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As Cartas Portuguesas consistem em cinco curtas cartas de amor. Publicadas em sua tradução francesa em 1669, são supostamente as cartas de amor de uma freira portuguesa a um oficial francês. Nelas transparece um amor incondicional e exacerbado da jovem Mariana, que diz sofrer horrores com a distância do amado. Aos poucos as cartas vão perdendo o tom de esperança numa reunião, que já era mínimo, e vão se tornando pedidos incessantes de notícias e correspondência equivalente. A solidão de Mariana, seu sentimento de repressão, e sua vontade de reter o amado ao seu lado são constantes. Ao que parece o oficial, chamado DeChamilly, não correspondia igualmente: Mariana pede respostas maiores, mais afetuosas. Este amor total de Mariana Alcoforado é impregnado de todos os sentimentos que a transformariam numa autora romântica, mas sua pequena obra encontra-se entre autores barrocos meramente por esse ser o estilo da época em que vivia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário

10. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário. Porto Alegre. Artmed. 2002

Introdução

Embora seja difícil e demande tempo, a escola necessita de trans-formações profundas no que concerne ao aprendizado da leitura e da es-crita, que só serão alcançadas através da compreensão profunda de seus problemas e necessidades, para que então seja possível falar de suas possibilidades.
Capítulo 1
Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário
Aprender a ler e escrever na escola deve transcender a decodificação do código escrito, deve fazer sentido e estar vinculado à vida do sujeito, deve possibilitar a sua inserção no meio cultural a qual pertence, tornando-o capaz de produzir e interpretar textos que fazem parte de seu entorno.
Torna-se então necessário reconceitualizar o objeto de ensino tomando por base as práticas sociais de leitura e escrita, re-significando seu aprendizado para que os alunos se apropriem dele 'como práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir'.
Para tornar real o que compreendemos ser necessário é preciso conhecer as dificuldades que a escola apresenta, distinguindo as legítimas das que fazem parte de 'resistências sociais' para que então se possa propor soluções e possibilidades.
A tarefa é difícil porque, a própria especificidade do aprendizado da leitura e da escrita que se constituem em construções individuais dos sujeitos agindo sobre o objeto (leitura e escrita) torna a sua escolarização difícil, já que não são passíveis de se submeterem a uma programação sequencial. Por outro lado, trata-se de práticas sociais que historicamente foram, e de certo modo continuam sendo, patrimônio de certos grupos, mais que de outros, o que nos leva a enfrentar e tentar buscar caminhos para resolver as tensões existentes na instituição escolar entre a tendência à mudança (democratização do ensino) e a tendência à conservação (reprodução da ordem social estabelecida).
É difícil ainda, porque o ato de ensinar a ler e escrever na escola tem finalidade puramente didática: a de possibilitar a transmissão de saberes e comportamentos culturais, ou seja, a de preservar a ordem pre-estabelecida, o que o distancia da função social que pressupõe ler para se comunicar com o mundo, para conhecer outras possibilidades e refletir sobre uma nova perspectiva.
É difícil também, porque a estruturação do ensino conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear acumulativa e irreversível entra em contradição com a própria natureza da aprendizagem da leitura e da escrita, que como vimos ocorre por meio de aproximações do sujeito com o objeto, provocando coordenações e reorganizações cognitivas que lhe permite atribuir um novo significado aos conteúdos aprendidos.
E, finalmente, a necessidade da escola em controlar a aprendizagem da leitura faz com que se privilegie mais o aspecto ortográfico do que os interpretativos do ato de ler, e o sistema de avaliação, onde cabe somente ao docente o direito e o poder de avaliar, não propicia ao aluno a oportuni-dade de autocorreção e reflexão sobre o seu trabalho escrito, e conseqüentemente não contribui para a construção da sua autonomia intelectual.
Diante desses fatos, o que é possível fazer para que se possa conciliar as necessidades inerentes a instituição escolar e, ao mesmo tempo, atender as necessidades de formar leitores e escritores competentes ao exercício pleno da cidadania?
Em primeiro lugar devem se tornar explícitos aos profissionais da edu-cação os aspectos implícitos nas práticas educativas que estão acessíveis graças aos estudos sociolingüísticos, psicolingüísticos, antropológicos e históricos, ou seja, aqueles que nos mostram como a criança aprende a ser leitora e escritora; o que facilita ou quais são as prerrogativas essen-ciais a esse aprendizado.
Em segundo lugar, é preciso que se trabalhe com projetos como fer-ramenta capaz de articular os propósitos didáticos com os comunicativos, já que permitem uma articulação dos saberes sociais e os escolares. Além disso, o trabalho com projetos estimula a aprendizagem, favorece a au-tonomia, já que envolve toda a classe, e evita o parcelamento do tempo e do saber, já que tem uma abordagem multidisciplinar.
"É assim que se torna possível evitar a justaposição de atividades sem conexão - que abordam aspectos também sem conexão com os conteúdos -, e as crianças tem oportunidade de ter acesso a um trabalho suficientemente duradouro para resolver problemas desafiantes, construindo os conhecimentos necessários para isso, para estabelecer relações entre diferentes situações e saberes, para consolidar o aprendido e reutilizá-lo... ".(p.23).
Finalmente, é possível repensar a avaliação, sabendo que esta é neces-sária, mas que não pode prevalecer sobre a aprendizagem. Segundo a au-tora, 'ao diminuir a pressão do controle, toma-se possível avaliar aprendi-zagens que antes não ocorriam [...]' já que no trabalho com projetos os alunos discutem suas opiniões, buscam informações que possam auxiliá-los e procuram diferentes soluções, fatores importantíssimos a formação de cidadãos praticantes da cultura escrita.

Capítulo 2 - Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita
"O desafio [...] é formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida, explicita ou implicitamente, pelos autores dos textos com os quais interagem em vez de persistir em formar indivíduos dependentes da letra do texto e da autoridade dos outros", (p.27)
Para que haja uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da escrita, a escola precisa favorecer a aprendizagem significativa, abandonando as atividades mecânicas e sem sentido que levam o aluno a compreender a escrita como uma atividade pura e unicamente escolar. Para isso, a escola necessita propiciar a formação de pessoas capazes de apreciar a literatura e de mergulhar em seu mundo de significados, formando escritores e não meros copistas, formando produtores de escrita conscientes de sua função e poder social. Precisa também, prepa-rar as crianças para a interpretação e produção dos diversos tipos de texto existentes na sociedade, conseguindo que a escrita deixe de ser apenas um objeto de avaliação e passe a ser um objeto de ensino, capaz não apenas de reproduzir pensamentos alheios, mas de refletir sobre o seu próprio pensamento, enfim, promovendo a descoberta da escrita como instrumento de criação e não apenas de reprodução. Para realmente transformar o ensino da leitura e da escrita na escola, é preciso, ainda, acabar com a discriminação que produz fracasso e abandono na escola, assegurando a todos o direito de 'se apropriar da leitura e da escrita como ferramentas essenciais de progresso cognoscitivo e de crescimento pessoal'.
É possível a mudança na escola?
Ensinar e ler e escrever faz parte do núcleo fundamental da instituição escolar, está nas suas raízes, constitui a sua missão alfabetizadora e sua função social, portanto, é a que mais apresenta resistência a mudanças. Além disso, nos últimos anos, foi a área de que mais sofreu com a invasão de inovações baseadas apenas em modismos.
"... O sistema de ensino continua sendo o terreno privilegiado de todos os voluntarismos - dos quais talvez seja o último refúgio. Hoje, mais de que ontem, deve suportar o peso de todas as expectativas, dos fantasmas, das exigências de toda uma sociedade para a qual a educação é o ultime portador de ilusões"2.
Sendo assim, para que seja possível uma mudança profunda da prática didática vigente hoje nas instituições de ensino, capaz de tornar possível a leitura na escola, é preciso que esta esteja fundamentada na evolução histórica do pensamento pedagógico, sabendo que muito do que se propõe pode ser encontrado nas ideias de Freinet, Dewey, Decroly e outros pensadores e educadores, o que significa estarem baseadas no avanço do conhecimento científico dessa área, que como em outras áreas do conhecimento científico, teve suas hipóteses testadas com o objetivo de desvendar a gênese do conhecimento humano - como os estudos realizados por Jean Piaget. É preciso compreender também, que essas mudanças não dependem apenas da capacitação adequada de seus pro-fissionais, já que esta é condição necessária, mas não suficiente, é preciso conhecer o cotidiano escolar em sua essência, buscando descobrir os mecanismos ou fenômenos que permitem ou atravancam a apropriação da leitura e da escrita por todas as crianças que ali estão inseridas.
O que vimos até hoje, por meio dos trabalhos e pesquisas que temos realizado no campo da leitura e da escrita, é que existe um abismo que separa a prática escolar da prática social da leitura e da escrita - lê-se na escola trechos sem sentido de uma realidade desconhecida para a crian-ça, já que foi produzido sistematicamente para ser usado no espaço es-colar - a fragmentação do ensino da língua (primeiro sílabas simples, de-pois complexas, palavras, frases...) não permite um espaço para que o aluno possa pensar no que aprendeu dentro de um contexto que lhe faça sentido, e ainda, fazem com que esta perca a sua identidade.
"Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazer funcionar o aprendido fora da escola, em situações que já não serão didáticas, será necessário manter uma vigilância epistemológica que garanta uma semelhança fundamental entre o que se ensina e o objeto ou prática social que se pretende que os alunos aprendam. A versão escolar da leitura e da escrita não deve afastar-se demasiado da versão social não-escolar". (p.35)
O "Contrato Didático"
O Contrato Didático aqui é considerado como as relações implícitas estabelecidas entre professor e aluno, sobretudo porque estas exercem influência sobre o aprendizado da leitura e da escrita, já que o aluno deve concentrar-se em perceber ou descobrir o que o professor deseja que ele 'saiba' sobre aquele texto que o professor escolheu para que ele leia e não em suas próprias interpretações: "A 'cláusula' referente à interpretação de textos parece estabelecer [...] que o direito de decidir sobre a validade da interpretação é privativo do professor...".
Se o objetivo da escola é formar cidadãos praticantes da leitura e da escrita, capazes de realizar escolhas e de opinar sobre o que leem e veem em seu entorno social, é preciso que seja revisto o Contrato Didático, prin-cipalmente no âmbito da leitura e da escrita, e essa revisão é encargo dos pesquisadores de didática - divulgando os resultados obtidos bem como os elementos que podem contribuir para as mudanças necessárias -, é responsabilidade dos organismos que regem a educação - que devem levar em conta esses resultados -, é encargo dos formadores de professores e de todas as instituições capazes de comunicar à comunidade e particularmente aos pais, da importância que tem a análise, escolha e exercício de opinião de seus filhos quando do exercício da leitura e da escrita.

