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GOLDFELD, Márcia. A Criança Surda. Linguagem e Cognição Numa Perspectiva Sócio-Interacionista. São Paulo: Plexus Editora, 2001.

INTRODUÇÃO
A linguagem de sinais despertou defensores e opositores, criações de correntes que no decorrer do tempo foram sendo analisadas e colocadas em prática, trazendo resultados, nem sempre esperados. O mundo se preocupou, neste último século em buscar amenizar as dificuldades das pessoas surdas, o desenvolvimento destas crianças, e o Brasil, buscou dentro destes estudos se incorporar nas pesquisas e nas conseqüentes filosofias educacionais propostas.
Em relação à psicologia educacional, a psicologia sócio-interacionista percebe a linguagem como meio de comunicação essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, onde o desenvolvimento passa primeiro por um nível interpsíquico, e depois, internalizado e vivido intrapsiquicamente, no caso da criança surda, numa visão ampla e cientifica as dificuldades já que a linguagem e diálogo são fatores essenciais para o desenvolvimento fica comprometida, e por conseqüência essa dificuldade comunicativa atinge certas áreas do desenvolvimento infantil.

CAPÍTULO 1 – DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Neste capítulo definições e conceitos são explicitados para que sejam conhecidos e posteriormente refletidos no contexto da pessoa surda, ganhando uma nova conotação e significado, quanto à cultura destas pessoas, e servindo para analises posteriores deste estudo.

Linguagem, Língua e fala
Esses ermos são utilizados por diversos autores com diferentes sentidos. Na área da surdez ganham conotações diferentes das utilizadas usualmente.
Esses conceitos foram usados primeiramente sistematizados pos Saussure, o pai da lingüística, em 1916. A partir dele a lingüística passou a ser reconhecida como ciência. Segundo ele, a linguagem é formada pela língua - sistema de regras compostas por elementos significativos inter-relacionados - e pela fala. A língua é o aspecto social da linguagem e objeto de estudos da Lingüística, e a fala o aspecto individual da linguagem com características individuais, e esta não foi objeto de seus estudos. Sausurre separa a língua, a fala , o social e o individual.
Para Vygotsky, o termo language, serve tanto para linguagem quanto para língua. Nasa traduções fica muito difícil analisar o conceito como língua, linguagem ou fala, assim ele não explica explicitamente esses conceitos. Porem, a sua noção de linguagem como função reguladora do pensamento, a fala como linguagem em ação (seja ela social, egocêntrica ou interior), não deve ser interpretada como ato motor de fonemas e sim como um a produção de interação e diálogo. E a linguagem num sentido amplo envolvendo significação com valor semiótico e não apenas comunicação, mas constituindo o sujeito, a forma como este recorta e percebe o mundo e a si próprio. Estes estudos psicológicos são de grande valia para aprimorar os estudos dos sócios-interacionistas em relação ao desenvolvimento da criança surda.
Bakhtin, no seu livro Marxismo e Filosofia da Linguagem, vê a língua como uma situação de diálogo constante, ininterrupta, relacionada às enunciações anteriores e posteriores a ela. Ele critica a visão ideológica-linguística Objetivista Abstrata representada por Saussure. Segundo ele, esta corrente se preocupa apenas com o aspecto lingüístico normativo, sendo insuficiente para o diálogo. Bakhtin acrescenta o aspecto contextual e social aos estudos, convergindo às idéias de Vygotsky. Para o autor, a língua é o elo entre o psiquismo e a ideologia que formam uma relação dialética indissolúvel, um instrumento que permite receber a cultura de sua comunidade e possibilitando a sua interação e exposição de suas idéias, com ela o individuo influencia o meio social, formulando o Subjetivismo Idealista. No entanto, ele se contra posiciona quando se refere ao termo língua, como código de linguagem artística, musical e outras formas que não se comporta uma língua, já que língua é visto como um termo semiótico, criado e produzido num contexto social e dialógico.
Outro autor citado, Freitas, utiliza o termo linguagem semelhante ao uso de Bakhtin e Vygotsky.
Para a autora Golfeld, linguagem se referirá a qualquer tipo de linguagem, as que utilizam língua ou não; linguagem e língua incluirá a função da constituição do pensamento; e fala ao que se diz respeito a produção da e linguagem,seja em dialogo e também nos diálogos egocêntricos.

O Signo
Para Saussure, o signo é composto pelo significado - conceito- e o significante – imagem acústica, seguindo princípios de arbitrariedade (na relação entre significado e significante), linearidade (referindo ao significante, a imagem acústica, desenvolvida no tempo), mutabilidade ( ao fato das línguas estarem em processo constante de mudanças) e imutabilidade (por ser a língua imposta as comunidades, sem que possam individualmente modificá-las).
Para Vygotsky, não há imutabilidade, não é estável, já que o significado difere no decorrer do desenvolvimento do individuo, há uma evolução do significado, decorrente da aquisição da linguagem e da continua estruturação lingüística que acompanha o desenvolvimento da criança. Ele introduz também, a noção de sentido, a partir das relações interpessoais vivenciadas pelo indivíduo e sua história. O significado sim, é estável, e pode ser compartilhado através da comunicação, no entanto, o sentido atribuído emerge da interação verbal.
Bakhtin difere o significado (signo) – significação – este alcança o tema da enunciação, o sentido e é mutável, onde pode haver substituição de um sinal para outro revelada pelas mudanças históricas e culturais vividas por seus falantes. Já o sentido (sinal) – tema-, alcança apenas o significado, podendo ser imutável, incapaz de sofrer mudanças.
Goldfeld adotará o termo signo para a palavra marcada pela historia e cultura, criada na interação e dependente do contexto e dos falantes que a utilizam, e significados que se modificam no decorrer da vida dependendo de suas vivencias e relações interpessoais que determinarão seu desenvolvimento cognitivo.

Surdez
Os termos utilizados no estudo da surdes são iguais aos utilizados na lingüística e na psicologia, no entanto com conotações diferentes. Assim:
Linguagem: códigos que envolvem significação não precisando necessariamente abranger uma língua.
Língua: para Sausurre, sistema de regras abstratas composto por elementos significativos inter-relacionados;
Língua: para Bakhtin, sistema semiótico criado e produzido o contexto social e dialógico, servindo de elo entre o psiquismo e a ideologia.
Sinal é o signo lingüístico da mesma forma que as palavras da língua portuguesa, é o elemento léxico da língua de sinais.
Fala designa a enunciação produzida através do sistema fonador, chamada de oralização. A fala para Vygotsky, a interiorizada, é aquela simbolização e produzida através das mãos. É a produção da linguagem pelo falante nos momentos d diálogo social e interior, usado tanto no canal audiofonatório, quando o espaço-visual.
Oralização – sistema fonador para expressar palavras e frases da língua;
Sinalização – fala produzida através do canal espaço-visual;
Signo: elemento da língua marcado pela historia e cultura dos falantes com inúmeras possibilidades de sentidos criados no momento e interação, dependendo do contexto e dos falantes que o utilizam.

CAPÍTULO 2 – BREVE RELATO SOBE A EDUCAÇÃO DE SURDOS
Conhecer a história e as filosofias educacionais pra surdos e as relações sociais, a linguagem e a qualidade de interações serve de suporte par analisar criticamente as conseqüências de cada filosofia do desenvolvimento destas crianças.
A idéia que a sociedade da antiguidade fazia de surdos, é que eles foram percebidos como formas de piedade e compaixão ou ainda como pessoas castigadas pelos deuses, por isso eram abandonadas ou sacrificadas. Com isso reforçava a crença que o surdo não poderia ser educador. Essas idéias persistiram até o século XV.
A partir do século XVI, surgem os primeiros educadores para surdos. Cardano foi o primeiro a afirmar que o surdo pode ser instruído (segundo Reis, 1992). Os educadores passam a criar metodologias variadas para ensinar os surdos. Alguns baseados na linguagem oral, outros pesquisaram e defendendo a linguagem de sinais, e outros ainda criando códigos visuais. Essas correntes perpetuam até hoje.
No século XVI, na Espanha um monge beneditino, Pedro Ponde e Leon, ensinou quatro surdos, filhos de nobres a falar grego, latim e italiano, conceitos de física e astronomia, datilografia, escrita e oralização, criando uma escola de professores de surdos.
Em 1620, na Espanha, Juan Martins Pablo Bonet publicou um livro que tratava a invenção do alfabeto manual. Em 1644, J. Bulwer publica o primeiro livro em inglês sobre a língua de sinais, e outro em 1648, onde afirma que a língua de sinais é capaz de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.
Em 1750, na França, Abade Charles Michel de L’Epée, cria os Sinais Metódicos, combinando a língua de sinais com a gramática sinalizada francesa, seu sucesso levou a transformar sua casa em escola publica.. Ele acreditava que todos os surdos deveriam ter acesso a educação publica e gratuita.
Até o final do século dezenove as línguas de sinais foram bastante utilizadas em todo o mundo.

O Oralismo
Em 1750, na Alemanha, surge as primeiras noções do que hoje constitui a filosofia educacional Oralista, esta rejeita a linguagem de sinais e acredita no ensino da língua oral.
O Oralismo percebe a surdez como uma deficiência a ser minimizada pela estimulação auditiva, reabilitado a criança surda em direção a normalidade. A metodologia usada de oralização é de verbo-tonal, áudio-fonatória, aural, acupédico, etc. o Oralismo utiliza como embasamento teórico lingüístico o Gerativismo de Noam Chomsky, que é não só ensinar a linguagem mas dar condições pra que esta se desenvolva espontaneamente na mente, a seu próprio modo.
Há uma preocupação com as regras gramaticais na aprendizagem da língua, como em diferenciar ermos como correr diferente de pular, utilização do tempo no passado e no futuro, onde as crianças surdas têm grande dificuldade de inferir, precisando de muita ajuda. Para amenizar esta dificuldade recomenda-se iniciar a estimulação auditiva precocemente, para que discriminam e distingam os sons que ouvem a través da audição, das vibrações corporais e da leitura oro-facial, a criança chega a uma compreensão da fala dos outros e por ultimo começa a oralizar. Alguns autores ainda citam que a utilização de gestos pode prejudicar o aprendizado da oralização.
No século XVIII, a rápida criação de escolas para surdo, tirou-os da negligência e da obscuridade imitindo responsabilidades, escritores surdos, engenheiros surdos, filósofos surdos, intelectuais surdo, o que antes parecia impossível.
A partir do século XIX, a possibilidade de ensinar o surdo a falar, estimulada pelas novas tecnologias, levou alguns educadores a rejeitarem as línguas e sinais. A partir de 1860, o método oral começa a ganhar força, o mais importante defensor do oralismo foi Alexandre Graham Bell, inventor do telefone, influenciou o Congresso Internacional de Educadores Surdos, em Milão, em 1880, onde se votou este método a ser usado na educação de surdos. Dando uma reviravolta na educação para surdos, a maior parte das escolas deixa de usar a língua de sinais. A Oralização passa a ser o objetivo principal na educação das crianças surdas, com o maior tempo no domínio da linguagem oral, o ensino de disciplinas como história, geografia e matemática foram relegadas, levando a uma queda no nível de escolarização. Isto até a década de sessenta do século passado, quando William Stokoe publicou um artigo defendendo a ASL como a língua com todas as características das línguas orais.
Até hoje, na filosofia educacional, o Oralismo, mantém este tipo de pensamento, sendo que predominou até a década de sessenta. No entanto, a língua oral até o presente momento não pode ser adquirida pela criança surda. Esta filosofia visa integrar a criança surda a comunidade ouvindo, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral e restringindo esta língua como a única forma e comunicação dos surdos, rejeitando qualquer forma de gestualização, bem como as línguas de sinais.

