Ser pobre é conseguir arrumar tempo para admirar o por do sol e o sorriso de uma criança......

veja todos os voos de drone em

www.Zmaro.tv/Drone

 

 

Mais
acessados

Principal

Modelos de
Documento

Receitas

Resumos
de Livros

 Perguntas e Respostas
 Jurídicas

Idéias para
ficar rico

Dicas gerais

Dizem que

Ser pobre é


Memorização

Curso de Memorização

Memorização:
que dia cai?

Demais
Cursos e
apostilas


Gastronomia

carnes

bacalhau

dicas gerais

microondas

 receitas diversas

Receitas

em vídeo

tudo sobre congelamento

vinhos


Download

delivery

palpites para loteria

simulador keno (bingo)

treine digitação

ringtones de graça

Saiba quais números
mais e menos saem
na MEGASENA


Contato

Fale com o Zmaro
e/ou
PobreVirtual

Site do
Programa Zmaro

Vídeos do
Programa Zmaro
Humor inteligente
de forma descontraída...

 
Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
envie seus resumos e sugestões, clique aqui
Nos 163 curtos fragmentos desta obra, Oswald de Andrade constrói um personagem semi-autobiográfico, o referido João Miramar. Frenético, seu estilo telegráfico é cheio de neologismos e estrutura fraseal incomum e inovadora. Ao contar a história de Miramar, da infância, casamento e amantes, viagens à Europa e aventuras financeiras no cinema até sua viuvez na época do armistício (o livro na maioria se passa de em São Paulo de 1912 a 1918), Oswald cria um romance futurista, Aqui, prosa e poesia se confundem totalmente; alguns dos fragmentos *são* poesia. O livro tem prefácio de um personagem fictício do livro: Machado Penumbra, uma sátira aos "intelectuais" de sua época, com estilo pedante, gente que Oswald tanto combateu. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Brunner – situações problemas, Descoberta, cognitivista,

Jerone Brunner
Escola não é responsável por criar a inteligência, incentiva a inteligência inata a desenvolver. O aluno fica mais atento e reflete, tira suas próprias conclusões.
Teoria da descoberta:
Indutivo: dialogo, questionar, buscar o próprio conhecimento, construção.
Método socrático: base no trabalho do dialogo. Cria situações problemas para desenvolver inteligência.
Cognitivista parte do princípio de cada individuo tem inteligência: penso, logo existe, Descartes
Estágios de desenvolvimento> Piaget
Projetos: diferentes faixas e diferentes níveis; não existe série e sim Projetos de grupos de alunos. O trabalho mais simples pra os alunos menores e mais complicados pra os grupo de alunos maiores.
Pesquisa
Insight solução de problemas construção de conhecimento
Professor: deve dosar o tempo d atividade (não deixar o aluno solto em observação e intervir na hora certa,Redescoberta: descobre por si mesmo. Aprender é quando se lembra do aprendido no futuro;Orientar a criança com amor e não como obrigação.
Problema aprendizagem: pensar e ver o que se quer da criança; o preparo para se ter o problema: aprendizagem cognitiva
Inativo: a criança apresenta o mundo pela ação, exerce sobre os objetos(sensório-motor, movimentos
Icônico: representa mentalmente os objetos, onde se forma a imagem, estrutura,objetos, para facilitar a decodificação elo virtual.
Simbólico: os símbolos através de expressões lingüísticas: utiliza símbolos sem necessidade de imagens.
Para Bruner, o professor não dá aula, não te aula tradicional, são encontrados comuns onde o professor facilita a aprendizagem
Ambiente: exerce influencia diminui ou acelera. O comportamento do professor reflete no do aluno.
O professor é o orientador, facilitador que procura meios pra facilitar a aprendizagem, estimula
A avaliação é individual, auto-avaliação.
Associação de Gestalt
Diferencia de Ausubel, professor é responsável pela aprendizagem do aluno. Para Brunner o aluno é responsável pela própria aprendizagem.
Ele leva o aluno a pesquisa: reflexão ocorre o insight, ele tem o feedback, através da descoberta.
Brunner não te programa fixo, e sim maleável conforme necessidade, o que é igual a Cool (PCN é um auxiliar, um meio, e não um fim).
Gestlat o professor induz o aluno a construir.
Aplicado no noturno por meio de projetos, é um ensaio de Brunner, módulos e projetos
Brunner critica Ausubel por ser sistemático o que o professor é responsável pela aprendizagem do aluno à carga maior do professor e Ausubel reponde: método de descoberta é extenso, o aluno se perde e a situação problema criada pelo professor foge do controle do professor. Os dois são cognitivista.. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Auto da Barca do Inferno é um auto onde o barqueiro do inferno e o do céu esperam à margem os condenados e os agraciados. Os que morrem chegam e são acusados pelo Diabo e pelo Anjo, ma apenas o Anjo absolve. O primeiro a chegar é um Fidalgo, a seguida um agiota, um Parvo (bobo), um sapateiro, um frade, uma cafetina, um judeu, um juiz, um promotor, um enforcado e quatro cavaleiros. Um a um eles aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca; ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e se dizem merecedores do Céu. Aproximam-se então do Anjo que os condena ao inferno por seus pecados. O Fidalgo, o Onzeneiro (agiota), o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira Brísida Vaz (cafetina e bruxa), o judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador (promotor) e o enforcado são todos condenados ao inferno por seus pecados, que achavam pouco ou compensados por visitas a Igreja e esmolas. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. Os cavaleiros sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja. O texto do Auto é escrito em versos rimados, fundindo poesia e teatro, fazendo com que o texto, cheio de ironia, trocadilhos, metáforas e ritmo, flua naturalmente. Faz parte da trilogia dos Autos da Barca (do Inferno, do Purgatório, do Céu) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Filho de um humilde carpinteiro,Julien Sorel sonha com uma vida intensa e gloriosa. Sua desmedida ambição o leva a conviver com a burguesia provinciana e com a aristocracia parisiense. Ainda assim Julien continua a ser um pobre no mundo dos ricos. A partir desses elementos, Stendhal criou um magistral romance psicológico, considerado o mais significativo da literatura francesa do século XIX. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
No início do século XX, Manaus, a capital da borracha, recebeu estrangeiros como o jovem Halim, aprendiz de mascate, e Zana, uma menina que chegou sob a asa do pai, o viúvo Galib, dono de um restaurante perto do porto. Halim e Zana vão gerar três filhos: Rânia, que não vai casar nunca, e os gêmeos Yaqub e Omar, permanentemente em conflito. O casarão que habitam é servido por Domingas, a empregada índia, e mais tarde também pelo filho de pai desconhecido que ela terá. Esse menino — o filho da empregada — será o narrador. Trinta anos depois dos acontecimentos, ele conta os dramas que testemunhou calado. Dois irmãos é a história de como se faz e se desfaz a casa de Halim e Zana. Apaixonado pela mulher, depois do nascimento dos filhos Halim se condena à nostalgia dos tempos em que não era pai, em que não precisava disputar o amor de Zana, em que os dois tinham todo o tempo do mundo para deitar na rede do alpendre e se entregar aos prazeres sensuais. Pelo que nos conta o narrador, Halim estará sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares: a desmedida dedicação de Zana a Omar, seu filho preferido; o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família supostamente para amenizar os conflitos com Omar; a relação amorosa entre os gêmeos e a irmã, Rânia.

De Domingas, com quem compartilhava o quartinho nos fundos do quintal, o narrador nos diz que esta é uma mulher que não fez escolhas. Aparentemente, não escolheu nem mesmo o pai de seu filho. Milton Hatoum faz os dramas da casa estenderem-se à cidade e ao rio: Manaus e o Negro transformam-se em símbolos das ruínas e da passagem do tempo. E, pela voz de um narrador solitário, revive também os tempos sombrios em que as praças manauaras foram ocupadas por tanques e homens de verde. Esses tempos foram responsáveis pelo destino trágico de um grande personagem do livro: o professor Antenor Laval. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


