Ser pobre é aparecer em reportagem de rua e dizer pra todo mundo que apareceu na televisão......

veja todos os voos de drone em

www.Zmaro.tv/Drone

 

 

Mais
acessados

Principal

Modelos de
Documento

Receitas

Resumos
de Livros

 Perguntas e Respostas
 Jurídicas

Idéias para
ficar rico

Dicas gerais

Dizem que

Ser pobre é


Memorização

Curso de Memorização

Memorização:
que dia cai?

Demais
Cursos e
apostilas


Gastronomia

carnes

bacalhau

dicas gerais

microondas

 receitas diversas

Receitas

em vídeo

tudo sobre congelamento

vinhos


Download

delivery

palpites para loteria

simulador keno (bingo)

treine digitação

ringtones de graça

Saiba quais números
mais e menos saem
na MEGASENA


Contato

Fale com o Zmaro
e/ou
PobreVirtual

Site do
Programa Zmaro

Vídeos do
Programa Zmaro
Humor inteligente
de forma descontraída...

 
A Morte do Lidador - Alexandre Herculano
envie seus resumos e sugestões, clique aqui
A narrativa compõe-se de pequeninos gestos e detalhes que vão formando a atmosfera moral, em que se movimentam personagens extremamente sensíveis a qualquer oscilação. Todos os gestos e sinais carregam-se da máxima gravidade. Mas ao contrário do que ocorre no típico "romance introspectivo", suas personagens não ficam completamente abandonadas a si mesmas. Não ha a incomunicabilidade , suas criaturas mantêm-se abertas à interação humana, ao fato social e por isso são capazes de história. O entrecho, composto de "manchas"ou de episódios como que destravados, mas ligados por uma continuidade dramática profunda, gira em torno de Bernardo Vieira Cedro, sua mulher Teresa, Antônio Cha, Ascânio, Cissone e outros. O Romance narra a reconstituição interior de Bernardo, desde os escombros deixados por seu filho que morre, a luta contra toda sorte de adversidades, até o nascimento de outro filho e o anúncio de um tempo novo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Os Escravos é uma coleção de poesias publicadas 12 anos a morte do poeta. Poesia social em sua forma mais pura, Os Escravos centra-se sempre no mesmo tema: a liberdade dos escravos. Apesar de uma certa idealização em alguns momentos, a poesia lírico-amorosa é menos idealizada que a dos contemporâneos do autor. Mas sempre, sempre, as poesias falam do negro escravo, cativo e maltratado pelos senhores. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Biografia e Resumo Embora nascido no Rio Grande do Sul (1898-1984) Raul Bopp integra-se no grupo paulista, de cujas correntes verde~amarela e antropofágica fez parte. Cobra Norato (Nheengatu da margem esquerda do Ama­zonas) é seu livro principal e a obra mais importante do movimento antropofágico (1931 e várias edições posteriores). As últimas edições foram pontuadas e retocadas pelo autor, que introduziu melhor coordenação entre as partes do poema, retirou versos e incluiu novas passagens. Nessa feição, Cobra Norato, primitivamente ou como projeto de história para crianças, ostenta a grandeza daquele mundo em formação que é o Amazonas. De início, o poeta brinca de amarrar uma fita no pescoço da Cobra Norato, estrangula-a e enfia-se na pele do réptil: Agora sim. Me enfio nessa pele de seda elástica e saio a correr mundo: vou visitar a rainha Luzia. Quero me casar com sua filha Para isso, porém, tem de dormir primeiro. Dorme. Começa então a procura da moça, e enquanto isso, vai descrevendo a natureza amazônica, com as dificuldades de estilo das histórias populares: Mas antes tem que passar por sete portas. ver sete mulheres brancas, de ventres despovoados, guardadas por um jacaré. — Eu só procuro a filha da rainha Luzia. Tem que entregar a sombra para o bicho do fundo. Tem que fazer mironga na lua nova. Tem que beber três gotas de sangue. — Ah, só se for da filha da rainha Luzia! E vem a descrição daquele bárbaro cosmo: Esta é a floresta de hálito podre parindo cobras. Rios magros obrigados a trabalhar descascam barrancos gosmentos. Raízes desdentadas mastigam lodo. A água chega cansada. Resvala devagarinho na vasa mole. A lama se amontoa. Num estirão alagado o charco engole a água do igarapé. Vento mudou de lugar. Um berro atravessa a floresta. E vêm a chuva, o mar, a pororoca, e vão o poeta-Cobra Norato compadre roubar farinha no putirum. Joaninha Vintém conta o causo do Boto (moço loiro, tocador de violão"), que a pegou pela cintura. E há na festa um "chorado": Angelim folha miúda que foi que te entristeceu? Taruman. Foi o vento que não trouxe notícias de quem se foi. Taruman. Flor