A Comunicação Total
Em 1817, Clerc fundou a primeira escola permanente para surdos nos EUA, usando um tipo do francês sinalizado, ou seja, a união da língua de sinais com a estrutura da língua francesa adaptado ao inglês. Surgindo assim, uma metodologia que mais tarde será utilizada na filosofia da Comunicação Total.
Em 1821, todas as escolas públicas americanas passaram a mover-se em direção a American Sign Language. Em 1850, a ASL, e não mais o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na Europa.
A dificuldade de aprendizagem da linguagem oral levou alguns profissionais nas décadas de sessenta e setenta, a criarem uma nova filosofia educacional para surdos a Comunicação Total, que alia a língua oral a elementos da linguagem de sinais, aproximando essas duas linguagens e criando línguas orais sinalizadas.
A partir dessa publicação surgiram diversas pesquisas sobre as línguas de sinais. Surge neste momento, também Dorothy Shiffekl, professora e mãe de surdo, que começou a usar um método combinando a língua oral e a leitura labial, treino auditivo e alfabeto manual, nomeando seu trabalho de Abordagem Total, que em 1968, Ruy Holcom rebatiza de Comunicação Total dando a ela uma conotação de filosofia. Este método é adotado na Universidade Gallaudet tornando este recinto o maior centro de pesquisa dessa filosofia.
Esta filosofia se preocupa com os processos comunicativos entre surdos e surdos e entre surdos e ouvintes, além da aprendizagem oral, não deixa de lado os aspectos cognitivos, emocionais e sociais da criança surda. Vê cada criança surda como única, assim, defende programas educacionais individualizados; a linguagem oral pode ser motivada. E, na família o importante papel de compartilhar valores e significados, e a ela cabe decidir qual forma de educação seu filho terá.
Defende com isso, o bimodismo, a utilização de recursos espaços-visuais, quaisquer recursos lingüísticos, a datilologia ou alfabeto manual, LIBRAS, no Brasil, o português sinalizado, o pidgin (simplificação gramatical do português e da LIBRA) ou o cued-speech (sinais manuais que representam os sons da língua portuguesa), num uso simultâneo destes códigos, todos como facilitadores da comunicação. Que pode ainda minimizar o bloqueio de comunicação evitando conseqüências no desenvolvimento e possibilitando aos pais ocuparem papéis de interlocutores de seus filhos.

Bilinguismo
Na década de setenta, na Inglaterra e na Suécia, percebe-se que a língua de sinais deveria ser usada independente da língua oral e de outras e não só as duas concomitantes, surgindo então a filosofia bilíngüe, ganhando adeptos no mundo inteiro.
A proposta de não se misturar com a língua oral, surgindo uma nova filosofia educacional para surdos, o Bilingüismo. Nesta filosofia parte-se do pressuposto que o surdo deve ser bilíngüe, ou seja, deve adquirir as línguas maternas, a oficial de seu país, e a língua de sinais, a natural dos surdos. Esta aquisição se adquire através do convívio com a família, com outros ouvintes e com outros surdos.
Na década de oitenta, houve uma valorização do surdo, da aceitação pessoal da deficiência, da formação de uma comunidade própria, com cultura e línguas próprias. É rejeitada, nesta filosofia, a aproximação da normalidade. Deve-se entender o Surdo em suas particularidades, sua cultura, forma de pensar e agir e não apenas os aspectos biológicos ligados a surdez.
Segundo alguns pesquisadores, a Línguas de Sinais é a única língua que o surdo podetia dominar e se servir as suas necessidades, e a não exposição da criança nos primeiros anos de vida trará conseqüências de âmbito emocionais, físicos e cognitivos.

No Brasil
Em 1855, chega aqui o professor surdo francês Hernest Huet, trazido pelo Imperador D. Pedro II, para iniciar um trabalho de educação de duas crianças surdas. Em 18574, é fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que utilizava a língua de sinais.
Em 1911, o INES, seguindo a tendência mundial, estabeleceu o Oralismo puro em todas as disciplinas. Mesmo assim, a linguagem de sinais sobreviver em sala de aula até 1957, quando Ana Rimota de Faria Doria proibiu a língua de sinais oficialmente das escolas. Apesar das proibições essa língua sempre foi utilizada pelos alunos nos pátios e corredores da escola (Reis, 1992).
No final da década de setenta chega ao Brasil a Comunicação Total, influenciada pela Universidade americana Gallaudet. Na década seguinte começa no Brasil o Bilingüismo, a partir de pesquisas da professora Lingüista Lucinda Ferreira Brito que abreviou a Língua de Sinais dos Centros Urbanos da Língua de Sinais Kaapor Brasileira. Em 14994, Brito passa a usar a abreviação libras, Língua Brasileira de Sinais.
Hoje, no país, há profissionais que atuam e produzem conhecimentos nas três filosofias educacionais.
No entanto, a realidade do surdo brasileiro é precária, a maior não tem acesso a tratamento fonoaudiológico, não existem comunidades de surdos organizadas, nem lugares onde a LIBRAS possa ser utilizada e divulgada. O que traz várias dificuldades na escolarização, na socialização e na fase adulta, no mercado de trabalho.

CAPÍTULO 3 – SÓCIO-INTERACIONISMO E SURDEZ
A Psicologia Sócio-Interacionista
A dificuldade em se comunicar do mudo neste contexto é vista numa visão mais ampla, na estruturação do pensamento, estudada por Vygotsky, Luria, Leontiev e Yundovich e o sociolingüístico Bakhtin.
Vygotsky, de 1926 a 1936, estudou os pensamentos e a linguagem contribuindo para um estudo teórico de punho marxista e idealista, sobre a aquisição da linguagem sob a ótica social e a reflexão do estudo de crianças que sofrem atraso da linguagem, quanto a aquisição desta, a formação de conceitos, a relação ente desenvolvimento e aprendizagem, as brincadeiras infantis e também o desenvolvimento de crianças deficientes, inclusive as surdas considerando a influência da situação sócio-econômica sobre o indivíduo.
Bakhtin opôs se as duas correntes lingüísticos ideológicas, não estudando diretamente as crianças com atraso de linguagem, como Vygotsky, seus estudos são de grande relevância, porque aborda o estudo de aspectos lingüísticos, a partir do dialogo com o contexto social, e somente neste contexto a palavra ganha sentido.Assim, para a criança surda, a questão fica mais complexa.
As idéias da filosofia oralista considera importante as relações interpessoais criadas pelo dialogo. Bakhtin parte da relação psiquismo que é individual e da ideologia que é social, concluindo que elas são inseparáveis. Já que, o meio social e o momento histórico determinam a língua, de acordo com as necessidades. Os signos mediam esta relação dando a ela uma constituição consciente. No caso do surdo, a língua de sinais, seu conteúdo e forma representa um signo ideológico. Por ser um modo natural e espontâneo há um maior sucesso na comunicação do uso deste recurso do que a de qualquer outro, devido a ser um instrumento acessível para adquirirem consciência, aprendizado de conceitos e valores.
O pensamento, segundo Vygotsky e Bahktin, é adquirido através da palavra e da linguagem. Mesmo em atividades que não exigem a presença da linguagem, o pensamento é totalmente orientado por ela. A compreensão de fenômenos, não se opera sem a participação do discurso interior, todos os signos não verbais, isto dificulta a aquisição de pensamentos do surdo.
A fala egocêntrica é o inicio da organização e da orientação do pensamento da criança, dela a criança passa pra a fala interior planejando internamente, utilizando o pensamento verbal, com suas próprias leis gramaticais. Essa linguagem é orientada do exte4rior para o interior, provocando o desenvolvimento cognitivo mediando a linguagem que transforma em percepção mediada, atenção voluntária e memória. A cognição é determinada pela linguagem moldada pelas características econômicas e culturais.
E a criança surda? Esta adquire alguma forma de linguagem rudimentar simbolizando e conceituando, já que vivem socialmente. A diferença está na qualidade e quantidade de informações das que os ouvintes recebem e trocam. Porém, o atraso da linguagem dá a eles uma grande dificuldade para compreender assuntos abstratos, lugares diferentes e situações passadas.
A sua linguagem egocêntrica são sinalizadas como o tempo de reação, articulação silenciosa dos lábios, murmúrios, mímica oro-facial, e expressões corporais. Ela cria sua família de signos, os utiliza para a organização de seu pensamento, através de interações sociais utilizada pra comunicação e organização de pensamento. Mas, não se pode concluir que elas utilizam a fala egocêntrica pra planejar ações futuras, antecedendo a ação ao invés só de acompanhá-la, exercendo a função planejadora da linguagem.. Isto por que se desvincular o pensamento do ambiente concreto ela não terá condições de desenvolver as funções organizadora e planejadora da linguagem satisfatória.
O significado e sentido, segundo Vygorsky, de uma palavra está em constante mutação, no decorrer do desenvolvimento infantil., assim como a linguagem. A aquisição de itens léxicos e de regras gramaticais não determina o término da aquisição da linguagem pela criança. Para o autor e Bahktin, o significado é compartilhado socialmente e o sentido é particular para cada indivíduo e este surge no diálogo dependendo da situação contextual e dos interlocutores. Bakhyin introduz também o tema, como uma enunciação completa. Em seu interior, a enunciação possui uma significação formada por elementos sejam eles, abstratos, arbitrários, convencionais, que são reiteráveis e idênticos cada vez que são repetidos, e quando descontextualizado não têm sentidos, mas são parte indispensável da enunciação.. o tema é estágio superior, enquanto a significação é estágio inferior. Dominar a língua é atingir a significação, o tema de enunciação, através do contexto comunicativo, das relações sociais, constituindo a consciência.
Essa compreensão da língua e a relação entre significado e significante é muito difícil para os surdos que recebem estimulação apenas na língua oral.. os aspectos extra-verbais, como a entonação de voz e o volume que influenciam a formação do sentido o surdo não tem acesso. Tendo acesso a língua de sinais, e através dela ele consegue perceber a mudança de significados da língua, adquirir a cultura que esta língua carrega, que é usualmente denominada cultura surda.
O conceito que a palavra assume no discurso interior ou exterior refere-se a uma generalização. O significado é mutável. A criança pequena precisa de auxílio de gestos para compreender o significado de uma palavra. Esse pensamento não é inato, é um processo para alcançar um pensamento, e o papel do adulto nesse processo é fundamental. São nas relações sociais que ela aprende seu maneira de pensar, agir e recortar o mundo e a cultura de sua comunidade. No início da categorização, perceber as semelhanças e as diferenças é mais difícil porque se aplica um grau de abstração, assim como agrupar. No final do estágio de pensamento a fala da criança é semelhante a do adulto, mas o significado diferente, porque ela não percebe as relações lógicas dos conceitos, ela não classifica os objetos. A formação de conceito é uma atividade complexa, indispensável a associação, atenção, a formação de imagens,a inferências ou as tendências determinantes. Mas também as palavras se organizam num eixo horizontal sintagmático, referindo-se a sua estrutura frasal, a síntese da língua, e no eixo pragmático, o que se refere a semântica. Para a criança chegar ao conceito ela precisa da capacidade de abstração e da capacidade de síntese combinada a análise resultando no pensamento. O adulto diferente da criança já é capaz de perceber a generalidade entre conceitos, elaborar novos conceitos, independente da situação concreta, construindo idéias abstratas, onde tempo, espaços e relações lógicas somadas as relações sintáticas permitem o desenvolvimento desses novos conceitos.
A impossibilidade de dominar assuntos abstratos, e de saltar do pensamento sensorial para o pensamento racional, a principal característica do ser humano, na aquisição da linguagem é muito difícil para a criança surda, devido este grau de complexidade.Além disso, se restringir em generalizações menores, palavras concretas, de usar corretamente as palavras mais amplas e abstratas, tanto nos conceitos espontâneos que adquirimos no cotidiano quando no conceito cientifico, adquirido em situações particulares, são outros detalhes que dificultam a aquisição da linguagem.
Quanto ao desenvolvimento e sua relação ao aprendizado, Vygotsky critica as teorias que as considera estes requisitos independentes, ou que se trata da mesma coisa. Para ele, o desenvolvimento de uma capacidade raramente significa o desenvolvimento de outras. A mente é um conjunto de capacidades especificas que independe uma das outras e se desenvolve independentemente. E o aprendizado é a aquisição de capacidades especializadas para pensar sobre várias coisas. Na aprendizagem cria uma Zona de Desenvolvimento Próxima, e esta produção de aprendizado, está a frente do desenvolvimento, passando o aprendizado por um momento interpsíquico e posteriormente num momento intra-psíquico que ocorre após a internalização, correspondendo ao nível de desenvolvimento.
A criança desde seu nascimento recebe informações dos adultos aprende a inter-relacionar estas informações desde os primeiros anos de vida. Esta aprendizagem impulsiona o desenvolvimento, não como um fator biológico natural, mas como um fator relacionado as formas sócio-históricas que a criança está inserida. O atraso da linguagem nas crianças surdas causa um atraso na aprendizagem e consequentemente no desenvolvimento. Este percurso segue um caminho diferente dos das crianças que passam pela aprendizagem formal, escolar, sem dificuldades lingüísticas.
As brincadeiras, como todas as atividades da criança, são influenciadas pelo meio exterior. Esta atividade antecede a fala, e no decorrer do desenvolvimento essa situação se inverte, passando a fala a organizar e planejar a brincadeira. Se trata de simbolizações que passam por internalizações. A manipulação dos objetos é a primeira forma de brincar do bebê, não sendo planejada. Neste estágio a criança surda não se difere da criança ouvinte, saciando seu desejo de lidar com objetos, além disso, gestos que corresponda ao real, e movimentos são imprescindíveis na reprodução da realidade. A participação da criança ouvinte nas conversas com e entre adultos criando informações e significações mais amplas sobre objetos é o que vai diferenciar este desenvolvimento. Na idade pré-escolar, há um processo de mudanças continuas onde o desenvolvimento psíquico da criança prepara o caminho para a transição da criança para outro grau de desenvolvimento, gerando uma nova forma de consciência no desenvolvimento das futuras atividades. A brincadeira passa a ser uma ação lúdica, que passa por uma operação de meios pelas qual a ação é realizada, a operação segue a necessidades, e a imaginação surge.
A criança surda por sua dificuldade de generalizar e classificar, de estar sempre no tempo presente, neste estágio, em seu discurso interior, a dificuldade de comunicar, perceber relações, enfim de planejar a brincadeira, a deixam em desvantagem nesta atividade. A atividade de brincar, por não ser algo planejado, e sim o objetivo em si mesmo, não se torna uma ação, por não constituir de uma operação e de planejamentos, segundo analise de Leontiev. A criança brinca, mas de uma forma diferente.
Esta desvantagem da criança surda os deixa impulsivos e agitados, porque eles não conseguem entender o contexto e se adequar a ele.