Ferramentas para transformar o ensino
Vimos que transformar o ensino vai além da capacitação dos profes-sores, passa pela sua revalorização pessoal e profissional; requer uma mudança de concepção da relação ensino-aprendizagem para que se possa conceber o estabelecimento de objetivos por ciclos que abrangem os conhecimentos - objeto de ensino -de forma interdisciplinar, visando diminuir a pressão do tempo didático e da fragmentação do conhecimento.
Requer que não se perca de vista os objetivos gerais e de prioridade absoluta, aqueles que são essenciais à educação e lhe conferem significado. Requer ainda, que se compreenda a alfabetização como um processo de desenvolvimento da leitura e da escrita, e que, portanto, não pode ser desprovido de significado.
Essa compreensão só será alcançada na medida em que forem conhecidos e compreendidos os estudos científicos realizados na área, e que nos levaram a descobrir a importância da atividade mental construtiva do sujeito no processo de construção de sua aprendizagem, re-significando o papel da escola. Colocando em destaque o aprendizado da leitura e da escrita, consideramos fundamental que sejam divulgados os resultados apresentados pelos estudos psicogenéticos e psicolingüísticos, não apenas a professores ou profissionais ligados à educação, mas a toda soci-edade, objetivando conscientizá-los da sua validade e importância, levando-os a perceber as vantagens das estratégias didáticas baseadas nesses estudos, e, sobretudo, conscientizando-os de que educação também é objeto da ciência.
Voltando a capacitação, enfatizando sua necessidade, é preciso que se criem espaços de discussão e troca de experiências e informações, que dentre outros aspectos servirão para levar o professor a perceber que a diversidade cultural não acontece apenas em sua sala de aula, que ela faz parte da realidade social na qual estamos inseridos, e que sendo assim, não poderia estar fora da escola, e ainda, que esta diversidade tem muito a contribuir se o nosso objetivo educacional consistir em preparar nossos alunos para a vida em sociedade. No que concerne a leitura e escrita, parece-nos essencial ter corno prioritária a formação dos professores como leitores e produtores de texto, capazes de aprofundar e atualizar seus saberes de forma permanente'.
Nossa experiência nos levou a considerar que a capacitação dos professores em serviço apresenta melhores resultados quando é realizada por meio de oficinas, sustentadas por bibliografias capazes de dar conta das interrogações a respeito da prática que forem surgindo durante os encontros, que devem se estender durante todo o ano letivo, e que contam com a participação dos coordenadores também em sala de aula, mas que, à longo prazo, capacitem o
professor a seguir autonomamente, sem que seja necessário o acompanhamento em sala de aula.
Capítulo 3 – Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular
É importante que, ao propor uma transformação dídática a uma instituição de ensino, seja considerada a sua particularidade, o que se dá através do conhecimento de suas necessidades e obstáculos, implícitos ou explícitos, que caberá a proposta suprir ou superar. É imperativo que a elaboração de documentos curriculares esteja fortemente amparada na pesquisa didática, já que será necessário selecionar os conteúdos que serão ensinados o que pressupõe uma hierarquização, já que privilegiará alguns em detrimento de outros.
"Prescrever é possível quando se está certo daquilo que se prescreve, e se está tanto mais seguro quanto mais investigada está a questão do ponto de vista didático".(p. 55).
As escolhas de conteúdos devem ter como fundamento os propósitos educativos', ou seja, se o propósito educativo do ensino da leitura e da escrita é o de formar os alunos como cidadãos da cultura escrita, então o objeto de ensino a ser selecionado deve ter como referência fundamental às práticas sociais de leitura e escrita utilizadas pela comunidade, o que supõe enfatizar as funções da leitura e da escrita nas diversas situações e razões que levam as pessoas a ler e escrever, favorecendo seu ingresso na escola como objeto de ensino.
Os estudos em torno das práticas de leitura existentes ou preponderantes no decorrer da história da humanidade mostraram que em determinados momentos históricos privilegiavam-se leituras intensas e profundas de poucos textos, como por exemplo, os pensadores clássicos, seguidos de profundas reflexões realizadas por meio de debates ou conversas entre pequenos grupos de pessoas ou comunidades, se tomarmos como exemplo a leitura da Bíblia.
Com o avanço das ciências e o aumento da diversidade literária disponível - nas sociedades mais abastadas - as práticas de leitura passaram a se alternar entre intensivas ou extensivas (leitura de vários textos com menor profundidade), mas sempre mantendo um fator comum: elas, leitura e escrita, sempre estiveram inseridas nas relações com as outras pessoas, discutindo hipóteses, ideias, pontos de vista ou apertas indicando a leitura de algum título ou autor.
O aspecto mais importante que podemos tirar acerca dos estudos históricos é que aprende-se a ler, lendo (ou a escrever, escrevendo), por-tanto, é preciso que os alunos tenham contato com todos os tipos de texto que veiculam na sociedade, que eles tenham acesso a eles, que esses materiais deixem de ser privilégio de alguns, passando a ser patrimônio de todos. Didaticamente, isto significa que os alunos precisam se apropriar destes textos através de práticas de leitura significativas que propiciem reflexões individuais e grupais, que embora demandem tempo, são essenciais para que o sujeito possa, no futuro, ser um praticante da leitura e da escrita.
"...É preciso assinalar que, ao exercer comportamentos de leitor e de escritor, os alunos têm também a oportunidade de entrar no mundo dos textos, de se apropriar dos traços distintivos[...] de certos gêneros, de ir detectando matizes que distinguem a 'linguagem que se escreve' e a diferenciam da oralidade coloquial, de pôr em ação [...] recursos linguísticos aos quais é necessário apelar para resolver os diversos problemas que se apresentam ao produzir ou interpretar textos [...[é assim que as práticas de leitura e escrita, progressivamente, se transformam em fonte de reflexão metalingüística". (p. 64).
Capítulo 4
E possível ler na escola?
"Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita...".(p.73).
Ensinar a ler e escrever foi, e ainda é, a principal missão da escola, no entanto, dois fatores parecem contribuir para que a escola não obtenha sucesso:
1. A tendência de supor que existe uma única interpretação possível a cada texto;
2. A crença - como diria Piaget - de que a maneira como as crianças aprendem difere da dos adultos, e que, portanto, basta ensinar-lhes o que julgarem pertinente, sem que haja preocupação com o sentido ou significado que tais conteúdos tem para as crianças, o que, além de tudo, facilita o controle da aprendizagem, já que essa concepção permite uma padronização do ensino.
Para que seja possível ler na escola, é necessário que ocorra uma mudança nessas crenças, é preciso, como já vimos, que sejam conside-rados os resultados dos trabalhos científicos em torno de como ocorre o processo de aprendizagem nas crianças: que ele se dá através da ação da criança sobre os objetos (físicos e sociais), sendo a partir dessa ação que ela (a criança) lhe atribuirá um valor e um significado.
Sabendo que a leitura é antes de tudo um objeto de ensino que na escola deverá se transformar em um objeto de aprendizagem, é importante não perder de vista que sua apropriação só será possível se houver sentido e significado para o sujeito que aprende, que esse sentido varia de acordo com as experiências prévias do sujeito e que, portanto, não são suscetíveis a uma única interpretação ou significado e que o caminho para a manutenção desse sentido na escola está em não dissociar o objeto de ensino de sua função social.
O trabalho com projetos de leitura e escrita cujos temas são dirigidos à realização de algum propósito social vem apresentando resultados positivos. Os temas propostos visam atender alguma necessidade da co-munidade em questão e são estruturados da seguinte forma:
a) Proposta do projeto às crianças e discussão do plano do trabalho;
b) Curso de capacitação para as crianças visando prepará-las para a busca e consulta autônoma dos materiais a serem utilizados quando da realização das etapas do projeto;
c) Pesquisa e seleção do material a ser utilizado e/ou lugares a serem visitados;
d) Divisão das tarefas em pequenos grupos;
e) Participação dos pais e da comunidade;
f) Discussão dos resultados encontrados pelos grupos;
g) Elaboração escrita dos resultados encontrados pelos grupos (que passará pela revisão de outro grupo e depois pelo professor);

h) Redação coletiva do trabalho final;i) Apresentação do projeto à comunidade interessada.
j) Avaliação dos resultados.
Nesses projetos tem-se a oportunidade de levar a criança a extrair in-formações de diversas fontes, inclusive de textos que não foram escritos exclusivamente para elas, e que, portanto, apresentam um grau maior de dificuldade. A discussão coletiva das informações que vão sendo coletadas propicia a troca de ideias e a verificação de diferentes pontos de vista, como acontece na vida real, e, ainda, durante a realização desses projetos as crianças não leem e escrevem só para 'aprender', a leitura as-sume um propósito, um significado, que atende também aos propósitos do docente - de inseri-las no mundo de leitores e escritores. Os projetos permitem ainda, uma administração mais flexível do tempo, porque pro-piciam o rompimento com a organização linear dos conteúdos já que costumam trabalhar com os temas selecionados de forma interdisciplinar, o que possibilita a retomada dos próprios conteúdos em outras situações e ainda, a análise destes a partir de um referencial diferente.
Acontecem concomitantemente e em articulação com a realização dos projetos, atividades habituais, como 'a hora do conto' semanal ou momen-tos de leitura de outros gêneros, como o de curiosidades científicas e ativi-dades independentes que podem ter caráter ocasional, como a leitura de um texto que tenha relevância pontual ou fazer parte de situações de sistematização: passar a limpo uma reflexão sobre uma leitura realizada durante uma atividade habitual ou pontual. Todas essas atividades con-tribuem com o objetivo primordial de 'criar condições que favoreçam a formação de leitores autônomos e críticos e de produtores de textos adequados à situação comunicativa que os torna necessário' já que em todos eles observam-se os esforços por produzir na escola as condições sociais da leitura e da escrita.
"É assim que a organização baseada em projetos permite coordenar os propósitos do docente com os dos alunos e contribui tanto para preservar o sentido social da leitura como para dotá-la de um sentido pessoal para as crianças". (p.87).
Ainda, o trabalho com projetos, por envolver grupos de trabalho e, abrir espaço para discussão e troca de opiniões, permite o estabelecimento de um novo contrato didático, ou seja, um novo olhar sobre a avaliação, porque admite novas formas de controle sobre a aprendizagem, nas quais todos os sujeitos envolvidos tomam parte, o que contribui para a formação de leitores autônomos, já que estes devem justificar perante o grupo as conclusões ou opiniões que defendem. É importante ressaltar, que essa modalidade de trabalho torna ainda mais importante o papel das intervenções do professor - fazendo perguntas que levem a ser conside-rados outros aspectos que ainda não tenham sido levantados pelo grupo, ou a outras interpretações possíveis do assunto em questão. Em suma, é importante que a necessidade de controle, inerente a instituição escolar, não sufoque ou descaracterize a sua missão principal que são os propósi-tos referentes à aprendizagem.
O professor: um ator no papel de leitor
É muito importante que o professor assuma o papel de leitor dentro da sala de aula.
Com esta atitude ele estará propiciando a criança a oportunidade participar de atos de leitura. Assumir o papel de leitor consiste em ler para os alunos sem a preocupação de interrogá-los sobre o lido, mas de conseguir com que eles vivenciem o prazer da leitura, a experiência de seguir a trama criada pelo autor exatamente para este fim, e ao terminar, que o professor comente as suas impressões a respeito do lido, abrindo espaço para o debate sobre o texto -seus personagens, suas atitudes.
Assumir o papel de leitor é fator necessário, mas não suficiente, cabe ao professor ainda mais, cabe-lhe propor estratégias de leitura que aproximem cada vez mais os alunos dos textos.
A Instituição e o sentido da leitura
Quando os projetos de leitura atingem toda a instituição educacional, cria-se um clima leitor que atinge também os pais, e que envolvem os professores numa situação de trabalho conjunta que tem um novo valor: o de possibilitar uma reflexão entre os docentes a respeito das ferramentas de análise que podem contribuir para a resolução dos problemas didáticos que por ventura eles possam estar vivendo.
As propostas de trabalho e as reflexões aqui apresentadas mostram que é possível sim! Ler e escrever na escola, desde que se promova uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático, reconsiderando as formas de avaliação, não deixando que estas interfiram ou atrapalhem o propósito essencial do ensino e da aprendizagem. Desde que se elaborem projetos onde a leitura tenha sentido e finalidade social imediata, trans-formando a escola em uma 'micros-sociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pais e professores...". (p. 101).

Capítulo 5
O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor
"O saber didático é construído para resolver problemas próprios da comunicação do conhecimento, é o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre o professor, os alunos e o objeto de ensino; é produto da análise das relações entre o ensino e a aprendizagem de cada conteúdo específico; é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas". (p. 105).
É importante considerar que o saber didático, como qualquer outro objeto de conhecimento, é construído através da interação do sujeito com o objeto, ele se encontra, portanto, dentro da sala de aula, e não é exclu-sividade dos professores que trabalham com crianças, ele está presente também em nossas oficinas de capacitação. Então, para apropriar-se desse saber é preciso estar em sala de aula, buscando conhecer a sua realidade e as suas especificidades.
A atividade na aula como objeto de análise
O registro de classe apresenta-se como principal instrumento de análise do que ocorre em sala de aula. Esses registros podem ser utilizados durante a capacitação objetivando um aprofundamento do conhecimento didático, já que as situações nele apresentadas permitem uma reflexão conjunta a respeito das situações didáticas requeridas para o ensino da leitura e escrita.
Optamos por utilizar, a princípio, os registros das 'situações boas' ocor-ridas em sala de aula, porque percebemos, através da experiência, que a ênfase nas 'situações más' distanciava capacitadores e educadores, e para além, criavam um clima de incerteza, por enfatizar o que não se deve fazer, sem apresentar direções do que poderia ser feito, em suma, quando enfatizamos 'situações boas´ estamos mostrando o que é possível realizar em sala de aula, o que por si só, já é motivador.
É importante destacar que as 'situações boas' não se constituem em situações perfeitas, elas apresentam erros que, ao serem analisados, en-riquecem a prática docente, pois são: considerados como importantes ins-trumentos de análise da prática didática - ponto de partida de uma nova reflexão - sendo vistos como parte integrante do processo de construção do conhecimento.
"... a análise de registros de classe opera como coluna vertebral no processo de capacitação, porque é um recurso insubstituível para a comunicação do conhecimento didático e porque é a partir da análise dos problemas, propostas e intervenções didáticas que adquire sentido para os docentes se aprofundarem no conhecimento do objeto de ensino e de s processos de aprendizagem desse objeto por parte das crianças", (p. 116).
Palavras Finais

Quanto mais os profissionais capacitadores conhecerem a prática pedagógica e os que exercitam essa prática no dia-a-dia: as crenças que os sustentam e os mecanismos que utilizam; quanto mais conhecerem como se dá o processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita na escola, mais estarão em condições de ajudar o professor em sua prática docente. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Carlos Heitor Cony tinha passado duas décadas sem publicar romance quando ressurgiu com Quase memória (1995). Como cronista, publicou pouco em livro: Da arte de falar mal (1963), O ato e o fato (1964) e agora este Os anos mais antigos do passado que, como Quase memória, é livro que já nasce clássico. Uma reunião de crônicas que vale como um volume de memórias. Embora fragmentado em relatos de viagens, em recordações da infância, em alegorias de fatos políticos (cheias de humor e sarcasmo), em registros da rotina do mundo fixados com o pulso do ficcionista, a espinha dorsal do livro é uma longa e mansa busca do tempo perdido. A sua fragmentação é condicionada sobretudo pelo exercício diário que define o gênero, mas suas páginas não deixam de nos transmitir o gosto difuso e fascinante da grande aventura da vida. Seja através da visão retrospectiva dos anos mais antigos do passado (elemento do memorialismo), seja pela notação diária dos fatos transpostos num lirismo de primeira água. São as marés montantes do passado, como queria Mário Quintana, que chegam sem avisar, e tanto são motivo de apreensão quanto de surpresa e maravilhamento. A face amargurada, marcante em Cony, dá sempre lugar a um certo tom elegíaco e à índole lírica.