A batalha dos moinhos de vento Dom Quixote e Sancho Pança chegaram a um local onde havia trinta ou quarenta moinhos de vento. Dom Quixote disse a Sancho Pança que havia dezenas de míseros gigantes que ele ia combater. Sancho pediu para Dom Quixote observar melhor, pois não eram gigantes e simplesmente moinhos de vento. Dom Quixote aproximou dos moinhos e com pensamento em sua deusa, Dulcinéia de Toboso, á qual dedicava sua aventura , arremeteu, de lança em riste, contra o primeiro moinho. O vento ficou mais forte e lançou o cavaleiro para longe. Sancho socorreu-o e reafirmou que eram apenas moinhos. Dom Quixote, respondeu que era Frestão, quem tinha transformado os gigantes em moinhos. Análise do trecho Através deste breve relato da Batalha dos Moinhos de Vento, podemos ver com clareza a loucura de Dom Quixote. Naquele momento, podemos observar, Sancho Pança comportar-se com as mesmas idéias de nossa sociedade quando defronta-se com algo fora dos padrões, fora do cotidiano, fora da normalidade petrificada que ela mesma impõem. E com mesma atitude, demostrando, apontando, avisando, porém nada fazendo mediante o fato. Dom Quixote não tinha consciência do que fazia. Ele havia se aprofundado tanto naquele mundo irreal que começou a ver coisas logo após o choque com os moinhos ele percebe com clareza que os gigantes de fato eram moinhos, porém sua imaginação o faz achar que algum mago o hipnotizou, fazendo ele ver nos moinhos os gigantes. Sempre havia uma forma da realidade transformar-se em irrealidade. A batalha contra o “exército de ovelhas” Neste capítulo do livro, é relatado uma das aventuras de Dom Quixote, o encontro com dois rebanhos de ovelhas. O cavaleiro, com todo o seu sonho, criou paisagens, personagens que não existiam, atribuindo-lhes armas, coroas, escudos que na verdade não existiam, eram somente animais. Foi então que o “herói” avançou em direção aos rebanhos e, como sempre foi surrado pelos pastores e pelas próprias ovelhas. Trecho Como continuidade da sua loucura, o fidalgo é capaz de imaginar em um campo, que está cheio de ovelhas, dois grandes exércitos, com seus generais e cavalos, guerreando. Aqui, Sancho Pança, também reprime o nobre homem, repetindo atitudes de nossa sociedade. Ele faz um papel de “acredite se quiser”, concordando com os sonhos de seu amo apenas para satsifazê-lo, ou seja, se não podia controlá-lo, juntava-se a ele. Sancho Pança conquista suas ilhas prometidas Desacreditado em receber sua ilha, Sancho Pança ganhou-a com muito orgulho. Pelo fato de acreditar e acompanhar um cavaleiro, tinha muito prestígio na sociedade. Sancho Pança realizou resolveu vários problemas durante seu curto encontro com o poder, mas a população, que estava apenas fazendo uma brincadeira com o escudeiro, afetou os sentimentos do “governador”, fazendo-o abdicar ao cargo e voltar a sua vida antiga. Análise do trecho Nesta passagem do livro, analisamos como a sociedade, representada por Sancho Pança, é frágil. Ao acreditar estar recebendo os reinos prometidos por “nosso herói”, o fiel escudeiro rende-se à fantasia de Dom Quixote, movido pela ganância e pelo poder. Em contra partida, sua análise mais crítica do fato demonstra a atitude de debocho e desprezo dos habitantes da ilha, pouco se importando com o estado do ajudante e do próprio cavaleiro. Não refletiram se Dom Quixote tinha algum problema mental ou se precisava de ajuda. Ao contrário, invés de ajudá-lo, contribuíram para a sua ridicularização. Finalizando, o livro de Miguel de Cervantes retoma a história do povo espanhol e do Europa, retratando as aventuras dos inúmeras cavaleiros, sendo por isso considerado a última novela de cavalaria. Critica também as atitudes da sociedade e como alguns componentes desta alertaram para o problema de Dom Quixote e se esforçaram para o problema para tentar solucioná-lo. Causas do surgimento de Dom Quixote: Perda da riqueza - Dom Quixote era um fidalgo, filho de pais ricos. No entanto, durante sua vida, ele vai perdendo sua riqueza, pagando dívidas e comprando livros. Por isso, mergulha na literatura em busca da solução desta dificuldade, até demais. Mudança em sua vida - Além de perder sua riqueza, Dom Quixote, ao nosso ver, começa a agir como um cavaleiro em busca de uma mudança, uma nova vida. Ele já tinha uma idade relativamente avançada e vivia muito só. Por isso deixa-se levar por imaginação e passa a viver num mundo ilusório, fantasioso. Conseqüências da “loucura” de Dom Quixote Lesão às pessoas - Ao agir como Dom Quixote, o cavaleiro não distinguia as pessoas com quem encontrava, prejudicando algumas e, consequentemente, auxiliando outras, física e financeiramente. Perda da história - Quando os amigos de Dom Quixote descobrem a causa de sua “insanidade”, decidem por acabar de vez com ela, queimando todas as suas novelas de cavalaria. Por outro lado, ao agir desta forma, a sociedade comprova seu poder, eliminando algo que possa causar mais problemas futuros, que possa incomodá-la. Morte do personagem - Dom Quixote, inconsciente de seus atos, não percebe o desgaste de seu corpo e, infelizmente, como ele próprio afirma, só retorna à realidade quando já está nos momentos finais de sua vida. Morre arrependido, mas em paz por tê-la feito a tempo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O personagem título é Mayer "Capitão Birobidjan" Guiznburg, um judeu que chegou ainda menino da Rússia. Mayer era marxista e sonhava fundar uma nova Birobidjan (Birobidjan era o nome de uma colônia coletiva de judeus na Rússia), uma utopia socialista. Jovem, era muito rebelde, e deu muitos desgostos ao pai que lhe queria ver rabino. Tinha outros amigos marxistas, incluindo a jovem Léia com quem se casa. Após algum tempo abandona tudo e vai viver na propriedade de um desses amigos, que, como todos a essas alturas, já havia abandonado suas convicções. Em Nova Birobidjan, como ele batiza sua terra, passa a viver para o trabalho acompanhado pelo Companheiro Porco, Companheira Cabra e Companheira Galinha, a última a qual ele não gostava por ser improdutiva, lia Rosa Luxemburgo e dava discursos a homenzinhos que só ele via. Depois de algum tempo aparecem inimigos, quatro vagabundos a quem ataca após ser atacado, e cuja amante coletiva passa a se tornar a segunda cidadã. Mais tarde ela sai de Nova Birobidjan e Mayer volta para casa. Ele se reforma, após algum tempo até mesmo abandona o ateísmo, e passa a trabalhar duro. Troca de ramo para a construção e enriquece, mas complica-se ao se tornar amante da secretária e acaba se divorciando após abandoná-la.

Sua companhia fale e ele acaba numa pensão (localizada no terreno de Maykir, sua antiga empresa, que por sua vez se localizava no terreno da Nova Birobidjan), onde tenta reiniciar Nova Birobidjan, mas acaba falhando. Acuado, abandonado, triste, muito ligado a religião e quase sem esperança (os homenzinhos para quem discursava agora já eram só três), o Capitão Birobidjan tem um ataque do coração ao ensaiar uma resistência, mas como descobrimos no começo do livro, ele sobrevive. A história, no entanto, acaba aqui. Contado em terceira pessoa, cada capítulo deste livro nos remete a um ano ou conjunto de anos. O primeiro e último é 1970, mas recua-se logo apara 1928, 1916, 1929, 1930... até voltar-se para 1970, contando sempre com o humor irônico e amargo de Scliar, a saga do Capitão Birobidjan, um louco humanista, Don Quixote do bairro do Bonfim de Porto Alegre, tentando construir uma sociedade melhor e coletivista, apesar de tudo e de todos que se opõe a ele, ridicularizado por todos aqueles a quem chama Companheiro, ele é um exército de um homem só lutando por um mundo mais justo que no final não vale a pena. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
EMÍLIA FERREIRO - evolução da escrita; alfabetização; construtivismo/social; objetos concretos; individual;
Biografia
Psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México desde 1967, Emília Ferreiro, doutorou-se em Psicologia na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget.Desenvolveu a partir de 1974, como docente da Universidade de Buenos Aires, trabalhos experimentais que deram origem aos pressupostos teóricos sobre PSICOGÊNESE DO SISTEMA DE ESCRITA, marco na transformação do conceito de aprendizagem da escrita, pela criança. A autora pesquisou a Psicogênese da Língua Escrita verificando que as atividades de interpretações e da produção da escrita começam antes da escolarização, e que a aprendizagem dessa escrita se insere em um sistema de concepções, elaborado pelo próprio educando, cujo aprendizado não pode ser reduzido a um conjunto de técnicas perceptivo-motoras.
Foi professora em várias universidades latino-americanas e européias. Atualmente é professora titular do Centro de investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico nacional e trabalha como pesquisadora do Centro Internacional de Epistemologia Genética, na cidade do México, onde reside.
A teoria de Emília Ferreiro nasce no auge da América Latina, onde a evasão e a retenção escolares progridem de forma alarmantes. Como uma importante saída para esse problema, Emilia Ferreiro repensa o processo de aquisição da escrita e da leitura.

