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Romance em tom de crônica histórica. José Saramago é escritor da nova geração do romance em Portugal. Dedica-se, além do romance, ao conto e ao teatro, tendo suas primeiras produções datadas de 1966. Memorial do Convento é de 1982 e representa uma investida no campo da narrativa histórica. O volume percorre um período de aproximadamente 30 anos na História de Portugal à época da Inquisição. O cenário é rico, registrando não só o fato histórico, mas reconstituindo a vivência popular, numa viagem a diferentes povoados ao redor de Lisboa. O rei D. João V necessitava de herdeiros e o ventre de D. Maria Ana não os concebia. Fez ele, então, uma promessa de levantar um convento em Mafra, para que a concepção ocorresse. Em paralelo, segue-se o registro da vida do povo, através do enfoque do soldado que perdeu a mão esquerda na guerra contra os espanhóis. Baltasar Sete-Sóis, em um espetáculo da Inquisição, conheceu Blimunda, mulher de poderes mágicos, que enxergava dentro das pessoas, e cuja mãe, por ter poderes semelhantes, havia sido desterrada para Angola. Desafiando os rigores da religião, ambos se "casam" através de um ritual de sangue. Baltasar torna-se ajudante do Padre Bartolomeu Lourenço, que, sob a proteção do rei, concebia uma máquina de voar, (a passarola). Sob o signo da máquina de voar unem-se ideais: os cultos, representados pelo padre Bartolomeu de Gusmão e pelo músico Scarlatti, e os populares, ancorados em Blimunda e Baltasar.

Padre Bartolomeu viaja, enlouquece e morre. Blimunda, após o sumiço de Baltasar, passa a procurá-lo, encontrando-o nove anos depois em circunstâncias trágicas. A narrativa segue direto, sem interrupções, vigorosa e rica. Saramago procura dar à linguagem o tom das crônicas históricas, reveste o vocabulário de termos ricos e realiza malabarismos sintáticos. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
1 - O Burrinho pedrês

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na terceira pessoa. O narrador é, pois, onisciente, não participa da história.

PERSONAGENS

1. Sete-de-Ouros: animal miúdo e resignado, idoso, muito idoso, beiço inferior caído. Outros nomes que tivera ao longo de anos e amos: Brinquinho, Rolete, Chico-Chato e Capricho.

2. Major Saulo: corpulento, quase obeso, olhos verdes. Só com o olhar mandava um boi bravo se ir de castigo. Estava sempre rindo: riso grosso, quando irado; riso fino, quando alegre; riso mudo, de normal. Não sabia ler nem escrever, mas cada ano ia ganhando mais dinheiro, comprando mais gado e terras.

3. João Manico: vaqueiro pequeno que montou o burrinho Sete-de-Ouros na ida. Na volta, trocou de montaria. Na hora de entrar na água, refugou, alegando resfriado, e escapou da morte.

4. Francolim: espécie de secretário do Major Saulo, encarregado de pôr ordem nos vaqueiros. Obedece cegamente às ordens do Major. Foi salvo, na noite da enchente, pelo burrinho Sete-de-Ouros.

5. Raymundão: vaqueiro de confiança do Major Saulo. Enquanto tocam a boiada, vai contando a história do zebu Calundu.

6. Zé Grande: vai à frente da boiada, tocando o berrante.

7. Silvino: vaqueiro; perdeu a namorada para Badu e planejava matar o rival na volta, depois de deixarem a boiada no arraial.

CENÁRIO – Fazenda da Tampa, do Major Saulo, no interior de Minas Gerais.

RESUMO

PREPARATIVOS – Na Fazenda da Tampa, do Major Saulo, os homens estão ultimando os últimos preparativos para sair pelo sertão, tocando uma boiada de bois de corte. O dia é de chuva, mas ela ainda não veio. Major Saulo ordena que os homens preparem os animais. Por zebra, o burrinho Sete-de-Ouros, presente ali na varanda da casa grande, também é escolhido para a viagem. Para montá-lo, o Major escolheu o vaqueiro João Manico.

ZEBU CALUNDU – Raymundão conta a história do touro Calundu. Não batia em gente a pé, mas gostava de correr atrás de cavaleiro. Certa vez, na proteção de um grupo de vacas com seus bezerros novinhos, Calundu enfrentou uma onça preta, amedrontando a fera e pondo-a para correr. Certa feita, o touro Calundu matou Vadico, filho do fazendeiro Neco Borges. O pai, vendo filho ensangüentado no chão, puxou o revólver para matar o touro. Vadico, antes de morrer, pediu que o pai não matasse Calundu. Neco Borges mandou o touro para outra fazenda para ser vendido ou dado a alguém. Raymundão foi quem levou o bicho. O zebu ficou uma noite apenas no curral. No outro dia, estava morto.

CÓRREGO CHEIO – Depois da chuva grossa, a boiada chegou ao córrego da Fome. Estava cheio. A travessia era perigosa, e o Major Saulo pediu cautela. Ali já morrera muita gente. Mas a travessia é feita sem perda. Até o Sete-de-Ouros atravessou sem reclamar.

TROCA – Em determinado ponto do caminho, Major Saulo ordenou que Francolim trocasse de montaria com João Manico. A ordem foi obedecida. Francolim fez um pedido ao Major: que, na entrada do povoado, a troca fosse desfeita. Não ficava bem para ele, encarregado do Major, ser visto montado no burrinho Sete-de-Ouros.

BADU E SILVINO – Badu está na fazenda há apenas dois meses e já tomou a namorada do Silvino. Por isso, os dois viraram inimigos, um querendo prejudicar o outro. Francolim já avisou o major sobre o perigo de um matar o outro. Raymundão acha que o caso não é para morte. A moça é meio caolha. O casamento com Badu já está marcado. Raymundão, em prosa com o Major, informou que Silvino vendeu umas quatro cabeças de gado por preço abaixo do normal. Outra informação que veio do Francolim: Silvino está com bagagem além do normal. O Major Saulo, antes da chegada ao povoado, determinou que Francolim, na volta, vigie Silvino o tempo todo. O Major está convencido de que Silvino já planejou a morte de Badu.

CHEGADA – A chegada ao povoado foi uma festa. O povo, mesmo com a meia-chuva, foi para o curral da estrada de ferro ver o embarque. Depois, os animais ficaram descansando enquanto os vaqueiros andavam um pouco pelo povoado.

PARTIDA – Na hora de ir embora, cada um pegou a sua montaria. Badu ficou por último: estava bêbado e tinha ido comprar um presente para sua morena. Por maldade, deixaram-lhe o burrinho Sete-de-Ouros. Na saída do povoado, alguém vaiou: Badu era por demais grande para o burrinho pedrês, os pés iam quase arrastando no chão. Já no fim do lugar, Francolim estava parado no meio da estrada, esperando Badu.

NA ESTRADA – Francolim deixou Badu para trás e foi juntar-se ao grupo. Queria mesmo era ficar de olho em Silvino. Os dois, Silvino e o irmão Tote, iam bem na frente dos dois. Tote tentava dissuadir o mano para não matar Badu. Mas Silvino estava determinado. Esperava apenas o momento certo para fazer o serviço e cair no mundo.

HISTÓRIA DE JOÃO MANICO – João Manico, por insistência de todos, contou mais uma vez a história da boiada que estourou à noite, quando o Major Saulo, ainda novo, era tratado por Saulinho. No estouro, de madrugada, o gado passou por cima dos dois vaqueiros que estavam de vigia. Deles, só restou uma lama cor de sangue.

CÓRREGO CHEIO – Viajavam à noite. De repente, os cavalos empacaram, pressentindo o mar de água. O córrego da Fome transbordara, inundando tudo bem alem das margens. Todos aprovaram a idéia de esperar Badu e o burrinho Sete-de-Ouros. Se o burro entrasse na água, todos o seguiriam. É que burro não entra em lugar de onde não pode sair.

A TRAGÉDIA – Sete-de-Ouros entrou levando Badu ás costas. Os cavalos seguiram-no. E foi uma tragédia: oito vaqueiros mortos naquela noite. Benevides, Silvino, Leofredo, Raymundão, Sinoca, Zé Grande, Tote e Sebastião. O burrinho Sete-de-Ouros, com Badu agarrado às crinas e Francolim agarrado à cauda, conseguiu atravessar o mar de águas em que se transformara o pequeno córrego. Já em terra firme, livrou-se de Francolim e seguiu ligeiro para a fazenda. Ali, livraram-no do vaqueiro, que dormia, e dos arreios.





2 - A volta do marido pródigo

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na terceira pessoa. O narrador é, pois, onisciente, não participa da história.

PERSONAGENS

1.

Lalino Salãthiel: todos o chamam de Laio. Mulato vivo, malandro, contador de histórias. Garante que conhece a capital, Rio de Janeiro, mas nunca foi lá. Certa vez, foi realmente conhecê-la.
2.

Maria Rita: mulher de Lalino; trata-o com especial carinho.
3.

Marra: encarregado dos serviços; depois que a obra acabou, mudou-se do arraial.
4.

Ramiro: espanhol que ficou com Ritinha, a mulher de Lalino.
5.

Waldemar: Chefe da Companhia.
6.

Major Anacleto: chefe político do distrito, homem de princípios austeros, intolerante e difícil de se deixar engambelar.
7.

Tio Laudônio: irmão do Major Anacleto. Esteve no seminário, vivia isolado na beira do rio. Poucas vezes vinha ao povoado. Chorou na barriga da mãe, enxerga no escuro, sabe de que lado vem a chuva e escuta o capim crescer. Era conselheiro do Major.
8.

Benigno: inimigo político do Major Anacleto.
9.

Estêvão: capanga respeitado do Major Anacleto. Jamais ria. Tinha pontaria invejável: atirava no umbigo para que a bala varasse cinco vezes o intestino e seccionasse a medula, lá atrás.

CENÁRIO – Fazenda da Tampa, do Major Saulo, no interior de Minas Gerais.

