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SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita

14.SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Editora da Universidade de Campinas, 6. ed., 1993.
Alguns pontos de partida
A alfabetização tem se revelado uma das questões sociais mais fundamentais em virtude de suas implicações político-econômicas e por ser ao mesmo tempo instrumento e veículo de uma política educacional que ultrapassa em muito o espaço meramente acadêmico e escolar. A ideologia da ‘democratização do ensino’ produz a ilusão de um maior número de alfabetizados no menor tempo possível. Ocorre que no processo da produção do ensino em massa as práticas pedagógicas aplicadas não apenas discriminam e excluem, como emudecem e calam.
Durante as décadas de 1960 e 1970, o Estado brasileiro difundiu e implementou a idéia da educação compensatória que, confundindo propositadamente ‘diferença’ com ‘deficiência’, criou e, de certa forma, consolidou inúmeros mitos com relação ao fracasso escolar: do mito da incapacidade da criança começou o surgir o mito da incompetência do professor.
Para ‘compensar’ esta nova ‘deficiência’ era necessário implementar os cursos de treinamento e os manuais didáticos para o professor malformado, mal-informado e desatualizado. “Numa surda situação de simulacro” – como escreve Smolka (1993, p. 16) – “em que os professores desconfiam das crianças e dos pais; os pais não confiam nos próprios filhos nem nos professores; as crianças aprendem a não confiar em si mesmas nem nos adultos, as relações interpessoais vão sendo camufladas, interrompidas e ninguém parece questionar as condições ou duvidar dos métodos” – enquanto que a escola se manteve a mesma e o problema da evasão sem solução.
Segundo Smolka, a escola que se mostrou deficiente em sua tarefa pedagógica de alfabetizar, passou a apontar cada vez mais uma série de ‘patologias’ nas crianças: dislexias, problemas psicomotores, foniátricos, neurológicos; o desinteresse total, a apatia, a falta de motivação, isto é, começam a ‘surgir’ nas crianças problemas que não, necessariamente, elas os têm.
No começo da década de 1980, os pesquisadores brasileiros começam a ter acesso aos primeiros resultados do estudo de Emília Ferreiro sobre os processos de aquisição da linguagem escrita em crianças pré-escolares argentinas e mexicanas, indagando os métodos de alfabetização existentes. É a partir deste trabalho que Smolka desenvolveu sua pesquisa sobre os processos de aquisição da escrita nas crianças, cujos resultados este livro apresenta.
O que de fato se comprovou, segundo Smolka, foi a indiscutível influência das condições de vida das crianças no processo de elaboração e construção do conhecimento do mundo. E, nestas condições, o importante papel que desempenha a presença ou a ausência de adultos ou pessoas mais experientes, como interlocutores e informantes das crianças.
Salas de aula, relações de ensino
Entendendo que a alfabetização implica leitura e escritura como momentos discursivos, uma vez que o próprio processo de aquisição também vai se dando numa sucessão de momentos discursivos, de interlocução, de interação, Smolka discute neste segundo capítulo alguns parâmetros ou pontos de apoio para a análise que busca fazer em sua pesquisa. E vai buscá-los na Teoria da Enunciação e na Análise do Discurso. A Teoria da Enunciação, extraída da obra de Bakhtin, aponta para a consideração do fenômeno social da interação verbal nas suas formas orais e escritas, procurando situar essas formas em ligação às condições concretas da vida, levando em consideração o processo de evolução da língua, isto é, sua elaboração e transformação sócio-histórica.
As referências para a Análise do Discurso, Smoka encontra em Orlandi e Pêcheaux. Enquanto para Orlandi o discurso pedagógico considera a função de ensinar do ponto de vista da escola e do professor: quem/ ensina/ o que/ para quem/ onde; Pêcheaux argumenta que todo processo discursivo supõe, da parte do emissor, uma antecipação das representações do receptor, isto é, sua habilidade de imaginar, de pensar onde seu ouvinte o enquadra, e que esta antecipação de ‘o que o outro vai pensar’ do lugar em que ele se representa como tal parece constitutiva de todo discurso.
Ambos os casos apontam para a ilusão em que vivem os professores que assumem a tarefa, a eles atribuída pela sociedade, de ensinar. Ou seja, da forma como tem sido vista na escola, a tarefa de ensinar adquiriu algumas características (é linear, unilateral, estática) porque, do lugar em que o professor se posiciona (e é posicionado), ele se apodera (não se apropria) do conhecimento; acredita que o possui (é levado a acreditar) e que sua tarefa é precisamente dar o conhecimento à criança. Desse modo, o professor monopoliza o espaço da sala de aula: seu discurso pré-domina e se impõe. Daí sucede que o estatuto do conhecimento passa pela escolarização, o que significa dizer que quem não vai à escola não possui conhecimentos. A ilusão ao qual o professor está submetido decorre da não-consideração de vários aspectos cruciais no processo de convivência, interação e relação com os alunos, pais, colegas de trabalho, funcionários, superiores, no cotidiano da escola. Nesse lugar, o(a) professora(a) ocupa uma posição de responsável pelo processo de alfabetização e assume a tarefa de ensinar crianças a ler e a escrever. Nesse mesmo lugar, as crianças ocupam uma posição de alunos, e assumem a tarefa de aprender a ler e a escrever. Isto parece claro e evidente, portanto, não se questiona.
Smolka dá como exemplo uma situação em que a professora escreve na lousa e propõe às crianças um exercício como o descrito, percebe-se que ela está desempenhando o papel a ela atribuído e imagina-se que assim esteja alfabetizando as crianças. Mas, pelos comentários da professora desta situação-exemplo verifica-se que as crianças não corresponderam às suas expectativas, isto é, não entendem o que devem fazer, nem executam a tarefa dada conforme era esperado. Isto indica que as ‘pressuposições’ não se confirmam, indica que existe algo nesta situação que não está sendo revelado, que é preciso procurar as ‘pistas’ que geralmente passam despercebidas e são tidas como irrelevantes nas análises das relações de ensino. A professora que sabe qual é a sua função dentro da sala de aula ensina crianças que ainda não desempenham seu papel dentro da sala de aula conforme o esperado. Isso gera na professora um sentimento de incapacidade, incompetência e fracasso que ela acaba por transferir para as crianças. Ou seja, como a tarefa suplanta ou apaga a relação de ensino, evidencia-se, então a luta de poder. Como elas não conseguem realizar as expectativas da professora, supõe-se e conclui-se que as crianças têm problemas; que elas são incapazes; que elas não prestam atenção e não tem os pré-requisitos desenvolvidos; o que significa dizer que não podem ser alfabetizadas. Essas conclusões e suposições, que na realidade se caracterizam como pressuposições, transformam-se em preconceitos. E é isso, segundo Smolka, que tem permeado, implicitamente, as relações de ensino.
Discutindo pontos de vista
Dentro desta perspectiva apontada no capítulo anterior, as falhas ou os erros estão sempre nas crianças e nunca nos procedimentos utilizados pela escola, que são sempre ‘cientificamente’ comprovados e legitimados. Entretanto, uma análise feita sob outra perspectiva pode nos apontar, entre outras coisas, que o que está subterrâneo nas práticas adotadas nas escolas pelos professores são concepções de aprendizagem e de linguagem que não levam em consideração o processo de construção, interação e interlocução das crianças, nem as necessidades e as atuais condições de vida das crianças fora do ambiente escolar e, por isso mesmo, podem ser consideradas historicamente ultrapassadas.
Como em inúmeras outras situações do contexto escolar, os movimentos de interação entre as crianças e entre as crianças e o professor são cerceados por questões disciplinares: o silêncio em sala de aula, por exemplo. Dessa forma, a alfabetização na escola fica reduzida a um processo, individualista e solitário, que pouco tem a ver com as experiências de vida e de linguagem das crianças. Nesse sentido, é estéril e estática, porque baseada na repetição, na reprodução, na manutenção do status quo. Configura-se assim um tipo de sujeito que não precisa perguntar, que não precisa da ajuda dos outros para aprender.
De um ponto de vista construtivista, essa situação escolar se colocaria como insustentável uma vez que não considera o ponto de vista da criança que aprende, não leva em consideração os processos de elaboração do conhecimento sobre a escrita. Para compreender esta questão, Smolka se ampara na pesquisa de Ferreiro & Teberosky que partem do pressuposto de que a criança é um sujeito ativo e conhecedor, as autoras indicam a importância de se compreender a lógica interna das progressões das noções infantis sobre a escrita, mostrando que as crianças exigem de si mesmas uma coerência rigorosa no processo de construção do conhecimento. Nesse processo, as autoras mostram a importância do erro como fundamentalmente construtivo na superação de contradições e conflitos conceituais, explicitando, numa progressão, etapas e hipóteses que as crianças levantam sobre a escrita: em outras palavras, o processo de aprendizagem não é conduzido pelo professor, mas pela criança.
Porém como alerta Smolka, as análises de Ferreiro e Teberosky não podem dar conta, em termos político-pedagógicos, do fracasso da alfabetização escolar. Elas mostram mais um fator que precisa ser conhecido e observado no processo de alfabetização que são o significado e a importância das interações, mas não resolvem nem pretendem resolver o problema. No entanto, os estudos destas autoras acabou sendo incorporado pelas redes de ensino sem à devida adaptação à realidade educacional brasileira, o que faz com que alguns conceitos provenientes da educação compensatória sejam, agora, substituídos pelo linguajar construtivista, novamente culpabilizando a criança pela não-aprendizagem, pela não-compreensão. O que acontece de fato, mas que permanece implícito, é que o ensino da escrita, cristalizando a linguagem e neutralizando (e ocultando) as diferenças, provoca um conflito fundamentalmente social. Porque não se ‘ensina’ simplesmente a ‘ler’ e ‘escrever’, aprende-se a usar ‘uma’ forma de linguagem, ‘uma’ forma de interação verbal, ‘uma’ atividade, ‘um’ trabalho simbólico: em outras palavras, o processo de elaboração mental da criança na construção do conhecimento sobre a escrita, que primeiramente passa pela linguagem falada, fica comprometido porque a escrita apresentada na escola está longe da linguagem falada pelas crianças. A emergência do discurso na escrita inicial
Neste capítulo, a autora discute que a alfabetização não significa apenas a aprendizagem da escrita de letras, palavras e frases. A alfabetização implica, desde a sua gênese, a constituição do sentido. Enquanto que a escola parece ocupada em ensinar as crianças a repetirem e reproduzirem palavras e frases feitas, isto é, não trabalha com as crianças o ‘fluir do significado’, a estruturação deliberada do discurso interior pela escritura. Essa escrita precisa ser sempre permeada por um sentido, por um desejo, e implica ou pressupõe, sempre, um interlocutor. Desse modo, implica, mais profundamente, uma forma de interação com o outro pelo trabalho de escritura – para quem eu escrevo o que escrevo e por que?
Segundo Smolka, quando as crianças escrevem palavras soltas ou ditadas pelos professores, a característica da escritura é uma, e identifica-se, mais facilmente, a correspondência entre a dimensão sonora e a extensão gráfica. Mas quando as crianças começam a escrever o que pensam, o que querem dizer, contar, narrar, elas escrevem porções, fragmentos do ‘discurso interior’ (que é sempre diálogo consigo mesmo ou com outros).
Em termos pedagógicos, então, o que se faz relevante aqui é o fato de que, quando se permite as crianças falarem e se relacionarem em sala de aula, questões vitais para elas vêm à tona e se tornam ‘matéria-prima’ do processo de alfabetização. Nessas conversas, concepções, pressuposições e valores se revelam. Assim, o texto de cada criança não repete ou reproduz o texto coletivo, mas permite que se inaugure novos momentos de interlocução, de acordo com o que pareceu mais importante e relevante para cada uma, pelo que cada uma disse ou deixou de dizer. São os modos de perceber, de sentir, de viver, de conviver, de conhecer e de pensar o mundo que as crianças passam a expressar. A escrita começa a se tornar uma forma de interação consigo mesma e com os outros, uma forma de ‘dizer’ as coisas. Com todas as hesitações, trocas e tentativas ortográficas, a criança passa a escrever o que ela quer ou precisa dizer. Entretanto, a função da escritura ‘para outro’ e a presença de interlocutores também provocam uma tensão: no esforço de explicação do discurso interior, abreviado, sincrético, povoado de imagens – é nesse trabalho de explicitação das idéias por escrito para o outro que as crianças vão experimentando e aprendendo as normas de convenção porque é justamente da leitura do outro, da leitura que o outro faz (ou consegue fazer) do meu texto, daquilo que eu escrevo no meu texto, do distanciamento que eu tomo da minha escrita, que eu me organizo e apuro esta possibilidade de linguagem, esta forma de dizer pela escritura. Aqui, novamente, se apresenta a questão dos procedimentos de ensino da leitura e da escrita na escola: a escola tem ensinado as crianças a escrever, mas não a dizer – e sim, repetir – palavras e frases pela escritura; tem ensinado as crianças a ler um sentido supostamente unívoco e literal das palavras e dos textos e tem banido (reprovado) aqueles que não conseguem aprender o que ela ensina, culpando-os pela incapacidade de entendimento e de compreensão. O que a escola não percebe é que a incompreensão não é resultado de uma incapacidade do indivíduo, mas de uma forma de interação. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Henrique de Souselas, moço rico , elegante e, para variar, entediado , deixa Lisboa e vai para a casa de sua tia Dorotéia, numa aldeia do Minhjo. Busca aí a cura para o seu mal: o tédio, a chateação. Logo fica bem, apaixona-se por Madalena - morgadinha que o trata com ironia. A prima de Madalena - Cristina - apaixona-se por Henrique. Este percebe que a morgadinha Madalena parece corresponder ao afeto de um professorzinho rural, Augusto. Ficam rivais, tratam-se mal. Constrói - se uma estrada de ferro no local ao mesmo tempo, são proibidos os enterros nas igrejas. Ocorrem confusões em torno dos acontecimentos e Henrique casou com Cristina e Augusto casou com Madalena. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
No livro, dividido em duas partes, mesclam-se acontecimentos reais e irreais. Na cidade fictícia de Antares, apresenta-nos, o Autor, na primeira parte, o progressivo acomodamento das duas facções (os Campolargo e os Vacariano) às oscilações da política nacional e a união de ambas em face da ameaça comunista, como é conhecida, pelos senhores da cidade, a classe operária que reivindica seus direitos. Na segunda parte, o "incidente" do título: a greve dos coveiros. Morrem inesperadamente sete pessoas em Antares, incluindo a matriarca dos Campolargo. Os coveiros se negam a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Os mortos, insepultos, adquirem "vida" e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo, com isso, a extrema podridão moral da sociedade. Como as personagens são cadáveres, livres, portanto, das pressões sociais, podem criticar violentamente a sociedade. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O romance se inicia com a narração de alguns casos insólitos - Joana Carda e a vara de negrilho, Joaquim Sassa e o arremesso de uma pedra ao mar, José Anaiço e os estorninhos e Pedro Orce e o tremor da terra e Maria Guavaira e o fio de lã - onde são interligados mais adiante na narrativa. A Península Ibérica acaba por se soltar do continente europeu. Joaquim Sassa fica sabendo do fenômeno ocorrido com José Anaiço, indo em sua procura para saber a correlação desses fatos com a desagregação da Península. Joaquim Sassa e José Anaiço partem em Dois Cavalos ( carro de Joaquim Sassa ) rumo à Venta Micena (Espanha) à procura de Pedro Orce , que sente constantemente a terra tremer. As autoridades, comprovando tal fenômeno, e, embora não consigam explicá-lo, pedem a Pedro Orce que não comente isso com ninguém. No encontro dos três, viajam à região fronteiriça da Espanha com a França para verem o fenômeno. Decidem por ir à Lisboa. A caminho da capital portuguesa, fazem uma pequena estada em Albufeira. O caos nesta e noutras cidades se torna generalizado. A população, sem ter moradia, começa a invadir os hotéis, que estão vazios por falta de turistas. Choques entre o povo e as tropas do governo geram um clima de intranqüilidade.

