Ser pobre é usar limão como repelente de moskito......

veja todos os voos de drone em

www.Zmaro.tv/Drone

 

 

Mais
acessados

Principal

Modelos de
Documento

Receitas

Resumos
de Livros

 Perguntas e Respostas
 Jurídicas

Idéias para
ficar rico

Dicas gerais

Dizem que

Ser pobre é


Memorização

Curso de Memorização

Memorização:
que dia cai?

Demais
Cursos e
apostilas


Gastronomia

carnes

bacalhau

dicas gerais

microondas

 receitas diversas

Receitas

em vídeo

tudo sobre congelamento

vinhos


Download

delivery

palpites para loteria

simulador keno (bingo)

treine digitação

ringtones de graça

Saiba quais números
mais e menos saem
na MEGASENA


Contato

Fale com o Zmaro
e/ou
PobreVirtual

Site do
Programa Zmaro

Vídeos do
Programa Zmaro
Humor inteligente
de forma descontraída...

 
Papéis Avulsos - Machado de Assis
envie seus resumos e sugestões, clique aqui
1. Compreender que a avaliação formativa não passa de uma utopia promissora
Avaliação:
-multidimensional;
-tem por objetivos contribuir para o êxito da aprendizagem: avaliação formativa;
-é o horizonte da prática avaliativa em terreno escolar.

Avaliação distingue-se:
-implícita: se revela por meio de seus efeitos;
-espontânea: formula-se e é subjetiva;
-instruída: operacionaliza-se por meio de instrumentação para produzir as informações sobre as quais se baseará o julgamento.

Avaliação de referência normativa, avaliação de referência criteriada

Normativa: impõe normas de comportamento. A avaliação livre de normas é utopia, sem possibilidade lógica. A norma não é subjugante nem libertador, é um modelo valorizado pelo grupo. A avaliação normativa tem por objetivo situar os indivíduos com relação aos outros.
Criteriada: aprecia determinado comportamento situando-o em relação a um alvo – critério ou objetivo a ser atingido.
Se de um lado elas se opõem, por outro a normativa é em parte criteriada, porque situa alguns desempenhos com relação aos outros e refere-se a critérios de conteúdo. A criteriada pode levar a normativa, e ambas podem ser ou não formativas.

Avaliação prognóstica, formativa e cumulativa

Prognóstica: precede a ação de formação, identificando no aprendiz seus pontos fortes e fracos;
Cumulativa: feita depois da ação, ela e verifica se as aquisições, com vistas a expedir ou não, o “certificado” de formação;
Formativa: situa-se no centro da formação, porque sua principal função é contribuir para uma regulação da atividade de ensino, de levantar informações úteis a regulação do processo ensino-aprendizagem.
Toda avaliação tem uma dimensão cumulativa e prognóstica. O conteúdo e as formas de ensino deveriam e adaptar as características dos alunos reveladas pela avaliação (pedagogia diferenciada).






Avaliação formativa como utopia promissora

Intenção do avaliador: tornar a avaliação formativa, modelo ideal.
Perrenoud diz que é “formativa toda avaliação que auxilia o aluno a aprender e a se desenvolver, ou seja, que colabora para a regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de u projeto educativo”.
Na avaliação formativa:
-o professor será informado dos efeitos reais de seu trabalho e poderá regular sua ação; terá flexibilidade, vontade de adaptar-se, variabilidade didática.

-o aluno saberá onde anda, tomará consciência de suas dificuldades, reconhecer e corrigir seus próprios erros.
A avaliação é contínua, e as correções a serem feitas dizem respeito a ação de ensino do professor e a atividade de aprendizagem do aluno.

Obstáculos a emergência da avaliação formativa

1. existência de representações inibidoras na perspectivas administrativas e na pedagogia destinada a selecionar. A avaliação é a medida contínua e viva – notas - , e o professor deve contribuir com todas as forças pra o progresso dos alunos.
2. a pobreza atual dos saberes necessários: no trabalho das interpretações coletadas e das interpretações que exige referencia teórica que dê conta dos múltiplos aspectos (cognitivos, afetivo e social).
3. a preguiça ou medo dos professores:não imaginam mediações.

2. Compreender que avaliar não é medir, mas confrontar em processo de negociação

Avaliação não é medida. A prova pela notação

O objeto ou o acontecimento não pode ser visto sob uma única dimensão. A medida é não pode ser objetiva. As variações de nota que se verificam entre um examinador e outro para o mesmo trabalho vão bem além da incerteza normal.

A impossível reforma do instrumento avaliador

Para melhorar o instrumento, é preciso corrigir seus defeitos:
-a subjetividade do corretor;
-acreditar em possível neutralização.
A melhoria implica melhor preparação da prova: designar o objeto de modo a estabelecer normas de competência dos candidatos.
A avaliação é um ato que se inscreve no processo geral de comunicação / negociação. O avaliador é um ator na comunicação social, e avaliação é interação, troca entre o avaliador e o avaliado, o aluno desempenha através do resultado da interação professor, avaliador e situação social. A percepção do examinador ao desempenho é dependente do contexto social.
A correção verifica-se as notas anteriores e a influencia do trabalho sobre o produtor, a avaliação é influenciada por informações a priori. Nela transparece a pregnância do que já foi socialmente julgado, traduzidos por arranjos de negociação entre professor e alunos, fruto de confronto com os julgamentos produzidos pelos outros; relação do corretor mantem a nota, do passado do aluno, e da relação com os alunos e do nível médio da turma.
A avaliação escolar precisa para progredir de um “contrato Social” que determine e fixe as regras do jogo.
Avaliação é ato de confronto entre uma situação real e expectativas referentes a essa situação. Não é operação científica. Ela só legitima no seio de determinada instituição. Ela expressa a adequação (ou não) entre a relação atual do aluno com o saber e do objeto de desejo institucional.

Avaliação é operação de leitura da realidade

A leitura é sempre seletiva, não é medida. E a avaliação, como toda leitura, é orientada. Por sua essência, a avaliação não pode ser objetiva. O avaliador tem um pé no “deve ser”, que representa o conteúdo de uma expectativa especifica. Assim, avaliar implica dizer em que medida ele é adequado, ou não, ao desempenho que se podia esperar desse aluno. A relação de avaliação é de não-diferença com o objeto avaliado.
A avaliação e a leitura da realidade se fazem pela construção critérios elaborados a partir de um sistema plural de expectativas (da comunidade), e a seleção obedecerá a um critério de prioridades.

3. compreender que é possível responder a três questões pertinentes:
a) Deve-se abandonar toda pretensão quantitativa?

A avaliação não é neutra, expressa e traduz preferências, sempre discutíveis.
A instrumentação quantificativa não é garantia de mais eqüidade e de justiça do que a objetividade. Os julgamentos dos professores são baseados em instituições globais. Não se deve levar a rejeição do qualitativo, mas recolocá-lo em seu lugar. Apreciar mais o êxito das aprendizagens do que o grau de conformidade com o modelo social dominante. Avaliar é fazer agir a descontinuidade dos valores, no sentido filosófico. Medir consiste em produzir um ‘descritivo organizado’ da realidade que se apreende e se encerra em cadeia quantitativa.

b) deve-se recusar a julgar?

Não se deve julgar o êxito do aluno, mas dar-lhe a informação de que precisa para compreender e corrigir seus erros. A avaliação descritiva é a única compatvivel com tal relação de ajuda. Toda relação de ajuda exclui o julgamento. Contribuir para tornar o aluno autor de sua aprendizagem.

c) deve-se continuar a avaliar?

A AUTO-AVALIAÇÃO torna-se a chave do sistema. É a preocupação de facilitar a aprendizagem que lhe dá sentido e coerência.

Pistas para a ação – avaliação formativa:

Objetivos: privilegiar a auto-regulação, construir por meio do ensino, de maneira que o aluno perceba o “alvo”visado, aproprie-se dos critérios de realização e de êxito, e esteja em condições de julgar sua situação, tornando-se o professor capaz de fundamentar as remediações feitas sobre o diagnóstico elaborados e de diversificar sua prática pedagógica.
Modalidades: o professor não deve limitar sua criatividade e sua imaginação; deve ter a preocupação de falar correta e pertinentemente.
Condições técnicas: relacionar o exercício de avaliação ao objeto avaliado; explicar os exercícios; especificar o sistema de expectativas e os critérios; ampliar o campo das observações; tornar a avaliação informativa.
Deontologia do trabalho do avaliador: não se pronunciar levianamente; construir “contrato social”, fixando as regras do jogo, refletir e identificar o que julga poder esperar dos alunos; desconfiar de evidencias; denunciar valores em nome dos quais se tomam decisões; não se deixar levar pelo dever de reserva ou de retenção, desconfiar dos entusiasmos e dos abusos de poder.
Proposta para uma avaliação com intenção formativa, para o professor:
-desencadear comportamentos a observar;
-interpretar os comportamentos observados;
-comunicar os resultados da análise;
-remediar as dificuldades analisados.

