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Resenha sobre o conto Cidades Mortas de Monteiro Lobato



LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. In: ________________. Cidades Mortas. São Paulo: Globo, 2008. (falta o número da página)

José Bento Monteiro Lobato nasceu em 1882 em Taubaté no estado de São Paulo e faleceu em 1948 no mesmo local de nascimento, deixando uma extensa obra composta de contos, crônicas, ensaios, artigos e uma série de livros infantis como prova de sua participação ativa na vida cultural brasileira o que ocasionou sua popularidade entre os brasileiros, sobretudo entre os críticos de sua época.

O livro pode ser encontrado em livrarias e sebos nos valores estimados entre R$19,90 e R$35,00, em edições antigas ou repaginadas.

Foi através deste livro que o autor deu ênfase à sociedade interiorana, com seus aspectos culturais, costumes e formas de trabalho.

O FÍGADO INDISCRETO

Por José Bento Monteiro Lobato





Inácio era o rei dos acanhados. Pelas coisas mínimas, avermelhava, saía fora de sí e permanecia largo tempo idiotizado.



O progresso do seu namoro foi, como era natural, menos obra sua que da menina, e da família de ambos, tacitamente concertadas numa conspiração contra o celibato do futuro bacharel. Uma das manobras constou do convite que ele recebeu para jantar nos Lemos, em certo dia de aniversário familiar comemorado a peru.



Inácio barbeou-se, laçou a mais famosa gravata, floriu de orquídeas a botoeira, friccionou os cabelos com loção de violetas e lá foi, de roupa nova, lindo como se saíra da forma naquela hora. Levou consigo, entretanto, para seu mal, o acanhamento - e daí proveio a catástrofe...



Havia mais moças na sala, afora a eleita, e caras estranhas, vagamente suas conhecidas, que o olhavam com a benévola curiosidade a que faz jus a um possível futuro parente.



Inácio, de natural mal firme nas estribeiras, sentiu-se já de começo, um tanto desmontado com o papel de galã à força, que lhe atribuíam. Uma das moças, criaturinha de requintada malicia, muito "saída" e "semostradeira", interpelou-o sobre coisas do coração, idéias relativas ao casamento e também sobre a "noivinha" - tudo com meias palavras intencionais, sublinhadas de piscadelas para a direita e a esquerda.



Inácio avermelhou e tartamudeou palavras desconchavadas, enquanto o diabrete maliciosamente insistia: Quando os doces, Sr. Inácio?



Respostas mascadas, gaguejadas ineptas, foram o que saiu de dentro do moço, incapaz de réplicas jeitosas sempre que ouvia risos femininos em redor de si. Salvou-o a ida para a mesa.



Lá, enquanto engoliam a sopa, teve tempo de voltar a si e arrefecer as orelhas. Mas não demorou muito no equilíbrio. A culpa aqui foi da dona da casa. Serviu-lhe dona Luiza, um bife de fígado sem consulta prévia.



Esquisitice dos Lemos: comiam-se fígados naquela casa até nos dias mais solenes.



Esquisitice do Inácio: nasceu com a estranha idiossincrasia de não poder sequer ouvir falar em fígado - seu estômago, seu esôfago e talvez seu próprio fígado tinham pela víscera biliar uma figadal aversão. E não insistisse ele em contrariá-los: amotinavam-se repelindo indecorosamente o pedaço ingerido.



Nesse dia, mal dona Luiza o serviu, Inácio avermelhou de novo, e novamente saiu fora de si. Viu-se só, desamparado e inerme ante um problema de inadiável solução. Sentiu lá dentro o motim das vísceras; sentiu o estômago, encrespado de cólera, exigir, com império, respeito às suas antipatias. Inácio parlamentou com o órgão digestivo. Mostrou-lhe que mal momento era aquele para uma guerra intestina. Tentou acalma-lo a goles de Clarete, jurando eterna abstenção para o futuro, Pobre Inácio! A porejar suor nas asas do nariz, chamou a postos o heroísmo, evocou todos os martírios sofridos pelos cristãos na era romana e os padecidos na era cristã pelos heréticos; contou um, dois e três e glup! Engoliu meio fígado sem mastigar. Um gole precipitado de vinho rebateu o empache. E Inácio ficou a esperar, de olhos arregalados, a revolução intestina.



Em redor a alegria reinava. Riam-se, palestravam ruidosamente, longe de suspeitar o suplicio daquele mártir, posto a tormentos de uma nova espécie.



- Você já reparou, Miloca, na "ganja" da sinharinha? Disse uma das moças. - Está como quem viu o passarinho verde. E olhou de soslaio para Inácio.



O calouro, entretanto, não deu fé da tagarelice; surdo às vozes do mundo, todo se concentrava nas vozes viscerais. Além disso, a tortura não estava concluída; tinha ainda diante de si a segunda parte do fígado engulhento. Era mister ataca-la e concluir de vez a ingestão penosa. Inácio engatilhou-se de novo e - um, dois, três: glup! Lá rodou, esôfago abaixo, o resto da miserável glândula.



Maravilha! Por inexplicável milagre de polidez, o estômago não reagiu. Estava salvo Inácio. E como estava salvo, voltou lentamente a si, muito pálido, com o ar dos ressuscitados. Chegou a rir-se. Riu-se alvarmente, de gozo, como riria Hércules após o mais duro dos seus trabalhos. Seus ouvidos ouviam de novo rumores do mundo, seu cérebro voltava a funcionar normalmente, e seus olhos volveram outra vez as visões habituais.



Estava nessa doce beatitude, quando:



- Não sabia que o senhor gostava tanto de fígado, disse-lhe dona Luiz, vendo-lhe o prato vazio - repita a dose.