A parcela rica da Península ibérica acaba por abandoná-la, levando consigo boa parte de seus capitais por receio dos movimentos populares que aconteciam. Ao chegarem à Lisboa, hospedam-se no Hotel Bragança. O fenômeno dos estorninhos chama a atenção da imprensa, que descobre os nossos protagonistas. Manchetes nas redes de televisão, rádios e jornais levam as autoridades a buscarem Joaquim Sassa e Pedro Orce para averiguações. Joana Carda vai ao encontro do grupo por ser portadora de outro fenômeno (aludido no início do enredo). Joana Carda hospeda-se no Hotel Borges. O grupo empreende uma viagem à Ereira, onde Joana passou a viver depois de separada e se dá o fenômeno da vara de negrilho. Inicia-se um romance entre Joana e José Anaiço. Ao chegarem ao local do risco, encontram o Cão Constante, carregando um fio de lã azul à boca, que se junta ao grupo, afeiçoando-se a Pedro Orce. Os quatro seguem o cachorro que os leva à região da Galiza, hospedando-se no caminho na casa de Joaquim Sassa no Porto. O destino do grupo é a casa de Maria Guavaira, viúva há três anos, portadora de outro fenômeno: "... não fiz mais do que desmanchar uma meia velha, dessas que serviam para guardar dinheiro, mas a meia que desmanchei daria um punhado de lã, ora o que aí está corresponde à lã de cem ovelhas, e quem diz cem diz cem mil, que explicação se encontrará para este caso,...". Começa um idílio amoroso entre Maria Guavaira e Joaquim Sassa . O rádio noticia a probabilidade de colisão entre a Península e o arquipélago de Açores. Inicia-se outra etapa da viagem, em direção ao oeste peninsular. A viagem é feita pelo grupo em uma galera, pois Dois Cavalos não funcionara mais. Maria Guavaira conduz a galera que é puxada inicialmente por um, posteriormente por dois cavalos (Pigarço e Alasão). A evacuação do leste português é generalizada, deixando cidades abandonadas e a população em desespero. Os governos português e espanhol se mostram ineficientes quanto ao amparo desse grande contigente de emigrantes. Já distantes da Europa, os Estados Unidos e o Canadá se preparam para dar as boas vindas à Península, começando a idealizar as novas relações estrangeiras entre esses dois grupos. Acontece o inesperado - a Península acaba por se desviar do arquipélago de Açores, mudando naturalmente seu curso ao norte. Todos reiniciam o retorno às suas casas. Nossos viajantes, entretanto, resolvem continuar viajando - agora em direção aos Pirineus. As duas mulheres do grupo acabam por ter relações com Pedro Orce, o que provoca um clima instável nos viajantes. Os viajantes permanecem juntos,mesmo com um certo ressentimento que predominava. Chegam ao fim da Península, extasiados com o espetáculo natural que presenciam. A Jangada de Pedra pára. Portugal fica voltado aos Estados Unidos e a Espanha para a Europa. Pedro Orce ainda afirma que a terra treme, o que acaba por se confirmar com a retomada do movimento peninsular, que fica a girar em torno de seu próprio eixo durante um mês. "Dois Cavalos seguia devagar (...), agora os viajantes demoravam-se nos lugares (...)". Por essa ocasião, as mulheres percebem que estão grávidas, não sabendo ao certo sobre a paternidade. O grupo encontra Roque Lozano, o qual viera em seu burro ( Platero) para ver o desregramento. Roque Lozano junta-se aos viajantes para retornar à sua casa (Zufre), como era idéia de todos. A Península começa a vagar rumo ao sul. Os Estados Unidos perdem o interesse de antes pelos povos peninsulares, onde "todas" as mulheres ficam grávidas. Joana Carda tem pressentimentos quanto a Pedro Orce . Este morre no momento em que a galera pára e ele não sente mais o tremor da terra. O grupo descansa para retomar a viagem. O tempo da narrativa é psicológico. Embora haja referências cronológicas, elas não predominam, além de serem em grande parte imprecisas. O espaço é a Península Ibérica a vagar pelo Oceano Atlântico. Os narradores são múltiplos e alternados (variando entre 10 pessoa do singular e plural e 30 pessoa ), o que anula um pouca a presença do narrador tradicional. Personagens principais: Joana Carda Portuguesa divorciada que mora na região de Ereira. Ao riscar o chão com uma vara de negrilho, os cachorros de Cerbère começam a ladrar, ação que não faziam a séculos. Joaquim Sassa Português (Porto), trabalha em um escritório, estando de férias por uma praia ao norte de Portugal. Lança uma pesada pedra no mar, espantando-se com a grande distância que ela vem a tomar antes de afundar. José Anaiço Português (Ribatejo) com o ofício de professor que fica sendo acompanhado constantemente por uma nuvem de estorninho. Pedro Orce Próximo dos sessenta anos, espanhol da região de Orce, farmacêutico no vilarejo de Venta Micena. Ele sente a terra tremer enquanto que os sismógrafos não conseguem detectar nenhum tremor. Maria Guavaira Habitante da região rural da Galiza, puxa um fio azul de lã de uma meia que se multiplica exageradamente em comprimento. É este fio, através do cão Constante, que traz os outros personagens acima à sua casa. A linguagem e o estilo da obra O autor se utiliza de períodos e parágrafos muito longos (estes chegando às vezes a uma página ou mais). Há uma total erradicação dos sinais de pontuação (usando predominantemente a vírgula e o ponto). As falas de narrador e personagens são às vezes confundidas, onde o uso do discurso indireto livre é bastante influenciador. A metalinguagem também se faz presente no romance, onde se percebe leves doses de ironia. Dividida em 23 capítulos, a obra preserva o português lusitano (imposição do autor aos países de língua portuguesa), fazendo-se valer de expressões populares típicas de Portugal. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
GOLDFELD, Márcia. A Criança Surda. Linguagem e Cognição Numa Perspectiva Sócio-Interacionista. São Paulo: Plexus Editora, 2001.

