Ser pobre é afinar com a faca o palito de fósforo para virar palito de dente......

 

Mais
acessados

Principal

Modelos de
Documento

Receitas

Resumos
de Livros

 Perguntas e Respostas
 Jurídicas

Idéias para
ficar rico

Dicas gerais

Dizem que

Ser pobre é


Memorização

Curso de Memorização

Memorização:
que dia cai?

Demais
Cursos e
apostilas


Gastronomia

carnes

bacalhau

dicas gerais

microondas

 receitas diversas

Receitas

em vídeo

tudo sobre congelamento

vinhos


Download

delivery

palpites para loteria

simulador keno (bingo)

treine digitação

ringtones de graça

Saiba quais números
mais e menos saem
na MEGASENA


Contato

Fale com o Zmaro
e/ou
PobreVirtual

Site do
Programa Zmaro


 
Páginas Recolhidas - Machado de Assis
envie seus resumos e sugestões, clique aqui
Há de tudo neste desconcertante e caliente "mafuá" que agora se lê sob o título de Amar se aprende amando, no qual se colhem de imediato duas raras lições: uma primeira, de ousada simplicidade e que se dá logo à tona de seu enunciado, onde o autor permite a audácia de reunir três verbos, cada um deles em voz distinta; e uma outra, mais funda e talvez difícil, que nos ensina essa prática (tão trivial não fosse hoje absurdamente anacrônica) cuja eficácia reside apenas na elementar e irretorquível verdade de que só se aprende mesmo fazendo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Estudos sobre o culto, o direito, as instituições da grécia e de roma. A Cidade Antiga é um tratado sobre a civilização greco-romana. Religião, política, costumes, instituições - o erudito historiador Fustel de Coulanges realiza um estudo exaustivo da formação da cultura e Estado clássicos, seu desenvolvimento, dinâmica, caraterísticas e transformação ao longo do tempo que perdurou a civilização greco-romana. Descreve-se e se analisa seu florescimento, ascensão e queda. Foi professor de História Medieval na Sorbonne e devido aos métodos de pesquisa que utilizou, é tido como um dos precursores da moderna historiografia francesa. Dois princípios fundamentais norteiam o estudo de Coulanges. Segundo ele a obtenção do verdadeiro conhecimento desses povos (grego e romano) exige que os estudemos sem a idéia fixa de considerá-los como nós, dado o fato de sermos seus herdeiros culturais; é preciso estudá-los como se nos fossem inteiramente estranhos. O segundo princípio é a necessidade e condição sine qua non de considerar as crenças religiosas desses povos para compreender suas instituições em geral, sem o que estas surgirão obscuras, extravagantes e inexplicáveis diante de nossos olhos veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Cesar Coll
Biografia

César Coll Salvador é diretor do Departamento de Psicologia Evolutiva e professor da Faculdade de Psicologia da universidade de Barcelona, Espanha.
Lá foi coordenador da reforma do ensino de 1990, a Renovação Pedagógica. O modelo desenvolvido por ele e sua equipe inspirou mudanças na educação de diversos países, inclusive no Brasil. Como consultor do Ministério da Educação (MEC) entre 1995 e 1996, colaborou na elaboração dos nosos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicado em 1997.

