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A vida do Elefante Basílio (livro infantil) é a biografia do Elefante Basílio, tataraneto do tataraneto do bisneto do neto do tataraneto do trineto do tataraneto do bisneto do neto do tataraneto do casal de elefantes que entrou na Arca de Noé. Nascido na Índia, os pais de Basílio recusaram presentes de todos os habitantes da floresta para que o filho fosse calmo, comportado, gentil e leal. Aprendeu com os pais sobre a natureza e os homens, que por fim o capturaram. Foi levado para o Zoológico (onde aprendeu inglês com um hindu que conhecia a língua dos elefantes) e depois para um circo (onde recebeu seu nome). O circo foi para o Brasil e lá dançou uma valsa no picadeiro e salvou um menino quando o circo pegou fogo. O pai do menino, que era rico, comprou-o agradecido. Lá aprendeu português, leu muitos outros livros (já lia em Londres, no zôo) e se divertiu muito com Gilberto (o menino). Triste porque queria ser borboleta, saiu a andar pelo campo e encontrou um duende, que lhe concedeu asas de borboleta. Voando, foi alvejado por um caçador que o confundiu com um perdigão. Mas ele foi levado a um hospital e passa bem. Este livro é só mais uma amostra da imaginação de Érico Veríssimo. Os Três Porquinhos Pobres (livro infantil) são Sabugo, Salsicha e Lingüicinha.

Os três nasceram em um quintal muito pobre com alguns poucos vizinhos (o burro de óculos, o galo com um despertador na barriga, a galinha magra e o cachorro triste por não achar gatos). Eles então fogem do quintal (apesar dos conselhos do burro) e vão ao cinema (Os 3 Porquinhos, é claro, misturado com Chapeuzinho Vermelho). Aconselhados pela Lua (que já havia voltado do dentista), partem em aventuras pelo mundo, mas são presos por macacos . Na prisão fogem com o tatu Conde de Monte-Cristo. Depois encontram Chapeuzinho Verde (mas eles eram daltônicos, logo...), cuja avó eles confundem com o Lobo Mau. Depois de confusão voltam ao chiqueiro onde ficam comportados e são visitados por Chapeuzinho Verde. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em Pau-Brasil, põe em prática as propostas do manifesto do mesmo nome. Na primeira parte do livro, "História do Brasil", Oswald recupera documentos da nossa literatura de informação, dando-lhe um vigor poético surpreendente. Na segunda parte de Pau-Brasil - "Poemas da colonização" -, o escritor revê alguns momentos de nossa época colonial. O que mais chama a atenção nesses poemas é o poder de síntese do autor. No Pau-Brasil há ainda a descrição da paisagem brasileira, de cenas do cotidiano, além de poemas metalingüísticos. (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) O Verso livre, o tom de prosa, a simplicidade da linguagem e a extrema condensação, ou síntese, são os principais elementos de modernidade deste poema-metalinguístico, poesia sobre poesia. Ele sugere a idéia da poesia como ingenuidade, surpresa, e também imaginação, invenção, magia, liberdade, na medida em que é associada ao universo infantil: um universo sem fronteiras entre sonho e realidade, um universo poético, portanto, que pode ensinar ao adulto, talvez não exatamente a descoberta, mas a redescoberta da poesia. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Aqui, a valorização da linguagem coloquial, popular, próxima da vida, opõe a gramática, o professor e o mulato sabido ( ou seja, a escola, a regra, a norma, o pedantismo), ao bom negro e ao bom branco da Nação brasileira: nacionalismo e crítica ao "mestiço", que lembra Gregório de Matos. O Capoeira - Qué apanhá sordado? - O quê? - Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) A idéia de luta é sugerida apenas por um diálogo-relâmpago, tipicamente popular (note o texto escrito copia a oralidade) e pela metonímia (pernas e cabeças na calçada - a parte pelo todo), que ilustra o estilo teegráfico, extremamente sintético, de Oswald de Andrade. Segundo Antônio Cândido , Oswald foi o inaugurador, em nossa literatura, da transposição de técnicas de cinema - "montagem" de cenas, tentativa de descontinuidade para causar a impressão de "imagens simultâneas" - para o texto literário. Relicário No baile da corte Foi o conde d'Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de Suruí Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê bebê pitá e caí (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Este poema é representativo da proposta Pau-Brasil de poesia de exportação. Recontar momentos significativos da história da colonização do Brasil de maneira irônica, crítica, como na cena de Relicário . Nela, um personagem histórico, o Conde d'Eu, no baile da Corte, conversa com Dona Benvinda uma "conversa de cozinha": rítmica, folclórica, engraçada, surpreendente para o contexto do baile da Corte. Note que o relicário significa recinto ou lugar especial, próprio. Está na impropriedade, então, este contexto e tipo de conversa, a ironia e a blague (a piada) oswaldianas. Canção de Regresso à Pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Esta é a primeira paródia modernista da Canção do Exílio de Gonçalves Dias, poeta romântico. Hino à nacionalidade, o poema original apresenta uma visão ufanista, idealizadora da pátria. Em sua paródia, Oswald de Andrade troca palmeiras por palmares, mostrando, assim, o nacionalismo crítico dos modernistas: minha terra tem opressão, escravidão, dominação e também lutas pela libertação. Palmares é o nome do mais famoso quilombo para onde fugiam os escravos. Há, também, uma referência clara, ao progresso de São Paulo - símbolo do desenvolvimento econômico do país - que se opõe à valorização da natureza presente no poema de Gonçalves Dias. Ao dizer que os passarinhos daqui, isto é, do estrangeiro, não cantam como os de lá - os do Brasil - Oswald relativiza o juízo de valor, a idéia da superioridade de nossa fauna e de nossa flora em relação à Europa, afirmando a diferença em oposição ao que se encontra em Gonçalves Dias. O verso E quase que mais amores acentua a relativização do patriotismo romântico a que nos referimos e, finalmente, a ausência de pontuação, especialmente em Ouro terra amor e rosas, acaba de configurar a modernidade da Canção de Regresso à Pátria: poema paródico que, aparentemente imitando o texto a partir do qual foi escrito, o que faz, na verdade, é inverter o seus sentidos através da sátira. A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de Jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho. A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária. Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas sopradas. Rebentaram. A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, critica, donas de casa tratando de cozinha. A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem. Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo : o teatro de tese e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris. Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Agil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia. A poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma criança. Uma sugestão de Blaise Cendrars : - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino. Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias. A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros. Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: Poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação. Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadros de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho... Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado - o artista fotógrafo. Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Stravinski. A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas. Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano. Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: 10) a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne e Malarmé, Rodin e Debussy até agora. 20) o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva. O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil. Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatores destrutivos. A síntese O equilíbrio O acabamento de carrosserie A invenção A surpresa Uma nova perspectiva Uma nova escala. Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil O trabalho contra o detalhe naturalista - pela síntese; contra a morbidez romântica - pelo equilíbrio geômetra e pelo acabamento técnico; contra a cópia, pela invenção e pela surpresa. Uma nova perspectiva. A outra, a de Paolo Ucello criou o naturalismo de apogeu. Era uma ilusão ética. Os objetos distantes não diminuíam. Era uma lei de aparência. Ora, o momento é de reação à aparência. Reação à cópia. Substituir a perspectiva visual e naturalista por uma perspectiva de outra ordem: sentimental, intelectual, irônica, ingênua. Uma nova escala: A outra, a de um mundo proporcionado e catalogado com letras nos livros, crianças nos colos. O redame produzindo letras maiores que torres. E as novas formas da indústria, da viação, da aviação. Postes. Gasômetros Rails. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O correspondente da surpresa física em arte. A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de idéias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido. Nossa época anuncia a volta ao sentido puro. Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz. A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres. Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a algebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações. Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil. Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil. O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional. Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época. O estado de inocência substituindo o estada de graça que pode ser uma atitude do espírito. O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica. A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna. Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia. Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Cabeleira é o apelido de José de Gomes, um dos primeiros cangaceiros de Pernambuco. José era naturalmente bom, mas foi ensinado pelo pai, Joaquim Gomes, a ser cruel. Junto com o pai e Teodósio, o traiçoeiro amigo, assim como vários outros comparsas, Cabeleira aterroriza a província de Pernambuco em 1776 (exatos 100 anos antes da publicação do romance). Mas quando ele reencontra Luísa, foge com ela e começa a se reformar, apesar de instintivamente ainda tentar se defender violentamente. Luísa acaba morrendo logo após a fuga, pois estava ferida, e Cabeleira é preso, fraco, faminto e desarmado, num canavial. José Gomes é executado junto com seus antigos comparsas apesar dos apelos da mãe de que a ele servia melhor a penitenciária pois estava reformado. O romance acaba com o autor atacando a pena de morte. A obra inicial da "literatura do Norte" que o autor pretendia fazer, O Cabeleira começa o Regionalismo na nossa literatura e apresenta marcantes qualidades tanto do Romantismo quanto do Naturalismo. Cabeleira é um homem naturalmente bom (como acreditavam os românticos) que é corrompido pelo pai e pelo meio (característica dos naturalistas), age várias vezes por instinto (Naturalismo), mas reforma-se pelo todo-poderoso amor (Romantismo).