Surdez
Segundo Vygotsky, a surdez é a deficiência que causa maiores danos para o individuo, devido a utilização da linguagem que permite o salto do sensorial para o racional, impossibilitando a criança de adquiri-la espontaneamente. No entanto, se recorrermos a historia, Luria lembra que no inicio do desenvolvimento da espécie humana, a comunicação era feita por gestos, e com a evolução o sistema fonador passou a ser utilizado para a comunicação. Diversos autores afirmam que a s mãos podem executar com perfeição o mesmo papel que o sistema fonador, através da língua de sinais. O problema do surdo não é orgânico e sim decorrente de questões socio0culturais e a educação dessas crianças deve ter como objetivo a minimização dos danos causados pelo de atraso da linguagem. A surdez não precisa ser considerada uma deficiência que incapacita o indivíduo. A discriminação e a marginalização ocorrem devido as características culturais de nossa sociedade que podem ser modificadas com o crescimento qualitativo da comunidade surda aliada a uma visão da maioria ouvinte.
Segundo Vygotsky, o método oral, predominante nas décadas de vinte e trinta, era o que mais se contradiz a natureza do surdo, mas nenhum outro método está em condições de devolver o surdo a sociedade humana, como pode fazer o método oral. Ele acredita que a criança surda deve adquirir a linguagem da mesma forma que as crianças ouvintes, valorizando a educação pré-escolar e um ambiente propício a estimulação da língua oral que incorpore a criança surda a comunidade ouvinte. O autor propõe uma reformulação deste método, destacando a mímica (língua de sinais) e a escrita, e diferentes formas de linguagem como a melhor alternativa de desenvolvimento da linguagem das crianças surdas. Opondo-se ao oralismo, ele foi um dos primeiros autores a considerar a língua de sinais um sistema específico. E a favor de utilizá-la na educação, sugerindo que a educação ideal pra a criança surda deve ser baseada na poliglossiaótica (uso de diferentes formas de linguagem). Em 1938, quatro anos após a morte de Vygotsky, a União Soviética mudou a filosofia educacional do oralismo e passou a utilizar o alfabeto manual e a língua de sinais russa como auxiliares na educação e na vida dos surdos. Em 1991, a Rússia iniciou o projeto de educação bilíngüe, que é o método que trabalham atualmente.

CAPÍTULO 4 – ANÁLISE CRÍTICA DAS FILOSOFIAS EDUCACIONAIS PARA SURDOS
A análise critica na aquisição da linguagem e desenvolvimento cognitivo, sob o enfoque sócio-interacionista, não é muito comum no estudo da surdez, mas é importante perceber certos aspectos, do desenvolvimento da criança surda, ignoradas ou não percebidas em outros enfoques teóricos.

O Oralismo
A filosofia oralista integra o surdo a comunidade gera, ensinando a este a língua oral de seu país. A criança surda por não ter condições de adquirir esta língua oral apenas através do diálogo ela necessita de terapia fonoaudiológica para a estimulação da língua oral., além disso o estimulo em casa, com a família é sempre preciso pra que haja a compreensão do que é dito. Esta língua será sempre a língua artificial para a criança surda. O aprendizado da língua oral não garante o pleno desenvolvimento da criança e nem a sua integração com a comunidade ouvinte.
O processo de aprendizagem da língua é diferente da internalização da língua por uma criança ouvinte que através deste processo desenvolve o pensamento e a cognição. A criança surda não tem condições de adquirir através do ensino forma, conceitos científicos e espontâneos de maior nível de generalização, e o Oralismo parece ignorar estas dificuldades e continua se fixando exclusivamente na necessidade da criança surda oralizar. A falam para os oralistas só pode ocorrer através da oralização, não significando a linguagem em ação. O ensino de regras gramaticais está aquém das necessidades da criança surda, este não considera os aspectos cognitivos determinados pela linguagem e pela cultura, provavelmente o surdo sofrerá dificuldades em poder falar o português, e terá problemas cognitivos, sociais e emocionais não se integrando a comunidade ouvinte mesmo que consiga oralizar. A qualidade da fala e linguagem se restringe a quantidade de vocabulário. É desconsiderado também critérios apontados por Vygotsky e Bakhtin do desenvolvimento infantil, côo a generalização das palavras e a utilização da linguagem no desenvolvimento cognitivo através das falas egocêntricas e interior.
Para Kelman, a criança surda que não possuem em língua alguma utiliza os recursos semióticos que dominam para pensar, demonstrando uma linguagem egocêntrica. Este tipo de pesquisa não causa interesse dos oralistas, pois não acreditam que a teoria inatista de aquisição da linguagem possua um papel determinante na formação do pensamento, não valorizando o processo de formação do pensamento lingüístico, já que a linguagem é considera a externalização do pensamento preexistente.
A língua materna pé aquela que traz significações para a criança para que ela forme sua consciência não sendo adquirida formalmente, mas sim através de relações interpessoais, num processo continuo.
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc.
O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc. O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados.
No Brasil, no período oralista as crianças cursava obrigatoriamente dois anos ara cada serie escolar quando não havia repetência, sem a língua em comum o professor e aluno não havia como transmitir o conteúdo escolar, o que levava a uma baixa de qualidade e demora na escolarização. Ela pode até oralizar e fazer a leitura labial, mas o desenvolvimento em brincadeiras, abstração, dedução, auto-analise, atenção voluntária, memória adiada, escolarização e a participação ativa e interativa da vida social percebe-se uma limitação. Oralizados, ou não, percebe-se a necessidade de conviver com outros surdos, de falar de assuntos pertinentes a sua realizada e pra isso a extrema importância para que a LIBRAS seja oferecida a crianças surdas desde pequenas.

Comunicação Total
Positivamente a comunicação Total ampliou a visão de surdo e surdez, deslocando a problemática da oralização, e ajudando no processo em prol da utilização de códigos espaço-visuais, mas por outro lado, desvalorizou a língua de sinais, propiciando o surgimento de diversos códigos que não põem ser utilizados em substituição a língua. O foco agora da aprendizagem da língua não é mais a língua oral, mas sim a comunicação propriamente dita. A noção de contexto comunicativo é primordial para o desenvolvimento infantil e o uso a linguagem na constituição do pensamento através do diálogo contextualizado e espontâneo.
Na comunicação total, a criação de códigos visuais acompanha a fala oral do adulto ouvinte possibilitando a maior compreensão à criança. Esses códigos podem se a língua artificial, o português sinalizado, os sinais representam fonemas, letras ou gestos espontâneos que não caracterizam a língua, com a pretensão de garantir uma relação dialógica entre criança surda, adultos ouvintes e a sociedade em geral.
Alguns autores criticam como Ramos considera o código de visuais usado com a oralização na comunicação total, apenas como um facilitador da aprendizagem da língua, mas que ele não permitem uma comunicação mais complexa e não serve de instrumento de internalização de uma cultura. Já a língua sinalizada, que são as línguas artificiais criadas da língua oral, a situação é diferente. A Comunicação Total valoriza a criação desta língua, já que, ao contrário da língua de sinais, ela pode acompanhar a língua oral, possuindo a maioria dos elementos constitutivos da língua, mas não possuem o elemento “produto cultural”, já que é não é criada por uma comunidade falante, desvalorizando a característica histórica e cultural das línguas de sinais. A criança consegue expressar o que deseja, mas não consegue receber o que o adulto quer informar.
Para Bakhtin, a LIBRAS sim, carrega características marcadas pela história dos surdos e sua cultura e através desta que o individuo constitui sua consciência.
Ramos relata que a partir de 1960, devido a insatisfação dos surdos com a educação que recebiam começou uma mudança significativa em diversos pais em direção aos sinais. Da década de sessenta a década de oitenta era comum a língua sinalizada e a criação de códigos visuais, a partir de oitenta e noventa, vários paises começaram a perceber a importância da língua de sinais. No Brasil, o português sinalizado foi criado a partir de uma fusão entre o português e a LIBRAS e não chegou a ser difundido, mas sim o que acabou levando nome de português sinalizado pode ser considerado um pidgin.

Bilingüismo
O bilingüismo divulga e estimula à utilização de uma língua que pode ser adquirida espontaneamente pelos surdos, a língua de sinais, bem como sua cultura. Ela se originou da insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais e a mobilização de comunidades em prol do uso desta língua.
No Brasil, o Bilingüismo começou a ser estudado a partir da década de 80 e implantando em escolas e clinicas na década de noventa.
Esta filosofia refere-se as questões das língua e sinais , utiliza a teoria inatista e fundamenta-sena teoria sócio-interacionista. O INES que atende em torno de oitocentas crianças e adolescentes surdos, ainda que com a filosofia educacional oficial o Oralismo, não proíbe mais a língua e ela é estimulada pelos profissionais e seguindo uma tendência mundial, será oficialmente uma escola bilíngüe. O importante desta filosofia é sua relação com o desenvolvimento da criança surda. Esta língua é a única que pode ser adquirida espontaneamente em suas relações social, nos diálogos, adquirindo da mesma força e velocidade que a criança ouvinte adquire a língua oral, não sofrendo nenhum dano cognitivo ou emocional decorrente do atraso da linguagem.
A comunidade surda com suas característica próprias por ser um grupo minoritário exposto a sociedade maior que é a ouvinte que possui cultura e língua própria, passam a se engajarem e participarem das duas culturas, no biculturalismo. Este sujeito age e pensa como um sujeito bicultural, compreendendo o mundo e a si próprio a partir de uma mistura dos recortes do mundo que essas duas culturas fazem. A língua de sinal é adquirida mais rapidamente que língua oral, e o sistema conceitual da criança formado de início através das LIBRAS. O ideal é a criança receber os dois sistemas conceituais, a de sinais e a oral, não criando sinônimos entre as duas línguas.
Provavelmente a língua de sinais será a língua que mais utilizada na construção da fala interior e na função planejadora.
Mas, no Brasil, a prática não foi alcançada devido ao Oralismo que proibiu a utilização desta bilíngüe nas escolas. Atualmente há uma retomada em sua busca que esbarra em problemas políticos e econômicos.
Em suma, percebe-se que a LIBRAS pode e deve resolver dificuldades côo o desenvolvimento das funções mentais superiores que necessitam da linguagem como mediadora, como a memória mediada, atenção voluntária, analise e síntese, abstração, dedução, auto-análise e outros.
Assim, para a autora, a melhor solução para a criança surda é o bilingüismo e o biculturalismo. O respeito as diferenças, a procura de uma melhor4 integração, as línguas oral e de sinais trabalhando sempre juntas, uma vez que a língua oral se torna mais simples após o domínio de funções comunicativas e cognitivas da linguagem garante também a integração na comunidade ouvinte.