de titi murchou logo nas margens do igarapé. Taruman. Na areia não deixou nome. O rosto o vento levou. Taruman. Saem da festa, o poeta se enfia novamente na pele da cobra, recomeça a andança, quando o compadre percebe vindo pelas águas algo como um navio prateado: O que se vê não é navio. É a Cobra Grande. Quando começa a lua cheia, ela aparece. Vem buscar moça que ainda não conheceu homem. E vai o poeta levando um anel e um pente de ouro / pra noiva da Cobra Grande", quando lhe perguntam: Sabe quem é a moça que está lá embaixo nuinha como uma flor? — É a filha da Rainha Luzia! Rapta-a e fogem. Cobra Grande os persegue. Mas Pajé-Pato ensina o caminho errado: — Cobra Norato com uma moça? Foi pra Belém. Foi se casar. Cobra Grande se enfia pelos canos e termina com a cabeça sob os pés de Nossa Senhora, enquanto o poeta vai para as terras altas com a noiva: Quero estarzinho com ela numa casa de morar, com porta azul piquininha pintada a lápis de cor. Quero sentir a quentura do seu corpo de vai-e-vem Querzinho de ficar junto quando a gente quer bem bem. Convida para o casamento muita gente, até a Maleita: Procure minha madrinha Maleita, diga que eu vou me casar: que eu vou vestir minha noiva com um vestidinho de sol —e acorda. No fundo — disse o poeta — Cobra Norato representa a tragédia das febres, a maleita, ‘cocaína amazônica", quando ouviu "o mato e as estre­las conversando em voz baixa" Pela força de suas descrições, pelo li­rismo que informa o poema, pelo seu aproveitamento das raízes populares, é um documento de valor definitivo do nosso Modernismo. Exercício Comentado Herança Vamos brincar de Brasil? Mas sou eu quem manda Quero morar numa casa grande Começou desse jeito a nossa história Negro fez papel de sombra E foram chegando soldados e frades Trouxeram as leis e os Dez Mandamentos Jabuti perguntou: "—Ora é só isso?" Depois vieram as mulheres do próximo Vieram imigrantes com alma a retalho Brasil subiu até o lOº andar Litoral riu com os motores Subúrbio confraternizou com a cidade Negro coçou piano e fez música Vira-bosta mudou de vida Maitacas se instalaram no alto dos galhos No interior o Brasil continua desconfiado A serra morde as carretas Povo puxa bendito pra vir chuva Nas estradas vazias cruzes sem nome marcam casos de morte As vinganças continuam Famílias se entredevoram nas tocaias Há noites de reza e cata-piolho Nas bandas do cemitério Cachorro magro sem dono uiva sozinho De vez em quando a Mula-sem-cabeça sobe a serra ver o Brasil como vai BOPP, Raul. Cobra Norato e outros poemas. 13 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984. p. 105-6 Trabalhando o Texto: 1 Explique o que é a "casa grande" mencionada no terceiro verso. A palavra ganha dois significados distintos: um histórico referente à Casa Grande e à Senzala_ donde da primeira extrai-se a idéia de poder político e econômico e outra donde casa grande vem a significar um casarão, ou seja uma casa adjetivada com a palavra grande. 2 Comente o verso "Negro fez papel de sombra" com base em seus conhecimentos de história do Brasil. O negro apresenta-se em nossa história como um simples e menor figurante na história política nacional. O texto é extremamente crítico. 3 Relacione os soldados e frades do texto com a história brasileira. Os soldados simbolizam o poder militar da Coroa Portuguesa e os frades representam a expansão ultramarina portuguesa nos trópicos. Há aqui um paralelo com a história nacional em seu descobrimento. 4 O jabuti é, nas lendas indígenas, um personagem astuto e inteligente. Comente sua presença no poema. O jabuti em verdade representa metaforicamente o olhar cândido e incrédulo do elemento indígena ao ver as promessas de felicidades do europeu. A educação em verdade, nada ensinou de novo ao gentio. 5 Aponte no texto as passagens que indicam progresso e mudança nas condições de vida. No trecho abaixo fala-se em décimo andar de prédios (explica o crescimento urbano e a vinda dos europeus no pós-guerra); a expressão motores simboliza as máquinas e a indústria e o subúrbio é a nova faceta de um Brasil industrial. Brasil subiu até o lOº andar Litoral riu com os motores Subúrbio confraternizou com a cidade 6 Como é, de acordo com o poema, o interior do Brasil? O interior brasileiro é extremamente desconfiado e por esta feita continua apegado à tradição, sempre rezando como ilustra a figura do bendito. Obviamente o interior é atrasado e perece à beira da sociedade industrial. 