As mulheres são todas boas (Romantismo), os homens reúnem defeitos e qualidades (Naturalismo) e o protagonista vive perseguido pelo conflito interno. (Uma tendência mais realista esta última; os realistas tinham preocupações sociais como o anteriormente referido ataque a pena de morte.) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Modernismo da segunda fase. Olhai os Lírios do Campo é dividido em duas partes de doze capítulos cada. Na primeira parte Eugênio, o personagem principal, vai tendo flashbacks de seu passado enquanto se dirige ao hospital onde está Olívia. Vai lembrando sua infância pobre, quando tinha pena de seu pai e era humilhado na escola por sua condição social, a escola de Medicina (o preço dele ir à escola de Medicina foi não esmerarem-se na educação de seu irmão Ernesto, que se torna um vagabundo). Na faculdade conhece Olívia, que se torna uma grande amiga e com quem tem uma noite de amor no dia do estopim da Revolução de 30. Eugênio conhece a futura esposa, Eunice, num atendimento a uma empregada desta e casa-se com ela apenas para ascender socialmente, sem ter nenhum amor. Preso num casamento sem amor, num emprego de fachada na fábrica do sogro rico e com uma amante a quem não ama, Eugênio reencontra Olívia, que estava numa colônia de italianos. Ela apresenta-lhe Anamaria, sua filha. No presente (finais da década de 1930), ao chegar ao hospital já mais otimista sobre o estado de saúde de Olívia do que na partida, Eugênio recebe a notícia de que ela morreu.

A Segunda parte, passada no presente após a morte de Olívia, é no presente e intercalada por partes de algumas das cartas que Olívia escreveu para Eugênio e nunca lhe enviou. Eugênio toma coragem e separa-se da esposa, abandona a amante, vai viver com a filha (na casa onde Olívia morava com um casal de alemães) e volta a clinicar para os pobres. Eugênio vai assim, sempre com a memória de Olívia, mesmo que ela vá desaparecendo aos poucos, redimindo-se e vendo melhor a pobreza de que sempre tinha tanto asco. Mas não sem seus momentos negros, como o caso de Simão e Dora. Dora é a filha de sua amante (que é uma mãe negligente) com um engenheiro fascista e workaholic que dá mais importância ao prédio que está construindo do que a ela. Ela se apaixona por Simão, um jovem e pobre estudante judeu. A união é desaprovada pelos pais e ela acaba morrendo num aborto feito por uma parteira após Eugênio negar-lhes o ato. Mas por todo o tempo Eugênio vai se ligando a uma vida mais simples, a amigos mais simples e verdadeiros como o céptico Dr. Seixas a quem admirava quando criança. A história acaba com ele e Anamaria saindo para passear num ensolarado dia de verão de Porto Alegre. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Tragédia contemporânea contrastando poesia e vulgaridade. Conserva-se fiel ao expressionismo freudiano e realismo, o autor vem de encontro a preconceitos e inseguranças bem como à falsidade, ao juízo fundado na aparência e a condições unânimes. Arandir testemunha um atropelamento e ao socorrer a vítima, dá-lhe um beijo na boca a pedido do agonizante. É imediatamente acusado de homossexualismo pela imprensa e pela polícia. Ridicularizado perante a opinião pública os amigos e desamparado pela esposa (Selminha) vem a refugiar-se em uma pensão É visitado pelo sogro (Aprígio) que declara-lhe seu ódio, revelando-se apaixonado por ele e com ciúmes pelo fato de Arandir ter-se casado com Selminha e por vir a beijar outro . Com dos tiros Arandir é morto por Aprígio. Fragmento "(...) Em toda a minha vida, a única coisa que salva é o beijo no asfalto (...) É lindo! é lindo, eles não entendem. Lindo beijar quem está morrendo (grita). Eu não me arrependo! Eu não me arrependo." Cale-se. Preste Atenção "O morto é o grande personagem invisível, Arandir ao beijar o agonizante, beijou a morte na boca". veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Castelo de Faria é sitiado em 1373. O alcaide fora capturado pelos espanhóis e seu filho Gonçalo Nunes está como interino. O capturado diz aos captores que quer convencer o filho a entregar o castelo sem derramamento de sangue, mas o incita a se defender e é assassinado pelos espanhóis. Seu filho vence a sangrenta batalha, mas, pesaroso, toma o sacerdócio e mais tarde o castelo torna-se mosteiro. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Resenha sobre o conto Cidades Mortas de Monteiro Lobato



LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. In: ________________. Cidades Mortas. São Paulo: Globo, 2008. (falta o número da página)

José Bento Monteiro Lobato nasceu em 1882 em Taubaté no estado de São Paulo e faleceu em 1948 no mesmo local de nascimento, deixando uma extensa obra composta de contos, crônicas, ensaios, artigos e uma série de livros infantis como prova de sua participação ativa na vida cultural brasileira o que ocasionou sua popularidade entre os brasileiros, sobretudo entre os críticos de sua época.

O livro pode ser encontrado em livrarias e sebos nos valores estimados entre R$19,90 e R$35,00, em edições antigas ou repaginadas.

Foi através deste livro que o autor deu ênfase à sociedade interiorana, com seus aspectos culturais, costumes e formas de trabalho.

O FÍGADO INDISCRETO

Por José Bento Monteiro Lobato





Inácio era o rei dos acanhados. Pelas coisas mínimas, avermelhava, saía fora de sí e permanecia largo tempo idiotizado.



O progresso do seu namoro foi, como era natural, menos obra sua que da menina, e da família de ambos, tacitamente concertadas numa conspiração contra o celibato do futuro bacharel. Uma das manobras constou do convite que ele recebeu para jantar nos Lemos, em certo dia de aniversário familiar comemorado a peru.



Inácio barbeou-se, laçou a mais famosa gravata, floriu de orquídeas a botoeira, friccionou os cabelos com loção de violetas e lá foi, de roupa nova, lindo como se saíra da forma naquela hora. Levou consigo, entretanto, para seu mal, o acanhamento - e daí proveio a catástrofe...



Havia mais moças na sala, afora a eleita, e caras estranhas, vagamente suas conhecidas, que o olhavam com a benévola curiosidade a que faz jus a um possível futuro parente.



Inácio, de natural mal firme nas estribeiras, sentiu-se já de começo, um tanto desmontado com o papel de galã à força, que lhe atribuíam. Uma das moças, criaturinha de requintada malicia, muito "saída" e "semostradeira", interpelou-o sobre coisas do coração, idéias relativas ao casamento e também sobre a "noivinha" - tudo com meias palavras intencionais, sublinhadas de piscadelas para a direita e a esquerda.



Inácio avermelhou e tartamudeou palavras desconchavadas, enquanto o diabrete maliciosamente insistia: Quando os doces, Sr. Inácio?



Respostas mascadas, gaguejadas ineptas, foram o que saiu de dentro do moço, incapaz de réplicas jeitosas sempre que ouvia risos femininos em redor de si. Salvou-o a ida para a mesa.



Lá, enquanto engoliam a sopa, teve tempo de voltar a si e arrefecer as orelhas. Mas não demorou muito no equilíbrio. A culpa aqui foi da dona da casa. Serviu-lhe dona Luiza, um bife de fígado sem consulta prévia.



Esquisitice dos Lemos: comiam-se fígados naquela casa até nos dias mais solenes.



Esquisitice do Inácio: nasceu com a estranha idiossincrasia de não poder sequer ouvir falar em fígado - seu estômago, seu esôfago e talvez seu próprio fígado tinham pela víscera biliar uma figadal aversão. E não insistisse ele em contrariá-los: amotinavam-se repelindo indecorosamente o pedaço ingerido.



Nesse dia, mal dona Luiza o serviu, Inácio avermelhou de novo, e novamente saiu fora de si. Viu-se só, desamparado e inerme ante um problema de inadiável solução. Sentiu lá dentro o motim das vísceras; sentiu o estômago, encrespado de cólera, exigir, com império, respeito às suas antipatias. Inácio parlamentou com o órgão digestivo. Mostrou-lhe que mal momento era aquele para uma guerra intestina. Tentou acalma-lo a goles de Clarete, jurando eterna abstenção para o futuro, Pobre Inácio! A porejar suor nas asas do nariz, chamou a postos o heroísmo, evocou todos os martírios sofridos pelos cristãos na era romana e os padecidos na era cristã pelos heréticos; contou um, dois e três e glup! Engoliu meio fígado sem mastigar. Um gole precipitado de vinho rebateu o empache. E Inácio ficou a esperar, de olhos arregalados, a revolução intestina.



Em redor a alegria reinava. Riam-se, palestravam ruidosamente, longe de suspeitar o suplicio daquele mártir, posto a tormentos de uma nova espécie.



- Você já reparou, Miloca, na "ganja" da sinharinha? Disse uma das moças. - Está como quem viu o passarinho verde. E olhou de soslaio para Inácio.



O calouro, entretanto, não deu fé da tagarelice; surdo às vozes do mundo, todo se concentrava nas vozes viscerais. Além disso, a tortura não estava concluída; tinha ainda diante de si a segunda parte do fígado engulhento. Era mister ataca-la e concluir de vez a ingestão penosa. Inácio engatilhou-se de novo e - um, dois, três: glup! Lá rodou, esôfago abaixo, o resto da miserável glândula.



Maravilha! Por inexplicável milagre de polidez, o estômago não reagiu. Estava salvo Inácio. E como estava salvo, voltou lentamente a si, muito pálido, com o ar dos ressuscitados. Chegou a rir-se. Riu-se alvarmente, de gozo, como riria Hércules após o mais duro dos seus trabalhos. Seus ouvidos ouviam de novo rumores do mundo, seu cérebro voltava a funcionar normalmente, e seus olhos volveram outra vez as visões habituais.



Estava nessa doce beatitude, quando:



- Não sabia que o senhor gostava tanto de fígado, disse-lhe dona Luiz, vendo-lhe o prato vazio - repita a dose.



Fora de si outra vez, o pobre moço exclamou, tomado de pânico:



- Não! Não! Muito obrigado!...



- Ora, deixe-se de luxo! Tamanho homem com cerimônias em casa de amigos. Coma, coma, que não é vergonha gostar de fígado. Aqui está o Lemos, que se péla por uma isca.