Capítulo 5 - Descrição de caso
Neste capítulo a autora faz uma análise sobre o desenvolvimento cognitivo e da aquisição de uma criança surda inserida sua família, escola e clinica fonoaudiológica, em contato com as pessoas que convive. Trata de uma família composta pelos pais, uma criança surda, Gustavo, e seus dois irmãos gêmeos onde um tem uma surdez e problemas de comportamento, Jorge e André que é ouvinte. Na época eles tinham cinco anos e meio.
A surdez de Gustavo e Jorge foram percebidas por sua mãe aos oito meses de idade e aos dez meses foi confirmada pelo médico, diagnosticado como surdez neurossensorial bilateral profunda. Começaram a usar o aparelho com um ano de idade e iniciaram o tratamento fonoaudiológico com uma profissional da linha oralista. Aos um ano e três meses a terapia era feira numa escola especializada . Aos dois anos passara para uma terapia particular com atendimento em grupo na filosofia bilíngüe.
Jorge aos dois anos e meio começou a apresentar distúrbios de comportamento e passou a ser também atendido por um psicólogo parou o atendimento fonoaudiológico e as aulas de línguas de sinais,. Apenas aos cinco anos recomeçou as aulas de LIBRAS.
André, o irmão ouvinte começou a aprender línguas de sinais aos dois anos em conjunto com as crianças da clinica, juntamente com a família e amigos que freqüentam a casa dos avós.
Na pré-escola, matriculados num regime regular que recebia varias crianças surdas adotava a comunicação total. Em 1992, a escola fechou e Gustavo e Jorge passaram para uma escola onde são os únicos surdos. Nesta escola os profissionais e as outras crianças se comunicavam com eles com bastantes gestos espontâneos e mímicos.
Foi opção dos pais a educação bilíngüe e a Língua de sinais. Os pais trabalhavam durante todo o dia. A mãe fica de final de semana com os filhos. E o pai sai os finais de semana para estudar. As crianças têm pessoas importantes no seu convívio como a baba, alguns parentes próximos adultos e uns primos crianças..
Na gravação do convívio das crianças foi analisada a rotina e feito um paralelo das relações dialógicas no desenvolvimento das mesmas.
Com Gustavo as pessoas interagem utilizando LIBRAS, o português a misturas das línguas e ainda outros códigos como a mímica. Nenhum dos ouvintes domina plenamente a LIBRAS, concluindo que orientação bilíngüe não é utilizada concomitante com a língua de sinais e a língua oral.
Em casa, há dificuldade de comunicação com todos, os assuntos que ele compreende é o aqui e agora. Nas refeições, apenas há comunicação no pedido de comida ou bebida, não há uma atenção para que ele esteja na conversa, ele se distrai com objetos na mesa, o que conclui-se que há uma fala egocêntrica. Com o irmão ouvinte André, eles brincam lado a lado, assistem televisão, mas com uma ausência de comunicação, percebe-se que ambos têm falas egocêntricas, Gustavo utilização vocalização e onomatopéias. As falas egocêntricas parecem restritas há então o indicativo que não há internalização Quando há outras crianças ouvintes na casa, André só se dirige as outras crianças e não a seu irmão. Enfim, nos eventos que precisam e ex0licação não há estimulação em casa com Gustavo. Nem seu irmão André se sente estimulado a conversar com seu irmão, talvez por ele não dominarem uma língua em comum, ou por repetir a reação dos adultos da casa.
Na escola, os professores demonstram dificuldades pra se relacionar com Gustavo e ele de compreender. Na clinica com outras crianças surdas há uma farta interação com gestos espontâneos que não são compreendidos por intérpretes e não se é possível saber se elas conversaram, elas demonstram bastantes desejo de comunicar e de brincarem juntas. Nas aulas de LIBRAS há muita participação dessas crianças, mas com poucos situaçõe4s de diálogos espontâneos, em alguns momentos percebe a dificuldade das crianças em compreende o professor.
As brincadeiras em conjunto, as regras, as dramatizações, o ato de planejar, dividir papeis são de difícil participação de Gustavo, que demonstra dificuldade de participar de4stas atividades, se isolando de seu irmão ou de outros colegas.
Gustavo não consegue centrar a atenção em períodos longos na escola, provavelmente pela falta de compreensão das atividades e consequentemente a falta de interesse. Concentrar em detalhes, seqüências, recontar historias, utilizar a memória, conceitos abstratos de tempos passados e futuro, memorização, mesmo em atividades não lingüísticas, onde a linguagem interior está presente, e portanto há uma organização verbal, abstrair e generalizar, são outras atividades que Gustavo demonstrou-se em desvantagem.
Essa desvantagem é causada pela falta de estímulos lingüísticos que recebeu. É preciso que a família de Gustavo e de outras crianças surdas tenha consciência da necessidade de estimular, dar informações para que se desenvolvam. A linguagem, a comunicação, a consciência de esclarecer todas as situações da qual a criança está inserida são fundamentais pra o desenvolvimento de internalização de conceitos, da constituição do individuo, de utilização da língua para pensar, enfim, da criança ter condições de generalizar, abstrair, memorizar, ter atenção, aprender e se desenvolver cognitiva, emocional e socialmente.
Conclusão
O homem se diferencia dos outros animais devido à linguagem e as possibilidades de a cada nova geração surjam novas idéias, invenções e descobertas.
Cada comunidade guarda em sua língua, a memória, o passado e a língua é tão importantes para um povo e pra o individuo pra orientar o seu pensamento e formar sua consciência.
Os surdos e suas comunidades foram proibidos de utiliza suas línguas e dividirem as suas idéias. Essa proibição causou a queda da escolarização e da qualidade do emprego dos surdos em todo o mundo. O Oralismo e a Comunicação Total apareceram como formas artificiais de inseri-los na sociedade.O bilingüismo que parte do dialogo e por possibilita a internalização da linguagem e do desenvolvimento das funções mentais superiores e o uso das Libras, somada a estimulação em participação de todos os momentos interativos, propicia a proximidade entre as crianças surdas e seus pais ouvintes.
Percebe-se a necessidade de grandes mudanças na visão da surdez, da criança surda, por parte dos profissionais, família e meios social que está inserido. Além da consciência das conseqüências da surdez, da dificuldade auditiva, e de desenvolvimento das funções mentais decorrentes desta deficiência. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Menino é o título de uma coletânea de contos e é também o ponto mais alto da prosa de ficção de João Uchôa Cavalcanti Netto. O livro tem como epígrafe, célebre passagem do Evangelho. Jesus diz aos discípulos que o modelo de vida deve ser o dos meninos: "Não entrareis no reino dos céus se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos". Para exemplificar o ensinamento, chama uma criança e a põe na roda da conversa.

O primeiro conto, "A mãe", descreve o nascimento. Serve-se de viés absolutamente original, não no conceito, mas na forma de expressá-lo, já que a dependência que os meninos têm da mãe tem sido matéria tratada à exaustão por profissionais de diversos ofícios, alguns até apresentando os meninos como parricidas natos, como é o caso de Freud ao examinar o mito de Édipo e operá-lo como metáfora esclarecedora dos conflitos iniciais de nossa existência.

Neste conto o menino vê a mãe como "o primeiro deus": "Aquele Ser o completa e apaga num instante todas as dores. E nasce o medo (de perder), o desejo (de receber), o amor (se integrar, se identificar), o ódio (pela ausência), a culpa (sim, pois odiou), todos os sentimentos se endereçam àquele Ser indispensável, poderoso. Poderoso". O fechamento do conto, um dos três momentos decisivos de qualquer narração - os outros dois são a abertura e as tramas que se sucedem para preparar o fim - traz um ensinamento que lembra o "claro raio ordenador", de que Drummond fala num poema.

O conto seguinte, "O velho", trata de junção já famosa em tantas literaturas, as tais "duas pontas da vida" que Machado de Assis quer atar em Dom Camurro, quando narra os amores de Capitu, cujo amor é partilhado por dois meninos, Bentinho e Escobar. As "duas pontas da vida" neste conto celebram outro amor, aquele que vige entre avô e neto, talvez o mais puro dos amores, já que um dos mais desinteressados. O avô nada quer do neto, o neto nada quer do avô, querem apenas o amor um do outro.

Com efeito, o amor dos pais, conquanto incomensurável, não pode contudo deixar de lado a responsabilidade de educar os filhos, criando um clima de direitos e deveres mútuos. Para avós e netos, não. O avô pode ter a alegre irresponsabilidade de deixar a tarefa para os filhos. Eles que eduquem seus filhos. Os avós querem convívio sem obrigações. Nem todos conseguem, mas este é o projeto.

No conto, porém, o avô tem com o neto, de mãos dadas com ele, o estilo que Dalton Trevisan disse que o contista busca a vida inteira, o estilo escorreito e sintético do suicida. Mas o neto já dorme, e o velho fala de si para si mesmo, lembrando o suicídio do sócio, que se enforcou aos 89 anos. No velório, certa moça dissera: "nessa idade se suicidar: já não custava esperar". Mas custava e muito. O avô, aproveitando que o interlocutor mirim está dormindo, exala recomendação impossível de ser acolhida: "meu neto, meu neto, um conselho: não cresça, e não há mais o que acrescentar".

Em "O cachorro", a narrativa é simplesmente vertiginosa. Um homem leva ao veterinário um cachorro atropelado: "o senhor falando em mártires, os mártires, e enchendo a boca, mas os mártires são felizes, quem me dera ser mártir, duro é sacrifício sem direção, como o dos meninos e dos bichos, e no entanto reparou? são os únicos que agonizam mansamente".

A coletânea O menino, é terna sem ser piegas. Verdadeira e profunda, nos conduz a uma leitura agradável, entretanto sem concessões. A última frase do conto que fecha o volume, "A morte", é: "Deus precisava ter piedade do mundo". Deus um dia se fez menino. Naquele tempo, parece que tinha compaixão pelo mundo. Como os meninos são imortais, pode ser que ainda tenha.

Observação: O Menino tem frases com 78 palavras. Por exemplo: Mas o funcionamento porco da morte, a preguiça da transformação, a rigidez medonha, a fedentina da carne apodrecida misturada ao cheiro das flores murchas machucadas, o colarinho branco engomado sob rosto em carniça, o cadáver sórdido em trajes solenes comido e comido pelos vermes no vazio da tumba, os beiços devorados e a dentadura exibida, o silêncio brutal enquanto à noite lá fora os vivos, contentes, esqueciam a condição natural, e a gratuidade do desassistido show infernal. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Senhor Embaixador, cuja ação se desenvolve paralelamente na capital americana e na pequena republiqueta de Sacramento, dominada por uma ditadura corrupta e sanguinária, revela a figura de Gabriel Eliodoro. Caudilho, compadre do tirano, nomeado embaixador em Washington, mostra a ambigüidade clássica dos caudilhos - indefinição ideológica e carisma pessoal. Diante dele, o secretário da embaixada, um intelectual de origem burguesa, Pablo Ortega, é obrigado a definir-se. O letrado, no final do texto, torna-se homem de ação, participando do movimento revolucionário que derruba o ditador. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Nada, nem mesmo a guerra iminente, parece capaz de ameaçar a ligação de Pierre e Françoise, até o surgimento da misteriosa Xavière, jovem provinciana que vai morar em Paris. Françoise - escritora de trinta anos - , buscando preservar sua relação com o homem que ama, terá de encontrar uma forma de livrar-se da presença sufocante da outra, se não quizer ver sua felicidade irremediavelmente destruida. Este livro profundamente humano - e que , como a própria autora reconheceu, revela muitos elementos autobiográficos - tem como pano de fundo os meses que precederam e que imediatamente sucederam a eclosão da 2ª Guerra Mundial, descrevendo num estilo ágil e vibrante a boêmia intelectual parisiense do final dos anos 30.