Fora de si outra vez, o pobre moço exclamou, tomado de pânico:



- Não! Não! Muito obrigado!...



- Ora, deixe-se de luxo! Tamanho homem com cerimônias em casa de amigos. Coma, coma, que não é vergonha gostar de fígado. Aqui está o Lemos, que se péla por uma isca.



- Iscas são comigo, confirmou o velho. Lá isso não nego, com elas ou sem elas, nunca as injeitei. Tens bom gosto rapaz. Serve-lhe, serve-lhe mais, Luiza.



E não houve salvação! Veio para o prato de Inácio um novo naco - este formidável, dose dupla.



Não se descreve o drama criado no seu organismo, e disfarçadamente ele aguardou o milagre.



E o milagre veio! Um criado estouvadão, que entrava com o peru, tropeçou no tapete e soltou a ave no colo de uma dama. Gritos, reboliço, tumulto. Num lampejo de gênio, Inácio aproveitou-se do incidente para agarrar o fígado e mete-lo no bolso.



Salvo! Nem dona Luiza nem os visinhos perceberam o truque - e o jantar chegou à sobremesa sem maior novidade.



Antes da dançata, lembrou alguém recitativos e a espevitadíssima Miloca veio ter com Inácio.



- A festa é sua, doutor. Nós queremos ouvi-lo. Dizem que recita admiravelmente. Vamos, um sonetinho de Bilac.Não sabe? Olhe o luxinho! Vamos, vamos! Quer decerto que a Sinharinha insista?... Ora, até que enfim! A douda de Albano? Conheço sim, é linda, embora um pouco fora de moda. Toque a Dalila, Sinharinha, bem piano... assim...



Inácio, vexadíssimo, vermelhíssimo, já em suores, foi para o pé do piano, onde a futura consorte preludiava a Dalila em surdina. E declamou a douda de Albano.



Pelo meio dessa hecatombe em verso, ali pela quarta ou quinta estrofe, uma baga de suor escorrida da testa parou-lhe na sobrancelha, comichando qual importuna mosca. Inácio lembra-se do lenço e saca-o fora. Mas com o lenço, vem o fígado, que faz... plaf! no chão. Uma tocida forte e um pé plantado sobre a infame víscera, manobras do instinto, salvam o lance.



Mas desde este momento a sala começou a observar um extraordinário fenômeno. Inácio, que tanto se fizera rogar, não queria agora sair do piano. E mal terminava um recitativo, logo iniciava outro, sem que ninguém lhe pedisse. É que lhe acorrentava àquele posto o implacável fígado!



E Inácio recitava. Recitou sem música: "O navio negreiro", "As duas ilhas", "Vozes da Africa", "O Tejo era sereno"



Sinharinha, desconfiada, abandonou o piano. Inácio, firme. Recitou "O corvo, de Edgar Poe, "Quisera amar-te", "Acorda donzela", citou poemetos, modinhas e quadras .



- Nun canto da sala Sinharinha estava, chora-não-chora. Todos se entreolhavam. Teria enlouquecido o moço?



Inácio firme. Completamente fora de si, e farto de recitativos de salão, recorreu aos Lusíadas. E declamou " As armas e os barões", "Estavas linda Inês", "Do reino às rédeas leve" - tudo!...



. E esgotado de Camões, ia lhe saindo um "Ponto" de filosofia de direito - A única coisa que lhe restava na memória, quando perdeu o equilíbrio, escorregou e caiu, deixando aos olhos arregalados da sala a infamérrima víscera exposta!



Adeus casamento, adeus terra, porque Inácio teve que se mudar dali, pois o malvado capitão Lemos espalhou por toda a cidade que Inácio era, sem dúvidas, um bom rapaz, mas com um grave defeito: Quando gostava de um prato, não se contentava em comer e repetir, ainda levava escondido no bolso o que podia!



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2. Cidades Mortas, de Monteiro Lobato

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4. Versão para impressão

5. Análise da obra

Publicado em 1919, pela Revista do Brasil, este segundo livro de Lobato levava o subtítulo Contos e Impressões e reunia trabalhos bastante antigos, alguns do tempo de estudante de Lobato. Em edições subseqüentes, novo textos acrescentaram-se à obra. O título do livro é tomado de um texto de 1906. Cidades Mortas está entre os primeiros livros corriam o país.

É no "ambiente marasmático" das pequenas cidades do Vale do Paraíba, em sua porção paulista, que o autor vai colher o material de seus escritos, alguns dos quais não podem ser considerados, propriamente, como contos. Ficam, nas palavras de Nelson Werneck Sodré, "numa espécie de limbo" - são "esboços, cenários, rascunhos de contos" que, em Cidades Mortas, discorrem sobre o cotidiano daquelas cidades, cuja decadência econômica impunha-se desde as últimas décadas do século XIX com a derrocada da produção cafeeira, deslocada para o Oeste paulista (Sodré, 1964: 416). Ainda que alguns textos de Lobato não possam ser considerados como contos, para nós são sinais, pistas e emblemas que sobrevivem para nos evocar e reconstruir a memória.

Em Cidades Mortas a língua ferina de Monteiro Lobato ataca o marasmo político-econômico-literário de seu tempo. Cada conto descreve personagens brasileiros típicos, situações engraçadas e comportamentos diversos.

