casado, não vivia com ela. Tornara-se alcoólatra. Na época em que Silvestre a conheceu tinha um filho de cinco anos. Nota do autor - O nome dessa mulher era Margarida. Ela e o filho vieram a morrer de febre amarela, abandonados por todos, inclusive o conde. 3° mulher — Catarina era uma quarentona, conheceu Silvestre quando do seu freqüentar da casa onde este vivia hospedado. Declarou-se a ele, dizendo-se possuidora de boa renda financeira e proprietária de dez burrinhos. Na noite em que o apaixonado rapaz teve um encontro com Catarina na casa dela, apareceu repentinamente o irmão dela de espada em punho. Silvestre fugiu amedrontado. Catarina exigiu que Silvestre se casasse com ela, pois estava desonrada perante a opinião publica. O ex-namorado se negou a casar. Cinco anos depois, Silvestre soube que Catarina e o irmão se tornaram herdeiros de um tio rico. ( Observe que o nosso personagem ao obedecer o coração não alcança nunca o sucesso financeiro. 4° mulher - Silvestre conheceu Clotilde numa festa. O cavalheiro que os apresentou informou ao rapaz que ela e as companheiras eram muito fúteis e vaidosas. Isso ocorrera em um balneário. Retornando a Lisboa, Silvestre, apaixonado por Clotilde procurou-a no endereço, que lhe dera, mas não a localizou. Num encontro casual com o mesmo cavalheiro da festa, Silvestre lhe contou sua paixão por Clotilde. Surpreso, soube que o tal cavalheiro era o marido dela! Ele ofereceu ao apaixonado uma das amigas da mulher. Constrangido, Silvestre rasgou os poemas que havia escrito para Clotilde e nunca mais a procurou. 5° mulher – Esta agora é a D. Martinha, proprietária do hotel onde vivia Silvestre. Sempre o paquerava, mas este demorou a aperceber-se disso. D. Martinha era uma viúva de 35 anos. Então, passaram a se relacionar. Veremos que este caso não vai dar certo. 6° mulher – D. Martinha contratou corno criada uma mulata brasileira, chamada Tupinoyoyo (observe o estereótipo da brasileira aos olhos do europeu, mulata de nome indígena). Silvestre ardeu de paixão pela criada. Os dois se encontravam às escondidas da ciumenta. Até que foi flagrado e expulso do hotel. Alguns anos depois, avistou a mulata brasileira, num teatro, com um português importante. (Dizia-se que ela era rica e educada em Londres) 7° mulher - Mademoiselle Elise de la Sallete viera da França, envergonhada porque tinha sido abandonada por um duque, seu marido. Em Portugal, mudou de nome e se tornou modista. Cibrão Taveira, amigo de Silvestre, marcou um encontro com ela; mas, como não sabia falar francês, pediu que Silvestre fosse com ele. Enquanto este se afastou com a francesa, aquele ficou com a amiga dela e soube a história da outra. Comovido, chegou a escrever alguns capítulos sobre a vida nobre francesa. Certo dia, estando Silvestre no Passeio Público, cumprimentou de longe as duas francesas que passavam. Ouviu de um grupo de homens, que conversavam perto, a verdadeira história da "santa" francesa: era um na mulher vulgar que tinha tido caso com vários homens e agora, com falso nome, inventou a versão de nobre envergonhada. Silvestre voltou a encontrá-la na casa de um amigo, acompanhada de um tenor italiano. Aproximou-se dela, chamou o companheiro de duque e acrescentou que, afinal, tomara vergonha e viera buscar a esposa. O tenor, sem entender nada, mas considerando-se insultado, ameaçou bater em Silvestre, que se retirou sem reagir. A mulher que o mundo respeita - Depois de tantas desilusões amorosas, Silvestre resolveu ser cético Escreveu poemas que tematizavam a desilusão e mudou sua aparência: cabelos desgrenhados, calva artificial (raspava os cabelos no alto da testa), pintura para empalidecer o rosto e criar olheiras, roupas pretas e cavalo preto... Corria a história de que ele queria morrer por ter amado uma neta de reis, cujo pai, contrariado, a fez ingressar no convento. Certo dia, aconteceu que Silvestre, indo para Benfica, viu numa varanda urra moça bonita, por quem logo se apaixonou. No dia seguinte, conseguiu um breve diálogo com o criado da moça, o qual lhe contou que o nome dela era Paula, uma fidalga morgada (= herdeira única de bens de família). Mandou-lhe carta pelo criado, sem obter resposta. Num baile, Silvestre viu Paula entrar de braço com um rapaz. Quando conseguiu oportunidade de falar com ela a sós, Paula pediu que não a procurasse mais, pois já estava comprometida. Sem desanimar, inspirado no poeta Castilho, segundo o qual é preciso ofertar presentes às ninfas ("Festões, grinaldas, passarinhos, frutos"), Silvestre mandou para Paula uma cesta com pêssegos, flores e um periquito, acompanhada de uma carta. Paula respondeu, também por carta, agradecendo. Movido de paixão, Silvestre resolveu passar de madrugada diante da casa de Paula e viu um homem encapotado parado lá. Escondido, o romântico apaixonado viu uma mulher - supostamente Paula - abrir a janela e ficar conversando, aos sussurros, com o desconhecido. Armado, Silvestre tornou a postar-se, alta noite, diante do palacete da moça, disposto a matar os dois amantes. Saindo de casa, aproximou-se dele uma mulher chamando-o de Caetano, sem se reconhecerem na escuridão. Convidou-o a entrar. Silvestre sussurrou não se chamar Caetano e se retirou. Assim que a mulher, assustada, voltou para o interior da casa, deixando o portão aberto, ele entrou no jardim e ficou escondido. Cal a pouco, chegou Caetano e ela o atendeu da janela, sem permitir que entrasse, com medo do outro. Foi então que Silvestre reconheceu Eugênia, a empregada. Julgando-se digno de ser amaldiçoado por ter pensado mal de Paula. Retornando a Lisboa, Silvestre soube que Paula tinha sido abandonada pelo noivo, um duque, que a surpreendera traindo-o com um amigo dele. Tornou a vê- la num teatro, acompanhada de Piedade, conhecida por seu sarcasmo, No dia seguinte, Paula enviou-lhe uns versos, compostos por Piedade, nos quais era chamado de periquito. Ele ficou muito magoado. Para esquecer sua mágoa, Silvestre resolveu passar uma temporada em Santarém Acabou hospedando-se