Sua teorização

Idéias

Os resultados das pesquisas desenvolvidas por Emília Ferreiro e colaboradores a partir da década de 70 vêm constituindo importante referencial para a reorganização gradativa da prática da sala de aula, na qual o eixo central muda radicalmente , passando de como se ensina para como se aprende. Rumo a essa organização, surgiram iniciativas desde há muito tempo, mas não tiveram continuidade. Também não contaram com a participação do professor e do aluno, aqueles que deveriam construir a proposta pedagógica e a prática escolar num contexto de mudanças, no sentido de uma reformulação curricular, como queria Decroly, ou numa revisão de prática pedagógica, como apontava Freinet.
A questão que colocamos, e que emergiu naturalmente no fim do século XX é a construção de uma proposta educacional que leve o aluno a adquirir e desenvolver novas competências em função dos novos saberes que se produzem e que demandam um novo tipo de profissional, preparado pra lidar com as novas tecnologias e linguagens, para responder a novos ritmos e processos. Exige, portanto, estudo e reflexão contínuo sobre as experiências acumuladas, evitando a repetição de rotinas construída ao acaso, sem definições de metas, pontos de chegada e marcos do caminho a ser percorrido por professores e alunos. Reconhece-se a necessidade de preparar o aluno para o exercício da cidadania, qualificando-o pra o trabalho e possibilitando-lhe amplas condições e oportunidades de aprendizagem.
É função da escola criar tais condições, adotar uma proposta que permita a todos os alunos desenvolver suas capacidades e aprender os conteúdos necessários pra compreender e intervir na própria realidade. Mas qualquer proposta só contribuirá para melhoria da qualidade do ensino se não se apresentar como uma receita metodológica a se seguida. As pesquisas de Emília Ferreiro tratam de aplicação da teoria psicogenética de Piaget e dos conceitos da psicolingüística contemporânea na compreensão dos processos de aquisição de conhecimento e da língua escrita.
Ao recuperar os resultados dos seus estudos, que se dúvida contribuíram (e contribuem para uma revolução conceitual, mudando a maneira de encarar a prática em sala de aula e mais especificamente, a prática da alfabetização, nosso intuito é tão somente desvelar a fae oculta da alfabetização que Ferreiro, mesmos em intenção nos deu a conhecer. Como Rousseau, Decroly, Freinet e muitos outros filósofos e pedagogos, ela mostra que o problema principal da alfabetização é político.
Ao discutir as aprendizagens básicas, Emília Ferreiro ressalta que a mais básica de todas as aprendizagens continua sendo a alfabetização, e que é difícil de falar desta sem reproduzir as posturas dominantes: de um lado, o discurso oficial, e de outro, o discurso meramente ideológico da denúncia. Considera que os pesquisadores não podem ter uma perspectiva estritamente técnica porque a persistência do analfabetismo na região da América Latina e Caribe é antes de tudo um problema político, reconhecido como tal não apenas por grupos de uma só tendência política, mas também de várias. Ainda que seu discurso não possa ser neutro, o pesquisador deve cumprir com os requisitos elementares de seu oficio: distinguir as afirmações que podem sustentar-se com evidencia empírica satisfatória daquelas que só podem apresentar-se como hipótese plausível; distinguir entre o dado e as leituras possíveis dos dados; não trabalhar das intenções pra integrar essas informações; descobrir os pressupostos subjacentes a certo modo de descrever ou avaliar um fenômeno ou uma situação; não confundir as expressões verbais utilizadas com as distinções conceituais estabelecidas.
Ao analisar as propostas para reduzir as altas taxas de retenção e evasão escolar, especialmente nos três primeiros anos do ensino fundamental, destaca como causa e justificativa principal da repetência a não-aquisição dos rudimentos de leitura e escritas. Não adianta a criança freqüentar a escola e ser promovida mediante a exigência de um mínimo de alfabetização, ou seja, receber apenas a técnica da leitura e da escrita pra poder codificar e decodificar textos breves e escrever algumas palavras, sem significação real de comunicação ou intenção de atingir a língua escrita para expressar-se.

“As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização. - apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao professor, organizar atividades que favoreça a reflexão sobre a escrita”.

Sabemos que até a década de 70, poucos eram os estudos e documentos sobre a natureza dos sistemas de leitura e escrita. O que encontramos são iniciativas e reflexões individuais. Emília Ferreiro mostra que o sucesso da alfabetização requer a superação da visão estreita que considera a aprendizagem inicial da leitura e da escrita como uma técnica, pois o fato de recitar o alfabeto não assegura a ninguém o acesso a leitura ou a escrita, isto é, ser alfabetizado. Até então não se dava mínima atenção ao significado da escrita embutida nos rabiscos artísticos das crianças, nem havia preocupação em identificar os processos cognitivos infantis subjacentes a aquisição da escrita. Também recebia pouca atenção dos educadores a constatação de que, alem da leitura e da escrita, existe um universo de conhecimentos, de novas linguagens e recursos da tecnologia moderna que precisamos dominar durante toda a vida e a de escrever é uma tarefa de ordem conceitual que precisa ser retraduzida.
O processo alfabetizador te uma tradição de séculos ligada a idéia de aprender o alfabeto, que só recentemente veio a ser desmistificada. A preocupação era como ensinar a ler e a escrever, como estabelecer a correspondência ente a oralidade e a escrita ou decodificar as grafias em sons, e não acompanhar o processo ou obter informações sobe o que a escrita já dominava em relação a escrita e suas hipóteses antes de iniciar a aprendizagem escolar.
Ao pesquisar o desenvolvimento dos conceitos infantis sobre a língua escrita, Emília Ferreiro conclui que as crianças são facilmente alfabetizáveis, foram os adultos que dificultaram o processo de alfabetização delas.
O resultado de duas pesquisas apontam pra o início deste processo, a necessidade de trabalhar ambos, leitura e escrita, com base na co preensão de suas funções na sociedade, evitando ao máximo a fragmentação do conhecimento. Eles nos fazem rever a psicogênese eu até então vinha sendo reduzido a uma seqüência cronológica e a noção de estágio de noções.
Para compreender o desenvolvimento da leitura e da escrita do ponto de vista dos processos de apropriação de um objeto social, Emília Ferreiro conclui que há uma série de modos de representação da linguagem. Sua psicogênese da língua distingue cinco níveis:
Níveis I e II: pré-silábico;
Nível III: silábico
Nível IV: silábico-alfabético
Nível V: alfabético
Cada um deles apresenta uma fase de evolução, que procuramos sintetizar em quadros com base em 4 tópicos principais: a hipótese central, a construção gráfica, os níveis de conceitualização da escrita e os da leitura.
Respeitando o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo de leitura e da escrita eles estão. Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, de Emília e Ana Teberowsky. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:
- Pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada:
- Silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra:
- Silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas:
- Alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.
Analisar que representações sobre a escrita o estudante tem é importante pra o professor saber como agir. Não é porque o aluno participa de forma direta da construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. Cabe ao professor organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.
O trabalho de Emília não dá indicações de como produzir o ensino, não existe o método Emília Ferreiro, com passos pré-determinados.

A Aprendizagem da Leitura e da Escrita

Entre as propostas metodológicas e as concepções infantis existe uma distância que pode medir-se em termos escolas ensina e a criança aprende. Nem sempre o que a escola ensina coincide com o que a criança consegue aprender. Esse mistério de desvendar os código alfabético, o docente procede passo a passo, do ¨ simples ao complexo, ¨ uma condição que é imposta a ele, o que é próprio do sistema alfabético. Parte-se de que toda as crianças estão preparadas para aprender o código com a condição do professor possa ajudá-las no processo, ajuda esta considerada básica, em transmitir-lhes o equivalente e sonoro das letras e exercitá-los a realização da grafia e da cópia. O que a criança aprende - os nossos dados assim demonstram – é função do modo em que vai se apropriando do objeto, através de lenta construção de critérios que lhe permitam compreendê-los, os critérios das crianças somente coincidem com os do professor no ponto terminal do processo. Portanto a escola dirigiu-se a quem já sabe, admitindo com clareza que o método percorre um longo e prévio caminho e que o êxito da aprendizagem depende das condições em que se encontra a criança no momento de receber o ensino. As que se encontram em momentos avançados conceitualização são as únicas que podem tirar proveito do ensino tradicional e aprender o que o professor propõe a ensinar. O resto são aqueles em que a escola acusa de incapacidade de aprender ou de “dificuldade de aprendizagem”, porém atribuir as dificuldades do método à incapacidade da criança é negar que toda a aprendizagem supera o processo, é ver o déficit onde existem diferenças em relação do momento do desenvolvimento conceitual em que se situam.
Nenhum sujeito parte do zero ao ingressar a escola de primeiro grau, nem as crianças de classe baixa, os desfavorecidos de sempre. Aos 6 anos as crianças sabem muitas coisas sobre a escrita e resolveram sozinhas os problemas para compreender as regras da escrita. Enquanto a escola supõe que:
- é através da técnica de uma exercitação adequada que se supera o difícil transe da aprendizagem das língua escrita, a “leitura mecânica, compreensiva, expressiva” para a leitura e a exercitação na cópia gráfica supõe que o segredo da escrita consiste em produzir sons e reproduzir formas.
- o sujeito quem a escola dirige é um sujeito passivo, que não sabe a quem ensinar, e não um sujeito ativo que não somente define seus próprios problemas, mas que além disso constrói o objeto para dele apropriar-se através do desenvolvimento de um conhecimento e não dá exercitação de uma técnica.
Quando podemos a seguir de perto esses modos de conhecimento, estamos no :
- terreno dos processos de conceitualização que diferem dos processos atribuídos por metodologia tradicional. Os processos de aproximação ao objeto seguem caminhos diferentes dos propostos pelo docente.
A ignorância da escola a respeito dos processos subjacentes implica:
- pré-suposições atribuídas à criança em termos de:
a) “a criança nada sabe” , com o que é subestimada, ou
“a escrita remete , de maneira óbvia e natural, à linguagem”, com o que é superestimada, porque, como temos visto, não é uma pré-suposição natural para a criança e isto é assim porque parte de uma definição adulta do objeto a conhecer e se expõe o problema sob o ponto de vista terminal. Além disso, a definição de ler e escrever está errada, acreditamos que à luz dos conhecimentos atuais a escola deve revisar a definição desses conceitos. E ao revisar os conceitos dos “erros” Piaget mostrou a necessária passagem por “erros construtivos” em outros domínios do conhecimento, a leitura e a escrita não podem ser uma exceção encontramos também muitos “erros” no processo de conceitualização, é óbvio que tentando evitar tais erros o professor evita que a criança pense.
No outro extremo temos erros que é produtos do métodos resultado da aplicação cega de uma mecânica. Isso obriga também a revisar o conceito de “maturidade” para a aprendizagem assim como os fundamentos das provas psicológicas que pretendem medi-la, e finalmente, é necessário que nos coloquemos também os critérios de avaliação de progressos bem como a concepção sobre a preparação do pré-escolar para aprendizagem da leitura e escrita, ambas são dependentes de uma teoria associacionista, ambas estão pensadas em termos de performance na destreza mecânica da cópia gráfica e o decifrado.
Em resumo, a leitura e a escrita se ensinam como algo estranho à criança e de forma mecânica em lugar de pensar que se constituem num objeto de seu interesse do qual se aproxima de forma inteligente, como Vygotsky (1978): “às crianças se ensina a traçar letras e fazer palavras com elas, mas não esse ensina a linguagem escrita, a mecânica de ler o que está escrito é tão enfatizada que afoga a linguagem escrita como tal”. E logo acrescenta: “É necessário levar a criança a uma compreensão interna da escrita e conseguir que esta se organize mais como um desenvolvimento do que como uma aprendizagem” .