7 O poema pode ser dividido em duas partes, que estabelecem um contraste. Indique-as e comente o contraste criado. A primeira parte refere-se ao Brasil industrial- urbano e a segunda parte refere-se ao Brasil interiorano e rural. 8 O Brasil de nossos dias é ainda um país de contrastes? Escreva um pequeno texto, mostrando as diferenças e semelhanças entre o Brasil de hoje e o do poema "Herança". O grande legado deixado por nossos antepassados é indubitavelmente a miscigenação e entrecruzamento genético de raças. Solidamente constituídos sobre tal patrimônio genético e cultural; o Brasil deveria começar a se descobrir nesta celebração de 500 anos. Como dizia o saudoso Oswald de Andrade: "precisamos redescobrir o Brasil !". O acentuado contraste sócio-cultural-econômico do país carece de terminar para, por conseguinte revitalizarmos a nossa condição de nação edênica. Quando Sérgio Buarque de Holanda afirmou a cordialidade do brasileiro reafirmou, veramente a adaptação do povo que, mesmo aculturado, veio sobremaneira a assinar seu nome em sua história. O poema de Raul Bopp mostra-nos um Brasil dividido entre o interior e a capital, donde o atraso do primeiro revalida forças contra a riqueza do último. Entretanto não nos esqueçamos das tradições culturais que o interior preserva e que são, em verdade, o real e belo patrimônio da pátria que chamamos Brasil. Aspectos Relevantes Será necessário nos situar muito bem em qual época do modernismo nos encontramos na análise de Cobra Norato_ in casu será a fase primeira da antropofagia que consistia em um movimento destrutivo de toda a cultura estrangeira impingida ao Brasil_ daí o surgimento de um nacionalismo tão avassalador. O futurismo modernista de Marinetti não encontrou no Brasil um meio hábil para a propagaçào de suas idéias_ será forçoso observar que a poesia brasileira iria assumir a consciência de que deveria ser ela mesma um retrato de tradiçòes culturais do seu próprio país. No dizer de Afrânio Coutinho: "Antropofagia e Anta, afinal queriam a mesma coisa: um Brasil no original e exportador de poesia, não importador". É importante frisar que Raul Bopp foi um dos principais idealizadores do movimento do Anta e a revisão crítica e lírica da história nacional é toda visualizada em sua obra. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Completando as histórias de Simões Lopes Neto sobre o Rio Grande do Sul, este livro conta os vários casos de Romualdo, gaúcho do interior, contidos em suas memórias, que fariam corar o Barão de Münchausen. Entre outras coisas, vê-se o parto de 87 ao mesmo tempo e da mesma mãe, a caça de onças a vela, o desenroscamento de tatus (não perguntem) e várias outras histórias hilárias de caça, viagem e outros assuntos relacionadas ao RS, contadas no estilo de fala do estado. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Ana Terra era uma moça que morava com sua família em um sítio muito longe da cidade e tinha uma vida sofrida, e a única coisa que Ana e sua família faziam era trabalhar. Embora Ana tinha o desejo de abraçar e beijar algum homem. O princípio de seu desejo veio com a chegada do índio Pedro Missioneiro, e que lentamente foi crescendo na sua condição de macho: uma cara moça e trigueira, de maçãs salientes. Ana, quando o via sentia uma coisa que não podia explicar: um mal-estar sem nome, mistura de acanhamento, nojo e fascinação. Em sua singeleza, atraía-se pelo estranho, confirmando-se como aquela mulher desejável que enxergara no fundo das águas. Entregar-se àquele desconhecido foi um passo tão natural como o suceder das estações naqueles ermos. Antes, arriscou um jogo delicioso de avanços e recuos, sabendo que, quisesse ou não quisesse, agindo a favor ou contra a lei paterna, seria daquele homem. E, numa tarde, considerou-se pronta, e o desejo palpitava em todas as sua artérias; encaminhou-se para a barraca do índio, o reino de Pedro Missioneiro. E lá aconteceu algo que Ana queria. Os dias seguintes foram de medo, pânico misturado à vergonha e depois disso, logo soube que estava grávida, e o isso tornou-se um espaço de lágrimas. Carregou o segredo o quanto pôde, mas um dia, não se contendo mais, revelou tudo à mãe. Dona Henriqueta nem teve tempo de consolá-la: e o pai declarou já saber de tudo e foi como se um trovão cortasse os céus. Nada mais poderia ser feito: cumprindo um código ancestral, ele convocou os dois filhos, e esses mataram Pedro Missioneiro. Sabia que sua vida naquela casa dali por diante seria um inferno.