RESUMO

I

INTRODUÇÃO – O cenário é apresentado: homens trabalham duro escavando o solo para dele retirar minério. Seu Marra é o encarregado, de olho em todos para que o trabalhe ande a contento. Lalino Salãthiel é um mulato vivo, malandro, que chega tarde ao trabalho e inventa desculpas. Em vez de trabalhar duro, como os outros, inventa histórias, conta causos. A maioria admira-o. Mas há quem enxergue nele apenas um aproveitador. Generoso acha que Ramiro, um espanhol, anda rondando a mulher de Lalino.

II

PARTIDA PARA A CAPITAL – Laio, naquela noite, não comparece à casa de Waldemar para a aula de violão. No outro dia, fica em casa vendo umas revistas com fotografias de mulheres. À tarde, vai à empresa e acerta as contas com Marra. Está disposto a ir embora. Na volta para casa, encontra Ramiro, o espanhol que lhe anda cercando Maria Rita. Nasce, imediatamente, um plano: tomar um dinheiro emprestado do espanhol. O argumento é convincente: quer ir embora sem a mulher, mas falta-lhe dinheiro para viajar. Ramiro empresta-lhe um conto de réis. Com o dinheiro no bolso, Laio pegou o trem na estação rumo à capital do País. Seu Miranda, que foi levá-lo, ainda tentou dissuadi-lo. Não conseguiu.

III

JULGAMENTO – "Um mês depois, Maria Rita ainda vivia chorando, em casa. Três meses passados, Maria Rita estava morando com o espanhol". Todos diziam que Laio era um canalha, que vendera a mulher para Ramiro. E assim, passou-se mais de meio ano.

IV

NO RIO DE JANEIRO – As aventuras de Lalino Salãthiel no Rio de Janeiro excederam à expectativa. Seis meses depois, Laio estava quase sem dinheiro e começou a sentir saudades. Tomou a decisão: ia voltar. Separou o dinheiro da passagem e programou uma semana de despedida: "uma semaninha inteira de esbórnia e fuzuê". Acabada a semana, Laio pegou o trem: queria só ver a cara daquela gente quando o visse chegar!

V

RECEPÇÃO – Enquanto atravessava o arraial, Laio teve que ir respondendo às chufas dos moradores. Finalmente, chegou à casa de Ramiro, o espanhol que se apossou de Ritinha. Laio informou-lhe que estava de volta para devolver o dinheiro do empréstimo. Ramiro, querendo evitar que Laio visse Ritinha, perdoou o empréstimo: a dívida já estava quitada. Mas Laio insistiu: "eu quero-porque-quero conversar com a Ritinha"! E disse isso com a mão perto do revólver. O espanhol concordou, desde que não fosse em particular. De repente, Laio esmoreceu: não queria mais ver a Ritinha. Queria só pegar o violão. Depois, quis saber se o espanhol estava tratando bem a Ritinha. E despediu-se. Primeiro pensou em ir à casa de seu Marra. Depois, dirigiu-se para a beira do igarapé: era tempo de melancia. Depois de apreciar a paisagem, Laio deu de cara com seu Oscar. Trocaram idéias, e Oscar prometeu que ia falar com o velho (Major Anacleto) e tentar arranjar um trabalho para Laio na política.

VI

MAJOR ANACLETO – "Além de chefe político do distrito, Major Anacleto era homem de princípios austeros, intolerante e difícil de se deixar engambelar". Quando Oscar lhe falou de Laio, ele foi categórico: "aquilo é um grandessíssimo cachorro, desbriado, sem moral e sem temor a Deus... Vendeu a família, o desgraçado".
TIO LAUDÔNIO – Tio Laudônio era irmão do Major Anacleto. Esteve no seminário, vivia isolado na beira do rio. Poucas vezes vinha ao povoado. Chorou na barriga da mãe, enxerga no escuro, sabe de que lado vem a chuva e escuta o capim crescer. Pois foi Tio Laudônio que intercedeu a favor de Laio. O Major concordou. Era mandar chamar o mulato no dia seguinte.

VII

CABO ELEITORAL – Mas Laio não apareceu no dia seguinte. Só apareceu na fazenda na quarta-feira de tarde. E topou logo com o Major Anacleto. Quando o Major tentou expulsá-lo da fazenda, Laio deu-lhe notícias de todas as manobras políticas da região, quem estava com o Major e quem o estava traindo. Já descobrira a estratégia do Benigno para derrotar o Major na próxima eleição. Em troca de tanta informação, pediu a proteção do Estêvão, o capanga mais temido do Major. Assim, o povo do arraial ficou sabendo que Laio era o cabo eleitoral do Major Anacleto e, como tal, merecia respeito.

VIII

VISITA AO PADRE – Major Anacleto, depois do relatório de Laio, mandou selar a mula e bateu para a casa do vigário. O padre teve de aceitar leitoa, visita, dinheiro, confissão e o cargo de inspetor escolar. Antes de o Major sair, o padre contou-lhe que Laio estivera na igreja. Também se confessara e comungara e ainda trocara duas velas para o altar de Nossa Senhora da Glória.

DENÚNCIA DE RAMIRO – Quando o Major e Tio Laudônio passaram em frente à casa de Ramiro, o espanhol aproveitou para denunciar Lalino: o mulato estava de amizade com Nico, o filho do Benigno. Foram juntos à Boa Vista, com violões, aguardente, e levando também o Estêvão. O Major ficou danado de zangado. Não via a hora de encontrar o Laio.

EXPLICAÇÕES – Depois de peregrinar por todas as bandas, o Major voltou para a fazenda, onde Laio já o esperava. Primeiro o Major xingou o mulato de muitos nomes feios, depois Laio teve tempo de explicar: era tudo estratégia política para saber das coisas. Passara, sim, em frente à casa de Ramiro, mas não o insultara. Dera vivas ao Brasil porque não gostava de espanhóis. E tinha mais (coisa que o Major não sabia): espanhol não vota porque é estrangeiro.

IX

A TRAIÇÃO DE OSCAR – Houve um período de calmaria política em que Laio ficou tocando viola e fazendo versos no meio da jagunçada do Major. Um dia, pediu um favor a seu Oscar, filho do Major: que ele fosse ter com Ritinha e conversasse com ela, mas sem dizer que era da parte do Laio. Oscar foi e fez o contrário: falou mal do mulato, disse a Ritinha que o marido andava fazendo serenata para outras mulheres. Aproveitou a proximidade e pediu-lhe um beijo. Ritinha expulsou-o, não sem antes confessar que gostava mesmo era do Laio, que ia morrer gostando dele. De volta, seu Oscar contou o contrário: que Ritinha não gostava mais do marido, gostava de verdade era do espanhol.

RITINHA NA FAZENDA DO MAJOR – Certa tarde, depois de dormir um pouco na cadeira de lona, o Major foi acordado com uma barulheira dos diabos. O mulherio no meio da casa, os capangas lá fora, empunhando os cacetes, farejando barulho grosso. Ritinha jogou-se aos pés do Major e suplicou-lhe proteção. Que não deixasse os espanhóis levá-la à força dali. O Ramiro, com ciúmes, queria matá-la, matar o Laio e, depois, suicidar-se. Disse tudo isso chorando e falando na Virgem Santíssima.

RAIVA E ALEGRIA – O Major mandou chamar o Eulálio e foi informado de que o mulato estava bebendo juntamente com uns homens que chegaram de automóvel. Foi a conta: o Major pensou que eram da oposição e começou a xingar o Laio. Cabra safado, traidor. Ia levar uma surra, pelo menos isso. Tio Laudônio procurava acalmá-lo. De repente, lá vem o Laio dentro de um automóvel. E a surpresa foi geral. Era gente do governo, Sua Excelência o Senhor Secretário do Interior. Aí o Major desmanchou-se em sorrisos e gentilezas. E a autoridade satisfeita, elogiando muito o Laio, pedindo ao Major que, indo à capital, levasse o mulato junto.
DESFECHO – O Major, contentíssimo, mandou trazer Maria Rita para as pazes com Laio. Convocou a jagunçada e ordenou: "mandem os espanhóis tomarem rumo"! Se miar, mete a lenha! Se resistir, berrem fogo!


3- Sarapalha

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na terceira pessoa. O narrador é, pois, onisciente, não participa da história.

PERSONAGENS

1.

Primo Ribeiro: Na região, vem conseguindo sobreviver à malária. Tem febre e frio todos os dias, o baço sempre inchado, mas vai vivendo. No início da doença, foi abandonado pela esposa, Luísa; ela fugiu com outro homem, um boiadeiro.
2.

Primo Argemiro: Como Tio Ribeiro, vai sobrevivendo à malária. Os dois moram isolados, numa região em que a febre já expulsou toda a gente. Apesar de ter terras em outra região, prefere ficar ao lado de Primo Ribeiro, tal a amizade que os une.
3.

Prima Luísa: Mulher de Ribeiro. Morena, olhos pretos, cabelos pretos... muito bonita. De riso alegrinho, mas de olhar duro. Fugiu com um boiadeiro.

CENÁRIO – Fazenda do Primo Ribeiro, meio abandonada porque a febre o impossibilitava de trabalhar.

RESUMO

ARRAIAL ABANDONADO – Na beira do rio Pará, a malária expulsou a gente de um povoado inteiro. Deixaram para trás "casas, sobradinho, capela, três vendinhas, o chalé e o cemitério". Morador, agora, só andando três quilômetros para cima. Moram ali, na fazenda abandonada, três pessoas: Primo Ribeiro, Primo Argemiro e uma preta velha que cozinha o feijão de todos os dias. Os homens não podem mais trabalhar, a malária não deixa.

PASSADO TRISTE – Na Certo dia, ainda pela manhã, Primo Ribeiro começou a falar de morte. Achava que o seu dia havia chegado. Por isso, puxou a conversa que se referia a uma mulher. Se ela aparecesse, até a febre sumia. Ribeiro confessa que tem Argemiro na conta de irmão. Por isso, tem coragem de remexer o passado. Estava casado com ele há apenas três anos, e a ingrata fugiu com outro. Argemiro quis ir atrás dos dois. Queria matar o homem e trazer a mulher de Ribeiro de Volta.