As suas memórias, que a rigor talvez Cony nunca escreveria, aqui estão, como em Quase memória, disfarçadas, quem sabe exorcizadas. É a sua história, o belo e o feio da humana lida, que aos poucos ele dilui e transfixa nos romances e nas crônicas. Neles, Cony sabe rir como poucos deste circo do mundo, com toda sua carga de frustrações e desastres, sua beleza e sua glória. Ri de um universo que é regido dos altos tronos, seja por Deus, o diabo ou um ser qualquer que se arrogue. Descido aos infernos de sua saudade e de sua incompreensão das coisas, o cronista revive uma fantasia de carnaval antigo, as rezas da mãe contra possíveis desgraças, os extraordinários balões que o pai fabricava, os tantos personagens de rua do subúrbio do menino, o amigo Otto Maria Carpeaux, a visão das mãos do pai morto, impressionante visão: “Mãos que começaram a ficar mais brancas e mais quietas: dentro delas, o nada cheio de tudo o que ele fora”. O lirismo é mesmo o elemento fixador desses movimentos de fluxo e refluxo da memória, pois Cony vê as coisas com os olhos transfigurados do poeta. Se podemos dizer que o seu humor é uma doce herança machadiana, na crônica sua veia lírica só encontra paralelo em escritores da estirpe de Rubem Braga, Antonio Maria e Drummond. E também José Carlos Oliveira ou o Tabajara Ruas de Um porto alegre (Mercado Aberto, 1998). São cronistas que escrevem iluminados pelo poeta que não deixam de ser. Líricos deste tempo escuro e trepidante. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O recado do morro é um dos sete contos que compõe o volume Corpo de Baile, de Guimarães Rosa. Trata-se de uma espécie de alegoria da formação do Brasil. É uma narrativa mais longa, quase uma novela, que descreve uma viagem de ida e volta pelo sertão, partindo de uma região central de Minas em direção ao norte até o Rio São Francisco, quando indica o ciclo do retorno. Caminham em tropa um naturalista estrangeiro, um religioso e um letrado - ilustrações dos desbravadores do país. À frente deles, dois homens do interior mineiro, conhecedores da região e do sertão, servem como guias. A trama irá opor os dois homens simples, por meio de uma emboscada de morte, que trará àquele espaço uma nova configuração.

A história ilustra o mundo sem lei. No sertão, vigora a regra, e não a lei - a regra da aliança e da vingança. Para o autor, estão em jogo ali novamente os destinos da civilização e da cidadania brasileira.

O recado do morro, os personagens-viajantes se deslocam pelo interior de Minas e por vários campos do saber, ao mesmo tempo em que recontam e decifram antigas estórias, relatos da loucura e mitos anônimos. Nesse conto, uma rede de narradores é estabelecida para passar adiante uma estória que, ao final, ainda é a mesma embora já seja outra. O recado do morro, ouvido por Gorgulho, é contado para seu irmão Catraz, que o reconta para o jovem Joãozezim, que o narra para Guégue, o guia que se orienta por referências móveis.

A partir daí, o recado vira boato e pode ser ouvido no discurso apocalíptico de Nômini Dômini, nos números inscritos pelo Coletor na parede da igreja, ou na letra cantada ao violão por Laudelim, até que se torna compreendido por seu destinatário, o guia Pedro Orósio, que sempre ouvira as diversas variações da mesma história sem atinar para o fato de que isso era um aviso de sua própria morte. Constituído pelas relações cooperativas e desarmônicas entre saber e não-saber - entre aquele que sabe e aquele que não sabe, entre o que cada personagem sabe e as formas como o sabe e o compartilha -, o conto opera com formas e temas não-excludentes, que podem ser verificados pelos freqüentes processos de tradução capazes de dar sustentação a uma poderosa estrutura fractal e em rede.

Apropriando-se de saberes das áreas de Matemática, Medicina, Biologia, Lingüística e da tecnologia de seu tempo, o conto também recorre aos diferentes saberes do sertanejo, construindo um incessante processo tradutório entre esses diversos campos. Os saberes acadêmicos, artísticos, religiosos, populares, e também os não-saberes, presentes em todas essas instâncias, são articulados numa rede discursiva que é a própria literatura de ficção.

Retomando variadas tradições discursivas – literárias e extraliterárias – o conto lhes permite uma cooperação desarmônica, criando a tensão narrativa que preside todo texto ficcional.

O conto realiza uma inter-relação entre os relatos dos habitantes do lugar e a estória dos que habitam a obra do autor. Parte deste conto se passa em Buritizeiro, na vertente do Formoso.

As descrições da paisagem, do lugar, das veredas, dos chapadões e do povo sertanejo se fundem com a memória dos habitantes do lugar: Neste conto um pequeno grupo de viajantes estrangeiros via a cavalo pelo sertão para fins de investigação. Os dois guias do país, os vaqueiros Pedro e Ivo, são inimigos ferozes. Pedro é um Casanova campesino, que já roubou a muitos colegas as boas graças das suas moças. Presságios sinistros acompanham a expedição. No seu trajeto encontra um velho alienado, que pretende ter ouvido uma mensagem do monte próximo. O velho já não consegue lembrar-se do conteúdo da mensagem, apenas recorda, que falava de um rei. Pedro não dá ouvido ao palavreado do velho, mas a enigmática mensagem vai dando que falar no sertão e os viajantes ouvem-na com freqüência, em fragmentos confusos. O pressentimento inarticulado de um ato de violência vai aumentando, quando Ivo, no fim da viagem, convida o seu odiado rival para uma festa de reconciliação. Na noite da festa os investigadores e seus companheiros reúnem-se numa pequena taberna, um dos convivas recita uma balada popular, a história do jovem rei, que na viagem de peregrinação a Belém é atacado e assassinado pelos próprios vassalos. Torna-se clara então a mensagem do monte. Ivo e seus cúmplices arrastam o Pedro embriagado, e ficamos a saber que não se trata de reconciliação, mas de um ato de vingança traiçoeiro. Mas eis que esta expectativa é repentinamente contrariada: sussurrando os versos da balada, Pedro de relance compreende a intenção dos seus companheiros, atira-se a eles e consegue pô-los em fuga. Nessa novela, o Morrão torna-se “belo como uma palavra” e porta-voz de um recado para a personagem principal, Pedro Orósio, guia de uma comitiva que parte de Pirapora para Cordisburgo.

À medida que a comitiva avança sertão adentro, o recado vai sendo passado de boca em boca a personagens excêntricos: bobos, loucos, lunáticos, fanáticos religiosos e um menino, até chegar aos ouvidos do músico Laudelim, que transforma a mensagem numa canção. Traduzido para a música, o recado é então compreendido por Pedro Orósio, a tempo de receber o aviso do Morro sobre as intenções de seus falsos amigos.

O morro da Garça, em Minas Gerais, assume papel de destaque no conto, ao enviar mensagem de morte à personagem principal do conto, captada por um visionário sertanejo e afinal percebida a tempo por tal personagem.