De um instante para outro tornou-se invisível aos olhos do Pai, transfigurando-se numa entidade pecadora. Simbolicamente expulsa de sua casa, procurou fazer-se pequena, para que sua pequenez diminuísse a dor da culpa; tratava-se, porém, de uma culpa mais aceita do que entendida. Logo aconteceu o nascimento do filho de Ana Terra e, Dona Henriqueta assistiu-a, cortando o cordão umbilical do menino Pedro. Mesmo assim, os pais e irmãos não tomaram conhecimento do novo ser que habitaria o rancho. Contra toda as possibilidades, Pedrinho cresceu, e a vida seguiu seu rumo. Os irmãos casaram-se, e, para Ana, cada dia era a repetição do dia anterior. Depois disso, sua mãe morreu, de nó nas tripas, mas esta morte não abalou muito à Ana. Então vieram vários castelhanos, assassinando, incendiando, violando. Ana mandou a esposa de seu irmão e as duas crianças irem se esconder no mato, e fingindo ser a única mulher da casa, imola-se voluntariamente à sanha dos bandidos. Foi estuprada várias vezes, e ao acordar de seu desfalecimento, encontrou um quadro de horrores: o pai, o irmão Antônio, os escravos, todos estavam mortos no meio da casa já destruída. Ana entendia naquele momento que estava liberta de sua mancha original, e pela forma mais bárbara e purificadora. Nada lhe fora poupado em sofrimento, e pelo sofrimento reconciliava-se com a vida. Numa exaltação próxima a uma feroz alegria, aceitou o convite de um forasteiro para ir formar o núcleo inicial de uma nova vida, e uma longa viagem a levou para um planalto. Lá ela construiu uma casa, morando com seu filho, que logo teve que ir para uma guerra contra os castelhanos. Voltando da guerra vivo, casou-se com uma moça, teve um filho e logo teve que voltar para a guerra, com o compromisso de voltar vivo, pois agora ele tinha uma mulher e um filho para cuidar. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Froebel