LEMBRANÇAS AMARGAS – Agora, Ribeiro não tem vergonha de confessar: não foi atrás dos dois porque, se fosse, a obrigação era matá-los. Mas faltava-lhe, já naquela época, a coragem. Talvez por causa da malária. Argemiro também soltou a imaginação. Chegou a sentir ciúmes dela com o marido. E veio o boiadeiro, ficou três dias na fazenda, com desculpa de esperar outra ponta de gado... "Não era a primeira vez que ele se arranchava ali. Mas nunca ninguém tinha visto os dois conversando sozinhos... Ele, Primo Argemiro, não tinha feito nenhuma má idéia..."

O SEGREDO – Ela fugiu com o boiadeiro, e Primo Argemiro nunca lhe havia confessado o seu amor. Arrependia-se disso. Se tivesse tido coragem. Talvez ela aceitasse, quem sabe até teria fugido com ele, pois o boiadeiro ainda não havia aparecido. No mínimo, ela agora estava pensando que ele era um pamonha.

A CONFISSÃO – Primo Ribeiro não se cansa de dizer que considera Argemiro um irmão; nem um filho seria tão bom assim. O outro se sente mal. Resolve confessar o seu grande segredo. Quando Ribeiro ouviu, apesar da febre e da fraqueza, ficou muito zangado e insistiu que o Primo fosse embora. Argemiro explicou que nunca disse nada a Luísa, nunca a desrespeitou, que ela foi embora sem saber de nada. Ribeiro negava-se a entender. Só conseguia repetir que o Primo fosse embora. Sentia-se picado de cobra.

A SEPARAÇÃO – Primo Argemiro, não obtendo o perdão de Ribeiro, reúne as forças para ir embora. Caminha com dificuldade, passa pela rocinha de milho, assustando os pássaros pretos que o confundem com um espantalho. O cão Jiló não sabe mais a quem obedecer. Quer seguir com Argemiro, mas também quer ficar com Ribeiro. Na dúvida, ficou. Argemiro segue adiante, com os primeiros sintomas da tremedeira. E a lembrança vai buscar Luisinha, antes de se casar com Ribeiro. Ela estava toda de azul. A paisagem ali também se enfeitava de flores azuis. Bom lugar para se deitar e morrer.


4-Duelo

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na terceira pessoa. O narrador é, pois, onisciente, não participa da história.

PERSONAGENS

1.

Turíbio Todo: Seleiro de profissão, tinha pêlos compridos nas narinas, chorava sem fazer caretas. Papudo, vagabundo, vingativo e mau.
2.

Dona Silivana: Esposa de Turíbio Todo; tinha grandes olhos bonitos, de cabra tonta.
3.

Cassiano Gomes: Ex-militar, fama de exímio atirador, andava sempre com um rifle ao alcance da mão. Solteiro, tinha um caso Dona Silivana, esposa de Turíbio Todo.
4.

Vinte-e-Um: Caipira pequenino, morador do povoado Mosquito. Cassiano, antes de morrer, salvou-lhe o filho e deu-lhe dinheiro. Vinte-e-Um matou Turíbio Todo.

CENÁRIO – Arraial de Vista-Alegre, interior de Minas Gerais.

RESUMO

ADULTÉRIO – Turíbio Todo foi pescar e avisou à mulher que só voltaria no outro dia. À beira do córrego, faltou-lhe o fumo de rolo para espantar os mosquitos; bateu com os dedos nos tocos e ficou com o pé direito ferido. Por isso, voltou para casa à noite. Ouvindo vozes no quarto, olhou por uma fisga da porta e viu que a mulher estava na cama com outro. Sem arma e conhecendo bem o outro (Cassiano Gomes que pertencera à polícia e era exímio atirador), Turíbio não fez nada. Afastou-se tão macio como se havia aproximado.

A VOLTA – No outro dia, ao voltar para casa, "foi gentilíssimo com a mulher, mandou pôr ferraduras novas no cavalo, limpou as armas, proveu de coisas a capanga, falou vagamente numa caçada de pacas, riu muito, se mexeu muito, e foi dormir bem mais cedo do que de costume." Isso tudo foi na quarta-feira.

A TOCAIA – No outro dia, quinta, Turíbio terminou os preparativos e foi tocaiar a casa de Cassiano Gomes. "Viu-o à janela, dando as costas para a rua. Turíbio não era mau atirador: baleou o outro bem na nuca. E correu para casa, onde o cavalo o esperava na estaca, arreado, almoçado e descansadão".



O ENGANO – Turíbio Todo, iludido pela semelhança e alvejando o adversário por trás, matara não o Cassiano, mas o Levindo Gomes, irmão daquele. O morto não era ex-militar e detestava mexer com a mulher dos outros.

PREPARATIVOS – Cassiano Gomes fez o enterro do irmão, recebeu as condolências, trancou bem as portas e as janelas da casa (era solteiro), conferiu as armas, comprou a besta douradilha com arreios e tudo, mandou lavá-la e ferrá-la. Só então, partiu para vingar a morte do irmão.

PERSEGUIÇÃO – Cassiano não encontrou Turíbio na primeira tentativa. O papudo conseguiu enganá-lo, voltando por caminho diverso do imaginado. Cassiano queria pegar Turíbio desprevenido. Por isso, passou a andar à noite e dormir de dia. Os planos de Cassiano iam fracassando. Turíbio conhecia a região como a palma da mão. Assim, ia conseguindo escapar com boa margem de estrada e tempo.

DESENCONTROS – Foram tantos os desencontros que Cassiano trocou pela segunda vez de montada, comprando um cavalo alazão. Também Turíbio Todo já trocara de animal umas quatro vezes.

AUDÁCIA DE TURÍBIO – Turíbio Todo teve a audácia de voltar ao arraial e passar uma noite de amor com a esposa, Dona Silivana. Até contou a ela, na hora da despedida, sob segredo, o seu estratagema último. Estava apostando que o coração de Cassiano não ia agüentar a perseguição. Dona Silivana contou isso a Cassiano na primeira oportunidade. Depois, muita gente sabia da intenção de Turíbio.

CINCO MESES – A correria monótona, sem desfecho, já durava mais de cinco meses, e os dois rivais não se encontravam. Certa vez, Cassiano chegou primeiro à margem do rio Paraopeba, onde só se atravessava de balsa. O dono da balsa não estava, mas um moleque, seu filho, garantiu que o papudo ainda não chegara por ali. Cassiano ficou de tocaia à espera do inimigo. À noite, houve troca de tiros. No outro dia, Chico Barqueiro quase agrediu Cassiano, pensando que ele fosse um inimigo. Explicados os mal-entendidos, ao meio-dia, Cassiano despediu-se: estava disposto a dar uma trégua, descansar, esperar que Turíbio relaxasse. Depois que partiu, Turíbio chegou, pronto para atravessar o rio. Em cima da balsa, Chico Barqueiro ainda o ofendeu.

SÃO PAULO – Depois de atravessar o Paraopeba, Turíbio andou muito, sempre para o sul, até topar o rio Pará. Ali, encontrou uns baianos que iam para São Paulo, atraídos pela cultura do café. Falaram em dinheiro fácil. Apesar da saudade da mulher, Turíbio foi também. Depois mandava buscá-la.

MORTE PRÓXIMA – Turíbio cansava-se à toa. Na parte da tarde, inchava as pernas e os pés. Foi ao boticário que lhe deu vida até o próximo São João. Se piorasse, morreria pelo Natal. Diante de tal realidade, tomou uma decisão: vender tudo que possuía e ir atrás de Turíbio; precisava matá-lo antes de morrer.

MORTE NO MOSQUITO – No caminho, Turíbio piorou e teve que fazer alta no Mosquito – povoado perdido num cafundó de entremorro, longe de toda a parte – com três dúzias de casebres. Esteve mal, com respiração difícil. Quando melhorou um pouquinho, "indagou se por ali não havia um homem valente, capaz de encarregar-se de um caso assim, assim..." Pagava até um conto de réis. Não havia. Nem no povoado, nem na redondeza. Cassiano via o tempo passar, dia após dia, sentado à porta de um casebre. A paisagem era triste.

VINTE-E-UM – Um dia, Cassiano assistiu a um irmão grandalhão batendo noutro menor. Chamou o menor, de apelido Timpim, e indagou-lhe o nome e por que ele não reagia às pancadas do irmão. O nome verdadeiro era Antônio, e o apelido oficial era Vinte-e-Um. É que a mãe dele tivera vinte e um filhos, e ele foi o último. Não reagia às pancadas do irmão porque a mãe lhe dissera que ele não levantasse a mão para irmão mais velho. E todos eram mais velhos. Vinte e um era casado, e a mulher dele acabara de ter criança. Cassiano deu-lhe dinheiro para comprar galinhas e alimentara a esposa. No outro dia, Vinte-e-Um fez uma surpresa ao doente: trouxe-lhe o filho para lhe tomar bênção. Cassiano ficou emocionado e piorou. Um dia, quando Cassiano estava pior ainda, Vinte-e-Um apareceu chorando: o filhinho estava muito doente, ele sem recursos para socorrê-lo. Cassiano deu-lhe o dinheiro para trazer o médico até a criança e comprar os remédios necessários. "Veio o médico; veio o padre: Cassiano confessou-se, comungou, recebeu os santos óleos, rezou, rezou". Sentindo que a morte já estava na porta, deu todo o dinheiro que possuía para o compadre Vinte-e-Um (agora tratavam-se como compadres). Logo depois, morreu e foi para o céu.

A VOLTA DE TURÍBIO – Por meio de uma carta da mulher, que o invocava para o lar, Turíbio Todo ficou sabendo da morte de Cassiano. "Ele já tinha ganhado uns bons cobres". Comprou mala e presentes, pôs um lenço verde no pescoço para disfarçar o papo, calçou botas vermelhas de lustre e veio de trem. Para perfazer o resto do caminho, alugou arranjou um cavalo emprestado. No caminho, foi alcançado por um cavaleiro miúdo, montando um cavalo magro. Via-se que os dois estavam em petição de miséria. Depois de continuarem pela estrada, a miniatura de homem perguntou se ele era mesmo o Turíbio Todo, seleiro de Vista-Alegre, que estava vindo das estranjas. Turíbio confirmou. A viagem prosseguiu. Turíbio falava da felicidade próxima: ver a mulher, levá-la para casa, talvez levá-la para São Paulo. O caipirinha mostrava-se pessimista: não valia a pena a gente alegrar-se.

