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Publicado em 1930, o volume apresenta 49 poesias, reunindo produções de Carlos Drummond de Andrade de 1925 a 1930, e está dedicado ao poeta e amigo Mário de Andrade, que publica, no mesmo período, Remate dos Males, obra que viria a dar uma nova conformação à poética do Papa do Modernismo. Alguma Poesia é volume escrito sob o ímpeto da modernidade de 1922, pratica o poema-piada, utiliza os coloquialismos apregoados pela estética, cultiva a poesia do cotidiano, repudiando as tendências parnasiano-simbolistas que dominaram a poesia até então. No entanto, o poema-piada de Drummond é antes um desabafo de um tímido que procura afogar (disfarçar) no humor os sentimentos que o amarguram. No prosaísmo esconde a procura de uma expressão poética autêntica e autônoma e, ao se voltar para o cotidiano, transcende o tempo e o espaço em busca do perene e universal. Dos supostos acima enunciados, pode-se traçar uma espécie de linha temática que Drummond seguirá em Alguma Poesia e que permanecerá durante sua trajetória poética, que, grosso modo, pode ser identificada como se segue, a partir do que o próprio autor sugere como condução temática de sua obra:

1. O indivíduo – "um eu todo retorcido"

Seção que investiga a formação do poeta e sua visão acerca do mundo. Sempre lúcido, discorre com amargor, pessimismo, ironia e humor o que ele, atento observador, capta de si mesmo e das coisas que o rodeiam. Alguns poemas sintetizam a visão do indivíduo, como o poema de abertura "Poema de sete faces" em que vaticina seu destino.


2. A família – "a família que me dei"

Uma das constantes temáticas de Drummond, presente desde Alguma Poesia até seus versos finais, é a família, sua vivência interiorana em Minas Gerais, a paisagem que marca sua memória. Contrariando o lugar-comum, ao invés de se referir à família como algo que lhe foi atribuído por Deus, o poeta coloca um "que me dei" a analisa suas relações pessoais, consciente de que se assentam na perspectiva pessoal. De modo muito individual, retrata o escoar do tempo, como é possível observar em "Infância", "Família", "Sesta", alguns dos mais significativos poemas de Alguma Poesia.

3. O conhecimento amoroso – "amar-amaro"

Com o jogo de palavras amar-amaro, título emprestado de um poema do livro Lição de Coisas, o poeta acrescenta ao substantivo "amar" o adjetivo "amargo", sentimento recorrente em alguns de seus poemas e livros escritos posteriormente. Em Alguma Poesia o tema é tratado com boas doses de humor, sátira ou pitadas de idealismo, como em "Toada do amor", "Sentimental", "Quero me casar", "Quadrilha"..

4. Paisagem e viagens

Um grupo de poesias faz anotações sobre viagens, retratando paisagens vistas e vividas, mas também recuperando as influências recebidas da sempre subserviente postura brasileira ante as supercivilizações, como em "Lanterna mágica", "Europa, França e Bahia ".