- Iscas são comigo, confirmou o velho. Lá isso não nego, com elas ou sem elas, nunca as injeitei. Tens bom gosto rapaz. Serve-lhe, serve-lhe mais, Luiza.



E não houve salvação! Veio para o prato de Inácio um novo naco - este formidável, dose dupla.



Não se descreve o drama criado no seu organismo, e disfarçadamente ele aguardou o milagre.



E o milagre veio! Um criado estouvadão, que entrava com o peru, tropeçou no tapete e soltou a ave no colo de uma dama. Gritos, reboliço, tumulto. Num lampejo de gênio, Inácio aproveitou-se do incidente para agarrar o fígado e mete-lo no bolso.



Salvo! Nem dona Luiza nem os visinhos perceberam o truque - e o jantar chegou à sobremesa sem maior novidade.



Antes da dançata, lembrou alguém recitativos e a espevitadíssima Miloca veio ter com Inácio.



- A festa é sua, doutor. Nós queremos ouvi-lo. Dizem que recita admiravelmente. Vamos, um sonetinho de Bilac.Não sabe? Olhe o luxinho! Vamos, vamos! Quer decerto que a Sinharinha insista?... Ora, até que enfim! A douda de Albano? Conheço sim, é linda, embora um pouco fora de moda. Toque a Dalila, Sinharinha, bem piano... assim...



Inácio, vexadíssimo, vermelhíssimo, já em suores, foi para o pé do piano, onde a futura consorte preludiava a Dalila em surdina. E declamou a douda de Albano.



Pelo meio dessa hecatombe em verso, ali pela quarta ou quinta estrofe, uma baga de suor escorrida da testa parou-lhe na sobrancelha, comichando qual importuna mosca. Inácio lembra-se do lenço e saca-o fora. Mas com o lenço, vem o fígado, que faz... plaf! no chão. Uma tocida forte e um pé plantado sobre a infame víscera, manobras do instinto, salvam o lance.



Mas desde este momento a sala começou a observar um extraordinário fenômeno. Inácio, que tanto se fizera rogar, não queria agora sair do piano. E mal terminava um recitativo, logo iniciava outro, sem que ninguém lhe pedisse. É que lhe acorrentava àquele posto o implacável fígado!



E Inácio recitava. Recitou sem música: "O navio negreiro", "As duas ilhas", "Vozes da Africa", "O Tejo era sereno"



Sinharinha, desconfiada, abandonou o piano. Inácio, firme. Recitou "O corvo, de Edgar Poe, "Quisera amar-te", "Acorda donzela", citou poemetos, modinhas e quadras .



- Nun canto da sala Sinharinha estava, chora-não-chora. Todos se entreolhavam. Teria enlouquecido o moço?



Inácio firme. Completamente fora de si, e farto de recitativos de salão, recorreu aos Lusíadas. E declamou " As armas e os barões", "Estavas linda Inês", "Do reino às rédeas leve" - tudo!...



. E esgotado de Camões, ia lhe saindo um "Ponto" de filosofia de direito - A única coisa que lhe restava na memória, quando perdeu o equilíbrio, escorregou e caiu, deixando aos olhos arregalados da sala a infamérrima víscera exposta!



Adeus casamento, adeus terra, porque Inácio teve que se mudar dali, pois o malvado capitão Lemos espalhou por toda a cidade que Inácio era, sem dúvidas, um bom rapaz, mas com um grave defeito: Quando gostava de um prato, não se contentava em comer e repetir, ainda levava escondido no bolso o que podia!



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2. Cidades Mortas, de Monteiro Lobato

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5. Análise da obra

Publicado em 1919, pela Revista do Brasil, este segundo livro de Lobato levava o subtítulo Contos e Impressões e reunia trabalhos bastante antigos, alguns do tempo de estudante de Lobato. Em edições subseqüentes, novo textos acrescentaram-se à obra. O título do livro é tomado de um texto de 1906. Cidades Mortas está entre os primeiros livros corriam o país.

É no "ambiente marasmático" das pequenas cidades do Vale do Paraíba, em sua porção paulista, que o autor vai colher o material de seus escritos, alguns dos quais não podem ser considerados, propriamente, como contos. Ficam, nas palavras de Nelson Werneck Sodré, "numa espécie de limbo" - são "esboços, cenários, rascunhos de contos" que, em Cidades Mortas, discorrem sobre o cotidiano daquelas cidades, cuja decadência econômica impunha-se desde as últimas décadas do século XIX com a derrocada da produção cafeeira, deslocada para o Oeste paulista (Sodré, 1964: 416). Ainda que alguns textos de Lobato não possam ser considerados como contos, para nós são sinais, pistas e emblemas que sobrevivem para nos evocar e reconstruir a memória.

Em Cidades Mortas a língua ferina de Monteiro Lobato ataca o marasmo político-econômico-literário de seu tempo. Cada conto descreve personagens brasileiros típicos, situações engraçadas e comportamentos diversos.

Nos contos Cidades Mortas e Café! Café!, assim como parcialmente em outros, critica a queda do café e seus efeitos na população que sobrevivia dele. Em outras histórias insere a críticas a literatura tediosa e fraca de seu tempo (citando Alberto de Oliveira e Bernardo Guimarães por nome), ao desprezo pela honestidade, ao absurdo e ridículo das cidades do interior paulista (principalmente a fictícia Itaoca, mas cidades cujo nome começa com "Ita" aparecem em vários contos para mostrar cidades pequenas com habitantes com egos inflados), à crueldade e estupidez humanas, ao exagero de nacionalismo com a participação na Primeira Guerra (no conto O espião alemão), ao abuso feito por aproveitadores com os que trabalharam duro e várias pequenas histórias onde todos esses temas são tocados. Lobato descreve Oblivion e Itaoca como cidades onde o tempo parou. Transforma-as. No decorrer dos fatos, o autor mescla crítica e sagacidade, elegância e realidade, harmonia e sutileza.

Linguagem

O estilo de Lobato é simples direto, objetivo, avesso ao rebuscamento da linguagem. Estilo ou, como ele preferia, seu temperamento, já que "estilo é a última coisa que nasce num literato - é o dente do sizo. Quando já está quarentão e já cristalizou uma filosofia própria, quando possui uma luneta só dele e para ele fabricada sob medida, quando já não é suscetível de influenciação por mais ninguém, quando alcança a perfeita maturidade da inteligência, então, sim, aparece o estilo" (Lobato, 1951: 101).

Nota-se na obra a liberdade de vocabulário, e emprego de expressões que caracterizam aquelas cidades como “velha avó entrevada”, que “foi rica um dia e hoje é quieta”. São “histórias sobre gente medíocre, sonolenta, vivendo um sossego que é como o frio nas regiões árticas: uma permanente.”

Em vários contos emprega a onomatopéia.

Temática

A obra trata de assuntos relacionados à linguagem, religião, o comportamento na sociedade, criticando as futilidades de um encontro em casas de família.

Em Era no Paraíso, satiriza a formação do universo e a origem do homem. Critica a preguiça intelectual dos fazendeiros da época em Apólogo. Trata de assuntos polêmicos e questiona valores e moralidade em Um homem de consciência e O plágio. Crítica ao Romantismo. Trabalha constantemente com o humor como em O fígado indiscreto. Crítica ao Ministério da Agricultura. Em Os senhores do café critica a hipocrisia das classes privilegiadas. Manifesta com muito humor o espírito anti-germânico predominante no período da Primeira-Guerra em O espião alemão. Em Café! Café! critica a monocultura e reproduz o espírito do homem obcecado pela mesma. Crítica a desonestidade do homem, ou seja, os que buscam levar vantagem em tudo em Um homem honesto.

Resgata também os momentos de sua própria infância.

Espaço

Numa espécie de crônica ou ensaio, num tom entre irônico e saudosista, Lobato delineia o espaço de sua obra: o norte paulista do vale do Paraíba, "onde tudo foi e nada é: Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. "(...) cidades moribundas arrastam um viver decrépito. Gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes". É, portanto num cenário de decadência representado por ruas ermas, casarões em ruínas e armazéns desertos, que o livro introduz o leitor, fazendo-o acompanhar de um ponto de vista irônico figuras igualmente decadentes de homens e mulheres.

Itaoca é uma cidadezinha qualquer do interior paulista onde o escritor ambienta suas histórias; nela, aparecem casas de tapera, ruas mal iluminadas, políticos corruptos, patriotas, ignorância, miséria, e representa todas as cidadezinhas que Lobato viu se afundarem no vale do Paraíba: “Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”.

Estrutura da obra

Cidades Mortas contém histórias, algumas antigas, ainda do tempo em que Lobato era estudante do Largo do São Francisco. São elas: Cidades Mortas, A vida em Oblivion, Os Perturbadores do Silêncio, Vidinha Ociosa, Cavalinhos, Noite de São João, O Pito do Reverendo, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos, O Resto de Onça, Por Que Lopes se casou, Júri na Roça, Gens Ennyyeux, O Fígado Indiscreto, O Plágio, O Romance do Chopin, O Luzeiro Agrícola, A Cruz de Ouro, De Como Quebrei a Cabeça à Mulher do Melo, O Espião Alemão, Café! Café!, Toque Outra, Um Homem de Consciência, Anta que Berra, O Avô de Crispim, Era no Paraíso, Um Homem Honesto, O Rapto, A Nuvem de Gafanhotos, Tragédia de um Capão de Pintos.

Entre todas, destacam-se fundamentalmente algumas: Cidades Mortas, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos e a impagável Um homem de consciência. Cabelos Compridos e O Espião Alemão são os dois contos mais conhecidos do livro.

Personagens

O retrato de seus personagens é sempre de carteira de identidade: fiel, objetivo, autêntico. São personagens não apresentam profundidade psicológica.