A MORTE – De repente, no meio da estrada fechada, Turíbio levou um susto: o capiauzinho falou com voz firme e diferente, segurando uma garrucha velha de dois canos: "Seu Turíbio! Se apeie e reza, que agora eu vou lhe matar!" Turíbio fez voz grossa, mas o caipira explicou: não ia adiantar nada porque ele prometeu ao Compadre Cassiano, na horinha mesmo de ele morrer. Turíbio tentou ganhar tempo, fez que ia rezar e puxou o revólver. Mas a garrucha não falhou: foram dois tiros, um do lado esquerdo da cara, outro no meio da testa. Turíbio caiu morto, e Vinte-e-Um esporeou a montaria, tomando o caminho de volta.


5-Minha gente

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na primeira pessoa. O narrador participa da história; tem, pois, visão limitada dos fatos que narra.

PERSONAGENS

1.

Narrador: Homem da cidade em passeio pelas fazendas dos tios, no interior de Minas Gerais. Gostava da prima Maria irma, mas casou-se com Armanda, filha de uma fazendeira.
2.

Santana: Companheiro nas andanças do narrador, tem mania de jogar xadrez, mesmo quando estão andando a cavalo.
3.

Tio Emílio:Tio do narrador; sofreu mudança radical depois que se meteu na política.
4.

Maria Irma: Uma das filhas de Tio Emílio; no passado, o narrador e ela foram namorados de brincadeira. Tem cintura fina, olhos grandes, pretíssimos. Passou alguns anos no internato.
5.

Armanda: Filha de fazendeiros; estudou no Rio de Janeiro. Terminou casada com o narrador
6.

Bento Porfírio: Vaqueiro; gostava de pescar. Envolveu-se com uma prima casada (de-Loudes) e terminou assassinado a foice pelo marido enciumado (Alexandre).

CENÁRIO – Fazenda Saco-do-Sumidouro (interior de Minas Gerais), do Tio Emílio, pai de Maria Irma.

RESUMO

CAMINHADA PELO SERTÃO – Caminham juntos, pelo sertão de Minas, a cavalo, o narrador, Santana e José Malvino. O narrador é um observador apaixonado das coisas do sertão: a paisagem, o céu, os pássaros, as árvores... Tudo para ele merece elogios e observações. A viagem chega ao fim: estão agora numa fazenda.

TIO EMÍLIO – Dois dias na fazenda, e o narrador achava tudo mudado. Mas mudança de verdade notara no Tio Emílio: rejuvenescido, transfigurado. Logo, o narrador descobriu o porquê da mudança: Tio Emílio estava metido na política. Sempre atendendo aos pedidos do povo, a qualquer hora, mesmo à noite.

CONVERSA COM A PRIMA – A prima Maria Irma, em conversa com o narrador, fez questão de informar que estava quase noiva. O narrador quis saber de quem, mas ela fez mistério.

HISTÓRIA DE BENTO PORFÍRIO – Bento Porfírio, enquanto pesca com o narrador, vai-lhe contando uma história. Agripino, bom parente, convidou Bento para ir ao arraial. Queria apresentá-lo à sua filha de-Lourdes: quem sabe os dois podiam casar. Mas Bento não foi. Preferiu uma pescaria misturada com farra, com mulher-da-vida e sanfona pelo meio. Tempos depois, "quando Bento Porfírio veio a conhecer a prima de-Lourdes, ela já estava casada com o Alexandre". Os primos foram-se vendo e gostando um do outro. Por pirraça e por falta do que fazer, Bento casou-se com Bilica.

NOITE DE ROÇA – O narrador ficou na varanda até anoitecer. A prima Irma mudou de modos e, na hora do jantar, sorriu diferente para o narrador. Ele ficou desconfiado. "Mulher bonita, mesmo sendo prima, é uma ameaça\". E o narrador lembra bem o conselho de Tertuliano Tropeiro: "Seu doutor, a gente não deve de ficar adiante de boi, nem atrás de burro, nem perto de mulher! Nunca que dá certo..." Noite sem estrelas, noite de roça. O narrador foi dormir.

CRIME NO POÇO – O narrador foi novamente pescar no poço com Bento Porfírio. Depois de algum tempo, a história do adultério continuou. O marido da prima, o Alexandre, não sabe que está sendo enganado. De repente, o marido traído surgiu de trás de uma moita, foice na mão, e matou Bento com um só golpe. O corpo caiu no poço, e o narrador, apavorado, não sabia o que fazer. O assassino foi embora, o narrador correu para casa e contou ao Tio Emílio o ocorrido. As ordens foram dadas: tirar o morto do poço, avisar o subdelegado e ir atrás do assassino. Não para matá-lo, mas para protegê-lo das autoridades.

CIÚMES – Os dias vão passando, e o narrador começa a gostar da prima Maria Irma. Por que não namorá-la? Um rapaz da cidade veio visitá-la e trazer-lhe livros. Ela se enfeitou toda para o receber. Por que não estava toda enfeitada na chegada do primo? À noite, o narrador fica sabendo que o rapaz se chama Ramiro e que é namorado da Armanda, uma amiga de Maria Irma, filha da fazendeira do Cedro.

DECLARAÇÃO DE AMOR – O narrador não se conteve e fez uma declaração de amor à prima. Ela ouviu e, depois, disse que não acreditava. Ele tentou convencê-la usando argumentos infantis. Em vão.

DESISTÊNCIA – Depois de uma conversa séria com a prima e de obter dele somente negativas, o narrador ameaçou ir embora. Ela insistiu que ele ficasse: queria apresentar-lhe Armanda, a namorada de Ramiro. Ele, teimoso, partiu no outro dia. Iria para Três Barras, onde mora o seu tio Luduvico.

SOFRIMENTO – Em Três Barras, o narrador não conseguia esquecer Maria Irma. Depois das eleições, com vitória do partido de Tio Emílio, o narrador recebeu carta: ele, o tio, queria-o de volta. O narrador ficou muito alegre e nem esperou o outro dia para voltar.

ARMANDA – De volta, o narrador foi apresentado a Armanda. Foram passear a pé pelos pastos. Dali, do primeiro passeio, já nasceu o namoro. Em pouco tempo, o noivado e, no mês de maio, o casamento, ainda antes do matrimônio da prima Maria Irma com Ramiro Gouveia.


6-São Marcos

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na primeira pessoa. O narrador participa da história e tem visão limitada dos fatos que narra.

PERSONAGENS

1.

Narrador: José, um admirador da natureza. Gostava de observar árvores, pássaros, rios, lagos e gente.
2.

João Mangolô: Mangolô era um preto velho. Morava no Calango-Frito e tinha fama de feiticeiro.
3.

Aurísio Manquitola: Sujeito experiente, contador de histórias; conhecia bem todas as pessoas de Calango-Frito.
4.

Tião Tranjão: Sujeito meio leso, vendedor de peixe-de-rio no arraial. Ficou indomável depois de aprender a oração de São Marcos.

CENÁRIO – Calango-Frito, arraial do interior de Minas Gerais.

RESUMO

BRINCANDO COM MANGOLÔ – Mangolô era um preto velho. Morava no Calango-Frito e tinha fama de feiticeiro. O narrador, saindo do povoado (ia caçar), passou pela casa de Mangolô e tirou brincadeira. Gritou para o preto velho: "primeiro: todo negro é cachaceiro; segundo: todo negro é vagabundo; terceiro: todo negro é feiticeiro". Eram os mandamentos do negro. Mangolô não gostou da brincadeira. Fechou-se na casa e bateu a porta.

AURÍSIO MANQUITOLA – Mais à frente, na mesma caminhada, o narrador alcança Aurísio Manquitola. O narrador, por brincadeira, começou a recitar a oração proibida de São Marcos. Aurísio enche-se de medo. É um perigo dizer as palavras dessa oração, mesmo que por brincadeira.

TIÃO TRANJÃO – Aurísio conta ao narrador a história de Tião Tranjão, sujeito meio leso, vendedor de peixe-de-rio no arraial. Tião amigou-se com uma mulherzinha feia e sem graça. Pois o Cypriano, carapina já velho, começou a fazer o Tião de corno. Mais ainda: os dois, Cypriano e a mulher feia, inventaram que foi Tião quem tinha ofendido o Filipe Turco, que tinha levado umas porretadas no escuro sem saber da mão de quem... O Gestal da Gaita, querendo ajudar o Tião, quis ensinar a ele a reza de São Marcos. Tião trocava as palavras, tinha dificuldade para memorizar. Gestal teve que lhe encostar o chicote para fixar a reza. Aí sim, debaixo de peia, Tião Tranjão aprendeu direitinho a reza proibida, tintim por tintim.

Depois da reza decorada, vieram uns soldados prender Tião. Ele desafiou: com ordem de quem? Os soldados explicaram: com ordem do subdelegado. Então, que fossem na frente. Ele iria depois. Com muito jeito, conseguiram levar Tião para a cadeia e lá, bateram nele. Depois da meia-noite, Tião rezou a oração de São Marcos e, misteriosamente, conseguiu fugir da cadeia, voltar para casa – quatro léguas. Não encontrando a mulher, foi direto para a casa do carapina. Aí, com ar de guerreiro, bateu na mulher, no carapina, quebrou tudo que havia por lá, acabou desmanchando a casa quase toda. Foram necessárias mais de dez pessoas para segurá-lo.

CEGO NA LAGOA – O narrador vai descendo por trilhas conhecidas, reconhecendo árvores, identificando pássaros, até chegar finalmente à lagoa. Senta-se e põe-se a observar o movimento dos bichos em perfeita harmonia com a natureza. De repente, sem dor e sem explicação, ficou cego. O desespero não veio de imediato. Aos poucos, foi concluindo que estava distante, afastado de qualquer ser humano, impossibilitado de voltar para casa. Resolveu gritar. Gritou repetidas vezes e só teve o eco por resposta. Tentou, então, voltar tateando as árvores. Logo percebeu que estava perdido, numa escuridão desesperadora. Já ferido por espinhos invisíveis, machucado de quedas, chegou a chorar alto.