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Um homem qualquer, trabalhador e muito economizador adquire fortuna, amiga-se a uma negra de um cego e sente cada vez mais sede de riqueza. Arranja confusões com um novo vizinho(Miranda) ao disputar palmos de terra. Chega a roubar para construir o que tanto almejava: um cortiço com casinhas e tinas para lavadeiras. Prosperou em seu projeto. João invejava seu vizinho. Veio morar na casa de Miranda, Henrique, acadêmico de medicina, a fim de terminar os estudos. Nessa casa, além de escravos e sua família morava um senhor parasita (Botelho, ex-empregado). D. Estela (esposa de Miranda) andava se "escovando" com o Henrique, porém acabaram sendo flagrados pelo velho Botelho.O cotidiano da vida no cortiço ia de acordo com a rotina e a realidade de seus moradores, onde lavadeiras eram o tipo mais comum. Jerônimo (português, alto, 35 a 40 anos), foi conversar com João oferecendo-lhe serviços para a sua pedreira. Com custo, depois de prosearem bastante, João aceitou a proposta, com a condição dele morar no cortiço e comprar em sua venda. A mudança de Jerônimo e Piedade se sucedeu sob comentários e cochichos das lavadeiras. Após alguns meses eles foram conquistando a total confiança de todos, por serem sinceros , sérios e respeitáveis. Tinham vida simples e sua filhinha estudava num internato. No domingo todos vestem a melhor roupa e se reúnem para jantar, dançar, festejar, tudo muito a vontade. Depois de três meses Rita Baiana volta.

Nessas reuniões sobressaia o "Choro", muito bem representado pela Baiana e seu amante Firmo. Toda aquela agilidade na dança deixara Jerônimo admirado ao ponto de perder a noite em claro pensando na mulata. Pombinha tirava esses dias para escrever cartas. Henrique entretia-se a olhar Leocádia, que em troca de um coelho satisfez sua vontade física(transa), quando foram pegos por Bruno(seu marido), que bateu na mesma e despejou-a de sua casa depois de fazer um baita escândalo. Jerônimo mudou seus costumes, brigava com sua e a cada dia mais se afeiçoava pela mulata Rita. Firmo sentia-se enciumado. Florinda engravidou de Domingos (caixeiro da venda de João Romão), o mesmo foi obrigado a casar-se ou fornecer dotes. Foi aquele rebuliço em todo cortiço, nada mais falavam além disso, Florinda viu-se obrigada a fugir de casa. Léonie(prostituta alto nível) aparece emperiquitada com sua afilhada Juju, todos admiravam quanta riqueza, mas nem por isso deixaram sua amizade de lado. Léonie era muito amiga de Pombinha. Na casa de Miranda era uma festa só! Ele havia sido agraciado com o título de Barão do Freixal pelo governo português. João indagava-se, por não ter desfrutado os prazeres da vida, ficando só a economizar. Diante de tal injúria, com muito mau humor implicava com tudo e todos do cortiço. Fez despejar na rua todos os pertences de Marciana. Acusou-a de vagabunda, acabando ela na cadeia. A festa do Miranda esquentava e João recebeu convite para ir lá, o que o deixou ainda mais injuriado. O forró no cortiço começou, porém briga feia se travou entre Jerônimo e Firmo. Barricada impedia a polícia entrar, o incêndio no 12 fez subir grande desespero, era um corre-corre, polícia, acidentados (Jerônimo levou uma navalhada) e para finalizar caiu uma baita chuva.João foi chamado a depor, muitos do cortiço o seguiram até a delegacia, como em mutirão. Rita incansavelmente cuidava do enfermo Jerônimo dia e noite. No cortiço nada se dizia a respeito dos culpados e vítimas. Piedade não se agüentava chorando muito descontente e desesperada por seu marido acidentado. Firmo não mais entrava por lá, ameaçado por João Romão de ser entregue a polícia. Pombinha amanheceu indisposta decorrente da visita feita no dia anterior à Léonie. Esta, como era de seu costume, atrancou Pombinha em beijos e afagos, pois era além de prostituta, lésbica. Isso deixara a menina traumatizada, que por força e insistência de sua mãe, saiu a dar voltas atrás do cortiço, onde cochilou, sonhou e ao acordar virou mulher. A festa se fez por D. Isabel, ao saber de tão esperada notícia. Estava Pombinha a preparar seu enxoval quando Bruno chegou e lhe pediu que escrevesse uma carta a Leocádia. Ele chorava... Ela, ao ver a reação de submissão dele, desfrutava sua nova sensação de posse do domínio feminino. Imaginava furtivamente a vida de todos, pois sua escrivania servia de confessionário. Via em seu viver que tudo aquilo continuaria, pois não haviam homens dignos que merecessem seu amor e respeito. Pombinha, mesmo incerta, casa-se com o Costa, foi grande a comoção no cortiço. Surgiu um novo cortiço ali perto, o "Cabeça de Gato". A rivalidade com o cortiço de João Romão foi criada. Firmo hospedou-se lá, tendo ainda mais motivos contra Jerônimo. João, satisfeito com sua segurança sobre os hóspedes, investia agora em seu visual e cultura, com roupas, danças, leituras e uma amizade com Miranda e o velho Botelho. Ele e o velho estavam tramando coisa com a filha do Barão. Fez-se um jantar no qual João foi todo emperiquitado. João naquele momento de auge em sua vida, via-se numa situação em que necessitava livrar-se da negra, chegou a pensar em sua morte. Sem nem mesmo repousar após sua alta do hospital, Jerônimo foi conversar com Zé Carlos e Pataca a respeito do extermínio do Firmo. O dia corria, João proseava com Zulmira na janela da casa de Miranda, sentindo-se familiarizado. Jerônimo foi realizar seu plano encontrando-se com os outros dois no Garnisé (bar em frente ao cemitério). Pataca entrou no bar, encontrou por acaso com Florinda, que se ajeitara na vida e dera-lhe notícia que sua mãe parara num hospício. Firmo aparece e Pataca o faz sair até a praia com pretexto de Rita estar lá. Muito chapado seguiu-o. Lá os três treteiros espancaram-lhe e lançaram-lhe ao mar. Chovia muito e ao ir para casa, Jerônimo desiste e se dirige à casa da Rita. O encontro foi efervescente por ambas as partes. Tudo estava resolvido, fugiriam no dia seguinte. Piedade, ao passar das horas, mais desesperada ficava. Ao amanhecer do dia chorava aos prantos e no cortiço nada mais se ouvia senão comentários sobre o sumiço do Jerônimo. A morte de Firmo já rolava solta no cortiço. Rita encontrava-se com Jerônimo. Ele, sonhando começar vida nova, escreve logo ao vendeiro despedindo-se do emprego, e à mulher constando-lhe do acontecido e prometendo-lhe somente pagar o colégio da garota. Piedade e Rita se atracaram no momento em que a mulata saía de mudança, o cortiço todo e mais pessoas que surgiram, entraram na briga. Foi um tremendo alvoroço, acabara sendo uma disputa nacional (Portugueses x Brasileiros). Nem a polícia teve coragem de entrar sem reforço. Os Cabeças de Gato também entraram na briga. Travou-se a guerra, a luta dos capoeiristas rivais aumentava progressivamente quando o incêndio no 88 desatou, ensangüentando o ar. A causa foi a mesma anterior, por um desejo maquiavélico, a velha considerada bruxa incendiou sua casa, onde morreu queimada e soterrada, rindo ébria de satisfação. Com todo alvoroço, surgia água de todos os lados e só se pôs fim na situação quando os bombeiros, vistos como heróis, chegaram. O velho Libório (mendigo hospedado num canto do cortiço) ia fugindo em meio a confusão, mas João o seguiu. Estava o velho com oito garrafas cheias de notas de vários valores, essas que João roubou e fugiu, deixando-o arder em brasas. Morrera naquele incêndio a Bruxa, o Libório e a filhinha da Augusta além de muitos feridos. Para João o incêndio era visto como lucro, pois o cortiço estava no seguro, fazendo ele planos de expansão baseado no dinheiro do velho mendigo. Por conseqüências do incêndio Bruno foi parar no hospital, onde Leocádia foi visitá-lo ocorrendo assim a reconciliação de ambos. As reformas expandiram-se até o armazém e as mudanças no estilo de João também alcançavam um nível social cada vez mais alto. Com amizade fortificada junto ao Miranda e sua família, pediu a mão de Zulmira em casamento. Bertoleza, arrasada e acabada daquela vida, esperava dele somente abrigo em sua velhice, nada mais.Jerônimo abrasileirou-se de vez. Com todos costumes baianos deleitava-se a viver feliz com a mulata Rita. Piedade desolada de tristeza habituara-se a beber e começou a receber visitas aos domingos de sua filhinha (9 anos), que logo cativou todo o cortiço, crismada por todos como "Senhorinha". Acabados por desgraças da vida, Jerônimo e Piedade não mais guardavam rancor um do outro, ambos se estimavam e em comum possuíam somente a filha a cuidar. Jerônimo arrependia-se , mas não voltaria atrás. Deu-se a beber também. O cortiço não parecia mais o mesmo, agora calçado, iluminado e arrumado todo por igual. O sobrado do vendeiro também não ficara para trás nas reformas. Quem se destacou foi Albino (lavadeiro homossexual) com a arrumação de sua casa. A vida transcorria, novos moradores chegavam. Já não se lia sob a luz vermelha na porta do cortiço "Estalagem de São Romão", mas sim "Avenida São Romão". Já não se fazia o "Choradinho" e a "Cana-verde", a moda agora era o forrobodó em casa, e justo num desses em casa de das Dores, Piedade enchera a cara e Pataca é que lhe fizera companhia querendo agarrá-la depois de ouvir seus lamentos, mas a caninha surtiu efeito (vômito) e nada se sucedeu. João Romão não pregara os olhos a pensar no que fazer para dar um fim na crioula Bertoleza. Agostinho (filho da Augusta) sofrera acidente na pedreira, ficara totalmente estraçalhado. Foi aquele desespero no cortiço. Botelho foi falar a João logo cedo. Bertoleza ao ouvir, pôs-se respeito diante da situação e exigiu seus direitos, discutiram o assunto e nada resolveram. João se irritara e tivera a idéia de mandá-la de volta ao dono propondo esse serviço ao velho Botelho, que aliás recebia dele remuneração por tudo que lhe prestava. Em volta do desassossego e mau estar de João e Bertoleza o armazém prosperava de vento em poupa aumentando o nível dos clientes e das mercadorias. Sua Avenida agora era freqüentada por gente de porte mais fino como alfaiates, operários, artistas, etc. Florinda ainda de luto por sua mãe Marciana, estava envolvida agora com um despachante. A Machona (Augusta) quebrara o gênio depois da morte de Agostinho. Neném arrumara pretendente. Alexandre fora promovido à sargento. Pombinha juntara-se à Léonie e atirara-se ao mundo. De tanto desgosto, D. Isabel (mãe de Pombinha) morrera em uma casa de saúde. Piedade recebia ajuda da Pombinha para sobreviver, pois estimava Senhorinha, apesar de saber que o fim da pobre garotinha seria como o seu. Mesmo assim Piedade foi despejada indo refugiar-se no Cabeça de Gato, que tornara-se claramente um verdadeiro cortiço fluminense. Ocorreu um encontro em uma confeitaria na Rua do Ouvidor, entre a família do Miranda, o Botelho e o João Romão que puseram-se a prosear. Na volta, seguindo em direção ao Largo São Francisco, João e Botelho optaram em ficar na cidade a conversar sobre o fim que se daria a crioula. Estava tudo certo, seu dono iria buscá-la junto á polícia. Quando isso sucedeu-se, ao ver-se sem saída, impetuosa a fugir, com a mesma faca que descamava e limpava peixes para o João, Bertoleza rasgou seu ventre fora a fora. Naquele mesmo instante João Romão recebera um diploma de sócio benemérito da comissão abolicionista. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ENSINAR
ALVES,Rubem
Coleção Polêmicas do Nosso Tempo
Editora Cortez – Autores Associados
25ª edição 1991

Resumo:

Professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor.Educador não é profissão; é vocação. É toda vocação nasce de um grande amor, de uma esperança.
Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos. Destruído esse habitat, a vida vai se encolhendo, murchando, fica triste, entra para o fundo da terra. Até sumir. Uma vez cortada à floresta virgem, tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça cresce depressa, para substituir as velhas árvores. Pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se dizer: jequitibás e eucaliptos.