Idéias
Defensor do currículo como um documento que precisa estar em permanente mudança – para acompanhar os anseios da sociedade em relação a educação de suas crianças, que se modificam constantemente-, ele acredita que para os estudantes aprenderem de fato e a qualidade da educação melhorar é preciso mais do que métodos consagrados e teorias pedagógicas. A realidade sociocultural e econômica do aluno influencia em seu desempenho, assim como as condições de trabalho do professor e o aparato que o sistema oferece para ele formar-se e aprimorar suas práticas. Deve se valorizar o profissional, o professor e não o prédio e o mobiliário. O currículo que temos tem influencia da Espanha, é um referencial, influencia a transversalidade
Lamenta que nos últimos anos a escola tenha sido alvo de demandas que estão muito alem de seu papel e de sua capacidade de dar as devidas respostas. Para resolver esses problemas, ele defende que outras instituições da sociedade civil sejam chamadas a assumir seus papeis e dividir obrigações com o sistema de ensino.
Os PCNS, para ele deveriam servir como referencia e como elemento de reflexão para os educadores modificarem sua prática, não como currículo obrigatório, usado na sua totalidade ou em partes. Devem ser revistos constantemente para serem aprimorados.os conteúdos não estão a nível nacional, e sim a necessidade da sociedade, o conteúdo deve estar contextualizado, a partir de situações problemas a comunidade. PCN é partidário, tem carater político.
Para ele, a qualidade de um sistema educacional depende alem do PCN e do currículo, de avaliações que levam em conta a origem social, econômica e cultural dos estudante.
O desempenho de uma turma depende do salário pago ao professor,m sua qualidade de vida de apoio do sistema educativo.
O conhecimento pedagógico, para ele, se faz de forma acumulativo .
Critica o construtivismo por existir muitos tipos de métodos que se inspiram nele. O construtivismo tem sido ponto de partida na elaboração de proposta pedagogias, mas tem uma orientação voltada para aspectos socioculturais. O importante é saber como ajudar o estudante a aprender. Para isso, o papel do professor é fundamental para nessa concepção.
A escola não deve ser vista como a solucionadora de todos os problemas sociais, pois não pode atender a todas as demandas colocadas sobre ela.
O conteúdo escolar é tudo o que se pode ensinar e o que se pode aprender, e pode ser factual, conceitual, procedimental ou atitudinal.os vários tipos de conteúdos são uma divisão que serve pra a planejar os objetivos e para escolher as atividades adequadas para tingi-los. Na aula é fundamental ter consciência de que ensinamos conteúdos relativos a procedimentos, atitudes e conceitos ao mesmo tempo.
Bibliografia
Nova Escola, edição 167, novembro de 2003pp.18 a 20. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Romance anticlerical dos mais ferozes, é ambientado em Leiria, onde o Padre Amaro Vieira, ingênuo e psicologicamente um fraco, vai assumir sua paróquia. Hospedando-se na casa da Senhora Joaneira, acaba por se envolver sexualmente com sua filha, Amélia. Amaro conhece, então, o cinismo dos seus colegas, que em nada estranham sua relação com a jovem. Grávida, Amélia acaba por morrer no parto e Amaro entrega a criança a uma "tecedeira de anjos". Morta também a criança, Amaro, agora um cínico descarado, prossegue com a sua carreira. O romance, que critica violentamente a vida provinciana e o comportamento do clero, foi, durante décadas, leitura proibida em muitas escolas de Portugal e do Brasil. As Personagens A intenção de Eça ao escrever o Crime do Padre Amaro não era apenas a denúncia dos vícios do clero devasso, mas também apresentar a vida mesquinha da cidade provinciana portuguesa. Assim, só Amaro e Amélia, as personagens centrais, são criticadas pelo narrador. Também as personagens secundárias são utilizada para revelar as mazelas da sociedade em que estão inseridas. O Padre Amaro Vieira O protagonista do romance era filho de dois criados do marquês de Alegros. Perde os pais ainda criança e é educado no meio da criadagem da marquesa, o que faz com se torne "enredador. Muito mentiroso." A marquesa decide que se ele tornaria padre, e assim, aos quinze anos, é mandado ao seminário. É um fraco tanto física quanto psicologicamente. Aceita o sacerdócio passivamente. Por influência do conde de Ribamar, obtém a paróquia de Leiria, onde se hospeda na casa da S. Joaneira. Lá conhece Amélia, filha de sua hospedeira, e ela torna-se sua amante. O ambiente da casa da marquesa, onde fora criado, e o seminário moldaram o caráter de Amaro. Já sacerdote em Leiria, espanta-se, no início, com o cinismo explícito dos seus colegas de batina, mas todas essas situações, somadas ao ambiente de servilismo beato da casa onde está hospedado, fazem com que ele se atole em ações desonrosas, como entregar seu filho a uma "tecedeira de anjos" e a criança acaba por morrer. No final do romance, ele tornou-se idêntico aos seus pares. Uma conversa entre Amaro e o cônego Dias, mostra, de forma clara, como Amaro e os outros eclesiásticos representam o clero sem vocação e hipócrita. Os dois estão refletindo sobre os excessos da Comuna, afirmam que seus seguidores merecem a masmorra e a forca porque não respeitam o clero e "destroem no povo a veneração pelo sacerdócio", caluniando a Igreja. Então, uma mulher provocante passa diante deles e ambos trocam olhares cúmplices. O cônego exclama: "- Hem, seu Padre Amaro?... Aquilo é que você queria confessar" E Amaro responde: " - Já lá vai o tempo, padre-mestre - disse o pároco rindo - já as não confesso senão casadas!" Amélia Caminha A co-protagonista do romance concentra, em sua figura, o resultado trágico de uma formação num meio provinciano e atrasado, centrado em torno do poder eclesiástico. A sua casa é um beatério, centro de convivência dos poderosos e amorais sacerdotes da cidade, em que impera a superficialidade dos rituais e uma deformação dos conceitos religiosos cristãos. Nesta sociedade, a Igreja é parte ativa do poder político, que a utiliza nas suas manobras eleitoreiras e lhe dá privilégios sociais, prestígio e poder. Amélia vive, portanto, rodeada de cônegos e padres. Aos 23 anos, alta, forte e "muito desejada", possui um temperamento sentimental, romântico e fortemente sensual. Órfã de pai, sua mãe é amante do cônego Dias e ela é uma devota simplória e passiva, atraída pelo ritual católico. Namora João Eduardo, escrevente de cartório. Conhece, então, o Padre Amaro, pároco da Sé de Leiria, hóspede na casa de sua mãe. Apaixona-se e entrega-se a ele com total submissão. Fica grávida e esconde-se numa quinta próxima à cidade, acompanhada de uma fanática beata, irmã do cônego Dias. Recebe a visita do abade Ferrão, único sacerdote decente do romance. Ele tenta recuperá-la para uma vida normal e digna e quer tirá-la da influência nefasta de Amaro. No entanto, Amélia morre no parto. Personagens secundárias O narrador do romance, na terceira pessoa, apresenta as personagens secundárias com grande dose de ironia e uma certa antipatia. Como bem o colocou Benjami Abdala Jr: "Fica muito clara a antipatia do narrador pelo círculo de amigos da S. Joaneira (Maria Assunção, Josefa Dias, Joaquina Gansoso e o beato homossexual Libaninho). O mesmo ocorre em relação aos colegas de Amaro (cônego Dias, padre Natário e padre Brito), pois o narrador parece convencido antecipadamente de seus vícios e grosseirias. O único religioso que se exclui desse círculo é o abade Ferrão, apresentado como uma personagem coerente com seus ideais. A ironia do narrador não é restrita aos religiosos, estendendo-se para o contexto social de Leiria. Várias personagens são apresentadas de forma sarcástica: o jornalista Agostinho Pinheiro; o venal Gouveia Ledesma, o burguês reacionário Carlos. Nesse ambiente, João Eduardo, noivo de Amélia, enciumado com as atenções da moça ao padre Amaro, escreveu um anônimo "Comunicado" na Voz do Distrito, criticando a covivência de padres com amantes. Rompe-se o noivado: Amélia trona-se amante do padre Amaro." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
INTRODUÇÃO A obra de ficção mais conhecida de Guimarães Rosa consta de contos, novelas e um romance monumental, publicado em 1956, que é Grandes Sertão: Veredas - livro que desconcertou a crítica. Entre os livros de contos, destaca-se Sagarana, seu livro de estréia, publicado em 1946, que foi recebido como "uma das mais importantes obras aparecidas no Brasil contemporâneo"; Primeiras Estórias (1962); Tutaméia (Terceiras estórias), de 1967; e o livro póstumo Estas estórias (1969). Corpo de Baile contém várias novelas e, a partir de 1964, foi desdobrado em três volumes: "Manuelzão e Miguilim", "No Urubuquáquá, no Pinhém", e "Noites do Sertão". As duas primeiras, também conhecidas como "Uma estória de amor" e "Campo Geral". Como observa Beth Brait, em "Literatura Comentada", da Abril Editora, "Campo Geral é uma narrativa profundamente lírica que traduz a habilidade de Guimarães Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança." Pode-se dizer que Campo Geral é uma espécie de biografia, em que muitos críticos vêem traços autobiográficos do autor. O tema do livro é a infância - a infância de um menino da roça, com usas descobertas da vida. Como sempre, tudo vem trabalhado com o inconfundível estilo de Guimarães Rosa numa linguagem estonteante nos seus recursos expressivos. Quanto a "Uma estória de amor", que focaliza a outra ponta da vida, de forma igualmente lírica, relata-se, ao mesmo tempo que se vai reconstituindo a vida do vaqueiro sessentão Manuelzão, a festa de consagração de uma capela que ele faz construir na fazenda que administra. Toda a narrativa desenvolve-se na véspera de sair uma boiada, o tema boi serve de ligação entre as cenas, reaparecendo aqui e ali, dominante, ora como o próprio animal, ora como vaqueiro ou instrumento de trabalho (contracapa). As duas novelas complementam-se como histórias de um começo e de um fim de vida. Enquanto a do menino é uma constante e por vezes dolorosa descoberta do mundo, a do vaqueiro sessentão é um relembrar também por vezes doloroso do que foi a sua vida, em que as recordações se misturam com os fatos do presente, como se aquela festa fosse a própria súmula de seus dias (contracapa). A NOVELA COMO ESPÉCIE LITERÁRIA Como espécie literária, a novela não se distingue do romance, evidentemente, pelo critério quantitativo, mas pelo essencial e estrutural. Tradicionalmente, a novela é uma modalidade literária que se caracteriza pela linearidade dos caracteres e acontecimentos, pela sucessividade episódica e pelo gosto das peripécias. Contrariamente ao romance, a novela não tem a complexidade dessa espécie literária, pois não se detém na análise minuciosa e detalhada dos fatos e personagens. A novela condensa os elementos do romance: os diálogos são rápidos e a narrativa é direta, sem muitas divagações. Nesse sentido, muita coisa que chamamos de romance não passa de novela. Naturalmente a novela moderna, como tudo que é moderno, evoluiu e não se sujeita a regras preestabelecidas. Tal como o conto, parodiando Mário de Andrade, "sempre será novela aquilo que seu autor batizou com o nome de novela". Como autor (pós)-modernista, Guimarães Rosa procurou ser original, imprimindo, em suas criações literárias, a sua marca pessoal, o seu estilo inconfundível. Suas novelas, contudo, apesar das inovações, sempre apresentam aquela essência básica dessa modalidade literária, que é o apego a uma fabulação contínua como um rio, de caso-puxa-caso. MIGUILIM: ESTRUTURA/ENREDO Campo Geral é uma novela narrada em terceira pessoa. A estória, entretanto, é filtrada pelo ponto de vista de Miguilim, uma criança de oito anos. Por essa razão, a visão de mundo apresentada pelo autor é organizada a partir desta expectativa: a vivência de um menino sensível e delicado, empenhado em compreender as pessoas e coisas que o cercam. A estória se desenvolve no Mutum, um remoto lugarejo das Gerais, e envolve várias personagens. Como é próprio da novela: a mãe, o pai, os irmãos, o tio, a avó e outras que têm relacionamento demorado ou passageiro com essa família. Com cerca de 150 páginas, a novela se organiza à semelhança de Grande Sertão; Veredas, ou seja, a narrativa não é dividida em capítulos e as falas, nos diálogos, não se sujeitam às normas convencionais. A narrativa, entretanto, pode ser dividida em alguns núcleos básico que passamos a descrever: 1) Ao completar sete anos, Miguilim é levado pelo tio Terêz até um lugarejo distante para ser crismado. Nessa viagem, uma lembrança que o marcou e que jamais esqueceu foi o dito de um moço que já estivera no Mutum: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..." Essa opinião opunha-se à da mãe, que ali morava e vivia queixando-se do triste recanto. Ao voltar, esta será a sua primeira preocupação: dizer à mão "que o Mutum era lugar bonito". A mãe, evidentemente, não lhe deu importância, apontando o morro como causa do seu infortúnio e da sua tristeza. "Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver..." 2) A família de Miguilim é numerosa e compõem-se de pai, mãe, irmãos, avó, tios, empregados, gatos e cachorros. Inicialmente, o seu relacionamento é bom como todos eles, aos poucos, vai-se percebendo a sua maior predileção pelo irmãozinho Dito. Mais novo do que Miguilim, Dito se destaca pela sabedoria e esperteza: "O Dito menor, muito mais menino, e sabia em adiantado as coisas com uma certeza, descarecia de perguntar". "Dava até raiva, aquele juízo sisudo, o poder do Dito, de saber e entender, sem as necessidades". Grande era a amizade que unia os dois. Boa parte da novela concentra-se nessa amizade e nas conversas de ambos: "Era capaz de brinca com o Dito a vida inteira, o Ditinho era a melhor pessoa, de repente, sempre sem desassossego". 3) A morte prematura de Dito vai provocar nele um impacto doloroso e chocante - exatamente Dito que não pensava em morrer e traçava planos para o futuro. "?Eu gosto de todos. Por isso que eu quero não morrer e crescer, tomar conta do Mutum, criar um gadão enorme. Mas Dito morre, e a desolação de Miguilim é total: "Miguilim doidava de não chorar mais e de correr por um socorro". "Soluçava de engasgar, sentia as lágrimas quentes, maiores do que os olhos". "Miguilim sentou no chão, num canto, chorava, não queria esbarrar de chorar, nem podia - Dito! Dito!..." 4) O relacionamento com o pai, a princípio, bom e cordial, vai-se deteriorando e chega ao clímax, quando, numa briga com um parente que os visitava, Miguilim é surrado violentamente por ele. A revolta detém-lhe as lágrimas e Miguilim nutre um ódio mortal pelo pai: "Não chorava, porque estava com um pensamento: quando ele crescesse, matava Pai". A mãe, sempre preocupada e zelosa, afasta-o de casa, mandando-o passar algum tempo com o vaqueiro Salúz. Miguilim retorna carrancudo e ainda mal-humorado: "Chegou e não falou nada. Não tomou bênção". A partir dessa cena, Miguilim começa a ajudar na capina da roça, quando passa mal e põe-se a vomitar. Estava doente, muito doente. O pai se desespera e é tomado de profunda comoção: "Pai chorava, demordia de morder os beiços". Acabou perdendo a cabeça e "se enforcou com um cipó", e Miguilim se restabeleceu. 5) O conflito gerado pelo relacionamento existente entre o pai, a mãe e o tio Terêz, irmão do Pai, é outro núcleo que se destaca na narrativa. Tudo indicava que havia alguma coisa entre a mãe e o tio Terêz, e o pai certamente sabia. Uma vez, Miguilim viu-o bater na mãe e foi surrado também. A partir daí, o tio Terêz, tão amigo de Miguilim afasta-se da casa. O ambiente estava carregado. Um temporal está prestes a desabar, o que fazia o Dito dizer sério: "? Por causa de Mamãe, Papai e Tio Terêz, Papai-do-Céu está com raiva de nós de surpresa..." Tempos depois, quando levava comida para o pai no roçado, tio Terêz aparece a Miguilim e pede-lhe que entregue um bilhete à mãe. Esse bilhete, segredo não revelado nem a Dito, torna-se, por muito tempo, o seu tormento, pois adivinhava o seu conteúdo. Acaba devolvendo-o ao tio. Terêz entende o seu dilema. No final da narrativa, com a morte do pai, tio Terêz retorna e tudo acaba bem: "?Se daqui a uns meses mão se casar com o tio Terêz, Miguilim, isso é do seu gosto? - indagava a mãe". "?Tio Terêz, o senhor parece com Pai..." - dizia Miguilim. 6) A novela se encerra com uma cena altamente simbólica: a descoberta de que era míope e a possibilidade de uma nova vida em outro lugar. Foi assim: De repente, chega ao Mutum, um senhor de óculos (Dr. Lourenço) e a amizade se estabelece: Deus te abençoe, pequeninho. Como é teu nome? Miguilim. Eu sou irmão do Dito. E o homem de óculos logo foi percebendo (era doutor): "Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista?" Era isto mesmo: Miguilim era piticego, tinha vista curta, e não sabia. E então o senhor (que era doutor) tirou os óculos e deu-os a Miguilim: "?Olha, agora! Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. O Mutum era bonito! - agora Miguilim via claramente. E então veio o convite: -O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. E, assim, Miguilim teria uma nova perspectiva na vida: a criança de calça curta ia penetrar, agora, em um novo mundo. PERSONAGENS Além de Miguilim, protagonista da estória., o qual se revela um menino sensível, delicado e inteligente ao longo da narrativa, o universo da novela "Campo Geral" é composto de várias outras personagens: 1) A família de Miguilim é constituída do pai (Nhô Berno), meio seco autoritário; a mãe (Nhanina), que "era linda e tinha cabelos pretos e compridos"; os irmãos Tomezinho e Dito; as irmãs Chica e Drelina; a avó Izidra; e o tio Terêz. 2) Fazendo parte da família, como empregadas da casa, destacam-se a preta Mãitina, Rosa Maria e Pretinha. Ligados à família, mas com alguma independência, destacam-se aqui também, os vaqueiros Salúz e Jé. 3) Ainda no universo da família, podemos inserir aqui os cachorros (sempre individualizados com um nome próprio), o gato Sossõe e o papagaio Papaco-o-Paco. 4) Entre os conhecidos e amigos, destacam-se o alegre e simpático seu Luisaltino, que veio morar com a família e ajudava o Pai no roçado. Para finalizar, é importante observar que, ao contrário da cidade grande onde as pessoas praticamente são anônimas, no mundo roseano tudo e todos têm um nome que os caracteriza e individualiza. MANUELZÃO - SÍNTESE Mais conhecida como Manuelzão, o verdadeiro nome da novela é Uma estória de amor e se passa na Samara, "nem fazenda, só um reposto, um currais-de-gado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra dos Gerais". A novela se abre com a expectativa de uma festa que reuniu muito povo e o padre para benzer a capela "-templozinho, nem mais que uma guarita, feita a dois quilômetros da Casa", que Manuelzão faz construir, a pedido de sua mãe (dona Quilina) , já falecida,. Que é bastante lembrada ao longo da narrativa. Num discurso indireto livre, em que o narrador parece falar pela boca de Manuelzão (tudo é filtrado pela sua ótica), a novela vai sendo conduzida sem divisão em capítulos, tangida como uma boiada, meio caoticamente, a lembrar o mundo inóspito e selvagem do sertão. Tudo gira em torno de Manuelzão, senhor da festa e da novela, que desbrava aquelas terras, cujo verdadeiro dono (Frederico Freyre) raramente aparecia por lá. De cima de seu cavalo e dos seus quase 60 anos, Manuelzão contempla a azáfama do povo nos preparativos da festa e vai reconstituindo o seu passado de "porfia", "fazendo outros sertões, comboiando boiadas, produzindo retiros provisórios". "Na Samara, Manuelzão conduzira o início de tudo, havia quatro anos, desde quando Frederico Freyre gostou do rincão e ali adquiriu seus mil e mil alqueires de terra asselvajada - Te entrego, Manuelzão, isto te deixo em mão, por desbravar! E enviou o gado." Sessentão solitário do sertão, que não destila o fel da casmurrice nem da solidão, Manuelzão busca no passado distante o Adelço, "filho natural, nascido de um curto caso", agora já com 30 anos, casado com a Leonísia, e pais de sete filhos, seus netinhos. Entretanto, embora "mouro trabalhador", o Adelço não é bem visto por ele, Manuelzão. De repente, na calada da madrugada, quando todos dormiam, o inesperado: o riacho, dito "Seco Riacho", que abastecia a casa com sua água e formosura, cessou. "Foi no meio duma noite, indo para a madrugada, todos estavam dormindo. Mas cada um sentiu, de repente, no coração, o estalo do silenciozinho que ele fez, a pontuda falta da toada, do barulhinho. Acordaram, se falaram. Até as crianças. Até os cachorros latiram. Aí, todos se levantaram, caçaram o quintal, saíram com luz, para espiar o que não havia (...).O riacho soluço se estancara, sem resto, e talvez para sempre. Secara-se a lagrimal, sua boquinha serrana. Era como se um menino sozinho tivesse morrido". Criatura boa e humilde, talqualmente a mãe, dona Quilina, era o velho Camilo, que ali viera aportar a sua velhice, depois de "asilar-se em ranchos ou cafuas mal abandonadas no campo sujo". Seo Camilo "era apenas uma espécie doméstica de mendigo, recolhido, inválido, que ali viera Ter e fora adotado por bem-fazer, surgido do mundo do Norte: Ele asséste mais é aqui, às vezes descasca um milhozinho, busca um balde d'água. Mas tudo na vontade dele. Ninguém manda, não.... A festa tem início realmente, na véspera, com chegada do padre (frei Petroaldo), que é recebido com foguetes e muita alegria. "A voz do povo levantou um louvor, prazeroso. Via-se, quando se via, era muito mais gente, aquela chegança, que modo que sombras. Gente sem desordem, capazes de muito tempo calados, mesmo não tinham viso para as surpresas". Outras pessoas iam chegando para a festa: João Urúgem, homem estranho que vivia isolado como bicho; o senhor de Vilamão, "homem de muitas possas, de longes distâncias dentro de suas terras", já alquebrado e velhinho, "o cabelo total embranquecido, trajado de vestimenta que não se usava mais em parte nenhuma- o cavour"; "chegava também o Lói, ex-vaqueiro, vestido com a baeta - um capote feito de baeta" e, fazendo muita algazarra , como se estivessem tangendo uma boiada, o Simão Faço mais seu irmão Jenuário e outros: "? Eh, Manuelzão, já fomos, já viemos...". Chegou ainda "seo Vevelho, com seus filhos, tocadores de música". Assim, tocando a sua narração (mais dele do que do narrador que se mistura), Manuelzão vai ruminando casos e mais casos, ali em meio àquele povão, na animada festa: "?Estória! - ele disse, então. Pois, minhamente: o mundo era grande. Mas tudo ainda era muito maior quando a gente ouvia contada, a narração dos outros, de volta de viagens". Na calda da noite, dando uma trégua na festa, ecoam, por entre silêncios atentos e não dormidos, as estórias de Joana Xaviel, "essa que morava desperdida, por aí, ora uma ora noutra chapada": "O seguinte é este..." Joana ia contando suas estória de reis, rainhas e vaqueiros, que Manuelzão escutava, deitado, na espreita de o sono chegar: "Se furtivava o sono, e no lugar dele manavam as negaças de voz daquela mulher Joana Xaviel, o urdume das estórias. As estórias - tinham amarugem e docice. A gente escutava, se esquecia de coisas que não sabia". Nas elocubrações de Manuelzão, vira-e-mexe, a beleza de Leonísia, sua nora: "Leonísia era linda sempre, era a bondade formosa. O Adelço merecia uma mulher assim? Seu cismado, soturno caladão, ele encabruava por ela cobiças de exagero, um amuo de amor; a ela com todas as grandes mãos se agarrava". Manuelzão ruminava: bem que o Adelço, depois da festa podia ir no seu lugar conduzindo a boiada, no comando, para longes distâncias. Afinal, não já estava sessentão? Não era ele quem mandava? "Eh, Manuel J. Roíz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". "Montado no meu cavalo eu abri este sertão..." No dia seguinte, a festa coma a missa celebrada. "A Capelinha estava só de Deus: Fazendo parte da manhã lambuzada de sol, contra o azul, mel em branca, parecia saída de um gear". Manuelzão, "a frente de todos, admirado por tantos olhos", dirige-se ao altar para beijar a Santa e dizer um padre nosso. Depois saiu, pois a capelinha era muito pequena, e "o aperto dava aflição". "O povoame enchia a chã, sem confusão nenhuma. Mesmo aqueles com os revólveres na cintura, armas, facas. Ao que Manuelzão, cá bem atrás ficou, no coice. Gostava todos aprovassem essa simplicidade sem bazófia, e vissem que ele fiscalizava". Após a celebração, a festa prossegue com danças, contradanças e muita alegria. Quadras ecoam dos violeiros do sertão, numa animação cheia de brincadeira, com o Pruxe, seo Vevelhoi e Chico Bràabóz no comando: Seu subi pelo céu arriba numa linha de pescar: preguntar Nossa Senhora se é pecado namorar!... -Olerê, canta! O Rio de São Francisco faz questão de me matar: pra cima corre ligeiro, pra baixo bem devagar... -Olerê, canta! Depois de muita festança e alguma comilança, a festa vai-se acabando. Ainda não. O velho Camilo, "todo vivido e desprovido", ia contar um caso - o fantástico "Romance do Boi Bonito, que vaqueiro nenhum não agüentava trazer no curral..." Até que assucedeu, brotado de repentemente, um vaqueiro encantado, por enquanto chamado apenas de Menino, que, montado num Cavalo de conto de fada, domou o Boi Bonito: ...O Boi estava amarado, chifres altos e orvalhados. Nos campos o sol brilhava. Nos brancos que o Boi vestia, linda mais luz se fazia. Boi Bonito desse um berro, não agüentavam a maravilha. E esses pássaros cantavam. O vaqueiro Menino foi "dino" (= digno): não quis dote nem nenhum prêmio pela proeza - queria tão-somente que livre Boi Bonito pastasse naquelas pairagens: "Vosmecê, meu Fazendeiro, há-de me atender primeiro, dino. Meu nome hei: Seunavino... Não quero dote em dinheiro. Peço que o Boi seja soltado. E se me dê esse Cavalo. Atendido, meu Vaqueiro, refiro nesta palavra. O Boi, que terá por seus os pastos do fazendado. Ao Cavalo, é já vosso. Beija a mão, meu Vaqueiro. Deus vos salve, Fazendeiro. Vaqueiros, meus companheiros. Violeiros... Fim Final. Cantem este Boi e o Vaqueiro, com belo palavreado..." Inebriado pela estória de seo Camilo, Manuelzão se revigora: apesar de seus 60 anos quase, ele está pronto para mais uma proeza - conduzir a boiada desbravando bravamente os caminhos do sertão das Gerais. PERSONAGENS Ao contrário de Muguilim, em que se focaliza um universo bastante limitado, coerente com a faixa etária do protagonista, em "Manuelzão", por estar a personagem na outra ponta da vida, tendo, portanto, passado por lugares vários, conhecendo gente e mais gente, o universo é bem maior.,. Aqui, pois, sugestivamente, a novela é povoada de gente que não acaba mias, reunida na Samarra para a festa de Manuelzão. Tudo gira, sem dúvida, em torno de Manuelzão, cuja trajetória de vaqueiro desbravador do sertão vai sendo reconstituída em meio à festa do presente. Ao contrário de Dom Casmurro, em que a velhice é marcada por mágoas e ressentimentos, aqui a vida é uma festa, movida por muita alegria e poesia, não obstante haver na novela também alguns lampejos de baqueamento. Apesar de vaqueiro sessentão, Manuelzão vai em frente, resistindo à idade, pois "de todo não queria parar". No final, sugestivamente, a novela se encerra com o início de uma nova jornada: "A boiada vai sair". Como é próprio da gente do sertão, o perfil de Manuelzão marca-se pela dedicação ao trabalho de vaqueiro e administrador da Samarra, tudo fazendo de uma forma abnegada e obstinada: "Eh, Manuel J. Roiz não bambeia!..." "Ele Manuelzão nunca respirara de lado, nunca refugara de sua obrigação". Por outro lado, ao longo da narrativa, percebe-se como traço de sua personagem, além da pródiga hospitalidade demonstrada com a festa, uma necessidade obsessiva de ser reconhecido e admirado como homem de valor: "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele, Manuelzão, falariam depois com respeito". Quanto às outras personagens, as que mais se destacam já ficaram esparramadas pela síntese que se fez da novela. LINGUAGEM Filtrado pelo ponto de vista de uma criança, a narrativa de Miguilim apresenta, coerentemente, uma linguagem que utiliza recursos morfológicos, sintáticos e semânticos, que reproduzem bem a expressividade da linguagem infantil, o mesmo acontecendo em Manuelzão, em que tudo é visto pela ótica do adulto. Por outro lado, também coerentemente, com o mundo apresentado, o registro da linguagem coloquial, tal como é falada pelo sertanejo, combina bem com a gente simples e rude que povoa as duas novelas. 1) Como é próprio da linguagem infantil, são constantes os diminutivos reduzidos em "-im", a começar pelo próprio nome Miguilim. "...tretava coragem de chegar pertim". "Miguilim, me dá umm beijim!" Algumas vezes o diminutivo é usado indevidamente, em função da expressividade. "E agorinha, agora, que ele carecia tanto de qualquer assinzinho de socorro". "Você me ensinazinho a dançar, Chica?" Em Manuelzão, expressando a ótica do adulto e combinado com o mundo apresentado, ocorre, com freqüência, o aumentativo, expresso não só no nome do protagonista como ao longo de toda a narrativa: "Laço, lação! Eu gosto de ver a argolar estalar no pé-do-chifre e o trem pular pra riba!" 2) Como é próprio da linguagem popular, é muito freqüente, em ambas as novelas, o uso duplo de negativas ("Mas nem não valia") e o emprego do advérbio não no final ("Ninguém manda, não"). 3) Outra coisa freqüente é o uso constante de sufixo -mente em situações não convencionais: "Mesmamente que acabavam a arrancação de inhame" "Só um caxinguelê ruivo se azougueou, de repentemente" "Pois, minhamente: o mundo era grande" 4) Como é próprio da linguagem interiorana, a presença de arcaísmo é freqüente: "Menino, eu te amostro!" "Escuta, Miguilim, você alembra..." 5) Também constantes são as inversões, como nos exemplos abaixo: "se coçando das ferroadas dos mosquitos, alegre quase" "...touro do demônio, sem raça nenhuma quase" 6) Reflexo da sintaxe popular, a silepse, caso de concordância ideológica aparece com freqüência: "A gente vamos lá!" "Ah, todo o mundo, no longe do redor, iam ficar sabendo quem era ele" 7) Outra coisa que se destaca na linguagem roseana é a aliança com a poesia, em que o autor explora recursos próprios da poesia, como aliterações, ecos, sonoridades, rimas, etc: "Teu lume, vaga-lume?" "Miguilim, me dá um beijim!" Refletindo a visão altamente lírica que ocorre em ambas as novelas, há passagens de oura poesia, como esta de "Manuelzão": "Fizeram noite, dançando. As iaiás também. O quando o dia já estava pronto pra amanhecer, céu já se desestrelando. No seguinte, na rompidinha do dia, a vaqueirama se formou". A esse propósito, Beth Brait, em "Literatura Comentada", afirma que "a lírica e a narrativa fundem-se e confundem-se, abolindo intencionalmente os limites existentes entre os gêneros." 8) Em suma, Guimarães Rosa "não se submete à tirania da gramática", fazendo largo uso da semântica, da sintaxe e da morfologia populares. Nesse sentido, em função da expressividade, são freqüentes na sua linguagem erros de colocação, de regência, de concordância etc. "Não truxe os óculos, Manuelzão. Assim, não dletreio..." "O que eu não posso agora é campear ela..." 9) Por outro lado destaca-se no estilo de Guimarães Rosa a inventividade - o gosto para criar palavras novas, usando sempre os recursos e possibilidades que a língua oferece: "Vezes que sucede de um adormorrer na estrada" "Tinha vergonha de saberem que estava lá em sua casa, em luademéis" "...ia ter mãezice de tolerar os casos, coisas que a todos desapraz?" "...mas insofria por ter de esperar" "O cachorrinho era com-cor com a Pingo" "O cachorro Gigão caminhara para a cozinha, devagaroso" "O vaqueiro Jé está dizendo que já vai dechover" "Mas agora o Gigão parava ali, bebelambendo água na poça" "Se encontrou com padrinho Simão, correu ensebado, veadal" "Tinha de ser lealdoso, obedecer com ele mesmo" "... enquanto Pai estivesse raivável" "As estórias - tinham amarugem e docice" "Carecia de um filho, prosseguinte" 10) Outro aspecto que reflete bem o mundo sertanejo e sabedoria popular é o suo constante ditados ditos populares, sempre, com rimas e musicalidade: "Lá chove, e cá corre..." "Eh mundão! Quem me mata é Deus, quem me come é o chão..." "Chuva vesprando, cachorro soneja muito" "Estou triste mas não choro. Morena dos olhos tristes, esta vida é caipora" "Mourão, mourão, toma este dente mau, me dá um dente são!" 11) Comuníssimo também em ambas as novelas, em mais aliança com a poesia, é o uso da frase nominal, sem estrutura oracional, desguarnecida de verbo: "Os violeiros desnudavam, Seo Vevelho, mais os filhos. A sanfona. Chico Bràabóz, preto cores pretas, mas com feições. Ô homem da pólvora quente!" 12) Combinando com a atmosfera festiva de "Manuelzão", são freqüentes, sobretudo nessa novela, quadras e versos, que refletem bem o gosto popular: O galo cantou na serra da meia-noite p'r'o dia. O touro berrou na margem no meio da vacaria. Coração se amanheceu de saudade, que doía... 13) Sempre em busca de originalidade, uma constante na ficção roseana, são comuns os jogos de palavras com verdadeiros achados como estes: "Lá é Cristo, cá é isto..." "Os bois todos andando, p'r'acolá, p'r'acoli" Como se pôde ver, o mundo ficcional roseano não é fácil, pois a linguagem sai do convencional, do já-feito, buscando um maneira nova de expressão: "O impulso primeiro é desistir", diz Beth Braitm que desafia: "Quem se atreve a adentrar espaço de eleitos?" ESTILO DE ÉPOCA A originalidade da linguagem de Guimarães Rosa, a sua inventividade e criatividade configuram bem o estilo de época (pós)-modernista. Essa preocupação em fazer diferente, saindo do convencional, é, sem dúvida, uma das grandes característica do estilo de época contemporâneo. É o próprio Guimarães quem fala: "Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros". Outra coisa que marca bem o estilo de época na obra é a capacidade revelada pelo escritor (pós)-modernista para refletir sobre problemas universais, partindo de uma realidade regional. É o que diz a contracapa de "Literatura Comentada": "Nele , quanto mais - aparentemente - particularizado o tema, mais universal ele é. Quanto mais simplórios seus personagens, mais ricas sua personalidades. Assim, rudes sertanejos refletem de forma peculiar e extremamente sutil os grandes dramas metafísicos e existenciais da humanidade". É isto que se vê em Guimarães Rosa e outro grandes escritores na nossa Literatura: há sempre uma dimensão universal no aparentemente regional. "O sertão que vem de Guimarães Rosa não se restringe aos limites geográficos brasileiros, ainda que dele extrais a sua matéria-prima. O sertão aparece como uma forma de aprendizado sobre a vida, sobre a existência, não apenas do sertanejo, mas do homem". Como dizia o próprio Guimarães: "o sertão é o mundo". ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES Além de apresentar o mundo sertanejo nos seus costumes, crendice e maneira próprio de ser, "Campo Geral" retrata basicamente a infância de um menino da roça nas suas incertezas, dúvida, angústias, crendices e descobertas do mundo e da vida. 1) Ao longo da novela, não são poucas as cenas e passagens em que se pode perceber a ruindade adulta em oposição ao sentimento puro e nobre da criança. Revela-o não só a história de cadela Pingo-de-Ouro, quase cega, que á doado aos outros pelo pai, como também a cena da caça ao tatu em que as pessoas grandes são recriminadas pela criança, na sua inocência e pureza. "Então, mas por que é que Pai e os outros se apraziam tão risonhos, doidavam, tão animados alegres, na hora de caçar àtoa, de matar tatu e os outro bichinhos desvalidos? " Miguilim via essas coisas e não compreendia. Na sua inocência de criança ficava a nódoa da imagem perversa: "Miguilim inventava outra espécie de nojo das pessoas grandes." "Miguilim não tinha vontade de crescer, de ser pessoa grande, a conversa das pessoas grandes era sempre as mesmas coisas secas, com aquela necessidade de ser brutas, coisas assustadas". 2) Como já deixamos claro no enredo, difícil e doloroso foi-se tornando o relacionamento de Miguilim com o pai. A cena da surra revela bem o sadismo e a prepotência do adulto ao espancar uma criança pequenina e indefesa: "(Pai) pegou o Miguilim, e o levou para casa, debaixo de pancadas. Levou para o alpendre. Bateu de mão, depois resolveu: tirou a roupa toda de Miguilim e começou a bater com a correia da conta. Batia e xingava, mordia a ponta da língua, enrolada, se comprazia. Batia tanto, que Mãe, Drelina e a Chica, a Rosa, Tomezinho, e até Vovó Izidra, choravam, pediam que não desse mais, que já chegava. Batia. Batia..." 3) A cena do bilhete, em que tio Terêz pede a Miguilim para entregá-lo à mãe, evidencia outro drama crucial para a criança: a angústia gerada pela dúvida entrer entregar ou não entregar o bilhete. Angustiava-se ante o compromisso assumido com o tio e a consciência de que estava fazendo alguma coisa errada. Nem mesmo Dito, com toda a sua sabedoria, pôde dar-lhe uma resposta que pudesse aliviar-lhe o tormento: nem mesmo a mãe, nem mesmo o vaqueiro Jé pôde tirar-lhe a dúvida que roía a alma: "Mãe, o que a gente faz, se é mal, se é bem, ver quando é que a gente sabe? Vaqueiro Jé: malfeito como é, que a gente se sabe? Menino não carece de saber Miguilim. Menino, o todo quanto faz, tem de ser é malfeito..." Ainda bem que o tio Terêz foi bom e compreensivo e aceitou o bilhete de volta: "Miguilim, Miguilim, não chora, não te importa, você é um menino bom, menino direto, você é meu amigo!" 4) O mundo da criança é sempre povoado de superstições e crendices que refletem o adulto. Algumas dessas crendices e superstições revelam bem o poder e a influência da religião com seu conceito de pecado, além de expressar também aspectos da cultura popular. Em "Campo Geral", várias passagens podem ser destacadas como exemplos: "Contavam que esse seo Deográcias estava excomungado, porque um dia ele tinha ficado agachado dentro da igreja". "Ah, não fosse pecado, e aí ele havia de ter uma raiva enorme, de Pai, deles todos, raiva mesmo de ódio, ele estava com razão". "Entre chuva e outra, o arco-da-velha aparecia bonito, bebedor; quem atravessasse debaixo dele - fu" - menino virava mena, menina virava menino: será que depois desvirava?" "Por paz, não estava querendo também brincar junto com o Patori, esse era um menino maldoso, diabrava. Ele tem olho ruim, - a Rosa dizia - quando a gente está comendo, e ele espia, a gente pega dor-de-cabeça..." "Ali no oratório, embrulhados e recosidos num saquinho de pano, eles guardavam os umbiguinho secos de todos os meninos, os dois irmãozinhos, das irmãs, o de Miguilim também - rato nenhum não pudesse roer, caso roendo o menino então crescia para ser só ladrão" "Quando a estória da Cuca, o Dito um dia perguntou: ?Quem sabe é pecado a gente ter saudade de cachorro?" 5) Por meio do contato com seo Aristeu e sobretudo através das conversas com Dito, muitas lições de vida Miguilim vai aprendendo: "O Dito dizia que o certa era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma". Era uma bela lição essa que o Dito ensinava a Miguilim: a alegria de viver. Aliás, a mesma lição é transmitida a ele por seo Aristeu, quando estava doente sem estar, e pensava em morrer. Foi só seo Aristeu fazer umas graças e Miguilim se restabeleceu da enfermidade. "Vai, o que você tem é saúde grande e ainda mal empenada." No final, com o happy-end provocado pelo destino, Miguilim chorava de emoção: "Sem alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim", Miguilim, de óculos nos olhos míopes, agora enxergavam diferente - tinha uma nova visão do mundo e da vida. Tendo também o mundo do sertão como pano de fundo, a ponto de parecer uma obra tipicamente regionalista, "Manuelzão" focaliza esse universo nos seus costumes, nas suas crendices, nas suas labutas, no seu sentimento religiosos e, sobretudo, na sua espontaneidade. Aqui certamente porque ainda não foi corroído pela civilização, o sertanejo se revela bom e puro, aproximando-se do bon sauvage dos românticos. 1) Maunelzão, como expressa o título, é realmente "uma estória de amor", em que tudo vem lindamente misturado: gente, bichos, coisas - a natureza. Aqui, gente rica e gente pobre, brancos e negros, homens e mulheres, reunidos numa capelinha minúscula, se irmanam numa festa de confraternização. Tal como em "Miguilim", também aqui a visão que se passa é positiva, alegre, apesar da rudeza do sertão inóspito. "Seo Camilo, a estória é boa! Manuelzão, sua festa é boa!" 2) Diferente de Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que a velhice é apresentada como uma fase amarga da vida, marcada pela solidão e pelo desencanto, aqui, apesar de algumas incertezas, Manuelzão e outros velhos da novela não sentem esse drama ou, pelo menos, não têm consciência dele Solteiro a vida toda, largado pelo mundo como vaqueiro desbravador do sertão, é bem verdade que Manuelzão, aos 60 anos, começa a sentir saudade da estabilidade doméstica que nunca teve, sentimento que se desperta sobretudo com a presença de Leonísia, sua nora, casada com o Adelço: "Nem havia de ter coragem: e a Leonísia sendo tão bonita - mulher para conceder qualquer felicidade sincera". Entretanto, a velhice era uma realidade a que não podia fugir. Ali estava o velho Camilo e o senhor Vilamão, já no ocaso da existência, que esperavam, com paciência e sem revolta, o adormorrer inevitável: "A gente olhava aquela lamparina se esprivitando no arder, no umbral da porta, e daqui a pouco, no empretecer das estrelas, era o fim da festa se executando". 3) Não obstante, Manuelzão vais resistindo como pode. "De todo não queria parar, não quereria suspeitar em sua natureza própria de um anúncio de desando, o desmancho, no ferro do corpo. Resistiu. Temia tudo na morte". Mas agora nem não carecia ter medo do adormorrer. Enquanto não chegava, ele, Manuel Roíz, bravamente ia desbravar mais de uma boiada pela Gerais imensas do sertão sem fim. 4) Bonita também e altamente positiva é a visão da vida envelhecida sem envilecer, que é mostrada como manancial de sabedoria, em que vêm beber as gerações do porvir a fim de se dar continuidade à festa, que deve ser a vida de cada um. Entretanto, como ensina o final do livro, "a festa não é pra se consumir - mas para depois se lembrar..." Esse lembrar, sem dúvida, é o que fica e é o grande consolo dos que se aproximam da dimensão maior, que se conquista com o adormorrer. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É o primeiro livro impresso de autor brasileiro. A obra apresenta poesias em português, espanhol, italiano, latim e duas comédias em espanhol. Escreveu o poemeto "A Ilha da Maré" apontado como precursor do nativismo pitoresco. A maior parte da sua obra e, talvez, a melhor parte foi escrita em espanhol. O autor embora considerado de pouca expressão literária dentro do barroco é um marco da nossa literatura. Obs.: - A "Enciclopédia e Diccionário Internancional" - W. M. Jacksn Editor diz: Manoel Botelho de Oliveira. Poeta brasileiro nascido na Bahia em 1636 e m. em 1711. Formado em direito pela Universidade de Coimbra, dedicou-se à advocacia; Foi fidalgo da Casa Real, capitão mor de ordenanças e vereador municipal. Publicou em 1705 um livro de poesias , com o título: Música do Parnaso; Nalgumas delas descreve cenas do país e particularmente da Bahia; este livro encerra também duas comédias em verso: Hay amigo para amigo, e Amor enganos e zelos. Escreveu também a canção Sobre os males originados pelo ouro, e a Ode à Ilha da Maré veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Obra publicada em 1962, reúne 21 contos. Trata-se do primeiro conjunto de histórias compactas a seguir a linha do conto tradicional, daí o "Primeiras" do título. O escritos acrescenta, logo após, o termo estória, tomando-o emprestado do inglês, em oposição ao termo História , designando algo mais próximo da invenção, ficção. No volume, aborda as diferentes faces do gênero: a psicológica, a fantástica, a autobiográfica, a anedótica, a satírica, vazadas em diferentes tons: o cômico, o trágico, o patético, o lírico, o sarcástico, o erudito, o popular. As estórias captam episódios aparentemente banais. As ocorrências farejadas através dos protagonistas transformam-se de uma espécie de milagre que surge do nada, do que não se vê, como diz o próprio Guimarães Rosa; "Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo". Este milagre pode ser então, responsável pela poesia extraída dos fatos mais corriqueiros, pela beleza de pensar no cotidiano e não apenas vivê-lo, pelo amor que se pode ter pelas coisas da terra, pelo homem simples, pelo mistério da vida. Dos "causos " narrados brotam encanto e magia frutos da sensibilidade de um poeta deslumbrado com a paisagem natural e/ou recriada de Minas Gerais. Enredos I - "As margens da alegria". Um menino descobre a vida, em ciclos alternados de alegria (viagem de avião, deslumbramento pela flora, e fauna) e tristeza (morte do peru e derrubada de uma árvore). II - "Famigerado".

