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HERNANDEZ, Fernando.Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho
Porto Alegre. Artmed, 1998.

O autor enfoque A aprendizagem
A transgressão enfoca aqui é o salário e o reconhecimento social do professor.
A primeira proposta é a psicologia instrucional que vê a mente como computador e não como instrumento de capacidade de dar sentido à realidade, de interpretá-la e transformá-la.
A segunda transgressão é a visão de aprendizagem vinculada no desenvolvimento. Construtivismo não é adequado a esta metodologia, mas acredita em significar a instituição social que é a escola. O construtivismo não é trocas simbólicas nas salas de aulas sobre os valores que o professor promove ou exclui construção de identidade. Os fatores não podem ser reduzidos a visão psicológica e o conhecimento cientifico vistos com entidades compactas.
A terceira transgressão é a visão do currículo escolar centrada nas disciplinas fragmentadas e afastada das realidades sociais dos alunos, e manter a função de controle por parte de julgarem serem educadores especiais.
A quarta transgressão é dirigir-se a escola marcada por idéia de que o objetivo da infância é chegar a vida adulta ou passar no vestibular é o objetivo básico da educação.
A quinta transgressão é a perda da autonomia no discurso dos docentes, desvalorização do conhecimento e a incapacidade escolar.

O autor divide em e capítulos essas transgressões.

Capítulo I – Um Mapa Para Iniciar Um Percurso

A construção da realidade: o todo é mais do que a soma das partes de um único ponto de vista, desta forma deve-se levar em conta a dupla perspectiva: a organização escolar e as concepções do ensino aprendizagem.
A escola promove a descontextualização do discurso cientifico e sua fonte de origem e converte no discurso de regulador e simplificado – discurso instrucional, produz a irrelevância da organização curricular. Um currículo de subjetividade e habilidade de interpretação de interpretar o mundo subordinado ao conteúdo descontextualizado.
Defende as experiências como projeto de trabalho. Um projeto que implioca na colaboração e exploração de alternativas de dar formas às idéias que estão no horizonte.
A noção e a prática da globalização situadas em três eixos:
-como forma de sabedoria;
-como referências epistemológica e operacional;
-como concepção do currículo, desenvolvendo estratégias.

Capítulo II – A Transdisciplinaridade Como Marco Para A Organização De Um Currículo Integrado.

A transdisciplinaridade como marco de um currículo integrado. Este questiona “verdade sagrada” da organização do ensino que parte das disciplinas ou da transformação de conhecimento por meio de didáticas.
O primeiro protesto está no currículo da Escola Média em se basear nas disciplinas e na transmissão de conteúdos sem se preocupar com a construção da subjetividade dos estudantes e a interpretação das estratégias de informações e no desenvolver das pesquisas.
A pós-modernidade obriga a diversidade de pensamentos da vida social e pessoal. Tendo de ser vista como condição social e com expressões radicais de transformações históricas. Eis algumas características de pós modernidade:
-a sociedade globalizada com desregulamentação de economia de mercado;
-as opções políticas e econômicas são homogeneizadas;
-os valores e símbolos culturais são transnacionalizados devido a mundialização dos meios de comunicação;
-as transformações no emprego;
-o volume da produção de informação cresce em progressão geométrica;
-a primazia da tecnologia como fator dominante de evolução humana.
Já o trabalho opõe a essa idéia de Escola Nova e ao interesse do aluno no trabalho escolar-ensinar-conectá-lo com o mundo externo e para elaborar esse projeto de trabalho, há a necessidade de:
-conhecimento psicopedagógico destacando os saberes e as experiências;
-temas e estudos relacionados com a construção da subjetividade e transformações da suicidai e da natureza;
-o papel do diálogo pedagógico – pesquisa/crítica na aprendizagem;
-busca para educação, compreensão, atitude globalizada.
Devendo incorporar as indignações tornando as públicas e compartilhadas com o grupo. Formando mais corrente critica de indagação, compreensão-transformação da realidade escolar e social.
Essa compreensão de educação deve relacionar a vida dos alunos/professores e de interesse, mas sem confundir a trasdição, mas permitir a concepção de estratégias de conhecimentos que permitem ir além, são códigos estabelecidos de bagagem cultural dentro do grupo social.
A cultura tem função de refazer o mundo e ensinar o aluno a interpretar o significado das diferentes culturas e nos diversos tempos históricos, abrindo as portas para duas compreensões da realidade. Sendo colocado dentro de um relativismo que vacine contra o fundamentalismo como proposta de resolver todos os problemas.
A escola geradora de cultura não é só aprendizagem, mas o desafio de questionar a forma de pensar e induzir a verdade absoluta, reconhecer diferentes concepções incorporar uma visão critica que questione a quem beneficia e quem marginaliza, visão dos fatos, opiniões diferenciada e colocar as perspectiva certo relativismo.
Essa situação estabelece os desafios e a escola responde por selecionar critérios de avaliação, decidir o aprender, como e para quê, ao internacionalismo e a valores de solidariedade e tolerância, saber interpretar opções ideológicas do mundo. A proposta educativa vinculam aos projetos do trabalho, sendo a compreender/responder a situação mudança.

Reflexão Sobre o Limite das Disciplinas

A transdisciplinaridade – caracteriza fenômeno, pesquisa e requer formulação de terminologia e metodologia compartilhada – disciplinas e tradições de campo de estudo de maneira fechada. Ela acompanha interpretação recíproca das teorias do conhecimento (epistemologia) de cada disciplina. A diferença entre pesquisa pura aplicada e universidades/indústrias. Atenção voltada para o alvo do objeto de estudo, valorizando a colaboração da atuação individual.
Estabelecer paralelismo – planejamento transdisciplinar, pesquisa e o ensino de interpretação do currículo integrado. Ensinar a relacionar conceitos de forma compartimentada: centro de discussões. O currículo integrado organiza os conhecimentos escolares e a partir de temas-problemas que permitem explorar o campo do saber fora da escola ensinar aos alunos estratégias de investigações e interpretações da informaçaão, permitindo explorar temas de forma autônoma.
A opção currículo integrado a critica do tradicional currículo acadêmico. Os argumentos são:
-a integração de várias matérias;
-a limitação dos professores ao ensinar e o currículo integrado;
-o tempo dedicado no ensino integrado e centrado;
-é necessária a dedicação dos professores;
-as disciplinas armazenam o conhecimento útil, arcam as linhas, geram novo conhecimento e produzem o intercâmbio entre debates-idéias.
Os defensores do currículo integrado dizem que há uma eficácia em relação ao tempo e ao estímulo dos professor e os estudantes em evitar a repetição de termos e conceitos freqüentes a vida escolar e a falta de coordenação dos professore, mas fazer o intercambio para repercutir a qualidade do ensino.
O objetivo do currículo integrado não é favorecer conteúdo, mas interpretar os conhecimentos através das experiências. “Só se interpreta quando se entende o produto como portador de um conteúdo, como objeto gerado por alguém em determinadas circunstâncias, com a intenção de manifestar algo.” ; e que o objetivo dela é interpretar e buscar vestígios da existência de um fenômeno para os objetos e fatos, isto é, significa interessar-se para diferentes versões dos fenômenos.
Mostraremos assim a diferença entre currículo disciplinar e transdisciplinar.