Com a poesia que lhe é peculiar, Guimarães Rosa transformou o Morro da Garça, a paisagem sertaneja, as estórias e os costumes do povo do sertão em obra de arte, fazendo do espaço físico, cenário para seus personagens, lugares imaginados, “mais ou menos como a gente vive”. O conto retrata o desdobramento de uma história, contada e recontada sete vezes. No conto o vaqueiro Pedro Orósio faz uma viagem pelo sertão e alguns de seus companheiros preparam uma cilada para matá-lo. Ele só escapa porque o morro lhe manda uma mensagem construída ao longo de uma semana (de sete etapas). Pedro com pedra, Orósio como oros (montanha), também conhecido como Pê-boi, pé na terra. Da terra recebe o recado. Durante a viagem, percorreu as fazendas de Apolinário, Nhá Selena, Marciano, Nhô Hermes, Jove, Dona Vininha e Juca Saturnino. Em companhia dos Vaqueiros Helio Dias Nemes, João Lualino, Martinho, Zé Azougue, Jovelino, Veneriano e Ivo Crônico. Assim enfilerados, dá pra perceber o que no texto vem diluído: a alusão aos dias da semana (tais como são nomeados em outras línguas) e aos deuses aos quais são dedicados: Apolo / Sol; Selene / Lua; Marte, Mercúrio / Hermes; Júpter, Vênus, Saturno / Cronos. O que acontece em cada fazenda tem a ver com cada deus dominante (beleza, festa, guerra, comércio / mensagem, poder e fartura, amor, tempo). Mas a terra escapa. O recado é decifrado por Pedrão Chãbergo (chão e berg, rocha em alemão). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Usando uma linguagem culta, barroca (exagerada), carregada de erudição, nos moldes dos cronistas portugueses, Herberto Sales nos conta a saga das famílias Golfão e Rumecão, instalados no interior da Bahia, precisamente em Cuia D’Água, próximo a Cachoeira e São Félix. Segundo o autor, o tempo passou sobre essas famílias e firmou os seus pareceres (a impressão que ficou de suas odisséias) e, sendo a epopéia de relevo, não deve ser desprezada ou ignorada. Por isso ele nos contará essa história. Herberto se coloca como porta-voz de Braulino José Golfão, o Ancião, um dos filhos gêmeos do casal Policarpo e Liberata que relatou a história dos seus pais ao autor; segundo Herberto Sales, causa estranheza a lucidez de Braulino, uma vez que este Ancião já contava com 132 anos e sabia detalhadamente dos fatos narrados no livro. A estrutura do romance é incomum, pois os capítulos são divididos em 54 livros numerados em algarismos romanos. Cada livro traz um argumento, espécie de sinopse, de resumo do que se narrará no capítulo. Obviamente, muito da narrativa está antecipada nos argumentos, mas a habilidade do narrador, que é onisciente, faz que ele seja limitado em alguns momentos do argumento, visando a criar expectativa no leitor. O próprio autor escreve o seu prefácio, dizendo pretender com isso, ser rigoroso consigo, vez que amigos costumam ser muito benevolentes com os prefaciados. Usa o prefácio para falar do prefácio o que é um excelente exercício metalingúistico. Ao longo da narrativa, o autor se coloca como um "contador de histórias", como se o leitor estivesse ao lado dele e, por isso, necessitasse tantas vezes checar, através da função fática da linguagem, se a mensagem está chegando ao receptor sem ruído. É muito freqüente esta verificação, a exemplo de: "Sabei que Policarpo Golfão chegou à pensão às 12 horas". Esta postura de contador de casos força o autor a usar uma incomum, mas correta construção gramatical no que tange ao uso do possessivo dele(s) / dela(s). Como emissor (narrador) e receptor (eu ou você) estão próximos e o narrador fala se dirigindo ao leitor, para evitar ambigüidade, usa esta estrutura: "Sabei que Policarpo Golfão chegou com seu cavalo dele". Essa construção, pouco usual, está prescrita como correta, de acordo com a norma culta gramatical e deve ser usada toda vez que, numa sentença, o uso do possessivo implicar ambigüidade quanto ao possuidor do elemento referido. O uso de inversões sintáticas (hipérbatos) é uma constante, haja vista que essas inversões aproximam a língua portuguesa do latim clássico, e o autor pretende uma narrativa no estilo cultista (linguagem rebuscada, sinuosa, carregada de erudição). A narrativa configura o texto como pertencente ao gênero épico/narrativo da literatura. O narrador-observador (foco narrativo em 3a pessoa quase na totalidade das vezes) mostra-se onisciente / onipresente, mas impassível diante dos fatos, vez que ele narra o que já aconteceu, sem possibilidade, portanto, de modificar algo na história narrada. No entanto isto não impossibilita a veia irônica de que é dotado o emissor. Apesar de ser apenas porta-voz do Ancião, Herberto Sales emite juízo de valor frente ao narrado, incorrendo na ironia sutil, que passaria despercebida ao leitor desavisado. Com maestria, enfatiza, por exemplo, a "piedade cristã" do capelão dos navios negreiros que, acompanhando o percurso dos negros naquela fatídica viagem – África/ Brasil – evitava que os negros mortos neste trajeto ficassem sem a palavra de Deus. (O Capelão tinha, como recompensa, direito a cinco escravos para serem negociados). Muitos dos negros morriam durante o percurso, mas a presença de Capelão garantia que eles morressem na fé cristã, haja vista que eram batizados dentro dos navios. O argumento histórico da narrativa é o seguinte: Policarpo Golfão, filho único de um fidalgo português que morreu numa batalha servindo ao Rei de Portugal, recebeu a título de indenização, uma sesmaria no Brasil, no interior do estado da Bahia, precisamente junto a Cachoeira e São Félix, lugar conhecido como Cuia D’Água. (Crítica à Metrópole que enxergava a Bahia como feudo da nação lusa.). Policarpo era proprietário de uma bela quinta em Portugal. Ao saber da doação do Rei, vendeu sua quinta e junto com um primo – Quincas Alçada – rumou para o Brasil visando a tomar posse do que era seu. Necessário é dizer que essa indenização do Rei veio a calhar, porque o filho do fidalgo era homem afeito a aventuras e, certamente, aqui, poderia participar de diversos feitos incomuns. Chegando ao Brasil, Policarpo e seu primo bastardo ficaram hospedados numa estalagem de um compatriota, Luis Vicente de Almeida, vulgo Almeidão, um homem de físico avantajado, daí o apelido. Esse português teria importância vital para os acontecimentos vindouros, e o autor nos antecipa isto, mas pretende esclarecer o assunto somente no momento aprazado (o escritor, mais ou menos à moda de Machado de Assis, conversa com o leitor, comentando, emitindo opinião sobre o assunto de que trata ou tratará). Assim que chegaram a Salvador, como eram cristãos, dirigiram-se à Igreja. Em seguida foram recebidos pelo Governador-Geral que oficializou, em cerimônia, a referida doação da "imensa sesmaria. No mesmo dia, Policarpo recebeu do governador o título de capitão-mor, o que lhe garantiria plenos direitos para reger sua sesmaria como se dela fosse o próprio Rei.(Espécie de senhor Feudal) No dia seguinte, Policarpo Golfão e Quincas Alçada foram ao Chega-Nego, lugar onde aportavam os navios negreiros que traziam negros da Costa da Mina, para o Brasil. Os dois portugueses precisavam de mão-de-obra para trabalhar na sesmaria. Almeidão os acompanhou . Antes de irem ao Chega-Nego, passaram na Igreja de Santo Antônio da Barra. (Ironia à prática cristã: antes de comprar homens para escravizá-los, vão receber a bênção de Deus para garantir o sucesso da empreitada.) Os dois primos souberam, através de Almeidão, que São José era uma espécie de patrono dos traficantes de escravos, vez que do alto daquele outeiro da Igreja de Santo Antônio da Barra, o casto esposo de Maria velava pela sorte dos navios que bravamente se arriscavam ao mar, rumo à África, em tão subida missão. (Ironia do autor e crítica ao uso equivocado dos preceitos cristãos adaptados a interesses vis). O Almeidão lhes contou que traficar negros não era vergonhoso para o português ou até para os colonos, e que até havia uma espécie de Irmandade protetora desses comerciantes em tão honrado ofício. O próprio Almeidão complementava sua renda com este comércio e esperava para aquele dia a chegada da corveta Augusta. Esclareceu os trâmites do comércio: os traficantes baianos, forneceram ao capitão da corveta Augusta uma grande quantidade de fumo comprado nas plantações de tabaco da Bahia. Este capitão levou o tabaco para comercializar em terras "d’além mar" e, em pagamento aos amigos, trouxe escravos da África em número anteriormente acertado e suficiente para ficarem quitados na transação. Infelizmente, desta vez, a corveta Augusta não apontou no Chega-Nego, pois estava com diversos negros contaminados de varíola, febres epidêmicas, sarna e doença dos olhos. O navio ficou afastado do porto, de quarentena imposta pela Inspeção de Saúde. Como sempre acontecia quando havia doentes a bordo, a embarcação ficou em Monte Serrat, aguardando que os enfermos melhorassem. Desta forma, os dois primos não puderam comprar escravos do Almeidão, mas no dia seguinte foram aguardar outra corveta, a Salve-Rainha, de onde compraram quinze escravos ao todo; esses escravos faziam parte de um lote pertencente ao Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão. (Notar a crítica irônica à Igreja Católica: os dois navios negreiros têm nomes sagrados – corveta Augusta – ligada a anjo; corveta Salve-Rainha – louvação à Virgem Maria). Herberto aproveita para criticar , sob a forma elogiosa – na verdade, uma grande ironia – o fato de os portugueses serem habilidosos na arte de "socar" tantos escravos – quinhentos – numa corveta muito pequena. Corria até uma legenda de que os navios portugueses eram pequenos por fora, mas grandes por dentro, tendo reconhecido este feito os holandeses , nesta época, seus rivais, neste comércio. A perícia náutica dos portugueses contribuía para isso: Holandeses transportavam trezentos escravos em grandes navios; já os portugueses, em pequenas caravelas, transportavam quinhentos homens. (Evidencia-se, aí, uma grande e irônica crítica ao povo português, avaro e desumano). O capelão de bordo do Salve-Rainha, além de ser parente do Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão, também foi amigo de infância de Quincas Alçada. Reencontraram-se, então, o que muito contribuiu para que os laços de amizade e apreço entre Quincas Alçada, Policarpo Golfão e os Rumecões fossem estreitados. Pe. Salviano contou a Quincas ter sido ajudado por dona Eponina, sua madrinha que, em carta ao parente Ouvidor indicou-lhe Salviano como padre para a colônia. Quincas confidenciou que também chegara à colônia graças à bondade do primo Policarpo Golfão. (Todos são oportunistas. É deste fio que se formará o tecido social brasileiro.) Sabendo que Policarpo havia sido condecorado com a medalha de capitão-mor, Padre Salviano julgou por bem levá-lo a visitar seu tio-avô, o Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão, em cuja casa habitualmente esse padre se hospedava. Depois da escolha de quinze bons negros para escravos, fortes como animais, rumaram para a casa do Ouvidor, conhecida na Bahia como o Solar dos Sete Candeeiros. Assim que chegaram ao solar, Policarpo viu Liberata, a filha solteira do Ouvidor e logo se sentiu atraído pela beleza desta moça. O Padre, observando que a moça prendia a atenção de Policarpo, explicou-lhe quem ela era. A moça desapareceu, enquanto o Padre mandava um escravo da casa guardar seus pertences num quarto do Solar dos Sete Candeeiros, onde costumava se hospedar. Foram recebidos pelo Ouvidor, muito solicitamente. Enquanto isto acontecia, Policarpo tinha o pensamento voltado para a bela jovem que havia visto. Conversaram sobre a colônia, sobre os preços dos escravos de um modo geral e do tempo requerido para o translado África/Brasil: mais ou menos quatro meses. Os negros chegavam em boas condições, na maioria das vezes, o que gerou uma carta do próprio Príncipe D. João, enviada ao então Governador, Francisco da Cunha Menezes, louvando a excelência deste surto de progresso no tráfico de escravos na Bahia. (Ironia do autor ao realçar um feito tão vil dos portugueses. É como se a carta de um Rei pudesse legitimar ato tão desumano). Concordando com o que dissera o Vice-Rei, Conde de Sabugosa em 1731, Policarpo reconheceu, durante sua conversa com o Ouvidor-Geral, que sem escravos, a colônia não poderia desenvolver seu trabalho na lavoura das fazendas de cana, tabaco e roças de mandioca. Policarpo comprou dez escravos do Ouvidor e cinco do Padre Salviano, todos provenientes do Salve-Rainha. O padre ficou feliz, pois todos já haviam sido batizados e, portanto, já tinham nomes de gente (crítica à aculturação do negro pelo europeu – além da crítica à escravidão). Herberto Sales chama a atenção do leitor para um molecote chamado Estevão e demais mulheres e homens jovens que sorriam em subserviência ao seu senhor (Policarpo). O Padre Salviano Rumecão disse a Policarpo enquanto observava os negros: "Agora é casá-los. Vão procriar, fácil e muito. Com dois casais desses produz-se toda uma escravatura." Os negros sorriam porque aprenderam que deveriam sorrir quando o padre lhes sorrisse. Havia uma escrava jovem que, por ser bela, Policarpo guardou o seu nome: Gertrudes. O autor antecipa que ela haveria de se tornar muito conhecida, mais adiante. (É marca do romance antecipar fatos e avisar da importância de certas personagens). Policarpo Golfão soube que sua sesmaria ficava situada numa região – Monte Alto – onde um irmão de Liberata – Sezefredo Rumecão – amante do campo e das letras, chamado na região de O Fidalgo, administrava uma fazenda do seu pai, produtora de cana-de-açúcar e fumo. Isto lhe foi dito pelo Ouvidor-Geral. Quando saiu, neste dia, do Solar dos Sete Candeeiros, Policarpo vislumbrou Liberata à distância e teve a certeza de amá-la. Chegando à pensão de Almeidão, o Capitão-Mor tomou conhecimento de que Rosa, esposa do Almeidão, era íntima de Liberata, pois era sua costureira. Coberto de honradez, propôs a Rosa – mulher muito digna – que levasse até à donzela uma carta de amor, pedindo-a em namoro. Policaro e Quincas saíram da hospedaria de Almeidão para viajar, mas antes o Capitão pagou regiamente sua estada por lá. Antes da partida assistiram à missa na Sé, oficiada pelo Padre Salviano, que se queixava de más notícias. O Rei de Portugal havia mandado adaptar (limitando) a lotação dos navios negreiros a depender da capacidade de cada navio. Obviamente, o padre ficou possesso, porque, pelas leis do Reino, não poderiam mais trazer homens amontoados; trariam apenas aqueles que pudessem ser transportados com um mínimo de condição de sobrevivência. (Forte crítica à Igreja, visto que o padre ficou contrariado com o prejuízo). Notar a pressão da Inglaterra sobre a Metrópole. Depois deste contato com o padre, Policarpo, Quincas e Almeidão foram se encontrar com um homem – Mestre Manoel – um competente navegante que singrava as águas da Baía de Todos os Santos. Um descendente desta personagem está no romance Jubiabá, de Jorge Amado (intertexto). Interessante é notar que Herberto Sales é autor neomoderno – publicou Os Pareceres do Tempo em 1997 , enquanto Jorge Amado é autor da 2a fase moderna, tendo publicado o livro Jubiabá em 1935 . Como Herberto Sales ambienta o seu romance no século XVIII, e Jorge Amado no século XX, apesar da precedência literária da publicação de Jorge Amado, num fingimento poético, Herberto Sales diz que "o seu" Mestre Manoel é antecedente dos demais. Caracteriza-o como um português que vivia amigado com uma mulher negra (sua escrava, de nome Maria). Tinham seis filhos, dentre os quais apenas um era homem: Manoelzinho, uma criança já afeiçoada às artes da navegação –. Mestre Manoel disse aos conterrâneos que aquela era a sua Maria – concubina com quem procriava a sua prole baiana, em doce mestiçagem (referência às nossas matrizes étnicas, à formação do povo brasileiro). Policarpo estranhou o nome do barco "Viajante sem Porto". O Mestre disse-lhe que este era o nome de um outro barco que pertencera ao seu pai. Confessou a Policarpo desejar que seu único filho homem, Manoelzinho, seguisse a tradição da família. (Na verdade literária, esse desejo se transforma em realidade, haja vista que o Mestre Manoel, personagem de Jubiabá, é descendente deste navegador que aparece em Os Pareceres do Tempo). Os escravos comprados por Policarpo Golfão foram trazidos acorrentados pelas ruas – costume da época – até o barco do Mestre Manoel; eram puxados pelo capitão do mato de Teodoro Rumecão, homem incumbido de levá-los e deles tomar conta até chegarem à embarcação. Quando chegou ao barco, Policarpo se encontrou com um primo do Mestre Manoel, o José do Vale, que, a partir daí, seria o Capitão do Mato de Policarpo Golfão. Seguiram viagem. O autor, num exercício lúdico, deseja que num futuro que há de vir ("Praza Deus": linguagem dos cronistas portugueses) possa haver um escritor que se encante com as belezas da Bahia e cante-as divulgando-as mundo afora. "Prevê" a possibilidade de esse poeta falar talvez de um novo "Viajante sem Porto" e de um novo Mestre Manoel, – isso acontece com Jorge Amado, em Jubiabá –. Assim, a "previsão" de Herberto, na verdade, é uma "pós-visão". Os viajantes chegaram à Cachoeira, onde haveriam de tomar outra embarcação mais tarde. Mestre Manoel retornou, enquanto os escravos foram para uma senzala pública, amarrados por cuidado e uso. Um espanhol, chamado De La Vara tomaria conta dos negros enquanto os demais ultimariam preparativos para seguirem viagem. Passaram-se nove dias entre compra de animais e objetos necessários à instalação da casa na sesmaria. Contrataram o Mestre de Obras Joaquim Dinis e mais um auxiliar de Capitão do mato, o Bertoldo, português da Ilha da Madeira. O filho do Joaquim Dinis, Serafim, também viajaria na comitiva. O padre Rapalho, exímio pregador contra o Demônio no Recôncavo, benzeu a comitiva e partiram com cavalos e carros de bois repletos de mantimentos e escravos muito apertados. Transcorridos vinte e cinco ou trinta dias, chegaram à Vila de Monte Alto. O jesuíta, Padre Gumercindo, há muito se ocupava da pacificação dos índios maracás, habitantes deste território. Esse padre, português da Companhia de Jesus, mostrava-se bondoso com os índios, mas exercia sua bondade com sabedoria medida para pacificá-los. O padre Salgado era também seu aliado. Policarpo visitou Sezefredo Rumecão, o Fidalgo, na companhia do padre Gumercindo. Ficaram amigos e o Fidalgo disse conhecer as terras da sesmaria de Policarpo que faziam divisas com as suas em Cuia d’Água. Foi convidado a pernoitar com o Fidalgo, juntamente com os padres, na agradável residência de Sezefredo. O Fidalgo acompanhou Policarpo, na manhã seguinte, a uma visita pelas terras da Vila. Ao ouvir o badalar dos sinos da missa, Policarpo, contrito, prometeu a si mesmo mandar construir uma igreja naquele local. Parando sobre o vale das terras de Policarpo, observaram ser aquela a vista mais bela da região, coberta de arbustos em flor. Em especial havia um imenso pé de Ipê Amarelo que, florindo, cobria o chão como tapete natural. Policarpo encantou-se pela árvore e resolveu ao lado dela construir sua casa, no alto de uma bela colina. Notava-se, nas terras, uma trilha e Sezefredo disse a Policarpo que Liberata ficava horas a apreciar a paisagem junto ao Ipê quando ali esteve a passeio. A coincidência tocou fundo o coração apaixonado de Policarpo. Conversaram sobre pecuária, uma das fixações do Capitão-Mor. Disse o Fidalgo que tinha algum gado em suas terras, bem como pastagens. Policarpo avistou do alto algumas cabanas indígenas em suas terras. Reclamou e ouviu do Fidalgo que nada havia o que temer. Eram índios pacificados pelos jesuítas. Antes, eram ferozes, atiravam e matavam muitos portugueses ilustres, mesmo tendo estes apresentado aos silvícolas seus documentos de posse de terra cedidos pelo Rei. Policarpo reconheceu o trabalho nobre executado pelos jesuítas. Mesmo assim, ainda ficou temeroso frente aos silvícolas, até saber que a maioria dos fazendeiros tinham índios como trabalhadores de suas terras, trabalhando em sistema de "meia", embora julgassem os negros mais rijos. Começaram as obras de construção da casa, que em pouco tempo ficou pronta. Apesar de ter trazido dinheiro suficiente de Portugal, Policarpo passaria por apertos financeiros, pois era perdulário e gastava sem reservas. O Fidalgo, pouco a pouco, vai enredando Policarpo em dívidas, deixando para receber o que fornecia ao Capitão-Mor em outra ocasião. Trazia para Policarpo gado e demais objetos para a construção da casa, sempre insistindo que o pagamento fosse deixado para depois. Sem o saber, Policarpo estava sendo vítima de uma trama do Fidalgo que intentava deixá-lo empobrecido para que tivesse necessidade de vender (ao Fidalgo) parte das terras mais produtivas da sesmaria, dotadas de reservas de água em profusão. O Capitão-Mor tornava-se bem quisto nas redondezas, pois era pródigo. Quando passeava pela vila montado em um belo cavalo, era uma figura carismática, o que fazia o povo cantar ao vê-lo: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão" O capitão foi conhecer o acampamento dos índios que, cabisbaixos, saudavam o chefe, receptivos, embora houvesse uma certa tensão no ar. Trabalhavam na lavoura e já haviam sido batizados. Policarpo comunicou a Quincas Alçada, reservadamente que Quincas precisava partir para a Bahia. Entregou-lhe uma carta atada a um laço. Pediu-lhe que fosse entregue a um homem de confiança. Sabia que esta carta, passando por Almeidão e Rosa, chegaria a Liberata. Tudo em segredo. Ele havia resolvido escrever à donzela Liberata, reiterando seu amor e prometendo ir à Bahia, mais tarde, a negócios como dizia, mas sabia que era para vê-la. Partindo Quincas, Policarpo assumiu sozinho o comando da fazenda. Tudo transcorria normalmente. Uma das escravas, a Gertrudes, fazia queijos na cozinha quando foi assediada por Policarpo que, atônito, via em Gertrudes a amada Liberata. Chegaram a se beijar mas Policarpo saiu assustado pela queda moral por que passara. Aproveitou Policarpo o tempo para estreitar laços com os maracás. Padre Gumercindo, muito próximo dos índios, apresentou-o como o legítimo dono das terras onde habitavam os maracás. O Fidalgo sempre se aproximava para apreciar as terras de Policarpo. Embora não demonstrasse, nutria muita inveja por elas. Durante a construção da casa, um trabalhador de Policarpo foi picado por uma cobra. Ao tentar matá-la o capitão se desequilibrou emocionalmente, demonstrando extremo pendor para a violência. Esse aspecto da personalidade do Capitão-Mor ficará patente no clímax do romance. Padre Gumercindo chegou para apresentá-lo aos maracás como senhor deles. (Há forte crítica à Igreja Católica). Um índio – Nicodemus – (ex-Siminu), por entender a língua dos brancos, serviu como porta-voz de Policarpo. Disse aos outros índios o que o padre desejava e Policarpo queria que os índios ouvissem. "Este é o seu Senhor, ele é bom; deverão plantar em meia; se houver sobra na lavoura, ele comprará." Depois de algum tempo chegou à Cuia d’Água o Quincas com uma carta de Liberata aquiescendo com o namoro. Policarpo resolveu ir à Bahia de repente, logo após a festa da cumeeira. Os índios compareceram à festa junto com os negros. Desconfiados, os índios não dançaram durante os festejos da casa grande, ao contrário dos negros que cantavam e dançavam, usando cânticos africanos. Durante esta festa, Quincas se aproximou da bela índia Iuru. Perguntou a Nicodemus quem era ela (aqui, ele não é citado como ex-Siminu, como se houvesse reagido e se tornado de novo índio frente à ameaça à honra da índia-irmã). Nicodemus disse: "Ela é filha da índia Iacina. É minha irmã". Quincas costumava sumir, atrás da índia Iuru. A vida continuava a mesma, com escravos sendo castigados pelo capitão do mato. O negro Estêvão demonstrava nutrir uma paixão por Gertrudes, que nada demonstrava sentir por ele. Esta negra revelava uma paixão mal contida pelo patrão, e Estevão percebeu isto guardando rancor frente a esta trama urdida pelo destino. Estêvão notou a paixão de Gertrudes, ressentiu-se, mas nada pôde fazer. Apenas existia a revolta e a inveja. Um dia, Quincas foi ao aldeamento dos maracás e chegou à cabana de Nicodemus (ex-Siminu). Sabia que ali encontraria Iuru (batizada Joana). Não a encontrou e soube por Iacina que a índia fora ao rio pescar. Quincas a procurou, perguntou se queria se casar com ele e ela procurou fugir dele, dizendo ser ele homem branco. Mesmo que quisesse, não poderia se casar com um branco, pois a tribo não aceitaria. A índia fugiu como animal assustado, e Quincas ficou cada vez mais ligado a ela. Depois de algum tempo, houve a festa de Senhor dos Passos, à qual todos compareceram. A imagem da índia perseguia Quincas, enquanto Policarpo dividia-se entre a idealização de Liberata e a lascívia que nele despertava a negra Gertrudes. Policarpo viajou à Bahia sem deixar claro o motivo. Precisava resolver coisas urgentes. A sesmaria ficou sob o comando de Quincas. Ao chegar a Salvador, o capitão procurou Liberata e teve alguns encontros com ela na Igreja da Barroquinha. Ele queria pedi-la em casamento. Policarpo pretendia trazer tropas de gado do Piauí e Maranhão em parceria com Garcia D’Ávila. Fez contato com Garcia D’Ávila e planejou viajar com vaqueiros levando Almeidão que, em virtude de o tráfico de negros estar em baixa, viu a chance de ficar rico com o gado tropeiro. Policarpo se encontrou com Liberata e o amor puro dos dois cresceu. O Capitão-Mor saiu em longa viagem, foi bem sucedido nos negócios e retornou mais rico. Todos estavam bem de dinheiro. Policarpo doou ao padre Salviano grande soma em dinheiro para que ele fosse a Roma encomendar uma grande imagem de Senhor dos Passos. Policarpo, agora, resolveu pedir Liberata em casamento. Ouviu de Teodoro Rumecão que a moça já estava prometida a um primo, médico, em Portugal. Decepcionado, tramou a fuga com ela. Pediu a Rosa, esposa de Almeidão, que fizesse um enxoval perfeito para uma sobrinha (de Policarpo) que vivia em Portugal. Disse a Rosa que a moça tinha o corpo de Liberata e que a costureira poderia tomar por ela a medida e o gosto. Pagou antecipada e regiamente a Rosa que se esmerou, crendo no Capitão. Policarpo tentou agir de outra forma. Recorreu aos tios de Liberata mas nada resolveu. O pai da moça não permitia o casamento. Ela, muito consciente de sua situação, fugiu da casa dos pais, durante uma madrugada, montada num cavalo com o amado. Como ele a respeitasse, ela ficou hospedada num convento até correrem os papéis para o casamento. Afinal, casaram-se e só depois disto tornam-se realmente marido e mulher. A felicidade durou pouco, pois Liberata soube da morte do pai (de desgosto), ainda durante a sua lua-de-mel. Apesar disto, mantiveram-se unidos e se amando. Partiram para Cuia D’Água. Quando passaram pela Vila, chamaram a atenção dos moradores sem saber por quê. Chegando à fazenda encontraram tudo devastado. Campos destroçados, a casa queimada, os escravos haviam fugido e os índios destruíram com furor o que puderam. Dos empregados, ficaram apenas Gertrudes e o Capitão do Mato José do Vale. Policarpo caiu numa prostração jamais vista; sua ira era imensa. O Capitão do Mato João do Vale contou o ocorrido: os índios encontraram Quincas Alçada com Iuru. Levaram a índia, mataram Quincas e puseram fogo à casa grande. Todos os escravos aproveitaram para fugir, exceto Gertrudes (por razões bem particulares) Policarpo entrou em choque e Liberata se mostrou uma mulher forte. A partir de agora, com humildade, Gertrudes ajudou à senhora. Policarpo chorou a morte do primo que tinha como irmão e prometeu uma vingança contra os maracás jamais pensada. Neste meio tempo, o Fidalgo mandou-lhe cobrar o que era devido. Policarpo transtornou-se. Mandou construir um túmulo suntuoso para o primo e arregimentou homens para saírem em caça aos maracás. A partir daí, vai gastando todo o dinheiro (e era muito) de que dispunha. Saiu em várias expedições deixando Liberata cada vez mais só. Quando passava, o povo cantava essa melodia: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Com Liberata no coração" Liberata engravidou e requereu para si duas pessoas que lhe faziam companhia e o enxoval. Policarpo voltava cada vez mais possesso das expedições, pois apesar de chegar perto, não conseguia pegar os índios. Gastou muito nestas empreitadas e tomou-as como obsessão. Liberata se sentia mais só e triste. Contou com os empregados e com a fidelidade de Gertrudes. Policarpo foi obrigado pelo Fidalgo – neste momento de relações rompidas – a ceder uma parte de suas terras para quitar dívidas que foram contraídas anteriormente. Ficou desolado. Saiu, um dia, numa outra expedição. Encontram um índio que, forçado, levou-os ao acampamento dos maracás. Policarpo conseguiu a sua vingança, pois foi ele quem matou o índio Siminu – "agora sou Siminu ; Nicodemus é nome de branco". Ateou fogo no aldeamento, destruindo tudo. Retornou exultante, muito embora tivesse sido ferido numa perna, o que lhe deixou uma manqueira como seqüela. Ao chegar em casa soube da tragédia que se abateu sobre ele. Liberata dera à luz dois meninos: Braulino José (nome do seu avô paterno) e Joaquim (nome do saudoso Quincas Alçada). Não resistira à série de desenganos; enfraquecida, morrera poucos dias após o parto, sem rever o amado. Policarpo, enlouquecido de dor, não sabia o que fazer. Soube que o Fidalgo dera assistência à irmã. Grato, procurou-o e ele recusou-se a falar com Policarpo. Abatido, envelhecido, Policarpo se dedicou a prestar uma homenagem à morta: mandou erguer um rico mausoléu para a amada. O ferimento na perna de Policarpo se agravava. Ele não conseguia cuidar dos filhos que ficaram sob a proteção de Gertrudes – agora,governanta da casa e sua comadre, para impedi-lo de ser tentado. Recebeu finalmente a imagem de Roma. Houve intrigas para que a Igreja prometida não fosse erguida,pois a família de Liberata estava ressentida com o Capitão e era muito influente junto à Igreja, o que fazia que os padres se opusessem à construção de uma igreja dentro de um território particular (crítica à Igreja Católica, parcial, mestra na arte de jogos de interesse). A música popular mudou: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Levando com devoção A sua igreja no coração" Gertrudes passou de escrava a gerente dos bens de Policarpo, mostrando-se uma personagem evolutiva. Cuidava das crianças como se fora sua mãe. A igreja foi se erguendo aos poucos. Policarpo refugiou-se em suas lembranças, preferindo a companhia do Ipê. Um dia, Policarpo sentou-se sob o Ipê Amarelo florido. Abriu as mãos como para abraçar as flores e foi encontrado morto. Nos registros finais, o autor finaliza o romance elucidando, neste epílogo, o que aconteceu com as personagens principais envolvidas na trama. Retorna, então, ao presente, e, numa espécie de "vôo panorâmico", percorre, hoje, os locais que serviram de palco para a trama romanesca, dando-nos o resultado do que "viu" por lá. O autor resume assim o final: Policarpo deixou seu testamento numa cômoda, no "quarto da finada". Lá, havia uma cópia para o Pe. Gumercindo e outra para Gertrudes. Nesta carta-testamento, Policarpo deixava uma quantia em dinheiro para que os dois concluíssem a construção da Igreja de Senhor dos Passos em Cuia D’Água. Também orientava os dois no sentido de levantar fundos, com a venda de terras e gado, caso necessitassem de mais dinheiro para a conclusão da obra, o que não foi necessário, pois Gertrudes se empenhou em fazer que a construção continuasse com a organização que era peculiar a esta personagem. Em pouco tempo a construção ficou pronta. A Igreja demorou de ser inaugurada, porque o bispo da diocese, D. Abelheira, era amigo fiel de Theodoro Rumecão e do Fidalgo. Guardava, por isso, rancor de Policarpo e usou a sua força para impedir que a Igreja fosse reconhecida, alegando que se tratava de uma construção particular, não cabendo ao Vaticano tomá-la como entidade cristã, a si vinculada diretamente. O Pe. Gumercindo, por ter se empenhado na construção e legitimação da Igreja, foi transferido para a paróquia de Caixa-Prego. Segundo vontade expressa de Policarpo, seu corpo foi enterrado no pequeno cemitério da fazenda, junto com a sua inesquecível Liberata. As regiões de Monte Alto e Cuia d’Água acabaram se fundindo numa só cidade. Ao centro desta cidade numa praça que traz o nome de Policarpo Golfão, hoje está situada a Igreja de Senhor dos Passos, erguida pelo Capitão. Os filhos de Liberata e Policarpo tiveram destinos diferentes: Joaquim Rumecão Golfão foi mandado por Gertrudes à Cachoeira e depois à capital para estudar. Não se formou. Foi boêmio e retornava a Cuia D’Água para vender seu patrimônio. Acabou morrendo tuberculoso num sanatório em São Paulo. Braulino José Rumecão Golfão foi estudar na capital, formou-se advogado mas jamais exerceu a profissão. Retornou depois a Cuia D’Água amancebou-se com uma índia maracá, com quem depois se casou (após o nascimento do oitavo filho). Viveu ali até os 132 anos. Meses após seu depoimento ao autor, morreu e hoje, como seu pai, sua mãe e Gertrudes, encontra-se enterrado no cemitério da fazenda em Cuia D’Água. Personagens Principais Policarpo Golfão: recebe uma sesmaria na região de Cuia D'água, no interior da Bahia. Foi uma forma que o governo Português encontrou para idenizá-lo pela morte do pai. Joaquim Manuel Alçada Golfão(Quincas Alçada): Primo de Policarpo, vem com ele ao Brasil. Se apaixona pela índia Iuru. Almeidão: dono de pensão, e depois se torna sócio de Policarpo em negócios de gado. Teodoro Rumecão: ouvidor-geral e pai de Liberata. Liberata: mulher amada por Policarpo. Padre Salviano Rumecão: sobrinho de Teodoro Rumecão, traficava escravos. Sezefredo e Vitorino Rumecão: negociantes de escravos e donos de uma olaria. Padre Gumercindo e Salgado: responsáveis pela catequese dos índios. Nicodemos: índio que foi batizado, pela catequese, e passa a se chamar Sinimu. Assassina Quincas Alçada. Iuru: índia por quem Quincas se apaixona, era irmã de Nicodemos. Garcia D'Ávila: homem mais rico e o maior proprietário de terras do Brasil. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Dora aparece andando, olhando sapatos.
Logo após, Dora chega em casa, e encontra seu pai (muito bem vestido), cumprimenta-lo e vai para seu quarto.
No outro dia, Dora estando em casa, surpreendeu-se, Joel seu pai havia chego em casa mais cedo do trabalho, Cleuza sua mãe também ficou surpresa, olha para Joel, ele faz apenas um gesto com a cabeça.
Cleuza: Dora e André subam já para o quarto.
Dora: Não mãe, eu quero saber o que está acontecendo.
Cleuza: Suba para o quarto, Dora (irritada).
Dora subiu para o quarto e ficou lá.
(Os pais de Dora começam a discutir)
Certa vez (todos)...
Dora chega em casa ansiosa da escola:
Dora: Mãe olha só, é um folheto de uma viagem para a Disney, minhas amigas todas vão e eu quero ir junto.
(Cleuza olha tensa para Joel)
Cleuza: Não vai dar Dora
Dora: Como não vai dar?
Cleuza: Não dá, nós temos que economizar.
Dora: Economizar?
Cleuza: Seu pai perdeu o emprego.
Dora ao ouvir isso teve um choque, lembrou do que vira na televisão, as pessoas roubando e brigando, pessoas pobres e desesperadas.
Passando-se alguns dias, (a família de Dora entra e muda os nomes do cenário):
Cleuza: Pronto aqui será a nossa nova casa.
Dora faz cara de nojo, como se não gostasse daquilo.
Dora vai a sua nova escola, senta-se na carteira do fundo, repara nos colegas, olha a tatuagem de um, percebe que ele a encara, ele se aproxima:
Tigre: Você é nova aqui, não é? Qual o seu nome?
Dora: Dora
Tigre: O meu é Teo, mas, todos me chamam de Tigre; Dora o ignora, não quis nem tentar conversar.
Em uma festa...(todos)
Dora estava desanimada, Tatiana sua amiga, apresenta Gui, um rapaz alto, Gui tenta puxar conversa com Dora:
Gui: Oi
Dora: Oi
Gui: Você é nova aqui?
Dora: Sou
E assim eles começaram a conversar, ele com Dora foi muito simpático, ele parecia ser uma pessoa diferente, mas, ele fumava baseado, Dora teve medo de perder Gui se não fumasse, afinal, ela gostava dele, fumou, sentiu uma sensação estranha, gostou, no final eles acabaram se beijando, conversaram mais um pouco e depois cada um foi para sua casa.
Depois de um tempo, Dora continuava ignorando Tigre, Dora e Gui continuavam fumando, sempre que um tinha um baseado dava para o outro. Gui apresentou Naldo, um amigo dele, Naldo e Dora se tornaram amigos também, Naldo sempre apresentava vários tipos de droga (Dora exitava, mas, depois aceitava).
Certa vez, Dora ao chegar em casa, viu sua mão com um rapaz.
Cleuza: Oi Dora, não vai acreditar, eu arranjei um emprego.
Dora: Que bom mãe, quem é ele?
Cleuza: Bem, este é Paulo, meu namorado.
Dora: O quê?
Cleuza: Nós nos conhecemos na imobiliária onde eu começarei a trabalhar (cara de espantada).
Dora não gostou nada, mas, teve que aceitar; enquanto isso ela continuava fumando, cada vez mais dentro da droga, mas, desta vez o dinheiro começou a faltar, a compartilharção que havia entre Naldo, Gui e Dora não existia mais; eles começaram a vender alguns objetos que tinha, Dora vendeu um colar que sua mão tinha, mas, o dinheiro não foi o suficiente, começaram a assaltar carros, roubar o som, depois vendiam para comprar Crack. Certa vez, em um assalto a carro, deu tudo errado, Dora estava pegando o rádio quando Guio puxou ela para baixo. Dora percebera que havia alguém atirando; Gui levou um tiro no peito, Dora aproveitou e subiu na moto de naldo, teve pena de Gui, não queria deixar ele ali, mas, não teve escolha. Chegando em frente da casa de Dora, Naldo deixa umas pedras de Crack e vai embora.
Dora entra em casa, combina com o irmão para falar para sua mãe que chegou às 9 horas e vai dormir.
No outro dia Dora acorda com os gritos de Cleuza, ela imediatamente se levanta e abre a porta.
Cleuza: Dora, onde você esteve ontem à noite?
Dora: Eu fui a uma festa com uns amigos e cheguei às 9 horas.
André que acabara de chegar no quarto confirmou com a cabeça.
Cleuza: Tem uma pessoa lá em baixo querendo falar com você.
Descendo as escadas
Dora: Oi (comprimenta o rapaz distraído)
Rapaz: Oi
Dora: Você queria falar comigo?
Rapaz: Sim, ontem à noite, Gui levou um tiro no peito ao tentar assaltar um carro junto com mais um rapaz e uma garota que, segundo as testemunhas, se encaixa perfeitamente em você, também junto de Gui foi encontrado pedras de crack.
Dora: Mas...
Rapaz: Não me venha com discursos Dora, eu sei muito bem que era você.
O rapaz se retirou, Cleuza ficou apavorada, começou a gritar com Dora, Dora revidava no mesmo tom de voz.
Passando um tempo...
Cleuza falou para Dora...
Cleuza: Dora, seu pai, seu avô e eu decidimos que é melhor internar você em uma clínica.
Dora: O quê, vocês estão me chamando de viciada, que não sabe se controlar, tenha a santa paciência e...
Cleuza: tenha a santa paciência digo eu, sua ingrata, nós te oferecemos essa chance e você ainda recusa, seu avô vai ter que vender a casa dele para pagar essa clínica, e tu ainda me diz tenha a santa paciência.
E aí começou a discussão de novo, mas, não houve jeito, ela teve que ir para a clínica.