REZA BRAVA – Sem pensar, o narrador começou a bramir a reza-brava de São Marcos. E sem entender o porquê, dizendo blasfêmias que a reza continha, começou a correr dentro da mata, tangido por visões terríveis. De repente, estava na casa de João Mangolô, tangido por uma fúria incontrolável. E a voz do feiticeiro pedindo pelo amor de Deus que não o matasse. Os dois rolaram juntos para os fundos da casa. E de repente, luz, muita luz. A visão voltava esplêndida. E o negro velho tentando esconder alguma coisa atrás do jirau. Depois de levar alguns sopapos, Mangolô mostrou um boneco. Mais alguns socos e o feiticeiro explicou: não queria matar. Amarrara apenas uma tirinha de pano preto nas vistas do boneco para o narrador passar uns tempos sem enxergar. Tudo terminou em paz. Para garantir tranqüilidade, o narrador deu um dinheiro a João Mangolô. Era a garantia de que, agora, eram amigos.


7-Corpo fechado

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na primeira pessoa. O narrador participa da história e tem visão limitada dos fatos que narra.

PERSONAGENS

1.

Narrador: Médico morando num arraial do interior de Minas. Fez amizade com Manuel Fulô. Gostava de ouvir-lhe as conversas.
2.

Manuel Fulô: Sujeito pingadinho, quase menino, cara de bobo de fazenda, cabelo preto, corrido. Não trabalhava. Gostava de moça, cachaça e conversa fiada.
3.

Beija-Flor: Besta ruana, de cruz preta no dorso, lisa, lustrosa, sábia e mansa – mas só para o dono, Manuel Fulô.
4.

Das Dor: Noiva de Manuel Fulô; moça pobre, mas muito bonita.
5.

Targino: O valentão mais temido do lugar. Era magro, feio, de cara esverdeada. Dificilmente ria.
6.

Antônio das Pedras-Águas: Era pedreiro, curandeiro e feiticeiro.

CENÁRIO – Laginha, arraial monótono do interior de Minas Gerais.

RESUMO

AMIZADE – A amizade do narrador com Manuel Fulô nasceu do nada. Solidificou-se quando o narrador descobriu que Manuel comia cogumelo com carne. Manuel Fulô gostava de moças, de cachaça e de conversa fiada.

BEIJA-FLOR – Beija-Flor era o orgulho de Manuel Fulô. Mais que isso: era uma espécie de complemento. Besta ruana, de cruz preta no dorso, lisa, lustrosa, sábia e mansa – mas só para o dono. Quando Manuel Fulô ficava bêbado – e isso acontecia todos os domingos – atracava-se ao pescoço de Beija-Flor, e a mula levava-o com todo o cuidado. Sabia abrir porteiras.

VIVENDO COM CIGANOS – Manuel Fulô conta ao narrador que viveu uns tempos com uns ciganos só para aprender alguns truques. Os ciganos gostavam dele porque pensavam que ele era bobo de verdade. Com os ciganos, Manuel Fulô aprendeu tudo sobre cavalos. Sabia transformar animal ruim em bicho de valor em pouco tempo. Quando deixou os ciganos, passou a ganhar dinheiro negociando com animais.

FREGUESIA PERDIDA – Manuel Fulô contou ao narrador como conseguiu, certa vez, enganar os ciganos. Arranjou dois cavalos imprestáveis, preparou-os, fez-lhe maquiagens para disfarçar defeitos e trocou-os por dois cavalos bem melhores. Com isso, perdeu a freguesia. Ninguém quis mais negociar com Manuel Fulô porque ele era capaz de enganar até ciganos.

AMEAÇA DE TARGINO – Uma noite, o narrador e Manuel Fulô estavam bebendo cerveja na venda. De repente, entrou Targino e caminhou na direção dos dois amigos. Pediu licença ao doutor: queria falar um particular a Manuel Fulô. Pura formalidade, pois Targino falou bem alto, na porta da venda, a três passos do narrador:

"– Escuta, Mané Fulô: a coisa é que eu gostei da das Dor, e venho visitar sua noiva, amanhã... Já mandei recado, avisando a ela... É um dia só, depois vocês podem se casar... Se você ficar quieto, não te faço nada... Se não... – E Targino, com o indicador da mão direita, deu um tiro mímico no meu pobre amigo, rindo, rindo, com a gelidez de um carrasco".

BUSCANDO AJUDA – Depois da ameaça, o doutor-narrador levou Manuel para a casa dele (do doutor). Que fazer? O próprio Manuel não via saída. Targino era valentão, ninguém podia com ele. No outro dia, enquanto Manuel ainda se recupera do porre, o doutor saiu à procura de ajuda. Primeiro, foi à casa do Coronel Melguério. O homem deu de ombros: se alguém tivesse coragem de enfrentar o Targino... Depois, foi a vez do vigário: prometeu rezar. De volta, o doutor encontrou a casa cheia: eram os parentes de Manuel Fulô. Pediam ao doutor que não fizesse nada. O correto era entregar para Deus. Maria das Dores estava sozinha com a mãe, chamando pelo noivo.

ANTÔNIO FEITICEIRO – Chamava-se Antonico das Pedras ou Antonico das Águas. Era pedreiro, curandeiro e feiticeiro. No meio da aflição, foi ter à casa do doutor. Ali, com ar de pressa, trancou-se no quarto com Manuel Fulô. Um tempo depois, a porta abriu-se, e Manuel anunciou com cara de defunto: entreguem a mula Beija-Flor para seu Antônio. O feiticeiro pediu um prato fundo, brasas, linha e cachaça. Os apetrechos apareceram, e os dois se trancaram no quarto.

Enquanto isso, Targino saiu à rua deserta e caminhava em direção à casa onde estava a Maria das Dores, a noiva ameaçada.

CORPO FECHADO – Manuel Fulô, depois de algum tempo trancado no quarto com Antônio feiticeiro, saiu teso, cara de mau, olhar fixo. E assim, caminhou para a rua: ia ao encontro de Targino. Todos ficaram assustados. Antônio Feiticeiro explicou: Manuel Fulô estava com o corpo fechado. Arma de fogo não tinha poder sobre ele. A mãe de Manuel pediu que segurassem o filho dela, pois seu Toniquinho pusera-o doido. \"Mas ninguém transpôs a porta\". E lá estavam os dois, Targino e Manuel Fulô, frente a frente. Manuel falou primeiro, xingando a mãe do valentão. Mexeu na cintura e tirou dela uma faquinha quase canivete. Cresceu para cima de Targino. Foram cinco tiros, as balas zuniram. Manuel Fulô pulou sobre Targino e aplicou-lhe várias facadas pela altura do peito. O valentão capotou e morreu num átimo. Manuel Fulô ainda lhe deu mais facadas, sujando-se todo de sangue.



FESTA – Manuel Fulô fez um mês inteiro de festa e até adiou o casamento, pois o padre teimou que não matrimoniava gente bêbeda. O narrador foi o padrinho.


8 - Conversa de bois

DADOS TÉCNICOS

NARRATIVA – Conto narrado na primeira pessoa. O narrador participa da história e tem visão limitada dos fatos que narra.

PERSONAGENS

1.

Tiãozinho: Menino-guia. Odiava o Agenor carreiro, pois o malvado vivia fazendo carinho na mãe de Tiãozinho, mesmo quando o pai do menino ainda estava vivo, entrevado em cima de um jirau.
2.

Agenor Soronho: Carreiro. Mandava em Tiãozinho como se fosse pai dele.
3.

Januário: Pai de Tiãozinho.

CENÁRIO – Estrada no interior de Minas Gerais.

RESUMO

CARRO, BOIS, CARREIRO E GUIA – O autor produz uma história valorizando quatro elementos importantes da paisagem do interior de Minas. O carro, puxado por bois, vai cortando o sertão, levando rapadura e um defunto – o pai de Tiãozinho (cego e entrevado, já de anos, no jirau) para o arraial. Os bois, enquanto arrastam o carro, vão conversando, emitindo opinião sobre muitas coisas, principalmente sobre os homens.

NOMES DOS BOIS – Buscapé e Namorado: são os bois da guia, os dois que vão bem à frente do carro. Capitão e Brabagato: bois que vão mais atrás,

TIÃOZINHO – O pai de Tiãozinho, Januário, vivia, há muitos anos, entrevado e cego em cima de um jirau. A mãe de Tião não tinha mais paciência de cuidar do enfermo. Guardava seus carinhos para Soronho carreiro. De noite, enquanto todos dormiam, Tiãozinho ouvia os soluços do pai, um choro doído, sem consolo.

REVOLTA – Tiãozinho odeia Agenor Soronho. Mesmo quando o pai estava vivo, o carreiro tinha autorização para xingar, bater de cabresto, de vara de marmelo, de pau... Que seria dele agora, com o pai morto? Tiãozinho tentava fazer tudo direito: capinava, tirava leite, buscava os bois no pasto, guiava-os no carro de boi. "Quando crescer, quando ficar homem, vai ensinar ao seu Agenor Soronho... Ah, isso vai!... Há de tirar desforra boa, que Deus é grande!..."