Disciplina-centrado nas matérias;
Transdisciplinar-problemas transdisciplinares;

-conceitos disciplinares;
-metas curriculares;
-conhecimento canônico;
-lições;
-estudo individual;
-livros-textos;
-centrado na escola;
-professor como especialista. -temas ou problemas;
-perguntas, pesquisa;
-conhecimento construído;
-projetos;
-projetos em grupo;
-fontes diversas;
-centrado no mundo real;
-professor como facilitador.
Efland oferece alternativa para o currículo transdisciplinar que é a idéia-chave que vai além da disciplina e com a coordenação do professor, este projeto pode vincular ao currículo básico existente no país.

Capítulo III – Os Projetos de Trabalho e a Necessidade de Mudança na Educação e na Função da Escola

Os projetos de trabalho enfoca o ensino vinculado as mudanças sociais que situa a concepção e a prática da educação como meio de organizar a gestão do espaço e de tempo entre docentes/alunos sobre o discurso do saber escolar.
A isso se deve a mudanças da realidade vivida em relação a quantidade fazendo a Escola uma redescoberta sobre os conteúdos do saber.
Devido às informações não se restringir apenas nos livros-textos e sim aprender a selecionar e pesquisar e relacionar com outras práticas.
As diferenças no contexto entre a Independência e culturas em desenvolvimento tecnológico na qual as fontes de informação são múltiplas em relação a psicopedagógica ao saber social e a função social da escola.
Eis alguns significados dos projetos em diferentes épocas.
Nos anos 20 os métodos de projetos eram:
-aproximar a escola da vida cotidiana;
-os alunos não deveria sentir diferença entre vida externa e interna da escola;
-sendo viável para o meio de uma Nova Escola e
-contrária a fragmentação de matérias.
Isso dava idéia denominada “ocupações construtivas” de formuladas para o método de projeto, assim:
-o interesse do aluno não basta, se o objetivo não ter definição;
-a atividade deve ter valor intrínseco;
-a atividade deve despertar curiosidade e criar a demanda pra informações novas.
Isso era o contrário de uma escola compartimentada e oprimida pra multiplicação das matéria e a base autoritária.
Na Segunda Guerra Mundial, a racionalidade tecnológica se configura na Ideologia dominante no Ocidente, favorecendo o êxito de condutismo e psicometria fazendo com que as iniciativas co gelassem no imaginário. Que acabam voltando quando se percebe que as promessas da visão tecnológica não se cumprem.
Nos anos 60 há um fluxo de interesses por projetos chamados de trabalho por temas. Então a expansão econômica e os conflitos sociais dão ênfase as idéias de Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência e o papel da aprendizagem dos conceitos. Brunner sugere que o ensino deveria centrar no desenvolvimento de conceitos-chaves das estruturas das disciplinas, criando a idéia de currículo em Espiral em que o aluno tenha contato com a idéia-chave de forma primitiva e complexa.
A crítica ao método de idéias-chaves não representada de forma simples para que os alunos aprendam e compreendam sem base organizada de conhecimento. Essa idéia leva a confundir aprendizagem com desenvolvimento de conteúdos.
Já nos anos 80, o auge está no construtivismo e os projetos de trabalho, que contribuem para a aquisição de capacidade relacionada em auto direção, a criatividade , a formulação e resolução do problema, a tomada de decisões e a comunicação interpessoal.
O enfoque está no objetivo de estabelecer interferências e transferências entre os conhecimentos de problemas-situações (Prawat). As idéias-chaves são fundamentais a uma situação de aprendizagem. E que o papel do professor passa ser o intérprete facilitar. Os projetos não devem ser comparados com “métodos” por não serem aplicados com regras e não havendo seqüências únicas, pois os projetos não são lineares, nem previsíveis, chocando se com a idéia de ensinar o fácil para o difícil. O projeto de trabalho é comum com as estratégias e ensino e que todos vão ale dos limites curriculares e implicam nas atividades práticas e de pesquisa individuais ou e grupos, são características de uma proposta da Nova Escola, vinculada a Dewey, a importância da aprendizagem conceitual e a Brunner, uma proposta de currículo Espiral e idéias-chaves.
O sentido é tema de negociação onde se parte de um processo de pesquisa, selecionam as fontes, estabelecem critérios e ordenação, recolhem as dúvidas e elabore o processo de conhecimento, recapitulando o aprendido e conecta com o novo tema, não se fixando no percurso, mas que seja um fio condutor da atuação do docente dessa forma:
-por um tema-problema-de análise de interpretação crítica;
-com predomínio de atitude de cooperação professor/aluno;
-que estabelece conexões entre o fenômeno e questionamento;
-em que cada projeto é singular;
-em que há diferentes formas de aprender o que quer ensinar;
-com aproximação atualizada dos problemas disciplinares;
-e que todos alunos podem aprender num determinado lugar;
--e que a aprendizagem é vinculada a prática.
Indo por esse caminho, observamos que se parece com um projeto mas não é: um percurso descritivo e linear sem problematização; professor protagonista do saber, apresenta matérias escolares, conversão de matérias de estudo do gosto do aluno. os projetos apontam porá forma de basear do conhecimento escolar na aprendizagem, para desenvolver estratégias de indagação interpretação e apresentação do processo em sua complexidade favorecer o conhecimento do mundo.

Capítulo IV – A Avaliação Como Parte Do Processo Dos Projetos De Trabalho

A finalidade da educação era proporcionar uma retrospectiva sobre a aprendizagem do aluno, antes do início de nova série ou para conceder a qualificação.
Podemos distinguir três fases no processo de avaliação:
1- avaliação inicial – detecta conhecimentos sobre o tema, recolhe evidencia da forma de aprendizado, erros e pré-concepções dos alunos.
2- Avaliação formativa – o progresso do aluno e pra o professor é a tarefa de ajuste constante entre o ensino-aprendizagem;
3- Avaliação recapitulativa – processo de síntese do tema. Este é o momento de reconhecimento em que estudantes alcançam os resultados e adquiram as destrezas e as habilidades.
E o que se pretende é que a avaliação estimule a capacidade de pesquisa e que os alunos aplicam em situações reais os conhecimentos adquiridos e respondam em carater produtivo. Mais que medir, avaliar, entender e interpretar.
É necessário que os professores abram as frentes de análise:
-conceitual para avaliar resultados não previstos;
-investigadora; para levantar evidencias do processo e dos resultados;
-ético-político: para encontrar o caminho que vai da avaliação burocrática á democracia.
Essa mudança de visão fez recordar as informações de interesse e transferi-la a memorização de formulas e a necessidade de encontrar estratégias para resolução do problema; a importância do resultado ao interesse no processo e na quantidade de informação em prol da capacidade de interpretá-la.
A avaliação vem se tornando a peça chave do ensino. O porta-fólio surge como modalidade de avaliação no campo da arte sendo possível selecionar e ordenar e refletir a trajetória de aprendizagem.
Fazendo dos seus alunos sentir aprendizagem institucional como algo próprio.
No porta-fólio se identifica as questões relacionado ao modo de alunos e professores refletirem sobre os objetivos de aprendizagem criando um processo de reflexão.