4. Agir desencadeando de maneira adequada

Avaliar significa escolher provas e exercícios, construir uma avaliação e determinar condições. Dizer sobre o que será a avaliação, quando ocorrerá, o tempo que lhe será concedido, as tarefas que o aluno deverá realizar, que atuação será levado em conta, etc. Toda avaliação instituída exige dispositivo elaborado.


A avaliação só é formativa se for informativa, tem por função preparar uma tomada de decisão de ordem didática. É essencial articular conteúdos sobre a aquisição dos quais há um questionamento com exercícios capazes de informar sobre essa aquisição.

A tarefa como desencadeador privilegiado

O exercício –desencadeador deve obedecer exigências e significância.
Analisar a tarefa em torno:
-do alvo (objetivo), resultado material da atividade desenvolvida;
-os critérios de realização, procedimentos das tarefas e ações de cada tarefa especifica;
-critérios de êxito aceitabilidade para resultados das operações;
-condições de realização externos (tempo, documentos, trabalho individual, grupo) e internas (conhecimentos imobilizados).
A tarefa é meio e não o fim.

5. Agir observando/interpretando de maneira pertinente

Os exercícios –desencadeadores são instrumentos para a avaliação, resultado do trabalho do aluno deverá ser lido e exigirá interpretação. Avaliar requer observar e interpretar.

Tensão sobre observável/inobservável

Análise de comportamento: centrada sobre os observáveis (factual e descritiva);
Análise de conduta: necessário a interpretação onde raciocínio e representações (inobserváveis) do sujeito devem ser inferidos.

O problema da análise dos erros

O erro pode se expressar por dificuldades (de leitura, com os tempos dos verbos, com os advérbios, com as relações, com a análise) ou confusões entre a ordem de apresentação e a ordem cronológica. É essencial compreendê-lo para superá-lo, deve ser um meio para tornar a avaliação informativa.

Facilitar o procedimento de auto-avaliação

Contar com a participação do aluno.
Processo de construção da auto-avaliação como habilidade:
Autocontrole espontâneo ou regulação cognitiva implícita: autonotação – autobalanço – autocontrole crítico –regulação instrumentalizada e metacognitiva.

6. Agir, comunicando de modo útil

o professor deve tomar cuidado para que sua comunicação seja clara, preocupar-se em formular frases, designar objetivamente o que se quer descrever, esforçar-se para abrir diálogo com o aluno, sugerir sugestões para melhorar o seu desempenho.