Os educadores são como as velhas árvores. Possui uma fase, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma entidade, portador de um nome, de uma ‘estória, sofrendo. Tristeza e alimentando esperança. E a educação é algo pra acontecer neste espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. Espaço artesanal.

Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o educador pouco importa, pois o que interessa é um crédito cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministros.
De educadores para professores realizamos o salto pessoa para funções.

Segundo o autor, grande parte das pessoas que entram no campo das ciências sociais havia pensado, em algum momento de sua vida, em seguir uma vocação religiosa. Acontece que a ética religiosa cristã clássica sempre foi muito clara ao indicar que a moralidade de uma ação se baseia na intenção. Com o advento do utilitarismo, a pessoa passou a ser definida pela sua produção; a identidade é engolida pela função. Quando alguém nos pergunta o que somos, respondemos inevitavelmente dizendo o que fazemos com esta revolução instaurou-se a possibilidade de se gerenciar e administrar a personalidade.

O educador habita um mundo em que a interioridade faz uma diferença, em que as pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças e horizontes utópicos. O professor é o funcionário de um mundo dominado pelo Estado e pelas empresas. É uma entidade gerenciada, administrada segundo a sua excelência funcional. Freqüentemente o educador é mau funcionário, porque o ritmo do mundo do educador não segue o ritmo do mundo da instituição.

Descobriu-se que a educação, como tudo o mais, tem a ver com instituições, classes, grandes unidades estruturais, que funcionam como se fossem coisas, regidas por leis e totalmente independentes dos sujeitos envolvidos. A realidade não se move por intenções, desejos, tristezas e esperanças. A interioridade foi engolida. É justo que nos preocupemos com pessoas, mestres e aprendizes. Mas não é neste nível que se encontram as explicações, a ciência do real. Reprodução aparelho ideológico de Estado. A paixão é o segredo do sentido da vida.”Cada pessoa que entra em contato com a criança é um professor que incessantemente lhe descreve o mundo, até o momento em que a criança é capaz de perceber o mundo tal como foi descrito”. Professores que não sabem que são professores, sem créditos em didática nem conhecimento de psicologia.

Todo cientista que se preza faz a crítica às ideologias, vê com clareza, percebe o equívoco dos outros. Cada teoria social é uma teoria pessoal, falar no impessoal, sem sujeito, não passa de uma consumada mentira, um passe de mágica que procura fazer o perplexo leitor acreditar que não foi alguém muito concreto que escreveu o texto, mas um sujeito universal que contempla a realidade fora dela.Não é preciso reconhecer que o mundo dos operários é diferente do mundo dos intelectuais, as diferenças se encontram em categorias menos abrangentes. Acontece com os seus corpos faz uma diferença, e que nem tudo pode ser reduzido á sua classe social. É possíveis que o pensamento livre de valores seja um ideal, com toda a certeza ele não é uma realidade em parte alguma.

A significação humana de um conceito como o de classe social e a sua possível eficácia política se derivam do fato de que uma classe é uma forma social de se manipular o corpo, pois o propósito de toda educação é a domesticação do corpo.

Dispomos de métodos de análises do que nos permitem compreender cm rigor certas relações estruturalmente determinas.

Escolas são instituições tardias e apertadas, enquanto a educação tem a idade do nascimento da cultura do homem, que fazem os mestres - pais, mães, irmãos, sacerdotes, padrinhos - senão ensinar a um aprendiz o uso correto do seu corpo. E o corpo aprende a fazer as necessidades fisiológicas nos lugares e tempos permitidos, a conquistar o relógio biológico e a acordar segundo o tempo convencional das atividades socialmente organizadas, a se disciplinar como guerreiro, como artistas ou como puro cérebro.

Voltar ao corpo como grande razão tem sentido político, porque é o corpo que dispõe de um olfato sensível aos aspectos qualitativos da vida social. Pedagógico, porque a sabedoria do corpo o impede de sentir, aprender, processar, entender, resolver problemas que não desejam diretamente ligados as suas condições concretas. O corpo só preserva as idéias que lhe sejam instrumentos ou brinquedos, que lhe sejam úteis, que o estendam.

A palavra é o testemunho de uma ausência. Ela possui uma intenção mágica, a de trazer á existência o que não está lá... A intenção de manter viva a promessa do retorno.Um dos ardis da palavra está em que ela req6uentemente significa o oposto do que enuncia. Porém, toda palavra pe para ser acreditadas. O educador fala ás pessoas e assim constrói as bases que tornam possível o mundo humano, mas esta construção depende da capacidade do educador de usar os símbolos que circulam ente as pessoas comuns. O conteúdo de nossa fala sobre a educação é fazer com que pensássemos sobre pecualidades do nosso discurso no ato esmo de educar.

O conhecimento já nasce solidário com o corpo e faz com que o corpo faça o que tem de fazer.
Repetição sem fim. Cada geração reproduz a outra. Graças à repetição e á reprodução a vida é possível.

Educação é o processo pelo qual aprendemos uma forma de humanidade. E ele é mediado pela linguagem. Aprender o mundo humano é aprender numa linguagem, porque os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo.

A massa de informações que me atinge a cada momento é filtrada, selecionada, organizada, estruturada pela mediação da linguagem. E é este mundo estruturado que eu posso conhecer e é em relação a e a que se organiza o meu comportamento.

A linguagem tem a possibilidade de fazer curtos-circuitos em sistemas orgânicos intactos, produzindo úlceras, impotência ou frigidez, carregam consigo as proibições, as exigências e expectativas o á personalidade do homem se forma por este complexo lingüístico.Os leigos pensam em decorrência dos seus hábitos de linguagem; os cientistas em decorrência da exigência da lógica e da investigação.Ser capaz de dizer a verdade como ela é, usa o empirismo, para consolidar a ruptura por meio de explicações psicológicas das origens das idéias e das palavras.

OBJETO – ESTÍMULO -- IMPRESSÃO -- IDÉIA—PALAVRA

Devemos tomar cuidado sobre o discurso ideológico é um mascaramento dos valores que realmente revelam os nossos investimentos emocionais, os únicos que conduzem á ação.A questão de valores deixa lugar ao político e materialista, numa utopia, numa esperança, num paraíso futuro, são discursos que nascem do amor e provocam o amor a ação se mistura com eles, como a atividade criadora que traz á existência aquilo que ainda não existe.
O educador se desculpa apontando para as leis do capitalismo. A escola é aparelho ideológico do Estado, sua autonomia e relativa, muito pequena e no final o processo desemboca na reprodução.Grande parte das misérias da educação decorre dos acordos mesquinhos que educadores e cientistas estabelecem entre si.

Ao tratar da educação, eu prefiro me concentrar a análise institucional, pois ela se abre numa esfera em que a minha decisão conta, em que as pequenas alianças fazem uma diferença, em que o indivíduo e os grupos reduzidos ganham significação. Porque é somente a partir de pessoas concretas, de carne e osso a linguagem é falada.

Quanto ao método, a precisão mão é o único critério para a escolha do método, pois o uso rigoroso de um método não pode ser o critério inicial e final na determinação da pesquisa.
Não se pode entender o processo educacional, na sua totalidade, se não se levar em conta fatores de ordem biológica, psicológica, social, econômica e política.

O ponto inicial de uma pesquisa deve ser a relevância do problema. Devemos avaliar individualmente o desempenho de uma pessoa. O rigor metodológico pode deixar de ser um ideal científico válido e se transformar num artifício institucional pelo qual as instituições mais criativas são bloqueadas. É necessário que nos lembremos de que o rigor metodológico é apenas uma ferramenta provisória.
O método se subordina a uma construção teórica. Quando as construções teóricas dominantes entram em colapso, a permanência do método que lhes era próprio, só conduz a equívocos cada vez maiores.

É necessário saber discriminar os problemas que merecem e devem ser investigados. Este poder de discriminação não nos vem da ciência. A ciência só nos pode oferecer métodos para explorar, organizar, explicar e testar problemas escolhidos. Ela não pode dizer o que é importante ou não. A escolha dos problemas é um ato anterior á pesquisa, que tem a ver com os valores do investigador.

A ciência pela ciência é uma ilusão d cientistas que se fecham em seus laboratórios ou mundos mentais. Não é possível ao investigador ficar de fora dos problemas que ele investiga. É necessário tomar partido.A pretensão do educador é ser não apenas uma peça manipulada, mas um agente que toma a iniciativa.

Ter consciência da sua situação estratégica é ter consciência de o serviço de quem o pesquisador se encontra. Sabe-se que os processos de educação são processos de controle. Pela educação o educando aprende as regras das relações sociais dominantes e adquire as informações de quem irão transformá-lo em um cidadão atuante.

Tecnólogos hoje valem mais do que filósofos porque o seu conhecimento pode ser facilmente transformado em formas políticas e econômicas de poder. O ato de pesquisa é um ato político.

Educação e política têm a mesma função; controlar o comportamento. Na educação busca-se levar o indivíduo a aceitar voluntariamente as regras do jogo social. O educador consciente de que a função social da educação é reduplicar a sociedade, mas consciente ao mesmo tempo de que freqüentemente é a própria ordem social que se constitui num problema. A abordagem adequada do problema contemplaria a necessidade de mudanças sociais. Ou educação para a integração, na linha de uma engenharia do comportamento, ou educação par a transformação, na linha de uma engenharia da ordem social.

A ciência não poderá ajudá-lo na tomada de decisão. Ela poderá simplesmente ajudá-lo a antever as conseqüências de sua decisão, uma vez tomada.

Para pesquisar, a nível filosófico, seria questionar os cenários, as estruturas, os pressupostos comumente aceitos sem exame. A filosófica o que se busca é questionar o conhecimento familiar de que lançamos mão pa explicar nossas práticas cotidianas. Em relação à educação compete á filosofia fazer as perguntas embaraçosas acerca das ilusões e das ideologias da educação, buscar as sínteses criativas e construir novas sínteses a partir de conceitos divorciados de homens de carne e osso. O filósofo tende a se tornar um profissional do conceito. Ele trabalha dentro de um esquema rígido d divisão de trabalho na qual a única matéria prima de que dispõe são suas idéias. É necessário que o filósofo trabalhe com as idéias poderosas para informar a ação. A missão do filósofo é sentir os sofrimentos dos oprimidos, ouvir as suas esperanças, elabora-las de forma conceptual há um tempo rigorosos e compreensível e devolvê-las àqueles de onde surgiram. A tarefa do filósofo não é gerar, mas partejar, não é criar, mas permitir que aquilo que está sendo criado venha á luz.

Na pesquisa científica é natural qual a relevância do problema seja colocada em segundo plano.Nenhum indivíduo pode levar a cabo uma pesquisa. Ele em de pertencer a instituições ricas o bastante par possuir tais recursos. As pesquisas são financiadas por convênios com organização cujo interesse é puramente econômico. O conhecimento científico é feito sob encomenda, vendido e comprado. O que se deseja é uma receita simples para um problema prático com que se defronta.Além da dificuldade do seu tratamento metodológico e do fato de que ninguém faz encomendas de conhecimento a cerca do todo, existe esta postura ideológica par justificar a prática científica.