Capítulo V – Três Projetos De Trabalho Como Exemplos, Não Como Pauta A Seguir

Há varias opções de adaptação dos conteúdos educativos. Por exemplo:
- partir de temas que destacam e apresentam propostas de atividades;
-planejar a trajetória por tema, uma histórica com vários finais;
-apresentar a própria experiência de forma geral: avaliando, comparando, para enfocar e ordenar o resultado.
Antes, iremos tornar explicitas as concepções que se inter –relacionam por aprendizagens de produção ativa dos conhecimentos sociais e a bagagem do aprendiz.
O ensino é uma atividade de objetivos que facilitam o dialético das estruturas do conhecimento e a subjetividade/individual. A ordenação dos conteúdos é a definição da atuação que modificam a interação dialética da classe.

Capítulo VI – As Informações nos Servem Para Aprender e Nos Provocar Novas Interrogações

O mais relevante deste projeto é mostrar o desenvolvimento da criança, do interesse e a observação de como elas enfrentam o problema dentro de aprendizagem.
Quando o assunto foi interessante envolve todo o grupo. Assunto que se pode levar por meio de pesquisa, curiosidades, jornais, etc. a família deve-se envolver nesse coleta de informações abrindo assim a reflexão fazneo a histórica tomar outro rumos em geral. A criança segue um fio condutor (diálogo) envolvendo toda a classe.
Afinal o trabalho fará ter uma idéia-chave a ser desenvolvida.

Capítulo VII – Eu Aprendi O Que Queria dizer Um “Símbolo”

Envolve pó projeto El Greco que é a visita a uma exposição de obras, onde se discute sobre o autor, da obra o contexto de vida, fazendo surgir questões em relação ao autor a sua obra, a composição delas, a época, a sociedade, o século, etc.
Quando a exposição houve um questionamento entre alunos e monitores num jogo de perguntas e respostas gerando o significado dos símbolos. A primeira noção de símbolos é a transferência e o reforçamento da aprendizagem.E através da auto reflexão reconstrói e rememorizam e incorporam os elementos.

Capítulo VIII – Ter Saúde é Viver de Acordo com Nós Mesmos

O objetivo do professor é levar o aluno a aprender a elaborar o caminho e a porta-fólio é o meio que reflete na trajetória valorizando a diversidade.
Sempre partir de um tema chave para se desenvolver a pesquisa levando a indagar as diferentes opiniões e relacioná-las as mudanças e chegar a seu objetivo, e o aluno conscientizar e interpretar as informações recebidas. A conexão com os conteúdos do currículo escolar é a tarefa com o qual o professor finaliza sua participação no projeto.
A noção de globalização – a idéia de “aprender a estabelecer e interpretar relações e superar limites das disciplinas escolares” é um convite a não divisão de conhecimentos e o aprender constante dos docentes e um esforço dos alunos sem aprender globalizar sem confundir a idéia de totalidade, além de ter vinculado a economia tem como pensamento a visão do mundo. O ensino globalizado não deve ser confundido com educação que promove valores econômicos e aceita a supremacia do mercado sobre os cidadãos veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em Os Irmãos Karamazov, Dostoievski se pôs inteiro. Suas vivências – o período na Sibéria, o pai autoritário, a epilepsia, a morte de um filho – estão todas ali. Mas também está ali um vasto painel da Rússia, de suas variadas classes, de seus homens, mulheres e profetas, os bêbados, os carbonários, os criminosos. É como uma síntese de seus livros anteriores. Se a concepção religiosa de Dostoievski e sua prosa dramática pudessem ser separadas, essa habilidade de mergulhar em vozes interiores e traçar um amplo e complexo painel social não existiria. E Dostoievski não seria tão caro ao leitor sensível, muitas vezes na adolescência, que é tão tocado por sua intensidade moral, sem precisar adotar seu moralismo. Seu grande contemporâneo e rival, Tolstoi, para ele não ia além da descrição da realidade em seus detalhes, era um “historiador”; para Tolstoi, Dostoievski não conseguia olhar o mundo a distância, para então iluminar o detalhe. Como estuda George Steiner em seu Tolstoy or Dostoevsky – An Essay in Contrast, eles tinham religiões diferentes: o humanitarianismo de Tolstoi, sua utopia coletivista, era para Dostoievski equivalente à promessa de felicidade terrena, como a do Inquisidor; a ortodoxia masoquista de Dostoievski, sua crença no sofrimento redentor, era para Tolstoi uma fuga da paz e da razão. Em outra passagem conhecida de Os Irmãos Karamazov, o diálogo entre o Diabo e Ivan, o Diabo diz que pode dar a Ivan mais originalidade que um enredo de Tolstoi. Mas nós não precisamos escolher entre Tolstoi e Dostoievski. Apenas ver o que cada um tem de mais original. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em Busca de Curitiba Perdida é uma coletânea com 23 textos de Dalton Trevisan, que dão uma no-ção geral da obra deste autor que parece não aceitar a modernização da cidade. No conto Lamentações da Rua Ubaldino, ele recorda o passado da rua onde reside - "No Princípio Era o silêncio na Rua Ubaldino" - mas o barulho da atual "metrópole" incomoda o escritor - "o amplificador dos agudos desafinados de Gog e Magog" - que amaldiçoa o tempo presente: "mais fácil passar um camelo pelo fundo duma agulha/ do que entrar um guitarrista cenobita no reino de Deus." Em Curitiba Revisitada, Dalton pergunta: "uma das três melhores do mundo em qualidade de vida/ depois ou antes de Roma?", e segue cutucando a capital ecológica - "cinqüenta metros quadrados de verde por pessoa/ de que te servem/ se uma em duas vale por três chatos?" - até definir Curitiba: "falso produto de marketing político." Outro detalhe importante na obra do "Vampiro de Curitiba" é a utilização de personagens que vivem à margem da sociedade de consumo, sem perspectivas de ascensão social, praticamente presos a necessi-dades imediatas. "Ao utilizar sempre os mesmos João e Maria, o autor está fazendo uma crítica e ironizando a visão oficial da cidade, que não dá chance aos menos favorecidos". No conto Canção do Exílio, o autor-narrador diz que apesar de ter vivido, não quer morrer em Curitiba.

Ora, se alguém xinga tanto uma cidade, por que não vai viver em outro lugar? Dalton Trevisan, mesmo criticando, faz uma declaração de amor à cidade, às avessas. Considerado o maior contista da língua portuguesa de todos os tempos, Trevisan criou um estilo único de escrever, caracterizado por usar uma linguagem enxuta, que com poucas palavras consegue comunicar aquilo que deseja. Para ter uma idéia, basta ler um trecho de A Faca no Coração, quando ele define: "O amor é uma faca no coração. Cada dia se enterra mais fundo, que não deixe de sangrar." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Ao fazer com que cada terceto antecipe o som que irá ecoar duas vezes no terceto seguinte, a terza rima dá uma impressão de movimento ao poema. É como se ele iniciasse um processo que não poderia mais parar. Através do desenho abaixo pode-se ter uma visão mais clara do efeito dinâmico da poesia: Os três livros que formam a Divina Comédia são divididos em 33 cantos cada, com aproximadamente 40 a 50 tercetos, que terminam com um verso isolado no final. O Inferno possui um canto a mais que serve de introdução a todo o poema. No total são 100 cantos. Os lugares descritos por cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa 'estrelas'. Dante chamou a sua obra de Comédia. O adjetivo "Divina" foi acrescido pela primeira vez em uma edição de 1555. A Divina Comédia excerceu grande influência em poetas, músicos, pintores, cineastas e outros artistas nos últimos 700 anos. Desenhistas e pintores como Gustave Doré, Sandro Botticelli, Salvador Dali, Michelangelo e William Blake estão entre os ilustradores de sua obra. Os compositores Robert Schumann e Gioacchino Rossini traduziram partes de seu poema em música e o compositor húngaro Franz Liszt usou a Comédia como tema de um de seus poemas sinfônicos.