Os contos de Cidades Mortas entremeiam-se com digressões, como a aguda crítica aos ficcionistas românticos (Alencar, Macedo, Bernardo Guimarães), que transcrevemos:

"No concerto de nossos romancistas, onde Alencar é o Piano querido das moças e Macedo a Sensaboria relambória dum flautim piegas, Bernardo é a sanfona. Lê-lo é ir para o mato, para a roça- mas uma roça adjetivada por menina de caudalosos, as matas virentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonoros, as rolinhas meigas. Bernardo descreve a natureza como qualificativos surrados do mau contador. Não existe nele o vinco enérgico de impressão pessoal. Vinte vergéis que descreva são vinte perfeitas invariáveis amenidades. Nossas desajeitadíssimas caipiras são sempre lindas morenas cor de jambo. Bernardo falsifica o nosso mato. Onde toda gente vê carrapatos, pernilongos espinhos, Bernardo aponta doçuras insetos maviosos, flores olentes. Bernardo mente."


6. CIDADES MORTAS
Monteiro Lobato

7. *Profa. Maria Jerusa Rodrigues Marinho

8. 1. O AUTOR – DADOS BIOGRÁFICOS
José Renato Monteiro Lobato ( o segundo nome, depois, foi substituído por Bento), nasceu em Taubaté, em 1882. Cursa Direito por imposição da família. Participa de grupos e jornais literários e depois de formado é nomeado promotor público. Torna-se fazendeiro ao herdar a fazenda do avô, a qual é vendida para que ele crie a Editora Monteiro Lobato. Embora tenha dinamizado o mercado livreiro, sua editora vai à falência, o que o leva à imprensa do Rio de Janeiro, onde passa a ser colaborador. Mora em Nova York, e na Argentina, que acolhe muito bem suas obras, principalmente as infantis. Participa de inúmeras campanhas públicas e até foi preso por suas idéias revolucionárias. Morre vítima de espasmo pulmonar a 04 de outubro de 1948.

9. 2. OBRAS
Literatura em Geral – Urupês, Cidades Mortas, Idéias de Jeca Tatu, A Onda Verde, O Choque das Raças ou O Presidente Negro, O Escândalo do Petróleo, entre outras. – Literatura Infantil – Narizinho Arrebitado, O Saci, Fábulas de Narizinho, O Marquês de Rabicó, A Caçada da Onça, Aventuras do Príncipe, História do Mundo, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, História das Invenções, Geografia da Dona Benta, Dom Quixote das Crianças, entre dezenas de outras obras.

10. 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS
ü Escritor combativo e arrojado.
ü Autor de contos, ensaio e crítica polêmica.
ü Primeiro escritor a elaborar um projeto editorial para crianças.
ü Defensor de uma língua sem a “gramatiquice” – o velório da língua.
ü Defensor ardoso das riquezas brasileiras; famoso é o seu grito de guerra: O Petróleo é Nosso!
ü Um aristocrata (menino de tempo do império) republicano.

11. ESPAÇO
Itaoca é uma cidadezinha qualquer do interior paulista onde o escritor ambienta suas histórias; nela, aparecem casas de tapera, ruas mal iluminadas, políticos corruptos, patriotas, ignorância, miséria. Representa todas as cidadezinhas que Lobato viu se afundarem no vale do Paraíba.

12. ESTRUTURA DA OBRA
Cidades Mortas, A vida em Oblivion, Os Perturbadores do Silêncio, Vidinha Ociosa, Cavalinhos, Noite de São João, O Pito do Reverendo, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos, O Resto de Onça, Por Que Lopes se casou, Júri na Roça, Gens Ennyyeux, o Fígado Indiscreto, O Plágio, O Romance do Chopin, O Luzeiro Agrícola, A Cruz de Ouro, De Como Quebrei a Cabeça à Mulher do Melo, O Espião Alemão, Café Café, Toque Outra, Um Homem de Consciência, Anta que Berra, O Avô de Crispim, Era no Paraíso, Um Homem Honesto, O Rapto, A Nuvem de Gafanhotos, Tragédia de um Capão de Pintos.



Eu agradeço desde já se puder fazer esta resenha pra mim, pois preciso com urgência!



Segui aí a sequência de como eu preciso:

1º apresentação de dados da obra.

2º dados do autor ( biobibliográficos ).

3º discorrer sobre a obra.

4º conclusão

Exemplo: o conto é distribuído em 5 páginas, da 1º linha até a 5, fala disso, disso e disso.

O que é que o texto quer dizer?

Qual é a minha visão de acordo com o texto?

Na conclusão : o conto é recomendado p/ leitura por causa disso, disso e disso.