Ao chegar em casa, sentiu-se livre, longe das drogas, como era bom ver que ela não dependia mais da droga. Mas certa vez, indo à casa de um amigo que conhecera na clínica, não resistiu, e experimentou um baseado, a partir daí começou tudo de novo.
Certa vez Cleuza a pegou fumando no quarto, foi a maior briga, Paulo se intrometeu no assunto, pegou as drogas de Dora e tentou jogar no vaso do banheiro, não conseguiu, Dora pegou uma tesoura e enfiou nas costas de Paulo, pegou as Drogas e fugiu de casa.
Dora foi para casa de um amigo, Elias:
Dora: Oi
Elias: Oi Dora que prazer, quanto tempo, qual foi à última vez que nos vimos?
Dora: Acho que foi na casa de Naldo.
Elias: Bem vamos entrando
A casa de Elias era simples, ele morava com outras pessoas junto, que compravam drogas dele.
Dora: Elias, eu fugi de casa e estou precisando de um lugar para morar, será...
Elias: Mas é claro que você pode ficar aqui, não é muito aconchegante, mas, da pro gasto.
Dora: Muito obrigada.
Elias: Imagina, o quê a gente não faz pelos amigos.
Elias depois de um tempo acabou sendo morto, Dora sabia que ele devia um dinheiro, para uns caras, mas, a ponto de matar ficou imaginado. O bom disso foi que ela reencontrou Magda, que, por incrível que pareça, também caiu nas drogas; Magda estava com rosto pálida e muito magra, Dora percebia que ela não conseguia se controlar mais nas drogas.
O tempo passou, Magda havia desaparecido, Dora ouviu o barulho da polícia passando pela rua, já estava acostumada, os policiais sempre ligavam a sirene para passar mais rápido entre os carros, desta vez não, os policiais pararam carro subiram as escadas e pegaram Dora, por trás dos policiais vinha, o pai de Magda, que olhou para Dora e disse:
Pai: Você aqui? Só podia ter sido você quem trouxe minha filha para este caminho, Magda foi vista por um tio aqui perto, ela foi internada em uma clínica, por isso, se afaste da minha filha.
E se foram, sem ao menos deixar Dora falar. Uns rapazes que também moravam na casa expulsaram Dora da casa, pensando que com ela estavam correndo o risco de serem presos.
Dora ficou sabendo que haveria uma missa para o Elias, foi e lá encontrou a mão de Elias, que ofereceu uma casa para morar. Dora não aceitou, queria ser livre não queria ser presa do mesmo jeito de quando morava com Cleuza, Paulo e seu irmão. Foi morar nas ruas, começou a se prostituir, ganhava um bom dinheiro que dava para comprar pedras de crack.
Encontrou também uma família que morava nas ruas, começou a andar com eles e a vender frutas nos semáforos, como eles faziam. Isso até Magda novamente aparecer drogada pelo caminho, a família não gostava de Magda, ao perceber que Dora era amiga de Magda não quis mais saber dela.
Dora foi morar com Gui, em uma casa onde ele estava morando com uma mulher que fazia pedras de crack. Teve que continuar se prostituindo para poder comprar pedras da mulher, Magda queria ajudar, mas, Dora não deixava.
Certa vez, Dora chegando na casa, não encontrou Magda, perguntou para a mulher:
Dora: Onde está Magda?
Mulher: Saiu por aí ganhar dinheiro?
Dora: e por quê você deixou?
Mulher: Ela sabe muito bem o quê faz, e eu não vou ficar cuidando dela.
Dora: quer saber, você queria mesmo que ela sai-se as ruas se prostituir, afinal, é você que vai ganhar o dinheiro mesmo.
Mulher: Cala essa boca garota.
Dora, Não calo, e eu estou falando uma verdade.
A mulher ficou muito brava e mandou Dora sair daquela casa; Dora saiu, não sabia o quê fazer; depois de uns dias, ficou sabendo que Magda dói estrupada e depois morta, foi um choque, quando ouvir isso tomou uma decisão, resolveu mudar, sair das drogas, procurou a única pessoa que lhe ofereceu ajuda nessa história, a mãe de Elias:
Mãe: Dora!
Dora: Oi
Mãe: Que bom que você veio, estava tão preocupada, eu rezava todos os dias para você voltar.
Dora deu um sorriso
Mãe: Venha Dora, eu vou preparar um bom banho para você.
Dora entrou no banho, foi muito agradável, há muito tempo não sentia uma sensação tão boa, depois do banho, havia uma cama pronta para ela dormir, se deitou e dormiu como uma pedra. No outro dia acordou com uma surpresa, Cleuza estava ali:
Mãe: Eu encontrei um endereço nas tuas roupas e achei melhor ligar para lá.
Dora se sentiu traída, mas, achou melhor já que queria se recuperar.