Inferno: Quando Dante se encontra no meio da vida, ele se vê perdido em uma floresta escura, e sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, um leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, Dante é surpreendido pelo espírito de Virgílio - poeta da antigüidade que ele admira - disposto a guiá-lo por um caminho alternativo. Virgílio foi chamado por Beatriz, paixão da infância de Dante, que o viu em apuros e decidiu ajudá-lo. Ela desceu do céu e foi buscar Virgílio no Limbo. O caminho proposto por Virgílio consiste em fazer uma viagem pelo centro da terra. Iniciando nos portais do inferno, atravessariam o mundo subterrâneo até chegar aos pés do monte do purgatório. Dali, Virgílio guiaria Dante até as portas do céu. Dante então decide seguir Virgílio que o guia e protege por toda a longa jornada através dos nove círculos do inferno, mostrando-lhe onde são expurgados os diferentes pecados, o sofrimento dos condenados, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar ao centro da terra, onde vive Lúcifer. Passando por Lúcifer, conseguem escapar do inferno por um caminho subterrâneo que leva ao outro lado da terra, e assim voltar a ver o céu e as estrelas. Purgatório: Saindo do inferno, Dante e Virgílio se vêem diante de uma altíssima montanha: o Purgatório. A montanha é tão alta que ultrapassa a esfera do ar e penetra na esfera do fogo chegando a alcançar o céu. Na base da montanha encontram o ante-purgatório, onde aqueles que se arrependeram tardiamente dos seus pecados aguardam a oportunidade para entrar no purgatório propriamente dito. Depois de passar pelos dois níveis do ante-purgatório, os poetas atravessam um portal e iniciam sua nova odisséia, desta vez subindo cada vez mais. Passam por sete terraços, cada um mais alto que o outro, onde são expurgados cada um dos sete pecados capitais. No último círculo do purgatório, Dante se despede de Virgílio e segue acompanhado por um anjo que o leva através de um fogo que separa o purgatório do paraíso terrestre. Finalmente, às margens do rio Letes, Dante encontra Beatriz e se purifica, banhando-se nas águas do rio para que possa prosseguir viagem e subir às estrelas. Paraíso: O Paraíso de Dante é dividido em duas partes: uma material e uma espiritual (onde não há matéria). A parte material segue o modelo cosmológico de Ptolomeu e consiste de nove círculos formados pelos sete planetas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), o céu das estrelas fixas e o Primum Mobile - o céu cristalino e último círculo da matéria. Ainda no paraíso terrestre, Beatriz olha fixamente para o sol e Dante a acompanha até que ambos começam a elevar-se, "transumanando". Guiado por Beatriz, Dante passa pelos vários céus do paraíso e encontra personagens como São Tomás de Aquino e o imperador Justiniano. Chegando ao céu de estrelas fixas, ele é interrogado pelos santos sobre suas posições filosóficas e religiosas. Depois do interrogatório, recebe permissão para prosseguir. No céu cristalino Dante adquire uma nova capacidade visual, e passa a ter visão para compreender o mundo espiritual, onde ele encontra nove círculos angélicos, concêntricos, que giram em volta de Deus. Lá, ao receber a visão da Rosa Mística, se separa de Beatriz e tem a oportunidade de sentir o amor divino que emana diretamente de Deus, "o amor que move o Sol e as outras estrelas". veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Machado de Assis

Escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro, RJ, considerado o mais importante escritor da prosa realista da literatura brasileira. De origem humilde passou a infância e a adolescência no morro do Livramento, órfão de mãe e sob os cuidados da madrasta, Maria Inês.

Fez os estudos primários numa escola pública do bairro de São Cristóvão e foi aluno do padre Silveira Sarmento, que o contratou como sacristão. Interessou-se então pelo estudo de línguas e aprendeu francês, inglês e alemão. Consta que aprendeu francês com a senhora Gallot, dona de uma padaria., e latim com o vigário quando foi sacristão de Lampadosa. Iniciou sua carreira de escritor após empregar-se na Livraria e Tipografia Paula Brito onde conheceu escritores e jornalistas.

Aos 16 anos publicou seu primeiro poema: Ela, no jornal Marmota Fluminense, da empresa Paula Brito. A partir daí (1855) colaborou no Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, Jornal da Tarde (Ressurreição, 1872), Semana Ilustrada, O Globo (A mão e a luva, 1874), Jornal das Famílias (Histórias românticas e Relíquias de casa velha, 1874-1876), Gazeta de Notícias, na Revista Brasileira e em O Cruzeiro (Iaiá Garcia, 1878), periódicos onde publicou boa parte de sua obra inicial.

Seu primeiro livro em prosa foi Crisálida (1864). Nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial (1867), dois anos mais tarde casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta português Faustino Xavier de Novais, que teve importância decisiva na sua vida, pois ao longo dos 35 anos de uma vida conjugal harmoniosa, o escritor teve o apoio e a serenidade necessária para a criação de sua obra.

No serviço público foi nomeado primeiro-oficial da secretaria do Ministério da Agricultura, Viação e Obras Públicas (1873) e oficial de gabinete do ministro da Agricultura (1880), passou à categoria de oficial da Ordem da Rosa (1888) e a diretor-geral da Viação (1892). Fundou, com outros intelectuais, a Academia Brasileira de Letras (1896), da qual foi eleito o seu primeiro presidente (veja Nota Especial a seguir).

Embora tenha cultivado quase todos os gêneros literários: poeta, teatrólogo, cronista, crítico literário, etc. Destacou-se essencialmente como contista, onde produziu algumas obras-primas como nas coletâneas Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1873) Papéis avulsos (1882), Histórias sem data (1884), Várias histórias (1896), Páginas recolhidas (1899) e Relíquias de casa velha (1906).

Como romancista os mais impressionantes foram Helena (1876), Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), O Alienista (1882), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908). Como dramaturgo escreveu 13 comédias ligeiras, as peças que escreveu, destacando-se Tu só, tu, puro amor e Lição de botânica.

Como poeta os destaques foram Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875) e Ocidentais (1879-1880). Após a morte da esposa (1904), sua genialidade entrou em decadência. Presidente da ABL, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa. Foi o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A obra relata a dramática história de amor entre Seixas e Aurélia. Seixas era um pobre mancebo, que trablhava como jornalista, vivia na pobreza, mas não abria mão do outro lado da sua vida, com o qual gastava todo o seu ordenado : as festas da sociedade. Aurélia também era uma pobre moça, mas que subira na vida após herdar a fortuna de seu avô fazendeiroEra uma moça belíssima. Aurélia e Seixas iam se casar, mas esse casamento não ocorreu porque Seixas sabia que era pobre, e sabia que não era o homem certo para Aurélia, apesar de amá-la. Esse relacionamento se desfez quando o pai de Adelaide de Amaral aferece um dote para que ele se casasse com sua filha., e ele aceita. Algum tempo depois de receber a herança, Aurélia decide que quer se casar , e resolve "comprar" um. O escolhido, no entanto, era Seixas, que aceitara submeter-se ao casamento, mesmo sem saber quem era a noiva, pois tinha necessidade do dote. Logo após o casamento, Aurélia deixa bem claro que Seixas era um marido comprado, e que o que estava se passando era um casamento de conveniência. Apesar dos dois, de certa forma, amarem-se, nenhum dois dois demonstrava. O casamento foi marcado por rotineira e seca. Seixas, muitas vezes sentiu-se humilhado po Aurélia. Onze meses após o casamento, Seixas consegue o dinheiro de que precisava para desfazer o casamento, e isso que ele faz. No momento em que Seixas vai se despedir de Aurélia, já separados, Aurélia confessa que o ama de verdade, e suplica pelo o amor dele. Aurélia consegue provar esse amor, e conquista Seixas, mesmo ele achando que a riqueza dela havia destruído o amor dos dois. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Análise da obra

O livro O caso da Chacára Chão foi inspirado num episódio real, um assalto ao sítio do próprio autor, Domingos Pellegrini, que decidiu romancear o fato e criar a história.