Nos contos Cidades Mortas e Café! Café!, assim como parcialmente em outros, critica a queda do café e seus efeitos na população que sobrevivia dele. Em outras histórias insere a críticas a literatura tediosa e fraca de seu tempo (citando Alberto de Oliveira e Bernardo Guimarães por nome), ao desprezo pela honestidade, ao absurdo e ridículo das cidades do interior paulista (principalmente a fictícia Itaoca, mas cidades cujo nome começa com "Ita" aparecem em vários contos para mostrar cidades pequenas com habitantes com egos inflados), à crueldade e estupidez humanas, ao exagero de nacionalismo com a participação na Primeira Guerra (no conto O espião alemão), ao abuso feito por aproveitadores com os que trabalharam duro e várias pequenas histórias onde todos esses temas são tocados. Lobato descreve Oblivion e Itaoca como cidades onde o tempo parou. Transforma-as. No decorrer dos fatos, o autor mescla crítica e sagacidade, elegância e realidade, harmonia e sutileza.

Linguagem

O estilo de Lobato é simples direto, objetivo, avesso ao rebuscamento da linguagem. Estilo ou, como ele preferia, seu temperamento, já que "estilo é a última coisa que nasce num literato - é o dente do sizo. Quando já está quarentão e já cristalizou uma filosofia própria, quando possui uma luneta só dele e para ele fabricada sob medida, quando já não é suscetível de influenciação por mais ninguém, quando alcança a perfeita maturidade da inteligência, então, sim, aparece o estilo" (Lobato, 1951: 101).

Nota-se na obra a liberdade de vocabulário, e emprego de expressões que caracterizam aquelas cidades como “velha avó entrevada”, que “foi rica um dia e hoje é quieta”. São “histórias sobre gente medíocre, sonolenta, vivendo um sossego que é como o frio nas regiões árticas: uma permanente.”

Em vários contos emprega a onomatopéia.

Temática

A obra trata de assuntos relacionados à linguagem, religião, o comportamento na sociedade, criticando as futilidades de um encontro em casas de família.

Em Era no Paraíso, satiriza a formação do universo e a origem do homem. Critica a preguiça intelectual dos fazendeiros da época em Apólogo. Trata de assuntos polêmicos e questiona valores e moralidade em Um homem de consciência e O plágio. Crítica ao Romantismo. Trabalha constantemente com o humor como em O fígado indiscreto. Crítica ao Ministério da Agricultura. Em Os senhores do café critica a hipocrisia das classes privilegiadas. Manifesta com muito humor o espírito anti-germânico predominante no período da Primeira-Guerra em O espião alemão. Em Café! Café! critica a monocultura e reproduz o espírito do homem obcecado pela mesma. Crítica a desonestidade do homem, ou seja, os que buscam levar vantagem em tudo em Um homem honesto.

Resgata também os momentos de sua própria infância.

Espaço

Numa espécie de crônica ou ensaio, num tom entre irônico e saudosista, Lobato delineia o espaço de sua obra: o norte paulista do vale do Paraíba, "onde tudo foi e nada é: Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. "(...) cidades moribundas arrastam um viver decrépito. Gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes". É, portanto num cenário de decadência representado por ruas ermas, casarões em ruínas e armazéns desertos, que o livro introduz o leitor, fazendo-o acompanhar de um ponto de vista irônico figuras igualmente decadentes de homens e mulheres.

Itaoca é uma cidadezinha qualquer do interior paulista onde o escritor ambienta suas histórias; nela, aparecem casas de tapera, ruas mal iluminadas, políticos corruptos, patriotas, ignorância, miséria, e representa todas as cidadezinhas que Lobato viu se afundarem no vale do Paraíba: “Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”.

Estrutura da obra

Cidades Mortas contém histórias, algumas antigas, ainda do tempo em que Lobato era estudante do Largo do São Francisco. São elas: Cidades Mortas, A vida em Oblivion, Os Perturbadores do Silêncio, Vidinha Ociosa, Cavalinhos, Noite de São João, O Pito do Reverendo, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos, O Resto de Onça, Por Que Lopes se casou, Júri na Roça, Gens Ennyyeux, O Fígado Indiscreto, O Plágio, O Romance do Chopin, O Luzeiro Agrícola, A Cruz de Ouro, De Como Quebrei a Cabeça à Mulher do Melo, O Espião Alemão, Café! Café!, Toque Outra, Um Homem de Consciência, Anta que Berra, O Avô de Crispim, Era no Paraíso, Um Homem Honesto, O Rapto, A Nuvem de Gafanhotos, Tragédia de um Capão de Pintos.

Entre todas, destacam-se fundamentalmente algumas: Cidades Mortas, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos e a impagável Um homem de consciência. Cabelos Compridos e O Espião Alemão são os dois contos mais conhecidos do livro.

Personagens

O retrato de seus personagens é sempre de carteira de identidade: fiel, objetivo, autêntico. São personagens não apresentam profundidade psicológica.

Os contos de Cidades Mortas entremeiam-se com digressões, como a aguda crítica aos ficcionistas românticos (Alencar, Macedo, Bernardo Guimarães), que transcrevemos:

"No concerto de nossos romancistas, onde Alencar é o Piano querido das moças e Macedo a Sensaboria relambória dum flautim piegas, Bernardo é a sanfona. Lê-lo é ir para o mato, para a roça- mas uma roça adjetivada por menina de caudalosos, as matas virentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonoros, as rolinhas meigas. Bernardo descreve a natureza como qualificativos surrados do mau contador. Não existe nele o vinco enérgico de impressão pessoal. Vinte vergéis que descreva são vinte perfeitas invariáveis amenidades. Nossas desajeitadíssimas caipiras são sempre lindas morenas cor de jambo. Bernardo falsifica o nosso mato. Onde toda gente vê carrapatos, pernilongos espinhos, Bernardo aponta doçuras insetos maviosos, flores olentes. Bernardo mente."