5. O social e a evolução dos tempos

Drummond constrói poemas em que contempla a mudança dos tempos, o progresso chegando e invadindo a antiga paisagem, como em "A rua diferente" ou "Sobrevivente". veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Segunda Fase do Modernismo. Saga tem como subtítulo "Um Testemunho Humanista", é narrado em primeira pessoa e é dividido em quatro partes. "Círculo de giz" é a primeira das quatro partes ; mostra Vasco Bruno, o personagem principal, ao chegar na Espanha durante a Guerra Civil para lutar nas forças governistas contra as do general Francisco Franco (que se tornou, após vencer esta guerra, um dos mais cruéis ditadores da história e colaborou com Hitler na segunda Guerra) na Brigada Internacional. Vasco vai treinando para se tornar um guerreiro apesar de abominar a violência e vai conhecendo amigos: o chileno Garcia, obcecado por Cervantes, a quem passa a abominar de certo modo após constatar um certo sadismo; Axel, o escandinavo muitas vezes avesso às mulheres que acaba morto e mutilado na sua frente, que diz a frase que inspirou o título do livro: "a vida é a mais estranha de todas as sagas"; DeNicola, o sargento experiente que tanto os ensinou; Green, o americano que torrou sua fortuna e lutava com coragem e acabou fuzilado por tentar reunir uma fuga; Brown, o negro do Sul dos Estados Unidos que tinha pensamentos estranhos sobre a morte e agonizou lentamente na última batalha de Vasco; Pepino, o palhaço sem graça que é fuzilado por violar uma menina catalã. Vasco é ferido duas vezes: na primeira vez um tiro na perna sem muita gravidade o deixa em Barcelona, onde conhece uma jovem desconhecida chamada Juana com quem tem o caso e nunca mais vê; na segunda, durante a batalha onde morre Sebastian Brown, é ferido na perna e no pulmão. Após este último conhece um doutor e, assim como na última vez que esteve num hospital, sente saudades ainda mais fortes de casa. Por fim não volta ao fronte e fica a ajudar pessoas que sofrem com a guerra em Barcelona. Por toda esta parte da história Vasco, um artista (pintor) avesso a violência, sente saudades de casa e de sua amada Clarissa, o horror à guerra (retratada com muito realismo), observa tipos humanos, filosofa sobre a miséria, sente a morte perto e percebe que, apesar de ter pulado o círculo de giz (ele se sentia como um peru que, preso a um círculo de giz, sente-se irremediavelmente preso) que o prendia, caiu apenas dentro de outro. A segunda parte, "Sórdido Interlúdio", é um único capítulo relatando a estada de Vasco Bruno no campo de concentração de Argelès-sur-Mer, em meio a espanhóis e estrangeiros, numa miséria e sofrimento que faz os vivos invejarem os mortos. Vasco pena neste campo até que é chamado pelo alto-falante, no fim do capítulo. "O Destino bate à porta" é a terceira parte. Narrado por Vasco assim como todas as outras partes, mostra sua chegada a Porto Alegre no começo de 1939 (onde é questionado pelas autoridades por suspeita de comunismo) e o reencontro com Clarissa. Vasco reencontra velhos conhecidos: Fernanda, Noel, Seixas e Pedrinho. Fernanda, casada com Noel, recebeu uma herança logo antes de Vasco partir para a Espanha e fundou uma revista infantil, um hospital infantil e alugou um cinema. Seixas é o velho médico da família que morre semanas após a chegada de Vasco. Pedrinho é o irmão de Fernanda, preso num casamento infeliz, que parasita a irmã assim como a família da esposa, tão infiel quanto ele. Acaba assassinado pelo amante da esposa após provocar briga. A partir de certo ponto desta parte Vasco passa a narrar tudo sob a forma de diário, aparecendo então o tempo entre 16/05/1939 a 21/10/1939 cronologicamente mais exato. Vasco sente os fantasmas da Guerra, as mudanças que passou nela, uma opressão da vida na cidade e de seus cidadãos, as disputas mercantilistas (Almiro Cambará, rival de Fernanda nos cinemas, a ataca baixamente em seu jornal; Vasco e ele brigam) e uma vontade de voltar à vida simples com contato com a terra como seu vizinho de cama no hospital de Barcelona havia sugerido. No final Vasco casa-se com Clarissa e decide ficar na chácara de campo de Fernanda. "Pastoral", estruturado como "Sórdido Interlúdio", é o exato oposto daquela parte: a vida de Vasco com Clarissa no campo, felizes, ela grávida, ambos a sonhar com um mundo melhor. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É a peça de teatro de Álvares e Azevedo, passada em dois atos. No primeiro ato o jovem estudante Macário chega numa taverna para passar a noite e começa a conversar com um estranho. O estranho revela ser Satã e leva-lhe a uma cidade (possivelmente São Paulo, não fica claro, mas a referência está lá) de devassidão, povoada por prostitutas e estudantes, onde Macário tem uma alucinação envolvendo sua mãe. Macário então acorda na pensão e a atendente reclama que ele dormiu comendo. Ele acha que foi tudo um sonho, mas ambos vêem pegadas de pés de cabra queimadas no chão. O segundo ato, passado na Itália, acentua a confusão: Macário e outros estudantes aparecem em cena, confusos, deprimidos e em busca do amor puro e virginal. Seu amigo Penseroso acaba matando-se por amor enquanto Macário está bêbado. A peça acaba com Macário sendo levado por Satã a uma orgia em um bar, algo reminescente de Noite na Taverna. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Manuel de Bandeira começou a se interessar por poesias e versos desde criança. Foi influenciado pelo pai, Bandeira gostava de ler as poesias que vinham nos jornais, declamar para si mesmo, os episódios de "Os Lusíadas". Seu amigo Souza da Silveira teve grande importância na sua vida, que voltava-se cada vez mais à poesia. Mas seu pai queira que ele fosse arquiteto. Manuel bandeira vai para São paulo estudar arquitetura, mas adoece e é obrigado a bandonar os estudos ( 1913), pois vai para a Suíça, se tatar da tuberculose. Lá conhece Paul Eugéne Grendel, que tornou-se um grande poeta. O outro amigo de Manuel não resistiu à tuberculose, o Charles Picker. Manuel foi influenciado por inúmeras obras literárias, principalmente a de Musset, Vehaerem, Villon, Linou e Heina. Chegou a escrever ao Eugênio de Castro pedindo recomendação ao seu editor, mas não obteve resposta. A sua primeira obra foi publicada no Brasil, e se chamava "A cinza das Horas". Seu segundo livro foi "Carnaval", que possuía o soneto "Sapos". Em 1920, quando seu pai faleceu, foi morar na Rua do Curvelo, tendo que enfrentar a pobreza. Lá escreveu outros livros: "O ritmo dissoluto", "Libertinagem", quase toda a "A estrela da manhã" e "Crônicas da província do Brasil".