A situação estratégica da Universidade é ta que a maior resistência deve vir dos interesses econômicos e políticos. O produto deve ser lançado ao mercado o mais rapidamente possível, pois só assim virão. Os dividendos dos investimentos anteriores da pesquisa.

Mensagem

Existem professores e educadores. A diferença que existe entre eles é o amor.São confundidos assim com se confundem jequitibás e eucaliptos. Na analogia jequitibás são os educadores, arvores rara que demora crescer. Preocupa-se com a relação alunos de forma que interioriza, definida por sua paixão, sonhos e esperanças. E os professores, são como eucaliptos, nascem em qualquer lugar sem nascem em qualquer lugar, ensina a profissão. Que se interessa no crédito cultural das disciplinas que é dominado e segue leis a partir de um interesse de sistemas, qualquer um que ensina é professor.

Deve se acordar para a expressão, o educador deve saber discursar no ato de educar, saber usas os símbolos e palavras, que circulam ente os educandos. Acordar as teorias que são postas em formas pessoais, o pensamento livre de valores seja um ideal, máster a certeza que não é uma realidade em parte alguma.

O nascimento nasce com o corpo e o que aprendemos no mundo é uma linguagem adequada e trabalhamos com ela para liberar nossos pensamentos, ideologias, sentimentos e provocar a ação.

O processo educacional deve ser entendido junto com os fatores biológicos, sociais e políticos da criança. Deve-se escolher os problemas de questão educacional e pesquisa-los, onde o educador tem que ser um agente que toma iniciativas. Por sua vez, hoje, o educando é manipulado conforme os interesses da sociedade, que controla o seu comportamento e é orientada à integração a vida social. Filosoficamente devemos analisar os cenários para explicar a rotina, com consciência tranqüila e o uso da certeza lógica, trabalhar com idéias poderosas para informar a ação, tendo o objetivo de criar e usufruir a criação. A nível científico o objetivo é a economia, a exploração e conquista de um produto com lucros rápidos. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Publicado em 1945, A Rosa do Povo é aclamado por inúmeros setores da crítica literária como a melhor obra de Carlos Drummond de Andrade, o maior poeta da Literatura Brasileira e um dos três mais importantes de toda a Língua Portuguesa. Antes que se comece a visão sobre esse livro, necessária se faz, no entanto, uma recapitulação das características marcantes do estilo do grande escritor mineiro.

Desde o seu batismo de fogo em 1928, com a publicação do célebre “No Meio do Caminho”, na Revista de Antropofagia, Drummond ficou conhecido como “o poeta da pedra”. Ao invés de se sentir ofendido com tal apelido, de origem pejorativa, acaba assumindo-o, transformando-o em um dos símbolos de seu fazer literário. De fato, obedecendo a um quê de Mallarmé em sua ascendência (principalmente no que se refere à idéia de poesia como algo ligado à mineral), a dureza e até a frieza da pedra marcam a poesia drummondiana, pois ela é dotada não de uma insensibilidade, mas de uma afetividade contida. Torna-se, portanto, um dos pilares da poesia moderna (junto de Bandeira e João Cabral), afastando do lugar nobre de nossa literatura o melodrama, a emoção desbragada, descontrolada e descabelada que por muito tempo imperaram por aqui.

Dessa forma, vai sempre se mostrar um eu-lírico discreto ao sentir o seu círculo e o seu mundo até mesmo quando vaza críticas, muitas vezes feitas sob a perspectiva da ironia. Aliás, essa figura de linguagem é muito comum na estética do autor, pois pode ser entendida como uma forma torta de dizer as coisas. Não se deve esquecer que essa qualidade nos remete ao célebre adjetivo gauche (termo francês que significa torto, sem jeito, desajeitado), poderoso determinante da produção do autor.

Tal caráter está não só na linguagem (que muitas vezes não tem os elementos considerados óbvios para a poesia), mas também pode ser encontrado na maneira deslocada como se relaciona com o seu mundo, o que pode ser justificado pela sua origem, pois é um homem de herança rural, filho de fazendeiros, que acaba se encontrando no ambiente urbano (essa mudança de plano é uma característica encontrada em vários escritores modernistas, o que possibilita afirmar que Drummond, se não é o símbolo de sua geração, é o representante do próprio Brasil, que estava se tornando urbano, mas que carregava ainda uma forte herança rural.).

No entanto, ao invés de esse seu sem jeito tornar-se elemento pejorativo, acaba por dar-lhe uma potência fenomenal na análise social e existencial. Posto à margem do sistema, consegue ter uma visão mais clara e menos comprometida pela alienação dos que se preocupam em cumprir seus compromissos rotineiros. Eis o grande feito de Rosa do Povo.

Para a compreensão dessa obra, bastante útil é lembrar a data de sua publicação: 1945. Trata-se de uma época marcada por crises fenomenais, como a Segunda Guerra Mundial e, mais especificamente ao Brasil, a Ditadura Vargas. Drummond mostra-se uma antena poderosíssima que capta o sentimento, as dores, a agonia de seu tempo. Basta ler o emblemático “A Flor e a Náusea”, uma das jóias mais preciosas da presente obra.

A FLOR E A NÁUSEA

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
E soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Nota-se no poema um eu-lírico mergulhado num mundo sufocante, em que tudo é igualado a mercadoria, tudo é tratado como matéria de consumo. Em meio a essa angústia, a existência corre o risco de se mostrar inútil, insignificante, o que justificaria a náusea, o mal-estar. Tudo se torna baixo, vil, marcado por “fezes, maus poemas, alucinações”.

No entanto, em meio a essa clausura sócio-existencial (que pode ser representada pela imagem, na terceira estrofe, do muro), o poeta vislumbra uma saída. Não se trata de idealismo ou mesmo de alienação – o poeta já deu sinais claros no texto de que não é capaz disso. Ou seja, não está imaginando, fantasiando uma mudança – ela de fato está para ocorrer, tanto que já é vislumbrada na última estrofe, com o anúncio de nuvens avolumando-se e das galinhas em pânico. É o nascimento da rosa, símbolo do desabrochar de um mundo novo, o que mantém o poeta vivo em meio a tanto desencanto.

Dois pontos ainda merecem ser observados no presente poema. O primeiro é o fato de que ele, além de ser o resumo das grandes temáticas da obra, acaba por explicar o seu título. Basta notar que, conforme dito no parágrafo anterior, a rosa indica o desabrochar de uma nova realidade, tão esperada pelo poeta. E a expressão “do povo” pode estar ligada a uma tendência esquerdista, socialista, muito presente em vários momentos do livro e anunciadas pela crítica ao universo capitalista na primeira (“Melancolias, mercadorias espreitam-me.”) e terceira estrofes (“Sob a pele das palavras há cifras e códigos.”). O novo mundo, portanto, teria características socialistas.

O outro item é visto pelo estreito relacionamento que “A Flor e a Náusea” estabelece com o poema a seguir, “Áporo”, um dos mais estudados, densos, complexos e enigmáticos da Literatura Brasileira.

ÁPORO

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

Note que a narrativa parece ser tirada de “A Flor e a Náusea”: um inseto, o áporo, cava a terra sem achar saída. Assemelha-se ao eu-lírico do outro poema, que se via diante de um muro e da inutilidade do discurso. No entanto, Drummond continua discursando, vivendo, assim como o inseto continua cavando. Então, do impossível surge a transformação: do asfalto surge a flor, da terra-labirinto-beco surge a orquídea.

Há algo aqui que faz lembrar o poema “Elefante”, também no mesmo volume. Da mesma forma como Drummond fabrica seu brinquedo, mandando-o para o mundo, de onde retorna destruído (mas no dia seguinte o esforço se repete), o eu-lírico de “A Flor e a Náusea” sobrevive em seu cotidiano nulo e nauseante e o áporo perfura a terra. É a temática do “no entanto, continuamos e devemos continuar vivendo”, tão comum em vários momentos de A Rosa do Povo.

“Áporo”, portanto, é um poema tão rico que pode ter outras leituras, além dessa de teor existencial. Há também, por exemplo, a interpretação política, que enxerga uma referência a Luís Carlos Prestes (“presto se desata”), que acabara de ser libertado pelo regime ditatorial. A figura histórica pode ser vista, portanto, como um áporo buscando caminho na pátria sem saída que se tornou o Brasil na Era Vargas.

Ainda assim, existe quem veja no texto um mero – e inigualável – exercício lúdico, em que as palavras são contempladas, manipuladas, transformadas. Basta lembrar, por exemplo, que “áporo”, além de ser a designação do inseto cavador, é também um termo usado em filosofia e matemática para uma situação, um problema sem solução, sem saída. Além disso, a essência etimológica da palavra inseto é justamente as letras “s” e “e”, diluídas no corpo do texto. Observe como tal pode ser esquematizado:

Um inSEto cava
cava SEm alarme
perfurando a terra
SEm achar EScape.

Que faZEr, ExauSto,
Em paíS bloqueado,
enlaCE de noite
raiZ E minério?

EiS que o labirinto
(oh razão, miStÉrio)
prESto SE dESata:

em verdE, Sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-SE.

Note que a essência do áporo, do inseto, vai se movimentando em todo o poema, transformando-se, até o ápice do último verso da terceira estrofe. É o momento da transformação e da iniciação, já anunciadas na segunda estrofe na aliteração do /s/ e do /t/ e da assonância do /e/ que acabam criando a forma verbal “encete” (ENlaCE de noiTE), que significa principiar, mas que possui também uma forte aproximação sonora com “inseto”. A mutação final virá no último verso: o áporo inseto se transforma em áporo orquídea (“áporo” é também o nome de um determinado tipo de orquídea), a flor que se desabrocha para a libertação. Tanto que a raiz SE está prestes a se libertar, pois virou a forma pronominal “se” (e, portanto, com relativa vida própria) que encerra o poema.

Tal trabalho com a linguagem é a base de todo texto poético, como é defendido pelo próprio Drummond em “Procura da Poesia”, transcrito abaixo:

PROCURA DA POESIA

Não faça versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é a música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Esse antológico poema é dividido em duas partes. Na primeira apresentam-se proibições sobre o que não deve ser a preocupação de quem estiver pretendendo fazer poesia. Sua matéria-prima, de acordo com o raciocínio exibido, não são as emoções, a memória, o meio social, o corpo. Na segunda parte explica-se qual é a essência da poesia: o trabalho com a linguagem. O poema pode até apresentar temática social, existencial, laudatória, emotiva, mas tem de, acima de tudo, dar atenção à elaboração do texto, ou seja, saber lidar com a função poética da linguagem.

A riqueza de A Rosa do Povo não se restringe, porém, às temáticas abordadas. Há uma profusão de outros assuntos, como a abordagem da cidade natal (“Nova Canção do Exílio”, em que há uma reinterpretação do “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias), a observação do problemático cotidiano social (“Morte do Leiteiro”, em que o protagonista, que dá nome ao poema, acaba sendo assassinado em pleno exercício de sua função por ser confundido com um ladrão, o que possibilita uma crítica às relações sociais esgarçadas pelo medo), a rememoração dos parentes (“Retrato de Família”, em que o eu-lírico percebe a viagem através da carne e do tempo de uma constante eterna ligada à idéia de família) e o amor como experiência difícil, o famoso amar amaro (“Caso de Vestido”, em que o eu-lírico, uma mulher, narra o sofrimento por que passou quando da perda do seu marido e quando também da recuperação dele).