Friedrich Froebel, 1782-1852, enfatizou a importância da criança, destacando suas atividades estimuladas e dirigidas.
A grande contribuição foi a aplicação práticas acerca dos jardins de infância, a educação durante os primeiros anos da vida infantil. A escola é o lugar onde a criança deve aprenderas coisas importantes da vida, da verdade, da justiça da personalidade livre, da responsabilidade, da iniciativa, das relações causais, vivenciando. Considera importante o brinquedo, o trabalho manual e o estudo da natureza, enquanto processos espontâneos na criança e ao meio educativo.
Os interesses e tendências inatos da criança pra a cão, o jardim da infância deve ajudar os alunos a expressarem-se e a se desenvolverem, na auto-atividade, de conhecimentos e crescimento pela atividade.
O gesto, op canto e a linguagem são as formas de expressão de sentimentos e idéias apropriadas à educação infantil. A historia deve ser expressa pela criança por meio de linguagem canção, representações, figuras ou construção de objetos simples com papel, barro ou outro material adequando.

PILETTI, Claudino e Nelson, Filosofia e Historia da Educação, 7.ª edição, 1988, editora Ática, São Paulo,SP veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Exemplo de romance afro-brasileiro, falando da identidade negra, Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, vai de encontro à tese segundo a qual a escrita dos descendentes de escravos estaria restrita ao conto e à poesia. Além de estabelecer um saudável contraponto com o abolicionismo branco do século XIX e com o negrismo modernista de um Jorge Amado, um José Lins do Rego ou Josué Montello, Ponciá Vicêncio remete ao Isaías Caminha, de Lima Barreto; em menor escala, ao Brás Cubas, de Machado de Assis; e, com certeza, ao memorialismo de Carolina Maria de Jesus e ao Ai de vós, de Francisca Souza da Silva, entre outros.

Em todo o romance percebe-se a prosa recheada de linguagem poética. A obra nos narra pequenos acontecimentos do cotidiano, mas o seu olhar transcende o automatismo viciado com que se observam as coisas do dia-a-dia para olhar com essência a poesia da vida.

O texto de Ponciá Vicêncio destaca-se também pelo território feminino de onde emana um olhar outro e uma discursividade específica. É desse lugar marcado pela etnicidade que provém a voz e as vozes-ecos das correntes arrastadas. Vê-se que no romance fala um sujeito étnico, com as marcas da exclusão inscritas na pele, a percorrer nosso passado em contraponto com a história dos vencedores e seus mitos de cordialidade e democracia racial. Mas, também, fala um sujeito gendrado, tocado pela condição de ser mulher e negra num país que faz dela vítima de olhares e ofensas nascidas do preconceito. Esse ser construído pelas relações de gênero se inscreve de forma indelével no romance de Conceição Evaristo, que, sem descartar a necessidade histórica do testemunho, supera-o para torná-lo perene na ficção.

A história de Ponciá Vicêncio, contada no romance, descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Descendente de escravos africanos, Ponciá surge já de início despojada do nome de família, pois o "Vicêncio", que todos os seus usam como sobrenome, provém do antigo dono da terra e era como lâmina afiada a torturar-lhe o corpo. Essa marca de subalternidade, que denuncia a ausência entre os remanescentes de escravos dos mínimos requisitos de cidadania, estende-se pelo penoso circuito de vazios e derrotas, no qual tanto a menina quanto a mulher vão sendo alijadas dos entes queridos e de tudo o que possa significar enraizamento identitário. E depois de perder também os sete filhos que gerou, Ponciá cai na letargia que a faz perder-se de si mesma.

Ponciá vai em busca de dias melhores na cidade, mas acaba desterritorializada numa favela, vegetando ao lado de um marido que não a compreende. Sua descendência escrava vai se confirmando na vida difícil que leva, nos sonhos apagados pela discriminação e pela marginalização que tanto ela, quanto os outros de sua família sofrem. Sua condição social e cultural continua, portanto, sendo regida pelo passado africano. Sua trajetória do espaço rural para o urbano representa sua condição diaspórica. A passagem em que a menina faz a viagem de trem para a cidade confirma isso:

O inspirado coração de Ponciá ditava futuros sucessos para a vida da moça. A crença era o único bem que ela havia trazido para enfrentar uma viagem que durou três dias e três noites. Apesar do desconforto, da fome, da broa de fubá que acabara ainda no primeiro dia, do café ralo guardado na garrafinha, dos pedaços de rapadura que apenas lambia, sem ao menos chupar, para que eles durassem até ao final do trajeto, ela trazia a esperança como bilhete de passagem. Haveria, sim, de traçar o seu destino.