INTRODUÇÃO
A linguagem de sinais despertou defensores e opositores, criações de correntes que no decorrer do tempo foram sendo analisadas e colocadas em prática, trazendo resultados, nem sempre esperados. O mundo se preocupou, neste último século em buscar amenizar as dificuldades das pessoas surdas, o desenvolvimento destas crianças, e o Brasil, buscou dentro destes estudos se incorporar nas pesquisas e nas conseqüentes filosofias educacionais propostas.
Em relação à psicologia educacional, a psicologia sócio-interacionista percebe a linguagem como meio de comunicação essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, onde o desenvolvimento passa primeiro por um nível interpsíquico, e depois, internalizado e vivido intrapsiquicamente, no caso da criança surda, numa visão ampla e cientifica as dificuldades já que a linguagem e diálogo são fatores essenciais para o desenvolvimento fica comprometida, e por conseqüência essa dificuldade comunicativa atinge certas áreas do desenvolvimento infantil.

CAPÍTULO 1 – DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Neste capítulo definições e conceitos são explicitados para que sejam conhecidos e posteriormente refletidos no contexto da pessoa surda, ganhando uma nova conotação e significado, quanto à cultura destas pessoas, e servindo para analises posteriores deste estudo.

Linguagem, Língua e fala
Esses ermos são utilizados por diversos autores com diferentes sentidos. Na área da surdez ganham conotações diferentes das utilizadas usualmente.
Esses conceitos foram usados primeiramente sistematizados pos Saussure, o pai da lingüística, em 1916. A partir dele a lingüística passou a ser reconhecida como ciência. Segundo ele, a linguagem é formada pela língua - sistema de regras compostas por elementos significativos inter-relacionados - e pela fala. A língua é o aspecto social da linguagem e objeto de estudos da Lingüística, e a fala o aspecto individual da linguagem com características individuais, e esta não foi objeto de seus estudos. Sausurre separa a língua, a fala , o social e o individual.
Para Vygotsky, o termo language, serve tanto para linguagem quanto para língua. Nasa traduções fica muito difícil analisar o conceito como língua, linguagem ou fala, assim ele não explica explicitamente esses conceitos. Porem, a sua noção de linguagem como função reguladora do pensamento, a fala como linguagem em ação (seja ela social, egocêntrica ou interior), não deve ser interpretada como ato motor de fonemas e sim como um a produção de interação e diálogo. E a linguagem num sentido amplo envolvendo significação com valor semiótico e não apenas comunicação, mas constituindo o sujeito, a forma como este recorta e percebe o mundo e a si próprio. Estes estudos psicológicos são de grande valia para aprimorar os estudos dos sócios-interacionistas em relação ao desenvolvimento da criança surda.
Bakhtin, no seu livro Marxismo e Filosofia da Linguagem, vê a língua como uma situação de diálogo constante, ininterrupta, relacionada às enunciações anteriores e posteriores a ela. Ele critica a visão ideológica-linguística Objetivista Abstrata representada por Saussure. Segundo ele, esta corrente se preocupa apenas com o aspecto lingüístico normativo, sendo insuficiente para o diálogo. Bakhtin acrescenta o aspecto contextual e social aos estudos, convergindo às idéias de Vygotsky. Para o autor, a língua é o elo entre o psiquismo e a ideologia que formam uma relação dialética indissolúvel, um instrumento que permite receber a cultura de sua comunidade e possibilitando a sua interação e exposição de suas idéias, com ela o individuo influencia o meio social, formulando o Subjetivismo Idealista. No entanto, ele se contra posiciona quando se refere ao termo língua, como código de linguagem artística, musical e outras formas que não se comporta uma língua, já que língua é visto como um termo semiótico, criado e produzido num contexto social e dialógico.
Outro autor citado, Freitas, utiliza o termo linguagem semelhante ao uso de Bakhtin e Vygotsky.
Para a autora Golfeld, linguagem se referirá a qualquer tipo de linguagem, as que utilizam língua ou não; linguagem e língua incluirá a função da constituição do pensamento; e fala ao que se diz respeito a produção da e linguagem,seja em dialogo e também nos diálogos egocêntricos.

O Signo
Para Saussure, o signo é composto pelo significado - conceito- e o significante – imagem acústica, seguindo princípios de arbitrariedade (na relação entre significado e significante), linearidade (referindo ao significante, a imagem acústica, desenvolvida no tempo), mutabilidade ( ao fato das línguas estarem em processo constante de mudanças) e imutabilidade (por ser a língua imposta as comunidades, sem que possam individualmente modificá-las).
Para Vygotsky, não há imutabilidade, não é estável, já que o significado difere no decorrer do desenvolvimento do individuo, há uma evolução do significado, decorrente da aquisição da linguagem e da continua estruturação lingüística que acompanha o desenvolvimento da criança. Ele introduz também, a noção de sentido, a partir das relações interpessoais vivenciadas pelo indivíduo e sua história. O significado sim, é estável, e pode ser compartilhado através da comunicação, no entanto, o sentido atribuído emerge da interação verbal.
Bakhtin difere o significado (signo) – significação – este alcança o tema da enunciação, o sentido e é mutável, onde pode haver substituição de um sinal para outro revelada pelas mudanças históricas e culturais vividas por seus falantes. Já o sentido (sinal) – tema-, alcança apenas o significado, podendo ser imutável, incapaz de sofrer mudanças.
Goldfeld adotará o termo signo para a palavra marcada pela historia e cultura, criada na interação e dependente do contexto e dos falantes que a utilizam, e significados que se modificam no decorrer da vida dependendo de suas vivencias e relações interpessoais que determinarão seu desenvolvimento cognitivo.