Meses se passaram, Dora estava saindo da clínica, se sentiu bem, não queria entrar nas drogas de novo, foi convidada a ir a uma festa na casa de Naldo, mentiu para Cleuza que estava indo a uma festa com as amigas do shopping, onde trabalhava agora, foi, lá foi convidada a fumar de novo, teve vontade, mas, se lembrou do que o doutor da clínica “cada segundo, cada minuto, cada hora é uma vitória” e recusou.
Saindo da festa, encontrou Tigre que a convidou para sair, Dora aceitou, começou a conversar com ele, agora ele não parecia tão chato com era antes, agora Dora tinha uma certeza: Estava começando uma nova vida.
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GARCIA, Regina L. Revisitando a Pré-escola. 3.ª edição. São Paulo: Cortez, 1997.

Este livro discute uma proposta política empenhada em democratizar o acesso aos bens culturais.

O VALOR DAS INTERAÇÕES SOCIAIS PARA A APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA

As interações sócias estabelecidas entre as crianças e destas com os adultos podem contribuir pra emergência de conhecimentos mais complexos durante o processo de aprendizagem. É a teoria de Vygotsky que orienta esta investigação.
No final da década de 80, a alfabetização vem sendo pensada numa perspectiva de valorizar a construção do conhecimento da leitura e da escruta, dando importância a interação social como motor dessa construção, apropriando-se de diálogos, interlocução e confronto de pontos de vista entre sujeitos envolvidos neste processo.

Uma Experiência de alfabetização na Abordagem Sócio-Interacionista
Esta baseia-se na proposição de atividades significativas e desafiadoras que favorece o emergir dos conhecimentos e amplia o universo simbólico dos sujeitos.
Trabalhar na produção coletiva de textos, investigando o cotidiano da sala de aulas e as interações sociais m esta fundamentada no pressuposto de que as crianças antes de ingressarem na escola já detêm um conhecimento do sistema lecto-escrita. Como coloca Teberosky, as crianças não são totalmente iletradas, por isso mão saber ler e escrever e desconhecer padrões formais do sistema da escrita não são motivos pra que a escola se esquive de trabalhar com textos.
Para isso deve se analisar os processos interacionais estabelecidos entre parceiros e adulto como: repetição, associação, percepção de que a escrita serve para registrar a fala.
Durante o processo interacional compartilhar repetições, mesclá-las a diferentes formas de associações são comportamentos presentes no decorrer da construção de texto. Repetir intui-se assegurar-se do saber, imitando e reafirmando a idéia do outro. Essa imitação verbal na perspectiva walloniana consolida o colocado no grupo.
A estratégia de associação revela um outro modo de apropriação do conhecimento, trazendo o conhecimento formal par aperto de si. Na perspectiva piagentiana a atitude de associar revela uma tentativa de acomodar o conhecimento que esta tendo acesso.