Também o irmão de Ponciá, Luandi, vai para a cidade em busca de sonhos como achar a irmã que há muito havia partido e juntar dinheiro. Sua viagem também marca a diáspora daqueles que, desterritorializados, perpetuam as histórias do navio negreiro. Luandi chega à cidade sem eira nem beira. Tinha perdido pelo caminho o endereço da irmã. Chegou num dia de chuva e frio. Trazia muita fome também.

Outra personagem que embarca no trem negreiro em busca dos filhos é a mãe de Ponciá e de Luandi: Maria Vicêncio. Em um dos capítulos do livro, o narrador nos diz que ela sabia que, por mais que relutasse, um dia a cidade também faria parte de sua travessia. Não sentia desejo algum pela aventura da viagem. Se a sua vida era a da terra, em que ela vivia, o que faria longe de lá?

E a viagem de Maria Vicêncio ocorre semelhante a dos filhos: Quando o trem, depois de intermináveis dias e noites, parou na estação, Maria Vicêncio esticou as pernas com dificuldade. Ficara todo tempo da viagem encolhida com a trouxa no colo, rezando suas orações. Sentiu a bexiga pesada, estava com vontade de urinar, mas o medo não permitira que ela se levantasse e fosse ao banheirinho do trem ou mesmo dos lugarejos em que máquina parava.

Em Ponciá Vicêncio, a autora retoma o procedimento que arriscaria chamar de brutalismo poético ao narrar, numa linguagem concisa e densa de sentido, a vida de uma mulher oriunda do mundo rural, desde a infância até a "maturidade" desterritorializada na favela em que vegeta junto ao companheiro. A narrativa configura-se como um Bildusgsroman feminino e negro ao dramatizar a busca quase intemporal da protagonista, a fim de recuperar e reconstituir família, memória, identidade. No entanto, o ímpeto antropofágico se faz presente na postura de rasurar o modelo europeu para conformá-lo às peculiaridades da matéria representada. Assim, a apropriação feita por Conceição Evaristo ganha contornos paródicos, pois em lugar da trajetória ascendente do personagem em formação, oriunda de Goethe e tantos mais, o que se tem é um percurso de perdas materiais, familiares e culturais. E, em lugar da linearidade triunfante do herói romanesco, temos uma narrativa complexa e entrecortada, a mesclar de forma tensa passado e presente, recordação e devaneio.

O interesse da narrativa cresce justamente nos gestos de resistência a esse processo de espoliação. Nele, vão surgindo as histórias dolorosas como a do pai, que, quando criança e já no período posterior à Lei Áurea, tinha que ser o pajem do filho do patrão, o cavalo no qual este montava, e até aparar com a boca o mijo do sinhô-moço... A passagem retoma de forma ampliada e crua a cena do menino Brás Cubas, de Machado de Assis, reposicionando-a num nível inédito de violência. Já o avô, suicida frustrado, decepara parte do braço e matara a própria esposa depois de ver quatro de seus filhos serem vendidos em plena vigência da Lei do Ventre Livre... Essas histórias surgem desgarradas umas das outras, e vão sendo evocadas em meio aos hiatos de racionalidade da protagonista. Formam, todavia, uma rede discursiva pela qual se recupera a memória de uma dor que é física e moral, individual e coletiva. E o corpo feito de ausências de Ponciá se recupera na arte da cerâmica, reatando no barro moldado o fio da existência. A terra, antes paliativo para a fome da menina, passa a matéria-prima para a afirmação da mulher. Ao final, o desterro na cidade grande se ameniza no reencontro com a mãe e o irmão, que parece pôr fim à errância sofrida da personagem.