Publicado em 2000, O Caso da Chácara Chão, segue, até no título, o que há de mais chamativo no mercado editorial, do qual o autor é um dos seus expoentes, famosamente conhecido por sua produção juvenil.

A obra tem, na opinião do autor, ingredientes bem brasileiros como violência, drogas, corrupção policial, jornalismo sensacionalista, racismo, conformismo mas também amor, perdão e amizade. Traça painéis críticos da realidade brasileira.

Segundo Pellegrini, a obra "é um policial social, mas no fundo, como sempre, trata dos conceitos de caráter e de conduta".

Linguagem / Tempo

Sua linguagem é simples, direta, despojada de enfeites artificiais. Há beleza em suas imagens poéticas, principalmente àquelas ligadas à descrição de elementos da Natureza, mas sem o emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.

O narrador-personagem usa alguns ingredientes bem brasileiros são forças presentes na narrativa, tais como - violência, drogas, corrupção policial, burocracia, jornalismo sensacionalista, racismo, conformismo e também amor, perdão, revolta e amizade.

Há beleza em suas imagens poéticas, principalmente àquelas ligadas à descrição de elementos da Natureza, mas sem o emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.

Outro elemento digno de nota é a movimentação das cenas, ágil, precisa, quase que dotada de um caráter cinematográfico. Os flashbacks estão nos locais exatos e na medida correta. A manipulação do tempo da narrativa é quase sinfônica (quanto a esse aspecto, não se deve esquecer que a obra, num esquema de diário, muitas vezes metalingüístico, acaba tendo uma proximidade muito forte entre o tempo da narrativa (tempo da história, dos fatos narrados – passado não muito remoto em muitas das vezes) e o tempo da enunciação (tempo do ato contar a história, sempre presente). Aliada à já citada limpeza de sua linguagem, contribui para que a degustação da obra seja fluente, sem obstáculos inúteis e desnecessários.

Personagens

O protagonista da obra é um jornalista e escritor que mora numa chácara, como o próprio Pellegrini: há três anos e meio, para fugir do barulho do centro da cidade, Pellegrini mudou para a Chácara Chão, nos arredores de Londrina, onde pretende passar o resto de seus dias.

Deve-se também elogiar a forma coerente com que o narrador consegue dar vida e caráter às suas personagens, até mesmo nas que se apresentam caricaturizadas, como a família Filipov, à qual pertence a cônjuge do narrador. Há inclusive atenção na substanciação da caracterização dos animais, como Miau (a gata assassinada), Minie (cadela idosa) e Morena (cadela que havia chegado filhote e que cresce no decorrer da narrativa).

Para reforçar o que se apresentou quanto ao domínio na construção das personagens, basta observar Verali, filha do narrador, que, de menina urbana e, portanto, isolada e dona de amigas invisíveis, torna-se a garota feliz, realizada quando vai para a chácara. Outra personagem é Olga, ex-militante de esquerda e que “cai” para preocupações mais ligadas ao chão, como ter uma filha praticamente por produção independente com Manfredini, esforçando-se por manter-se por meio da confecção de chocolates.

Mas a personagem mais rica é o narrador, um sujeito decepcionado com a esquerda, ou mais precisamente com os militantes, que, ao invés da luta aberta, preocupavam-se em se encostar no funcionalismo público.

Seu desencanto, no entanto, não significa inércia. Torna-se uma figura que tem um pouco de misantropo, impaciente e quixotesco ao lutar pelos direitos do cidadão, pela aplicação da lei, principalmente no que se refere ao silêncio. O ruído urbano é a mais simbólica forma de invasão e agressão do mundo moderno.

Enredo

Alfredo Manfredi, um escritor de livros juvenis, ex-exilado, cansado da pasmaceira do povo, além de amadurecido seu relacionamento com Olga e depois de ter ganhado muito dinheiro trabalhando na redação de discursos de uma campanha política, resolve morar com Olga. Compram, para tanto, uma chácara, a que dá título ao livro. Tal imóvel se torna a utopia, o grande sonho de mundo e de vida dos dois, o que se percebe pelo nome. Baseia-se na idéia de que tudo o que foi gerado pelo chão, por ele será aproveitado. É, pois, um microcosmo perfeito (já que o macrocosmo fracassou) em que se dedicam na reciclagem e aproveitamento de tudo. Tudo natural, ecológico, planejado, perfeito. Até a invasão urbana, representada pelo assalto realizado durante o Carnaval.

Quer fugir do estresse dos centros urbanos e refugia-se com a família na chácara, em busca de tranqüilidade. Mas não será isso que ele terá: um assalto à propriedade transforma completamente a vida do escritor e de sua família.

A história básica passa-se, como citado, durante o Carnaval. A chácara do personagem-narrador, Manfredini (é praticamente um alter-ego do autor, pois ambos mantêm muitos pontos de contato em relação à personalidade e ao histórico de vida), é invadida por dois bandidos, que estão em busca de jóias e dólares. Crentes que o ambiente estaria vazio, começam a ver seus planos frustrados quando encontram os donos. Descontrolam-se, chegando, para ameaçar, a matar a gata de estimação do casal, Miau.

A situação piora quando são ouvidos os gritos do caseiro João, que, ao não ser respondido, pula o mulo da propriedade. O narrador consegue escapar, mas é perseguido por um dos malfeitores, até que consegue se trancar em um cômodo, não sem antes ferir gravemente com um facão o opositor que tentava impedir o fechamento da porta. Machucado, foge.

Seguindo o caminho mais simples, os donos registram queixa na delegacia e esperam a atuação da polícia para a captura dos criminosos, o que de fato foi feito. No entanto, obteve-se um resultado completamente diferente. Os bandidos alegaram que a esposa do narrador os havia convidado para um encontro conjugal no momento em que o marido não estava presente. Este, voltando inesperadamente, surpreendera a dupla e, ferido na honra, vingara-se ferindo um dos supostos traidores.

O que piora a situação é que o aparelho do Estado começa, ao invés de defender a vítima, a permitir que esta tivesse sua reputação atacada. É nesse momento que entra em ação o melhor aspecto dos romances policiais: a exposição crua das feridas do sistema social.

Esse episódio só piora a relação do personagem com o Estado, pois, como se disse, mostra a violência se voltando contra eles. Pedem ajuda para punir bandidos e acabam sendo castigados de várias formas. Em primeiro lugar, pela possibilidade de se tornarem de vítimas a réus. Há ainda a indiferença, a zombaria e o desrespeito com que são atendidos. Além disso, a polícia faz uma perícia completamente incompetente, como se estivesse mais interessada em não resolver o caso (não procuram direito a arma do crime. Não fazem autópsia da gata, não retiram na hora correta as balas incrustadas no teto e no chão da sala da chácara. Nem sequer verificam a presença de resíduos de pólvora das mãos dos bandidos). Sem contar que são pressionados por um ação de indenização, o que constitui um acinte típico da literatura de Kafka.