A Escrita vista Pelos Alfabetizandos como Instrumento de Registro da Fala
O processo interacional incentivado em sala de aula contribui para o conhecimento da construção do conhecimento, contribuindo de modo significativo para que a escola exerça com maior propriedade a sua função, isto é, seja capaz de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade de maneira vida e interessante.m melhorando a qualidade do ensino no processo de alfabetização.

A CRIANÇA DA EDUCAÇÃO INFANTIL E O MUNDO LETRADO
A criança vive numa sociedade letrada muito antes de entrar na escola. A aquisição da língua escrita é imprescindível para que ela tenha ampliada as suas possibilidades de entender e intervir na realidade. Entretanto, nem todas apresentam interesse pela alfabetização durante a educação infantil, pois ainda não estão motivadas. A criança quando motivada quer entender como se escreve e lê certa palavra e se torna capaz de construir suas categorias de pensamento, organizar suas idéias e assim entender o que deseja.

A Alfabetização na Educação Infantil
Antes dos anos 70, acreditava-se que as crianças não possuíam nenhum entendimento ou conhecimento com relação a escrita.
A realidade atual nas escolas infantis esta muito diferente daqueles descritas nas décadas passadas. Sabemos que as crianças não precisam freqüentar uma escola para terem contado com a escrita, portando, a criança convive com a leitura e escrita em todos os momentos, manejando historias infantis, lendo embalagens, observando outdoors, propagandas, vitrines, entre outros. Quanto mais se oferecer a criança o contado com diferentes linguagens, maior será seu universo cultural. As escolas precisam estar atentas ao momento certo de começar a introduzir a alfabetização.
O desenvolvimento da linguagem escrita não é a única razão de ser da educação pré-escolar, deve se preocupar em desenvolver ações que envolvam o conhecimento, socialização, construção da autonomia, criatividade, solidariedade, cooperação e autoconfiança. Proporcionar um ambiente desafiador, respeitando a espontaneidade e a criatividade da criança, favorecendo informações sobre o mundo que a cerca, satisfazendo as necessidades emocionais, sociais e físicas.
Durante muitos anos, acreditou se que ela tinha funções de formar hábitos atitudes e prepará-las para o ingresso a 1.ª serie. Priorizava atividades que envolvessem desenhar, recortar, colar, pintar, modelar, correr, ouvir, cantar, entre outros.
Nas décadas de 60 e 70, segundo o ABC, testes de prontidão, acreditavam-se que a criança poderia ou não começar sua aprendizagem sistemática se tivesse um mínimo de maturidade, coordenação motora, bom quociente intelectual e um mínimo de linguagem.
Hoje, com as mudanças, a pré-escola tem que dar contato a leitura e a escrita, tomando da realidade e dos conhecimentos infantis com ponto de partida e os ampliando, através de atividades que tem significado concreto, assegurando novas aquisições de conhecimento.
Porem pra Cagliari aos 5 anos uma criança já esta mais do quem pronta a ser alfabetizada, mas isso não significa que ela queira ser alfabetizada. O mais importante não é a idade mas a vontade do aluno de se alfabetizar.
Aprender a ler e escrever requer integração, natureza intuitiva usar apropriadamente a língua como instrumento de comunicação. Exige um determinado estagio de amadurecimento global. Enquanto esse estágio não tiver sido atingido pela criança, não convém forçá-la a adquirir uma habilidade que ainda não esta preparada.
Lima escolhe a idade de 7 anos para alfabetizar por achar que estão capacitadas por já possuírem, uma estrutura mental operatória e compreender regras e obedecê-las e organizar-se no mundo e organizá-lo.
Tais opiniões geram conflitos na educação infantil.
Para Cagliari, alfabetizar é aprender ler e escrever, quando o aprendiz descobre como o sistema de escrita funciona, aprende a ler e decifrar a escrita.
Kramer e Abramoray entendem a alfabetização como um processo ativo, em permanente construção, acredita que na pré-escola deve extrapolar as vogais, escreve ro nome contar de zero a dez. na rede privada, a ansiedade dos pais está relacionado a um melhor aproveitamento do ano escolar considerando o investimento financeiro.
Ávila defende a idéia de uma adaptação ao processo não tornando a pré-escola uma primeira serve, mas também não retirando das paredes vestígios de escrita.
Para Ferreiro, na sala de aula pré-escolar deve haver coisas para ler. Ela se alfabetiza de acordo com os estímulos e o meio em que está inserido, não precisamos forçar assim uma alfabetização precoce. Oferecer um contado com a leitura e a escrita permite experiências novas, mas em nenhum momento um trabalho imposto.
A educação infantil não deve ter a função social, mas oferecer condições para que decifre o mundo que a cerca. Deve se respeitar o ritmo próprio de cada crianças.

Considerações Finais
Não se tem provado se deve ou não alfabetizar crianças de 4 ou 5 anos.
Para a autora tem tempo pra tudo, não podemos forçar algo que a criança não tem vontade. A escola deve ser um lugar agradável, e desenvolver todas as habilidades da criança, social e de interação com os outros. A alfabetização na educação infantil só deve acontecer se mudar os conteúdos e a proposta da primeira serie.
A escruta deve ser prazerosa, nessa escolaridade, com o objetivo de conhecer e não como obrigação de aprender.
Destaca trabalhar com:
• Conhecer e escrever seu nome e dos colegas;
• Ouvir e contar histórias, dramatizações
• Contato com livros, encartes de jornais e revistas;
• Participar de feiras, museus, peças teatrais;
• Conhecer o alfabeto e identificar palavras entre outros.
Mas, se alguma criança tiver interesse alem, não devemos desmotivá-la. A alfabetização deve ser natural, partindo do interesse de cada um, pois temos nosso próprio ritmo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Autores/ Datas Palavras-chaves Método/procedimento Observações

Maria Montessori
*1870 Itália
+1952
Liberdade, atividade, vitalidade, individualidade, auto confiança. Humanista, individual. Crianças
excepcionais. Materiais didáticos e mobílias apropriadas.Estágios: de 3 em 3 em anos. Contras: método individualizado, diferente de Freinet educação voltada para a vida.Pós: abriu a porta para as mulheres ingressarem numa profissão.

Celestin Freinet
*1896França
+1966 Liberdade, autonomia, trabalho, coletivo social Não-diretivo, educação pelo trabalho, social coletivo, humanista social, construtivismo. Aulas passeio, imprensa cantinhos de pesquisa, registros – centros de interesses. Diferente de Montessouri: coletivo e a educação voltada para o trabalho.

Rudolf Steiner
*1861
+1925 Antroposofia, corpo, alma, imaginação Humanista.Aluno no centro,levando em conta as diferentes características das crianças, concepção holística, eurritmia (trabalhos manuais), setênicos (0/7-bom,7/14-belo,14/21-sabedoria). Professor da classe tutor, conteúdos da época, escola para elite. Equilíbrio entre o corpo e alma. Contras: Nos primeiros sete anos afirma que a aprendizagem se realiza por meio da imitação e nada deve ser racionaliada.

Emília Ferreiro
*=ou-1939/1940 Alfabetização, objetos concretos, individual e coletivo. Construtivismo social, coletivo e individual, trabalha com objetos concretos evolução da escrita, analítico. Níveis: pré-silábico, silábico, silábico-alfabético, alfabético. Contras; Não deixa claro o processo do construtivismo.

Neil Summerhill
*1883
+1973 Liberdade, autonomia, responsabilidade Humanista.Liberdade centrada no aluno, educar para a felicidade; escola liberal e princípios liberais de autonomia. Salas ambientes, professor período integral e cada um têm sua sala, regras e punições feitas pelos próprios alunos. Ação baseada no amor incondicional. Contras: escola para classe média e alta. Promiscuidade.

David Paul Ausubel
*1918 Conteúdo significativo Aprendizagem significativa (representacional, de conceitos e proposicional- de recepção ou descoberta ou mecânica) estrutural cognitiva humanista,construtivista. O professor deve ter uma visão ampla (psicologia, sociologia, biologia) para estabelecer uma ponte –ancoragem-, onde os subsunçores –conhecimentos pré-adquiridos são a base. Contras: muito teórico. Brunner critica Ausubel por ser sistemático o que o professor é responsável pela aprendizagem do aluno à carga maior do professor.

Jerome Brunner
*1915 -Situações/
problemas
-descoberta/ intuição Humanista Cognitivista, projetos, pesquisa, insight (solução de problemas, construção de conhecimento). Teoria da descoberta: indutivo, socrático, cognitivista, o professor é facilitador; auto-avaliação.criatividade, trabalho em grupo. Nível de desenvolvimento inativo, icônico, simbólico; o aluno é responsável pelo seu próprio conhecimento Crítica: Segundo Ausubel o método de descoberta é extenso, o aluno se perde e a situação problema criada pelo professor foge do controle do professor.

Albert Bandura
*1925 Modelagem, imitação (vicário), aprendizagem por observação afetiva e social. Descoberta, propensão inata do ser humano; cognitivista, comportamental. Situações repetitivas, meio ambientes. Aprendizagem por imitação do comportamento de outras pessoas (modelo). Fases da aprendizagem por observação: aquisição, retenção, desempenho e conseqüência. Contras: Imitação de modelos não aprovados mentiras, desonestidade.

Mills Gagné
*1916
+1967 Motivação, associação da aprendizagem (tipos de aprendizagens) , respeito a capacidade e individualidade do aluno e habilidades especificas. Sete tipos de aprendizagens –da simples para a complexa; cognitivista, comportamental (transformação), condicionamento voluntário. Fases de aprendizagens: de signos, estímulo-resposta, em cadeia, associações verbais, discriminações múltiplas, conceitos e resolução de problemas. Ligado a Bandura e Skinner (behaviorismo)
Diz que só a aprendizagem se sistematizar na ordem, mas do mesmo tempo diz que cada um tem sua habilidade, estão a uma contradição. .

Burrhur Frederick Skinner
*1904
+1990 Condicionamento operante voluntário, respostas automáticas. Construtivista, comportamental, idéias behavioristas. Comportamento é condicionado pelo ambiente, heranças hereditária - automático e mecânico.
Reforços positivos e negativos (intrínsecos e extrínsecos). Atender a individualidade de cada criança, faz um estudo do comportamento, só através do condicionamento vai mudar o comportamento Estrutural – instropecção subjetiva; funcionalista – instropecção subjetiva e objetiva da mente.. observação do behaviorismo; fenomenológico de Gestalt e a associação livre da psicanálise.
Contras: não se interessa pelas estruturas mentais apenas deseja explicar o comportamento e aprendizagem como conseqüências dos estímulos ambientais, não quer saber do procedimento mais a resposta, é muito mecânico.

Paulo Freire
*1921
+1996 Diálogo, conscientização, liberdade,
Alfabetização,
Gemas geradores Construtivista sócio cultural. Educação libertadora: a educação deve ser um ato político;
alfabetização de Adultos: Seu processo de alfabetização inicia-se com palavras geradoras (+ ou – 17) (de)codificação; o educador deve ser um provocador de situações. Critica a pedagogia bancária. Não é método e sim projeto.

John Dewey
*1859
+1952 Projetos, democracia e liberdade – Escola Nova, social coletivo. Behaviorista e funcionalista, pragmatismo, humanista progressista. Ação-reflexão-experiência; educação para a vida e sociedade mais justa e igualitária. Cognitivista: Situação problema, análise, incubação, insight, verificação, educação pela ação (experiência), propiciar as crianças condições para resolver por si própria seus problemas, conteúdos significados. Contra: muito conservador. Não questionam a sociedade e seus valores, conservadores

Kilpatrick
Pequenos projetos Humanista sócio-cultural. Trabalhava junto com Dewey. Criticado por perpetuar valores tradicionais. Projetos de produção, consumo, situação-problema e elaboração de um novo método técnico. Projeto pedagógico, atividades significativas, realidade do aluno e a relação com o social, respeitam as etapas de desenvolvimento do aluno. Contra: Sua escola para elites, escola com poucos alunos, seu método para escola publica não é viável. Não mostra a realidade

Ovide Decroly
*1871
+1932 individual e social, trabalho em conjunto e equilíbrio Humanista,Pedotecnia, crianças especiais, globalização do conhecimento, centros de interesses, linguagens múltiplas, teorias biossociais. Trabalhos manuais (jogos e brincadeiras). Etapas de aprendizagens: observação, associação, expressão. A escola: sociedade em miniatura, matérias concretos, deve ser prazerosa, defende a liberdade de iniciativa e a responsabilidade. Contra: não é viável para salas com grande numero de alunos, como das escolas públicas.

Roger Cousinet
*1881França
+1973 Jogos, coletivo. Humanista. Adepto da psicologia experimental, a criança como ela é. Educação centrada no aluno. Trabalha a observação, experimentação, analise de documentos. O aluno é sujeito do seu próprio conhecimento, auto-confiança. Contras: idem Decroly

Phillipe Perrenoud
*1946 (Dez) Competências e Habilidades, Formação do Educador. Avaliação. Pedagogia Diferenciada. Dez Competências (para professores). Atenção ao planejar, deve ser trabalhada não e só uma transferência é um conhecimento.
O planejamento não pode se imutável, estável deve ser mutável sempre em movimento, é contra o tayorismo que era somente a transferência de conhecimento, a competência do professor não é claro e nem simples.