na casa de um antigo colega, administrador do Concelho. Quando, por ordem do governador, seu anfitrião foi localizar um casal de fugitivos, Silvestre o acompanhou. Para surpresa dele, a moça procurada era Paula; saiu da sala sem olhar para a desgraçada’. O amante acabou na cadeia e ela foi levada para a propriedade rural do pai. Paula veio a casar-se com um primo que lhe fora destinado desde a infância. O filho do casal nasceu forte, apesar de prematuro (aliás, no dizer do avó de Paula, era comum na sua família, as mulheres terem filhos que nasciam antes de 6 meses de casadas, ou seja a safadeza era traço genético, que ironia!). Paula tornou-se senhora respeitada na alta sociedade, alvo da atenção e companheira de honrados anciãos de Lisboa. Observe que Paula é a mulher que o mundo respeitauma verdadeira cortesã ou dita vagabunda nos dias atuais, por ser rica todos os pecados são lhe perdoados, fosse pobre seria escorraçada socialmente. Agora vejamos quem é a mulher que o mundo despreza. A mulher que o mundo despreza - Silvestre fazia parte daquele grupo de românticos que gostavam de se embebedar para abafar as mágoas. Bêbado, ele fazia discursos sobre a filosofia da história ou sobre a história da filosofia. Certa noite, ao sair alcoolizado de um bar, encontrou no cais urna mulher. Levou-a para casa o pediu-lhe que contasse sua história. Marcolina relatou que, órfã de pai desde o dia em que nasceu, viveu a infância com as cinco irmãs mais novas, filhas de sua mãe com o padrasto, que acabou preso e degredado para o Brasil. (Para o Brasil só vem coisa boa, né!??) Quando Marcolina completou 14 anos, a mãe que esmolava e se prostituía - entregou-a para um barão cinqüentenário. Este tornou-a sua amante e a educou como pessoa da sociedade, não lhe permitindo contato com a família dela. tantas desilusões amorosas, Silvestre resolveu ser céptico Escreveu poemas que tematizavam a desilusão e mudou sua aparência: cabelos desgrenhados, calva artificial (raspava os cabelos no alto da testa), pintura para empalidecer o rosto e criar olheiras, roupas pretas e cavalo preto... Corria a história de que ele queria morrer por ter amado uma neta de reis, cujo pai, contrariado, a fez ingressar no convento. Certo dia, aconteceu que Silvestre, indo para Benfica, viu numa varanda urra moça bonita, por quem logo se apaixonou. No dia seguinte, conseguiu um breve diálogo com o criado da moça, o qual lhe contou que o nome dela era Paula, uma fidalga morgada (= herdeira única de bens de família). Mandou-lhe carta pelo criado, sem obter resposta. Num baile, Silvestre viu Paula entrar de braço com um rapaz. Quando conseguiu oportunidade de falar com ela a sós, Paula pediu que não a procurasse mais, pois já estava comprometida. Sem desanimar, inspirado no poeta Castilho, segundo o qual é preciso ofertar presentes às ninfas ("Festões, grinaldas, passarinhos, frutos"), Silvestre mandou para Paula uma cesta com pêssegos, flores e um periquito, acompanhada de uma carta. Paula respondeu, também por carta, agradecendo. Movido de paixão, Silvestre resolveu passar de madrugada diante da casa de Paula e viu um homem encapotado parado lá. Escondido, o romântico apaixonado viu uma mulher - supostamente Paula - abrir a janela e ficar conversando, aos sussurros, com o desconhecido. Armado, Silvestre tornou a postar-se, alta noite, diante do palacete da moça, disposto a matar os dois amantes. Saindo de casa, aproximou-se dele uma mulher chamando-o de Caetano, sem se reconhecerem na escuridão. Convidou-o a entrar. Silvestre sussurrou não se chamar Caetano e se retirou. Assim que a mulher, assustada, voltou para o interior da casa, deixando o portão aberto, ele entrou no jardim e ficou escondido. Cal a pouco, chegou Caetano e ela o atendeu da janela, sem permitir que entrasse, com medo do outro. Foi então que Silvestre reconheceu Eugênia, a empregada. Julgando-se digno de ser amaldiçoado por ter pensado mal de Paula. Retornando a Lisboa, Silvestre soube que Paula tinha sido abandonada pelo noivo, um duque, que a surpreendera traindo- o com um amigo dele. Tornou a vê- la num teatro, acompanhada de Piedade, conhecida por seu sarcasmo, No dia seguinte, Paula enviou-lhe uns versos, compostos por Piedade, nos quais era chamado de periquito. Ele ficou muito magoado. Para esquecer sua mágoa, Silvestre resolveu passar uma temporada em Santarém Acabou hospedando-se na casa de um antigo colega, administrador do Concelho. Quando, por ordem do governador, seu anfitrião foi localizar um casal de fugitivos, Silvestre o acompanhou. Para surpresa dele, a moça procurada era Paula; saiu da sala sem olhar para a desgraçada’. O amante acabou na cadeia e ela foi levada para a propriedade rural do pai. Paula veio a casar-se com um primo que lhe fora destinado desde a infância. O filho do casal nasceu forte, apesar de prematuro (aliás, no dizer do avó de Paula, era comum na sua família, as mulheres terem filhos que nasciam antes de 6 meses de casadas_ ou seja a safadeza era traço genético, que ironia!). Paula tornou-se senhora respeitada na alta sociedade, alvo da atenção e companheira de honrados anciãos de Lisboa. Observe que Paula é a mulher que o mundo respeita_ uma verdadeira cortesã ou dita vagabunda nos dias atuais, por ser rica todos os pecados são lhe perdoados, fosse pobre seria escorraçada socialmente. Agora vejamos quem é a mulher que o mundo despreza. A mulher que o mundo despreza - Silvestre fazia parte daquele grupo de românticos que gostavam de se embebedar para abafar as mágoas. Bêbado, ele fazia discursos sobre a filosofia da história ou sobre a história da filosofia. Certa noite, ao sair alcoolizado de um bar, encontrou no cais urna mulher. Levou-a para casa o pediu-lhe que contasse sua história. Marcolina relatou que, órfã de pai desde o dia em que nasceu, viveu a infância com as cinco irmãs mais novas, filhas de sua mãe com o padrasto, que acabou preso e degredado para o Brasil. (Para o Brasil só vem coisa boa, né!??) Quando Marcolina completou 14 anos, a