Comunicação, deontologia, ética

Para a avaliar é preciso ter a sensação do que as coisas valem, o que implica relação não indiferente com o mundo. O professor deve estabelecer bases de confiança no sentido ético, pois a avaliação formativa envolve afetividade. Com isso ele deve aceitar o principio da discussão e do questionamento e buscar imperativos válidos para se alcançar os objetivos, fazer o que for necessário e legitimo pela comunidade se fazer referência a pessoa humana. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O texto é dividido em quatro partes, que delimitam as etapas da história e as transformações ocorridas. Vamos, a seguir, acompanhar cada uma dessas partes. Primeira parte Esta parte se inicia com o relato do caso ocorrido em 17 de novembro de 1 957. Um homem e uma mulher entraram em um bar, sentaram-se e pediram dois martinis. Ela foi ao telefone e ele foi ao banheiro. Quando retomaram, a mulher (Carmem) tomou a bebida e caiu morta. Estabelecida a confusão, ninguém sabe como a polícia chegou. Chegou e, inicialmente, supôs tratar-se de suicídio. Entretanto logo surgiram as suspeitas de que se tratava de assassinato. O marido, Amadeu Miraglia, foi considerado como o principal suspeito. Preso, acabou confessando; mais tarde, em juízo, alegou que fora torturado para confessar e acabou absolvido da acusação. Cinco anos depois, Maria, 2º mulher de Amadeu Miraglia, vai à delegacia apresentar queixa, porque desconfia que ele quer inatá-la e que usará veneno para que o caso termine como anterior. Amadeu é interrogado e nega tudo. Levanta a hipòtese de que ela. Maria, pretende matar-se e jogar a culpa nele. Acrescenta que já está acostumado com este tipo de injustiça, pois quando criança também foi acusado pelo pai, injustamente, pela morte de um passarinho. Segunda parte Curiosamente, esta parte se inicia da mesma forma que a primeira, inclusive com a repetição das mesmas palavras. Para o leitor, fica parecendo que Miraglia e a mulher estão envolvidos num novo assassinato, mas na realidade o que se passa é a reconstituição do crime. A partir deste momento, o leitor toma contato com novas informações, que ele terá de juntar às anteriores para compor um quadro de hipóteses coerentes quanto à atitude dos personagens. Miraglia conta que ia se casar com Carmem e que ela estava grávida. Miraglia diz que o filho não poderia ser seu, pois ele era estéril. Miraglia explica que Carmem se suicidou porque não queria admitir lhe fora infiel. Miraglia diz que Maria também queria se matar, porque também estava grávida e sabia que o filho era ilegítimo Em meio a tantas informações, o caso toma vários caminhos, que o comissário Serpa tenta questionar, concluindo que todas as suspeitas apontam para Miraglia. A història se repete: Maria vai com Miraglia ao bar, toma um martini e cai fulminada. Terceira parte Como se pôde ver, esta história acontece como num jogo, o de damas por exemplo, em que novas possibilidades de jogadas vão acontecendo. O detetive Serpa levanta a hipòtese de que Miraglia pretendia matar-se e Carmem, tomando o martini no cálice errado, terminou morrendo. Neste momento, Maria lhe telefona para saber se deve tomar o cálice de martini que Miraglia lhe oferece. Serpa diz que ela deve beber o outro cálice, o que pode configurar um erro, pois se Miraglia pretendia se matar, ela, Maria, morreria fatalmente. Quarta parte Novamente o leitor é levado a crer num real assassinato, que acaba por não ocorrer. Maria não havia morrido e resolve retirar a queixa contra Miraglia, porque se arrependeu e acabou dando o caso como encerrado. Serpa, finalmente, tem uma pista concreta em suas mãos: a morte de uma mulher desconhecida, por envenenamento, no mesmo bar onde ocorreu a primeira morte. O fato leva Serpa a concluir que uma desconhecida havia tomado o martini de Miraglia e morrera, o que confirma que ele pretendia mesmo se matar. O final é inconcluso, não deixando qualquer certeza sobre a culpabilidade ou não de Miraglia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O gênero A crônica é fruto do jornal, onde aparece entre notícias efêmeras. Trata-se de um gênero literário que se caracteriza por estar perto do dia-a-dia, seja nos temas, ligados à vida cotidiana, seja na linguagem despojada e coloquial do jornalismo. Mais do que isso, surge inesperadamente como um instante de pausa para o leitor fatigado com a frieza da objetividade jornalística. De extensão limitada, essa pausa se caracteriza exatamente por ir contra as tendências fundamentais do meio em que aparece, o jornal diário. Se a notícia deve ser sempre objetiva e impessoal, a crônica é subjetiva e pessoal. Se a linguagem jornalística deve ser precisa e enxuta, a crônica é impressionista e lírica. Se o jornalista deve ser metódico e claro, o cronista costuma escrever pelo método da conversa fiada, do assunto- puxa- assunto, estabelecendo uma atmosfera de intimidade com o leitor. A obra Os melhores contos de Rubem Braga (1985) na verdade são 39 crônicas, selecionadas pelo professor Davi Arrigucci Jr., que podem ser divididas em: 1. Passado interiorano ou em Cachoeiro do Itapemirim - reunindo as crônicas em que o narrador aborda, de forma lírica e nostálgica, a vida na cidade pequena do interior, entre caçadas de passarinho, encontro com moradores da cidade grande, peladas na rua, pescarias, cachorros amigos, e a vegetação abundante do meio quase rural: 1. Tuim criado no dedo - Menino, durante férias em cidade do interior, cria um tuim, o menor dos periquitos brasileiros, "no dedo", ou seja, o ensina a obedecer seus chamados e deixa-o viver livre, fora da gaiola. Quando a família retorna a São Paulo, o tuim foge e é aprisionado por outra família. Recuperando-o, o menino corta-lhe as asas. Mas, no instante seguinte, o tuim é devorado por um gato. 2. Diário de um subversivo - No "remoto ano de 1936", durante a perseguição getulista aos comunistas após a Intentona de 35, o narrador apresenta sua fuga da repressão, em forma de diário, do dia 15 de fevereiro ao dia 1o de março. Adotando pseudônimo, finge-se alienado em conversas com integralistas que vivem na pensão onde mora. Procurado pela polícia na pensão, é auxiliado por velho conhecido, Edgar, que o abriga em sua casa. Ao poucos vai se envolvendo com a mulher de Edgar, Alice. Afirma que se "tivesse qualquer coisa com essa mulher, seria o último dos canalhas." Termina a crônica afirmando laconicamente: "Sou." 3. A moça rica - Relincho de cavalo desperta em pescador humilde a memória de uma moça rica que viera do Rio. Usando calças, caçando e pescando, a moça de início o assusta, mas, em seguida, ao cantar, o encanta. Dois anos mais velha do que ele, pára um dia na praia solitária para conversar com o rapaz, que, assustado e ingênuo, esquiva-se de suas tentativas de aproximação e deixa escapar a chance de se envolver com a moça bonita e rica. 4. O jovem casal - Casal jovem espera o bonde. Lutam contra a miséria vivendo em uma pensão barata e suja. Vivem na feiúra de uma "vida estreita". Não podem pegar o ônibus por ser muito caro, sofrem de dores de cabeça e dentes, mas tratam-se com carinho e amor. Pára, à sua frente, um automóvel de luxo com um casal. A mulher diz, no momento em que o carro partia, que iria comprar um anel por quinze contos. O rapaz ouve isto como se fosse um soco em seu estômago mal alimentado. Com esse dinheiro, poderia pagar anos de pensão e aliviar o sofrimento de sua amada. Chega o bonde. 5. Negócio de menino - Diálogo entre um menino e o narrador, vendedor de passarinhos. O garoto vai intercalando perguntas sobre os pássaros e pausas até pedir ao narrador um passarinho de presente e depois sair correndo. 6. Coração de mãe - Marina e Dorinha são irmãs e moram com sua mãe, dona de pensão no bairro do Catete , no Rio de Janeiro. Loiras, de olhos azuis, vivem cantando. Certa noite, as moças chegam já de madrugada e "um pouco tontas". A mãe, dona Rosalina, briga com as filhas. No dia seguinte, ouve Marina ao telefone referindo-se a ela como "a velha" e as expulsa de casa. Na rua, o "cavalheirismo do bairro" se manifesta e as moças recebem várias propostas de ajuda dos "bondosos homens". Porém, são interrompidos pela mãe, que manda as filhas de volta para casa. Conclusão do narrador: não há nada no mundo como o coração de mãe. 7. Marinheiro na rua - De madrugada, na rua deserta, um "pequeno marinheiro" bate à porta de um edifício às escuras, observado do alto e à distância pelo narrador. O som da batida chega uma fração de segundo após o gesto, o que desperta no narrador uma recordação da infância e, depois, uma série de idéias, como a suspeita de que talvez o marinheiro fosse seu filho ou ele mesmo e dentro do prédio estivesse sua amada. A porta não abre e o marinheiro, cansado de bater, segue pela calçada até o narrador o perder de vista. O narrador olha, então, para a fachada do prédio e todas as luzes se acendem. O edifício fica maior e começa a se mover como um grande navio, partindo lentamente. 8. O homem da estação - Numa aldeia, na França, o narrador procura hospedagem para passar a noite. Ninguém lhe dá abrigo. Anda pelo campo e um homem de bicicleta pára e lhe pergunta se precisa de alguma coisa. Responde que não achou lugar para dormir e está indo para outra aldeia. O homem indica ao narrador onde fica a estação da estrada de ferro em que trabalha e informa que virá um trem em duas horas. Quando chega na estação, o homem lhe preparou uma cama e lhe oferece vinho. O narrador bebe "em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem. 9. Falamos de carambolas - Narrador conta uma conversa com uma amiga (?) em um bar. Falam de sorvetes e frutas até que ele pergunta o que o médico disse. Ela responde vagamente que era uma síndroma e não iria se enganar. O narrador afirma que é pessimismo dela. Ela nega, hesita, mas não pronuncia o nome da doença, para alívio do narrador. Mudam de assunto e, enquanto conversam, o narrador pensa que é insuportável saber que ela morreria. Ela critica o seu bigode e ele pergunta por que ela não toma conta dele. Ela "ri uma risada... clara, alegre, ... como o cristal..., que se parte tão fácil." 10. Era uma noite de luar - O narrador conta sobre uma noite, na época da repressão do Estado Novo, em que foi levar notícias à Marina, mulher de Alberto, um militante comunista preso. Descreve as precauções que tinha que tomar e a conversa com Marina, que está sem dinheiro, solitária, triste e cansada de se esconder. Durante a conversa, o narrador abre uma banda da janela para jogar o cigarro e comenta que o luar está bonito. Ela se aproxima da janela e ele abre a outra banda. Então ela fecha a janela com brutalidade, chama-o de estúpido, pois "está sozinha desde a prisão do marido", manda-o embora, atira-se na cama e começa a chorar. 11. Viúva na praia - Narrador conta que viu a viúva na praia com o filho e deitou-se na areia para contemplá-la. Conhecera vagamente o marido dela no café da esquina, onde soube que ele ficara muito tempo doente antes de morrer. Descreve a beleza da mulher e pensa que, se fosse ele o marido, ficaria ressentido ao saber que, poucos dias depois da sua morte, um estranho estaria olhando o corpo de sua mulher, mesmo que discretamente. Mas ele é o outro homem, está vivo, e sente-se, por isso, superior. Descreve a viúva depois de um mergulho e conclui que o sol ama a viúva. 12. A navegação da casa - O narrador é um senhor, brasileiro, que saiu do hotel e está numa casa antiga, em Paris. É abril, início da primavera. Seus amigos fazem uma festa. O narrador sente-se alegre e diz que a casa parece uma velha fragata tripulada por bêbados. Quando a festa termina, anda sozinho pela casa, imaginando os invernos difíceis que os antigos moradores lá passaram. No dia seguinte está muito frio. Os amigos chegam e ele acende todas as lareiras. As luzes são apagadas e o narrador - diante do fogo - imagina que lá estão também os fantasmas dos antigos amigos. Lembra de um sagüi - presente para a sua noiva, que ele, por distração, deixara morrer de frio em Belo Horizonte, assim como "matamos, por distração, muitas ternuras". Por fim, pensa em meninos, "em um menino". 13. Aula de inglês - Crítica ao famoso "método Berlitz ", de ensino de línguas através de perguntas e respostas. A professora pergunta em inglês, ao aluno (o narrador), se determinado objeto é um elefante. Após uma cuidadosa análise, ele responde que não. Pergunta, então, se é um livro; prontamente o narrador responde que não. Pergunta se é um handkerchief (lenço) , palavra que o aluno não conhece, mas acha antipática e responde que não. À última pergunta, se é um cinzeiro (ash-tray ), o aluno responde que sim. A reação eufórica da professora faz o narrador sair satisfeito da sua primeira aula. Pensa em comprar um cachimbo inglês e, se encontrasse o embaixador britânico, imagina "entabular uma longa conversação", em que diria que o cachimbo não é um "ash-tray". 14. Caçada de paca - O narrador conta que uma conversa sobre paca o levou a abandonar a rede, onde descansava, embaixo da mangueira e sair à noite para caçar paca, acompanhado por Anti. Depois de muito andar na noite escura, subindo e descendo morro, pensam que viram uma paca, atiram e matam um cachorro. Discutem se havia paca mesmo, mas na verdade estavam bêbados. Chegam de madrugada e as mulheres ainda riem deles. Para o narrador, Deus fez o domingo, o brasileiro armou a rede e o Diabo inventou a paca. 15. A partilha - Dois irmãos se separam e o narrador transcreve o que um deles, o mais velho, diz, enquanto fazem a partilha dos objetos da casa. Ele deseja ficar com a rede, o retrato da mãe e, principalmente, o canivete do irmão mais novo. Enquanto argumenta, as características de cada um vão sendo descritas, do ponto de vista do mais velho, que sabe pescar e lidar com o canivete, além de fazer os consertos da casa. O mais novo ganha mais dinheiro, escreve cartas e tem namorada. Através do monólogo, nota-se que o mais novo ameaça o irmão com o canivete e este lhe dá o conselho de nunca puxar canivete para outro homem, pois é arma de menino. É melhor dar um tiro com garrucha. Diz que se o matasse naquele momento estaria matando um inimigo, não seria como ele "que levantou a arma contra um irmão". Pega o canivete, reclama que o irmão não presta nem para limpá-lo, mas é bom para outras coisas e despede-se. 16. Noite de chuva - Homem está em casa em noite de temporal, após um dia difícil. Antes de dormir, pensa que há muitos anos adia consertar as coisas, dos dentes a um caso sentimental. Começa a dormir quando Joaquina Maria, "negra velha" que lavava as suas roupas, bate na porta e pede ajuda para tirar o corpo do neto dos escombros do barraco, que fora derrubado pelo temporal. Nada está funcionando na cidade. Deixa a velha na entrada da casa, tenta parar uns carros, bebe uma bagaceira e conta a história num botequim , sentindo que era ridículo o que fazia. Volta para casa pensando que de nada ia adiantar se conseguisse telefonar, pois não conseguiria assistência com aquela chuva. Encontra a velha chorando e diz secamente que arrumou tudo "para amanhã de manhã". Ela vai embora, com um ar desamparado. 17. Os perseguidos - Durante a repressão do Estado Novo, o narrador, acompanhado de Moreira, que ficara um mês preso e fora torturado, chegam ao apartamento indicado. O narrador "tem pena e desgosto" de Moreira, que está sujo e mal vestido. Uma empregada de uniforme os atende, pede que entrem e se sentem. É uma sala luxuosa com uma janela imensa com vista para o mar, que surpreende o narrador: o mar dos ricos é mais amplo, puro e azul do que o mar dos pobres, visto lá embaixo. O narrador inspira o ar salgado e limpo e tem a impressão de que aquele ar não é dele e ele nem o merece, já que o ar dos pobres é quente e parado, com poeira e fumaça. 18. A mulher que ia navegar - Mulher é observada pelo narrador, enquanto se desenrola, numa roda de intelectuais, conversa sobre pintura. Além da mulher e do narrador, participam da roda o marido dela, "todo bovino", um pintor, uma senhora, um físico e uma outra senhora desquitada. A mulher, junto à janela, está atenta às mudança de cor em seu braço, provocadas por um anúncio luminoso de um edifício em frente. Quando o marido refere-se a certo pintor com uma palavra vulgar, a mulher o olha com "menos zanga do que tédio" e o narrador sente que ela se preparava para enganá-lo, como "um belo barco prestes a se fazer ao mar". Ela procura e escolhe o físico para ser o " piloto de longo, longo curso" com quem vai navegar. 