6. CIDADES MORTAS
Monteiro Lobato

7. *Profa. Maria Jerusa Rodrigues Marinho

8. 1. O AUTOR – DADOS BIOGRÁFICOS
José Renato Monteiro Lobato ( o segundo nome, depois, foi substituído por Bento), nasceu em Taubaté, em 1882. Cursa Direito por imposição da família. Participa de grupos e jornais literários e depois de formado é nomeado promotor público. Torna-se fazendeiro ao herdar a fazenda do avô, a qual é vendida para que ele crie a Editora Monteiro Lobato. Embora tenha dinamizado o mercado livreiro, sua editora vai à falência, o que o leva à imprensa do Rio de Janeiro, onde passa a ser colaborador. Mora em Nova York, e na Argentina, que acolhe muito bem suas obras, principalmente as infantis. Participa de inúmeras campanhas públicas e até foi preso por suas idéias revolucionárias. Morre vítima de espasmo pulmonar a 04 de outubro de 1948.

9. 2. OBRAS
Literatura em Geral – Urupês, Cidades Mortas, Idéias de Jeca Tatu, A Onda Verde, O Choque das Raças ou O Presidente Negro, O Escândalo do Petróleo, entre outras. – Literatura Infantil – Narizinho Arrebitado, O Saci, Fábulas de Narizinho, O Marquês de Rabicó, A Caçada da Onça, Aventuras do Príncipe, História do Mundo, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, História das Invenções, Geografia da Dona Benta, Dom Quixote das Crianças, entre dezenas de outras obras.

10. 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS
ü Escritor combativo e arrojado.
ü Autor de contos, ensaio e crítica polêmica.
ü Primeiro escritor a elaborar um projeto editorial para crianças.
ü Defensor de uma língua sem a “gramatiquice” – o velório da língua.
ü Defensor ardoso das riquezas brasileiras; famoso é o seu grito de guerra: O Petróleo é Nosso!
ü Um aristocrata (menino de tempo do império) republicano.

11. ESPAÇO
Itaoca é uma cidadezinha qualquer do interior paulista onde o escritor ambienta suas histórias; nela, aparecem casas de tapera, ruas mal iluminadas, políticos corruptos, patriotas, ignorância, miséria. Representa todas as cidadezinhas que Lobato viu se afundarem no vale do Paraíba.

12. ESTRUTURA DA OBRA
Cidades Mortas, A vida em Oblivion, Os Perturbadores do Silêncio, Vidinha Ociosa, Cavalinhos, Noite de São João, O Pito do Reverendo, Pedro Pichorra, Cabelos Compridos, O Resto de Onça, Por Que Lopes se casou, Júri na Roça, Gens Ennyyeux, o Fígado Indiscreto, O Plágio, O Romance do Chopin, O Luzeiro Agrícola, A Cruz de Ouro, De Como Quebrei a Cabeça à Mulher do Melo, O Espião Alemão, Café Café, Toque Outra, Um Homem de Consciência, Anta que Berra, O Avô de Crispim, Era no Paraíso, Um Homem Honesto, O Rapto, A Nuvem de Gafanhotos, Tragédia de um Capão de Pintos.



Eu agradeço desde já se puder fazer esta resenha pra mim, pois preciso com urgência!



Segui aí a sequência de como eu preciso:

1º apresentação de dados da obra.

2º dados do autor ( biobibliográficos ).

3º discorrer sobre a obra.

4º conclusão

Exemplo: o conto é distribuído em 5 páginas, da 1º linha até a 5, fala disso, disso e disso.

O que é que o texto quer dizer?

Qual é a minha visão de acordo com o texto?

Na conclusão : o conto é recomendado p/ leitura por causa disso, disso e disso.

Contextualizar a obra o que há de marca naquela obra que justifique na obra.
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Ao fazer com que cada terceto antecipe o som que irá ecoar duas vezes no terceto seguinte, a terza rima dá uma impressão de movimento ao poema. É como se ele iniciasse um processo que não poderia mais parar. Através do desenho abaixo pode-se ter uma visão mais clara do efeito dinâmico da poesia: Os três livros que formam a Divina Comédia são divididos em 33 cantos cada, com aproximadamente 40 a 50 tercetos, que terminam com um verso isolado no final. O Inferno possui um canto a mais que serve de introdução a todo o poema. No total são 100 cantos. Os lugares descritos por cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa 'estrelas'. Dante chamou a sua obra de Comédia. O adjetivo "Divina" foi acrescido pela primeira vez em uma edição de 1555. A Divina Comédia excerceu grande influência em poetas, músicos, pintores, cineastas e outros artistas nos últimos 700 anos. Desenhistas e pintores como Gustave Doré, Sandro Botticelli, Salvador Dali, Michelangelo e William Blake estão entre os ilustradores de sua obra. Os compositores Robert Schumann e Gioacchino Rossini traduziram partes de seu poema em música e o compositor húngaro Franz Liszt usou a Comédia como tema de um de seus poemas sinfônicos.