mãe que esmolava e se prostituía - entregou-a para um barão cinqüentenário. Este tornou-a sua amante e a educou como pessoa da sociedade, não lhe permitindo contato com a família dela. Odiando a vida de cativeiro que levava, Marcolina apaixonou-se por Augusto, guarda-livros do barão. Ciente disso, despediu o rapaz do emprego. Mesmo assim, através da professora de bordados, a moça entrou em contato com Augusto. Informado do encontro, o barão chegou a bater em Marcolina, mas, arrependido, prometeu casar-se com ela, assim que morresse a esposa dele, que vivia no Brasil. Marcolina aprendeu a escrever - mesmo sem permissão do barão - com a professora de bordados- Resolveu fugir; mas deixou urna carta para o amante. Antes que fosse embora, o barão entrou no quarto dela com duas pistolas engatilhadas, uma para matá-la e outra para matá-lo, Amedrontada, Marcolina manifestou arrependimento e jurou fidelidade a ele. Às ocultas, porém, escreveu uma carta para Augusto, pedindo-lhe que a recebesse pobre. A intermediária seria a professora de bordado, que, comprada pelo barão, entregou-lhe a carta. Enfurecido, o desatinado amante entrou subitamente no quarto de Marcolina e mandou que ela devolvesse tudo o que dele havia ganho: vestidos, jóias... e a liberou para o guarda-livros, Na saída, porém, o barão ajoelhou-se aos pés dela e implorou que ficasse com ele, lembrando-lhe a pobreza em que passaria a viver. Marcolina aceitou a nova proposta do barão. O casal saiu em viagem pela Europa. Na Alemanha, o barão sofreu um ataque apopléctico e morreu de repente. A viúva então ficou com todos os bens e Marcolina vendeu as jóias, apurou uma importância significativa. Procurou a irmã prostituta para ajudá-la; no entanto, no último grau de decadência, dominada pelo álcool, pela miséria e pela tuberculose, a irmã faleceu. Marcolina encontrou casualmente Augusto, agora estudante de Medicina. Os dois continuaram se vendo e ele propôs casarem-se. Mesmo sem o antigo amor, mas por precisar de vida sossegada, Marcolina aceitou a proposta. Dentro de dois anos, Augusto pôs a perder todos os bens da mulher, com maus negócios, jogatina e prostitutas; depois, sumiu. Em extrema miséria, Marcolina ingressou na prostituição e foi acometida de tuberculose. Na noite em que Silvestre a encontrou, ela planejava matar-se. Ele, então, passou a protegê-la. Recolheu as irmãs numa casa de recuperação e levou Marcolina para sua propriedade rural. Lá ela melhorou um pouco, contudo não resistiu à doença e morreu. Um pouco antes de sua morte, soube que o padrasto havia retornado e levou as filhas para sua companhia, sem interessar-se pela ex-mulher. Nota-se aqui que a prostituta tem uma alma caridosa, dadivosa e fraterna, a antítese de Paula que triunfa socialmente e não possui quaisquer destes sentimentos. O autor faz tal comparação exatamente para demonstrar ( isto é até uma postura realista ) a indústria de estereótipos a que somos submetidos os ricos são bons e os pobres são maus o mais puro maniqueísmo ideológico. CABEÇA Silvestre resumiu suas idéias sobre o amor em sete máximas ( princípios); porém preteriu tornar-se jornalista político. Ofendidos por seus artigos, os opositores impossibilitaram a permanência dele em sua aldeia, Foi morar no Porto, onde, para surpresa dele, ninguém o conhecia, exceto um literato que, ao dizer-lhe que o considerava um péssimo escritor provinciano (= da roça) levou um soco no rosto. Silvestre passou a freqüentar a sociedade, Encantava-se com a vivacidade e naturalidade das mulheres, que gostavam de se alimentar bem e divertir-se. Foi pena que, alguns anos depois, os romances românticos as fizeram pálidas, lacrimosas e sem vida. Deixando o coração de lado, Silvestre só vivia da cabeça, isto é, calculava como poderia chegar a ministro. Em seus artigos polêmicos, pediu que se matassem os velhos e se exaltasse a juventude. Depois, combateu também as novas gerações. O jornal em que escrevia recebeu multas por causa de seus escritos. Tão decepcionado no Porto quanto ficara com as mulheres de Lisboa, Silvestre mudou de planos: abandonou as pretensões políticas e criou o objetivo de enriquecer com o casamento. Páginas sérias de minha vida - Num baile, Silvestre conheceu as três herdeiras mais ricas da sociedade portuense. Sua cabeça pediu que namorasse a mais velha, viúva e feia. Aproximou-se dela e fez algumas perguntas. Além de ouvir respostas tolas, ela o desprezou por tê-la ironizado. Silvestre tentou aproximar-se da segunda, morena e bonita, mas soube que ela namorava Josino - velho conquistador, com quem veio a se casar, Aliás, Josino foi objeto de versos satíricos de Silvestre num jornal literário da época. A terceira mulher, Mariana, mais nova e que lembrava um anjo de igreja, sem vida, órfã de um brasileiro rico, era criada por Francisco José de Sousa, casado com uma brasileira, D. Rita. Este casal acabou desaparecendo repentinamente do Porto, deixando Mariana num convento. Mais tarde se ficou sabendo que a razão do sumiço do casal foi o escândalo que envolveu a "família dos brasileiros", como eram chamados, O Sr. Francisco José admirava o advogado Dr. Anselmo Sanches, homem honesto. Embora os homens honestos do Porto fossem hipócritas, Dr. Anselmo perecia exceção. Muitos o contratavam para advogar a favor de mães e filhas, A ele Silvestre escreveu uma série de artigos agressivos contra o Dr. Anselmo, sem mencionar o nome dele e das vitimas. Contudo os homens honestos e a própria imprensa defenderam a reputação do advogado, que processou o articulista. Sem apoio algum, Silvestre foi condenado a pagar multa e cumprir três meses de prisão. Esse episódio fez Silvestre encerrar sua vida de intelectual, Fracassaram o coração e a cabeça. Agora era a vez do estômago. (Nesta altura do livro, o autor inseriu alguns artigos de Silvestre sob o titulo O Mundo Patarata’, isto é, o mundo elegante, criticando a sociedade do Porto). ESTÔMAGO De como me casei - Silvestre resolveu recolher-se a sua casa. A esse período ele chamou de