Surdez
Os termos utilizados no estudo da surdes são iguais aos utilizados na lingüística e na psicologia, no entanto com conotações diferentes. Assim:
Linguagem: códigos que envolvem significação não precisando necessariamente abranger uma língua.
Língua: para Sausurre, sistema de regras abstratas composto por elementos significativos inter-relacionados;
Língua: para Bakhtin, sistema semiótico criado e produzido o contexto social e dialógico, servindo de elo entre o psiquismo e a ideologia.
Sinal é o signo lingüístico da mesma forma que as palavras da língua portuguesa, é o elemento léxico da língua de sinais.
Fala designa a enunciação produzida através do sistema fonador, chamada de oralização. A fala para Vygotsky, a interiorizada, é aquela simbolização e produzida através das mãos. É a produção da linguagem pelo falante nos momentos d diálogo social e interior, usado tanto no canal audiofonatório, quando o espaço-visual.
Oralização – sistema fonador para expressar palavras e frases da língua;
Sinalização – fala produzida através do canal espaço-visual;
Signo: elemento da língua marcado pela historia e cultura dos falantes com inúmeras possibilidades de sentidos criados no momento e interação, dependendo do contexto e dos falantes que o utilizam.

CAPÍTULO 2 – BREVE RELATO SOBE A EDUCAÇÃO DE SURDOS
Conhecer a história e as filosofias educacionais pra surdos e as relações sociais, a linguagem e a qualidade de interações serve de suporte par analisar criticamente as conseqüências de cada filosofia do desenvolvimento destas crianças.
A idéia que a sociedade da antiguidade fazia de surdos, é que eles foram percebidos como formas de piedade e compaixão ou ainda como pessoas castigadas pelos deuses, por isso eram abandonadas ou sacrificadas. Com isso reforçava a crença que o surdo não poderia ser educador. Essas idéias persistiram até o século XV.
A partir do século XVI, surgem os primeiros educadores para surdos. Cardano foi o primeiro a afirmar que o surdo pode ser instruído (segundo Reis, 1992). Os educadores passam a criar metodologias variadas para ensinar os surdos. Alguns baseados na linguagem oral, outros pesquisaram e defendendo a linguagem de sinais, e outros ainda criando códigos visuais. Essas correntes perpetuam até hoje.
No século XVI, na Espanha um monge beneditino, Pedro Ponde e Leon, ensinou quatro surdos, filhos de nobres a falar grego, latim e italiano, conceitos de física e astronomia, datilografia, escrita e oralização, criando uma escola de professores de surdos.
Em 1620, na Espanha, Juan Martins Pablo Bonet publicou um livro que tratava a invenção do alfabeto manual. Em 1644, J. Bulwer publica o primeiro livro em inglês sobre a língua de sinais, e outro em 1648, onde afirma que a língua de sinais é capaz de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.
Em 1750, na França, Abade Charles Michel de L’Epée, cria os Sinais Metódicos, combinando a língua de sinais com a gramática sinalizada francesa, seu sucesso levou a transformar sua casa em escola publica.. Ele acreditava que todos os surdos deveriam ter acesso a educação publica e gratuita.
Até o final do século dezenove as línguas de sinais foram bastante utilizadas em todo o mundo.

O Oralismo
Em 1750, na Alemanha, surge as primeiras noções do que hoje constitui a filosofia educacional Oralista, esta rejeita a linguagem de sinais e acredita no ensino da língua oral.
O Oralismo percebe a surdez como uma deficiência a ser minimizada pela estimulação auditiva, reabilitado a criança surda em direção a normalidade. A metodologia usada de oralização é de verbo-tonal, áudio-fonatória, aural, acupédico, etc. o Oralismo utiliza como embasamento teórico lingüístico o Gerativismo de Noam Chomsky, que é não só ensinar a linguagem mas dar condições pra que esta se desenvolva espontaneamente na mente, a seu próprio modo.
Há uma preocupação com as regras gramaticais na aprendizagem da língua, como em diferenciar ermos como correr diferente de pular, utilização do tempo no passado e no futuro, onde as crianças surdas têm grande dificuldade de inferir, precisando de muita ajuda. Para amenizar esta dificuldade recomenda-se iniciar a estimulação auditiva precocemente, para que discriminam e distingam os sons que ouvem a través da audição, das vibrações corporais e da leitura oro-facial, a criança chega a uma compreensão da fala dos outros e por ultimo começa a oralizar. Alguns autores ainda citam que a utilização de gestos pode prejudicar o aprendizado da oralização.
No século XVIII, a rápida criação de escolas para surdo, tirou-os da negligência e da obscuridade imitindo responsabilidades, escritores surdos, engenheiros surdos, filósofos surdos, intelectuais surdo, o que antes parecia impossível.
A partir do século XIX, a possibilidade de ensinar o surdo a falar, estimulada pelas novas tecnologias, levou alguns educadores a rejeitarem as línguas e sinais. A partir de 1860, o método oral começa a ganhar força, o mais importante defensor do oralismo foi Alexandre Graham Bell, inventor do telefone, influenciou o Congresso Internacional de Educadores Surdos, em Milão, em 1880, onde se votou este método a ser usado na educação de surdos. Dando uma reviravolta na educação para surdos, a maior parte das escolas deixa de usar a língua de sinais. A Oralização passa a ser o objetivo principal na educação das crianças surdas, com o maior tempo no domínio da linguagem oral, o ensino de disciplinas como história, geografia e matemática foram relegadas, levando a uma queda no nível de escolarização. Isto até a década de sessenta do século passado, quando William Stokoe publicou um artigo defendendo a ASL como a língua com todas as características das línguas orais.
Até hoje, na filosofia educacional, o Oralismo, mantém este tipo de pensamento, sendo que predominou até a década de sessenta. No entanto, a língua oral até o presente momento não pode ser adquirida pela criança surda. Esta filosofia visa integrar a criança surda a comunidade ouvindo, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral e restringindo esta língua como a única forma e comunicação dos surdos, rejeitando qualquer forma de gestualização, bem como as línguas de sinais.

A Comunicação Total
Em 1817, Clerc fundou a primeira escola permanente para surdos nos EUA, usando um tipo do francês sinalizado, ou seja, a união da língua de sinais com a estrutura da língua francesa adaptado ao inglês. Surgindo assim, uma metodologia que mais tarde será utilizada na filosofia da Comunicação Total.
Em 1821, todas as escolas públicas americanas passaram a mover-se em direção a American Sign Language. Em 1850, a ASL, e não mais o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na Europa.
A dificuldade de aprendizagem da linguagem oral levou alguns profissionais nas décadas de sessenta e setenta, a criarem uma nova filosofia educacional para surdos a Comunicação Total, que alia a língua oral a elementos da linguagem de sinais, aproximando essas duas linguagens e criando línguas orais sinalizadas.
A partir dessa publicação surgiram diversas pesquisas sobre as línguas de sinais. Surge neste momento, também Dorothy Shiffekl, professora e mãe de surdo, que começou a usar um método combinando a língua oral e a leitura labial, treino auditivo e alfabeto manual, nomeando seu trabalho de Abordagem Total, que em 1968, Ruy Holcom rebatiza de Comunicação Total dando a ela uma conotação de filosofia. Este método é adotado na Universidade Gallaudet tornando este recinto o maior centro de pesquisa dessa filosofia.
Esta filosofia se preocupa com os processos comunicativos entre surdos e surdos e entre surdos e ouvintes, além da aprendizagem oral, não deixa de lado os aspectos cognitivos, emocionais e sociais da criança surda. Vê cada criança surda como única, assim, defende programas educacionais individualizados; a linguagem oral pode ser motivada. E, na família o importante papel de compartilhar valores e significados, e a ela cabe decidir qual forma de educação seu filho terá.
Defende com isso, o bimodismo, a utilização de recursos espaços-visuais, quaisquer recursos lingüísticos, a datilologia ou alfabeto manual, LIBRAS, no Brasil, o português sinalizado, o pidgin (simplificação gramatical do português e da LIBRA) ou o cued-speech (sinais manuais que representam os sons da língua portuguesa), num uso simultâneo destes códigos, todos como facilitadores da comunicação. Que pode ainda minimizar o bloqueio de comunicação evitando conseqüências no desenvolvimento e possibilitando aos pais ocuparem papéis de interlocutores de seus filhos.