Inferno: Quando Dante se encontra no meio da vida, ele se vê perdido em uma floresta escura, e sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, um leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, Dante é surpreendido pelo espírito de Virgílio - poeta da antigüidade que ele admira - disposto a guiá-lo por um caminho alternativo. Virgílio foi chamado por Beatriz, paixão da infância de Dante, que o viu em apuros e decidiu ajudá-lo. Ela desceu do céu e foi buscar Virgílio no Limbo. O caminho proposto por Virgílio consiste em fazer uma viagem pelo centro da terra. Iniciando nos portais do inferno, atravessariam o mundo subterrâneo até chegar aos pés do monte do purgatório. Dali, Virgílio guiaria Dante até as portas do céu. Dante então decide seguir Virgílio que o guia e protege por toda a longa jornada através dos nove círculos do inferno, mostrando-lhe onde são expurgados os diferentes pecados, o sofrimento dos condenados, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar ao centro da terra, onde vive Lúcifer. Passando por Lúcifer, conseguem escapar do inferno por um caminho subterrâneo que leva ao outro lado da terra, e assim voltar a ver o céu e as estrelas. Purgatório: Saindo do inferno, Dante e Virgílio se vêem diante de uma altíssima montanha: o Purgatório. A montanha é tão alta que ultrapassa a esfera do ar e penetra na esfera do fogo chegando a alcançar o céu. Na base da montanha encontram o ante-purgatório, onde aqueles que se arrependeram tardiamente dos seus pecados aguardam a oportunidade para entrar no purgatório propriamente dito. Depois de passar pelos dois níveis do ante-purgatório, os poetas atravessam um portal e iniciam sua nova odisséia, desta vez subindo cada vez mais. Passam por sete terraços, cada um mais alto que o outro, onde são expurgados cada um dos sete pecados capitais. No último círculo do purgatório, Dante se despede de Virgílio e segue acompanhado por um anjo que o leva através de um fogo que separa o purgatório do paraíso terrestre. Finalmente, às margens do rio Letes, Dante encontra Beatriz e se purifica, banhando-se nas águas do rio para que possa prosseguir viagem e subir às estrelas. Paraíso: O Paraíso de Dante é dividido em duas partes: uma material e uma espiritual (onde não há matéria). A parte material segue o modelo cosmológico de Ptolomeu e consiste de nove círculos formados pelos sete planetas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), o céu das estrelas fixas e o Primum Mobile - o céu cristalino e último círculo da matéria. Ainda no paraíso terrestre, Beatriz olha fixamente para o sol e Dante a acompanha até que ambos começam a elevar-se, "transumanando". Guiado por Beatriz, Dante passa pelos vários céus do paraíso e encontra personagens como São Tomás de Aquino e o imperador Justiniano. Chegando ao céu de estrelas fixas, ele é interrogado pelos santos sobre suas posições filosóficas e religiosas. Depois do interrogatório, recebe permissão para prosseguir. No céu cristalino Dante adquire uma nova capacidade visual, e passa a ter visão para compreender o mundo espiritual, onde ele encontra nove círculos angélicos, concêntricos, que giram em volta de Deus. Lá, ao receber a visão da Rosa Mística, se separa de Beatriz e tem a oportunidade de sentir o amor divino que emana diretamente de Deus, "o amor que move o Sol e as outras estrelas". veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Doutor Simão Bacamarte, cientista de nomeada, monta, em Itaguaí, um hospício, a Casa Verde, onde pretende executar seus projetos científicos. Pretende separar o reino da loucura do reino do perfeito juízo, mas a confusão em que ambas se misturam acaba aborrecendo o Doutor, que, para levar a efeito a seleção dos loucos, tem que saber o que é a normalidade. Assim, qualquer desvio do que era o comportamento médio, a aparência pública, qualquer movimento interior, que diferisse da norma da maioria era objeto de internação. O hospício é a Casa do Poder, e Machado de Assis sabia disso muito antes da antipsiquiatria de Lacan e das teses de Foucould. No início, o projeto do Dr. Simão Bacamarte é bem recebido pela população de Itaguaí, mas a aprovação cessa quando o médico passa a recolher na Casa Verde, pessoas em cuja loucura a população não acredita. O barbeiro Porfírio lidera uma rebelião contra o hospício que é sufocada. Numa primeira etapa, são internados os que, embora manifestassem hábitos ou atitudes discutíveis, eram tolerados pela sociedade: os politicamente volúveis, os sem opiniões próprias, os mentirosos, os falastrões, os poetas que viviam escrevendo versos empolados, os vaidosos, etc. Para pasmo geral dos habitantes de ltaguaí, Simão Bacamarte, um dia, solta todos os recolhidos no hospício e adota critérios inversos para a caracterização da loucura:


os loucos agora são os leais, os justos, os honestos etc. A terapêutica para esses casos de loucura consistia em fazer desaparecer de seus pacientes as "virtudes", o que o Dr. Simão Bacamarte consegue com certa facilidade. Declara curados todos os loucos, solta-os todos e, reconhecendo-se como o único louco irremediável, o médico tranca-se na Casa Verde, onde morre alguns meses depois. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Iaiá era filha de Luís Garcia, viúvo e funcionário público, que nela concentrava todos os seus afetos. Quando a história principia, ele está com quarenta e um anos, e Iaiá com onze anos estuda em colégio interno e, nos fins de semana, é a fonte de toda a alegria do pai, em cuja casa reina a solidão. Luís Garcia tem uma amiga, também viúva, Valéria Gomes, mãe de Jorge. Jorge está apaixonado pela filha de um ex-empregado de seu falecido pai, Estela, que vive na mesma casa. Para afasté-lo de Estela, por não julgar digna de sua posição social, a mãe força-o a alistar-se como voluntário para lutar na guerra do Paraguai. Mas jorge não esquece a sua amada e tem um verdadeiro choque ao saber que ela se casara com Luís Garcia, que isso foi levado, entre outras razões, pelas boas relações entre Estela e sua filha Iaiá. A partir daí, a história evolui ao longo do tempo, com o regresso de Jorge, sua mãe já morta, a influência do novo amigo que fizera no Paraguai, encontros e desencontros, risos e lágrimas, até a morte de Luís Garcia. E Jorge acaba-se por se casra com Iaiá. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O livro critica propostas oficiais que se afinam com a ideologia neoliberal e apresentam alternativas contrapondo a lógica econômica e social, focando o currículo da escola e a formação de professores.
O currículo é entendido como espaço coletivo e democrático que se ensina e aprendem conhecimentos úteis para um projeto coletivo a busca de uma democracia radical e plural.
Nos anos 60 e 70, o Brasil sofreu influencias americana no seu currículo indo até inicio dos anos 80.
Num segundo momento, final da década de 80, com grades mudanças políticas e econômicas, na luta em se tornar mais autônomo, assimilaram criticamente a produção estrangeira, adequando a nossa realidade. A presença do Banco Nacional na nossa política educacional os princípios da ideologia neoliberal norteiam uma educação competitiva, mas produtiva e sintonizada com as demandas das empresas e indústrias. Os PCNs são exemplos dessas medidas.
Nos anos 90, com o surgimento da aldeia global, comunidade eletrônica, diferentes saberes formas de vida e visões de mundo se encontram, causando ma homogeneidade, mas também criticando idéias e teorias, sugere-se que não exista uma cultura em estado puro. Mas uma hibridação, misturando-se e provendo sínteses muitas vezes criativas.
Em relação ao currículo, os cosmopolitas, pesquisadores que se apropriam criticamente e criativamente da produção de outros paises e baseiam-se nelas para soluções e propostas.
Na América Latina discursos sobre reformas educacionais estão associados a um projeto político. E na perspectiva neoliberal.
O Banco Mundial, tem propiciado uma homogeneidade discursiva das políticas educativas,, enfatiza a educação básica, qualidade da educação, descentralização do financiamento e administração, participação da comunidade, recursos adicionais e de defesa de políticas com base em analises econômicas.A reforma do currículo, como a inclusão de temas transversais, municipalização do ensino, sistemas nacionais de avaliação, conteúdos básicos e formação de professores.
Autores defendem uma reforma apoiada em pessoas, profissionalização dos professores, a identidade histórica regional.
Quanto aos temas transversais é criticado por remeter um multiculturalismo conservador, tem-se por alternativa incorporar o pluralismo cultural como principio de atuação político educacional.
Quanto a formação docente, o enfoque multicultural deve ser defendido, classificado em conservador,m liberal, de esquerda e critico.
Arroyo, critica que as inovações são vistas como iniciativas do alto, o diagnostico social da escola é vista por fora, as inovações são centradas em conteúdos, programas. Os PCNs reforçam isto, porem as Leis tenta negar ao reafirmar a autonomia dos professores e equipe.
As discussões sobre currículo vêm da dinâmica política e cultural da sociedade, propicia politização. Inovar é, então, redefinir saberes escolares mudar concepções e desenvolver consciência critica dos professores, com um dialogo entre os atores para redefinir culturas, formular políticas, pesquisar e teorizar. A pratica cotidiana na sala de aula deve ter mais dialogo, descobrindo valores e diversidades coletivamente, é entender que toda ação educativa é uma ação humana, cultural, entre pessoas socioculturais, dando ressignificação aos conteúdos e programas. É necessário que os professores tenham acesso ao conhecimento produzido na área de educação e na cultura em geral, repensar sua pratica e reconstruí-la como cidadãos e atuar como sujeitos da produção do conhecimento. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Mãos de Cavalo, obra de Daniel Galera, começa com capítulos curtos, escritos em terceira pessoa.

O autor intercala duas histórias. A primeira destaca a trajetória de um garoto que - dos dez aos quinze anos de idade, metido em suas aventuras de bairro, entre corridas de bicicleta e campinhos de futebol - vive justamente as primeiras descobertas em relação à sua própria identidade. Na segunda, o foco aponta um jovem cirurgião plástico que, ao chegar aos trinta anos depois de uma rápida, árdua e bem sucedida trajetória de estudos e experiências profissionais, começa então a colocar sua escolhas em cheque, bem no momento em que sai para uma longa viagem com um amigo. Esses acontecimentos vão aos poucos se conectando no tempo e no espaço dramáticos, e compõem uma delicada trama sobre memória, perda e culpa.

Com habilidade, costura os capítulos e mistura as referências de uma maneira que traz ao leitor um grande prazer em acompanhar, ele próprio, o processo de auto-descoberta vivido pelo personagem. Tanto o garoto como o cirurgião vão entender que, tragicamente, só se conhece a própria identidade a partir de eventos-limite, extasiantes ou cruéis, momentos que vão ser carregados pela vida a fora. Entre ritos de passagem e acertos de contas, forma-se um indivíduo.

Durante as duas trajetórias, o escritor não perde a oportunidade de explorar temas bastante interessantes. O fascínio pela violência estética em contraponto à covardia frente a agressividade real, o recalque das emoções, o desejo e a impressão de vermos nossas vidas registradas pelas lentes de uma câmara de cinema.

O protagonista de Mãos de Cavalo não é uma pessoa simples. Talvez ninguém seja mesmo. E pouco a pouco o vemos exposto pelo autor. Através das descrições ultra-detalhistas de cada situação, vemos dissecadas suas impressões frente a cada situação, seja ela o descer vertiginoso de uma ladeira montado numa CaloiCross aro 20', seja testemunhar o ventre de sua esposa ser rasgado durante o parto enquanto a anestesia não fazia efeito.

Primeiramente independentes, as duas tramas vão, aos poucos, ganhando elementos que as aproximam, até que o passado e o presente praticamente se transformam em um só acontecimento, mostrando como foi e como poderia/deveria ter sido determinado fato aos olhos do protagonista. Durante essa trajetória, o autor constrói uma gradativa imersão do personagem do presente em fatos do seu passado que o ajudaram a afirmar sua própria identidade. Em um momento em que dúvidas em relação à vida levam o protagonista a buscar e assumir novas referências de mundo, há uma volta no tempo até um momento traumático, mas que o ajudou a encontrar a si próprio. E essa rememoração é decisiva também para os rumos do seu próprio futuro. Nesse momento as duas histórias se fundem em uma imagem única e definitiva.