Contextualizar a obra o que há de marca naquela obra que justifique na obra.
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INTRODUÇÃO A obra de ficção mais conhecida de Guimarães Rosa consta de contos, novelas e um romance monumental, publicado em 1956, que é Grandes Sertão: Veredas - livro que desconcertou a crítica. Entre os livros de contos, destaca-se Sagarana, seu livro de estréia, publicado em 1946, que foi recebido como "uma das mais importantes obras aparecidas no Brasil contemporâneo"; Primeiras Estórias (1962); Tutaméia (Terceiras estórias), de 1967; e o livro póstumo Estas estórias (1969). Corpo de Baile contém várias novelas e, a partir de 1964, foi desdobrado em três volumes: "Manuelzão e Miguilim", "No Urubuquáquá, no Pinhém", e "Noites do Sertão". As duas primeiras, também conhecidas como "Uma estória de amor" e "Campo Geral". Como observa Beth Brait, em "Literatura Comentada", da Abril Editora, "Campo Geral é uma narrativa profundamente lírica que traduz a habilidade de Guimarães Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança." Pode-se dizer que Campo Geral é uma espécie de biografia, em que muitos críticos vêem traços autobiográficos do autor. O tema do livro é a infância - a infância de um menino da roça, com usas descobertas da vida. Como sempre, tudo vem trabalhado com o inconfundível estilo de Guimarães Rosa numa linguagem estonteante nos seus recursos expressivos. Quanto a "Uma estória de amor", que focaliza a outra ponta da vida, de forma igualmente lírica, relata-se, ao mesmo tempo que se vai reconstituindo a vida do vaqueiro sessentão Manuelzão, a festa de consagração de uma capela que ele faz construir na fazenda que administra. Toda a narrativa desenvolve-se na véspera de sair uma boiada, o tema boi serve de ligação entre as cenas, reaparecendo aqui e ali, dominante, ora como o próprio animal, ora como vaqueiro ou instrumento de trabalho (contracapa). As duas novelas complementam-se como histórias de um começo e de um fim de vida. Enquanto a do menino é uma constante e por vezes dolorosa descoberta do mundo, a do vaqueiro sessentão é um relembrar também por vezes doloroso do que foi a sua vida, em que as recordações se misturam com os fatos do presente, como se aquela festa fosse a própria súmula de seus dias (contracapa). A NOVELA COMO ESPÉCIE LITERÁRIA Como espécie literária, a novela não se distingue do romance, evidentemente, pelo critério quantitativo, mas pelo essencial e estrutural. Tradicionalmente, a novela é uma modalidade literária que se caracteriza pela linearidade dos caracteres e acontecimentos, pela sucessividade episódica e pelo gosto das peripécias. Contrariamente ao romance, a novela não tem a complexidade dessa espécie literária, pois não se detém na análise minuciosa e detalhada dos fatos e personagens. A novela condensa os elementos do romance: os diálogos são rápidos e a narrativa é direta, sem muitas divagações. Nesse sentido, muita coisa que chamamos de romance não passa de novela. Naturalmente a novela moderna, como tudo que é moderno, evoluiu e não se sujeita a regras preestabelecidas. Tal como o conto, parodiando Mário de Andrade, "sempre será novela aquilo que seu autor batizou com o nome de novela". Como autor (pós)-modernista, Guimarães Rosa procurou ser original, imprimindo, em suas criações literárias, a sua marca pessoal, o seu estilo inconfundível. Suas novelas, contudo, apesar das inovações, sempre apresentam aquela essência básica dessa modalidade literária, que é o apego a uma fabulação contínua como um rio, de caso-puxa-caso. MIGUILIM: ESTRUTURA/ENREDO Campo Geral é uma novela narrada em terceira pessoa. A estória, entretanto, é filtrada pelo ponto de vista de Miguilim, uma criança de oito anos. Por essa razão, a visão de mundo apresentada pelo autor é organizada a partir desta expectativa: a vivência de um menino sensível e delicado, empenhado em compreender as pessoas e coisas que o cercam. A estória se desenvolve no Mutum, um remoto lugarejo das Gerais, e envolve várias personagens. Como é próprio da novela: a mãe, o pai, os irmãos, o tio, a avó e outras que têm relacionamento demorado ou passageiro com essa família. Com cerca de 150 páginas, a novela se organiza à semelhança de Grande Sertão; Veredas, ou seja, a narrativa não é dividida em capítulos e as falas, nos diálogos, não se sujeitam às normas convencionais. A narrativa, entretanto, pode ser dividida em alguns núcleos básico que passamos a descrever: 1) Ao completar sete anos, Miguilim é levado pelo tio Terêz até um lugarejo distante para ser crismado. Nessa viagem, uma lembrança que o marcou e que jamais esqueceu foi o dito de um moço que já estivera no Mutum: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..." Essa opinião opunha-se à da mãe, que ali morava e vivia queixando-se do triste recanto. Ao voltar, esta será a sua primeira preocupação: dizer à mão "que o Mutum era lugar bonito". A mãe, evidentemente, não lhe deu importância, apontando o morro como causa do seu infortúnio e da sua tristeza. "Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver..." 2) A família de Miguilim é numerosa e compõem-se de pai, mãe, irmãos, avó, tios, empregados, gatos e cachorros. Inicialmente, o seu relacionamento é bom como todos eles, aos poucos, vai-se percebendo a sua maior predileção pelo irmãozinho Dito. Mais novo do que Miguilim, Dito se destaca pela sabedoria e esperteza: "O Dito menor, muito mais menino, e sabia em adiantado as coisas com uma certeza, descarecia de perguntar". "Dava até raiva, aquele juízo sisudo, o poder do Dito, de saber e entender, sem as necessidades". Grande era a amizade que unia os dois. Boa parte da novela concentra-se nessa amizade e nas conversas de ambos: "Era capaz de brinca com o Dito a vida inteira, o Ditinho era a melhor pessoa, de repente, sempre sem desassossego". 3) A morte prematura de Dito vai provocar nele um impacto doloroso e chocante - exatamente Dito que não pensava em morrer e traçava planos para o futuro. "?Eu gosto de todos. Por isso que eu quero não morrer e crescer, tomar conta do Mutum, criar um gadão enorme. Mas Dito morre, e a desolação de Miguilim é total: "Miguilim doidava de não chorar mais e de correr por um socorro". "Soluçava de engasgar, sentia as lágrimas quentes, maiores do que os olhos". "Miguilim sentou no chão, num canto, chorava, não queria esbarrar de chorar, nem podia - Dito! Dito!..." 4) O relacionamento com o pai, a princípio, bom e cordial, vai-se deteriorando e chega ao clímax, quando, numa briga com um parente que os visitava, Miguilim é surrado violentamente por ele. A revolta detém-lhe as lágrimas e Miguilim nutre um ódio mortal pelo pai: "Não chorava, porque estava com um pensamento: quando ele crescesse, matava Pai". A mãe, sempre preocupada e zelosa, afasta-o de casa, mandando-o passar algum tempo com o vaqueiro Salúz. Miguilim retorna carrancudo e ainda mal-humorado: "Chegou e não falou nada. Não tomou bênção". A partir dessa cena, Miguilim começa a ajudar na capina da roça, quando passa mal e põe-se a vomitar. Estava doente, muito doente. O pai se desespera e é tomado de profunda comoção: "Pai chorava, demordia de morder os beiços". Acabou perdendo a cabeça e "se enforcou com um cipó", e Miguilim se restabeleceu. 5) O conflito gerado pelo relacionamento existente entre o pai, a mãe e o tio Terêz, irmão do Pai, é outro núcleo que se destaca na narrativa. Tudo indicava que havia alguma coisa entre a mãe e o tio Terêz, e o pai certamente sabia. Uma vez, Miguilim viu-o bater na mãe e foi surrado também. A partir daí, o tio Terêz, tão amigo de Miguilim afasta-se da casa. O ambiente estava carregado. Um temporal está prestes a desabar, o que fazia o Dito dizer sério: "? Por causa de Mamãe, Papai e Tio Terêz, Papai-do-Céu está com raiva de nós de surpresa..." Tempos depois, quando levava comida para o pai no roçado, tio Terêz aparece a Miguilim e pede-lhe que entregue um bilhete à mãe. Esse bilhete, segredo não revelado nem a Dito, torna-se, por muito tempo, o seu tormento, pois adivinhava o seu conteúdo. Acaba devolvendo-o ao tio. Terêz entende o seu dilema. No final da narrativa, com a morte do pai, tio Terêz retorna e tudo acaba bem: "?Se daqui a uns meses mão se casar com o tio Terêz, Miguilim, isso é do seu gosto? - indagava a mãe". "?Tio Terêz, o senhor parece com Pai..." - dizia Miguilim. 6) A novela se encerra com uma cena altamente simbólica: a descoberta de que era míope e a possibilidade de uma nova vida em outro lugar. Foi assim: De repente, chega ao Mutum, um senhor de óculos (Dr. Lourenço) e a amizade se estabelece: Deus te abençoe, pequeninho. Como é teu nome? Miguilim. Eu sou irmão do Dito. E o homem de óculos logo foi percebendo (era doutor): "Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista?" Era isto mesmo: Miguilim era piticego, tinha vista curta, e não sabia. E então o senhor (que era doutor) tirou os óculos e deu-os a Miguilim: "?Olha, agora! Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. O Mutum era bonito! - agora Miguilim via claramente. E então veio o convite: -O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. E, assim, Miguilim teria uma nova perspectiva na vida: a criança de calça curta ia penetrar, agora, em um novo mundo. PERSONAGENS Além de Miguilim, protagonista da estória., o qual se revela um menino sensível, delicado e inteligente ao longo da narrativa, o universo da novela "Campo Geral" é composto de várias outras personagens: 1) A família de Miguilim é constituída do pai (Nhô Berno), meio seco autoritário; a mãe (Nhanina), que "era linda e tinha cabelos pretos e compridos"; os irmãos Tomezinho e Dito; as irmãs Chica e Drelina; a avó Izidra; e o tio Terêz. 2) Fazendo parte da família, como empregadas da casa, destacam-se a preta Mãitina, Rosa Maria e Pretinha. Ligados à família, mas com alguma independência, destacam-se aqui também, os vaqueiros Salúz e Jé. 3) Ainda no universo da família, podemos inserir aqui os cachorros (sempre individualizados com um nome próprio), o gato Sossõe e o papagaio Papaco-o-Paco. 4) Entre os conhecidos e amigos, destacam-se o alegre e simpático seu Luisaltino, que veio morar com a família e ajudava o Pai no roçado. Para finalizar, é importante observar que, ao contrário da cidade grande onde as pessoas praticamente são anônimas, no mundo roseano tudo e todos têm um nome que os caracteriza e individualiza. MANUELZÃO - SÍNTESE Mais conhecida como Manuelzão, o verdadeiro nome da novela é Uma estória de amor e se passa na Samara, "nem fazenda, só um reposto, um currais-de-gado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra dos Gerais". A novela se abre com a expectativa de uma festa que reuniu muito povo e o padre para benzer a capela "-templozinho, nem mais que uma guarita, feita a dois quilômetros da Casa", que Manuelzão faz construir, a pedido de sua mãe (dona Quilina) , já falecida,. Que é bastante lembrada ao longo da narrativa. Num discurso indireto livre, em que o narrador parece falar pela boca de Manuelzão (tudo é filtrado pela sua ótica), a novela vai sendo conduzida sem divisão em capítulos, tangida como uma boiada, meio caoticamente, a lembrar o mundo inóspito e selvagem do sertão. Tudo gira em torno de Manuelzão, senhor da festa e da novela, que desbrava aquelas terras, cujo verdadeiro dono (Frederico Freyre) raramente aparecia por lá. De cima de seu cavalo e dos seus quase 60 anos, Manuelzão contempla a azáfama do povo nos preparativos da festa e vai reconstituindo o seu passado de "porfia", "fazendo outros sertões, comboiando boiadas, produzindo retiros provisórios". "Na Samara, Manuelzão conduzira o início de tudo, havia quatro anos, desde quando Frederico Freyre gostou do rincão e ali adquiriu seus mil e mil alqueires de terra asselvajada - Te entrego, Manuelzão, isto te deixo em mão, por desbravar! E enviou o gado." Sessentão solitário do sertão, que não destila o fel da casmurrice nem da solidão, Manuelzão busca no passado distante o Adelço, "filho natural, nascido de um curto caso", agora já com 30 anos, casado com a Leonísia, e pais de sete filhos, seus netinhos. Entretanto, embora "mouro trabalhador", o Adelço não é bem visto por ele, Manuelzão. De repente, na calada da madrugada, quando todos dormiam, o inesperado: o riacho, dito "Seco Riacho", que abastecia a casa com sua água e formosura, cessou. "Foi no meio duma noite, indo para a madrugada, todos estavam dormindo. Mas cada um sentiu, de repente, no coração, o estalo do silenciozinho que ele fez, a pontuda falta da toada, do barulhinho. Acordaram, se falaram. Até as crianças. Até os cachorros latiram. Aí, todos se levantaram, caçaram o quintal, saíram com luz, para espiar o que não havia (...).O riacho soluço se estancara, sem resto, e talvez para sempre. Secara-se a lagrimal, sua boquinha serrana. Era como se um menino sozinho tivesse morrido". Criatura boa e humilde, talqualmente a mãe, dona Quilina, era o velho Camilo, que ali viera aportar a sua velhice, depois de "asilar-se em ranchos ou cafuas mal abandonadas no campo sujo". Seo Camilo "era apenas uma espécie doméstica de mendigo, recolhido, inválido, que ali viera Ter e fora adotado por bem-fazer, surgido do mundo do Norte: Ele asséste mais é aqui, às vezes descasca um milhozinho, busca um balde d'água. Mas tudo na vontade dele. Ninguém manda, não.... A festa tem início realmente, na véspera, com chegada do padre (frei Petroaldo), que é recebido com foguetes e muita alegria. "A voz do povo levantou um louvor, prazeroso. Via-se, quando se via, era muito mais gente, aquela chegança, que modo que sombras. Gente sem desordem, capazes de muito tempo calados, mesmo não tinham viso para as surpresas". Outras pessoas iam chegando para a festa: João Urúgem, homem estranho que vivia isolado como bicho; o senhor de Vilamão, "homem de muitas possas, de longes distâncias dentro de suas terras", já alquebrado e velhinho, "o cabelo total embranquecido, trajado de vestimenta que não se usava mais em parte nenhuma- o cavour"; "chegava também o Lói, ex-vaqueiro, vestido com a baeta - um capote feito de baeta" e, fazendo muita algazarra , como se estivessem tangendo uma boiada, o Simão Faço mais seu irmão Jenuário e outros: "? Eh, Manuelzão, já fomos, já viemos...". Chegou ainda "seo Vevelho, com seus filhos, tocadores de música". Assim, tocando a sua narração (mais dele do que do narrador que se mistura), Manuelzão vai ruminando casos e mais casos, ali em meio àquele povão, na animada festa: "?Estória! - ele disse, então. Pois, minhamente: o mundo era grande. Mas tudo ainda era muito maior quando a gente ouvia contada, a narração dos outros, de volta de viagens". Na calda da noite, dando uma trégua na festa, ecoam, por entre silêncios atentos e não dormidos, as estórias de Joana Xaviel, "essa que morava desperdida, por aí, ora uma ora noutra chapada": "O seguinte é este..." Joana ia contando suas estória de reis, rainhas e vaqueiros, que Manuelzão escutava, deitado, na espreita de o sono chegar: "Se furtivava o sono, e no lugar dele manavam as negaças de voz daquela mulher Joana Xaviel, o urdume das estórias. As estórias - tinham amarugem e docice. A gente escutava, se esquecia de coisas que não sabia". Nas elocubrações de Manuelzão, vira-e-mexe, a beleza de Leonísia, sua nora: "Leonísia era linda sempre, era a bondade formosa. O Adelço merecia uma mulher assim? Seu cismado, soturno caladão, ele encabruava por ela cobiças de exagero, um amuo de amor; a ela com todas as grandes mãos se agarrava". Manuelzão ruminava: bem que o Adelço, depois da festa podia ir no seu lugar conduzindo a boiada, no comando, para longes distâncias. Afinal, não já estava sessentão? Não era ele quem mandava? "Eh, Manuel J. Roíz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". "Montado no meu cavalo eu abri este sertão..." No dia seguinte, a festa coma a missa celebrada. "A Capelinha estava só de Deus: Fazendo parte da manhã lambuzada de sol, contra o azul, mel em branca, parecia saída de um gear". Manuelzão, "a frente de todos, admirado por tantos olhos", dirige-se ao altar para beijar a Santa e dizer um padre nosso. Depois saiu, pois a capelinha era muito pequena, e "o aperto dava aflição". "O povoame enchia a chã, sem confusão nenhuma. Mesmo aqueles com os revólveres na cintura, armas, facas. Ao que Manuelzão, cá bem atrás ficou, no coice. Gostava todos aprovassem essa simplicidade sem bazófia, e vissem que ele fiscalizava". Após a celebração, a festa prossegue com danças, contradanças e muita alegria. Quadras ecoam dos violeiros do sertão, numa animação cheia de brincadeira, com o Pruxe, seo Vevelhoi e Chico Bràabóz no comando: Seu subi pelo céu arriba numa linha de pescar: preguntar Nossa Senhora se é pecado namorar!... -Olerê, canta! O Rio de São Francisco faz questão de me matar: pra cima corre ligeiro, pra baixo bem devagar... -Olerê, canta! Depois de muita festança e alguma comilança, a festa vai-se acabando. Ainda não. O velho Camilo, "todo vivido e desprovido", ia contar um caso - o fantástico "Romance do Boi Bonito, que vaqueiro nenhum não agüentava trazer no curral..." Até que assucedeu, brotado de repentemente, um vaqueiro encantado, por enquanto chamado apenas de Menino, que, montado num Cavalo de conto de fada, domou o Boi Bonito: ...O Boi estava amarado, chifres altos e orvalhados. Nos campos o sol brilhava. Nos brancos que o Boi vestia, linda mais luz se fazia. Boi Bonito desse um berro, não agüentavam a maravilha. E esses pássaros cantavam. O vaqueiro Menino foi "dino" (= digno): não quis dote nem nenhum prêmio pela proeza - queria tão-somente que livre Boi Bonito pastasse naquelas pairagens: "Vosmecê, meu Fazendeiro, há-de me atender primeiro, dino. Meu nome hei: Seunavino... Não quero dote em dinheiro. Peço que o Boi seja soltado. E se me dê esse Cavalo. Atendido, meu Vaqueiro, refiro nesta palavra. O Boi, que terá por seus os pastos do fazendado. Ao Cavalo, é já vosso. Beija a mão, meu Vaqueiro. Deus vos salve, Fazendeiro. Vaqueiros, meus companheiros. Violeiros... Fim Final. Cantem este Boi e o Vaqueiro, com belo palavreado..." Inebriado pela estória de seo Camilo, Manuelzão se revigora: apesar de seus 60 anos quase, ele está pronto para mais uma proeza - conduzir a boiada desbravando bravamente os caminhos do sertão das Gerais. PERSONAGENS Ao contrário de Muguilim, em que se focaliza um universo bastante limitado, coerente com a faixa etária do protagonista, em "Manuelzão", por estar a personagem na outra ponta da vida, tendo, portanto, passado por lugares vários, conhecendo gente e mais gente, o universo é bem maior.,. Aqui, pois, sugestivamente, a novela é povoada de gente que não acaba mias, reunida na Samarra para a festa de Manuelzão. Tudo gira, sem dúvida, em torno de Manuelzão, cuja trajetória de vaqueiro desbravador do sertão vai sendo reconstituída em meio à festa do presente. Ao contrário de Dom Casmurro, em que a velhice é marcada por mágoas e ressentimentos, aqui a vida é uma festa, movida por muita alegria e poesia, não obstante haver na novela também alguns lampejos de baqueamento. Apesar de vaqueiro sessentão, Manuelzão vai em frente, resistindo à idade, pois "de todo não queria parar". No final, sugestivamente, a novela se encerra com o início de uma nova jornada: "A boiada vai sair". Como é próprio da gente do sertão, o perfil de Manuelzão marca-se pela dedicação ao trabalho de vaqueiro e administrador da Samarra, tudo fazendo de uma forma abnegada e obstinada: "Eh, Manuel J. Roiz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". Por outro lado, ao longo da narrativa, percebe-se como traço de sua personagem, além da pródiga hospitalidade demonstrada com a festa, uma necessidade obsessiva de ser reconhecido e admirado como homem de valor: "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele, Manuelzão, falariam depois com respeito". Quanto às outras personagens, as que mais se destacam já ficaram esparramadas pela síntese que se fez da novela. LINGUAGEM Filtrado pelo ponto de vista de uma criança, a narrativa de Miguilim apresenta, coerentemente, uma linguagem que utiliza recursos morfológicos, sintáticos e semânticos, que reproduzem bem a expressividade da linguagem infantil, o mesmo acontecendo em Manuelzão, em que tudo é visto pela ótica do adulto. Por outro lado, também coerentemente, com o mundo apresentado, o registro da linguagem coloquial, tal como é falada pelo sertanejo, combina bem com a gente simples e rude que povoa as duas novelas. 