O jagunço Damázio Siqueira atormenta-se com um problema vocabular: ouviu a palavra "famigerado" de um moço do governo e vai procurar o farmacêutico, pessoa letrada do lugar, para saber se tal termo era um insulto contra ele, jagunço. III - "Sorôco, sua mãe, sua filha". Um trem aguarda a chegada da mãe e da filha de Sorôco, para conduzi - las ao manicômio de Barbacena. Durante o trajeto até a estação, levadas por Sorôco , elas começam surpreendentemente a cantar. Quando o trem parte, Sorôco volta para casa cantando a mesma canção, e os amigos da cidadezinha , solidariamente, cantam junto. IV - "A menina e lá". Nhinhinha possuía dotes paranormais : seus desejos, por mais estranhos que fossem, sempre se realizavam. Isolados na roça, seus parentes guardam em segredo o fenômeno, para dele tirar proveito. As reticentes falas da menina tinham caráter de premonição: por exemplo, o pai reclamara da impiedosa seca. Nhinhinha "quis" um arco-íris, que se fez no céu, depois de alentadora chuva. Quando ela pede um caixãozinho cor-de-rosa com enfeites brilhantes ninguém percebe que o que ela queria era morrer... V - "Os irmão Dagobé". O valentão Damastor Dagobé, depois de muito ridicularizar Liojorge, é morto por ele. No arraial, todos dão como certa a vingança dos outros Dagobé : Doricão , Dismundo e Derval. A expectativa da revanche cresce quando Liojorge comunica a intenção de participar do enterro de Damastor. Para surpresa de todos, os irmãos não só concordam, como justificam a atitude de Liojorge, dizendo que Damastor teve o fim que mereceu. VI - "A terceira margem do rio". Um homem abandona família e sociedade, para viver à deriva numa canoa, no meio de um grande rio. Com o tempo, todos, menos o filho primogênito, desistem de apelar para o seu retorno e se mudam do lugar. O filho, por vínculo de amor, esforça-se para compreender o gesto paterno: por isso, ali permanece por muitos anos. Já de cabelos brancos e tomado por intensa culpa, ele decide substituir o pai na canoa e comunica-lhe sua decisão. Quando o pai faz menção de se aproximar, o filho se apavora e foge, para viver o resto de seus dias ruminando seu "falimento" e sua covardia. VII - "Pirlimpsiquice". Um grupo de colegiais ensaia um drama para apresentá-lo na festa do colégio. No dia da apresentação, há um imprevisto, e um dos atores se vê obrigado a faltar. Como não havia mais possibilidade de se adiar a apresentação, os adolescentes improvisam uma comédia, que é entusiasticamente bem recebida pela platéia. VIII - "Nenhum, nenhuma". Uma criança, não se sabe se em sonho ou realidade, passa férias numa fazenda, em companhia de um casal de noivos, de um homem triste e de uma velha velhíssima, de quem a noiva cuidava. O casal interrompe o noivado, e o menino, que conhecera o Amor observando-os, volta para a casa paterna. Lá chegando, explode sua fúria diante dos pais ao notar que eles se suportavam, pois tinham transformado seu casamento num desastre confortável. IX - "Fatalidade". Zé Centeralfe procura o delegado de uma cidadezinha, queixando-se de que Herculinão Socó vivia cantando sua esposa. A situação tornara-se tão insuportável que o casal mudara de arraial. Não adiantou: o Herculinão foi atrás. O delegado, misto de filósofo, justiceiro e poeta, depois de ouvir pacientemente a queixa, procura o conquistador e, sem a mínima hesitação, mata-o, justificando o fato como necessário, em nome da paz e do bem-estar do universo. X - "Seqüência". Uma vaca fugitiva retorna a sua fazenda de origem. Decidido a resgatá-la, um vaqueiro persegue-a com incomum denodo. Ao chegar à fazenda para onde a vaca retornara, o vaqueiro descobre que havia outro motivo para sua determinação: a filha do fazendeiro, com quem o rapaz se casa. XI - "O espelho". Um sujeito se coloca diante de um espelho, procurando reeducar seu olhar. apagando as imagens do seu rosto externo. A progressão desses exercícios lhe permite, daí a algum tempo, conhecer sua fisionomia mais pura, a que revela a imagem de sua essência. XII - "Nada e a nossa condição". O fazendeiro Tio Man 'Antônio, com a morte da esposa e o casamento das filhas, sente-se envelhecido e solitário. Decide vender o gado, distribuindo o dinheiro entre as filhas e genros. A seguir, divide sua fazenda em lotes e os distribui entre os empregados, estipulando em testamento uma condição que só deveria ser revelada quando morresse. Quando o fato ocorre, os empregados colocam seu corpo na mesa da sala da casa-grande e incendeiam a casa: a insólita cerimônia de cremação era seu último desejo. XIII - "O cavalo que bebia cerveja". Giovânio era um velho italiano de hábitos excêntricos: comia caramujo e dava cerveja para cavalo. Isso o tornara alvo da atenção do delegado e de funcionários do Consulado, que convocam o empregado da chácara de "seo Giovânio", Reivalino, para um interrogatório. Notando que o empregado ficava cada vez mais ressabiado e curioso, o italiano resolve então abrir a sua casa para Reivalino e para o delegado: dentro havia um cavalo branco empalhado. Passado um tempo, outra surpresa: Giovânio leva Reivalino até a sala, onde o corpo de seu irmão Josepe , desfigurado pela guerra, jazia no chão. Reivalino é incumbido de enterrá-lo, conforme a tradição cristã. Com isso, afeiçoa-se cada vez mais ao patrão, a ponto de ser nomeado seu herdeiro quando o italiano morre. XIV - "Um moço muito branco". Os habitantes de Serro Frio, numa noite de novembro de 1872, têm a impressão de que um disco voador atravessou o espaço, depois de um terremoto. Após esses eventos, aparece na fazenda de Hilário Cordeiro um moço muito branco, portando roupas maltrapilhas. Com seu ar angelical, impõe-se como um ser superior, capaz de prodígios: os negócios de Hilário Cordeiro, o fazendeiro que o acolheu, têm uma guinada espantosamente positiva. Depois de fatos igualmente miraculosos, o moço desaparece do memo modo que chegara. XV - "Luas-de-mel". Joaquim Norberto e Sa- Maria Andreza recebem em sua fazenda um casal fugitivo, versão sertaneja de Romeu e Julieta. Certos de que os capangas do pai da moça virão resgatá-la, todos se preparam para um enfrentamento: a casa da fazenda transforma-se num castelo fortificado. É nesse clima de tensão que se celebra o casamento dos jovens, a que se segue a lua-de-mel, que acontece em dose dupla: dos noivos e do velho casal de anfitriões, cujo amor fora reavivado com o fato. Na manhã seguinte, a expectativa se esvazia com a chegada do irmão da donzela, que propõe solução satisfatória para o caso. XVI - "Partida do audaz navegante". Quatro crianças, três irmãs e um primo, brincam dentro de casa, aguardando o término da chuva. A caçula, Brejeirinha , brinca com o que lhe dava mais prazer: as palavras. Inventa uma estória do tipo Simbad , o marujo, que ganha novos elementos quando todos vão brincar no quintal, à beira de um riacho. Liberando sua fantasia, Brejeirinha transforma um excremento de gado no "audaz navegante", colocando-o para navegar riacho abaixo. XVII - "A benfazeja". Mula- Marmela era mulher de Mumbungo , sujeito perverso que se excitava com o sangue de suas vítimas. Esse vampiro tinha um filho, Retrupé , cujo prazer só diferia do do pai quanto à faixa etária das vítimas: preferia as mais frescas. Apesar de amar seu homem e ser correspondida, Mula-Marmela não hesitara em matá-lo e depois cegar Retrupé, de quem se torna guia. Passado algum tempo, resolve assassiná-lo: percebe que esta seria a única maneira de refrear o instinto de lobisomem do rapaz. XVIII - "Darandina". Um sujeito bem- vestido rouba uma caneta, é surpreendido e, para escapar dos que o perseguem, escala uma palmeira. Uma multidão acompanha atentamente os esforços das autoridades, que procuram convencer o rapaz a descer. Resistindo, ele diz frases desconexas e tira toda a roupa, revelando notável equilíbrio físico. A sessão de nudismo leva um médico a nova tentativa de diálogo. Ao se aproximar, o médico percebe que o sujeito voltara à normalidade e que, envergonhado, pedia socorro. A multidão, sentindo-se ludibriada, não aceita essa sanidade repentina e se dispõe a linchá-lo. Sentindo o risco, o sujeito berra um grito de louvor à liberdade, motivo bastante para a multidão ovacioná-lo e carregá-lo nos ombros. XIX - "Substância". O fazendeiro Sionésio apaixona-se por sua empregada Maria Exita , que fora abandonada pela família e criada pela peneireira Nhatiaga . Na fazenda, o ofício de Maria Exita era o de quebrar polvilho, trabalho duro mas que a moça realizava com prazer e competência. Embora preocupado com a ascendência da moça, Sionésio sente que a paixão é maior que o preconceito e pede-a em casamento. XX - "Tarantão, meu patrão". O fazendeiro João - de - Barros - Dinis - Robertes tem uma surpreendente explosão de vitalidade em sua velhice caduca. Como se fora um Quixote, determina-se a matar seu médico: o Magrinho, seu sobrinho - neto. Ao longo da viagem rumo à cidade, recruta um bando de desocupados, ciganos e jagunços, que acatam sua liderança, pelo carisma natural do velho. Chegando à "frente de batalha", Tarantão percebe que era dia de festa: uma das filhas de Magrinho fazia aniversário. O susto inicial, provocado pela invasão do "exército", transforma-se em alívio quando o velho discursa, dizendo de seu apreço pela família e pelos novos amigos, colecionados ao longo da última cavalgada. XXI - "Os cimos". O menino da primeira estória revela agora a face do sofrimento, causado pela doença da Mãe, fato que apressa sua viagem de volta à casa paterna. Os últimos dias de férias são de preocupação. O Menino só relaxava quando via, todas as manhãs e sempre à mesma hora, um tucano se aproximar da casa dos rios, onde se hospedava. Num processo de sublimação, desencadeado pela beleza da ave, o Menino ganha energia para resistir e para transferir à Mãe uma carga de fluidos mentais positivos, que lhe permitam superar a doença. Quando o Tio o procura para comunicar a melhora da Mãe, o Menino experimenta momentos de êxtase, pois só ele sabia do motivo da cura. Foco Narrativo As indicações feitas a seguir são pontuadas com os algarismos que indicam a ordem de publicação de cada estória no livro. Assim, dez delas têm o foco relato centrado na terceira pessoa: I-" As margens da alegria"; II-" Famigerado" ;III- "Sorôco, sua mãe, sua filha"; IV-"A menina de lá"; V-" Os irmãos Dagobé"; VIII-" Nenhum , nenhuma"; X-"Seqüência "; XIV-"Um moço muito branco"; XIX-" Substância" e XXI-"Os cismos". As onze estórias restantes são relatadas em primeira pessoa: VI-"A terceira margem do rio"; VII- " Pirlimpsiquice"; IX-" Fatalidade "; XI-"O espelho"; XII- "Nada e a nossa condição"; XIII-"O cavalo que bebia cerveja"; XV-" Luas de mel"; XVI-" Partida do audaz navegante"; XVII-"A benfazeja"; XVIII-" Darandina " e XX-"Tarantão, meu patrão". Dessas onze estórias, apenas duas apresentam o narrador como protagonista: "O espelho" e "Pirlimpsiquice"; nas outras, o relato é feito por um espectador privilegiado, que presencia a ação e registra suas impressões a respeito do que assiste. O narrador pode ser também um personagem secundário da estória, com laços de parentesco ou e amizade com o protagonista. Quanto ao emprego dos tempos verbais, nota-se que, na maior parte das estórias, o relato se faz através de uma mistura do pretérito perfeito com o pretérito imperfeito do indicativo. Espaço A maioria das estórias se passa em ambiente rural não especificado, em sítios e fazendas; algumas têm como cenário pequenos lugarejos, arraiais ou vilas. Os ambientes são apresentados com poucos mas precisos toques: moldura de altos morros, vastos horizontes, grandes rios, pastos extensos, escassas lavouras. Duas estórias, no entanto - "O espelho" e "Darandina" -, transcorrem em cidades, pressupostas até como grandes centros urbanos, pelo fato de mencionarem a existência de secretarias de governo, hospício, corpo de bombeiros, jornalistas, parques de diversões, prédios de repartições públicas e outros serviços tipicamente urbanos.Personagens Embora variem muito quanto à faixa etária e experiência de vida, as personagens se ligam por um aspecto comum: suas reações psicossociais extrapolam o limite da normalidade. São crianças e adolescentes superdotados, santos, bandidos, gurus sertanejos, vampiros e, principalmente, loucos: sete estórias apresentam personagens com este traço. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O recado do morro é um dos sete contos que compõe o volume Corpo de Baile, de Guimarães Rosa. Trata-se de uma espécie de alegoria da formação do Brasil. É uma narrativa mais longa, quase uma novela, que descreve uma viagem de ida e volta pelo sertão, partindo de uma região central de Minas em direção ao norte até o Rio São Francisco, quando indica o ciclo do retorno. Caminham em tropa um naturalista estrangeiro, um religioso e um letrado - ilustrações dos desbravadores do país. À frente deles, dois homens do interior mineiro, conhecedores da região e do sertão, servem como guias. A trama irá opor os dois homens simples, por meio de uma emboscada de morte, que trará àquele espaço uma nova configuração.