Em suma, Rosa do Povo é obra monumental que merece não apenas ser lida para um vestibular, mas fruída para se tornar uma das grandes experiências de nossa existência. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Cartomante (publicado no livro Várias histórias) narra a história de Camilo, Vilela e Rita. Os dois primeiros eram melhores amigos; a segunda era esposa do segundo e amante do primeiro. Quando Camilo começa receber denúncias anônimas, diminui a freqüência das visitas ao amigo. Preocupada, Rita visita uma cartomante, fato que faz Camilo rir. Quando Vilela chama Camilo a sua casa ele vai preocupado, e passa antes na cartomante pensando que não tem nada a perder. Ela lhe assegura que nada vai dar errado e ele chega despreocupado a casa de Vilela, onde encontra Rita morta. Vilela então o mata. A Causa Secreta (publicado no livro Várias histórias) fala de dois homens que, após um salvar a vida do outro e passar-se algum tempo, tornam-se sócios. Mas pouco a pouco um deles vai demonstrando tendências sádicas, torturando animais, fato que atordoa a esposa. Quando ela morre, Fortunato, o sádico, presencia o amigo beijar a testa da mulher e derreter-se em choro, saboreando o momento de dor do amigo que lhe traía. D. Paula (publicado no livro Várias histórias) conta sobre um casal que realiza uma separação temporária por ciúmes, com fundos, do marido. O caso é mediado pela tia da esposa, Dona Paula, que quando descobre quem é o outro, fica abalada. É o filho do homem com quem teve caso análogo, fato que deixa seus sentimentos bem abalados em relação ao caso.

Noite de Almirante (publicado no livro Várias histórias) é sobre Deolindo, jovem marinheiro que volta de uma viagem longa para encontrar a namorada, com quem fizera um voto de fidelidade (e cumprira) com um novo homem. Ele a procura, conversa com ela, dá-lhe um presente e sai desesperado, pensando em suicídio. Não o comete, mas tem vergonha de admitir aos amigos a verdade e mente que realmente passou uma noite de almirante. O Enfermeiro (publicado no livro Várias histórias) conta sobre um homem que, a beira da morte, conta um caso de seu passado. Ele foi em 1860 ser enfermeiro de um velho e mau coronel, que acaba esganando alguns dias antes de partir por não mais o suportar. Quando abre-se o testamento ele é declarado herdeiro universal e distribui lentamente o dinheiro em esmolas. Enquanto isto se passa, vai lentamente se convencendo de sua inocência, apoiado pela sociedade que odiava o velho e suas ações que considera redentoras. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
ALARCÃO, Isabel – Professores Reflexivos em Uma Escola Reflexiva. São Paulo. Editora Cortez, 2003.Capítulos 1, 2 e 4

Capítulo 1 - Alunos, professores e escola em face a sociedade da informação
A Sociedade da Informação – aberta e global, diferenças de acesso à informação que causam a exclusão. Finalidade filtrar informações para preparar alunos para a sociedade.
A sociedade da informação em que vivemos é complexa e contraditória, com muitas informações sem saber lidar e selecioná-las, o que prejudica o desenvolvimento do espírito critico, por serem aceitar e manipuladoras. Soa a reflexão pode organizar os conhecimentos (informação o contexto e em relação com outros assuntos). É com compreensão que percebemos objetos, pessoas, acontecimentos e suas relações.
Cabe ao aluno, gerir informações para transformá-las em conhecimento. O professor não é a única fonte de saber. O conhecimento só existe com a aprendizagem. Esta reorganização de valores reorganiza as competências do cidadão atual.
Novas Competências Exigidas Pela Sociedade Da Informação E Da Comunicação Do Conhecimento E Da Aprendizagem.
Nos anos 90, a nova visão chega as universidades européias e resultam numa maior reflexão na educação, intere-relacionando ciclos , estudantes e desenvolvendo novas competências numa formação holística (integral).
A cidadania é revista, pó do o cidadão como um pressuposto um ser responsável, que encara a formação associando o indivíduo-escola, informação-pensamento.
A competência é entendida como “saber fazer bem”, isto é mobilizando saberes e utilizando-os, compreendendo, observando, e analisando e refletindo, preparando para mudanças, aprendendo autonomamente.
Para lidar com a informação na sociedade da aprendizagem é importante filtrar informações, organizar e interar professor-aluno, saber-uso.
Os alunos na sociedade da aprendizagem devem aprender a aprender ao longo da vida, relacionando as coisas ao seu redor com sentido. A sala de aula é o lugar onde se produzem conhecimentos, e as informações devem ser passar com responsabilidade e autonomia. A iniciativa cientifica amplia o gosto pelo saber. A criatividade e responsabilidade são fatores essenciais na aprendizagem.
Os professores na sociedade da aprendizagem devem ajudar o aluno a desenvolver a competência de aprender, dar suporte, estrutura e estimular a aprendizagem e autoconfiança, direcionando a informação processual, produto da análise critica, ver do que precisam. Para isso, se atualizar e desenvolver suas competências de aprender a aprender.
A escola na sociedade da aprendizagem deve transforma o aluno em ativo, em salas de aulas e em atividades extras curriculares. Deve ser repensada e reformulada contextualizada e relacionada com as pessoas que as constituem, tornando-se auto-reflexivas e criticas, sabedora de sua missão social; deve ser auto-dirigida de acordo com a realidade e seus problemas, tirando proveito das novas tecnológicas como meios de pesquisas, contextualizando-se, professore-alunos-escola.

Capítulo 2 A formação do professor reflexivo – e ativo. Este deve processar informações acuradas e criticamente. Tal reflexão deve ampliar seu desempenho e competência profissional visando o todo (motivo de atração pela profissão). A desilusão é conceituada como uma reflexão não entendida, dificuldades para atuar no novo programa de formação. Professor e escola devem agir relacionados, a escola deve fornecer infra-estrutura para fazer a ponte entre seus membros.
Com criatividade, capacidade de encontrar meios de como interagir na vida social, o professor deve tomar abertura pra aprender e ensinar essa visão para seus alunos. A formação critica, reflexiva, deve combinar observações para resolver os problemas, numa visão de valorizar a relação professor-aluno.
A pesquisa-ação é analisar um problema destrinchá-lo em partes ara resolvê-lo (observar, refletir, planificar e agir). Abordar problemas com perspectivas de solucioná-los de modo reflexivo, transformar em aprendizagem. Para complementar a pesquisa e ampliar a reflexão temos:
- análise de caso: de acontecimentos teorizados com valor explicativo, que pode ser explicado, interpretado discutido, dissecado e reconstruído. Além de ser uma ferramenta de formação tem embasamento teórico.
-narrativas: narrar é um hábito que constitui reflexão, analisando situações, sistematizando reflexões, compartilhando pensamentos. Casos e narrativas caminham juntos transmitidos tornam-se narrativas elaboradas que viabilizam o conhecimento.
-portfólio – seleções de fatos ou resultados. Promove o desenvolvimento reflexivo, fundamenta a reflexão, facilita a auto e hetero-avaliação.
-perguntas pedagógicas: o caráter formativo é o moto do desenvolvimento e da aprendizagem reflexiva, propicia a compreensão e é a base de outras estratégicas.
-conclusão: a formação profissional reflexiva deve incluir a intenção de conhecer o mundo. Seu trabalho deve estar em parceria com a escola e a comunidade. O conheicimento da compreensão das informações.

Capítulo 4 – Gerir Uma escola Reflexiva
Na nota auto-biográfica a autora afirma que questionar traz desenvolvimento e conhecimento. O professor faz parte da escola, esta é um organismo vivo, em desenvolvimento e em aprendizagem.
A escola é uma comunidade com atores sociais que deve unir a sociedade com objetivo comum: educar. Ela liga sociedade adulta com crianças e jovens em desenvolvimento. Deve estar contextualizada com a cultura local e articular com o contexto nacional e global. Deve ter personalidade, utilizar do próprio conhecimento para desenvolver-se. Seus atores devem ter um único objetivo: a educação das novas gerações.
A escola nunca está formada completamente, assim. Deve se avaliar, pensar e si própria e na sua missão; analisar, perceber dificuldades e agir para melhorá-la. Ela é inteligente, pratica e atual, não burocrática e ultrapassada, saber onde está e ode quer chegar com o objetivo de educar.
O projeto da escola é o conjunto que propicia e concebe esforços para criar condições de aprendizagem e desenvolvimento. O processo (projeto) e o produto (objetivo) estão ligados à gestão da escola reflexiva.
O Currículo é um conjunto de aprendizagens necessárias à formação. Questiona-se a sua validade se comparado a nova realidade da sociedade da informação.
Segundo Rodan e Perrenoud, devemos trabalhar baseado em objetivos, em grupos flexíveis, tarefas escolares à base de problemas e projetos.
A escola reflexiva deve agir de acordo com sua realidade e no momento apropriado. Objetivos e projetos (também o currículo) são referencias para uma ação compartilhada.
A gestão da escola reflexiva deve ser participativa coerente, desafiadora, exigente, interativa, flexível, avaliadora, formadora, democrática. Todos devem decidir.
O saber desenvolvido pela escola interage com a tarefa de educar. O aluno torna-ser o centro da missão e com a cooperação de todos como objetivo de educar de forma reflexiva.
A escola tem caráter, personalidade e forma própria de funcionar de acordo com sua realidade e contexto. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Na noite de 20 para 21 de setembro de 1942, em pleno período de ocupação alemã, setenta membros da Resistência aguardam a morte nas celas do Forte de Hã, perto de Bordeaux. Pouco depois, numa manhã chuvosa, diante do pelotão de execução entoam pela última vez a Marselhesa. A vida é dura em Montillac, a despeito dos esforços de Camille, que procura compor a situação diante de Fayard, o encarregador das adegas que sonha apropiar-se das terra. Em Paris, Léa está uma vez mais em casa das senhoras de Montpleynet. Volta a encontrar o escritor Raphaël Mahl, informante da Gestapo, assim como o enigmático François Tavernier, por quem continua a sentir uma espécie de paixão agitada. Atordoa-se freqüentando restaurantes clandestinos e assiste impotente à detenção de Sarah Mulstein pela Gestapo. Sarah será torturada mas, graças à ajuda de Raphaël Mahl, conseguirá fugir. Antes de lhe darem fuga de Paris, Léa e François Tavernier a escondem na casa das senhoras de Montpleynet. Enquanto Laurent é procurado pela polícia nazi, Camille é presa. Encerrada no Forte de Hã e depois no campo de Mérignac, acaba por adoecer. De volta volta a Montillac, Léa tudo faz para libertá-la. Sem nada obter de Camille, a Gestapo acaba por soltá-la. Entre Mathias Fayard, amigo de infância que optou pela Alemanha, e os irmão Lefèvre, elementos da resistência, tal como ela mesma, Léa descobre uma triste realidade: a do horror e da tortura... O Mathias de sua adolescência morre quando a estupra em um hotel sórdido mantido por uma prostituta imunda. Em seu lugar existe agora um homem brutal que a assusta. Muitos jovens da região de Bordeaux trabalham para Gestapo. Uma atmosfera de ódio divide as pessoas. Nesse clima deprimente, Léa espera por François Tavernier, que chega, enfim, a Montillac, onde participa do almoço oferecido em homenagem a um jovem francês colaborador da Gestapo, que Laure, a ingênua irmã caçula de Léa, havia conhecido. Todos se deixam iludir; mas, à tarde, o dr. Blanchard é abatido por esse mesmo jovem. Laurent d'Argilat e François Tavernier encontram-se face a face, pela primeira vez após três anos de afastamento. De comum acordo, decidem enviar para paris as moradoras de Montillac. Os franceses recomeçaram a ler, mas as livrarias estão vazias. É a época dos jovens excêntricos, do quilo de manteiga a trezentos e cinqüenta francos e do café a mil ou dois mil francos. Os alemães recuam na frente oriental. Assaltada pelo frenesi do prazer, Léa diverte-se para não pensar nos amigos mortos ou desaparecidos. Pouco tempo depois, toma novamente o trem para Bordeaux. Raphaël Mahl, renegado pelos amigos da Gestapo, transformou-se no prisioneiro número 9793 de uma das celas do Forte de Hã. Aí, contudo, não deixa de recolher informações, sobretudo acerca da presença de pilotos ingleses não indentificados pelos alemães. Friamente, vai lhes fornecendo nomes. Certa noite, porém, o cadáver de Raphaël Mahl, horrorosamente mutilado pelos companheiros de cela, é atirado numa fossa e coberto de imundícies. François Tavernier encontra-se com Léa em Montillac, mas volta a partir quase em seguida. Léa fica só... veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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