1) Como é próprio da linguagem infantil, são constantes os diminutivos reduzidos em "-im", a começar pelo próprio nome Miguilim. "...tretava coragem de chegar pertim". "Miguilim, me dá umm beijim!" Algumas vezes o diminutivo é usado indevidamente, em função da expressividade. "E agorinha, agora, que ele carecia tanto de qualquer assinzinho de socorro". "Você me ensinazinho a dançar, Chica?" Em Manuelzão, expressando a ótica do adulto e combinado com o mundo apresentado, ocorre, com freqüência, o aumentativo, expresso não só no nome do protagonista como ao longo de toda a narrativa: "Laço, lação! Eu gosto de ver a argolar estalar no pé-do-chifre e o trem pular pra riba!" 2) Como é próprio da linguagem popular, é muito freqüente, em ambas as novelas, o uso duplo de negativas ("Mas nem não valia") e o emprego do advérbio não no final ("Ninguém manda, não"). 3) Outra coisa freqüente é o uso constante de sufixo -mente em situações não convencionais: "Mesmamente que acabavam a arrancação de inhame" "Só um caxinguelê ruivo se azougueou, de repentemente" "Pois, minhamente: o mundo era grande" 4) Como é próprio da linguagem interiorana, a presença de arcaísmo é freqüente: "Menino, eu te amostro!" "Escuta, Miguilim, você alembra..." 5) Também constantes são as inversões, como nos exemplos abaixo: "se coçando das ferroadas dos mosquitos, alegre quase" "...touro do demônio, sem raça nenhuma quase" 6) Reflexo da sintaxe popular, a silepse, caso de concordância ideológica aparece com freqüência: "A gente vamos lá!" "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele" 7) Outra coisa que se destaca na linguagem roseana é a aliança com a poesia, em que o autor explora recursos próprios da poesia, como aliterações, ecos, sonoridades, rimas, etc: "Teu lume, vaga-lume?" "Miguilim, me dá um beijim!" Refletindo a visão altamente lírica que ocorre em ambas as novelas, há passagens de oura poesia, como esta de "Manuelzão": "Fizeram noite, dançando. As iaiás também. O quando o dia já estava pronto pra amanhecer, céu já se desestrelando. No seguinte, na rompidinha do dia, a vaqueirama se formou". A esse propósito, Beth Brait, em "Literatura Comentada", afirma que "a lírica e a narrativa fundem-se e confundem-se, abolindo intencionalmente os limites existentes entre os gêneros." 8) Em suma, Guimarães Rosa "não se submete à tirania da gramática", fazendo largo uso da semântica, da sintaxe e da morfologia populares. Nesse sentido, em função da expressividade, são freqüentes na sua linguagem erros de colocação, de regência, de concordância etc. "Não truxe os óculos, Manuelzão. Assim, não dletreio..." "O que eu não posso agora é campear ela..." 9) Por outro lado destaca-se no estilo de Guimarães Rosa a inventividade - o gosto para criar palavras novas, usando sempre os recursos e possibilidades que a língua oferece: "Vezes que sucede de um adormorrer na estrada" "Tinha vergonha de saberem que estava lá em sua casa, em luademéis" "...ia ter mãezice de tolerar os casos, coisas que a todos desapraz?" "...mas insofria por ter de esperar" "O cachorrinho era com-cor com a Pingo" "O cachorro Gigão caminhara para a cozinha, devagaroso" "O vaqueiro Jé está dizendo que já vai dechover" "Mas agora o Gigão parava ali, bebelambendo água na poça" "Se encontrou com padrinho Simão, correu ensebado, veadal" "Tinha de ser lealdoso, obedecer com ele mesmo" "... enquanto Pai estivesse raivável" "As estórias - tinham amarugem e docice" "Carecia de um filho, prosseguinte" 10) Outro aspecto que reflete bem o mundo sertanejo e sabedoria popular é o suo constante ditados ditos populares, sempre, com rimas e musicalidade: "Lá chove, e cá corre..." "Eh mundão! Quem me mata é Deus, quem me come é o chão..." "Chuva vesprando, cachorro soneja muito" "Estou triste mas não choro. Morena dos olhos tristes, esta vida é caipora" "Mourão, mourão, toma este dente mau, me dá um dente são!" 11) Comuníssimo também em ambas as novelas, em mais aliança com a poesia, é o uso da frase nominal, sem estrutura oracional, desguarnecida de verbo: "Os violeiros desnudavam, Seo Vevelho, mais os filhos. A sanfona. Chico Bràabóz, preto cores pretas, mas com feições. Ô homem da pólvora quente!" 12) Combinando com a atmosfera festiva de "Manuelzão", são freqüentes, sobretudo nessa novela, quadras e versos, que refletem bem o gosto popular: O galo cantou na serra da meia-noite p'r'o dia. O touro berrou na margem no meio da vacaria. Coração se amanheceu de saudade, que doía... 13) Sempre em busca de originalidade, uma constante na ficção roseana, são comuns os jogos de palavras com verdadeiros achados como estes: "Lá é Cristo, cá é isto..." "Os bois todos andando, p'r'acolá, p'r'acoli" Como se pôde ver, o mundo ficcional roseano não é fácil, pois a linguagem sai do convencional, do já-feito, buscando um maneira nova de expressão: "O impulso primeiro é desistir", diz Beth Braitm que desafia: "Quem se atreve a adentrar espaço de eleitos?" ESTILO DE ÉPOCA A originalidade da linguagem de Guimarães Rosa, a sua inventividade e criatividade configuram bem o estilo de época (pós)-modernista. Essa preocupação em fazer diferente, saindo do convencional, é, sem dúvida, uma das grandes característica do estilo de época contemporâneo. É o próprio Guimarães quem fala: "Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros". Outra coisa que marca bem o estilo de época na obra é a capacidade revelada pelo escritor (pós)-modernista para refletir sobre problemas universais, partindo de uma realidade regional. É o que diz a contracapa de "Literatura Comentada": "Nele , quanto mais - aparentemente - particularizado o tema, mais universal ele é. Quanto mais simplórios seus personagens, mais ricas sua personalidades. Assim, rudes sertanejos refletem de forma peculiar e extremamente sutil os grandes dramas metafísicos e existenciais da humanidade". É isto que se vê em Guimarães Rosa e outro grandes escritores na nossa Literatura: há sempre uma dimensão universal no aparentemente regional. "O sertão que vem de Guimarães Rosa não se restringe aos limites geográficos brasileiros, ainda que dele extrais a sua matéria-prima. O sertão aparece como uma forma de aprendizado sobre a vida, sobre a existência, não apenas do sertanejo, mas do homem". Como dizia o próprio Guimarães: "o sertão é o mundo". ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES Além de apresentar o mundo sertanejo nos seus costumes, crendice e maneira próprio de ser, "Campo Geral" retrata basicamente a infância de um menino da roça nas suas incertezas, dúvida, angústias, crendices e descobertas do mundo e da vida. 1) Ao longo da novela, não são poucas as cenas e passagens em que se pode perceber a ruindade adulta em oposição ao sentimento puro e nobre da criança. Revela-o não só a história de cadela Pingo-de-Ouro, quase cega, que á doado aos outros pelo pai, como também a cena da caça ao tatu em que as pessoas grandes são recriminadas pela criança, na sua inocência e pureza. "Então, mas por que é que Pai e os outros se apraziam tão risonhos, doidavam, tão animados alegres, na hora de caçar àtoa, de matar tatu e os outro bichinhos desvalidos? " Miguilim via essas coisas e não compreendia. Na sua inocência de criança ficava a nódoa da imagem perversa: "Miguilim inventava outra espécie de nojo das pessoas grandes." "Miguilim não tinha vontade de crescer, de ser pessoa grande, a conversa das pessoas grandes era sempre as mesmas coisas secas, com aquela necessidade de ser brutas, coisas assustadas". 2) Como já deixamos claro no enredo, difícil e doloroso foi-se tornando o relacionamento de Miguilim com o pai. A cena da surra revela bem o sadismo e a prepotência do adulto ao espancar uma criança pequenina e indefesa: "(Pai) pegou o Miguilim, e o levou para casa, debaixo de pancadas. Levou para o alpendre. Bateu de mão, depois resolveu: tirou a roupa toda de Miguilim e começou a bater com a correia da conta. Batia e xingava, mordia a ponta da língua, enrolada, se comprazia. Batia tanto, que Mãe, Drelina e a Chica, a Rosa, Tomezinho, e até Vovó Izidra, choravam, pediam que não desse mais, que já chegava. Batia. Batia..." 3) A cena do bilhete, em que tio Terêz pede a Miguilim para entregá-lo à mãe, evidencia outro drama crucial para a criança: a angústia gerada pela dúvida entrer entregar ou não entregar o bilhete. Angustiava-se ante o compromisso assumido com o tio e a consciência de que estava fazendo alguma coisa errada. Nem mesmo Dito, com toda a sua sabedoria, pôde dar-lhe uma resposta que pudesse aliviar-lhe o tormento: nem mesmo a mãe, nem mesmo o vaqueiro Jé pôde tirar-lhe a dúvida que roía a alma: "Mãe, o que a gente faz, se é mal, se é bem, ver quando é que a gente sabe? Vaqueiro Jé: malfeito como é, que a gente se sabe? Menino não carece de saber Miguilim. Menino, o todo quanto faz, tem de ser é malfeito..." Ainda bem que o tio Terêz foi bom e compreensivo e aceitou o bilhete de volta: "Miguilim, Miguilim, não chora, não te importa, você é um menino bom, menino direto, você é meu amigo!" 4) O mundo da criança é sempre povoado de superstições e crendices que refletem o adulto. Algumas dessas crendices e superstições revelam bem o poder e a influência da religião com seu conceito de pecado, além de expressar também aspectos da cultura popular. Em "Campo Geral", várias passagens podem ser destacadas como exemplos: "Contavam que esse seo Deográcias estava excomungado, porque um dia ele tinha ficado agachado dentro da igreja". "Ah, não fosse pecado, e aí ele havia de ter uma raiva enorme, de Pai, deles todos, raiva mesmo de ódio, ele estava com razão". "Entre chuva e outra, o arco-da-velha aparecia bonito, bebedor; quem atravessasse debaixo dele - fu" - menino virava mena, menina virava menino: será que depois desvirava?" "Por paz, não estava querendo também brincar junto com o Patori, esse era um menino maldoso, diabrava. Ele tem olho ruim, - a Rosa dizia - quando a gente está comendo, e ele espia, a gente pega dor-de-cabeça..." "Ali no oratório, embrulhados e recosidos num saquinho de pano, eles guardavam os umbiguinho secos de todos os meninos, os dois irmãozinhos, das irmãs, o de Miguilim também - rato nenhum não pudesse roer, caso roendo o menino então crescia para ser só ladrão" "Quando a estória da Cuca, o Dito um dia perguntou: ?Quem sabe é pecado a gente ter saudade de cachorro?" 5) Por meio do contato com seo Aristeu e sobretudo através das conversas com Dito, muitas lições de vida Miguilim vai aprendendo: "O Dito dizia que o certa era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma". Era uma bela lição essa que o Dito ensinava a Miguilim: a alegria de viver. Aliás, a mesma lição é transmitida a ele por seo Aristeu, quando estava doente sem estar, e pensava em morrer. Foi só seo Aristeu fazer umas graças e Miguilim se restabeleceu da enfermidade. "Vai, o que você tem é saúde grande e ainda mal empenada." No final, com o happy-end provocado pelo destino, Miguilim chorava de emoção: "Sem alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim", Miguilim, de óculos nos olhos míopes, agora enxergavam diferente - tinha uma nova visão do mundo e da vida. Tendo também o mundo do sertão como pano de fundo, a ponto de parecer uma obra tipicamente regionalista, "Manuelzão" focaliza esse universo nos seus costumes, nas suas crendices, nas suas labutas, no seu sentimento religiosos e, sobretudo, na sua espontaneidade. Aqui certamente porque ainda não foi corroído pela civilização, o sertanejo se revela bom e puro, aproximando-se do bon sauvage dos românticos. 1) Maunelzão, como expressa o título, é realmente "uma estória de amor", em que tudo vem lindamente misturado: gente, bichos, coisas - a natureza. Aqui, gente rica e gente pobre, brancos e negros, homens e mulheres, reunidos numa capelinha minúscula, se irmanam numa festa de confraternização. Tal como em "Miguilim", também aqui a visão que se passa é positiva, alegre, apesar da rudeza do sertão inóspito. "Seo Camilo, a estória é boa! Manuelzão, sua festa é boa!" 2) Diferente de Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que a velhice é apresentada como uma fase amarga da vida, marcada pela solidão e pelo desencanto, aqui, apesar de algumas incertezas, Manuelzão e outros velhos da novela não sentem esse drama ou, pelo menos, não têm consciência dele Solteiro a vida toda, largado pelo mundo como vaqueiro desbravador do sertão, é bem verdade que Manuelzão, aos 60 anos, começa a sentir saudade da estabilidade doméstica que nunca teve, sentimento que se desperta sobretudo com a presença de Leonísia, sua nora, casada com o Adelço: "Nem havia de ter coragem: e a Leonísia sendo tão bonita - mulher para conceder qualquer felicidade sincera". Entretanto, a velhice era uma realidade a que não podia fugir. Ali estava o velho Camilo e o senhor Vilamão, já no ocaso da existência, que esperavam, com paciência e sem revolta, o adormorrer inevitável: "A gente olhava aquela lamparina se esprivitando no arder, no umbral da porta, e daqui a pouco, no empretecer das estrelas, era o fim da festa se executando". 3) Não obstante, Manuelzão vais resistindo como pode. "De todo não queria parar, não quereria suspeitar em sua natureza própria de um anúncio de desando, o desmancho, no ferro do corpo. Resistiu. Temia tudo na morte". Mas agora nem não carecia ter medo do adormorrer. Enquanto não chegava, ele, Manuel Roíz, bravamente ia desbravar mais de uma boiada pela Gerais imensas do sertão sem fim. 4) Bonita também e altamente positiva é a visão da vida envelhecida sem envilecer, que é mostrada como manancial de sabedoria, em que vêm beber as gerações do porvir a fim de se dar continuidade à festa, que deve ser a vida de cada um. Entretanto, como ensina o final do livro, "a festa não é pra se consumir - mas para depois se lembrar..." Esse lembrar, sem dúvida, é o que fica e é o grande consolo dos que se aproximam da dimensão maior, que se conquista com o adormorrer. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Auto do frade tem como assunto o dia da morte do rebelde frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador que já estava preso há mais de um ano. Está sendo preparado o cortejo, a população já se acumula do lado de fora da cadeia, enquanto isso o frei tenta dormir enquanto aguarda seu enforcamento. Como o juiz não havia chegado ao Tribunal de Justiça por causa de uma viagem de 3 meses o corregedor decide que o Frei Caneca será enforcado em praça pública, após percorrer a cidade com uma corda enrolada no pescoço. Assim, Frei Caneca é retirado da prisão e muito fraco percorre as Ruas de Recife, várias pessoas o seguem em pleno meio da rua, em cada esquina mais gente se aproxima. Em todos os lugares existem espectadores ao acontecimento abrangendo até mesmo o governador e toda a sociedade em geral. Frei Caneca chega a dizer algumas palavras, mas é obrigado a calar-se e até os gestos lhe são proibidos. Seu comportamento podia representar grande perigo aos oficiais que pregam ser ele um homem condenado à morte por trair o Rei e pretender o separatismo com a Confederação do Equador. Lentamente o cortejo vai levando o Frei que anda calado e sereno. Ao chegar à Igreja do Terço, Frei Caneca é colocado no centro de um círculo formando de policiais, com intuito de ninguém tentar soltá-lo ou se rebelar. Nesse evento Frei Caneca é entregue ao oficial enviado pela Comissão do imperador que o condenou à morte. O Frei solenemente anda no interior de um círculo de policias.