Herdeira da memória familiar, Ponciá Vicêncio segue os passos de Conceição Evaristo, também esta herdeira de uma forte linhagem memorialística existente na literatura afro-brasileira. Como Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus, Conceição traz a narrativa dos despojados da liberdade, mas não da consciência. E a repetição insistente dessa presença desvalida nos incomoda e nos diz de uma aurora ainda à espera do sol... A fala diaspórica desses condenados da terra se articula de forma sincrônica e a posteriori, desconhecendo a encarnação do espírito de nacionali-dade que marca boa parte da literatura canônica.

A força e o poder das mulheres ficam também evidenciados no romance, mesmo quando há uma aparente fraqueza ou mesmo quando as mulheres sofrem até um visível domínio, como no caso de Biliza, nas mãos do cafetão. Só a eliminação física de Biliza acaba com os sonhos e a determinação da moça. O pai de Ponciá, mesmo resmungando, tinha suas ações orientadas pela mãe de Ponciá. Nêngua Kainda, uma velha mulher, era a consciência do grupo. O romance destaca as dores, as angústias, as violências que as mulheres sofrem, a solidão que elas enfrentam, mas ao mesmo tempo mostra essas mulheres em busca da vida, exibe o eterno ato de se reconstruir que elas executam no dia-a-dia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Sermão da Sexagésima versa sobre a arte de pregar em suas dez partes. Nele Vieira usa de uma metáfora: pregar é como semear. Traçando paralelos entre a parábola bíblica sobre o semeador que semeou nas pedras, nos espinhos (onde o trigo frutificou e morreu), na estrada (onde não frutificou) e na terra (que deu frutos), Vieira critica o estilo de outros pregadores contemporâneos seus (e que muito bem caberia em políticos atuais), que pregavam mal, sobre vários assuntos ao mesmo tempo (o que resultava em pregar em nenhum), ineficazmente e agradavam aos homens ao invés de pregar servindo a Deus. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Missa do Galo (publicado no livro Páginas recolhidas) fala de uma singular conversa entre uma senhora de 30 anos e um jovem 17, que tinha que manter-se acordado para acordar o amigo para irem à missa do galo. Eles conversam, ele apiada-se dela (o marido traía e ela resignava-se), admira-a e distrai-se. Por fim o amigo lhe chama, já que já havia passado da meia-noite e ele nunca mais tem outra conversa profunda com ela. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Morte do Lidador passa-se em julho de 1170. O Lidador referido no título é o cavaleiro Gonçalo Mendes da Maia, 95 anos de idade e 80 de luta. Ele e um pequeno grupo de cavaleiros lutam contra os mouros e ele é ferido. Em nova batalha contra os mouros, que receberam reforços, ele mata um dos líderes e morre; quando um dos cavaleiros mata o líder dos reforços, os mouros fogem. Neste conto Alexandre Herculano desafia a verossimilhança: quase 1000 soldados mouros fogem de alquebrados 70 portugueses apenas porque seu líder morreu.

veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Clique abaixo para ver um pouco do Programa Zmaro
Humor inteligente de forma descontraída...

 

De grão em grão a galinha enche o bico!!!
Contribua com o PobreVirtual e Programa Zmaro. Curta, comente e compartilhe o Programa Zmaro nas suas redes sociais.
Envie seus resumos, receitas, dicas, provérbios e o que mais tiver para comaprtilhar no PobreVirtual e no Programa Zmaro. Basta acessar
www.pobrevirtual.com.br/fale
Ou se preferir você pode contribuir financeiramente depositanto qualquer valor em qualquer lotérica (Caixa Econômica Federal): agência 1998, operação 013, Poupança número 8155-0, ou veja outros meios em www.Zmaro.tv/doe 
Livros e cursos são caros, me ajude a aprender novas linguagens para lhe ensinar melhor e incrementar este site com várias novidades. Quando você passar em frente a uma lotérica, lembre-se que existe alguém que precisa muito desta(s) moedinha(s), ponha a mão no bolso e perca alguns segundos do seu tempo e faça um depósito. Pegue aquela moedinha que vai acabar caindo do seu bolso e dê um bom destino a ela.