MORTE – O caminhar cadenciado e monótono levou Agenor Soronho ao sono. O perigo era iminente. Se caísse, as rodas do carro de boi passariam por cima dele. Na frente dos bois, Tiãozinho andava meio acordado, meio dormindo. Nesse quase estupor, o pensamento coincidia com a fala dos bois. Era como se o menino fosse boi também. Os bois entendiam o pensamento dele: falava em vingança, em morte do carreiro. De repente, meio inconsciente, Tiãozinho deu um grito, os bois saltaram, todos a um tempo, para frente, e Agenor Soronho caiu. Uma das rodas do carro passou por cima do pescoço dele, quase o degolando. Estava morto. Agora, com dois defuntos, a caminhada ficou mais alegre. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Carlos Drummond de Andrade (1901-1987) é um dos poetas máximos da Língua Portuguesa. Sua poesia consegue ser, ao mesmo tempo, absolutamente brasileira (às vezes, mineiríssima) e ser universal. Seu estilo conjuga a limpidez clássica às impertinências irônicas de um prosaísmo bem colocado, o que torna Drummond um modernista além do seu tempo. Despedida do poeta? Recomeço? Farewell (1996), a obra póstuma de Carlos Drummond de Andrade, guarda, no bem humorado adeus à moda inglesa, um sorriso maroto como aquele da crônica Ciao (1984), na qual o poeta se despedia dos leitores de sua página semanal no JB. Um misto de gratidão ("aos leitores a minha gratidão -essa palavra tudo") e de alívio de quem se vê afinal desobrigado da vida "O pássaro é livre /na prisão do ar./ O espírito é livre/ na prisão do corpo./Mas livre, bem livre/é mesmo estar morto". Nesse breve livro de poemas, estão presentes os temas caros ao poeta mineiro: a meditação serena/ convulsa sobre a passagem do tempo, sobre o amor, sobre os amores tardios (os amores fora de hora), que acendem o desejo na carne envelhecida; o tema da permanência na mudança (as sete faces do anjo torto), fazendo aparecer o "feixe de contrastes" de que se compõe o ser humano; o tema da memória que pode converter em presença o que está ausente e pode transformar em doçura o horror do sofrimento; a leitura sensível de obras de outros artistas ("A Cadeira (Van Gogh): ninguém está sentado/ mas adivinha-se o homem angustiado").

Por conseguir reunir em tão densa obra poemas modelares, Farewell é um livro-síntese, e também um convite a recomeçar a leitura dos outros livros do poeta mineiro, esse "tigre disfarçado", animal poético de sonsa ternura e doce crueza que nos ensina a "sempre, e até de olhos vidrados, amar". (ANDRADE, Carlos Drummond de. Farewell. Rio de Janeiro : Record, 1996.) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Desenvolve-se de maneira mais compacta. A ação do romance decorre no curto espaço de tempo entre a tarde de uma quinta - feira santa e a noite do Sábado de aleluia . O autor analisa um grupo de personagens, distintas uma das outras. Mas ligadas por um elo comum : o suicídio de uma moça que se atira do décimo antar de um edifício. Este elo comum evita a repetição e dá originalidade ao romance. Além disso, foi o artifício encontrado para estudar as reações de indivíduos diferentes uns dos outros, diante de um mesmo acontecimento. Assim, o autor analisa o frio Chicharro; o Sete, pequeno vendedor de jornais; Aristides Barreiro , homem de negócios; Bernardo Resende , vaidoso compositor; Tônio Santiago, romancista célebre; Marina , uma mulher angustiada, o Dr.Lustosa, desenbargador aposentado. Érico Veríssimo mostra uma ficção de técnica avançada, onde destacam-se o monólogo interior da personagem e o simultaneísmo narrativo, embora sua linguagem seja pouco estilizada. O registro da vida cotidiana em uma grande metrôpola é sempre feito pelo ponto de vista do personagem, o que garante um clima psicológico maior. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Alcaide de Santarém é uma história de intriga na corte do califa no ano de 950. Nela o mendigo que chamam al-muulim (o triste) informa al-munimim (o príncipe dos crentes, o califa), que seu filho mais novo é um traidor e que pretende derrubá-lo com uma conspiração. O califa manda executar o traidor, mas passa a vida toda triste e 11 anos depois al-muulim revela a ele na hora da morte que estava mentindo para poder vingar-se do califa, que matou seu irmão. Al-muulim é o dito alcaide de Santarém. Este é um dos contos históricos de Alexandre Herculano, que era historiador, e passa-se no tempo em que os árabes dominavam a província; existe assim certa precisão histórica. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Fogo Morto (1943) é a obra-prima de José Lins do Rego. Como romance de feição realista, esse livro procura penetrar a superfície das coisas e revelar o processo de mudanças sociais por que passa o Nordeste brasileiro, num largo período que vai desde o Segundo Reinado, incluindo a Revolução Praieira e a Abolição, até as primeiras décadas do século XX. O tema central de Fogo Morto é o desajuste das pessoas com a realidade resultante do declínio do escravismo nos engenhos nordestinos, nas primeiras décadas do século XX. O romance conta a história de um poderoso engenho, o Santa Fé, desde sua fundação até o declínio, quando se transforma em "fogo morto", expressão com que, no Nordeste, designam-se os engenhos inativos. Retomando o espírito de observação realista, o autor produz um minucioso levantamento da vida social e psicológica dos engenhos da Paraíba. Em virtude do apego ao cotidiano da região, Fogo Morto apresenta não apenas valor estético, mas também interesse documental. Fogo Morto não se esgota na classificação de romance regionalista, embora essa seja uma noção correta. Há outros componentes importantes na obra, a partir dos quais se pode enquadrá-la numa tipologia consagrada. Talvez o mais ilustre antecedente de Fogo Morto na literatura brasileira seja O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo.

Em que sentido? No sentido de tomar uma personagem coletiva como objeto de análise. Assim como Aluísio investiga o nascimento, vida e morte de um cortiço do Rio de Janeiro, José Lins penetra no surgimento, plenitude e declínio do Engenho Santa Fé, localizado na zona da mata da Paraíba. Com efeito, o engenho parece possuir vida própria, embora suas células sejam as pessoas que o formam. Como análise quer dizer decomposição, o autor decompõe as pessoas como forma de expor a constituição do todo. Por essa perspectiva, Fogo Morto tanto pode ser entendido como um romance social quanto psicológico. Em rigor, uma categoria não existe sem a outra. O livro é forte em ambas as dimensões. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Luneta Mágica é uma obra que se afasta do romance ligeiro de complicações amorosas e desenlaces piegas, não se aproxima de nada. Paira indecisa entre a fábula, o conto de fadas, e a historieta, tudo entremeado de digressões pseudofilosóficas. As frequentes e nem sempre oportunas especulações sobre o Bem e o Mal se conduzem através de um discurso em que predomina o lugar-comum romântico, enunciado por um narrador que proclama sua miopia física e moral desde a primeira página. Em primeira pessoa, Simplício, o narrador, conta-nos suas desventuras de míope que a duas polegadas dos olhos não distingue um girassol de uma violeta. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Naturalismo. Luzia-Homem é um exemplo do Naturalismo regionalista. Passado no interior do Ceará, nos fins de 1878, durante uma grande seca, vai contando a história da retirante Luzia, mulher arredia, de grande força física (o apelido Luzia-Homem provém desta força que lhe permitia trabalhar melhor que homens fortes). Luzia trabalha na construção de uma prisão e é desejada pelo soldado Capriúna. Mas Luzia não se interessa por amores e mantém uma relação de amizade e ajuda mútua com Alexandre. Após Alexandre propor-lhe casamento (existe por toda a história a relutância de Luzia de admitir que gosta de Alexandre), este é preso por roubar o armazém do qual era guarda. Luzia passa visitar-lhe na prisão e sua amiga, a alegre Teresinha, para cuidar de sua mãe doente. Após um certo tempo, Luzia para de lhe visitar na prisão. Ao fim Teresinha descobre que Capriúna era o verdadeiro ladrão e uma das assistentes de Luzia (ela havia sido dispensada e depois voltara ao trabalho, mas como costureira) lhe falar que a testemunha contra Alexandre mentia, o culpado é preso.

A família de Teresinha aparece (ela havia fugido de casa com um amante que morreu meses depois) e ela, humilhada fica subserviente a eles, especialmente ao pai que a rejeita. Luzia descobre isto e, depois de um interlúdio, convence-a a viajar com ela, migrando para o litoral. No caminho Capriúna se liberta e vai ataca Teresinha, a culpada de sua prisão. Encontrando Luzia, mata-a e acaba caindo de um desfiladeiro. Marcado pela fala característica dos personagens, Luzia-Homem mantém duas características clássicas do Naturalismo por toda obra: o cientificismo na linguagem do narrador e o determinismo (teoria de que o homem é definido pelo meio). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Laços de Família, de 1960, é uma coletânea de treze contos, dentre os quais seis publicados em 1952 com o título de Alguns Contos. Nesses contos Clarice Lispector procura focalizar o processo de aprisionamento dos seres humanos em suas prisões domésticas', daí o titulo, Laços de Família. Em seus contos, a autora busca o questionamento das formas convencionais e estereotipadas das relações familiares, ritualmente repetidas de geração em geração, dentre as quais, a relação marido/mulher, mãe/filhos, avó/familiares, filha/mãe, dentre outros. "Devaneio e embriaguez duma rapariga" Uma típica senhora portuguesa casada, certo dia ao encontrar-se defronte ao espelho a mirar-se, estando só em casa ( os filhos e o marido estavam fora ) começou a devanear. Tanto que ficou o tempo inteiro no quarto sob a cama, o que fez o marido pensar que esta estava doente. Tão logo os filhos voltam ao lar, a vida retoma o seu norte e nossa personagem volta ao seu ritmo cotidiano, apenas desmanchado por um encontro de negócios entre seu marido e respectivo chefe. Embriaga-se e desenvolve muita prosa com o chefe do marido, em verdade enciumava a beleza da vestimenta de outra mulher no recinto e isto feriu-lhe a vaidade. Ao chegar em casa repensa sua própria sensualidade e o desejo que podia despertar nos homens. "Amor" Ana, urna mulher casada, pacata e mãe de dois filhos, tinha uma vida doméstica muito calma, donde cuidava dos seus com o esmero e amor típicos de uma pessoa fraterna e sensível.