Bilinguismo
Na década de setenta, na Inglaterra e na Suécia, percebe-se que a língua de sinais deveria ser usada independente da língua oral e de outras e não só as duas concomitantes, surgindo então a filosofia bilíngüe, ganhando adeptos no mundo inteiro.
A proposta de não se misturar com a língua oral, surgindo uma nova filosofia educacional para surdos, o Bilingüismo. Nesta filosofia parte-se do pressuposto que o surdo deve ser bilíngüe, ou seja, deve adquirir as línguas maternas, a oficial de seu país, e a língua de sinais, a natural dos surdos. Esta aquisição se adquire através do convívio com a família, com outros ouvintes e com outros surdos.
Na década de oitenta, houve uma valorização do surdo, da aceitação pessoal da deficiência, da formação de uma comunidade própria, com cultura e línguas próprias. É rejeitada, nesta filosofia, a aproximação da normalidade. Deve-se entender o Surdo em suas particularidades, sua cultura, forma de pensar e agir e não apenas os aspectos biológicos ligados a surdez.
Segundo alguns pesquisadores, a Línguas de Sinais é a única língua que o surdo podetia dominar e se servir as suas necessidades, e a não exposição da criança nos primeiros anos de vida trará conseqüências de âmbito emocionais, físicos e cognitivos.

No Brasil
Em 1855, chega aqui o professor surdo francês Hernest Huet, trazido pelo Imperador D. Pedro II, para iniciar um trabalho de educação de duas crianças surdas. Em 18574, é fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que utilizava a língua de sinais.
Em 1911, o INES, seguindo a tendência mundial, estabeleceu o Oralismo puro em todas as disciplinas. Mesmo assim, a linguagem de sinais sobreviver em sala de aula até 1957, quando Ana Rimota de Faria Doria proibiu a língua de sinais oficialmente das escolas. Apesar das proibições essa língua sempre foi utilizada pelos alunos nos pátios e corredores da escola (Reis, 1992).
No final da década de setenta chega ao Brasil a Comunicação Total, influenciada pela Universidade americana Gallaudet. Na década seguinte começa no Brasil o Bilingüismo, a partir de pesquisas da professora Lingüista Lucinda Ferreira Brito que abreviou a Língua de Sinais dos Centros Urbanos da Língua de Sinais Kaapor Brasileira. Em 14994, Brito passa a usar a abreviação libras, Língua Brasileira de Sinais.
Hoje, no país, há profissionais que atuam e produzem conhecimentos nas três filosofias educacionais.
No entanto, a realidade do surdo brasileiro é precária, a maior não tem acesso a tratamento fonoaudiológico, não existem comunidades de surdos organizadas, nem lugares onde a LIBRAS possa ser utilizada e divulgada. O que traz várias dificuldades na escolarização, na socialização e na fase adulta, no mercado de trabalho.

CAPÍTULO 3 – SÓCIO-INTERACIONISMO E SURDEZ
A Psicologia Sócio-Interacionista
A dificuldade em se comunicar do mudo neste contexto é vista numa visão mais ampla, na estruturação do pensamento, estudada por Vygotsky, Luria, Leontiev e Yundovich e o sociolingüístico Bakhtin.
Vygotsky, de 1926 a 1936, estudou os pensamentos e a linguagem contribuindo para um estudo teórico de punho marxista e idealista, sobre a aquisição da linguagem sob a ótica social e a reflexão do estudo de crianças que sofrem atraso da linguagem, quanto a aquisição desta, a formação de conceitos, a relação ente desenvolvimento e aprendizagem, as brincadeiras infantis e também o desenvolvimento de crianças deficientes, inclusive as surdas considerando a influência da situação sócio-econômica sobre o indivíduo.
Bakhtin opôs se as duas correntes lingüísticos ideológicas, não estudando diretamente as crianças com atraso de linguagem, como Vygotsky, seus estudos são de grande relevância, porque aborda o estudo de aspectos lingüísticos, a partir do dialogo com o contexto social, e somente neste contexto a palavra ganha sentido.Assim, para a criança surda, a questão fica mais complexa.
As idéias da filosofia oralista considera importante as relações interpessoais criadas pelo dialogo. Bakhtin parte da relação psiquismo que é individual e da ideologia que é social, concluindo que elas são inseparáveis. Já que, o meio social e o momento histórico determinam a língua, de acordo com as necessidades. Os signos mediam esta relação dando a ela uma constituição consciente. No caso do surdo, a língua de sinais, seu conteúdo e forma representa um signo ideológico. Por ser um modo natural e espontâneo há um maior sucesso na comunicação do uso deste recurso do que a de qualquer outro, devido a ser um instrumento acessível para adquirirem consciência, aprendizado de conceitos e valores.
O pensamento, segundo Vygotsky e Bahktin, é adquirido através da palavra e da linguagem. Mesmo em atividades que não exigem a presença da linguagem, o pensamento é totalmente orientado por ela. A compreensão de fenômenos, não se opera sem a participação do discurso interior, todos os signos não verbais, isto dificulta a aquisição de pensamentos do surdo.
A fala egocêntrica é o inicio da organização e da orientação do pensamento da criança, dela a criança passa pra a fala interior planejando internamente, utilizando o pensamento verbal, com suas próprias leis gramaticais. Essa linguagem é orientada do exte4rior para o interior, provocando o desenvolvimento cognitivo mediando a linguagem que transforma em percepção mediada, atenção voluntária e memória. A cognição é determinada pela linguagem moldada pelas características econômicas e culturais.
E a criança surda? Esta adquire alguma forma de linguagem rudimentar simbolizando e conceituando, já que vivem socialmente. A diferença está na qualidade e quantidade de informações das que os ouvintes recebem e trocam. Porém, o atraso da linguagem dá a eles uma grande dificuldade para compreender assuntos abstratos, lugares diferentes e situações passadas.
A sua linguagem egocêntrica são sinalizadas como o tempo de reação, articulação silenciosa dos lábios, murmúrios, mímica oro-facial, e expressões corporais. Ela cria sua família de signos, os utiliza para a organização de seu pensamento, através de interações sociais utilizada pra comunicação e organização de pensamento. Mas, não se pode concluir que elas utilizam a fala egocêntrica pra planejar ações futuras, antecedendo a ação ao invés só de acompanhá-la, exercendo a função planejadora da linguagem.. Isto por que se desvincular o pensamento do ambiente concreto ela não terá condições de desenvolver as funções organizadora e planejadora da linguagem satisfatória.
O significado e sentido, segundo Vygorsky, de uma palavra está em constante mutação, no decorrer do desenvolvimento infantil., assim como a linguagem. A aquisição de itens léxicos e de regras gramaticais não determina o término da aquisição da linguagem pela criança. Para o autor e Bahktin, o significado é compartilhado socialmente e o sentido é particular para cada indivíduo e este surge no diálogo dependendo da situação contextual e dos interlocutores. Bakhyin introduz também o tema, como uma enunciação completa. Em seu interior, a enunciação possui uma significação formada por elementos sejam eles, abstratos, arbitrários, convencionais, que são reiteráveis e idênticos cada vez que são repetidos, e quando descontextualizado não têm sentidos, mas são parte indispensável da enunciação.. o tema é estágio superior, enquanto a significação é estágio inferior. Dominar a língua é atingir a significação, o tema de enunciação, através do contexto comunicativo, das relações sociais, constituindo a consciência.
Essa compreensão da língua e a relação entre significado e significante é muito difícil para os surdos que recebem estimulação apenas na língua oral.. os aspectos extra-verbais, como a entonação de voz e o volume que influenciam a formação do sentido o surdo não tem acesso. Tendo acesso a língua de sinais, e através dela ele consegue perceber a mudança de significados da língua, adquirir a cultura que esta língua carrega, que é usualmente denominada cultura surda.
O conceito que a palavra assume no discurso interior ou exterior refere-se a uma generalização. O significado é mutável. A criança pequena precisa de auxílio de gestos para compreender o significado de uma palavra. Esse pensamento não é inato, é um processo para alcançar um pensamento, e o papel do adulto nesse processo é fundamental. São nas relações sociais que ela aprende seu maneira de pensar, agir e recortar o mundo e a cultura de sua comunidade. No início da categorização, perceber as semelhanças e as diferenças é mais difícil porque se aplica um grau de abstração, assim como agrupar. No final do estágio de pensamento a fala da criança é semelhante a do adulto, mas o significado diferente, porque ela não percebe as relações lógicas dos conceitos, ela não classifica os objetos. A formação de conceito é uma atividade complexa, indispensável a associação, atenção, a formação de imagens,a inferências ou as tendências determinantes. Mas também as palavras se organizam num eixo horizontal sintagmático, referindo-se a sua estrutura frasal, a síntese da língua, e no eixo pragmático, o que se refere a semântica. Para a criança chegar ao conceito ela precisa da capacidade de abstração e da capacidade de síntese combinada a análise resultando no pensamento. O adulto diferente da criança já é capaz de perceber a generalidade entre conceitos, elaborar novos conceitos, independente da situação concreta, construindo idéias abstratas, onde tempo, espaços e relações lógicas somadas as relações sintáticas permitem o desenvolvimento desses novos conceitos.
A impossibilidade de dominar assuntos abstratos, e de saltar do pensamento sensorial para o pensamento racional, a principal característica do ser humano, na aquisição da linguagem é muito difícil para a criança surda, devido este grau de complexidade.Além disso, se restringir em generalizações menores, palavras concretas, de usar corretamente as palavras mais amplas e abstratas, tanto nos conceitos espontâneos que adquirimos no cotidiano quando no conceito cientifico, adquirido em situações particulares, são outros detalhes que dificultam a aquisição da linguagem.
Quanto ao desenvolvimento e sua relação ao aprendizado, Vygotsky critica as teorias que as considera estes requisitos independentes, ou que se trata da mesma coisa. Para ele, o desenvolvimento de uma capacidade raramente significa o desenvolvimento de outras. A mente é um conjunto de capacidades especificas que independe uma das outras e se desenvolve independentemente. E o aprendizado é a aquisição de capacidades especializadas para pensar sobre várias coisas. Na aprendizagem cria uma Zona de Desenvolvimento Próxima, e esta produção de aprendizado, está a frente do desenvolvimento, passando o aprendizado por um momento interpsíquico e posteriormente num momento intra-psíquico que ocorre após a internalização, correspondendo ao nível de desenvolvimento.
A criança desde seu nascimento recebe informações dos adultos aprende a inter-relacionar estas informações desde os primeiros anos de vida. Esta aprendizagem impulsiona o desenvolvimento, não como um fator biológico natural, mas como um fator relacionado as formas sócio-históricas que a criança está inserida. O atraso da linguagem nas crianças surdas causa um atraso na aprendizagem e consequentemente no desenvolvimento. Este percurso segue um caminho diferente dos das crianças que passam pela aprendizagem formal, escolar, sem dificuldades lingüísticas.
As brincadeiras, como todas as atividades da criança, são influenciadas pelo meio exterior. Esta atividade antecede a fala, e no decorrer do desenvolvimento essa situação se inverte, passando a fala a organizar e planejar a brincadeira. Se trata de simbolizações que passam por internalizações. A manipulação dos objetos é a primeira forma de brincar do bebê, não sendo planejada. Neste estágio a criança surda não se difere da criança ouvinte, saciando seu desejo de lidar com objetos, além disso, gestos que corresponda ao real, e movimentos são imprescindíveis na reprodução da realidade. A participação da criança ouvinte nas conversas com e entre adultos criando informações e significações mais amplas sobre objetos é o que vai diferenciar este desenvolvimento. Na idade pré-escolar, há um processo de mudanças continuas onde o desenvolvimento psíquico da criança prepara o caminho para a transição da criança para outro grau de desenvolvimento, gerando uma nova forma de consciência no desenvolvimento das futuras atividades. A brincadeira passa a ser uma ação lúdica, que passa por uma operação de meios pelas qual a ação é realizada, a operação segue a necessidades, e a imaginação surge.
A criança surda por sua dificuldade de generalizar e classificar, de estar sempre no tempo presente, neste estágio, em seu discurso interior, a dificuldade de comunicar, perceber relações, enfim de planejar a brincadeira, a deixam em desvantagem nesta atividade. A atividade de brincar, por não ser algo planejado, e sim o objetivo em si mesmo, não se torna uma ação, por não constituir de uma operação e de planejamentos, segundo analise de Leontiev. A criança brinca, mas de uma forma diferente.
Esta desvantagem da criança surda os deixa impulsivos e agitados, porque eles não conseguem entender o contexto e se adequar a ele.