Seu amigo e poeta Ribeiro Couto, teve grande importância na sua vida literária, pelo qual tomou contato com a nova geração literária do RJ e SP. No movimento Modernista, Graça Aranha era visto como o líder do movimento. mas Bandeira e Mário Andrade nunca conseguiram impor a verdade, a de que nunca foram discípulos de Graça Aranha. Chegou a se ser um dos integrantes da Academia de Letras, ao lado de Souza da Silveira, Carlos Drummond de Andrade, José Lins e outros. Foi professor de literatura no colégio Pedro em 1938. Em 1948 publica o livro "Máfia do Malungo". Quando ficou doente, aos 18 anos, esperava a morte e vivia provisóriamente, amargurado pela idéia de morrer sem ter feio nada. essa inutilidade só foi dissipada, quando percebeu que seus versos tinham importância para os outros. Passou a se sentir em paz e pronto para seu destino, podendo a morte vir, a mesma que esperava desde os 18 anos. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Eu quero a estrela da manhã Onde está a estrela da manhã? Meus amigos meus inimigos Procurem a estrela da manhã Ela desapareceu ia nua Desapareceu com quem? Procurem por toda a parte Digam que sou um homem sem orgulho Um homem que aceita tudo Que me importa? Eu quero a estrela da manhã Três dias e três noites Fui assassino e suicida Ladrão, pulha, falsário Virgem mal-sexuada Atribuladora dos aflitos Girafa de duas cabeças Pecai por todos pecai com todos Pecai com os malandros Pecai com os sargentos Pecai com os fuzileiros navais Pecai de todas as maneiras Com os gregos e com os troianos Com o padre e com o sacristão Com o leproso de Pouso Alto Depois comigo Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples Que tu desfalecerás Procurem por toda parte Pura ou degradada até a última baixeza Eu quero a estrela da manhã. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Incluï-se entre os melhores livros de contos de nossa Literatura. São 13 contos centrados, tematicamente, no processo de aprisionamento dos indivíduos através dos "laços de família", de sua prisão doméstica, de seu cotidiano.

As formas de vida convencionais e estereotipadas não se repetindo de geração para geração , submetendo-se as consciências e as vontades.A dissecação da classe média carioca resulta numa visão, desencantada e descrente dos liames familiares, dos "laços" de convenção e interesse que minam a precária união familiar.

Os três mais conhecidos são Amor, Uma galinha, e Feliz Aniversário.

"Devaneio e embriaguez duma rapariga'

Uma típica senhora portuguesa casada, certo dia ao encontrar-se defronte ao espelho a mirar-se, estando só em casa ( os filhos e o marido estavam fora ) começou a devanear. Tanto que ficou o tempo inteiro no quarto sob a cama_ o que fez o marido pensar que esta estava doente.

Tão logo os filhos voltam ao lar, a vida retoma o seu norte e nossa personagem volta ao seu ritmo cotidiano, apenas desmanchado por um encontro de negócios entre seu marido e respectivo chefe.

Embriaga-se e desenvolve muita prosa com o chefe do marido_ em verdade enciumava a beleza da vestimenta de outra mulher no recinto e isto feriu-lhe a vaidade.

Ao chegar em casa repensa sua própria sensualidade e o desejo que podia despertar nos homens.
"Amor"

Ana_ urna mulher casada, pacata e mãe de dois filhos, tinha uma vida doméstica muito calma, donde cuidava dos seus com o esmero e amor típicos de uma pessoa fraterna e sensível. Aliás Ana, em hebraico significa "pessoa benéfica, piedosa".

Certo dia ao ir às compras encontrou-se com um cego que muito a impressionou; com a freada brusca do bonde onde se encontrava_ os ovos que carregava acabaram quebrando-se_ pronto! A sua paz tão duramente conquistada desapareceu.

Transtornada acabou por descer no Jardim Botânico que por sua beleza fê-la temer o próprio inferno. Aqui podemos fazer um paralelo entre a beleza que salta aos olhos e o cego que está privado disto_ este último vive o próprio inferno em terra. Esta então é a explicação de tanto que impressionara a personagem.

Ao voltar para casa sentia que alguma coisa havia mudado dentro de si, abraçou o filho tão fortemente que o assustou e foi ajudar o marido quando este derrubou o café. Carinhosamente este pegou-lhe a mão e levou-a para o quarto para dormirem.
"Uma galinha"

Uma galinha de domingo, pronta para o abate. Contudo quando apanhada pelo pai da menina que é a narradora da estória, a galinha acaba pondo um ovo_ imediatamente a menina avisa os demais familiares do fato e alerta-os para a nova condição de "mãe" da galinha.