19. Força de vontade - Narrador conhece comerciante em hotel em Foz do Iguaçu. Ele não tem vícios, é solteiro e mora em São Paulo, com os pais. Durante a conversa, o comerciante comenta que está realizando o último dos seus três ideais: visitar pelo menos um país estrangeiro. Outro ideal, já cumprido, era ter um diploma. Depois do jantar, o narrador cumprimenta o comerciante por ter realizado seu ideal "em duplicata", afinal visitara dois países, Argentina e Paraguai. O comerciante afirma que provou a sua força de vontade e que, para isso, passara por muitas dificuldades. Mais tarde, o narrador o convida para um passeio de carro, ele recusa e fica no saguão do hotel. Quando o narrador volta para buscar a sua lanterna, o comerciante está com um ar "vazio como quem não tivesse coisa alguma a fazer na vida e acabasse de descobrir isto". 20. O espanhol que morreu - Em um bar no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, o amigo do narrador é confundido com um espanhol, já falecido, que freqüentava o lugar, era amigo de todos e amado de Sueli. As mulheres, Sueli e Betty, dizem que são idênticos, com a mesma cara triste e jeito de falar. O amigo do narrador se aborrece, diz que "não é espanhol, não trabalha no comércio e nem sequer está morto". As mulheres contam casos do Espanhol e como foi o seu enterro. O garçom pergunta se ele é irmão do Espanhol. Quando saem, algumas mulheres acompanham os amigos até a escada e o narrador diz ao amigo que aquela despedida era o enterro dele. O amigo, bêbado, sai andando na chuva, falando espanhol e some. O narrador o procura, mas não o encontra e conclui que "na verdade ele é o Espanhol, e morreu". 21. O rei secreto de França - Em Paris, na primavera, o narrador tem um encontro marcado com uma mulher. Enquanto espera chegar a hora, visita o túmulo de Maria Antonieta e conversa, distraído, com o guarda do lugar. Está ansioso e pensa que se sentia o rei secreto da França porque a "mais fina e bela mulher da França" viria ao seu encontro. Corre ao casarão, local do encontro, toma mais dois conhaques. A mulher chega e diz que aquele seria uma despedida, pois partiria para "remotas suécias". Ao sair, vai telefonar, enquanto ele entrega a chave do apartamento 14 à velha "concierge"e paga em dobro. A velha diz para ele nunca perder uma mulher como aquela. A mulher sai da cabine , ele beija a sua mão, ela entra no táxi chorando e o narrador a descreve como "a futura Rainha da Suécia, das distantes suécias e noruegas do nunca mais." 22. Visita de uma senhora - O narrador atende a porta e entra uma moça bonita. Segue-se um diálogo em que o narrador responde "claro" às três primeiras perguntas. A mulher afirma que ele não a conhece, que mora no bairro, é casada, já tinha visto o narrador na praia e pergunta se ele só sabe dizer "claro". Diz que há muito tempo lia o que o narrador escrevia, e que uma vez ele escreveu algo como se conhecesse todos os segredos dela. Depois pergunta se ele é homem mesmo, chama-o de cínico e afirma ser uma pena ele ser tão velho Então o narrador pergunta o que ela deseja, ela responde que "que gosta muito do marido" e de repente começa a chorar. O narrador sugere que ela vá embora. Ela retoca a pintura, despede-se e vai "embora para nunca mais". 23. Praga de menino - O narrador conta que, quando menino, ele e seus amigos jogavam bola na rua, em frente à casa das irmãs Teixeiras . Elas eram "suas inimigas" porque brigavam com eles devido ao barulho que faziam e o receio de que quebrassem alguma das inúmeras janelas da casa. Um garoto trouxe uma bola maior e colorida e um dia essa bola quebrou uma vidraça. Uma das irmãs, depois de brigar com eles, cortou a bola com um canivete. Os garotos se vingaram entrando na casa delas quando não havia ninguém, fizeram uma grande bagunça e roubaram um anel sem valor, uma lata de goiabada, uma faca de cozinha e um martelo. Ninguém descobriu quem foi. Os meninos nunca mais jogaram bola diante da casa das Teixeiras e deixaram de cumprimentar aquela que havia cortado a bola. O narrador não sabe se ela foi feliz, mas "se foi, é porque praga de menino não tem força." 24. Um braço de mulher - Em um vôo Rio de Janeiro- São Paulo, o narrador ocupa-se em acalmar uma senhora sentada ao seu lado, aflita porque o avião, sobrevoando São Paulo, demora a descer. Quando sugere trocar de lugar com a amiga da senhora, ela diz que prefere ter um homem ao seu lado. Ele sente-se útil e responsável. A senhora se acalma e o narrador começa a pensar que realmente estava demorando muito para pousar. Tem a idéia de que a morte deveria ser assim: um nevoeiro imenso... para sempre". No entanto, a senhora volta a se preocupar e o narrador de repente repara que ela tem um braço "belo, harmonioso e musculado ". Então sente-se despertar, e a idéia da morte, antes agradável, agora é "uma coisa sem a delicadeza e o calor, a força macia de um braço ou de uma coxa..." No aeroporto, o marido da senhora agradece formalmente ao narrador, que se sente um intruso, como se tivesse traído aquele senhor. A senhora lhe dá um pequeno sorriso, "vagamente cúmplice". O narrador diz que certamente não a verá mais, mas vai demorar para esquecer de seu belo braço que, "durante um instante, foi a própria imagem da vida". 25. Conto de Natal - Despedidos da fazenda em que trabalhavam, casal de colonos com filho de seis anos caminha em direção à Fazenda Boa Vista, a duas léguas e meia do lugar em que se encontram. A mulher está grávida de oito meses. Começa a chover, ela não pode mais andar. Conseguem carona num carro de bois e chegam à noite na fazenda, que está fechada. Alojam-se junto a um burro e a uma vaca num lugar coberto. Durante a noite, o menino nasce. O carreiro chega e lembra que é Natal. O marido, Faustino, sugere à mulher que chamem o recém-nascido de Jesus Cristo. A mulher não acha graça. O menino de seis anos chama o pai para ver o irmão, embrulhado em trapos em cima do capim. O pai olha. A criança está morta. 26. Lembrança de Zig - O narrador lembra de Zig , o cachorro de sua família, quando era criança em Cachoeiro do Itapemirim. O cachorro era conhecido na cidade por Zig Braga, mordia a todos que estivessem de farda e tinha um profunda amizade por uma gata, com a qual dormia. Essa amizade só se esfriou quando a gata teve cria e os filhotes incomodavam o cachorro. Também seguia pela rua quem saísse da casa e, principalmente, a mãe do narrador, que tinha de prendê-lo quando ia à missa aos domingos. Muitas vezes, ele se soltava e, para desgosto do padre e dos fiéis, cheirava a todos na igreja até encontrar a mãe do narrador, quando então latia e abanava o rabo. Hoje a mãe do narrador está velha e não vai mais à igreja, que é distante. O narrador conclui que Deus deve mandar um santo de vez em quando visitar a sua mãe, na antiga casa e, ao voltar, este deve "se demorar um pouco sob o velho pé de fruta-pão", onde Zig foi enterrado. 27. Os amantes - O narrador conta sobre os seis dias que passou trancado no apartamento com sua amada, sem atender telefone ou abrir a porta, desfrutando de "um entendimento que era além do amor". Na manhã que a fome os deixa tontos, ele sai e compra uvas. No entanto, quando volta, o "pequeno mundo" dos amantes foi invadido (o carteiro está lá, o telefone toca e "agora é preciso atender", as janelas estão escancaradas) e "o milagre se acabara". No "lento olhar" da mulher, entretanto, "ainda havia uma inútil, resignada esperança." 28. O sino de ouro - O narrador conta que, em uma localidade no sertão de Goiás, há um sino de ouro numa pequena igreja, cujo som puro se estende, à tarde, pelas matas e cerrados e dá aos homens pobres do lugar uma "ração de alegria". Os habitantes acham que vivem do sino de ouro, não se importam com nada, fazendo somente o essencial para viver. Não estão interessados em progresso, negócios ou corrupção. O narrador afirma que ouviu essa história de um homem velho, que a contou com espanto e desprezo. Depois, o narrador contou a história para uma criança, cujos olhos diziam que "a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro". O narrador acredita que Deus, mesmo que não exista, deve ter a mesma opinião. E conclui que nós, quando crianças, temos, dentro da alma, um sino de ouro que com o tempo vai virando "lama e podridão". 29. A primeira mulher do Nunes - Na praça Serzedelo Correia, em Copacabana, o narrador vai tomar um táxi e vê uma mulher bonita, com ar de estrangeira, sentada num banco do ponto de táxi. Tem a impressão de que a mulher o segue com os olhos quando se dirige para o táxi e, ao partir, tem a certeza de que tinha visto Marissa , a primeira mulher do Nunes. Explica que nunca a conhecera, devido a uma série de desencontros, mas chegara a se apaixonar, há uns quatro ou cinco anos, graças à descrição que faziam dela e ao momento ruim porque estava passando. Ela ficou sendo um mito e aquela mulher vista na praça em Copacabana correspondia à imagem que o narrador fazia de Marissa. No rápido olhar que trocaram, o narrador acredita ter "lido" a irônica mensagem de que o destino deles era o de nunca se conhecerem. 30. O cajueiro - Uma carta da irmã do narrador contando sobre a queda do velho cajueiro que ficava no alto do morro, atrás da casa de seus pais, desperta lembranças da sua infância. Ele descreve como os meninos, à medida que cresciam, iam conhecendo a árvore e que, no último verão, levou Carybé para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo um parente querido. 31. Encontro - O narrador encontra casualmente, em um bar, antiga namorada. Compara a sua beleza e jeito de mulher com a imagem que trazia dela quando jovem. Ao despedir-se, o seu olhar lhe dá a certeza "de que nem tudo se perde na confusão da vida e que uma vaga mas imperecível ternura é o prêmio dos que muito souberam amar." 32. O afogado - Homem consegue se salvar de morrer afogado, sem pedir ajuda. Esgotado, deita-se na areia da praia e sente-se superior às pessoas que estão conversando sobre cinema numa barraca próxima - "uma idiota superioridade de quem não morreu, mas podia estar morto". 33. Madrugada - O narrador sonha com a mulher que estivera na festa na sua casa. Acorda de madrugada, vai até a varanda e descreve o nascer do dia, o mar, os pescadores preparando-se para a pesca, os pássaros despertando, o silêncio da casa e as sensações que a madrugada despertava nele. 34. História de pescaria - O narrador conta a pescaria feita por ele, Zé Carlos e Manuel, motivados pela notícia de que um marlin fora visto na Praia Azedinha. Não encontraram o marlin, mas ele fisgou "um olho-de-boi que tinha seus vinte e cinco quilos" e ficou lutando com o peixe durante mais de uma hora. Porém, o peixe quebrou a linha quando a hélice do barco foi ligada, e fugiu. 35. O mato - No entardecer de um dia chuvoso, no Rio de Janeiro, homem se afasta da cidade e anda lentamente por um morro próximo à sua casa. Pensa na nervosa vida da cidade, depois volta a sua atenção para a natureza, sente paz e vontade de se tornar uma árvore, sem desejos e sentimentos - "forte, quieto, imóvel, feliz". 36. Do Carmo - Na praia, o narrador encontra um velho amigo. Conversam sobre o passado, lembram de amigos de vinte anos antes e falam de Maria do Carmo, sua beleza e seu encanto. Esta lembrança os aproxima mais. De repente, correm para o mar e mergulham, com o sentimento de que a água limpa também a poeira que a passagem do tempo vai deixando na alma. 37. Visão - O narrador descreve como, no meio de um dia cinzento, no centro do Rio, a visão de uma mulher que, por um instante, lhe fitou e sorriu de dentro de um carro fez com que se sentisse como um preso que visse "uma parede se abrir sobre uma paisagem úmida e brilhante de todos os sonhos de luz." 38. As luvas - O narrador encontra um par de luvas atirado atrás de uns livros e imagina que sejam de uma mulher que o visitara duas vezes e sumira há mais de uma semana, dizendo que telefonaria. O telefone toca, mas não é a dona das luvas. Ao sair para um jantar, segura as luvas "como se tivesse na mão um problema" e as joga atrás dos livros, "onde estavam antes." 39. As meninas - Narrador recorda a imagem de duas meninas em uma praia, com vestidos compridos, azul e verde, brincando no mar, acontecida há muito tempo. Evoca o sentimento de angústia "leve, quase suave" que a cena produziu nele. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Cancioneiro é composto por poemas líricos, rimados e metrificados, de forte influência simbolista. É do Cancioneiro um dos poemas mais célebres de Pessoa, Autopsicografia, em que reflete sobre o fazer poético: "O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm." O leitor atento há de perceber que o poeta parte de uma dor sua, real, integral. Só quem sente uma dor pode fingir outra que não sente. Só quem tem personalidade pode ser ator. Como Fernando Pessoa. Já os leitores, lêem no poema a dor ou o sentimento que lhes falta e que gostariam de ter. Sentem-na ao atribuí-la a poeta. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
"Tieta do Agreste, pastora de cabras, ou a volta da filha pródiga, melodramático folhetim em cinco sensacionais episódios e comovente epílogo:emoção e suspense!" O livro de Jorge Amado se anuncia assim e cumpre todas as promessas. A história de Tieta, pastora de cabras de Sant'Ana do Agreste que é expulsa pelo próprio pai e volta anos depois, riquíssima graças à prostituição, é contada em tom folhetinesco. Engraçado e sensual, o livro traz personagens inesquecíveis, como a irmã da protagonista, Perpétua; seu sobrinho Ricardo; e o coronel Artur da Tapitanga. Jorge Amado usa e abusa de expressões e folclore regionais para criar uma narrativa envolvente, na qual o autor vez por outra se faz de personagem e dá seus próprios palpites na trama. Foi transformado em novela de grande sucesso, com Betty Faria como Tieta, e depois em filme, com Sônia Braga como a protagonista. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Estudos sobre o culto, o direito, as instituições da grécia e de roma. A Cidade Antiga é um tratado sobre a civilização greco-romana. Religião, política, costumes, instituições - o erudito historiador Fustel de Coulanges realiza um estudo exaustivo da formação da cultura e Estado clássicos, seu desenvolvimento, dinâmica, caraterísticas e transformação ao longo do tempo que perdurou a civilização greco-romana. Descreve-se e se analisa seu florescimento, ascensão e queda. Foi professor de História Medieval na Sorbonne e devido aos métodos de pesquisa que utilizou, é tido como um dos precursores da moderna historiografia francesa. Dois princípios fundamentais norteiam o estudo de Coulanges. Segundo ele a obtenção do verdadeiro conhecimento desses povos (grego e romano) exige que os estudemos sem a idéia fixa de considerá-los como nós, dado o fato de sermos seus herdeiros culturais; é preciso estudá-los como se nos fossem inteiramente estranhos. O segundo princípio é a necessidade e condição sine qua non de considerar as crenças religiosas desses povos para compreender suas instituições em geral, sem o que estas surgirão obscuras, extravagantes e inexplicáveis diante de nossos olhos veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O renascimento literário atingiu seu ápice em Portugal, durante o período conhecido como Classicismo, entre 1527 e 1580. O marco de seu início é o retorno a Portugal do poeta Sá de Miranda, que passara anos estudando na Itália, de onde traz as inovações dos poetas do Renascimento italiano, como o verso decassílabo e as posturas amorosas do Doce stil nouvo. Mas foi Luís de Camões, cuja vida se estende exatamente durante este período, quem aperfeiçoou, na Língua Portuguesa, as novas técnicas poéticas, criando poemas líricos que rivalizam em perfeição formal com os de Petrarca e um poema épico, Os Lusíadas, que, à imitação de Homero e Virgílio, traduz em verso toda a história do povo português e suas grandes conquistas, tomando, como motivo central, a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama em 1497/99. Para cantar a história do povo português, em Os Lusíadas, Camões foi buscar na antigüidade clássica a forma adequada: o poema épico, gênero poético narrativo e grandiloqüente, desenvolvido pelos poetas da antigüidade para cantar a história de todo um povo. A Ilíada e a Odisséia, atribuídas a Homero (Século VIII a. C), através da narração de episódios da Guerra de Tróia, contam as lendas e a história heróica do povo grego. Já a Eneida, de Virgílio (71 a 19 a.C.), através das aventuras do herói Enéas, apresenta a história da fundação de Roma e as origens do povo romano.