estômago. Para regular o estômago, ou seja, para ter paz, ele precisava destruir a influência de duas pessoas da aldeia: o regedor e o vigário. Quanto ao regedor, Silvestre recorreu à retórica, Fez uma verdadeira campanha junto à população pobre contra ele Resultado: o governo perdeu as eleições na aldeia, o regedor adoeceu e foi destituído do cargo. Daí a meses, Silvestre foi nomeado regedor. Nas eleições para renovação da câmara, o vigário começou a fazer campanha política contra Silvestre. Este mandou que seu empregado desaparecesse com o garrano ( cavalo) do vigário, impedindo-o assim, de falar nas regiões mais afastadas. O regedor venceu as eleições por larga margem. Silvestre recebeu o hábito de Cristo, solicitado pelo governador civil. Ao ver Tomásia, filha do poderoso sargento-mor de Soutelo, interessou-se por ela. Convidado pela família, passou um dia na casa da moça. O pai a ofereceu a ele em casamento Tomásia era muito trabalhadeira e pouco intelectualizada. Seus quatro tios padres também passaram aquele dia na casa do sargento e aprovaram a idéia do casamento com Silvestre. Tomásia já gostava do regedor há muito tempo, sem que ele percebesse ou mesmo se lembrasse dela. As horas transcorreram com muita comida, bebida e conversa. Oficializou-se o casamento de Tomásia com Silvestre para dentro de 20 dias. A única condição que o pai da moça impôs foi que os dois morassem na casa dele enquanto vivesse. Silvestre não se perguntou se amava Tomásia ou não. Segundo ele, a julgar pelos casais bíblicos, o casamento não se faz por amor - este é coisa do coração, que não tem importância nenhuma. O casamento se realizou como tinha sido previsto: os dois se confessaram, comungaram e receberam a bênção nupcial num clima de animada festa. EDITOR AO RESPEITÁVEL PÚBLICO - Silvestre foi um marido fiel. Exerceu cargos políticos na região e conseguiu espertamente espantar credores de várias dívidas contraídas em solteiro. Abandonou totalmente a vide intelectual, engordou muito por comer demais e se dedicou à jogatina, endividando-se. Acreditava que, na publicação de seus manuscritos após a morte, lá pela 10’ edição, haveria dinheiro suficiente para pagar as dívidas que não conseguiria quitar em vida. Por isso, autorizou a publicação, se pudesse ser proveitosa para a iniciação da mocidade. Morto Silvestre, o editor recebeu os manuscritos encaminhados pelo sogro do ex-regedor, com a transcrição de seu último soneto atinentes à sua vida pregressa e o quanto as fases do coração, cabeça e estômago são válidos para alcançar a sabedoria. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O fantástico mistério de Feiurinha (1986) - Editora FTD

Este livro começou a nascer sem o personagem que o intitula. Minha idéia era reviver as histórias de fadas, discutindo as grandes heroínas após do fim de suas histórias, de modo a mostrar a importância desse tipo de literatura na formação de cada um de nós. Aos poucos, porém, a personagem Feiurinha apareceu, impôs-se e... tomou o livro! Mais ou menos como o que aconteceu com o Velho Santinho em Na colméia do inferno.

De especial mesmo, eu creio que há neste livro três aspectos. Em primeiro lugar está sua estrutura, como se ele fosse um livro antes do livro, com sua organização em capítulos que vêm antes do primeiro capítulo. Em seguida, temos a fábula de Feiurinha, que eu montei com o máximo de clichês extraídos de todas as histórias da carochinha: bruxas, príncipe, transformações, heroína pobre, linda e infeliz, a idéia bíblica do Rei Salomão etc. E, por último, está a discussão da importância do leitor em relação à Literatura. Como eu disse, um livro não existe se não houver leitores para ele; um autor nada é, se não houver pessoas dispostas a ler o que ele escreve. Feiurinha é um sucesso de público e de crítica, tendo recebido o Prêmio Jabuti de 1986. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Paulo Freire
INTRODUÇÃO
“Qual a herança que posso deixar? Exatamente uma. Penso que poderá ser dito quando já não esteja no mundo: Paulo Freire foi um homem que amou. Ele não podia compreender a vida, a existência humana sem amor e sem a busca de conhecimento. Paulo Freire viveu, amou tentou saber. Por isso mesmo, foi um ser constantemente curioso. É isto o que espero seja a expressão de minha passagem pelo mundo. Mesmo quando tudo o que tenha dito e escrito sobre educação possa haver mergulhado no silêncio”.
(Paulo Freire)
BIOGRAFIA
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.
Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular.
Durante toda a década de 1950. Paulo Freire vinha acumulando experiência no campo da alfabetização de adultos em áreas urbanas e rurais próxima a Recife, experimentando novos métodos,. Técnicas e processos de comunicação. A partir de 1961, o método já estruturado foi posto em pratica no Recife.
Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países.
Em 1962, estendeu-se a João Pessoa, Paraíba, e a Natal no /Rio Grande do Norte, onde se desenvolveu a campanha “de pé no chão também se aprende a ler”. Mas a experiência que deu divulgação nacional ao novo método foi a realizada em Angicos, no Rio grande do Norte, cujo encerramento contou com a presença do Presidente da Republica. Essas foram suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.
Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.
Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram na época, para a superação do analfabetismo.
Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina do PT.
Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.
Pedagogia do Oprimido
Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar a vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade.
O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.
A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem cheias; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.
Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objeto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.