Ao chegar na Praça do Forte, onde será executada a sentença de réu, o carrasco designado para matar o padre recua, temendo a ação sobre ele de alguma força superior. Então todos os carrascos se recusam a enforcar o padre, alegando que ele foi visto "voando no céu". Mesmo espancados resistem a enforcá-lo. O Oficial de Justiça oferece perdão dos crimes aos presos, comida farta, emprego, cama e mesa a quem fosse voluntário para a execução. Contudo ninguém se disponibiliza, nem mesmos os presos que queriam liberdade. Ocorre então que após algumas horas de espera, decide-se formar um pelotão de doze homens para o fuzilarem, pois nenhum destes ousaria fazê-lo sozinho. Assim Frei Caneca é morto fuzilado. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A poesia está na vida; o poeta é aquele que é sensível o suficiente para captá-la. No momento da percepção, fronteiras de tempo e espaço deixam de existir; o Mundo Sensível é tão somente o ponto de partida para o poeta alcançar o Inteligível. Para tanto, nem sempre é necessário haver processos sofisticados. A vida é esse cotidiano mesmo, feito de vida e morte, tristeza e alegria, captado e guardado no arquivo de memória. "Profundamente" é um desses flagrantes captados por Bandeira, poeta da simplicidade. Na memória do eu-poético, não há delimitação de tempo e espaço; ambos se misturam num único instante, aqui transformado em instante poético. Interrompendo o curso natural das coisas, empreende uma viagem na memória, resgatando, num tempo longínquo, a infância ("Quando eu tinha seis anos"), cujos elementos já se evidenciam na primeira estrofe: "noite de São João", "bombas luzes de Bengala", "Ao pé das fogueiras acesas". As lembranças trazem elementos sugestivos de alegria e de luz: noite iluminada por "luzes de Bengala" e "fogueiras acesas". Davi Arrigucci Jr., em sua obra Humildade, Paixão e Morte, devido a esse recurso utilizado por Bandeira, afirma que este poema é "fortemente imagético e pictório"; as lembranças surgem de cenas vivenciadas no passado. Assim, o que traz saudade são os elementos mais simples e cotidianos do interior. Bandeira resgata a sua infância em Pernambuco (procedimento também presente no poema "Evocação do Recife", onde as mesmas pessoas evocadas aparecem). Acerca disso, em entrevista dada a Pedro Bloch, o autor afirma: "Do Recife tenho quatro anos de existência consciente, mas ali está a raiz de toda a minha poesia.