Características da escrita pré-silábica (nível I)

Hipótese Central
Escrever é reproduzir os traços típicos da escrito, identificados pela criança como a forma básica da escrita.

Construção Gráfica

Escrita não formada por grafias formais.
Formas utilizadas:
- grafismos primitivos: predomínio de garatujas ou pseudoletras;
- escrita unigráficas: uma só grafia pra cada nome (quantidade constante). Pode ser sempre a mesma grafia (repertório fixo) ou diferente (repertorio variável);
- escrita convencional, mas sem controle de quantidade: sucessões de grafias só interrompidas pelo limite da folha;
- presença de letras e números;
Formas básicas utilizadas:
- grafismos separados, compostos de linhas curvas e retas e suas combinações (grafia de imprensa);
- grafismo ligado entre si com uma linha um do lado, na qual se inserem curvas fechadas e semi fechadas (grafia cursiva);
- surgimento da ordem linear da escrita (traçado linear de diferentes formas: ondulados ou descontínuos).
No uso da letra de imprensa aparecem duas hipóteses:
- as grafias são variadas;
- a quantidade de grafia é constante.

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança acredita que a escrita é outra maneira de desenhar as coisas ou que escrever é produzir um traçado que se diferencia do desenho por possuir alguns traços típicos da escrita. Há a intenção subjetiva da criança quanto ao significado atribuído a escrita ou existe intenção de escrever.
• A escrita do nome próprio é impossível ou se realiza segunda as características das outras escritas, com um número indefinido ou variável de grafismos.
• As diferenças dos significados não são modeladas objetivamente na produção gráfica, por se encontrarem escritas iguais para palavras diferentes.
• Ocorrem tentativas de correspondência entre o tamanho do objeto e a escrita. A escrita representa os nomes dos objetos e a criança a imagina como um dos atributos do objeto: coisas grandes devem ter escritas grandes; coisas pequenas, escritas menores.
• Todas as escritas se assemelham, mas as crianças a consideram diferente.

Leitura

• A leitura é sempre global: correspondência do todo sonoro com o todo gráfico.
• A leitura do nome também é global, sem buscar correspondência entre as partes.
• Cada um pode interpretar sua prioriza escrita mas não as dos outros: a escrita é individual e instável.
• Não há definição quanto a orientação espacial dos caracteres.
• A representação é alheia quanto a qualquer busca de correspondência entre a pauta sonora de uma emissão e a escrita.
• As relações entre as partes e o todo não são analisáveis: cada letra vale pelo todo.
• A criança pensa que, quando alguém lê, lê as figuras.

Características da escrita pré-silábica (nível II)

Hipótese central

Para ler coisas diferentes, isto é, atribuir significados diferentes, deve haver uma diferença objetiva nas escritas.

Construção gráfica

- a forma dos grafismos é mais definida, mais próxima das letras;
- predomínio da escrita de imprensa em maiúscula (influência dos estímulos do meio);
- formas estáveis e fixas de escrita: relacionadas com contingências culturais e pessoais (estes não são usados pra produzir diferenças objetivas na escrita, mas simplesmente para garantir o significado diferente pra escritas idênticas).

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança antecipa a hipótese silábica; não lhe basta a intenção subjetiva. Chega a conclusão de que para ler coisas diferentes deve haver diferenças objetivas nas escritas, e que essa diferença pode ser marcada pelo uso de letras diferentes pra cada palavra (de seu repertório ou inventadas).
Elabora duas hipóteses:
- necessidade de quantidade mínima de grafias pra que se possa ler algo, que em geral se situa em termos de três grafias ou caracteres;
- necessidade de uma variedade de caracteres para que uma série de letras sirva para ler.
• Descobre os antecessores da análise combinatória, ou seja, que as grafias podem variar na ordem linear e que pode se mantida a quantidade constante.
• Aparecem reações de bloqueio com base no seguinte raciocínio: se aprender a escrever copiando a escrita do outro, na ausência do modelo não haverá possibilidade de escrita.
• Ao resolver problemas que a escrita lhes apresenta, as crianças enfrentam necessariamente problemas gerais de classificação, seriação e ordenação.
• O nome próprio geralmente é o ponto de partida (primeira forma estável dotada de significação) pra o uso de letras na escrita.
• A criança descobre a possibilidade de uma correspondência termo a termo entre cada letra e uma parte do seu nome completo. A correspondência se estabelece entre as partes-palavra a do nome próprio e as letras, mas não entre partes-sílaba do nome próprio e as letras.

Leitura
Leitura Global, sem correspondência entre as partes sonoras e grafias

Cada letra vale como parte de um todo e não tem valor em si mesma. A correspondência entre a escrita e o nome é ainda global e não analisável: a totalidade da escrita corresponde o nome.

Características das escritas silábicas

Hipótese central

Tentativa de dar um valor sonoro a cada uma das letras que compõe a escrita.

Construção gráfica

- podem aparecer grafias distantes das formas das letras e também e também grafias bem diferenciadas;
- escrita de letras com ou se valor sonoro convencional;
- uso da primeira letra da palavra, cujo valor sonoro é importante.

Escrita (níveis de conceitualização)

• Tentativa de fonetização da escrita: a criança estabelece uma livre (simples) correspondência entre aspectos sonoros e gráficos em sua escrita. Porém, os valores atribuídos as letras não são fonéticos, mas silábicos.
• Ao atribuir a cada grafia o valor de uma sílaba, a criança antecipa progressiva e regularmente a quantidade de grafias e escreve tantas letras quantas forem as sílabas das palavras.
• As escritas são construídas com base na análise silábica da palavra, mas em alguns casos podem apresentar mais grafias do que as exigidas, como para os monossílabos e dissílabos.
• Quando a criança começa a trabalhar com a hipótese silábica, a exigência da quantidade de grafias (três letras) pode desaparecer.
• Uma vez instalada a hipótese silábica, a exigência de variedade volta a aparecer.
• Conflito cognitivo entre a quantidade mínima de caracteres e a hipótese silábica, por ocasião da escrita de dissílabos ou monossílabos.
• Esses conflitos obrigam a criança a abandonar progressivamente a hipótese silábica em favor de uma análise fonética silábica aplicada ao nome próprio.

Leitura

• Na leitura, a criança tenta passar da correspondência global para a correspondência termo a termo, isto é, do todo para as partes da expressão oral (recorte silábico do nome).
• Na leitura de monossílabos e dissílabos nos quais sobram letras, a criança tende a atribuir significados complementares a interpretação da palavra ou a sua omissão na leitura.
A mudança qualitativa em relação ao nível anterior justifica-se por:
• Superação da correspondência global entre escrita e expressão oral, que passa a ser recortada (sílabas orais) pra expressar-se em partes do texto (cada letra).
• Pela primeira vez a criança trabalha a hipótese de que a escrita representa aos sons da fala. As formas fixas aprendidas do meio geram novos conflitos quando a criança propõe a leitura destas e forma de hipótese silábica. O mesmo acontece com relação a leitura do nome ( forma fixa recebida do meio). Esses conflitos ajudam a criança a ir mais além da sílaba para encontrar uma correspondência satisfatória.
• A leitura tende a limitar-se ao nome (sem sobrenome), a não ser nos casos dos mesmos dissílabos ou quando há sobra silábica na leitura (correspondência de uma sílaba pra cada letra).

Características das escritas silábico-alfabéticas

Hipótese central

Coexistência de duas formas de corresponder sons e grafias: fonemas para algumas partes das palavras e silabas para as outras.

Construção gráfica

- Escritas diferenciadas com valor sonoro inicial;
- quantidade e repertório variável;
- escrita na qual algumas grafias representam uma sílaba e outras, um fonema. Na perspectiva da psicogenética, não se trata de omissão de letras, mas de um tipo de escrita que procura incorporar grafias rumo a escrita alfabética;
- a construção total não é determinada por uma intenção de correspondência sonora.

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança abandona a hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise que mais além de sílaba. Surge um conflito entre a hipótese silábica e a exigência de quantidade mínima de grafias (conflito entre uma exigência interna e uma realidade exterior ao próprio sujeito).Passo intermediário entre a ausência de correspondência sonora e o começo dessa correspondência ou passagem da hipótese silábica para a alfabética.
• A escrita aparece com a característica de omissões de letras pela coexistência da hipótese alfabética e silábica.
• A letra que inicia cada escrita não é fixa nem aleatória: é uma das letras que correspondem ao valor sonoro da primeira sílaba da palavra.
• Surgem perguntas e pedidos de ajuda em relação a qual fonema ou sílaba usar.

Leitura

São feitas seguidas análises sonoras das palavras. É típica a mistura, na leitura do nome, da hipótese silábica e de um começo da hipótese alfabética.