Método Paulo Freire
A idéia básica do Método Paulo Freire é a educação do processo educativo as características do meio. O método era simples, começa a por localizar e recruta os analfabetos residentes na área escolhida para os trabalhos de alfabetização. As palavras dos entrevistados, respondidas nas questões sobre as experiências vividas na família, no trabalho, nas atividades religiosas, políticas, recreativa, etc.o conjunto das entrevistas fornece a equipe de educadores uma extensa relação das palavras de uso corrente na localidade. Essa relação era entendida como representativa do universo vocabular local. E dela se extraiam as palavras geradoras – unidade básica na organização do programa de atividades e na futura orientação dos debates que teriam lugar nos círculos de cultura.
As palavras geradoras selecionadas eram aproximadamente dezessete. Dentre elas, eram mais freqüentes: eleição, voto polvo, governo, tijolo, enxada, panela, cozinha. Cada uma dessas palavras era dividida em sílabas; estas eram reunidas em composição diferentes, formando novas palavras. A discussão das situações sugeridas pelas palavras geradoras permitia que o indivíduo se conscientizasse da realidade em que vivia e de sua participação na transformação dessa realidade, o que tornava mais significativo e eficiente o processo de alfabetização. Era o próprio adulto que se educava, orientado pelo coordenador de debates, o professor, mediante a discussão de suas experiências de vida com outros indivíduos que participavam, das mesmas experiências.
No método PAULO FREIRE as palavras geradoras são escolhidas após pesquisa no meio ambiente. Assim, por exemplo, numa comunidade que vive em favela, a palavra FAVELA é geradora porque, evidentemente, está associada às necessidades fundamentais do grupo, tais como: habitação, alimentação, vestuário, transporte, saúde e educação.

Se houver possibilidade de utilizar um “slide”, projeta-se a palavra FAVELA e, logo em seguida a sua separação em sílabas: FA-VE-LA. O educador passa, então, a pronunciar as sílabas em voz alta, o que é repetido, várias vezes, pelos educandos.

Em seguida, projeta-se a palavra dividida em sílabas, na posição vertical :
FA
VE
LA
Completando o quadro com os respectivos fonemas:
FA FE FI FO FU
VA VE VI VO VU
LA LE LI LO LU
A partir daí, o grupo passa a criar outras palavras, como FALA, VALA, VELA, VOVO, VIVO, LUVA, LEVE, FILA, VILA.
Outro exemplo, adaptável ao meio ambiente, é a palavra TRABALHO OU SALÁRIO.
TRA TRE TRI TRO TRU
BA BE BI BO BU
LHA LHE LHI LHO LHU
E assim por diante, vai-se fazendo, também a formação de palavras com fonemas já usados em palavras apresentadas anteriormente. Essas palavras constituem o que se chama FICHAS DE CULTURA, que podem ser acompanhadas de desenhos respectivos, por exemplo: CA – SA.
As palavras geradoras não precisam ser muitas: de 16 a 23 é o bastante. No conjunto, elas devem atender a três critérios básicos de escolha :
• a riqueza fonêmica da palavra geradora;
• as dificuldades fonéticas da língua;
• e do sentido pragmático dos exercícios.
Na medida em que o aprendizado vai se desenvolvendo, forma-se um “circuito de cultura entre educadores e educandos, possibilitando a colocação de temas geradores para discussão através do diálogo. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos vai levando a educando a conscientização dos problemas que o cercam, à compreensão do mundo e ao conhecimento da realidade social. Fica claro, então, que a alfabetização é o do programa de educação. Uma idéia desse contexto pode ser visualizada na discussão da palavra geradora SALÁRIO, vejamos: 1) Idéias para discussão :
1) Idéias para discussão :
• valorização do trabalho e recompensa;
• finalidade do salário: manutenção do trabalhador e de sua família;
• horário de trabalho;
• o salário mínimo, o 13º salário;
• repouso semanal e férias. 2)Finalidade da conversa:
2) Finalidade da conversa :
• discutir a situação do salário dos trabalhadores;
• despertar no grupo o conhecimento das leis trabalhistas;
• levar o grupo a exigir salários justos.
Evidentemente, o sentido pedagógico do método Paulo Freire é a politização do trabalhador, único meio de fortalecer a classe dos oprimidos e dar-lhe armas para lutar pela revolução social, contra as desigualdades e a favor da liberdade.
PRINCIPAIS IDÉIAS
Segundo Paulo Freire, a educação é uma prática política tanto quanto qualquer prática política é pedagógica. Não há educação neutra. Toda educação é um ato político.
Assim, sendo, os educadores necessitam construir conhecimentos com seus alunos tendo como horizonte um projeto político de sociedade. Os professores, são, portanto, profissionais da pedagogia da política, da pedagogia da esperança.
Sua pedagogia tem sido conhecida como Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Liberdade, Pedagogia da Esperança. Paulo Freire é autor de uma vasta obra, traduzida em vários idiomas.
Em seus trabalhos, Freire defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de informações do professor sobre o aluno. Esta "pedagogia bancária" , segundo Freire, não leva em consideração os conhecimentos e a cultura dos educadores.
Respeitando-se a linguagem, a cultura e a história de vida dos educandos pode-se levá-los a tomar consciência da realidade que os cerca, discutindo-a criticamente. Conteúdos, portanto, jamais poderão ser desvinculados da vida.
Tanto quanto Freinet, Paulo Freire cultiva o nexo escola/vida, respeitando o educando como sujeito da história.
As pessoas podem não ser letradas mas todas estão imersas na cultura e, quando o educador consegue fazer a ponte entre a cultura dos alunos, estabelece-se o diálogo para que novos conhecimentos sejam construídos.
A base da pedagogia de Paulo Freire é o diálogo libertador e não o monólogo opressivo do educador sobre o educando.
Na relação dialógica estabelecida entre o educador e o educando faz-se com que este aprenda a aprender.
Paulo Freire afirma que a "leitura do mundo precede a leitura da palavra", com isto querendo dizer que a realidade vivida é a base para qualquer construção de conhecimento.
Respeita-se o educando não o excluindo da sua cultura, fazendo-o de mero depositário da cultura dominante.
Ao se descobrir como produtor de cultura, os homens se vêem como sujeitos e não como objetos da aprendizagem. A partir da leitura de mundo de cada educando, através de trocas dialógicas, constróem-se novos conhecimentos sobre leitura, escrita, cálculo. Vai-se do senso comum do conhecimento cientifico num continuum de respeito.