Aliás Ana, em hebraico significa "pessoa benéfica, piedosa". Certo dia ao ir às compras encontrou-se com um cego que muito a impressionou; com a freada brusca do bonde onde se encontrava, os ovos que carregava acabaram quebrando-se, pronto! A sua paz tão duramente conquistada desapareceu. Transtornada acabou por descer no Jardim Botânico que por sua beleza fê-la temer o próprio inferno. Aqui podemos fazer um paralelo entre a beleza que salta aos olhos e o cego que está privado disto, este último vive o próprio inferno em terra. Esta então é a explicação de tanto que impressionara a personagem. Ao voltar para casa sentia que alguma coisa havia mudado dentro de si, abraçou o filho tão fortemente que o assustou e foi ajudar o marido quando este derrubou o café. Carinhosamente este pegou-lhe a mão e levou-a para o quarto para dormirem. "Uma galinha" Uma galinha de domingo, pronta para o abate. Contudo quando apanhada pelo pai da menina que é a narradora da estória, a galinha acaba pondo um ovo, imediatamente a menina avisa os demais familiares do fato e alerta-os para a nova condição de "mãe" da galinha. O pai de família, sentindo-se culpado por tê-la feito correr para o abate, acaba por nomear a ave como de estimação sob pena de que se o animal fosse sacrificado nunca mais voltaria a alimentar-se da galinha. Contudo, houve um dia em que "mataram-na, comeram-na e passaram-se anos." "A imitação da rosa" Laura, casada e sem filhos, preparava-se para um jantar na casa de amigos. Era a primeira vez que ela faria isto desde que voltara do hospital, onde fora internada. provavelmente por causa de um surto. Ela pretendia estar pronta, de banho tomado, em seu vestido marrom, a casa limpa e a empregada despachada, quando seu marido, Armando, chegasse. Assim teria tempo livre para ficar à disposição dele. e ajudá-lo a arrumar-se. Laura parecia perseguir a perfeição a todo custo, vigiava-se para ser um esposa modelo, submissa e obediente, mediana até na cor dos cabelos, nem loura, nem morena: de modestos cabelos marrons Ela procura parecer normal, premedita todos os seus gostos. Não quer que os outros se preocupem com ela. Pensa o quanto seria bom ver o marido enfim relaxado, conversando como amigo, no jantar, sem lembrar-se de que ela existe. Exausta e feliz, pois acabara de passar em ferro todas as camisas de Armando. Laura sentou-se na poltrona da sala e cochilou um breve instante. Quando acordou, teve a sensação de que a sala estava renovada. Admirou intensamente as rosas que comprara pela manhã, na feira. Eram perfeitas. Resolveu então dá-las á amiga que iria, à noite visitar. Estava decidido, mandaria as flores pela empregada. Mas, logo depois, Laura hesitava. Por que as rosas, tão bonitas, não podiam ser dela mesma? Por que a beleza e exuberância das rosas a ameaçava? Acabou cedendo-as, a empregada levou as flores, e ela não conseguiu voltar atrás. É provável que a perfeição que Laura vira nas rosas tivesse lhe provocado o impulso de romper novamente com seu lado submisso e servil para se tornar incansável. super-.humana, independente. tranquila, perfeita e serena. Quando o marido chegou do trabalho, Laura ainda estava sentada na poltrona, e nada tinha feito do que planejara Dirigiu-se a ele: "Voltou. Armando. Voltou. (..) Não pude impedir. disse ela, e a derradeira piedade pelo homem estava ria sua voz, o último pedido de perdão que já vinha misturado à altivez de uma solidão já quase perfeita. Não pude impedir. repetiu, (...) Foi por causa das rosas, disse cor,, modéstia(...) Ele a olhou envelhecido e curioso. Ela estava sentada com seu vestidinho de casa. Ele sabia que ela fizera o possível para não se tornar luminosa e inalcansável. "Feliz aniversário" Tudo preparado para o encontro anual da família. Na casa de Zilda, a única filha, as bolas coloridas espalhavam-se pela sala e o bolo confeitado enfeitava o centro da mesa. Na cabeceira, arrumada e perfumada com água de colônia para disfarçar o cheiro de guardado, estava Cornélia, a matriarca e aniversariante que completava 89 anos. Primeiro chegaram as noras com os netos, depois os filhos. A velha. sentada. impassível, se perguntava como ela, tão forte, pudera gerar uma família tão medíocre. Cantaram, parabéns atrapalhados todos fingiam entusiasmo, incapazes de uma alegria verdadeira A velha foi ríspida o quanto pode. Escandalizou os presentes e envergonhou Zilda, cuspindo no chão. Temos o retrato de uma velha amargurada pela morte do filho que admirava, e o desprezo por todos os demais é oriundo neste fato. É preciso observar que Cornélia é a matriarca de todo o clã e seu nome é de acepção latina e significa duro, forte. "A menor mulher do mundo" Encontrada no coração da África, por Marcel Pretre, um caçador e explorador, a menor mulher do mundo tinha 45cm e era escura como um macaco. Vivia numa árvore com o seu concubino e estava grávida. A sua foto, tirada pelo francês, na qual ela aparecia em tamanho natural, foi publicada em jornais de todo o planeta despertando nas famílias o desejo de possuir e proteger aquele pigmeu do sexo feminino, ser humano em miniatura. Os selvagens Bantos, conterrâneos da menor mulher do mundo, adoravam capturar e comer aquelas miniaturas. As crianças queriam a mulher para brincarem de boneca. "Mamãe, se eu botasse essa mulherzinha africana na cama de Paulinho enquanto ele está dormindo? Quando ele acordasse, que susto, hein", disse um menino. Sua mãe olhava-se no espelho e enrolava o cabelo quando ouviu isso, Lembrou-se de uma história contada pela empregada, que passara a vida num orfanato. As meninas da instituição não tinham brinquedos. Um dia, uma delas morreu, e as outras esconderam-na das freiras no armário. Quando não estavam sendo vigiadas, pegavam a defunta como se fosse uma boneca, davam-lhe banho, penteavam-lhe os cabelos botavam-na de castigo, punham-na para dormir... Pensando nisso a mulher considerou cruel a necessidade humana de amar e possuir, a malignidade de nosso desejo de ser feliz, a ferocidade com que queremos brincar. A alma das famílias queria devotar-se àquela frágil criatura africana. Enquanto isso, a própria coisa rara, a menor mulher do mundo, grávida, sentia o seu peito morno de amor. Amava e ria. Amava o explorador amarelo, a sua bota, o seu anel brilhante. Amava e ria, e deixava o homem grande perplexo. Pequena Flor, era assim que o francês a chamava, sabia que o amor era não ser comida pelos Bantos, era achar uma bota bonita, gostar da cor do homem que não é negro, e rir. O explorador não entendia o amor que lhe saía por aquele riso. Ele, que já conhecia um pouco da sua língua, fazia-lhe algumas perguntas, às quais Pequena Flor respondia "sim", "Que era muito bom ter uma árvore para morar, sua, sua mesmo, pois é bom possuir, é bom possuir, é bom possuir." "O Jantar" Num restaurante, um homem observa atentamente um velho a comer. Ambos não se conheciam. A brusquidão e a dureza do velho chamaram a atenção do homem, que lhe vigiava cada gesto. Até que o homem, extasiado, e sentindo certa náusea, percebeu no velho uma lágrima. Então, não tocou mais no prato, enquanto o velho terminou a sua refeição, comeu a sobremesa, pagou a conta, deixou uma gorjeta para o garçom e atravessou o salão, luminoso, desaparecendo. O observador medita: "eu sou um homem ainda." "Quando me traíram ou assassinaram, quando alguém foi embora para sempre, ou perdi o que de melhor me restava, ou quando soube que vou morrer eu não como. Não sou ainda esta potência, esta construção, esta ruiria. Empurro o prato, rejeito a carne e seu sangue". "Preciosidade" Ela era uma estudante de 15 anos, não era bonita, mas tinha sua preciosidade. A mocinha, protagonista deste conto, atravessará este estado transformando-se em mulher, rito em que se dará a perda do que lhe é precioso possivelmente sua virgindade. Acordava muito cedo para ir à escola, precisava tomar um ônibus e um bonde, além de caminhar até o ponto. O caminho era difícil, não gostava que a olhassem. Andava rígida, severa, não admitindo sequer que os homens no ônibus ou os rapazes na escola pensassem nela. Mas o barulho de seus sapatos com saltos de madeira chamavam a atenção de todos, o que a perturbava terrivelmente. Ela era inteligente e aplicada nos estudos (uma maneira de ser respeitada e manter os homens afastados), À tarde tinha em casa apenas a companhia dos livros e da empregada. Certa manhã, ao sair para a escola, só na rua percebeu que ainda estava muito escuro, quase noite. Prosseguiu, enfrentando a madrugada. A caminho do ponto, viu na rua dois rapazes que andavam em sentido oposto ao seu. Procurou manter o ritmo e a calma, eles passariam por ela e continuariam naquela direção, distanciando-se. Avançou, procurando não olhar para eles, nem demonstrar medo. Mas o que se seguiu não teve explicação. (..) foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada," Na fuga os sapatos dos dois rapazes fizeram um barulho louco que soou por algum tempo na sua cabeça. Ela premiu-se contra o muro, ficou ali impossibilitada de qualquer ação, até que, lentamente, começou a mover-se, catar os seus livros e cadernos, e neles via a sua antiga caligrafia. Ela era outra. Dirigiu-se à escola, onde chegou com duas horas de atraso. Não falou a ninguém sobre o que ocorrera. No banheiro, gritou: "estou sozinha no mundo!". Em casa, durante o jantar, reivindicou:" Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção ao que lhe responderam: "Você não é uma mulher e todo salto é de madeira." "Ate que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, do ser preciosa. "Os laços de família" Depois de duas semanas de visita, Catarina levava a sua mãe para a estação, onde a senhora tomaria o trem e se despediria da filha. Elas estão no táxi. Catarina recorda-se do desconforto causado pela breve convivência entre a sua mãe e o seu marido. O genro e a sogra mal se suportavam. Mas, na hora da partida, ambos encheram-se de generosidade e delicadeza. Catarina tinha vontade de rir. Ria então pelos olhos, como permitia seu estrabismo. A mãe desta jovem mulher chamava-se Severina, A severa mãe, em tom de desafio e acusação, lembrava o quanto o menino, seu