Ao compor o maior monumento poético da Língua Portuguesa, Os Lusíadas, publicado em 1572, Camões copia a estrutura narrativa da Odisséia de Homero, assim como versos da Eneida de Virgílio. Utiliza a estrofação em Oitava Rima, inventada pelo italiano Ariosto, que consiste em estrofes de oito versos, rimadas sempre da mesma forma: abababcc. A epopéia se compõe de 1102 dessas estrofes, ou 8816 versos, todos decassílabos, divididos em 10 cantos.
DIVISÃO DA OBRA O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes: 1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3) Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português. 2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5) O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na composição da obra. 3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18) O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo. 4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144) A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica portuguesa. 5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156) Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua "voz rouca" não ser ouvida com mais atenção.
NARRAÇÃO A narração consiste, portanto, na maior parte do poema. Inicia-se "In Media Res", ou seja, em plena ação. Vasco da Gama e sua frota se dirigem para o Cabo da Boa Esperança, com o intuito de alcançarem a Índia pelo mar. Auxiliados pelos deuses Vênus e Marte e perseguidos por Baco e Netuno, os heróis lusitanos passam por diversas aventuras, sempre comprovando seu valor e fazendo prevalecer sua fé cristã. Ao pararem em Melinde, ao atingirem Calicute, ou mesmo durante a viagem, os portugueses vão contando a história dos feitos heróicos de seu povo. Completada a viagem, são recompensados por Vênus com um momento de descanso e prazer na Ilha dos Amores, verdadeiro paraíso natural que em muito lembra a imagem que então se fazia do recém descoberto Brasil.
ESTRUTURA NARRATIVA O poema se estrutura através de uma narrativa principal, que apresenta a viagem da armada de Vasco da Gama. A esse fio narrativo condutor é incorporada inicialmente a narração feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde, em que conta a história de Portugal até a sua própria viagem. Na voz do Gama, ouvem-se os feitos dos heróis portugueses anteriores a ele, como Dom Nuno Álvares Pereira, o caso de amor trágico de Inês de Castro, o relato de sua própria partida, com o irado e premonitório discurso do Velho do Restelo e o episódio do Gigante Adamastor, representação mítica do Cabo da Boa Esperança. Em seguida são acrescentadas as narrativas feitas aos seus companheiros pelo marinheiro Veloso, que relata o episódio dos Doze da Inglaterra. Por fim, já na Índia, Paulo da Gama, irmão de Vasco, conta ainda outros feitos heróicos portugueses ao Catual de Calicute. A estrutura narrativa do poema é composta, portanto, por três narrativas remetendo à história de Portugal, interligadas pela narração da viagem de Vasco da Gama.
ECLETISMO RELIGIOSO O poema apresenta um ecletismo religioso bastante curioso. Mescla a mitologia greco-romana a um catolicismo fervoroso. Protegidos pelos deuses, os portugueses procuram impor aos infiéis mouros sua fé cristã. O português é visto por Camões como representante de toda a cultura ocidental, batendo-se contra o inimigo oriental, o árabe não-cristão. Todo esse fervor religioso não impede a utilização pelo poeta do erotismo de cunho pagão, como no episódio da Ilha dos Amores e seus defensores lusitanos são protegidos, ao longo de todo o poema, por uma deusa pagã, Vênus. É curioso notar que a imagem clássica do deus romano Baco (o Dioniso dos gregos), amigo do vinho e do desregramento, inimigo maior dos portugueses, é a de um ser de chifres e rabo. A mesma que foi utilizada pela igreja católica para representar o demônio.
EPISÓDIOS PRINCIPAIS Diversos são os episódios célebres de Os Lusíadas que merecem um olhar mais atento. Um deles é o da ilha dos Amores, (Canto IX, estrofes 68 a 95) em que a "Máquina do Mundo", com suas inúmeras profecias, é apresentada aos portugueses. Nessa passagem do final do poema o plano mítico - dos deuses - e o histórico - dos homens - encontram-se: os portugueses são elevados simbolicamente à condição de deuses, pois só aos últimos é permitido contemplar a "Máquina do Mundo". Foi o episódio da ilha dos Amores que inspirou o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade a compor seu poema "A Máquina do Mundo". Outro é o do Gigante Adamastor, (Canto V, estrofes 37 a 60), representação figurada do Cabo da Boa Esperança, que simboliza os perigos e tormentas enfrentados pelos navegadores lusitanos no caminho da Índia. Adamastor é o próprio Cabo, que foi transformado em rocha pelo deus Peleu, como vingança por ter seduzido sua esposa, a ninfa Tétis. Esse episódio foi recriado por Fernando Pessoa (1888-1935) no poema "O Mostrengo" do livro Mensagem (1934). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Escrita em apenas 15 dias, no ano de 1978, Um copo de cólera é a novela essencial da literatura moderna e contemporânea. Nas palavras do escritor: "Disse que escrevi a narrativa em quinze dias, mas esses quinze dias foram só o tempo de descarga. É que a novela deveria estar em estado de latência na cabeça, e sabe-se lá quanto tempo levou se carregando, ou se nutrindo - de coisas amenas, está claro - e se organizando em certos níveis, até que aflorasse à consciência". Mais uma vez, a exemplo de Lavoura Arcaica, a carga ideológica opositiva entre amantes - neste caso - marca e dá consistência à obra de Raduan Nassar. Aqui, não mais um filho adolescente descobrindo a delinqüência corporal e moral da existência, e sim um adulto, calcado, machucado pelos reversos do tempo. Seria talvez esse adulto o adolescente que fora André em Lavoura Arcaica? Muito se indaga a esse respeito, mas evidências ainda estão por vir à tona para corroborar a questão. Mas semelhanças, de fato, existem. Na contramão do discurso ideológico do adulto está sua amante, afeita às causas sociais, e aos discursos cristalizados da modernidade em geral, lutando para imprimir seu verbo latente, e vice-e-versa. O estopim do "esporro" entre os dois se dá num dia aparentemente calmo, após uma convulsiva noite de sexo, ao se encontrarem na mesa do café, num silêncio constrangedor, pela manhã. O que tira a ordem do dia é justamente um bando de formigas que estraga a cerca viva que ele havia feito no quintal.