César Coll
* PCNs – temas transversais. Ensino e Aprendizagem, construtivista, contextualização do currículo (do complexo para o simples). Valorização profissional do professor, currículo referenciado pela Espanha que influenciou a transversalidade Partiu das idéias de Piaget para escrever sobre currículo, plano curricular tem que se articulado com a sociedade.

Antônio Nóvoa
* Significado do professor. Formação do educador. Metodologia de ensino. Construtivista.Formação contínua. Não separa a teoria da prática. O professor tem que ser bem preparado e valorizado. Professor pesquisador reflexivo, organizador, responsável pela sua formação. Hoje o professor te que ter saberes, técnicas, complexidade social e trabalhar em grupo Contra: método catedrático. Como trabalhar competências se o sistema não ajuda?

Bernardo Toro
* Tolerância – Pilares da Unesco. participação produtiva. Formação do professor. Inserção social do ser humano, contextualização com a realidade. Sete competências – Código da Modernidade- para o desenvolvimento da criança e do jovem: domínio da leitura e escrita, capacidade para fazer cálculos e resolver problemas, capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações, capacidade de compreender e atuar em seu entorno social, receber criticamente os meios de comunicação, capacidade para localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada, capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo.a 8.ª criar uma mentalidade internacional.

Carl Rogers
*1902
+1987 Terapia centrada no aluno Não-diretivo, humanista. Contrato: atende programas e conteúdos pela necessidade dos alunos, salas ambientes, pré-adolescentes e adolescentes, participativo, problema de aprendizagem, terapeuta. Progressão continuada, ciclos. Professor facilitador, relação confiança aluno, ambiente diversificado, importância do aspecto interacional do aprendizado, professor e aluno são co-responsável pela aprendizagem.

Lev Vygotsky
*1896 Rússia
+1934 Ser histórico, linguagem Humanista, abordagem sócio-cultural. Desenvolvimento e aprendizagem se dá através da interação social, o bom ensino é o que se incide na zona proximal real proximal potencial, conhecimentos múltiplos. Professor é intermediário. Zonas e jogos. Contras:O desenvolvimento e aprendizagem não depende da maturação, não se refere as aspecto afetivo.

Wallon Aprendizagem emocional Humanista. Habilidade ligada ao emocional. Fazer o que gosta. Importância do outro, potencial afetivo, relacionamento professor – aluno, apsicogênico é a da pessoa completa, afetivo, cognitivo e o motor, prioriza o emocional.
Contras: Teórica muito complexa.

Luria
*1902
+1977 Linguagem, experiência com genes Humanista/ sócio-cultural valoriza muito a escola, a escrita é uma técnica sócio - cultural.
Contras: Os conhecimentos anteriores não são importantes

Johann Friedrich Herbart
*1776
Alemanha
+1841 Conteúdos unificados correlacionados
Educação Infantil Comportamentalista. Seu método inicia-se pelo interesse da criança, a observação, a solicitação e a ação, correspondendo aos passos de instrução,como regras de exposição;
Clareza, associação, sistematização. Do simples par ao complexo. Introduzir a didática, dosagem equilibrada de conhecimento de acordo com a etapa da aprendizagem Seguidor de Pestalozzi.

Joahnn Heinrich Pestalozzi
*1746Suíça
+1827 Escola do trabalho. Comportamentalista. Educação natural segundo o desenvolvimento da criança, meio para a reforma social. Método de observação, linguagem, época de aprender não é a época de julgamento e critica, ensino do simples gradual, tempo para dominar o conteúdo, ensino é o alvo par ao desenvolvimento, respeito a individualidade, o ensino deve aumentar os poderes da inteligência , saber-poder, aprendizagem-conquista da técnica, relação professor-aluno de amor, a instrução deve ter uma finalidade. Respeito às diferenças individuais e as etapas do desenvolvimento natural das crianças, introduziu os novos recursos da didática. Contras: Época de aprender não é época de julgamento e crítica.

Friedrich Froebel
*1782
+1852 Verdade, justiça. Liberdade, responsabilidade, iniciativa, Importância da criança, estimulo, direção. Jardim da Infância. Escola aprender para a vida. Trabalha canto, gesto e linguagem, trabalhos artesanais.

Mosel
Comportamentalista Organização da matéria na prática do ensino formulou regras operacionais para as estratégicas da ação docente trabalho com o núcleo depois os derivados. Ensino com o processo de modelagem.

Maguerez
construtivista Ato de ensinar através de criação de situações incentivar o aluno a levantar hipóteses através da observação construção, teorização execução e síntese.

Chomsky
Humanista Linguagem é inata ao homem, a gramática não pode estar distante do texto. Que compor palavras segundo o seu som é o primeiro passo para a leitura.

Piaget
Cognitivista Estrutura cognitivista mudam através dos processos de adaptação: assimilação e acomodação, níveis diferentes de desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento e etapas da inteligência. . veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Naturalismo. Luzia-Homem é um exemplo do Naturalismo regionalista. Passado no interior do Ceará, nos fins de 1878, durante uma grande seca, vai contando a história da retirante Luzia, mulher arredia, de grande força física (o apelido Luzia-Homem provém desta força que lhe permitia trabalhar melhor que homens fortes). Luzia trabalha na construção de uma prisão e é desejada pelo soldado Capriúna. Mas Luzia não se interessa por amores e mantém uma relação de amizade e ajuda mútua com Alexandre. Após Alexandre propor-lhe casamento (existe por toda a história a relutância de Luzia de admitir que gosta de Alexandre), este é preso por roubar o armazém do qual era guarda. Luzia passa visitar-lhe na prisão e sua amiga, a alegre Teresinha, para cuidar de sua mãe doente. Após um certo tempo, Luzia para de lhe visitar na prisão. Ao fim Teresinha descobre que Capriúna era o verdadeiro ladrão e uma das assistentes de Luzia (ela havia sido dispensada e depois voltara ao trabalho, mas como costureira) lhe falar que a testemunha contra Alexandre mentia, o culpado é preso.

A família de Teresinha aparece (ela havia fugido de casa com um amante que morreu meses depois) e ela, humilhada fica subserviente a eles, especialmente ao pai que a rejeita. Luzia descobre isto e, depois de um interlúdio, convence-a a viajar com ela, migrando para o litoral. No caminho Capriúna se liberta e vai ataca Teresinha, a culpada de sua prisão. Encontrando Luzia, mata-a e acaba caindo de um desfiladeiro. Marcado pela fala característica dos personagens, Luzia-Homem mantém duas características clássicas do Naturalismo por toda obra: o cientificismo na linguagem do narrador e o determinismo (teoria de que o homem é definido pelo meio). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A narrativa de Campo geral começa quando Miguilim é levado por Tio Terez para ser crismado. O menino tem 8 anos e nunca saiu do Mutum, afora pequenas mudanças que fez quando ainda muito pequeno. Desta viagem, a lembrança mais nítida será de um comentário ouvido sobre a beleza de Mutum. Profundamente impressionado com esta referência, Miguilim não vê a hora de contá-la à mãe, Nhanina, sempre triste de ali viver . Ao chegar em casa, vai tão aflito procurar a mãe, que acaba desgostando a seu pai e recebe castigo: não o acompanha juntamente com os irmãos na pescaria de domingo. Em contrapartida, aprende a fazer arapuca para pegar passarinho com o Tio Terez. A rotina da casa inclui os brinquedos de Miguilim com seus irmãos por ordem de idade, Drelina, Dito, Chica, Tomezinho. Há também outro irmão, Liovaldo, mais velho que Miguilim, o único que não mora com a família. Na cozinha, a mãe e as empregadas, Rosa, Maria Pretinha e Mãitina, preparam as comidas. Nas cercanias, vivem os diversos cachorros da família. Havia uma cadela, a Pingo-de-Ouro, a que Miguilim era especialmente apegado, mas que foi dada pelo pai a tropeiros de pernoite no Mutum. A descoberta de que Nhanina e Tio Terez tinham um caso causa grande confusão. O pai bate na mãe, Miguilim tenta interrompê-lo e termina sendo castigado. Vovó Izidra, sua tia-avó, é quem toma a iniciativa de expulsar Tio Terez de casa, xingando-o de Caim. Nesta noite, uma grande tempestade faz Dito e Miguilim conversarem sobre o medo da morte.

Para acalmar a todos, Vovó Izidra puxa uma reza. No dia seguinte, Seo Deográcias, entendido de remédios, foi com o filho, Patori, visitá-los. Queria, na verdade, pegar emprestado alguns mantimentos e cobrar um dinheiro, mas aproveita para aconselhar sobre a saúde de Miguilim, que a todos parecia frágil. Aos poucos, Miguilim começa a cismar que vai morrer. Faz uma promessa a Deus: se ele não morresse nos próximos dias, não morreria mais. Enquanto isso, se compromete a rezar uma novena. Contudo, os dias passam, ele não principia a novena e vai ficando cada vez mais ansioso. Começa então a rever vários momentos e se recorda da habilidade de Dito em se comportar de modo que não desagrade o Pai, da curiosidade que Patori lhe despertou sobre sexo, do aconchego que sentia em criança de ficar nos braços de Mãitina. No derradeiro dia, nem da cama ele quer sair. E até Seo Aristeu, outro curandeiro da região, vir vê-lo, Miguilim não pode acreditar em outra coisa que não fosse a morte chegando. Temia estar tísico, mas Seo Aristeu logo foi explicando no seu jeito alegre de falar que essa doença não dava por aquela parte dos Gerais. O pai então toma uma decisão: a partir do próximo dia, Miguilim irá levar-lhe comida na roça onde trabalhava. O menino fica muito feliz de se sentir útil. Quando foi cumprir a tarefa pela primeira vez, Tio Terez aparece no caminho e pede ao sobrinho um favor: entregar um bilhete a Nhanina. O pedaço de papel no bolso põe Miguilim num grande embate interior: o que seria mais certo fazer? Sem contar o motivo, consulta todos sobre o que é certo ou errado. Como sempre, é com Dito que Miguilim vai se orientar, tentando pedir explicações que o irmão, apesar de menor, parece sempre conhecer. Depois de uma tarde e de uma noite de dúvidas, Miguilim só resolve em frente ao Tio Terez o que fazer: diz a verdade e devolve o bilhete. O Tio então se dá conta em que horrível posição colocara o sobrinho e se desculpa. Ainda atordoado, Miguilim deixa que os macacos roubem a comida do tabuleiro. O pai se diverte com a história, dando a sensação em Miguilim de ser amado. Com a chegada de Luisaltino, novo parceiro de trabalho de Nhô Bero, vem a notícia de que Patori assassinou um rapaz e está foragido. Patori acaba morrendo de fome, e Nhô Bero larga tudo para prestar solidariedade a Seo Deográcias, que se desesperava com a perda do filho. Mas o que mais agradou a Miguilim foi que Luisaltino traz consigo um papagaio, o Papaco-o-Paco. Uma manhã, depois de ter ido espiar uma coruja, Dito pisa num caco de pote e corta o pé. O tétano toma conta do menino e, em poucos dias, ele morre. Miguilim se desespera e esse intenso sofrimento parece não passar nunca. Mãitina tem uma idéia que o ajuda a enfrentar a dor: juntou roupas e brinquedos de Dito e alguns guardados seus e enterrou tudo no quintal, marcando depois o lugar com pedrinhas lavadas do rio. Para tirá-lo dessa tristeza, Nhô Bero resolve pô-lo para trabalhar: começa a debulhar milho, capinar a horta, buscar cavalo no pasto. Miguilim não acha ruim trabalhar, mas não vê alegria em nada. Para complicar, dias depois chegam Tio Osmundo e o irmão Liovaldo. O Tio não simpatiza com Miguilim e Liovaldo começa a provocá-lo. Até que Liovaldo faz pequenas maldades com o menino Grivo e Miguilim, indignado, acaba partindo para a briga. Nhô Bero fica tão furioso que dá uma sova de correia no menino. Miguilim sente tanto ódio do pai que nem chora: só pensa em crescer e matá-lo. Nhanina, para abrandar a situação, manda Miguilim se hospedar na casa do vaqueiro Saluz por três dias. Na volta, Miguilim não pede a bênção ao pai, que então se vinga, soltando os passarinhos de Miguilim e despedaçando as gaiolas. Miguilim por sua vez extravasa sua raiva, quebrando os próprios brinquedos. Quando o Tio e o irmão vão embora, Miguilim pela primeira vez se alegra com a possibilidade de um dia ser ele a partir. Com esta idéia na cabeça começa a se reanimar, a repassar tudo que aprendera com Dito, mas termina por adoecer, o que desespera Nhô Bero. Durante a sua convalescença, uma tragédia se precipita: Nhô Bero descobre que Luisaltino o traía com sua mulher; mata o ajudante e, em seguida, se suicida. Seo Aristeu tenta animar Miguilim. Nhanina conta sua intenção de casar com Tio Terez, que a esta altura já está de volta. Miguilim, ainda abatido com a doença e com todos os acontecimentos, vê chegar dois homens a cavalo. Um deles logo repara no jeito de Miguilim olhar, com os olhos apertados. O grupo vai para a casa e Miguilim é examinado até que o homem, doutor José Lourenço, do Curvelo, chega a um diagnóstico: vista curta. Tira os próprios óculos e empresta ao menino, que nem pode acreditar em tudo que se revelou a sua frente. O doutor se oferece para levar Miguilim para a cidade: providenciaria os óculos e poria Miguilim para estudar. Miguilim aceita o convite e se prepara para ir embora na manhã seguinte. Mas, antes de partir, pede de novo os óculos. Quer levar consigo uma imagem nítida da família e do Mutum, que, agora ele via, era realmente bonito. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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