A história ilustra o mundo sem lei. No sertão, vigora a regra, e não a lei - a regra da aliança e da vingança. Para o autor, estão em jogo ali novamente os destinos da civilização e da cidadania brasileira.

O recado do morro, os personagens-viajantes se deslocam pelo interior de Minas e por vários campos do saber, ao mesmo tempo em que recontam e decifram antigas estórias, relatos da loucura e mitos anônimos. Nesse conto, uma rede de narradores é estabelecida para passar adiante uma estória que, ao final, ainda é a mesma embora já seja outra. O recado do morro, ouvido por Gorgulho, é contado para seu irmão Catraz, que o reconta para o jovem Joãozezim, que o narra para Guégue, o guia que se orienta por referências móveis.

A partir daí, o recado vira boato e pode ser ouvido no discurso apocalíptico de Nômini Dômini, nos números inscritos pelo Coletor na parede da igreja, ou na letra cantada ao violão por Laudelim, até que se torna compreendido por seu destinatário, o guia Pedro Orósio, que sempre ouvira as diversas variações da mesma história sem atinar para o fato de que isso era um aviso de sua própria morte. Constituído pelas relações cooperativas e desarmônicas entre saber e não-saber - entre aquele que sabe e aquele que não sabe, entre o que cada personagem sabe e as formas como o sabe e o compartilha -, o conto opera com formas e temas não-excludentes, que podem ser verificados pelos freqüentes processos de tradução capazes de dar sustentação a uma poderosa estrutura fractal e em rede.