O impulso voraz com que se envolve com o acontecido provoca na amante indignação suficiente para indagar a respeito do desvairio. Daí se cria o terreno propício para o verbo escandalizado vir à tona. Ele se enlouquece com a organização ordeira das formigas, transportando todo esse furor à amante que, não menos desvairada, enfrenta a discussão armada com alfinetes politizados: "Só um idiota recusaria a precariedade sob controle, sem esquecer que no rolo da vida não interessam os motivos de cada um - essa questãozinha que vive te fundindo a cuca - o que conta mesmo é mandar a bola pra frente, se empurra também a história co'a mão amiga dos assassinos; aliás teus altíssimos níveis de aspiração, tuas veleidades tolas de perfeccionista tinham mesmo de dar nisso: no papo autoritário dum reles iconoclasta - o velho macaco na casa de louças, falando ainda por cima nesse tom trágico como protótipo duma classe agônica... sai de mim, carcaça" A cólera a que remete o título da novela corresponde ao fluxo verbal que toma conta das personagens nesse momento de fúria, onde razão e emoção não mais se dissociam, e tornam-se, sobretudo, uma massa amorfa que tem como alvo a destruição do outro, ou ainda, a autodestruição. Como resultado do embate, restam, nas almas desgastadas, um barulhento silêncio e um abarrotado vazio. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É um livro bastante interessante. É todo ele composto da troca de cartas (reais) entre os dois autores: Nora K, uma menina de 11 anos na época (hoje com 19 anos) e Vittorio Hösle um filósofo de 40 anos. Conforme está na orelha do livro "As perguntas da menina de 11 anos, constituem de fato grandes questões da filosofia. Em suas respostas, o filósofo Vittorio Hösle conduz Nora com mão firme pelos labirintos do pensamento filósofico. Juntos eles inventam um café fantástico, no qual os grandes filósofos - de Platão a Hans Jonas - discutem acerca de Deus, do mundo, e do bem viver."

O livro, como não podia deixar de ser, tratando-se de uma compilação de cartas, é leve. Nada daquela coisa pesada que normalmente se espera de um livro sobre este tema.

Logo de cara, vc se apaixonará pela Nora. Como é que uma menina de 11 anos coloca temas tão profundas e complexos em questão?.

Um pedacinho do livro.

"A caminho da saida do Café, deparei ainda com um homem que acenou discretamente na minha direção, dizendo:

- Aliás, Nora é muito crítica e não vai acreditar no que o senhor pretende lhe escrever. Então pergunte a ela simplesmente: Se por acaso pensa que eu apenas sonhei, será que você é mesmo capaz de distinguir entre o sonho e a realidade? E se ela disser que Deus não é um enganador, responde-lhe que, às vezes, Ele nos engana para a verdade.
- Muito obrigado, René, dessa forma vou concluir minha carta."