O pai de família, sentindo-se culpado por tê-la feito correr para o abate, acaba por nomear a ave como de estimação sob pena de que se o animal fosse sacrificado nunca mais voltaria a alimentar-se da galinha.

Contudo, houve um dia em que "mataram-na, comeram-na e passaram-se anos."
"A imitação da rosa"

Laura, casada e sem filhos, preparava-se para um jantar na casa de amigos. Era a primeira vez que ela faria isto desde que voltara do hospital, onde fora internada. provavelmente por causa de um surto. Ela pretendia estar pronta, de banho tomado, em seu vestido marrom, a casa limpa e a empregada despachada, quando seu marido, Armando, chegasse. Assim teria tempo livre para ficar à disposição dele. e ajudá-lo a arrumar-se.

Laura parecia perseguir a perfeição a todo custo, vigiava-se para ser um esposa modelo, submissa e obediente, mediana até na cor dos cabelos, nem loura, nem morena: de modestos cabelos marrons Ela procura parecer normal, premedita todos os seus gostos. Não quer que os outros se preocupem com ela. Pensa o quanto seria bom ver o marido enfim relaxado, conversando como amigo, no jantar, sem lembrar-se de que ela existe.

Exausta e feliz, pois acabara de passar em ferro todas as camisas de Armando. Laura sentou-se na poltrona da sala e cochilou um breve instante.

Quando acordou, teve a sensação de que a sala estava renovada.

Admirou intensamente as rosas que comprara pela manhã, na feira. Eram perfeitas. Resolveu então dá-las á amiga que iria, à noite visitar. Estava decidido, mandaria as flores pela empregada. Mas, logo depois, Laura hesitava. Por que as rosas, tão bonitas, não podiam ser dela mesma? Por que a beleza e exuberância das rosas a ameaçava? Acabou cedendo-as, a empregada levou as flores, e ela não conseguiu voltar atrás.

É provável que a perfeição que Laura vira nas rosas tivesse lhe provocado o impulso de romper novamente com seu lado submisso e servil para se tornar incansável. super-.humana, independente. tranquila, perfeita e serena.

Quando o marido chegou do trabalho, Laura ainda estava sentada na poltrona, e nada tinha feito do que planejara Dirigiu-se a ele: "Voltou. Armando. Voltou. (..) Não pude impedir. disse ela, e a derradeira piedade pelo homem estava ria sua voz, o último pedido de perdão que já vinha misturado à altivez de uma solidão já quase perfeita. Não pude impedir. repetiu, (...) Foi por causa das rosas, disse cor,, modéstia(...) Ele a olhou envelhecido e curioso.

Ela estava sentada com seu vestidinho de casa. Ele sabia que ela fizera o possível para não se tornar luminosa e inalcansável. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O dinossauro que fazia au-au - Editora Moderna - 1983

Este foi o meu primeiro livro, escrito depois de anos como redator profissional de histórias curtas para revistas. Nele, fica clara a intenção lobatiana de criar um grupo de personagens que critica o mundo. Uma história que procura atingir as crianças dos nove aos doze anos, com uma forma muito simples, uma narrativa linear, um narrador onisciente na terceira pessoa. Os trilhos dessa composição formam um círculo fechado: quase nada acontece em termos de enredo e nem se apresenta uma solução final para o conflito dramático proposto. Aliás, essa é uma das características do que escrevo; penso que é nocivo o conceito de que se deva sempre apresentar um final feliz para crianças e jovens, de modo a não chocá-los. Essa intenção catártica é muitas vezes mentirosa. Se eu trato do problema das drogas, por exemplo, será mentira se, no final, com a prisão do criminoso do enredo, eu sugerir que o problema das drogas estaria resolvido. Ao contrário, devo mostrar que, fora do livro, o problema continua e sua solução depende da atuação futura do leitor. Escrever para crianças e jovens é também participar de seu processo educacional, e qualquer processo educacional objetiva, antes de tudo, amadurecer a criança, informá-la, afastá-la da inocência e da ignorância, torná-la um adulto, fazer com ela deixe de ser criança. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ENSINAR
ALVES,Rubem
Coleção Polêmicas do Nosso Tempo
Editora Cortez – Autores Associados
25ª edição 1991

Resumo:

Professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor.Educador não é profissão; é vocação. É toda vocação nasce de um grande amor, de uma esperança.
Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos. Destruído esse habitat, a vida vai se encolhendo, murchando, fica triste, entra para o fundo da terra. Até sumir. Uma vez cortada à floresta virgem, tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça cresce depressa, para substituir as velhas árvores. Pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se dizer: jequitibás e eucaliptos.

Os educadores são como as velhas árvores. Possui uma fase, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma entidade, portador de um nome, de uma ‘estória, sofrendo. Tristeza e alimentando esperança. E a educação é algo pra acontecer neste espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. Espaço artesanal.

Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o educador pouco importa, pois o que interessa é um crédito cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministros.
De educadores para professores realizamos o salto pessoa para funções.

Segundo o autor, grande parte das pessoas que entram no campo das ciências sociais havia pensado, em algum momento de sua vida, em seguir uma vocação religiosa. Acontece que a ética religiosa cristã clássica sempre foi muito clara ao indicar que a moralidade de uma ação se baseia na intenção. Com o advento do utilitarismo, a pessoa passou a ser definida pela sua produção; a identidade é engolida pela função. Quando alguém nos pergunta o que somos, respondemos inevitavelmente dizendo o que fazemos com esta revolução instaurou-se a possibilidade de se gerenciar e administrar a personalidade.

O educador habita um mundo em que a interioridade faz uma diferença, em que as pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças e horizontes utópicos. O professor é o funcionário de um mundo dominado pelo Estado e pelas empresas. É uma entidade gerenciada, administrada segundo a sua excelência funcional. Freqüentemente o educador é mau funcionário, porque o ritmo do mundo do educador não segue o ritmo do mundo da instituição.

Descobriu-se que a educação, como tudo o mais, tem a ver com instituições, classes, grandes unidades estruturais, que funcionam como se fossem coisas, regidas por leis e totalmente independentes dos sujeitos envolvidos. A realidade não se move por intenções, desejos, tristezas e esperanças. A interioridade foi engolida. É justo que nos preocupemos com pessoas, mestres e aprendizes. Mas não é neste nível que se encontram as explicações, a ciência do real. Reprodução aparelho ideológico de Estado. A paixão é o segredo do sentido da vida.”Cada pessoa que entra em contato com a criança é um professor que incessantemente lhe descreve o mundo, até o momento em que a criança é capaz de perceber o mundo tal como foi descrito”. Professores que não sabem que são professores, sem créditos em didática nem conhecimento de psicologia.

Todo cientista que se preza faz a crítica às ideologias, vê com clareza, percebe o equívoco dos outros. Cada teoria social é uma teoria pessoal, falar no impessoal, sem sujeito, não passa de uma consumada mentira, um passe de mágica que procura fazer o perplexo leitor acreditar que não foi alguém muito concreto que escreveu o texto, mas um sujeito universal que contempla a realidade fora dela.Não é preciso reconhecer que o mundo dos operários é diferente do mundo dos intelectuais, as diferenças se encontram em categorias menos abrangentes. Acontece com os seus corpos faz uma diferença, e que nem tudo pode ser reduzido á sua classe social. É possíveis que o pensamento livre de valores seja um ideal, com toda a certeza ele não é uma realidade em parte alguma.

A significação humana de um conceito como o de classe social e a sua possível eficácia política se derivam do fato de que uma classe é uma forma social de se manipular o corpo, pois o propósito de toda educação é a domesticação do corpo.

Dispomos de métodos de análises do que nos permitem compreender cm rigor certas relações estruturalmente determinas.

Escolas são instituições tardias e apertadas, enquanto a educação tem a idade do nascimento da cultura do homem, que fazem os mestres - pais, mães, irmãos, sacerdotes, padrinhos - senão ensinar a um aprendiz o uso correto do seu corpo. E o corpo aprende a fazer as necessidades fisiológicas nos lugares e tempos permitidos, a conquistar o relógio biológico e a acordar segundo o tempo convencional das atividades socialmente organizadas, a se disciplinar como guerreiro, como artistas ou como puro cérebro.

Voltar ao corpo como grande razão tem sentido político, porque é o corpo que dispõe de um olfato sensível aos aspectos qualitativos da vida social. Pedagógico, porque a sabedoria do corpo o impede de sentir, aprender, processar, entender, resolver problemas que não desejam diretamente ligados as suas condições concretas. O corpo só preserva as idéias que lhe sejam instrumentos ou brinquedos, que lhe sejam úteis, que o estendam.

A palavra é o testemunho de uma ausência. Ela possui uma intenção mágica, a de trazer á existência o que não está lá... A intenção de manter viva a promessa do retorno.Um dos ardis da palavra está em que ela req6uentemente significa o oposto do que enuncia. Porém, toda palavra pe para ser acreditadas. O educador fala ás pessoas e assim constrói as bases que tornam possível o mundo humano, mas esta construção depende da capacidade do educador de usar os símbolos que circulam ente as pessoas comuns. O conteúdo de nossa fala sobre a educação é fazer com que pensássemos sobre pecualidades do nosso discurso no ato esmo de educar.

O conhecimento já nasce solidário com o corpo e faz com que o corpo faça o que tem de fazer.
Repetição sem fim. Cada geração reproduz a outra. Graças à repetição e á reprodução a vida é possível.