Quando comparo esses quatro anos de meninice a quaisquer outros quatro anos de minha vida é que vejo o vazio dos últimos." Não são apenas esses os índices do substrato autobiográfico do poeta; as personagens da penúltima estrofe também são reveladores - "Totônio Rodrigues", "Tomásia", "Rosa". Este tempo da duração ("la durée") - segundo terminologia de Benedito Nunes, em sua obra O Tempo na Narrativa - vem numa única avalanche de lembranças, como se, nesse tempo de memória, não houvesse possibilidade de "organizar" as coisas, linearmente falando. Isto é evidenciado pela enumeração caótica - tão característica do Modernismo - reaproveitada pelo poeta; o eu-poético não usa a vírgula no poema inteiro, nem uma só vez (as únicas formas de pontuação utilizadas são o ponto final e a interrogação, encerrando as etapas das reflexões); em todo o percurso reflexivo, as lembranças amontoam-se em "flashes" de memória: "Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes cantigas e risos." Esse processo se estende também à enumeração de ações, pois os verbos, isolados em versos diferentes, demarcam o ritmo do texto: "Dançavam / Cantavam / E riam". Toda essa enumeração aparece disposta em verbos no pretérito, confirmando a visão do passado, como foi antes mencionado: "adormeci", "Havia", "despertei", etc. Desta maneira, os tempos verbais ligam-se às lembranças da infância num tempo de duração, o tempo, segundo Benedito Nunes, realmente vivenciado, tão saudosamente, que, num movimento de retrocesso, o passado transforma-se em "ontem". Ao longo da viagem no tempo, a alegria vai ficando para trás. Ao acordar, "no meio da noite", os ruídos e vozes já não existem ("Não ouvi mais vozes nem risos"); a única lembrança sensorial existente é visual ("Apenas balões / Passavam errantes"), mas é silenciosa ("Silenciosamente / Apenas de vez em quando / O ruído de um bonde / Cortava o silêncio"). Toda essa saudade faz aflorar o sentimento de solidão: sozinho, ele vê balões errantes; na ausência de ruídos, também revela-se a ausência dos entes queridos ("Onde estavam os que há pouco / Dançavam / Cantavam / E riam / Ao pé das fogueiras acesas?"). Davi Arrigucci Jr. acrescenta o fato de que a ênfase à solidão é dada pelos próprios termos escolhidos: "Torna-se inevitável uma ênfase sugestiva sobre os termos separados, cuja ressonância semântica aumenta com o isolamento, como é o caso, além do advérbio ‘silenciosamente’, do poderoso ‘errantes’, cujo significado se intensifica e se expande pela suspensão final do verso, acompanhando a morosa subida dos balões com a nota profunda de uma ilimitada e desgarradora incerteza, fazendo com que esses pontos luminosos, últimos sinais de vida da festa, sejam vistos em câmera lenta, perdendo-se silenciosa e definitivamente na noite." Todo o eixo temático do poema liga-se ao modo de trabalhar o tempo: o passado, transformado em "durée". Dessa transformação, a consciência desperta: "Quando eu tinha seis anos / Não pude ver o fim da festa de São João / Porque adormeci", em contraposição a "Onde estão todos eles? - Estão todos deitados / Dormindo / Profundamente". Enfim, o desígndorio, gerado pelo fluxo de consciência: no passado, ele adormeceu, enquanto todos estavam na festa; hoje, eles adormeceram, enquanto ele se mantém desperto. É a consciência de estar deslocado, em desarmonia com o restante. O verbo utilizado - "adormecer" - também muda de acepção ao longo do poema. De início, em sentido denotativo, significa "estar dormindo"; no final, conotativamente, liga-se à idéia de morte, o que se comprova na ausência das pessoas pertencentes ao universo infantil já citadas. "Profundamente" é a palavra que acompanha todo o poema: encontra-se no título, no meio e também o encerra. É um advérbio que sugere não apenas modo, mas, principalmente, intensidade. Mesmo de forma desarmoniosa, a intensidade é elevada, o que reforça, novamente, o conceito da duração. Reforça-se, assim, a vivência que envolve o processo das reminiscências: é como, na poesia, a morte torna-se vida na transmutação poética do instante. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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