Resposta da Nora

"Ah, sim, não se esqueça de dizer ao René que eu entendi um pouquinho dessa coisa de sonho e realidade, que seria mais ou menos o seguinte:
Sonho e realidade, são dois mundos diferentes. O sonho é o mundo da fantasia, do pensamento, com os quais se cria uma mistura que vem do interior das pessoas. A realidade é para nós o mundo dos sentidos, mas também as ciências, ou a história ou as línguas. Agora, será que nós realmente captamos toda a realidade? Não sabemos praticamente nada de Deus. Mas memsmo assim Ele existe. Portanto, nossa realidade não é completa - exatamente como os sonhos. Os sonhos também podem nos oferecer alguma coisa aproximada. Às vezes se pode aprender alguma coisa com os sonhos e talvez também com a realidade. Quem sabe se, apoiando-nos nesses dois mundos, não estaremos mais bem preparados para os mundos que estão por vir e que ainda não conhecemos?"

veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Uma visita de Alcebíades Carta do desembargador X... ao chefe de polícia da Corte Corte, 20 de setembro de 1875. Desculpe V. Ex.ª o tremido da letra e o desgrenhado do estilo; entendê-los-á daqui a pouco. Hoje, à tardinha, acabado o jantar, enquanto esperava a hora do Cassino, estirei-me no sofá e abri um tomo de Plutarco. V. Ex.ª, que foi meu companheiro de estudos, há de lembrar-se que eu, desde rapaz, padeci esta devoção do grego; devoção ou mania, que era o nome que V. Ex.ª lhe dava, e tão intensa que me ia fazendo reprovar em outras disciplinas. Abri o tomo, e sucedeu o que sempre se dá comigo quando leio alguma coisa antiga: transporto-me ao tempo e ao meio da ação ou da obra. Depois de jantar é excelente. Dentro de pouco acha-se a gente numa via romana, ao pé de um pórtico grego ou na loja de um gramático. Desaparecem os tempos modernos, a insurreição da Herzegovina, a guerra dos carlistas, a rua do Ouvidor, o circo Chiarini. Quinze ou vinte minutos de vida antiga, e de graça. Uma verdadeira digestão literária. Foi o que se deu hoje. A página aberta acertou de ser a vida de Alcibíades. Deixei-me ir ao sabor da loqüela ática; daí a nada entrava nos jogos olímpicos, admirava o mais guapo dos atenienses, guiando magnificamente o carro, com a mesma firmeza e donaire com que sabia reger as batalhas, os cidadãos e os próprios sentidos. Imagine V. Ex.ª se vivi! Mas, o moleque entrou e acendeu o gás; não foi preciso mais para fazer voar toda a arqueologia da minha imaginação.