Educação é o processo pelo qual aprendemos uma forma de humanidade. E ele é mediado pela linguagem. Aprender o mundo humano é aprender numa linguagem, porque os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo.

A massa de informações que me atinge a cada momento é filtrada, selecionada, organizada, estruturada pela mediação da linguagem. E é este mundo estruturado que eu posso conhecer e é em relação a e a que se organiza o meu comportamento.

A linguagem tem a possibilidade de fazer curtos-circuitos em sistemas orgânicos intactos, produzindo úlceras, impotência ou frigidez, carregam consigo as proibições, as exigências e expectativas o á personalidade do homem se forma por este complexo lingüístico.Os leigos pensam em decorrência dos seus hábitos de linguagem; os cientistas em decorrência da exigência da lógica e da investigação.Ser capaz de dizer a verdade como ela é, usa o empirismo, para consolidar a ruptura por meio de explicações psicológicas das origens das idéias e das palavras.

OBJETO – ESTÍMULO -- IMPRESSÃO -- IDÉIA—PALAVRA

Devemos tomar cuidado sobre o discurso ideológico é um mascaramento dos valores que realmente revelam os nossos investimentos emocionais, os únicos que conduzem á ação.A questão de valores deixa lugar ao político e materialista, numa utopia, numa esperança, num paraíso futuro, são discursos que nascem do amor e provocam o amor a ação se mistura com eles, como a atividade criadora que traz á existência aquilo que ainda não existe.
O educador se desculpa apontando para as leis do capitalismo. A escola é aparelho ideológico do Estado, sua autonomia e relativa, muito pequena e no final o processo desemboca na reprodução.Grande parte das misérias da educação decorre dos acordos mesquinhos que educadores e cientistas estabelecem entre si.

Ao tratar da educação, eu prefiro me concentrar a análise institucional, pois ela se abre numa esfera em que a minha decisão conta, em que as pequenas alianças fazem uma diferença, em que o indivíduo e os grupos reduzidos ganham significação. Porque é somente a partir de pessoas concretas, de carne e osso a linguagem é falada.

Quanto ao método, a precisão mão é o único critério para a escolha do método, pois o uso rigoroso de um método não pode ser o critério inicial e final na determinação da pesquisa.
Não se pode entender o processo educacional, na sua totalidade, se não se levar em conta fatores de ordem biológica, psicológica, social, econômica e política.

O ponto inicial de uma pesquisa deve ser a relevância do problema. Devemos avaliar individualmente o desempenho de uma pessoa. O rigor metodológico pode deixar de ser um ideal científico válido e se transformar num artifício institucional pelo qual as instituições mais criativas são bloqueadas. É necessário que nos lembremos de que o rigor metodológico é apenas uma ferramenta provisória.
O método se subordina a uma construção teórica. Quando as construções teóricas dominantes entram em colapso, a permanência do método que lhes era próprio, só conduz a equívocos cada vez maiores.

É necessário saber discriminar os problemas que merecem e devem ser investigados. Este poder de discriminação não nos vem da ciência. A ciência só nos pode oferecer métodos para explorar, organizar, explicar e testar problemas escolhidos. Ela não pode dizer o que é importante ou não. A escolha dos problemas é um ato anterior á pesquisa, que tem a ver com os valores do investigador.

A ciência pela ciência é uma ilusão d cientistas que se fecham em seus laboratórios ou mundos mentais. Não é possível ao investigador ficar de fora dos problemas que ele investiga. É necessário tomar partido.A pretensão do educador é ser não apenas uma peça manipulada, mas um agente que toma a iniciativa.

Ter consciência da sua situação estratégica é ter consciência de o serviço de quem o pesquisador se encontra. Sabe-se que os processos de educação são processos de controle. Pela educação o educando aprende as regras das relações sociais dominantes e adquire as informações de quem irão transformá-lo em um cidadão atuante.

Tecnólogos hoje valem mais do que filósofos porque o seu conhecimento pode ser facilmente transformado em formas políticas e econômicas de poder. O ato de pesquisa é um ato político.

Educação e política têm a mesma função; controlar o comportamento. Na educação busca-se levar o indivíduo a aceitar voluntariamente as regras do jogo social. O educador consciente de que a função social da educação é reduplicar a sociedade, mas consciente ao mesmo tempo de que freqüentemente é a própria ordem social que se constitui num problema. A abordagem adequada do problema contemplaria a necessidade de mudanças sociais. Ou educação para a integração, na linha de uma engenharia do comportamento, ou educação par a transformação, na linha de uma engenharia da ordem social.

A ciência não poderá ajudá-lo na tomada de decisão. Ela poderá simplesmente ajudá-lo a antever as conseqüências de sua decisão, uma vez tomada.