Surdez
Segundo Vygotsky, a surdez é a deficiência que causa maiores danos para o individuo, devido a utilização da linguagem que permite o salto do sensorial para o racional, impossibilitando a criança de adquiri-la espontaneamente. No entanto, se recorrermos a historia, Luria lembra que no inicio do desenvolvimento da espécie humana, a comunicação era feita por gestos, e com a evolução o sistema fonador passou a ser utilizado para a comunicação. Diversos autores afirmam que a s mãos podem executar com perfeição o mesmo papel que o sistema fonador, através da língua de sinais. O problema do surdo não é orgânico e sim decorrente de questões socio0culturais e a educação dessas crianças deve ter como objetivo a minimização dos danos causados pelo de atraso da linguagem. A surdez não precisa ser considerada uma deficiência que incapacita o indivíduo. A discriminação e a marginalização ocorrem devido as características culturais de nossa sociedade que podem ser modificadas com o crescimento qualitativo da comunidade surda aliada a uma visão da maioria ouvinte.
Segundo Vygotsky, o método oral, predominante nas décadas de vinte e trinta, era o que mais se contradiz a natureza do surdo, mas nenhum outro método está em condições de devolver o surdo a sociedade humana, como pode fazer o método oral. Ele acredita que a criança surda deve adquirir a linguagem da mesma forma que as crianças ouvintes, valorizando a educação pré-escolar e um ambiente propício a estimulação da língua oral que incorpore a criança surda a comunidade ouvinte. O autor propõe uma reformulação deste método, destacando a mímica (língua de sinais) e a escrita, e diferentes formas de linguagem como a melhor alternativa de desenvolvimento da linguagem das crianças surdas. Opondo-se ao oralismo, ele foi um dos primeiros autores a considerar a língua de sinais um sistema específico. E a favor de utilizá-la na educação, sugerindo que a educação ideal pra a criança surda deve ser baseada na poliglossiaótica (uso de diferentes formas de linguagem). Em 1938, quatro anos após a morte de Vygotsky, a União Soviética mudou a filosofia educacional do oralismo e passou a utilizar o alfabeto manual e a língua de sinais russa como auxiliares na educação e na vida dos surdos. Em 1991, a Rússia iniciou o projeto de educação bilíngüe, que é o método que trabalham atualmente.

CAPÍTULO 4 – ANÁLISE CRÍTICA DAS FILOSOFIAS EDUCACIONAIS PARA SURDOS
A análise critica na aquisição da linguagem e desenvolvimento cognitivo, sob o enfoque sócio-interacionista, não é muito comum no estudo da surdez, mas é importante perceber certos aspectos, do desenvolvimento da criança surda, ignoradas ou não percebidas em outros enfoques teóricos.

O Oralismo
A filosofia oralista integra o surdo a comunidade gera, ensinando a este a língua oral de seu país. A criança surda por não ter condições de adquirir esta língua oral apenas através do diálogo ela necessita de terapia fonoaudiológica para a estimulação da língua oral., além disso o estimulo em casa, com a família é sempre preciso pra que haja a compreensão do que é dito. Esta língua será sempre a língua artificial para a criança surda. O aprendizado da língua oral não garante o pleno desenvolvimento da criança e nem a sua integração com a comunidade ouvinte.
O processo de aprendizagem da língua é diferente da internalização da língua por uma criança ouvinte que através deste processo desenvolve o pensamento e a cognição. A criança surda não tem condições de adquirir através do ensino forma, conceitos científicos e espontâneos de maior nível de generalização, e o Oralismo parece ignorar estas dificuldades e continua se fixando exclusivamente na necessidade da criança surda oralizar. A falam para os oralistas só pode ocorrer através da oralização, não significando a linguagem em ação. O ensino de regras gramaticais está aquém das necessidades da criança surda, este não considera os aspectos cognitivos determinados pela linguagem e pela cultura, provavelmente o surdo sofrerá dificuldades em poder falar o português, e terá problemas cognitivos, sociais e emocionais não se integrando a comunidade ouvinte mesmo que consiga oralizar. A qualidade da fala e linguagem se restringe a quantidade de vocabulário. É desconsiderado também critérios apontados por Vygotsky e Bakhtin do desenvolvimento infantil, côo a generalização das palavras e a utilização da linguagem no desenvolvimento cognitivo através das falas egocêntricas e interior.
Para Kelman, a criança surda que não possuem em língua alguma utiliza os recursos semióticos que dominam para pensar, demonstrando uma linguagem egocêntrica. Este tipo de pesquisa não causa interesse dos oralistas, pois não acreditam que a teoria inatista de aquisição da linguagem possua um papel determinante na formação do pensamento, não valorizando o processo de formação do pensamento lingüístico, já que a linguagem é considera a externalização do pensamento preexistente.
A língua materna pé aquela que traz significações para a criança para que ela forme sua consciência não sendo adquirida formalmente, mas sim através de relações interpessoais, num processo continuo.
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc.
O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc. O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados.
No Brasil, no período oralista as crianças cursava obrigatoriamente dois anos ara cada serie escolar quando não havia repetência, sem a língua em comum o professor e aluno não havia como transmitir o conteúdo escolar, o que levava a uma baixa de qualidade e demora na escolarização. Ela pode até oralizar e fazer a leitura labial, mas o desenvolvimento em brincadeiras, abstração, dedução, auto-analise, atenção voluntária, memória adiada, escolarização e a participação ativa e interativa da vida social percebe-se uma limitação. Oralizados, ou não, percebe-se a necessidade de conviver com outros surdos, de falar de assuntos pertinentes a sua realizada e pra isso a extrema importância para que a LIBRAS seja oferecida a crianças surdas desde pequenas.