Conforme se luta por mais justiça, mais lama vai sendo jogada. Acaba-se esbarrando em obstáculos gigantescos. Um dos bandidos, Florindo dos Santos, era policial licenciado. Entra em jogo, portanto, toda a força de uma corporação protegendo um dos seus integrantes. O pior é que ele faz parte de um esquema gigantesco arquitetado por uma máfia dentro da própria polícia, responsável pelo desvio de material apreendido, inclusive drogas. Detalhe sórdido: o soldado tinha desvios graves de comportamento, sendo até toxicômano.

O outro bandido, Pedro Paulo Machado de Mello Cavalcante, como a extensão do nome indica, é de família tão rica quanto poderosa, acostumada a usar um advogado por demais eficiente que sempre afasta o jovem de crimes ligados ao vício, como o presente caso.

Esse advogado vai ser responsável por mais decepções. Eficientíssimo (não se deve esquecer que o advogado do narrador é incompetente, mais preocupado em seguir protocolos – em busca de um arquivamento – do que em resolver o problema), conseguirá armar esquemas para salvar seus clientes e prejudicar mais ainda Manfredini. Fica a idéia de que o que funciona no Judiciário não é a justiça em si, mas a manipulação, armação.

O clímax surge quando a história vaza para a Imprensa, tão preocupada com escândalo, sensacionalismo. Cria-se uma mancha gritante na reputação daqueles que deveriam ser vistos como vítimas. Sempre que se lembrava do caso da Chácara Chão, associava-se à imagem de Olga como tarada ou de Manfredini como o Louco do Facão a fazer justiça com as próprias mãos, imagem esta que é piorada quando investe de maneira explosiva (atira pedras e machado) contra os inúmeros carros de som que poluem auditivamente aquele que deveria ser um bairro residencial.

Apesar dessa confusão toda, há alguns pontos de apoio. O primeiro é um amigo ligado à Imprensa, Binho, que lhe permitirá, além do acesso a informações importantes, que sua versão seja veiculada na mídia. O resultado é, de certa forma, torto. Se num primeiro instante é visto como um vilão, um louco, depois passa a ser visto como um herói, pois encarnou o desejo de todo um povo massacrado: fazer justiça pelas próprias mãos. Em suma, não é entendido, mas visto como uma caricatura.

O fundo do poço surge quando há com a Justiça uma audiência, eufemisticamente chamada de “entrevista”. Nela, fica consagrada a incompetência do Estado, que não consegue representar e nem defender o cidadão. O processo está para ser arquivado. O narrador, como sempre, explode, quase sendo preso por desacato.

A reviravolta, a princípio tímida, surge quando encontra, ainda no fórum, outro decepcionado ex-militante esquerdista, Arcanjo. Tornara-se advogado de porta de cadeia não para fazer sacanagem contra o sistema ao ajudar criminosos, mas para evitar que este atrapalhasse os direitos daqueles que não têm como se defender. E em tal situação encontrava-se Manfredini.

Sua primeira ação, imediata, já se mostra útil. Evita que o “homem-bomba” seja preso. Ainda impede a derrota fragorosa da ação. Contribui também para que seja bloqueado o processo de indenização. Mas, diante de todo o quadro que se é apresentado, pois estão lidando com bandidos do mais pesado calibre, consegue convencer o casal a retirar a queixa, na esperança de que a outra parte também o faça.

No fim, um ano se passa. Reforça-se a descrença em relação ao sistema, o que fica representado no fato de a chácara, o paraíso, ter os muros agora todo coberto de plantas dotadas de espinhos. A decepção é tão grande que o narrador já não abre mais tanto escândalo quando um salão de festas, por demais barulhento, é inaugurado ao lado da chácara (é interessante lembrar que a fiscalização, quando aparece, fica mancomunada com o salão. Note a tirada amarga quando o protagonista relata que os fiscais saíram alegres e com alguns “presentes”).

O clímax surge num duplo combate. Os vizinhos armam uma barulheira musical para competir com o baile de Carnaval do salão. A polícia baixa. E é nesse instante que Florindo surge, para se vingar, pois com toda a questão judicial, não havia agüentado e cometera delitos, acabando por perder muitos dos seus direitos na corporação. Acha que a culpa pelo fracasso recai sobre Manfredini e sua família.

Suas intenções criminosas são, no entanto, frustradas. Olga e Verali evadem-se. Manfredini consegue fugir pela chácara. Sua enorme vantagem é que o vilão não conhece o terreno e, em meio à escuridão, acaba-se ferindo sucessivamente pelas plantas, muitas delas espinhosas. Consegue a vitória humilhante ao mesmo tempo em que o povo, irado, faz com que o salão respeite os vizinhos.

Tal final parece lembrar o campo juvenil em que o autor se especializou. Jogou-se tanta lama na cara do leitor a ponto de poder sufocar sua visão de mundo. Essa vitória da natureza é uma luz de expectativa positiva. O mundo está podre, mas não é motivo para desistência, derrotismo. É uma luta individualista, mas é a melhor arma que se tem, na presente situação social. É a alimentação de esperanças diante da vida, mais simples e mais natural possível, distante da doença em que se transformou a vida moderna. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Encontro Marcado de Fernando Sabino é obra que nos faz passear pelas ruas de Belo Horizonte conhecendo um pouco das gerações que por elas passaram e, de alguma forma, marcaram a cidade. A obra neste tocante é muito feliz.. A história se passa na década de quarenta e tem como protagonista Eduardo Marciano, personagem que serviu de alento a uma juventude que, como ele, tinha um pacto de amizade, angústias existenciais e muitas perguntas por fazer. O incrível dessa história é que ainda hoje ela serve de referência para as gerações que buscam um encontro interior que as tornem mais satisfeitas com a vida. A Procura A história de Eduardo Marciano nos é contada por um narrador que parece ser muito próximo da personagem, pois acompanha passo a passo a sua trajetória e conta com o domínio de quem conhece tudo sobre o rapaz. É o que chamamos de narrador em terceira pessoa. Esse narrador abre a história propondo um pacto com o leitor, chamando-o a participar do que vai contar: "Que significava o quintal para Eduardo?". Mais do que depressa queremos saber a resposta e, conhecendo - a, queremos saber mais sobre o garoto que parecia ter toda a liberdade para ser feliz e, no entanto, não a tinha. Sua primeira derrota já aparece no início do relato: a galinha de estimação Eduarda, vira o almoço de domingo. Eduardo era filho único.