Segundo o autor, a obra é uma síntese de diversas histórias que guardou na cabeça durante anos, mas que vieram se transformando e atualizando ao longo do tempo. Algumas cenas e personagens têm origem em coisas que ele imaginava desde os dez ou doze anos de idade, muito antes de sonhar em escrever. Segundo Galera, as primeiras três versões de Mãos de Cavalo foram jogadas fora: somente na quarta tentativa o autor encontrou a forma que lhe pareceu ideal para desenvolver o romance até o fim.

Esse tom se manifesta numa prosa rica em detalhes, em descrições bem trabalhadas de cenas e atmosferas, nas quais a aparente placidez do cenário reforça a intensidade dos sentimentos dos personagens. Nada é gratuito aqui: numa partida de videogame, num parto sem anestesia, na trilha sonora de uma festa de quinze anos, assiste-se à tumultuada trajetória do protagonista rumo ao cotidiano do mundo adulto, preenchido entre o sucesso profissional e o "piloto automático" de um casamento fora dos planos.

O tema principal do livro é a identidade, a obsessão que se tem por defini-la e a inutilidade geral desse esforço. Até que ponto é possível decidir como as pessoas querem ser e que imagem os outros terão delas? Talvez definir isso racionalmente seja tão inviável quanto decidir se se quer ou não amar uma determinada pessoa.
Diante do impasse, Mãos de Cavalo acena com um desfecho surpreendente num relato em que a tragédia se insinua a cada linha. Como nas clássicas histórias sobre segunda chance, está em jogo a possibilidade de o covarde se transformar em herói, ou de quem sempre se definiu como "solitário e renegado" encontrar uma integração possível com o mundo. O futuro aí apontado não é movido por certezas absolutas, mas pela grandeza de saber quando aceitar ou lutar contra as armadilhas do acaso.

A estrutura temporal sobre a qual foi montada, o conjunto lexical selecionado e a condução da narrativa em função da construção da personagem são alguns dos aspectos que garantem à obra relevância para ser analisada criteriosamente. Além disso, o valor interpretativo extraído desses aspectos comprova a intencionalidade do autor em desenvolver uma narrativa repleta de significado, justificando sua consagração na literatura.

Um dos fatores da narrativa de Daniel Galera que oferecem oportunidade de proveitosa explanação é a construção da personagem central. Na verdade, todo o percurso do romance concorre para apresentar ao leitor o perfil psicológico e comportamental de Hermano (o “Mãos de Cavalo”). Aliás, percurso seria a palavra-chave dessa narrativa.

Já no primeiro capítulo – O Ciclista Urbano – a narração apresenta-se construída sobre os percursos que Hermano faz, relacionados em algum sentido com o rumo da sua vida.

“(...) O trecho de subida... sairá ileso.” (p. 09-10)

O leitor perceberá ao longo da leitura que todos os obstáculos descritos (árvores, postes, rampas deslizantes, buracos, lombadas, etc.) estão semanticamente ligados aos desafios da vida do próprio Hermano.

A partir do segundo capítulo começamos a entender mais claramente esse jogo com o curso da narrativa relacionado à forma como o personagem guia a sua
vida. Os capítulos intitulados por horários – 6h08, 6h13,... – apresentam Hermano em sua vida adulta atual, dirigindo seu carro por ruas e avenidas até a casa de seu amigo Renan para juntos irem a uma escalada na Bolívia. Enquanto Hermano dirige, o narrador vai apresentando elementos do percurso como monumentos, viadutos, nomes de ruas, que remetem ao pensamento de Hermano alguma lembrança de sua vida.

“Passando por baixo... deu a luz a Nara.” (p. 71)

Quando, no capítulo 6h23, fala-se que Hermano “fantasia que a construção... antes que fosse tarde.” (p. 97), remete-se ao fato de que ele deve ainda agarrar-se a fatos de seu passado (o “asfalto”, as “calçadas”, as “árvores”) para resolvê-los antes de serem encobertos por sua vida atual (“o concreto das novas avenidas”). Vemos aí que o espaço à volta de Hermano está sendo relacionado com as suas sensações e lembranças.

Os outros capítulos vão intercalando a narrativa com flashbacks a partir da mirada e reflexão de Hermano de seu passado.

Outra analogia entre um trajeto difícil de percorrer e a vida acontece no capítulo “A Clareira” no momento em que Hermano, Morsa e Pedreiro se entretinham com um jogo de computador com pistas de corrida:

“O jogo de computador... desmontar o computador.” (p. 164-165).

Diante da pista intransponível, os amigos viam que os acontecimentos das próprias vidas seguiam um curso impossível de se evitar.

A forma dos capítulos onde Hermano está dirigindo reforça a idéia de que a narrativa foi organizada sob a ótica de um trajeto, pois eles em um parágrafo apenas, caracterizando assim, a continuidade, a linearidade da estrada, do caminho, da vida.

O tempo em Mãos de Cavalo é outro fator importante para a análise. Com uma leitura atenta, o leitor perceberá que as histórias se fundem, como já citado, unindo passado e presente, e ainda, que os fatos passados exerceram grande influência sobre Hermano em sua fase adulta. Observa-se isso no episódio em que o personagem se vê em situação semelhante a que havia vivenciado na adolescência, na qual tinha agido covardemente ao não ajudar o amigo que era espancado.

“(...) tinha ficado covardemente escondido... minutos depois.” (p. 173).

Hermano guardou para si o sentimento de culpa que o acompanhou durante anos, como uma verdadeira marca, da qual sempre se envergonhou.

“(...) Hermano sentiu-se imediatamente cúmplice... na testa.” (p. 173).