Comunicação Total
Positivamente a comunicação Total ampliou a visão de surdo e surdez, deslocando a problemática da oralização, e ajudando no processo em prol da utilização de códigos espaço-visuais, mas por outro lado, desvalorizou a língua de sinais, propiciando o surgimento de diversos códigos que não põem ser utilizados em substituição a língua. O foco agora da aprendizagem da língua não é mais a língua oral, mas sim a comunicação propriamente dita. A noção de contexto comunicativo é primordial para o desenvolvimento infantil e o uso a linguagem na constituição do pensamento através do diálogo contextualizado e espontâneo.
Na comunicação total, a criação de códigos visuais acompanha a fala oral do adulto ouvinte possibilitando a maior compreensão à criança. Esses códigos podem se a língua artificial, o português sinalizado, os sinais representam fonemas, letras ou gestos espontâneos que não caracterizam a língua, com a pretensão de garantir uma relação dialógica entre criança surda, adultos ouvintes e a sociedade em geral.
Alguns autores criticam como Ramos considera o código de visuais usado com a oralização na comunicação total, apenas como um facilitador da aprendizagem da língua, mas que ele não permitem uma comunicação mais complexa e não serve de instrumento de internalização de uma cultura. Já a língua sinalizada, que são as línguas artificiais criadas da língua oral, a situação é diferente. A Comunicação Total valoriza a criação desta língua, já que, ao contrário da língua de sinais, ela pode acompanhar a língua oral, possuindo a maioria dos elementos constitutivos da língua, mas não possuem o elemento “produto cultural”, já que é não é criada por uma comunidade falante, desvalorizando a característica histórica e cultural das línguas de sinais. A criança consegue expressar o que deseja, mas não consegue receber o que o adulto quer informar.
Para Bakhtin, a LIBRAS sim, carrega características marcadas pela história dos surdos e sua cultura e através desta que o individuo constitui sua consciência.
Ramos relata que a partir de 1960, devido a insatisfação dos surdos com a educação que recebiam começou uma mudança significativa em diversos pais em direção aos sinais. Da década de sessenta a década de oitenta era comum a língua sinalizada e a criação de códigos visuais, a partir de oitenta e noventa, vários paises começaram a perceber a importância da língua de sinais. No Brasil, o português sinalizado foi criado a partir de uma fusão entre o português e a LIBRAS e não chegou a ser difundido, mas sim o que acabou levando nome de português sinalizado pode ser considerado um pidgin.

Bilingüismo
O bilingüismo divulga e estimula à utilização de uma língua que pode ser adquirida espontaneamente pelos surdos, a língua de sinais, bem como sua cultura. Ela se originou da insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais e a mobilização de comunidades em prol do uso desta língua.
No Brasil, o Bilingüismo começou a ser estudado a partir da década de 80 e implantando em escolas e clinicas na década de noventa.
Esta filosofia refere-se as questões das língua e sinais , utiliza a teoria inatista e fundamenta-sena teoria sócio-interacionista. O INES que atende em torno de oitocentas crianças e adolescentes surdos, ainda que com a filosofia educacional oficial o Oralismo, não proíbe mais a língua e ela é estimulada pelos profissionais e seguindo uma tendência mundial, será oficialmente uma escola bilíngüe. O importante desta filosofia é sua relação com o desenvolvimento da criança surda. Esta língua é a única que pode ser adquirida espontaneamente em suas relações social, nos diálogos, adquirindo da mesma força e velocidade que a criança ouvinte adquire a língua oral, não sofrendo nenhum dano cognitivo ou emocional decorrente do atraso da linguagem.
A comunidade surda com suas característica próprias por ser um grupo minoritário exposto a sociedade maior que é a ouvinte que possui cultura e língua própria, passam a se engajarem e participarem das duas culturas, no biculturalismo. Este sujeito age e pensa como um sujeito bicultural, compreendendo o mundo e a si próprio a partir de uma mistura dos recortes do mundo que essas duas culturas fazem. A língua de sinal é adquirida mais rapidamente que língua oral, e o sistema conceitual da criança formado de início através das LIBRAS. O ideal é a criança receber os dois sistemas conceituais, a de sinais e a oral, não criando sinônimos entre as duas línguas.
Provavelmente a língua de sinais será a língua que mais utilizada na construção da fala interior e na função planejadora.
Mas, no Brasil, a prática não foi alcançada devido ao Oralismo que proibiu a utilização desta bilíngüe nas escolas. Atualmente há uma retomada em sua busca que esbarra em problemas políticos e econômicos.
Em suma, percebe-se que a LIBRAS pode e deve resolver dificuldades côo o desenvolvimento das funções mentais superiores que necessitam da linguagem como mediadora, como a memória mediada, atenção voluntária, analise e síntese, abstração, dedução, auto-análise e outros.
Assim, para a autora, a melhor solução para a criança surda é o bilingüismo e o biculturalismo. O respeito as diferenças, a procura de uma melhor4 integração, as línguas oral e de sinais trabalhando sempre juntas, uma vez que a língua oral se torna mais simples após o domínio de funções comunicativas e cognitivas da linguagem garante também a integração na comunidade ouvinte.