Fazia de tudo para manter sempre seu lugar de destaque naquela família. era mimado, cheio de vontades e de atrevimentos, estava sempre a testar o limite das pessoas, como qualquer garoto de sua idade. Os pais não sabiam muito bem como lidar com as estranhezas temperamentais do filho, que amolava a empregada, esperneava para ir à escola, chantageava por qualquer coisa. Uma vez descobriu que arranhando o rosto deixava os pais atônitos. Pronto! Por qualquer bobagem machucava-se até sangrar. Era um desespero de menino mimado, prenúncio de um jovem sem limites. Eduardo sempre precisava de um desafio para atingir alguma conquista. Certa vez, interessou-se por uma colega da escola que era ótima aluna. Foi o prenúncio da paixão, pela menina e pela vontade de ultrapassar seus limites. Estudou até conseguir o primeiro lugar na sala, ao lado de Lêda, a garota das notas boas. Alcançando assim o objetivo, Lêda deixa de ser o alvo de suas atenções. O episódio deu a Eduardo a medida exata de suas possibilidades. estava, então, com onze anos. Tinha todas as curiosidades de sua época, como a descoberta de sua sexualidade, por exemplo. Estava sempre atento para as novidades, quem dormia com quem, quem tinha doença, com quem tinha pego... Era um garoto precoce. Logo cedo destacou-se por seu talento na escrita; inscreveu-se numa maratona intelectual e ganhou o segundo lugar, um prêmio em dinheiro que foi buscar no Rio de Janeiro. Ficou por lá gastando o dinheiro do prêmio até acabar. "Saiu pela rua, mão no bolso, sentindo que naquele momento começava a viver. Pobreza, fome, miséria_ tudo era preciso, para tornar-se escritor. Escrevera um conto em que dizia isso, mandara para um concurso de contos". Ganhou algum dinheiro como premiação e tirou disto uma lição: "Na vida tudo seria assim, a solução se apresentando imediatamente, mal começasse a buscá-la, gozando assim as dificuldades do problema? Na vida tudo lhe seria assim." Assim foi que Eduardo enfrentou a vida, sempre achando que a solução se apresentaria a ele quando precisasse. A história, porém, vai mostrar o contrário. Eduardo consegue articular com certa facilidade seus interesses, mas nem sempre seu interior está em paz, a busca por esse momento será o fio com que o narrador tecerá a intriga. Um episódio marcante na vida de Eduardo foi o suicídio de um amigo, o Jadir. Esse rapaz tinha uma família complicada, o pai bebia, a mãe era meio desregrada, a irmã era saliente, o que bastava para que não fosse uma boa companhia aos olhos de dona Stefânia. Um dia antes, Eduardo comentava com Jadir que, às vezes, tinha vontade de morrer. Falaram sobre suicídio, cada um emitiu sua opinião. Eduardo dizia que era covardia, a menos que se fizesse um estrago louco antes, algo que o marcasse na História. Jadir dizia que "- quem quer morrer mesmo, não pensa em nada disso, só pensa em morrer." Acabou dando tiro no peito. Isso naturalmente tirou o sono de Eduardo por muito tempo. Ao contar a história de Eduardo, o narrador fornece um retrato dos costumes de uma época, em especial o preconceito próprio de uma cidade ainda provinciana em que o sujeito está a mercê de julgamentos preestabelecidos, especialmente em relação ao comportamento de um determinado grupo social. É o que acontece com a interferência de Dona Stefânia no namoro de Eduardo com Letícia, por exemplo. Para ela a menina não é uma boa companhia ao filho. Isso certamente porque não se simpatizou com a liberdade que a mãe dava à garota. Seu Marciano resolve ficar sócio de um clube, onde certamente o filho terá uma vida mais saudável. Eduardo decide fazer natação e em pouco tempo é um dos melhores em sua categoria. Sentia prazer com as vitórias, "Uma espécie diferente de emoção - a de poder contar consigo mesmo, e de saber-se, numa competição, antecipadamente vencedor." Foi um vitorioso, mas sua obstinação deixava o pai preocupado, sempre às voltas com o estudo de Eduardo. Formar-se era um valor para seu Marciano, uma promessa que Eduardo não cumpriu. No colégio, não foi bom aluno. Era questionador, rebelava-se contra a estrutura da instituição, acabou formando-se aos empurrões. Certa vez o monsenhor do colégio chama-lhe a atenção, após uma briga que teve com o colega Mauro. Eduardo foi atrevido, mas o seu argumento era forte. Não foi expulso, mas Monsenhor Tavares imprimiu-lhe uma pergunta que ele só pôde, de fato, responder muitos anos depois: "Você acredita em Deus?" Eduardo decide que será escritor. Seu Marciano o apresenta a Toledo, um escritor seu amigo, que será uma espécie de ídolo para o rapaz. por seu intermédio, Eduardo inicia-se na leitura de grandes escritores. Para Toledo, "A arte é uma maneira de ser dentro da vida. Há outras... É uma maneira de se vingar da vida. Assim como se você procurasse atingir o bem negativamente, esgotando todos os caminhos do mal. É preciso ter pulso, é preciso ter estômago." Por toda a trajetória de Eduardo e seus amigos, a voz narrativa evidencia o gosto de uma geração pela leitura e o interesse, em especial de Eduardo, pela palavra escrita e pelas descobertas que se podem fazer com o conhecimento literário. Apesar disso, a luta que Eduardo empreende para ser um escritor não se festiva. ele não consegue escrever o romance que tanto quer. Chega, afinal, o tempo da formatura do colégio. Uma nova etapa se descortina para Eduardo e seu grupo, um mundo que eles desconhecem está prestes a se impor. Na despedida, Eduardo, Mauro e Eugênio decidem marcar um encontro dali a quinze anos, naquele mesmo lugar. Cada um segue seu destino em busca do grande encontro consigo mesmo. Eduardo leva uma vida boêmia, o que implica pouco estudo, pouco trabalho e muita aventura. Ele e os amigos estão sempre desafiando o perigo. O mundo está vivendo os reflexos da segunda guerra mundial. A ideologia dos oprimidos é a voz geral que permeia os discursos da rapaziada. Do grupo, Mauro é o rebelde mais entusiasmado. Discursa em lugares públicos, gera polêmicas, uma espécie mais de modismo que de luta política. Eduardo começa a escrever artigos para o jornal e a incorporar um novo grupo de amigos. Juntos, Eduardo, Mauro e Hugo têm uma vida mais ou menos desregrada e audaciosa. Bebem muito desafiam a cidade, buscam um destino. Hugo acaba sendo professor; Mauro, médico. Eduardo arranja um bom emprego público no Rio de Janeiro, por via dos auspícios de seu futuro sogro ministro. Tudo começa quando conhece Antonieta, num baile no automóvel Clube. Apesar de todas as diferenças entre eles, iniciam um namoro que vai acabar em casamento. O encontro Eduardo não dá conta de nenhum tipo de relacionamento; nada que implique um convívio consegue tirar o rapaz de seu individualismo exagerado. A trajetória de seu casamento serve de pretexto para um questionamento sobre os padrões dessa instituição .Os casais se desagregam, sempre em busca de um conhecimento pessoal que está longe de se alcançar nesse romance. Conforme Eduardo caminha em busca desse encontro, outros desencontros se sucedem na narrativa. Sempre a bebida é o anestésico para os males de Eduardo. Há sempre um pretexto para estar longe do compromisso com Antonieta. Ora são os amigos do bar, ora é Neusa, a vizinha insinuante, ora são os encontros clandestinos com Gerlane, a nova namorada, tudo mostrando a incapacidade de assumir a vida como ela se apresenta. Até o filho com Antonieta lhes escapa. Eduardo parece estar sempre na contramão de seu destino. O relacionamento do casal, desde o início, aponta para um desencontro. ela é uma moça rica, de pai influente na política. Ele é de uma família de classe média. Ela mora no Rio de Janeiro, a capital. Ele é de Belo Horizonte, uma cidade ainda marcada pelo provincianismo. ela sabe o que quer, ele se apresenta sempre em perspectivas. Não há entre eles brigas ou discussões acirradas, apesar do comportamento irreverente e descompromissado do rapaz; nesse relacionamento percebe-se que Antonieta é o elemento que tenta a harmonia do casamento. Procura compreender o temperamento depressivo de Eduardo e tenta ajudá-lo, mas ele sempre se mostra incapaz de qualquer reflexão. Nessa relação, evidencia-se o crescimento pessoal de Antonieta e a estagnação comportamental de Eduardo, um sujeito sem referências. Ela acaba desistindo da relação e parte para cuidar de sua vida. ele fica perdido em sua nova vida de solteiro e de desencontros. A trajetória de Eduardo está sempre marcada por alguma perda. Além de sua galinha Eduarda e de seu amigo Jadir, morre seu Marciano, sem mesmo que ele pudesse estar presente. Rodrigo, um amigo do tempo da natação, morre afogado, preso às ferragens do avião que pilotava. Morre seu filho, ainda no ventre de Antonieta. Vítor, casado com Maria Elisa morre tragicamente atropelado. Essa perda também deixa Eduardo muito abalado, principalmente pelo inusitado dos fatos. Uma semana antes do acidente, Vítor esteve com Eduardo e contou-lhe sobre um exame médico que havia feito e que dera um resultado fatal, um câncer, mas que estava errado pois haviam trocado sua radiografia do pulmão com o de outra pessoa. Nesse ínterim, Vítor fez uma promessa, caso conseguisse sarar. Estavam discutindo exatamente se a promessa deveria ser cumprida, mesmo que sua "cura" se desse pela via do engano. Para Eduardo, a morte do amigo foi uma fatalidade. A própria trajetória de Eduardo evidencia uma morte lenta e gradual dos sentimentos e atitudes diante da vida. Em O Encontro Marcado, acompanhamos o crescimento de Eduardo, e com ele, o da cidade. No entanto, só, em sua volta a Belo Horizonte após a separação é que ele se dá conta disso: "Encontrou a cidade diferente, mudada. Agitação pelas ruas, prédios novos, gente andando para lá e para cá, como se realmente tivesse urgência de ir a qualquer parte." Há na descoberta de Eduardo, um prenúncio de que seu olhar começa a se voltar para o exterior. Vejamos se isso de fato acontece. Eduardo percebe a cidade diferente, sem talvez o encanto de sua juventude. encontra os amigos, Mauro está casado e Hugo parece feliz como professor. Continua um intelectual, cada vez mais se dedica ao estudo acadêmico, vive rodeado dos alunos. Eduardo comparece ao encontro marcado e encontra o ginásio em férias. Os dois amigos não compareceram. "Saiu da cidade como de um cemitério". Na volta, faz uma parada em Juiz de fora, revê lugares e pessoas que já não dizem mais nada para ele e segue de volta ao Rio. Começa sua peregrinação interior, na tentativa de se encontrar. aos poucos, vai filtrando a vida e reconstituindo o fio de sua identidade: "Agora via em volta que seu mundo era dos outros também, carregando cada qual a sua cruz _ pobres criaturas de Deus. E como eram simpáticas, essas criaturas. Nada de sordidez que via antes em cada olhar, da miséria em cada gesto, o cotidiano sem mistério, a surpresa adivinhada em cada corpo, o segredo assassinado em cada boca." Reencontra-se com Eugênio, agora frei Domingos. Passa a visitá-lo no convento, onde parece sentir um pouco de alento. Perambula pela cidade, revê Neusa, que diz estar esperando um filho seu. Eduardo não consegue assumir essa nova situação e a moça decide não ter o filho. Aos poucos, Eduardo vai se desligando das relações com as pessoas e a cidade. Toma uma atitude, afinal, a seu favor. Desliga-se do emprego, deixando assim, a sua vaga para o colega Misael. Dá seus livros para o filho desse amigo, rapaz interessado em literatura e deslumbrado com Eduardo, como certa vez, ele o fora com Toledo. Desfaz-se do apartamento e empreende uma grande viagem... na busca e compreensão de si mesmo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Cidade (RUBIÃO, 1999: 57- 63)