Para pesquisar, a nível filosófico, seria questionar os cenários, as estruturas, os pressupostos comumente aceitos sem exame. A filosófica o que se busca é questionar o conhecimento familiar de que lançamos mão pa explicar nossas práticas cotidianas. Em relação à educação compete á filosofia fazer as perguntas embaraçosas acerca das ilusões e das ideologias da educação, buscar as sínteses criativas e construir novas sínteses a partir de conceitos divorciados de homens de carne e osso. O filósofo tende a se tornar um profissional do conceito. Ele trabalha dentro de um esquema rígido d divisão de trabalho na qual a única matéria prima de que dispõe são suas idéias. É necessário que o filósofo trabalhe com as idéias poderosas para informar a ação. A missão do filósofo é sentir os sofrimentos dos oprimidos, ouvir as suas esperanças, elabora-las de forma conceptual há um tempo rigorosos e compreensível e devolvê-las àqueles de onde surgiram. A tarefa do filósofo não é gerar, mas partejar, não é criar, mas permitir que aquilo que está sendo criado venha á luz.

Na pesquisa científica é natural qual a relevância do problema seja colocada em segundo plano.Nenhum indivíduo pode levar a cabo uma pesquisa. Ele em de pertencer a instituições ricas o bastante par possuir tais recursos. As pesquisas são financiadas por convênios com organização cujo interesse é puramente econômico. O conhecimento científico é feito sob encomenda, vendido e comprado. O que se deseja é uma receita simples para um problema prático com que se defronta.Além da dificuldade do seu tratamento metodológico e do fato de que ninguém faz encomendas de conhecimento a cerca do todo, existe esta postura ideológica par justificar a prática científica.

A situação estratégica da Universidade é ta que a maior resistência deve vir dos interesses econômicos e políticos. O produto deve ser lançado ao mercado o mais rapidamente possível, pois só assim virão. Os dividendos dos investimentos anteriores da pesquisa.

Mensagem

Existem professores e educadores. A diferença que existe entre eles é o amor.São confundidos assim com se confundem jequitibás e eucaliptos. Na analogia jequitibás são os educadores, arvores rara que demora crescer. Preocupa-se com a relação alunos de forma que interioriza, definida por sua paixão, sonhos e esperanças. E os professores, são como eucaliptos, nascem em qualquer lugar sem nascem em qualquer lugar, ensina a profissão. Que se interessa no crédito cultural das disciplinas que é dominado e segue leis a partir de um interesse de sistemas, qualquer um que ensina é professor.

Deve se acordar para a expressão, o educador deve saber discursar no ato de educar, saber usas os símbolos e palavras, que circulam ente os educandos. Acordar as teorias que são postas em formas pessoais, o pensamento livre de valores seja um ideal, máster a certeza que não é uma realidade em parte alguma.

O nascimento nasce com o corpo e o que aprendemos no mundo é uma linguagem adequada e trabalhamos com ela para liberar nossos pensamentos, ideologias, sentimentos e provocar a ação.