neto, estava magro. Magro e nervoso." Catarina concordava, paciente. Antônio, esposo de Catarina e pai do menino nervoso, certa noite irritou-se profundamente com tais observações da sogra. De repente, uma freada do carro lançou as duas mulheres uma contra a outra, provocando entre elas uma brusca intimidade de corpos já esquecida. Era como se lhes acontecesse um desastre, uma catástrofe irremediável. Não esqueci nada?", perguntava Severina pela terceira vez. Elas evitaram olhar-se até a estação. Catarina nunca fora de muitos carinhos e intimidades com a mãe. Fora, sim. uma filha muito próxima, muito achegada ao pai, cheia de beijos, abraços, cumplicidade. Dentro do trem, como elas não tivessem o que dizer, a mãe retirou um espelho da bolsa, examinando a sua aparência. Quando a campainha da estação tocou, mãe e filha se olharam assustadas, chamando uma pela outra. Parecia que, todos aqueles anos, elas se tinham esquecido de dizer algo, como: 'sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha". Mas não o disseram, fizeram-se recomendações. mandaram lembranças para os parentes, e o trem se foi. Agora, sem a mãe, Catarina recuperava o seu modo firme de andar. Caminhar sozinha era mais fácil, nada a impediria de subir mais um degrau misterioso nos seus dias. Catarina voltou para casa "disposta a usufruir da largueza do mundo inteiro, caminho aberto pela sua mãe que lhe ardia no peito." Encontrou o marido na sala, lendo os jornais de sábado, o seu dia tomado de volta com a partida da sogra. O menino magro e nervoso estava no quarto, distraído... Procurando chamar a atenção do filho, a mãe sacudia uma toalha na sua frente. Foi quando. pela primeira vez, o menino lhe disse: 'Mamãe', sem nada pedir, e num tom diferente do que usava antes. Alguma coisa se quebrara entre eles e Catarina estava extasiada, O seu corpo inteiro riu, não só os olhos. Tomou o seu filho pela mão e saíram para um passeio, deixando Antônio atônito na sala, sem saber aonde iam O homem dirigiu-se a janela e viu, já na calçada, a mulher e o filho. Ele olhava pela janela, a mulher andando depressa com o filho. Sentia-se frustrado, ela tomava sozinha o seu momento de alegria. Decidiu que depois do jantar iriam ao cinema. Depois do cinema, seria noite. E "este dia se quebraria com as ondas nos rochedos do Arpoador", "Começos de uma fortuna" Artur é um garoto obcecado por dinheiro. O conto gira em torno das suas preocupações em como ganhá-lo: dai, a presença de palavras como mesada e frases como: "logo que alguém tem dinheiro aparecem os outros querendo aplicá-lo, explicando como se perde dinheiro" ou "basta você ter uns cruzeirinhos que mulher logo fareja e cai em cima. Indo ao cinema com o seu colega Carlinhos, com Glorinha e uma amiga desta, Artur se mostra menos preocupado em divertir-se do que em imaginar se está sendo explorado ou não. De certo modo, Carlinhos é o oposto de Artur: acredita que dinheiro existe para ser gasto, preocupando-se menos em ganhá-lo do que em ganhar uma garota. Já Artur não pretende tomar quantias emprestadas (para não ter de devolvê-las), não planeja empregá-las em coisas. No entanto, ele se vê obrigado a fazer um empréstimo com Carlinhos, uma vez que não tem como pagar a entrada de cinema para Glorinha. "O crime do professor de matemática" Era domingo, os católicos dirigiam-se à igreja. Um homem os observava da colina mais alta da chapada. Carregava um saco pesado na mão e, nas costas, a culpa de um dia ter abandonado um cão com o qual tinha uma relação de afeto. De dentro do saco o senhor retirou um cachorro morto. Era-lhe desconhecido, sentou-se ao seu lado e observou, solitário, a paisagem ao redor, a chapada deserta com a sua única árvore. Do saco tirou uma pá e começou a pensar onde enterraria o defunto. Talvez rio centro da chapada, lugar em que ele mesmo gostaria de ser enterrado. Diante da dificuldade de determinar a exata posição do centro da chapada, resolveu enterrá-lo ali mesmo, precisamente embaixo dos seus pés. Pegou a pá e pôs-se a cavar. O crime do professor de matemática não consistia em ter matado o cão desconhecido. Encontrara-o já morto, numa esquina, e surpreendera-se com a idéia de enterrá-lo. O corpo do cão representava para ele o cão verdadeiro, o que abandonou ao mudar-se com a família de uma cidade para aquela em que agora vivia. Enfim, o professor enterrou o cão, bem à superfície, para que não perdesse a sensibilidade. Para o homem, esse ato era a maneira que achara de redimir-se do seu pecado, de punir-se do seu crime com o outro cão, o abandonado. Sentindo-se finalmente livre, o homem pôs-se a pensar no verdadeiro cão, como quem pensasse na verdadeira vida, Enquanto eu te fazia à minha imagem, tu me fazias á tua", pensou com saudades. "Dei-te o nome de José para te dar um nome que te servisse ao mesmo tempo de alma, (...) Quanto me amaste mais do que te amei. Refletindo a relação que estabelecera com o cão, o homem revelará aos poucos os motivos que tornaram impossível a convivência entre ambos: "E, abanando tranquilo o rabo, parecias rejeitar em silêncio o nome que eu te dera. (...) Porque, embora meu, nunca me cedeste nem um pouco de teu passado e de tua natureza. E, inquieto, eu começava a compreender que não exigias de mim que eu cedesse nada da minha para te amar, e isso começava a me importunar. Era o ponto de realidade resistente das duas naturezas que esperavas que entendêssemos. Minha ferocidade e a tua não deveriam se trocar por doçura: era isso que pouco a pouco me ensinavas, e era isso também que estava se tornando pesado. Não me pedindo nada , me pedias demais. De ti mesmo exigias que fosses um cão. De mim exigias que eu fosse um homem." A cabeça matemática e fria do homem pouco a pouco entendeu que o que fizera ao cão era impune e definitivo, pois "não haviam inventado castigo para os grandes crimes disfarçados e para as profundas traições'. O professor, então, passou a olhar a cova onde havia enterrado sua "fraqueza e sua condição, e era como se "José, o cão abandonado, exigisse dele (...) num último arranco, que fosse um homem e como homem assumisse o seu crime. O professor não queria mais se sentir livre de seu crime, não seria nunca um homem se abandonasse tão facilmente também sua culpa. "Agora. mais matemático ainda, procurava um meio de não se ter punido." O homem. lentamente, desenterrou o cachorro desconhecido e renovou o seu crime para sempre. transformando em um verdadeiro homem, o professor desceu a chapada. "O búfalo" "Eu te odeio" disse a mulher, muito depressa, a um homem que não a amava. Mas a mulher só sabia amar e perdoar, e 'se aquela mulher perdoasse mais uma vez, uma só vez que fosse, sua vida estaria perdida'. Então, numa tarde de primavera, ela visitou o jardim zoológico em busca de um animal que lhe ensinasse a odiar. Encontrara amor nos leões, na girafa, nos macacos. O camelo fizera-lhe topar com a paciência e a poeira. Só a última, e a sua aridez, a interessava. A aridez e não mais as lágrimas. Onde estaria o bicho que lhe daria o sentimento que procurava? Com a sua violência, sozinha, foi para a 'fila dos namorados", esperando a sua vez de entrar no carrinho da montanha russa. Depois de ser sacudida no ar como uma boneca, saiu pálida, como se fora "jogada fora de uma igreja". Voltou a andar, procurando o animal e o ódio. Encontrou o búfalo, que a espiava ao longe. Ele era negro e seus cornos muito alvos. A mulher ficou desconfiada, parecia que o búfalo a olhava. Ela desviou os olhos, o seu coração batia descompassado. "O búfalo deu uma volta lenta. A poeira. A mulher apertou os dentes, o rosto todo doeu um pouco. (...) Uma coisa branca espalhara-se dentro dela (...). A morte zumbia nos seus ouvidos. Novos passos do búfalo trouxeram-na a si mesma e, em novo e longo suspiro ela voltou à tona. Não sabia onde estivera. Estava de pé, muito débil, emergida daquela coisa branca e remota onde estivera.' O animal agora lhe parecia mais negro e maior. Começou a provocá-lo, gritando e jogando-lhe pedras. O ódio, como um fio de "sangue negro', como gotas de "óleo amargo" começou a pingar dentro dela, "fêmea desprezada". O búfalo voltou-se para ela e encarou-a de longe. "Eu te amo, disse ela então com ódio para o homem cujo grande crime impunível era o de não querê-la. Eu te odeio, disse implorando amor ao búfalo'. O búfalo, provocado, aproximou-se lentamente. "Ele se aproximava, a poeira erguia-se'. Como a mulher não recuava um só passo, os seus olhos e os do animal fitaram-se diretamente. "Lentamente a mulher meneava a cabeça, espantada com o ódio com que o búfalo, tranquilo de ódio, a olhava. O olhar a mantinha presa "ao mútuo assassinato (.) como se sua mão se tivesse grudado para sempre ao punhal que ela mesma cravara. Presa, enquanto escorregava enfeitiçada ao longo das grades. Em tão lenta vertigem que antes do corpo baquear macio a mulher viu o céu inteiro e um búfalo'. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Uma obra de transição para o Naturalismo. A história conta sobre Cirino, um falso médico que errava pelo sertão e acaba na casa de Pereira, um sertanejo machista e ignorante. Ele cura a filha deste, Inocência, de malária e apaixona-se. Aparece depois Meyer, um entomólogo alemão que, após inocentemente elogiar a beleza de Inocência, passa a ser vigiado incessantemente por Pereira. Ele fica por lá por recomendações do irmão de Pereira e sai mais tarde de volta a Saxônia para apresentar uma nova espécie de rara beleza que encontrou, ao qual dá o nome de Papilio Innocentia. Cirino sofre porque Inocência é prometida e depois se encontra castamente com ela algumas vezes. Ela lhe pede que fale com seu padrinho para que por eles interceda. Enquanto Cirino está fora ela e Manecão, seu noivo, se encontram e ela se recusa a viver com ele. A suposta desonra leva Manecão a matar Cirino, que morrendo encontra o padrinho de Inocência que vinha lhe ajudar. Esta obra pode ser considerada de transição para o Naturalismo por causa de uma grande e infalível característica: o homem é produto do meio. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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