A Cidade, em conjunto com Botão-de-Rosa, que será resumido abaixo, são os contos gêmeos do romance O Processo, de Franz Kafka. Este conto narra a história de Cariba, um incauto viajante que, desafortunadamente, ao visitar uma cidade desconhecida, ao acaso termina preso, sendo o único motivo para tal prisão sua “excessiva” curiosidade. Na verdade, não se tem certeza se Cariba é confundido com um criminoso (cuja única característica conhecida é a curiosidade) que chegaria à cidade no mesmo dia em que ele coincidentemente chegou -



O telegrama da Chefia de Polícia não esclarece nada sobre a nacionalidade do delinqüente, sua aparência, idade e quais crimes cometeu. Diz tratar-se de elemento altamente perigoso, identificável pelo mau hábito de fazer perguntas e que estaria hoje nesse lugar (...) O comunicado do setor de segurança é claro[?!] e diz textualmente: ‘O homem chegará dia 15, isto é, hoje e pode ser reconhecido pela sua exagerada curiosidade’ (pp. 61-62).



- ou se ele é o próprio criminoso “profetizado”. Mesmo o depoimento das testemunhas é extremamente ambíguo, e esta ambigüidade se reflete tanto na segurança de suas afirmações como no desinteresse das mesmas quanto ao futuro do réu (situação bem diversa daquela que será descrita abaixo, quando tratarmos do conto Botão-de-Rosa). A principal testemunha, a prostituta Galimene, que jamais havia avistado Cariba, assim depõe: “Não me lembro de seu rosto, mas um e outro [Cariba e o criminoso] são o mesmo homem” (p. 61). O “excesso” de curiosidade de Cariba limita-se, em um primeiro momento, àquilo em relação a que qualquer viajante poderia mostrar-se curioso ao chegar em uma nova cidade a ele de todo desconhecida. “Que cidade é esta?” (p.58) é a pergunta que enseja seu encarceramento. Em momento posterior, a curiosidade criminosa residirá em suas perguntas sobre a condição de seu processo, sua possível soltura etc. Entretanto, suas constantes perguntas só o incriminam mais, como podemos ver nesse curto diálogo entre Cariba e um carcereiro: “‘Alguém fez hoje alguma pergunta?’, ’Não. Ainda é você a única pessoa que faz perguntas nessa cidade’” (p.63). E Cariba permanece preso até que outro “perguntador” surja.
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Diva é um romance urbano. Nele a heroína Emília, bela e rica filha mimada de um capitalista carioca fica dividida e confusa frente ao amor de Augusto. Augusto (que, médico, salvou sua vida quando ela era só uma pré-adolescente feia) e Emília ficam assim presos em jogos de amor, amizade e desprezo que são por vezes infantis e outras humilhantes. Augusto se declara, Emília diz não o amar. Por fim Augusto renega seu amor, Emília declara também amar, Augusto percebe ainda amar e eles vivem felizes para sempre, num romance que segue ao pé da letra o estilo folhetim: heróis perfeitos, um obstáculo para o amor (a dúvida de Emília) e um final feliz no último instante. (Meio que desimportante dizer isto, mas a declaração final de amor de Emília deve ser a epígrafe do Manifesto Machista.) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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