Atenas volveu à história, enquanto os olhos me caíam das nuvens, isto é, nas calças de brim branco, no paletó de alpaca e nos sapatos de cordovão. E então refleti comigo: - Que impressão daria ao ilustre ateniense o nosso vestuário moderno? Sou espiritista desde alguns meses. Convencido de que todos os sistemas são puras niilidades, resolvi adotar o mais recreativo deles. Tempo virá em que este não seja só recreativo, mas também útil à solução dos problemas históricos; é mais sumário evocar o espírito dos mortos, do que gastar as forças críticas, e gastá-las em pura perda, porque não há raciocínio nem documento que nos explique melhor a intenção de um ato do que o próprio autor do ato. E tal era o meu caso desta noite. Conjeturar qual fosse a impressão de Alcibíades era despender o tempo, sem outra vantagem, além do gosto de admirar a minha própria habilidade. Determinei, portanto, evocar o ateniense; pedi-lhe que comparecesse em minha casa, logo, sem demora. E aqui começa o extraordinário da aventura. Não se demorou Alcibíades em acudir ao chamado; dois minutos depois estava ali, na minha sala, perto da parede; mas não era a sombra impalpável que eu cuidara ter evocado pelos métodos da nossa escola; era o próprio Alcibíades, carne e osso, vero homem, grego autêntico, trajado à antiga, cheio daquela gentileza e desgarre com que usava arengar às grandes assembléias de Atenas, e também, um pouco, aos seus pataus. V. Ex.ª, tão sabedor da história, não ignora que também houve pataus em Atenas; sim, Atenas também os possuiu, e esse precedente é uma desculpa. Juro a V. Ex.ª que não acreditei; por mais fiel que fosse o testemunho dos sentidos, não podia acabar de crer que tivesse ali, em minha casa, não a sombra de Alcibíades, mas o próprio Alcibíades redivivo. Nutri ainda a esperança de que tudo aquilo não fosse mais do que o efeito de uma digestão mal rematada, um simples eflúvio do quilo, através da luneta de Plutarco; e então esfreguei os olhos, fitei-os, e... - Que me queres? perguntou ele. Ao ouvir isto, arrepiaram-se-me as carnes. O vulto falava e falava grego, o mais puro ático. Era ele, não havia duvidar que era ele mesmo, um morto de vinte séculos, restituído à vida, tão cabalmente como se viesse de cortar agora mesmo a famosa cauda do cão. Era claro que, sem o pensar, acabava eu de dar um grande passo na carreira do espiritismo; mas, ai de mim! não o entendi logo, e deixei-me ficar assombrado. Ele repetiu a pergunta, olhou em volta de si e sentou-se numa poltrona. Como eu estivesse frio e trêmulo (ainda o estou agora) ele que o percebeu, falou-me com muito carinho, e tratou de rir e gracejar para o fim de devolver-me o sossego e a confiança. Hábil como outrora! Que mais direi a V. Ex.ª? No fim de poucos minutos conversávamos os dois, em grego antigo, ele repotreado e natural, eu pedindo a todos os santos do céu a presença de um criado, de uma visita, de uma patrulha, ou, se tanto fosse necessário, - de um incêndio. Escusado é dizer a V. Ex.ª que abri mão da idéia de o consultar acerca do vestuário moderno; pedira um espectro, não um homem "de verdade", como dizem as crianças. Limitei-me a responder ao que ele queria; pediu-me notícias de Atenas, dei-lhas; disse-lhe que ela era enfim a cabeça de uma só Grécia, narrei-lhe a dominação muçulmana, a independência, Botzaris, lord Byron. O grande homem tinha os olhos pendurados da minha boca; e, mostrando-me admirado de que os mortos lhe não houvessem contado nada, explicou-me que à porta do outro mundo afrouxavam muito os interesses deste. Não vira Botzaris nem lord Byron, - em primeiro lugar, porque é tanta e tantíssima a multidão de espíritos, que estes se fazem naturalmente desencontrados; em segundo lugar, porque eles lá congregam-se, não por nacionalidades ou outra ordem, senão por categorias de índole, costume e profissão: assim é que ele, Alcibíades, anda no grupo dos políticos elegantes e namorados, com o duque de Buckingham, o Garrett, o nosso Maciel Monteiro, etc. Em seguida pediu-me notícias atuais; relatei-lhe o que sabia, em resumo; falei-lhe do parlamento helênico e do método alternativo com que Bulgaris e Comondouros, estadistas seus patrícios, imitam Disraeli e Gladstone, revezando-se no poder, e, assim como estes, a golpes de discurso. Ele, que foi um magnífico orador, interrompeu-me: - Bravo, atenienses! Se entro nestas minúcias é para o fim de nada omitir do que possa dar a V. Ex.ª o conhecimento exato do extraordinário caso que lhe vou narrando. Já disse que Alcibíades escutava-me com avidez; acrescentarei que era esperto e arguto; entendia as coisas sem largo dispêndio de palavras. Era também sarcástico; ao menos assim me pareceu em um ou dois pontos da nossa conversação; mas no geral dela, mostrava-se simples, atento, correto, sensível e digno. E gamenho, note V. Ex.ª, tão gamenho como outrora; olhava de soslaio para o espelho, como fazem as nossas e outras damas deste século, mirava os borzeguins, compunha o manto, não saía de certas atitudes esculturais. - Vá, continua, dizia-me ele, quando eu parava de lhe dar notícias. Mas eu não podia mais. Entrado no inextricável, no maravilhoso, achava tudo possível, não atinava por que razão, assim, como ele vinha ter comigo ao tempo, não iria eu ter com ele à eternidade. Esta idéia gelou-me. Para um homem que acabou de digerir o jantar e aguarda a hora do Cassino, a morte é o último dos sarcasmos. Se pudesse fugir... Animei-me: disse-lhe que ia a um baile. - Um baile? Que coisa é um baile? Expliquei-lho. - Ah! ver dançar a pírrica! - Não, emendei eu, a pírrica já lá vai. Cada século, meu caro Alcibíades, muda de danças como muda de idéias. Nós já não dançamos as mesmas coisas do século passado; provavelmente o século XX não dançará as deste. A pírrica foi-se, com os homens de Plutarco e os numes de Hesíodo. - Com os numes? Repeti-lhe que sim, que o paganismo acabara, que as academias do século passado ainda lhe deram abrigo, mas sem convicção, nem alma, que as mesmas bebedeiras arcádicas, Evoé! padre Bassareu! Evoé! etc. honesto passatempo de alguns desembargadores pacatos, essas mesmas estavam curadas, radicalmente curadas. De longe em longe, acrescentei, um ou outro poeta, um ou outro prosador alude aos restos da teogonia pagã, mas só o faz por gala ou brinco, ao passo que a ciência reduziu todo o Olimpo a uma simbólica. Morto, tudo morto. - Morto Zeus? - Morto. - Dionisos, Afrodita?... - Tudo morto. O homem de Plutarco levantou-se, andou um pouco, contendo a indignação, como se dissesse consigo, imitando o outro: - Ah! se lá estou com os meus atenienses! - Zeus, Dionisos, Afrodita... murmurava de quando em quando. Lembrou-me então que ele fora uma vez acusado de desacato aos deuses e perguntei a mim mesmo donde vinha aquela indignação póstuma, e naturalmente postiça. Esquecia-me, - um devoto do grego! - esquecia-me que ele era também um refinado hipócrita, um ilustre dissimulado. E quase não tive tempo de fazer esse reparo, porque Alcibíades, detendo-se repentinamente, declarou-me que iria ao baile comigo. - Ao baile? repeti atônito. - Ao baile, vamos ao baile. Fiquei aterrado, disse-lhe que não, que não era possível, que não o admitiriam, com aquele trajo; pareceria doido; salvo se ele queria ir lá representar alguma comédia de Aristófanes, acrescentei rindo, para disfarçar o medo. O que eu queria era deixá-lo, entregar-lhe a casa, e uma vez na rua, não iria ao Cassino, iria ter com V. Ex.ª. Mas o diabo do homem não se movia; escutava-me com os olhos no chão, pensativo, deliberante. Calei-me; cheguei a cuidar que o pesadelo ia acabar, que o vulto ia desfazer-se, e que eu ficava ali com as minhas calças, os meus sapatos e o meu século. - Quero ir ao baile, repetiu ele. Já agora não vou sem comparar as danças. - Meu caro Alcibíades, não acho prudente um tal desejo. Eu teria certamente a maior honra, um grande desvanecimento em fazer entrar no Cassino, o mais gentil, o mais feiticeiro dos atenienses; mas os outros homens de hoje, os rapazes, as moças, os velhos... é impossível. - Por quê? - Já disse; imaginarão que és um doido ou um comediante, porque essa roupa... - Que tem? A roupa muda-se. Irei à maneira do século. Não tens alguma roupa que me emprestes? Ia a dizer que não; mas ocorreu-me logo que o mais urgente era sair, e que uma vez na rua, sobravam-me recursos para escapar-lhe, e então disse-lhe que sim. - Pois bem, tornou ele levantando-se, irei à maneira do século. Só peço que te vistas primeiro, para eu aprender e imitar-te depois. Levantei-me também, e pedi-lhe que me acompanhasse. Não se moveu logo; estava assombrado. Vi que só então reparara nas minhas calças brancas; olhava para elas com os olhos arregalados, a boca aberta; enfim, perguntou por que motivo trazia aqueles canudos de pano. Respondi que por maior comodidade; acrescentei que o nosso século, mais recatado e útil do que artista, determinara trajar de um modo compatível com o seu decoro e gravidade. Demais nem todos seriam Alcibíades. Creio que o lisonjeei com isto; ele sorriu e deu de ombros. - Enfim! Seguimos para o meu quarto de vestir, e comecei a mudar de roupa, às pressas. Alcibíades sentou-se molemente num divã, não sem elogiá-lo, não sem elogiar o espelho, a palhinha, os quadros. - Eu vestia-me, como digo, às pressas, ansioso por sair à rua, por meter-me no primeiro tílburi que passasse... - Canudos pretos! exclamou ele. Eram as calças pretas que eu acabava de vestir. Exclamou e riu, um risinho em que o espanto vinha mesclado de escárnio, o que ofendeu grandemente o meu melindre de homem moderno. Porque, note V. Ex.ª ainda que o nosso tempo nos pareça digno de crítica, e até de execração, não gostamos de que um antigo venha mofar dele às nossas barbas. Não respondi ao ateniense; franzi um pouco o sobrolho e continuei a abotoar os suspensórios. Ele perguntou-me então por que motivo usava uma cor tão feia... - Feia, mas séria, disse-lhe. Olha, entretanto, a graça do corte, vê como cai sobre o sapato, que é de verniz, embora preto, e trabalhado com muita perfeição. E vendo que ele abanava a cabeça: - Meu caro, disse-lhe, tu podes certamente exigir que o Júpiter Olímpico seja o emblema eterno da majestade: é o domínio da arte ideal, desinteressada, superior aos tempos que passam e aos homens que os acompanham. Mas a arte de vestir é outra coisa. Isto que parece absurdo ou desgracioso é perfeitamente racional e belo, - belo à nossa maneira, que não andamos a ouvir na rua os rapsodos recitando os seus versos, nem os oradores os seus discursos, nem os filósofos as suas filosofias. Tu mesmo, se te acostumares a ver-nos, acabarás por gostar de nós, porque... - Desgraçado! bradou ele atirando-se a mim. Antes de entender a causa do grito e do gesto, fiquei sem pinga de sangue. A causa era uma ilusão. Como eu passasse a gravata à volta do pescoço e tratasse de dar o laço, Alcibíades supôs que ia enforcar-me, segundo confessou depois. E, na verdade, estava pálido, trêmulo, em suores frios. Agora quem se riu fui eu. Ri-me, e expliquei-lhe o uso da gravata e notei que era branca, não preta, posto usássemos também gravatas pretas. Só depois de tudo isso explicado é que ele consentiu em restituir-ma. Atei-a enfim, depois vesti o colete. - Por Afrodita! exclamou ele. És a coisa mais singular que jamais vi na vida e na morte. Estás todo cor da noite - uma noite com três estrelas apenas - continuou apontando para os botões do peito. O mundo deve andar imensamente melancólico, se escolheu para uso uma cor tão morta e tão triste. Nós éramos mais alegres; vivíamos... Não pôde concluir a frase; eu acabava de enfiar a casaca, e a consternação do ateniense foi indescritível. Caíram-lhe os braços, ficou sufocado, não podia articular nada, tinha os olhos cravados em mim, grandes, abertos. Creia V. Ex.ª que fiquei com medo, e tratei de apressar ainda mais a saída. - Estás completo? perguntou-me ele. - Não: falta o chapéu. - Oh! venha alguma coisa que possa corrigir o resto! tornou Alcibíades com voz suplicante. Venha, venha. Assim pois, toda a elegância que vos legamos está reduzida a um par de canudos fechados e outro par de canudos abertos (e dizia isto levantando-me as abas da casaca), e tudo dessa cor enfadonha e negativa? Não, não posso crê-lo! Venha alguma coisa que corrija isso. O que é que, falta, dizes tu? - O chapéu. - Põe o que te falta, meu caro, põe o que te falta. Obedeci; fui dali ao cabide, despendurei o chapéu, e pu-lo na cabeça. Alcibíades olhou para mim, cambaleou e caiu. Corri ao ilustre ateniense, para levantá-lo, mas (com dor o digo) era tarde; estava morto, morto pela segunda vez. Rogo a V. Ex.ª se digne de expedir suas respeitáveis ordens para que o cadáver seja transportado ao necrotério, e se proceda ao corpo de delito, relevando-me de não ir pessoalmente à casa de V. Ex.ª agora mesmo (dez da noite) em atenção ao profundo abalo por que acabo de passar, o que aliás farei amanhã de manhã, antes das oito. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Clique abaixo para ver um pouco do Programa Zmaro
Humor inteligente de forma descontraída...

 

De grão em grão a galinha enche o bico!!!
Contribua com o PobreVirtual e Programa Zmaro. Curta, comente e compartilhe o Programa Zmaro nas suas redes sociais.
Envie seus resumos, receitas, dicas, provérbios e o que mais tiver para comaprtilhar no PobreVirtual e no Programa Zmaro. Basta acessar
www.pobrevirtual.com.br/fale
Ou se preferir você pode contribuir financeiramente depositanto qualquer valor em qualquer lotérica (Caixa Econômica Federal): agência 1998, operação 013, Poupança número 8155-0, ou veja outros meios em www.Zmaro.tv/doe 
Livros e cursos são caros, me ajude a aprender novas linguagens para lhe ensinar melhor e incrementar este site com várias novidades. Quando você passar em frente a uma lotérica, lembre-se que existe alguém que precisa muito desta(s) moedinha(s), ponha a mão no bolso e perca alguns segundos do seu tempo e faça um depósito. Pegue aquela moedinha que vai acabar caindo do seu bolso e dê um bom destino a ela.