A educação, segundo Freire, deve ter como objetivo maior desvelar as relações opressivas vividas pelos homens, transformando-os para que eles transformem o mundo.
Paulo Freire é um educador com profunda consciência social. Mais do que ler, escrever e contar, a escola tem tarefas mais sérias - desvelar para os homens as contradições da sociedade em que vivem.
Paulo Freire além de sua obra de pensador, tornou-se conhecido pelo método de alfabetização de adultos que criou, conhecido como Método de Alfabetização Paulo Freire.
Paulo Freire – “É preciso pôr fim à educação bancária, em que o professor deposita em seus alunos os conhecimentos que possui. – a técnica de silabação utilizada por ele em seu método de alfabetização de adultos está ultrapassada, ainda que a idéia de trabalhar com palavras geradoras permaneça bastante atual”.
O processo educativo seria um ato político uma ação que resultaria em relação e domínio ou de liberdade entre as pessoas. Se opunha ao que chamava de educação bancária. Esse tipo de ensino se caracteriza pela presença de um professor depositante e um aluno depositário da educação. Quem é educado assim tende a tornar-se incapaz de ler o mundo criticamente. Acreditava que o educador deve se comportar como um provocador de situações, um animador cultural num ambiente em que todos aprendem em comunhão. A preparação da criança para tomar uma decisão à necessidade de cada escola ter um projeto pedagógico que reconheça a cultural local. Foi previsto aa democratização da educação em que a inclusão de todos não só dos portadores de deficiência é fator fundamental. O projeto pedagógico de cada escola de Betim, Minas Gerais, é definido com a participação dos alunos e comunidade, que escolhemos diretores pelo voto direto. Conselhos pedagógicos discutem currículo, avaliações, conteúdo, calendário e metodologia. Foi criada também a escola de pais. Formados eles podem participar mais ativamente dos fóruns de decisão. O município mantém ainda um programa de alfabetização de adultos, porém a técnica de alfabetização está ultrapassada. Ele dizia que antes de ensinar uma pessoa a ler as palavras era preciso ensiná-las a ler o mundo. Essa é a essência de suas idéias.
Conclusão
Paulo Freire foi mais que um educador, foi um pensador, legado de sua inteligência a serviço dos mais humildes. “Pedagogia do Oprimido”,uma de suas obras mais significativas, nos remete ao ser humano sem recursos e submetido à opressão cotidiana e que encontra saída pela consciência e pela ação, ele é uma dessas pessoas que ficarão na história por ter pensado no povo oprimido com uma teoria e a prática para que essa gente recuperasse a dignidade devida com seu Método de alfabetização de adultos. Revolucionário porque o aprendizado foge das formas mecânicas, valorizando as experiências e percepções pessoais e regionais.
Paulo Freire tornou-se referencia mundial. Hoje há centros de estudos e difusão de seu método em todo planeta.
Principais Obras
• A propósito de uma administração. Recife: Imprensa Universitária, 1961.
• Conscientização e alfabetização: uma nova visão do processo. Estudos Universitários – Revista de Cultura da Universidade do Recife. Núm 4, 1963: 5-22.
• Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.
• Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
• Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.
• A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez Editora, 1982.
• A educação na cidade. São Paulo: Cortez Editora, 1991.
• Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992.
• Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993.
• Cartas a Cristina. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1974.
• À sombra desta mangueira. São Paulo: Editora Olho d’Água, 1995.
•Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
• Mudar é difícil, mas é possível (Palestra proferida no SESI de Pernambuco). Recife: CNI/SESI, 1997-b.
• Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000.
• Educação e atualidade brasileira. São Paulo: Cortez Editora, 2001.
Bibliografia
Freire.Paulo.Educação Como Prática de Liberdade.23ed.Paz e Terra.1966.
Freire.Paulo.A importância do ato de ler.Cortez.1982.
Barreto.Motta José.Centro de Estudos em Educação.Vereda.1982.
Gadotti. Moacir. Convite à leitura de Paulo Freire. Scipione. 1989.
Brandão. Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. Brasiliense. 1981. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em junho de 1888, os livreiros portugueses começaram a vender os primeiros dos cinco mil exemplares da primeira edição de Os Maias. É tiragem que impressiona ainda hoje. O que dizer então naqueles tempos de um Portugal pouco habitado e não muito lido? Foi uma temeridade, mas à audácia dos editores correspondeu a curiosidade dos leitores e o interesse da crítica. E o livro do desconfiado Eça de Queiroz transformou-se, desde então, num sucesso de vendas. E assim é (ou voltou a ser) hoje em dia. Andou uns tempos esquecido, é verdade, mas bastou que a televisão fosse buscar inspiração (palavra perigosa) no velho romance, para que as novas reedições sumissem, recém-chegadas às livrarias, pouco antes do Natal, e fossem totalmente consumidas pouco antes do novo ano. Eça de Queiroz foi impreciso e modesto ao dar a Os Maias o subtítulo "episódios da vida romântica". Na verdade, o seu mais famoso romance é uma tragédia, tal como a entendia Sófocles quando, já na maturidade, compôs o seu Édipo. Uma tragédia burguesa, mas quand même uma tragédia, pois que lá está a grave transgressão moral, cometida em completa inconsciência por seus dois personagens centrais — Carlos Eduardo e Maria Eduarda.