Características da escrita alfabética

Hipótese central

Compreensão de que:
- Cada som (fonema) corresponde a uma letra;
- as letras combinam-se para formar sílabas e palavras.

Construção gráfica

Escrita alfabética com valor sonoro convencional.

Escrita (níveis de conceitualização)

A criança compreende que:
• Os caracteres da escrita correspondem a valores menores que as sílabas (antecipação quantitativa).
• Devem-se escrever tantas grafias quantos fonemas tenha a palavra.
• A criança elabora sistematicamente uma análise dos fonemas da palavra que vai escrever.
• Esse nível constitui o final da evolução, pois a criança já compreendeu o modo de construção do código.
A criança não terá problemas de escrita (no sentido, conceitual), mas se defrontará ainda com duas dificuldades:
- a ortografia das palavras;
- a separação entre palavras: pode escrever orações (frases) sem deixar espaços entre as palavras ou fazer cortes que não corresponde a separação convencional da escrita.

Leitura

• A criança já lê alfabeticamente.
• A escrita e a leitura do nome próprio operam sobre os princípios alfabéticos, aparecendo, no entanto, problemas ortográficos. A leitura de partes do nome já não oferece nenhuma dificuldade.

A pedagoga Ana Teberowsky, vem acompanhando o estudo e a pesquisa de Emília Ferreiro. Para elas o uso de cartilha na alfabetização é obsoleto, pois a criança já dispõe de conhecimento sobre a escrita antes de entrar na escola, é a partir desses estágios de conhecimentos que o educador deve desenvolver sua prática pedagógica.

Obras de Emília Ferreiro

- Alfabetização em processo - ed. Cortez
- Atualidade de Jean Piaget - ed. Artmed.
- Com todas as letras - ed. Cortez
- Cultura, escrita e educação - ed. Artmed.
- Os processos de leitura e escrita - ed. Artmed.
- Passado e presente dos verbos ler e escrever - ed. Cortez.
- Psicogênese da língua escrita - ed. Artmed.
- Reflexões sobre alfabetização - ed. Cortez.

Bibliografia

COM ELES E MELHOR
REVISTA NOVA ESCOLA - jan/fev de 2001 e maio de 2003
Pp. 19 a 23
ELIAS, Marisa Del Cioppo, De Emílio a Emília, 1.ª edição, São Paulo. Editora Scipione/2000.

www.uerj.br/proalfa
www.centrorefereducacional.com.br

Anexo: Entrevista concedida por Emília Ferreiro para a Revista Nova Escola
Denise Pelegrini
O que é ser alfabetizado hoje?
Considero a alfabetização não um estado, mas um processo. Ele tem início bem cedo e não termina nunca. Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer situação de uso da língua escrita. Temos mais facilidade para ler determinados textos e evitamos outros. O conceito também muda de acordo com as épocas, as culturas e a chegada da tecnologia.
A senhora sustenta a importância de levar o estudante a refletir sobre a escrita, já que é assim que ele aprende. Qual sua opinião sobre o método fônico (baseado no treinamento prévio da correspondência entre grafemas e fonemas)?
Eu não aceito discutir alfabetização hoje nos mesmos termos que se discutia nos anos 1920. Os defensores do método fônico não levam em conta um dado que sabemos hoje ser fundamental, que é o nível de conscientização da criança sobre a escrita. Ignorar que ela pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso. Eu não admito que a proíbam de escrever. A tradição fônica sempre foi dominante nos países anglo-saxões. E lá se aprende a ler antes de escrever. Felizmente não é o que acontece nos países latinos.
O que é essa consciência fonológica?
É a possibilidade de fazer voluntariamente certas operações com a oralidade que não são espontâneas. É possível dizer uma palavra, "lado", por exemplo, e depois omitir o primeiro segmento fônico. "Ado" não significa nada. Isso pode ser um jogo divertido. A língua tem a propriedade de ser partida em unidades de distintos tipos até chegar às letras. Aí não posso dividir mais. Essa é uma habilidade humana. A divisão em sílabas se dá praticamente em todas as culturas.
"Ignorar que a criança pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso"
De que maneira se adquire a consciência fonológica?
Desde pequenos participamos naturalmente de jogos em que cada sílaba corresponde a uma palma, por exemplo. A única divisão que não surge naturalmente no desenvolvimento é em unidades menores que uma sílaba, ou seja, em fonemas. Um adulto analfabeto e uma criança analfabeta não conseguem fazer isso de maneira espontânea. Quando eu adquiro a linguagem oral, tenho uma certa capacidade de distinção fônica, senão não distinguiria pata de bata. Mas parece que isso funciona num universo completamente inconsciente.
O que vem primeiro, a aquisição do sistema alfabético ou a consciência fonológica?
À medida que a criança se aproxima da escrita alfabética, sua capacidade de análise do oral também permite análises de pedaços cada vez menores do que é falado. A discussão é a seguinte: já que as duas coisas ocorrem ao mesmo tempo, tenho de desenvolver primeiro a consciência fonológica esperando que ela se aplique à escrita? Ou posso introduzir o aluno na escrita para que haja uma contribuição à sua consciência fonológica? Acredito na segunda opção. Isso se dá em virtude do contato dele com os textos, do seu esforço para escrever e do trabalho em pequenos grupos, onde ele discute com os colegas a necessidade de utilizar determinadas letras.
Essa relação entre a consciência fonológica e a aquisição do sistema alfabético tem sido estudada por pesquisadores?
Publiquei um artigo em 1999 sobre um estudo realizado com crianças com média de idade de 5 anos e 7 meses, no México. Eram passadas tarefas que verificavam a consciência fonológica dos estudantes, isto é, se eles eram capazes de analisar palavras em pedaços menores que sílabas. Ao mesmo tempo, eles realizavam exercícios que investigavam seu nível de conceituação da escrita. As crianças eram da pré-escola e não estavam sendo alfabetizadas. Os resultados mostraram correlações altíssimas entre o nível de conscientização da escrita e os recortes em contextos orais. Duas pesquisadoras americanas acabaram de publicar um estudo com crianças inglesas em que as mesmas conclusões são apresentadas.
Com a internet, o perfil do leitor mudou. No contato com a rede, há alguma diferença no desempenho dos estudantes alfabetizados nessas duas metodologias?
Sempre defendi o acesso imediato da criança a jornais, revistas, livros de literatura, dicionários, enciclopédias. A tendência de quem não compartilha da minha opinião é ter livros com níveis de dificuldades seriados. Com o advento da internet nasceu também o espaço mais intertextual e mais variado que existe, mais até que uma biblioteca. Ou seja, quem está alfabetizando com textos variados prepara sua turma muitíssimo mais para a internet do que quem faz um trabalho mostrando primeiro uma letrinha e depois a outra. Para utilizar o computador e a internet é preciso enfrentar todo o alfabeto ao mesmo tempo. No teclado, as letras aparecem juntas — e, como se não bastasse, fora de ordem.
"Letramento no lugar de alfabetização, tudo bem. A coexistência dos dois termos é que não funciona"
Além da alfabetização, hoje se fala muito em letramento. De onde vem o termo?
A palavra letramento é tradução de literacy. Em sua origem, ela significa alfabetização e muito mais. Se entrarmos em qualquer site de busca e digitarmos "literacy" aparecem muitos endereços. Encontra-se uma série de combinações com esse termo, como computer literacy, mostrando que o significado atual dessa palavra em inglês é expertise, é ter conhecimento. Mas é muito importante compreender que a expressão computer literacy não designa a habilidade de usar a língua escrita por meio de um computador. Seu significado é a habilidade para usar os comandos da máquina, para entrar num processador de texto e nos programas elementares.
Letramento é a melhor tradução para literacy?
Não. É cultura escrita. E isso não tem início depois da aprendizagem do código. Se dá, por exemplo, no momento em que um adulto lê em voz alta para uma criança — e nas famílias de classe média isso ocorre muito antes do início da escolaridade. Ou seja, o processo de alfabetização é desencadeado com o acesso à cultura escrita.
O letramento representa um conceito novo ou é apenas um modismo?
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se podia usar a expressão letramento. E o que aconteceu com a alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê. Isso é um retrocesso. Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica.
É indispensável usar o termo letramento, então?
Eu não uso a palavra letramento. Se houvesse uma votação e ficasse decidido que preferimos usar letramento em vez de alfabetização, tudo bem. A coexistência dos termos é que não dá. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Laços de Família, de 1960, é uma coletânea de treze contos, dentre os quais seis publicados em 1952 com o título de Alguns Contos. Nesses contos Clarice Lispector procura focalizar o processo de aprisionamento dos seres humanos em suas prisões domésticas', daí o titulo, Laços de Família. Em seus contos, a autora busca o questionamento das formas convencionais e estereotipadas das relações familiares, ritualmente repetidas de geração em geração, dentre as quais, a relação marido/mulher, mãe/filhos, avó/familiares, filha/mãe, dentre outros. "Devaneio e embriaguez duma rapariga" Uma típica senhora portuguesa casada, certo dia ao encontrar-se defronte ao espelho a mirar-se, estando só em casa ( os filhos e o marido estavam fora ) começou a devanear. Tanto que ficou o tempo inteiro no quarto sob a cama, o que fez o marido pensar que esta estava doente. Tão logo os filhos voltam ao lar, a vida retoma o seu norte e nossa personagem volta ao seu ritmo cotidiano, apenas desmanchado por um encontro de negócios entre seu marido e respectivo chefe. Embriaga-se e desenvolve muita prosa com o chefe do marido, em verdade enciumava a beleza da vestimenta de outra mulher no recinto e isto feriu-lhe a vaidade. Ao chegar em casa repensa sua própria sensualidade e o desejo que podia despertar nos homens. "Amor" Ana, urna mulher casada, pacata e mãe de dois filhos, tinha uma vida doméstica muito calma, donde cuidava dos seus com o esmero e amor típicos de uma pessoa fraterna e sensível.