Apropriando-se de saberes das áreas de Matemática, Medicina, Biologia, Lingüística e da tecnologia de seu tempo, o conto também recorre aos diferentes saberes do sertanejo, construindo um incessante processo tradutório entre esses diversos campos. Os saberes acadêmicos, artísticos, religiosos, populares, e também os não-saberes, presentes em todas essas instâncias, são articulados numa rede discursiva que é a própria literatura de ficção.

Retomando variadas tradições discursivas – literárias e extraliterárias – o conto lhes permite uma cooperação desarmônica, criando a tensão narrativa que preside todo texto ficcional.

O conto realiza uma inter-relação entre os relatos dos habitantes do lugar e a estória dos que habitam a obra do autor. Parte deste conto se passa em Buritizeiro, na vertente do Formoso.

As descrições da paisagem, do lugar, das veredas, dos chapadões e do povo sertanejo se fundem com a memória dos habitantes do lugar: Neste conto um pequeno grupo de viajantes estrangeiros via a cavalo pelo sertão para fins de investigação. Os dois guias do país, os vaqueiros Pedro e Ivo, são inimigos ferozes. Pedro é um Casanova campesino, que já roubou a muitos colegas as boas graças das suas moças. Presságios sinistros acompanham a expedição. No seu trajeto encontra um velho alienado, que pretende ter ouvido uma mensagem do monte próximo. O velho já não consegue lembrar-se do conteúdo da mensagem, apenas recorda, que falava de um rei. Pedro não dá ouvido ao palavreado do velho, mas a enigmática mensagem vai dando que falar no sertão e os viajantes ouvem-na com freqüência, em fragmentos confusos. O pressentimento inarticulado de um ato de violência vai aumentando, quando Ivo, no fim da viagem, convida o seu odiado rival para uma festa de reconciliação. Na noite da festa os investigadores e seus companheiros reúnem-se numa pequena taberna, um dos convivas recita uma balada popular, a história do jovem rei, que na viagem de peregrinação a Belém é atacado e assassinado pelos próprios vassalos. Torna-se clara então a mensagem do monte. Ivo e seus cúmplices arrastam o Pedro embriagado, e ficamos a saber que não se trata de reconciliação, mas de um ato de vingança traiçoeiro. Mas eis que esta expectativa é repentinamente contrariada: sussurrando os versos da balada, Pedro de relance compreende a intenção dos seus companheiros, atira-se a eles e consegue pô-los em fuga. Nessa novela, o Morrão torna-se “belo como uma palavra” e porta-voz de um recado para a personagem principal, Pedro Orósio, guia de uma comitiva que parte de Pirapora para Cordisburgo.

À medida que a comitiva avança sertão adentro, o recado vai sendo passado de boca em boca a personagens excêntricos: bobos, loucos, lunáticos, fanáticos religiosos e um menino, até chegar aos ouvidos do músico Laudelim, que transforma a mensagem numa canção. Traduzido para a música, o recado é então compreendido por Pedro Orósio, a tempo de receber o aviso do Morro sobre as intenções de seus falsos amigos.

O morro da Garça, em Minas Gerais, assume papel de destaque no conto, ao enviar mensagem de morte à personagem principal do conto, captada por um visionário sertanejo e afinal percebida a tempo por tal personagem.

Com a poesia que lhe é peculiar, Guimarães Rosa transformou o Morro da Garça, a paisagem sertaneja, as estórias e os costumes do povo do sertão em obra de arte, fazendo do espaço físico, cenário para seus personagens, lugares imaginados, “mais ou menos como a gente vive”. O conto retrata o desdobramento de uma história, contada e recontada sete vezes. No conto o vaqueiro Pedro Orósio faz uma viagem pelo sertão e alguns de seus companheiros preparam uma cilada para matá-lo. Ele só escapa porque o morro lhe manda uma mensagem construída ao longo de uma semana (de sete etapas). Pedro com pedra, Orósio como oros (montanha), também conhecido como Pê-boi, pé na terra. Da terra recebe o recado. Durante a viagem, percorreu as fazendas de Apolinário, Nhá Selena, Marciano, Nhô Hermes, Jove, Dona Vininha e Juca Saturnino. Em companhia dos Vaqueiros Helio Dias Nemes, João Lualino, Martinho, Zé Azougue, Jovelino, Veneriano e Ivo Crônico. Assim enfilerados, dá pra perceber o que no texto vem diluído: a alusão aos dias da semana (tais como são nomeados em outras línguas) e aos deuses aos quais são dedicados: Apolo / Sol; Selene / Lua; Marte, Mercúrio / Hermes; Júpter, Vênus, Saturno / Cronos. O que acontece em cada fazenda tem a ver com cada deus dominante (beleza, festa, guerra, comércio / mensagem, poder e fartura, amor, tempo). Mas a terra escapa. O recado é decifrado por Pedrão Chãbergo (chão e berg, rocha em alemão). veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Narra a história de Félix, emocionalmente instável e sacudido a todo momento por impulsões de ciúme na conquista da viúva LÍVIA. Cansada do comportamento de Félix, Lívia decide tornar definitiva a separação. “Não sei o que deva pensar deste livro, ignoro, sobretudo, que pensará dele o leitor.

A benevolência com que foi recebido em volume de contos e novelas, que há dois anos publiquei me animou a escrevê-lo. É um ensaio. Vai despretensiosamente às mãos da crítica e do público, que o tratarão com a justiça que merecer “. E, concluindo a Advertência: ”Minha idéia ao escrever este livro foi pôr em ação aquele pensamento de Shakespeare: Our doubts are trauitor, And make us lose the good we oft might win By fearing to attempt. Não quis fazer romance de costumes; tentei o esboço de uma situação e o contraste de dois caracteres; com esses simples elementos busquei o interesse do livro. A crítica decidirá se a obra corresponde ao intuito, e, sobretudo se o operário tem jeito para ela. É o que lhe peço com o coração nas mãos". veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Missa do Galo (publicado no livro Páginas recolhidas) fala de uma singular conversa entre uma senhora de 30 anos e um jovem 17, que tinha que manter-se acordado para acordar o amigo para irem à missa do galo. Eles conversam, ele apiada-se dela (o marido traía e ela resignava-se), admira-a e distrai-se. Por fim o amigo lhe chama, já que já havia passado da meia-noite e ele nunca mais tem outra conversa profunda com ela. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Clique abaixo para ver um pouco do Programa Zmaro
Humor inteligente de forma descontraída...
http://www.youtube.com/watch?v=JB4o0xDcu5I&rec_codigo=322
Cantor Walmir Santiago em entrevista no Programa Zmaro
Clique para assistir
   
http://www.Zmaro.com.br/150d?rec_codigo=322
Parceiro que virou cunhado, G5X, Sabores de Pizza, Teatro de Tabuas e mais - Programa Zmaro 150
Clique para assistir
   
http://www.zmaro.tv/198d?rec_codigo=322
Molho com larvas, Containers food truck, Coleção de LPs e muito mais no Programa Zmaro 198
Clique para assistir
   
http://www.Zmaro.com.br/102?rec_codigo=322
Cantora Perla Paraguaia, Dicas de violão e guitarra, passos de dança e mais... - Programa Zmaro 102
Clique para assistir
   

 

De grão em grão a galinha enche o bico!!!
Contribua com o PobreVirtual e Programa Zmaro. Curta, comente e compartilhe o Programa Zmaro nas suas redes sociais.
Envie seus resumos, receitas, dicas, provérbios e o que mais tiver para comaprtilhar no PobreVirtual e no Programa Zmaro. Basta acessar
www.pobrevirtual.com.br/fale
Ou se preferir você pode contribuir financeiramente depositanto qualquer valor em qualquer lotérica (Caixa Econômica Federal): agência 1998, operação 013, Poupança número 8155-0, ou veja outros meios em www.Zmaro.tv/doe 
Livros e cursos são caros, me ajude a aprender novas linguagens para lhe ensinar melhor e incrementar este site com várias novidades. Quando você passar em frente a uma lotérica, lembre-se que existe alguém que precisa muito desta(s) moedinha(s), ponha a mão no bolso e perca alguns segundos do seu tempo e faça um depósito. Pegue aquela moedinha que vai acabar caindo do seu bolso e dê um bom destino a ela.