Da Maia, ambos; irmãos, apaixonados e incestuosos ambos, e belos e trágicos. Invejo quem agora, instigado pela minissérie, vai ler esse livro pela primeira vez. Terá prazer único e irreproduzível. As releituras que hão de vir, mais tarde, servirão de consolo, mas não de substituto. Esse prazer estará certamente na elegância barroca da forma e no desenvolvimento astucioso do entrecho. Mas estará também, ou principalmente, nos admiráveis retratos que Eça faz de seus tipos principais, com a elegância e a minúcia de um genial pintor romântico, mas com "o seu olho à Balzac". A começar não por um tipo, mas por uma casa, mais exatamente a "casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875", que surge, penumbrosa e prenunciadora, logo na primeira frase do livro, e que era conhecida como a casa do ramalhete "ou, mais simplesmente, o Ramalhete". Então, lemos, já encantados: "Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas janelas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação dos tempos da Sra. D. Maria I; com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de jesuítas". Ai está o cenário da tragédia. O Ramalhete é, pela ordem de entrada, o primeiro personagem em cena, com suas paredes sempre fatais àquela antiga família da Beira, tão rica e tão infeliz. E será no Ramalhete e em torno dele que vamos ser apresentados aos personagens nos quais Eça de Queirós se insinua, para nos falar através de suas muitas vozes. Seus retratos eram sempre perfeitos e, ao longo da trama, coerentes. A única personagem que o confunde é Maria Eduarda, por sua beleza de deusa. Quando ela aparece — e como custa a aparecer! —, "é alta, loura, com um meio véu muito apertado e muito escuro que realçava o esplendor da sua carne"; algumas páginas adiante, Carlos a revê e nota que "os cabelos não eram louros, como julgara de longe, à claridade do sol, mas de dois tons, castanho-claro e castanho-escuro, espessos e ondeando ligeiramente sobre a testa". Falei de retratos e o mais correto é falar de auto-retratos. Se Fernando Pessoa tinha seus heterônimos, Eça tinha os seus "eus", como diz Beatriz Berrini, que eram muitos e muito se pareciam. Ele nos fala pela voz severa do velho Afonso da Maia, que "era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes...o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve, aguda e longa", a reclamar melhores destinos para o seu lamentável país e a cobrar, do neto tão promissor, menos diletantismo e mais realizações. Fala-nos também com as palavras cruéis e desassombradas do neto Carlos, "um formoso e magnífico moço, alto, bem-feito, de ombros largos, com uma testa de mármore sob os anéis de cabelos pretos, e os olhos dos Maias, aqueles irresistíveis olhos do pai, dum negro líquido, ternos como os dele e mais graves", e que costumava vociferar: "A única coisa a fazer em Portugal é plantar legumes, enquanto não há uma revolução que faça subir à superfície alguns dos elementos originais, fortes, vivos, que isto ainda encerre lá no fundo". Ao que o avô respondia, já impaciente com esse diletantismo do neto, como se falasse em nome do autor: — Pois então façam vocês essa revolução. Mas pelo amor de Deus, façam alguma coisa! Mas nenhum de seus "eus" foi mais ele mesmo que João da Ega, ou João da Eça, ou o Ega de Queirós, que todos esses trocadilhos, embora fáceis, têm cabimento e justeza. Talvez só o Fradique Mendes se lhe possa comparar, mas esse não vem ao caso, agora, porque não é personagem d´Os Maias. Eram "eus" idealizados e muita vez caricaturados, mas que, no fundo, o reproduziam com verdade e o exprimiam com coerência. Ao Ega, deu-lhe o Eça a existência que gostaria de ter tido: discutido e admirado, com a mãe devota, rica e viúva, a lhe garantir o presente e o futuro, permitindo-lhe desfrutar as sofisticações, as intimidades e os desvelos de uma família de aristocratas, como era a dos Maias; mais alguns amores ardentes e com saúde razoavelmente forte para gozar, sem medos nem cuidados, o prazer das boas comidas e dos bons vinhos, dos conhaques e das águas ardentes, das noitadas com espanholas e das devassidões vespertinas, com amantes de luxo. É conclusão a que se chega no momento em que Eça retrata o Ega — e se auto-retrata: cheio de verve e de irreverência, de frases retumbantes e ditos irônicos, um talento amaldiçoado, temido e exaltado. Vejamos o Ega pelos olhos do Eça: "O esforço da inteligência (...) terminou por lhe influenciar as maneiras e a fisionomia; e, com a sua figura esgrouviada e seca, os pêlos arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito — tinha alguma coisa de rebelde e de satânico". Ora, se não é esse ou quase esse o retrato do próprio Eça, tal como captado na célebre caricatura que dele fez Rafael Bordalo Pinheiro, então já não sei ver nem distinguir. É ainda o Ega que, em momento de impaciência com a mediocridade e a hipocrisia da sociedade burguesa, e como que falando em nome de seu criador, deixa Lisboa e corre para restaurar-se no interior, lançando a Carlos e a Craft, os dois grandes amigos que o foram acompanhar à diligência, esta frase aterradora: — Sinto-me como se a alma me tivesse caído a uma latrina! Preciso um banho por dentro. Tal como Carlos da Maia, também João da Ega era um diletante. Ambos têm revoltas pouco profundas e de pouca duração. As suas grandes promessas de realização pessoal e de transformação do mundo terminam por desmaiar no culto quase religioso do luxo e do tédio. Passam a representar o que mais incomodava o inconformado Eça: a renúncia e o conformismo. É com mãos hábeis, orgulhosas e brilhantes que Eça os faz florescer em Coimbra, em tempos de sonho e de estudo, a prometer insubmissão e luta. É com olhar de desalento e pessimismo que Eça os deixa vencidos e melancólicos, a "correr desesperadamente pela rampa de Santos", atrás de um bonde e de um jantar, "sob a primeira claridade do luar que subia". Tal como o próprio Eça se sentia, Ega e Carlos eram, naquele momento, dois "vencidos da vida". E assim a tragédia se consuma e nos obriga a repensar o ser humano com inquietação e desconfiança. Lisboa, 1875. A cidade não apenas como um cenário mas como uma personagem, viva, interveniente, testemunha e cúmplice dos acontecimentos.A cidade acorda, o movimento cresce. De entre a multidão que circula vão-se destacando, anunciadas pela narradora, as principais personagens desta história.Mais tarde, ao serão, no interior da casa dos Maias, conhecida como o Ramalhete, reúnem-se alguns distintos representantes da sociedade