Aliás Ana, em hebraico significa "pessoa benéfica, piedosa". Certo dia ao ir às compras encontrou-se com um cego que muito a impressionou; com a freada brusca do bonde onde se encontrava, os ovos que carregava acabaram quebrando-se, pronto! A sua paz tão duramente conquistada desapareceu. Transtornada acabou por descer no Jardim Botânico que por sua beleza fê-la temer o próprio inferno. Aqui podemos fazer um paralelo entre a beleza que salta aos olhos e o cego que está privado disto, este último vive o próprio inferno em terra. Esta então é a explicação de tanto que impressionara a personagem. Ao voltar para casa sentia que alguma coisa havia mudado dentro de si, abraçou o filho tão fortemente que o assustou e foi ajudar o marido quando este derrubou o café. Carinhosamente este pegou-lhe a mão e levou-a para o quarto para dormirem. "Uma galinha" Uma galinha de domingo, pronta para o abate. Contudo quando apanhada pelo pai da menina que é a narradora da estória, a galinha acaba pondo um ovo, imediatamente a menina avisa os demais familiares do fato e alerta-os para a nova condição de "mãe" da galinha. O pai de família, sentindo-se culpado por tê-la feito correr para o abate, acaba por nomear a ave como de estimação sob pena de que se o animal fosse sacrificado nunca mais voltaria a alimentar-se da galinha. Contudo, houve um dia em que "mataram-na, comeram-na e passaram-se anos." "A imitação da rosa" Laura, casada e sem filhos, preparava-se para um jantar na casa de amigos. Era a primeira vez que ela faria isto desde que voltara do hospital, onde fora internada. provavelmente por causa de um surto. Ela pretendia estar pronta, de banho tomado, em seu vestido marrom, a casa limpa e a empregada despachada, quando seu marido, Armando, chegasse. Assim teria tempo livre para ficar à disposição dele. e ajudá-lo a arrumar-se. Laura parecia perseguir a perfeição a todo custo, vigiava-se para ser um esposa modelo, submissa e obediente, mediana até na cor dos cabelos, nem loura, nem morena: de modestos cabelos marrons Ela procura parecer normal, premedita todos os seus gostos. Não quer que os outros se preocupem com ela. Pensa o quanto seria bom ver o marido enfim relaxado, conversando como amigo, no jantar, sem lembrar-se de que ela existe. Exausta e feliz, pois acabara de passar em ferro todas as camisas de Armando. Laura sentou-se na poltrona da sala e cochilou um breve instante. Quando acordou, teve a sensação de que a sala estava renovada. Admirou intensamente as rosas que comprara pela manhã, na feira. Eram perfeitas. Resolveu então dá-las á amiga que iria, à noite visitar. Estava decidido, mandaria as flores pela empregada. Mas, logo depois, Laura hesitava. Por que as rosas, tão bonitas, não podiam ser dela mesma? Por que a beleza e exuberância das rosas a ameaçava? Acabou cedendo-as, a empregada levou as flores, e ela não conseguiu voltar atrás. É provável que a perfeição que Laura vira nas rosas tivesse lhe provocado o impulso de romper novamente com seu lado submisso e servil para se tornar incansável. super-.humana, independente. tranquila, perfeita e serena. Quando o marido chegou do trabalho, Laura ainda estava sentada na poltrona, e nada tinha feito do que planejara Dirigiu-se a ele: "Voltou. Armando. Voltou. (..) Não pude impedir. disse ela, e a derradeira piedade pelo homem estava ria sua voz, o último pedido de perdão que já vinha misturado à altivez de uma solidão já quase perfeita. Não pude impedir. repetiu, (...) Foi por causa das rosas, disse cor,, modéstia(...) Ele a olhou envelhecido e curioso. Ela estava sentada com seu vestidinho de casa. Ele sabia que ela fizera o possível para não se tornar luminosa e inalcansável. "Feliz aniversário" Tudo preparado para o encontro anual da família. Na casa de Zilda, a única filha, as bolas coloridas espalhavam-se pela sala e o bolo confeitado enfeitava o centro da mesa. Na cabeceira, arrumada e perfumada com água de colônia para disfarçar o cheiro de guardado, estava Cornélia, a matriarca e aniversariante que completava 89 anos. Primeiro chegaram as noras com os netos, depois os filhos. A velha. sentada. impassível, se perguntava como ela, tão forte, pudera gerar uma família tão medíocre. Cantaram, parabéns atrapalhados todos fingiam entusiasmo, incapazes de uma alegria verdadeira A velha foi ríspida o quanto pode. Escandalizou os presentes e envergonhou Zilda, cuspindo no chão. Temos o retrato de uma velha amargurada pela morte do filho que admirava, e o desprezo por todos os demais é oriundo neste fato. É preciso observar que Cornélia é a matriarca de todo o clã e seu nome é de acepção latina e significa duro, forte. "A menor mulher do mundo" Encontrada no coração da África, por Marcel Pretre, um caçador e explorador, a menor mulher do mundo tinha 45cm e era escura como um macaco. Vivia numa árvore com o seu concubino e estava grávida. A sua foto, tirada pelo francês, na qual ela aparecia em tamanho natural, foi publicada em jornais de todo o planeta despertando nas famílias o desejo de possuir e proteger aquele pigmeu do sexo feminino, ser humano em miniatura. Os selvagens Bantos, conterrâneos da menor mulher do mundo, adoravam capturar e comer aquelas miniaturas. As crianças queriam a mulher para brincarem de boneca. "Mamãe, se eu botasse essa mulherzinha africana na cama de Paulinho enquanto ele está dormindo? Quando ele acordasse, que susto, hein", disse um menino. Sua mãe olhava-se no espelho e enrolava o cabelo quando ouviu isso, Lembrou-se de uma história contada pela empregada, que passara a vida num orfanato. As meninas da instituição não tinham brinquedos. Um dia, uma delas morreu, e as outras esconderam-na das freiras no armário. Quando não estavam sendo vigiadas, pegavam a defunta como se fosse uma boneca, davam-lhe banho, penteavam-lhe os cabelos botavam-na de castigo, punham-na para dormir... Pensando nisso a mulher considerou cruel a necessidade humana de amar e possuir, a malignidade de nosso desejo de ser feliz, a ferocidade com que queremos brincar. A alma das famílias queria devotar-se àquela frágil criatura africana. Enquanto isso, a própria coisa rara, a menor mulher do mundo, grávida, sentia o seu peito morno de amor. Amava e ria. Amava o explorador amarelo, a sua bota, o seu anel brilhante. Amava e ria, e deixava o homem grande perplexo. Pequena Flor, era assim que o francês a chamava, sabia que o amor era não ser comida pelos Bantos, era achar uma bota bonita, gostar da cor do homem que não é negro, e rir. O explorador não entendia o amor que lhe saía por aquele riso. Ele, que já conhecia um pouco da sua língua, fazia-lhe algumas perguntas, às quais Pequena Flor respondia "sim", "Que era muito bom ter uma árvore para morar, sua, sua mesmo, pois é bom possuir, é bom possuir, é bom possuir." "O Jantar" Num restaurante, um homem observa atentamente um velho a comer. Ambos não se conheciam. A brusquidão e a dureza do velho chamaram a atenção do homem, que lhe vigiava cada gesto. Até que o homem, extasiado, e sentindo certa náusea, percebeu no velho uma lágrima. Então, não tocou mais no prato, enquanto o velho terminou a sua refeição, comeu a sobremesa, pagou a conta, deixou uma gorjeta para o garçom e atravessou o salão, luminoso, desaparecendo. O observador medita: "eu sou um homem ainda." "Quando me traíram ou assassinaram, quando alguém foi embora para sempre, ou perdi o que de melhor me restava, ou quando soube que vou morrer eu não como. Não sou ainda esta potência, esta construção, esta ruiria. Empurro o prato, rejeito a carne e seu sangue". "Preciosidade" Ela era uma estudante de 15 anos, não era bonita, mas tinha sua preciosidade. A mocinha, protagonista deste conto, atravessará este estado transformando-se em mulher, rito em que se dará a perda do que lhe é precioso possivelmente sua virgindade. Acordava muito cedo para ir à escola, precisava tomar um ônibus e um bonde, além de caminhar até o ponto. O caminho era difícil, não gostava que a olhassem. Andava rígida, severa, não admitindo sequer que os homens no ônibus ou os rapazes na escola pensassem nela. Mas o barulho de seus sapatos com saltos de madeira chamavam a atenção de todos, o que a perturbava terrivelmente. Ela era inteligente e aplicada nos estudos (uma maneira de ser respeitada e manter os homens afastados), À tarde tinha em casa apenas a companhia dos livros e da empregada. Certa manhã, ao sair para a escola, só na rua percebeu que ainda estava muito escuro, quase noite. Prosseguiu, enfrentando a madrugada. A caminho do ponto, viu na rua dois rapazes que andavam em sentido oposto ao seu. Procurou manter o ritmo e a calma, eles passariam por ela e continuariam naquela direção, distanciando-se. Avançou, procurando não olhar para eles, nem demonstrar medo. Mas o que se seguiu não teve explicação. (..) foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada," Na fuga os sapatos dos dois rapazes fizeram um barulho louco que soou por algum tempo na sua cabeça. Ela premiu-se contra o muro, ficou ali impossibilitada de qualquer ação, até que, lentamente, começou a mover-se, catar