Capítulo 5 - Descrição de caso
Neste capítulo a autora faz uma análise sobre o desenvolvimento cognitivo e da aquisição de uma criança surda inserida sua família, escola e clinica fonoaudiológica, em contato com as pessoas que convive. Trata de uma família composta pelos pais, uma criança surda, Gustavo, e seus dois irmãos gêmeos onde um tem uma surdez e problemas de comportamento, Jorge e André que é ouvinte. Na época eles tinham cinco anos e meio.
A surdez de Gustavo e Jorge foram percebidas por sua mãe aos oito meses de idade e aos dez meses foi confirmada pelo médico, diagnosticado como surdez neurossensorial bilateral profunda. Começaram a usar o aparelho com um ano de idade e iniciaram o tratamento fonoaudiológico com uma profissional da linha oralista. Aos um ano e três meses a terapia era feira numa escola especializada . Aos dois anos passara para uma terapia particular com atendimento em grupo na filosofia bilíngüe.
Jorge aos dois anos e meio começou a apresentar distúrbios de comportamento e passou a ser também atendido por um psicólogo parou o atendimento fonoaudiológico e as aulas de línguas de sinais,. Apenas aos cinco anos recomeçou as aulas de LIBRAS.
André, o irmão ouvinte começou a aprender línguas de sinais aos dois anos em conjunto com as crianças da clinica, juntamente com a família e amigos que freqüentam a casa dos avós.
Na pré-escola, matriculados num regime regular que recebia varias crianças surdas adotava a comunicação total. Em 1992, a escola fechou e Gustavo e Jorge passaram para uma escola onde são os únicos surdos. Nesta escola os profissionais e as outras crianças se comunicavam com eles com bastantes gestos espontâneos e mímicos.
Foi opção dos pais a educação bilíngüe e a Língua de sinais. Os pais trabalhavam durante todo o dia. A mãe fica de final de semana com os filhos. E o pai sai os finais de semana para estudar. As crianças têm pessoas importantes no seu convívio como a baba, alguns parentes próximos adultos e uns primos crianças..
Na gravação do convívio das crianças foi analisada a rotina e feito um paralelo das relações dialógicas no desenvolvimento das mesmas.
Com Gustavo as pessoas interagem utilizando LIBRAS, o português a misturas das línguas e ainda outros códigos como a mímica. Nenhum dos ouvintes domina plenamente a LIBRAS, concluindo que orientação bilíngüe não é utilizada concomitante com a língua de sinais e a língua oral.
Em casa, há dificuldade de comunicação com todos, os assuntos que ele compreende é o aqui e agora. Nas refeições, apenas há comunicação no pedido de comida ou bebida, não há uma atenção para que ele esteja na conversa, ele se distrai com objetos na mesa, o que conclui-se que há uma fala egocêntrica. Com o irmão ouvinte André, eles brincam lado a lado, assistem televisão, mas com uma ausência de comunicação, percebe-se que ambos têm falas egocêntricas, Gustavo utilização vocalização e onomatopéias. As falas egocêntricas parecem restritas há então o indicativo que não há internalização Quando há outras crianças ouvintes na casa, André só se dirige as outras crianças e não a seu irmão. Enfim, nos eventos que precisam e ex0licação não há estimulação em casa com Gustavo. Nem seu irmão André se sente estimulado a conversar com seu irmão, talvez por ele não dominarem uma língua em comum, ou por repetir a reação dos adultos da casa.
Na escola, os professores demonstram dificuldades pra se relacionar com Gustavo e ele de compreender. Na clinica com outras crianças surdas há uma farta interação com gestos espontâneos que não são compreendidos por intérpretes e não se é possível saber se elas conversaram, elas demonstram bastantes desejo de comunicar e de brincarem juntas. Nas aulas de LIBRAS há muita participação dessas crianças, mas com poucos situaçõe4s de diálogos espontâneos, em alguns momentos percebe a dificuldade das crianças em compreende o professor.
As brincadeiras em conjunto, as regras, as dramatizações, o ato de planejar, dividir papeis são de difícil participação de Gustavo, que demonstra dificuldade de participar de4stas atividades, se isolando de seu irmão ou de outros colegas.
Gustavo não consegue centrar a atenção em períodos longos na escola, provavelmente pela falta de compreensão das atividades e consequentemente a falta de interesse. Concentrar em detalhes, seqüências, recontar historias, utilizar a memória, conceitos abstratos de tempos passados e futuro, memorização, mesmo em atividades não lingüísticas, onde a linguagem interior está presente, e portanto há uma organização verbal, abstrair e generalizar, são outras atividades que Gustavo demonstrou-se em desvantagem.
Essa desvantagem é causada pela falta de estímulos lingüísticos que recebeu. É preciso que a família de Gustavo e de outras crianças surdas tenha consciência da necessidade de estimular, dar informações para que se desenvolvam. A linguagem, a comunicação, a consciência de esclarecer todas as situações da qual a criança está inserida são fundamentais pra o desenvolvimento de internalização de conceitos, da constituição do individuo, de utilização da língua para pensar, enfim, da criança ter condições de generalizar, abstrair, memorizar, ter atenção, aprender e se desenvolver cognitiva, emocional e socialmente.
Conclusão
O homem se diferencia dos outros animais devido à linguagem e as possibilidades de a cada nova geração surjam novas idéias, invenções e descobertas.
Cada comunidade guarda em sua língua, a memória, o passado e a língua é tão importantes para um povo e pra o individuo pra orientar o seu pensamento e formar sua consciência.
Os surdos e suas comunidades foram proibidos de utiliza suas línguas e dividirem as suas idéias. Essa proibição causou a queda da escolarização e da qualidade do emprego dos surdos em todo o mundo. O Oralismo e a Comunicação Total apareceram como formas artificiais de inseri-los na sociedade.O bilingüismo que parte do dialogo e por possibilita a internalização da linguagem e do desenvolvimento das funções mentais superiores e o uso das Libras, somada a estimulação em participação de todos os momentos interativos, propicia a proximidade entre as crianças surdas e seus pais ouvintes.
Percebe-se a necessidade de grandes mudanças na visão da surdez, da criança surda, por parte dos profissionais, família e meios social que está inserido. Além da consciência das conseqüências da surdez, da dificuldade auditiva, e de desenvolvimento das funções mentais decorrentes desta deficiência. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Publicado em 1967, é o mais famoso volume de Antônio Callado. Guarda o clima de sua época e reconstrói a história de Nando, padre de Pernambuco que nutre o sonho de reconstituir as missões jesuíticas, mas não se anima a sair de seu mosteiro. Conhece Francisca e o noivo Levindo, dois jovens revolucionários, que participam das Ligas Camponesas. Nando apaixona-se platonicamente por Francisca, mas é introduzido na vida sexual pela inglesa Winifred. O padre, agora sem os medos que o abalavam, parte rumo ao Xingu. De passagem pelo Rio, conhece pessoas ligadas ao Serviço de Proteção aos Índios. Ramiro é o chefe e apaixonado por Vanda, a sobrinha, que é amante de Falua. Há ainda o bem-intencionado Fontoura, que tenta preservar a cultura indígena destruída pelos avanços da civilização. O grupo parte para o Xingu, em época de conturbação política causada pelo atentado a Lacerda e os últimos momentos do governo de Getúlio Vargas, chefe político esperado para a inauguração do Parque do Xingu. Enquanto os índios preparavam a grande festa dos mortos, o quarup, recebem a notícia do suicídio de Vargas. Passam-se os anos, e os membros do grupo se reencontram no Xingu, menos Sônia, que havia fugido com um belo índio. Junta-se ao grupo Francisca, cujo noivo fora assassinado pela polícia. Nando torna-se amante de Francisca, consumando-se a relação amorosa anteriormente platônica. Partem todos em expedição ao centro geográfico do Brasil, atingindo-o somente depois de muitas privações. Nando renuncia ao sacerdócio e passa a trabalhar com a alfabetização de camponeses, cujo movimento ganha força no governo de Miguel Arraes. Os principais momentos da política estão presentes, desde a queda de Goulart até a instauração da ditadura militar e a repressão aos militantes de esquerda. Nando vai preso e, ao ser colocado em liberdade, sabe da partida de Francisca para a Europa. Instala- se em uma casa de praia, empreendendo uma nova cruzada, a cruzada do amor, difundindo aquilo que aprendera com a antiga amante. Em um quarup, em homenagem ao aniversário de morte de Levindo, é apanhado pela polícia e espancado quase até a morte. Recebe socorro de alguns companheiros, dentre eles Manuel Tropeiro, com quem decide partir para o sertão e empreender uma nova jornada de luta. Nando está pronto para encontrar o seu momento de glória. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Gente de estimação (1986) - Editora Ática

Neste trabalho, há duas intenções a destacar. A primeira foi a decisão de criar um foco narrativo tradicional, linear, onisciente ao extremo, pois ele informa sobre o passado das personagens, sobre suas intenções e até sobre fatos sobrenaturais. Ao narrar uma história de modo tão tradicional, eu pretendi afastar qualquer distração formal do leitor, de modo a fazer com que ele se preocupasse apenas em meditar sobre o conteúdo central do livro. Nesse ponto, entra a segunda intenção. O texto está quase que totalmente metrificado de acordo com a música da nossa língua, de modo que a leitura possa fluir suavemente, ainda com o intuito de não distrair o leitor do tema central.

Gente de estimação, Feiurinha e O poeta e o cavaleiro foram escritos um após o outro, em 1984, sendo que suas diferentes formas e focos narrativos estavam planejados de antemão, quase como se eu quisesse compará-los depois e descobrir qual a melhor forma de narrar uma história para jovens. Parece que, pela aceitação comercial e de crítica, Feiurinha ganhou longe ... veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Uma cruz de ouro , relíquia de família desde o século XIII, é roubada aos Mendonças, recaindo a culpa sobre um deles, o jovem Lauro, que abandona os seus e desaparece, amaldiçoado pela avó. Sua prima Honorina, anos depois , é cortejada misteriosamente, através de bilhetes, por um desconhecido - que assume os mais estranhos disfarces, intervém, nos mais vários acontecimentos, está em toda parte, sabe tudo, como convém aos heróis folhetinescos. Ele é o Moço Loiro, que acaba por salvar o pai da moça da ruína ( a que o ia levando o empregado infiel , o verdadeiro ladrão da jóia) , além de punir os maus, amparar os bons , etc. No final, o óbvio fica evidente: ele é Lauro e casa com a priminha, deixando em conformada melancolia a maior amiga desta, Raquel, que , para variar, também o amava em segredo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Conta uma história de amor, magia e vingança: D. Inigo Lopes, após 12 anos longe (onde dizem aprendeu magia), volta para vingar-se de uma briga entre famílias que está acabando com um casamento. Ele enfeitiça a jovem Ausenda e quando seu noivo D. Moço o mata e quebra o feitiço, ela morre também. D. Moço passa a vida triste e se une com ela depois de morto, onde o espírito do vingativo D. Inigo ainda tenta separá-los, sem sucesso. A história é toda contada como que por um frade. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Fogo Morto (1943) é a obra-prima de José Lins do Rego. Como romance de feição realista, esse livro procura penetrar a superfície das coisas e revelar o processo de mudanças sociais por que passa o Nordeste brasileiro, num largo período que vai desde o Segundo Reinado, incluindo a Revolução Praieira e a Abolição, até as primeiras décadas do século XX. O tema central de Fogo Morto é o desajuste das pessoas com a realidade resultante do declínio do escravismo nos engenhos nordestinos, nas primeiras décadas do século XX. O romance conta a história de um poderoso engenho, o Santa Fé, desde sua fundação até o declínio, quando se transforma em "fogo morto", expressão com que, no Nordeste, designam-se os engenhos inativos. Retomando o espírito de observação realista, o autor produz um minucioso levantamento da vida social e psicológica dos engenhos da Paraíba. Em virtude do apego ao cotidiano da região, Fogo Morto apresenta não apenas valor estético, mas também interesse documental. Fogo Morto não se esgota na classificação de romance regionalista, embora essa seja uma noção correta. Há outros componentes importantes na obra, a partir dos quais se pode enquadrá-la numa tipologia consagrada. Talvez o mais ilustre antecedente de Fogo Morto na literatura brasileira seja O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo.

Em que sentido? No sentido de tomar uma personagem coletiva como objeto de análise. Assim como Aluísio investiga o nascimento, vida e morte de um cortiço do Rio de Janeiro, José Lins penetra no surgimento, plenitude e declínio do Engenho Santa Fé, localizado na zona da mata da Paraíba. Com efeito, o engenho parece possuir vida própria, embora suas células sejam as pessoas que o formam. Como análise quer dizer decomposição, o autor decompõe as pessoas como forma de expor a constituição do todo. Por essa perspectiva, Fogo Morto tanto pode ser entendido como um romance social quanto psicológico. Em rigor, uma categoria não existe sem a outra. O livro é forte em ambas as dimensões. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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