O processo educacional deve ser entendido junto com os fatores biológicos, sociais e políticos da criança. Deve-se escolher os problemas de questão educacional e pesquisa-los, onde o educador tem que ser um agente que toma iniciativas. Por sua vez, hoje, o educando é manipulado conforme os interesses da sociedade, que controla o seu comportamento e é orientada à integração a vida social. Filosoficamente devemos analisar os cenários para explicar a rotina, com consciência tranqüila e o uso da certeza lógica, trabalhar com idéias poderosas para informar a ação, tendo o objetivo de criar e usufruir a criação. A nível científico o objetivo é a economia, a exploração e conquista de um produto com lucros rápidos. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em Pau-Brasil, põe em prática as propostas do manifesto do mesmo nome. Na primeira parte do livro, "História do Brasil", Oswald recupera documentos da nossa literatura de informação, dando-lhe um vigor poético surpreendente. Na segunda parte de Pau-Brasil - "Poemas da colonização" -, o escritor revê alguns momentos de nossa época colonial. O que mais chama a atenção nesses poemas é o poder de síntese do autor. No Pau-Brasil há ainda a descrição da paisagem brasileira, de cenas do cotidiano, além de poemas metalingüísticos. (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) O Verso livre, o tom de prosa, a simplicidade da linguagem e a extrema condensação, ou síntese, são os principais elementos de modernidade deste poema-metalinguístico, poesia sobre poesia. Ele sugere a idéia da poesia como ingenuidade, surpresa, e também imaginação, invenção, magia, liberdade, na medida em que é associada ao universo infantil: um universo sem fronteiras entre sonho e realidade, um universo poético, portanto, que pode ensinar ao adulto, talvez não exatamente a descoberta, mas a redescoberta da poesia. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Aqui, a valorização da linguagem coloquial, popular, próxima da vida, opõe a gramática, o professor e o mulato sabido ( ou seja, a escola, a regra, a norma, o pedantismo), ao bom negro e ao bom branco da Nação brasileira: nacionalismo e crítica ao "mestiço", que lembra Gregório de Matos. O Capoeira - Qué apanhá sordado? - O quê? - Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) A idéia de luta é sugerida apenas por um diálogo-relâmpago, tipicamente popular (note o texto escrito copia a oralidade) e pela metonímia (pernas e cabeças na calçada - a parte pelo todo), que ilustra o estilo teegráfico, extremamente sintético, de Oswald de Andrade. Segundo Antônio Cândido , Oswald foi o inaugurador, em nossa literatura, da transposição de técnicas de cinema - "montagem" de cenas, tentativa de descontinuidade para causar a impressão de "imagens simultâneas" - para o texto literário. Relicário No baile da corte Foi o conde d'Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de Suruí Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê bebê pitá e caí (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Este poema é representativo da proposta Pau-Brasil de poesia de exportação. Recontar momentos significativos da história da colonização do Brasil de maneira irônica, crítica, como na cena de Relicário . Nela, um personagem histórico, o Conde d'Eu, no baile da Corte, conversa com Dona Benvinda uma "conversa de cozinha": rítmica, folclórica, engraçada, surpreendente para o contexto do baile da Corte. Note que o relicário significa recinto ou lugar especial, próprio. Está na impropriedade, então, este contexto e tipo de conversa, a ironia e a blague (a piada) oswaldianas. Canção de Regresso à Pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Esta é a primeira paródia modernista da Canção do Exílio de Gonçalves Dias, poeta romântico. Hino à nacionalidade, o poema original apresenta uma visão ufanista, idealizadora da pátria. Em sua paródia, Oswald de Andrade troca palmeiras por palmares, mostrando, assim, o nacionalismo crítico dos modernistas: minha terra tem opressão, escravidão, dominação e também lutas pela libertação. Palmares é o nome do mais famoso quilombo para onde fugiam os escravos. Há, também, uma referência clara, ao progresso de São Paulo - símbolo do desenvolvimento econômico do país - que se opõe à valorização da natureza presente no poema de Gonçalves Dias. Ao dizer que os passarinhos daqui, isto é, do estrangeiro, não cantam como os de lá - os do Brasil - Oswald relativiza o juízo de valor, a idéia da superioridade de nossa fauna e de nossa flora em relação à Europa, afirmando a diferença em oposição ao que se encontra em Gonçalves Dias. O verso E quase que mais amores acentua a relativização do patriotismo romântico a que nos referimos e, finalmente, a ausência de pontuação, especialmente em Ouro terra amor e rosas, acaba de configurar a modernidade da Canção de Regresso à Pátria: poema paródico que, aparentemente imitando o texto a partir do qual foi escrito, o que faz, na verdade, é inverter o seus sentidos através da sátira. A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de Jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho. A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária. Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas sopradas. Rebentaram. A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, critica, donas de casa tratando de cozinha. A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem. Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo : o teatro de tese e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris. Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Agil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia. A poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma criança. Uma sugestão de Blaise Cendrars : - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino. Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias. A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros. Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: Poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação. Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadros de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho... Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado - o artista fotógrafo. Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Stravinski. A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas. Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano. Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: 10) a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne e Malarmé, Rodin e Debussy até agora. 20) o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva. O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil. Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatores destrutivos. A síntese O equilíbrio O acabamento de carrosserie A invenção A surpresa Uma nova perspectiva Uma nova escala. Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil O trabalho contra o detalhe naturalista - pela síntese; contra a morbidez romântica - pelo equilíbrio geômetra e pelo acabamento técnico; contra a cópia, pela invenção e pela surpresa. Uma nova perspectiva. A outra, a de Paolo Ucello criou o naturalismo de apogeu. Era uma ilusão ética. Os objetos distantes não diminuíam. Era uma lei de aparência. Ora, o momento é de reação à aparência. Reação à cópia. Substituir a perspectiva visual e naturalista por uma perspectiva de outra ordem: sentimental, intelectual, irônica, ingênua. Uma nova escala: A outra, a de um mundo proporcionado e catalogado com letras nos livros, crianças nos colos. O redame produzindo letras maiores que torres. E as novas formas da indústria, da viação, da aviação. Postes. Gasômetros Rails. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O correspondente da surpresa física em arte. A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de idéias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido. Nossa época anuncia a volta ao sentido puro. Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz. A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres. Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a algebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações. Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil. Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil. O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional. Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época. O estado de inocência substituindo o estada de graça que pode ser uma atitude do espírito. O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica. A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna. Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia. Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Edu sonha em ser médico, mas nem dinheiro para o cursinho tem. Já seu amigo Rogério só pensa em se divertir. Camila quer ser atriz, mas o pai é contra. Kátia, filha da socialite Yeda Maravilha, mesmo não se identificando com a vida da mãe, não pensa muito em estudar e trabalhar. A vida desses jovens está prestes a mudar. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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