os seus livros e cadernos, e neles via a sua antiga caligrafia. Ela era outra. Dirigiu-se à escola, onde chegou com duas horas de atraso. Não falou a ninguém sobre o que ocorrera. No banheiro, gritou: "estou sozinha no mundo!". Em casa, durante o jantar, reivindicou:" Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção ao que lhe responderam: "Você não é uma mulher e todo salto é de madeira." "Ate que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, do ser preciosa. "Os laços de família" Depois de duas semanas de visita, Catarina levava a sua mãe para a estação, onde a senhora tomaria o trem e se despediria da filha. Elas estão no táxi. Catarina recorda-se do desconforto causado pela breve convivência entre a sua mãe e o seu marido. O genro e a sogra mal se suportavam. Mas, na hora da partida, ambos encheram-se de generosidade e delicadeza. Catarina tinha vontade de rir. Ria então pelos olhos, como permitia seu estrabismo. A mãe desta jovem mulher chamava-se Severina, A severa mãe, em tom de desafio e acusação, lembrava o quanto o menino, seu neto, estava magro. Magro e nervoso." Catarina concordava, paciente. Antônio, esposo de Catarina e pai do menino nervoso, certa noite irritou-se profundamente com tais observações da sogra. De repente, uma freada do carro lançou as duas mulheres uma contra a outra, provocando entre elas uma brusca intimidade de corpos já esquecida. Era como se lhes acontecesse um desastre, uma catástrofe irremediável. Não esqueci nada?", perguntava Severina pela terceira vez. Elas evitaram olhar-se até a estação. Catarina nunca fora de muitos carinhos e intimidades com a mãe. Fora, sim. uma filha muito próxima, muito achegada ao pai, cheia de beijos, abraços, cumplicidade. Dentro do trem, como elas não tivessem o que dizer, a mãe retirou um espelho da bolsa, examinando a sua aparência. Quando a campainha da estação tocou, mãe e filha se olharam assustadas, chamando uma pela outra. Parecia que, todos aqueles anos, elas se tinham esquecido de dizer algo, como: 'sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha". Mas não o disseram, fizeram-se recomendações. mandaram lembranças para os parentes, e o trem se foi. Agora, sem a mãe, Catarina recuperava o seu modo firme de andar. Caminhar sozinha era mais fácil, nada a impediria de subir mais um degrau misterioso nos seus dias. Catarina voltou para casa "disposta a usufruir da largueza do mundo inteiro, caminho aberto pela sua mãe que lhe ardia no peito." Encontrou o marido na sala, lendo os jornais de sábado, o seu dia tomado de volta com a partida da sogra. O menino magro e nervoso estava no quarto, distraído... Procurando chamar a atenção do filho, a mãe sacudia uma toalha na sua frente. Foi quando. pela primeira vez, o menino lhe disse: 'Mamãe', sem nada pedir, e num tom diferente do que usava antes. Alguma coisa se quebrara entre eles e Catarina estava extasiada, O seu corpo inteiro riu, não só os olhos. Tomou o seu filho pela mão e saíram para um passeio, deixando Antônio atônito na sala, sem saber aonde iam O homem dirigiu-se a janela e viu, já na calçada, a mulher e o filho. Ele olhava pela janela, a mulher andando depressa com o filho. Sentia-se frustrado, ela tomava sozinha o seu momento de alegria. Decidiu que depois do jantar iriam ao cinema. Depois do cinema, seria noite. E "este dia se quebraria com as ondas nos rochedos do Arpoador", "Começos de uma fortuna" Artur é um garoto obcecado por dinheiro. O conto gira em torno das suas preocupações em como ganhá-lo: dai, a presença de palavras como mesada e frases como: "logo que alguém tem dinheiro aparecem os outros querendo aplicá-lo, explicando como se perde dinheiro" ou "basta você ter uns cruzeirinhos que mulher logo fareja e cai em cima. Indo ao cinema com o seu colega Carlinhos, com Glorinha e uma amiga desta, Artur se mostra menos preocupado em divertir-se do que em imaginar se está sendo explorado ou não. De certo modo, Carlinhos é o oposto de Artur: acredita que dinheiro existe para ser gasto, preocupando-se menos em ganhá-lo do que em ganhar uma garota. Já Artur não pretende tomar quantias emprestadas (para não ter de devolvê-las), não planeja empregá-las em coisas. No entanto, ele se vê obrigado a fazer um empréstimo com Carlinhos, uma vez que não tem como pagar a entrada de cinema para Glorinha. "O crime do professor de matemática" Era domingo, os católicos dirigiam-se à igreja. Um homem os observava da colina mais alta da chapada. Carregava um saco pesado na mão e, nas costas, a culpa de um dia ter abandonado um cão com o qual tinha uma relação de afeto. De dentro do saco o senhor retirou um cachorro morto. Era-lhe desconhecido, sentou-se ao seu lado e observou, solitário, a paisagem ao redor, a chapada deserta com a sua única árvore. Do saco tirou uma pá e começou a pensar onde enterraria o defunto. Talvez rio centro da chapada, lugar em que ele mesmo gostaria de ser enterrado. Diante da dificuldade de determinar a exata posição do centro da chapada, resolveu enterrá-lo ali mesmo, precisamente embaixo dos seus pés. Pegou a pá e pôs-se a cavar. O crime do professor de matemática não consistia em ter matado o cão desconhecido. Encontrara-o já morto, numa esquina, e surpreendera-se com a idéia de enterrá-lo. O corpo do cão representava para ele o cão verdadeiro, o que abandonou ao mudar-se com a família de uma cidade para aquela em que agora vivia. Enfim, o professor enterrou o cão, bem à superfície, para que não perdesse a sensibilidade. Para o homem, esse ato era a maneira que achara de redimir-se do seu pecado, de punir-se do seu crime com o outro cão, o abandonado. Sentindo-se finalmente livre, o homem pôs-se a pensar no verdadeiro cão, como quem pensasse na verdadeira vida, Enquanto eu te fazia à minha imagem, tu me fazias á tua", pensou com saudades. "Dei-te o nome de José para te dar um nome que te servisse ao mesmo tempo de alma, (...) Quanto me amaste mais do que te amei. Refletindo a relação que estabelecera com o cão, o homem revelará aos poucos os motivos que tornaram impossível a convivência entre ambos: "E, abanando tranquilo o rabo, parecias rejeitar em silêncio o nome que eu te dera. (...) Porque, embora meu, nunca me cedeste nem um pouco de teu passado e de tua natureza. E, inquieto, eu começava a compreender que não exigias de mim que eu cedesse nada da minha para te amar, e isso começava a me importunar. Era o ponto de realidade resistente das duas naturezas que esperavas que entendêssemos. Minha ferocidade e a tua não deveriam se trocar por doçura: era isso que pouco a pouco me ensinavas, e era isso também que estava se tornando pesado. Não me pedindo nada , me pedias demais. De ti mesmo exigias que fosses um cão. De mim exigias que eu fosse um homem." A cabeça matemática e fria do homem pouco a pouco entendeu que o que fizera ao cão era impune e definitivo, pois "não haviam inventado castigo para os grandes crimes disfarçados e para as profundas traições'. O professor, então, passou a olhar a cova onde havia enterrado sua "fraqueza e sua condição, e era como se "José, o cão abandonado, exigisse dele (...) num último arranco, que fosse um homem e como homem assumisse o seu crime. O professor não queria mais se sentir livre de seu crime, não seria nunca um homem se abandonasse tão facilmente também sua culpa. "Agora. mais matemático ainda, procurava um meio de não se ter punido." O homem. lentamente, desenterrou o cachorro desconhecido e renovou o seu crime para sempre. transformando em um verdadeiro homem, o professor desceu a chapada. "O búfalo" "Eu te odeio" disse a mulher, muito depressa, a um homem que não a amava. Mas a mulher só sabia amar e perdoar, e 'se aquela mulher perdoasse mais uma vez, uma só vez que fosse, sua vida estaria perdida'. Então, numa tarde de primavera, ela visitou o jardim zoológico em busca de um animal que lhe ensinasse a odiar. Encontrara amor nos leões, na girafa, nos macacos. O camelo fizera-lhe topar com a paciência e a poeira. Só a última, e a sua aridez, a interessava. A aridez e não mais as lágrimas. Onde estaria o bicho que lhe daria o sentimento que procurava? Com a sua violência, sozinha, foi para a 'fila dos namorados", esperando a sua vez de entrar no carrinho da montanha russa. Depois de ser sacudida no ar como uma boneca, saiu pálida, como se fora "jogada fora de uma igreja". Voltou a andar, procurando o animal e o ódio. Encontrou o búfalo, que a espiava ao longe. Ele era negro e seus cornos muito alvos. A mulher ficou desconfiada, parecia que o búfalo a olhava. Ela desviou os olhos, o seu coração batia descompassado. "O búfalo deu uma volta lenta. A poeira. A mulher apertou os dentes, o rosto todo doeu um pouco. (...) Uma coisa branca espalhara-se dentro dela (...). A morte zumbia nos seus ouvidos. Novos passos do búfalo trouxeram-na a si mesma e, em novo e longo suspiro ela voltou à tona. Não sabia onde estivera. Estava de pé, muito débil, emergida daquela coisa branca e remota onde estivera.' O animal agora lhe parecia mais negro e maior. Começou a provocá-lo, gritando e jogando-lhe pedras. O ódio, como um fio de "sangue negro', como gotas de "óleo amargo" começou a pingar dentro dela, "fêmea desprezada". O búfalo voltou-se para ela e encarou-a de longe. "Eu te amo, disse ela então com ódio para o homem cujo grande crime impunível era o de não querê-la. Eu te odeio, disse implorando amor ao búfalo'. O búfalo, provocado, aproximou-se lentamente. "Ele se aproximava, a poeira erguia-se'. Como a mulher não recuava um só passo, os seus olhos e os do animal fitaram-se diretamente. "Lentamente a mulher meneava a cabeça, espantada com o ódio com que o búfalo, tranquilo de ódio, a olhava. O olhar a mantinha presa "ao mútuo assassinato (.) como se sua mão se tivesse grudado para sempre ao punhal que ela mesma cravara. Presa, enquanto escorregava enfeitiçada ao longo das grades. Em tão lenta vertigem que antes do corpo baquear macio a mulher viu o céu inteiro e um búfalo'. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Com este título, o famoso livro de utopia/ficção científica do escritor inglês Aldous Huxley descreve um mundo futuro (não tão admirável), onde as crianças serão concebidas e gestadas em laboratórios, em linhas de produção artificiais, com um controle total sobre o desenvolvimento dos embriões pelos cientistas do Estado. Na década dos 30, quando o livro foi escrito, o espectro de um governo autoritário, armado de recursos de alta tecnologia, obsessionado com a uniformidade e com o controle total da população, eram temas comuns na literatura, devido, evidentemente, ao surgimento apavorante de ideologias totalitárias modernas, como o fascismo e o comunismo de estado. A idéia de clonagem do ser humano, ou seja, a produção científica de milhares de seres humanos perfeitamente iguais uns aos outros, era outro tema recorrente, inspirado em parte pelos avanços da genética, e por outro, pela visão proporcionada pelas fileiras infindas de soldados inteiramente iguais, marchando com passo de ganso nas manifestações de massa do nazismo em Nüremberg. Visões desse pesadelo distópico, brilhantemente imaginado por Huxley vieram à tona nesta semana, com o anúncio, por cientistas escoceses, de que tinham obtido clones perfeitos em duas ovelhas. Os pesquisadores, Keith Campbell e David Solter, do Roslin Institute, de Edinburgh, utilizaram uma técnica bastante conhecida, que já tinha sido usada anteriormente com dezenas de espécies, desde plantas até sapos, mas nunca em mamíferos tão complexos como uma ovelha.
Esta técnica foi inventada por um cientista chamado Gurdon, na década dos 70. Utilizando avanços na cultura de células vivas fora do corpo, e de novos aparelhos de micromanipulação, que permitem ao pesquisador operar delicadamente uma única célula, sem matá-la, Gurdon retirou células já diferenciadas (isto é, formadas embriologicamente) do intestino de uma perereca, extirpou seus núcleos, onde existe o DNA e os cromossomas (o material genético), e os implantou em óvulos, dos quais o núcleo tinha sido previamente retirado. Como resultado, notou que os genes do novo núcleo se desdiferenciavam e produziam um novo ser, totalmente idêntico ao que tinha doado o núcleo. A clonagem, então se tornava possível (no ser humano, a única situação natural em que isso ocorre é nos gêmeos univitelinos). No experimento com as ovelhas, os cientistas fizeram exatamente a mesma, coisa, tendo aperfeiçoado o método de cultura de células, e de implante do embrião recém formado no útero de ovelhas-mães, uma técnica já perfeitamente dominada, e utilizada em grande escala na pecuária para aumentar a qualidade dos rebanhos. Teoricamente, o trabalho abre as portas para a produção em massa de animais clonados. E qual seria a vantagem disso ? Evidentemente, os pesquisadores podem selecionar um doador de núcleos que seja um exemplar perfeito da espécie, para fins econômicos, e "brincar de Deus", como diz o título da reportagem da revista "Veja", ou seja, derrotar os mecanismos lentos e imprevisíveis da seleção artificial por reprodução, e chegar diretamente a milhares de cópias desse exemplar. Outra vantagem é, que conhecendo bem um exemplar, a menor variabilidade biológica do rebanho facilitará sua alimentação, prevenção e tratamento de doenças, e previsão de ganhos ponderais, de produção de lã, etc. A pergunta que todo mundo está fazendo é se isso seria possível crianças com genomas idênticos (é o caso dos gêmeos univitelinos, ou seja, originários da divisão do mesmo óvulo fecundado) têm muitíssimas coisas em comum, inclusive vários aspectos da personalidade e inteligência. É como se uma fosse uma cópia quase perfeita da outra. Atemorizante, porque abre caminho para muitos abusos, principalmente em sociedades autoritárias ou grupos anti-sociais, como aquela seita japonesa que soltou gás no metrô de Tóquio. Do ponto de vista de um casal que quer ter vários filhos, a clonagem poderá ter várias aplicações interessantes. Uma possibilidade medica e eticamente justificada seria aquela em que os pais têm risco genético alto de terem filhos deficientes ou com doenças congênitas. Caso eles tenham a sorte de ter um filho inteiramente normal, poderão clonar o genoma deste para gerar um segundo filho, o qual correrá um risco muitíssimo menor de ter a doença. Creio, mesmo, que esta será uma conduta recomendada rotineiramente pelos geneticistas em tais casos. Uma outra possibilidade correlata é quando os pais estão tão encantados com um filho já nascido (se a criança for excepcionalmente bonita e/ou inteligente, por exemplo), que desejam uma cópia idêntica do mesmo. Assim, correrão menos riscos de ter um segundo filho fora das características desejadas. Esta, evidentemente, já cria alguns problemas de ordem ética e moral; mas não legal, pois se a técnica existe e é segura, não deve cair, a meu ver, sob o escrutínio da justiça: afinal ninguém necessita permissão de um juiz para ter filhos gêmeos univitelinos. Uma polêmica maior é criada quando uma pessoa deseja ter um filho que seja uma cópia perfeita de si mesma. Isso poderá ocorrer em vários casos, de gravidade ética cada vez maior. Primeiro, o da mãe biológica que deseja clonar um filho com o genoma de seu marido ou uma filha a partir de si mesma (neste caso a clonagem eqüivale a uma partenogênese, um evento comum em muitos animais, mas teoricamente muito difícil de ocorrer naturalmente no ser humano). Segundo, o de uma mãe solteira que deseja clonar o genoma de algum grande homem ou mulher (um artista de cinema admirado, um prêmio Nobel super-inteligente, etc.). Será que a Sharon Stone gostaria de doar algumas cé ;lulas suas para essa finalidade ? Teoricamente, ela poderia ter muitas e muitas filhas tão bonitas e inteligentes quanto ela...Terceiro, o de um homem solteiro que deseja clonar a si mesmo, usando uma "barriga de aluguel" (uma mãe não biológica, implantada artificialmente com o embrião). Até aqui, eu ainda acho é tudo relativamente aceitável, do ponto de vista da Ética médica. Nada que seja muito grave ou danoso para a sociedade e para as pessoas. Enquanto estivermos nesse nível, não estaremos invertendo grandemente a ordem natural das coisas (eu até acharia interessante, por exemplo, ter um filho idêntico ao que eu sou. Seria a mesma coisa que tomar conta de mim mesmo, me ver quando era bebezinho, acompanhar e influenciar meu próprio crescimento !). O Papa, evidentemente, não deve concordar muito comigo nesse aspecto, e a Igreja deverá, previsivelmente, ser totalmente contrária a essas idéias. Os problemas ficam realmente feios se um regime autoritário começar a fazer clonagem em massa. Algo, por exemplo, como , estabelecer "linhas de produção" de super-elites inteligentes, fazendo nascer centenas de milhares de Einsteins... Ou então, pegar um super-soldado geneticamente perfeito e absolutamente sociopata, e replicar seu genoma aos milhares. Ou pior, um Sadam Hussein ou um Idi Amim produzindo sucessores idênticos a eles mesmos. Imaginem só o que Adolf Hitler teria feito se tivesse essa tecnologia em suas mãos... veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Clique abaixo para ver um pouco do Programa Zmaro
Humor inteligente de forma descontraída...

 

De grão em grão a galinha enche o bico!!!
Contribua com o PobreVirtual e Programa Zmaro. Curta, comente e compartilhe o Programa Zmaro nas suas redes sociais.
Envie seus resumos, receitas, dicas, provérbios e o que mais tiver para comaprtilhar no PobreVirtual e no Programa Zmaro. Basta acessar
www.pobrevirtual.com.br/fale
Ou se preferir você pode contribuir financeiramente depositanto qualquer valor em qualquer lotérica (Caixa Econômica Federal): agência 1998, operação 013, Poupança número 8155-0, ou veja outros meios em www.Zmaro.tv/doe 
Livros e cursos são caros, me ajude a aprender novas linguagens para lhe ensinar melhor e incrementar este site com várias novidades. Quando você passar em frente a uma lotérica, lembre-se que existe alguém que precisa muito desta(s) moedinha(s), ponha a mão no bolso e perca alguns segundos do seu tempo e faça um depósito. Pegue aquela moedinha que vai acabar caindo do seu bolso e dê um bom destino a ela.