da época: da intelligentsia à alta burguesia lisboeta, até alguns políticos do constitucionalismo regenerador. Lá estavam, entre outros, João da Ega, amigo incondicional de Carlos da Maia, sagaz e polémico, sempre crítico da mediocridade nacional. Ou ainda Craft, com quem, nessa mesma noite, Carlos da Maia acabaria por negociar uma quinta, nos Olivais. Ou ainda Dâmaso Salcede, pretencioso e burlesco que revelaria, eufórico, como uma das suas recentes conquistas, a aproximação de Maria Eduarda de Castro Gomes, o que não deixara de provocar uma ainda inexplicável irritação a Carlos da Maia. A sólida presença de Afonso da Maia, patriarca da família, constitui, para todos, um valor de referência.Na realidade, Carlos da Maia alimentava já por Maria Eduarda de Castro Gomes uma secreta paixão e não deixava de a visitar diariamente a pretexto de assistir clinicamente a sua governanta inglesa, Miss Sarah.Numa dessas visitas como médico à residência dos castro Gomes, - na rua de S. Francisco - percebe-se claramente a existência de uma reciprocidade de sentimentos, da qual, Dâmaso Salcede acabará inadvertidamente, por ser testemunha, não escondendo a sua surpresa e o seu despeito, que o levara a congeminar uma forma de vingança.Entretanto, Carlos e Maria Eduarda vivem já o seu romance na nova Quinta dos Olivais, comprada a Craft. Assim corre o tempo dividido entre as apressadas idas ao Ramalhete e a clandestina vida nos Olivais. Certo dia, no Ramalhete, Carlos e Ega trocam algumas confidência sobre a vida atribulada do primeiro, que procura esconder do avô a situação familiar da sua amante, conhecida em Lisboa, como a senhora Castro Gomes.Será, pois, com a maior estupefacção que Carlos receberá em sua casa o próprio Castro Gomes que lhe esclarece, com algum acinte, que aquela que todos dão como sua esposa não é senão a sua amante, com quem vive e a quem paga uma existência requintada em troca de companhia. Perante o desespero e a humilhação de Carlos, Ega sugere-lhe que usufrua, como vinha fazendo até aí, desse amor ilegítimo.Porém, a súbita chegada de Monsieur Guimarães vai precipitar o fim da história, ao trazer consigo num pequeno cofre, o espólio de Maria Monforte, mãe de Maria Eduarda, que morrera em Paris. Nesse espólio confirma-se que Maria Monforte fora a esposa que levara ao suicídio Pedro da Maia, pai de Carlos. A tragédia precipita-se - os dois amantes eram, no final, irmãos. Tal revelação levará à morte o velho Afonso da Maia, ao afastamento dos dois amantes, à partida de Carlos para o estrangeiro.Só dez anos depois Carlos voltará a Portugal, reencontrando-se com os amigos de sempre, e sobretudo, com Ega, com quem fará um saldo do passado, carregado de ironia e cepticismo, uma síntese dos seus destinos pessoais e do destino colectivo do país, como nação. Vidas falhadas ou ainda a tempo de apanhar o futuro? veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Era uma vez Bocaiúva e seus habitantes... Esta poderia ser a maneira de ler o livro de Herbert de Souza, o Betinho, que retorna à cidade onde nasceu através de uma lista de nomes preparados a seu pedido pela prima Ailce. Só que teríamos de aumentar a frase : Era uma vez Bocaiúva e seus habitantes... que morreram. Os nomes listados dão origem a pequenos necrológios, só que diferentes das notícias de morte publicadas nos jornais que tratam de gente ilustre. Os necrológios de A lista de Ailce contam breves e saborosas histórias de vidas de homens e mulheres que habitaram a infância de Betinho na pequena cidade mineira. Uma galeria de figuras ímpares, que inclui o tio colecionador de tudo e chefe do correio local, os casais perfeitos e os imperfeitos, o médico que errava diagnósticos, o primo suicida, os mendigos e os padres, as mulheres avançadas para o seu tempo. E outra galeria: a dos tipos mineiramente chamados de sistemáticos, os loucos internados na casa da própria família, além da mulher opiniática, que toma decisões à revelia do marido, e do apaixonado, o homem desiludido que adoece de frustração. Até o político famoso - José Maria Alkimin - ganha seu necrológio, em que se destaca a capacidade de fazer promessas e nunca cumpri-las. A genealogia familiar comparece em peso: José Maria, o primeiro irmão hemofílico a morrer, a avó Dona Mariquinha - a mãe-grande e controladora de todos os movimentos da família -, as tias, a irmã, os irmãos mortos pela AIDS, o pai Henrique e a mãe, Dona Maria, destinatária das famosas cartas para a mãe escritas por Henfil para a imprensa e para a TV nos anos 70.

De cada personagem se narra um pedacinho da vida, aquele que melhor define uma fragilidade ou uma grandeza. Afinal, quase todos, antes de morrerem, viveram muito. Fazendo a crônica dos mortos de Bocaiúva, Betinho vai reunindo lembranças: as namoradas encantadas da infância, o quarto de menino tuberculoso nos fundos da casa, a iniciação na militância política ainda na juventude e, ao final, desenha um esboço de auto-retrato. Narrando histórias de cidades do interior, que se repetem em qualquer parte do mundo, Betinho cria uma família literária para si mesmo: a família dos escritores Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Marques. Mais do que isso, aprende com Genesco, o grande contador de histórias de Bocaiúva, que é possível avisar às pessoas que se vai morrer, mas que a hora ainda pode demorar a chegar. Enquanto isso há tempo de descobrir a razão de se estar vivo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Clique abaixo para ver um pouco do Programa Zmaro
Humor inteligente de forma descontraída...

 

De grão em grão a galinha enche o bico!!!
Contribua com o PobreVirtual e Programa Zmaro. Curta, comente e compartilhe o Programa Zmaro nas suas redes sociais.
Envie seus resumos, receitas, dicas, provérbios e o que mais tiver para comaprtilhar no PobreVirtual e no Programa Zmaro. Basta acessar
www.pobrevirtual.com.br/fale
Ou se preferir você pode contribuir financeiramente depositanto qualquer valor em qualquer lotérica (Caixa Econômica Federal): agência 1998, operação 013, Poupança número 8155-0, ou veja outros meios em www.Zmaro.tv/doe 
Livros e cursos são caros, me ajude a aprender novas linguagens para lhe ensinar melhor e incrementar este site com várias novidades. Quando você passar em frente a uma lotérica, lembre-se que existe alguém que precisa muito desta(s) moedinha(s), ponha a mão no bolso e perca alguns segundos do seu tempo e faça um depósito. Pegue aquela moedinha que vai acabar caindo do seu bolso e dê um bom destino a ela.