Agora adulto, ele tem a oportunidade de se livrar desse sentimento de culpa e fazer o que não teve oportunidade no passado.

“(...) Sente gosto de sangue... não da covardia.” (p. 151).

A alternância entre passado e presente leva o leitor a compreender o personagem de forma gradual, assim, o passado não só ilumina o futuro, mas também, o próprio passado de Hermano, simultâneamente. Para entender o Hermano adulto, é essencial emergir em sua adolescência.

Outro aspecto interessante é a finalização do livro, o qual não se dá na metade cronologicamente mais atual da narrativa, mas sim, na fase adolescente do personagem. A história termina no fim da narrativa do passado, com uma decisão convicta do personagem sobre como será seu futuro. Porém, o leitor que acaba de saborear o romance sabe que o futuro do personagem não foi tão livre de conflitos como ele imaginava. Existe uma grande contradição na última frase: “Agora sabia exatamente o que fazer. Não seria necessário fingir nunca mais.” (p.188).

A tensão gerada entre passado e futuro, sobre o que o personagem idealiza e o que o leitor já conhece sobre seu destino, são detalhes decisivos para o sucesso do romance.

Com respeito à narração, pode-se notar que, de acordo com a tipologia desenvolvida por Norman Friedman, o narrador é onisciente intruso, ou seja, age como uma espécie de “voz” que permeia a narrativa, porém permanece de fora da trama – não é um personagem – mas sabe de tudo que se passa nas ações exteriores das personagens e também das interiores (seus pensamentos e intencionalidades); por isso, é capaz de transmitir uma perspectiva mais ampla ao leitor, tanto dos fatos presentes, quanto dos acontecimentos que podem estar por vir. Isso é notado no início do capítulo “6h23”:

“Ao pensar no nome da filha percebe pra onde, na verdade, está guiando seu Mitsubishi Pajero...” (p.96)

Outro ponto de destaque é o constante conflito que Hermano enfrenta consigo mesmo. Desde a infância, quando cai da bicicleta, e adquire marcas não só no corpo, mas também na mente.

Na adolescência, a falta de uma personalidade formada do garoto é latente: a ausência de um apelido face aos amigos, que tinham, cada qual uma denominação diferente; a falta de coragem para enfrentar problemas, como em “Downhill”, em que Hermano nota o desdém por parte de Bonobo e sua trupe, ao que ele retruca saltando e levando mais um tombo histórico; a frustração com a sexualidade na primeira relação afetiva; e, principalmente, sua covardia diante do grupo que se vinga de Bonobo com a surra que o leva à morte, em que Hermano foge e se esconde, e apenas assiste ao massacre:

“Hermano entrou no mato, caiu numa vala do terreno e se escondeu atrás de folhas e galhos. (...) durante um período que pareceu horas.”(pp.169-170).

A fase adulta, por sua vez, corresponde a 1 hora e 56 minutos da vida da personagem nos quais se desdobram todos os traumas: a reação de Hermano, agora médico formado, casado e pai de uma filha, como a súbita desistência da escalada ao Cerro Bonete com um amigo, as indagações que faz para si com relação ao casamento e o nome de sua filha, Nara; a revolta na briga entre adolescentes que encontra na vila onde morou, na qual salva o rapaz acuado e bate em todos os demais; e um estranho reencontro com Naiara. Tudo que Hermano realiza nesse período equivale a um “acerto de contas” consigo mesmo, a uma volta no tempo, para refazer todas as ações que um dia deixou de fazer:

“Aos trinta anos, lhe parecia antes de tudo um constante ensaio para um heroísmo que nunca chega. (...) pelo que gostaria de ter sido no passado ou de ser no futuro.” (p.177)

Por fim, um tópico extremamente relevante é a fixação que o autor demonstra ter por sangue.

Por meio de Hermano, surge, incontáveis vezes, durante a trama, de forma direta ou por meio de associações. No livro, a sensação é a de que cada marca ou cicatriz faz com que ele sinta no corpo o que não sentia com os problemas da vida. As marcas deixadas na infância, a queda no torneio de downhill, a preferência por atuar como médico cirurgião, enfim, tudo isso ajuda a trazer a sensação constante de uma tragédia que vai aos poucos se delineando. Porém, a circunstância mais trágica é a morte de Bonobo após a surra, como já comentado. Ele não tinha medo de sentir dor, não tinha medo de se machucar nem de ver sangue; pelo
contrário, tinha uma fixação por isso. A sensação de dor do corpo compensava a falta de sensações emocionais:

“Estava pronto para sangrar. Era seu talento. (...) agora ele seria capaz de cortar, quebrar, ralar, escoriar, debulhar, raspar, fraturar, arranhar, perfurar e esmagar seu próprio corpo de um jeito que ninguém jamais esqueceria.”(p. 91)

Os demais fatos têm seu desfecho no que ocorre nas cenas da fase madura do personagem, na briga com os meninos de rua, em que apanha, e sangra muito. Mesmo que tal interpretação não seja necessariamente a que o autor pensou, conforme resposta do próprio a tal questão, ele considera esse ponto de vista aceitável.

Em Mãos de Cavalo, o foco está nas questões de caráter psicológico, embora não seja psicologizante, e induz o leitor a pensar na própria vida, bem como na do autor, por trazer em si um caráter confessadamente autobiográfico, e falar das coisas que ele gosta. Vale salientar que o escritor trata o personagem como alguém externo a ele, conforme palavras do próprio: “A relação do Hermano com o corpo é cheia de simbologias – ele procura controlar e afligir no corpo o que não consegue obter e praticar na vida, acho.”

Trecho da obra:

Segurando com firmeza o volante do automóvel que está prestes a dirigir ao longo de quatro dias e três noites até a região mais elevada do Altiplano Boliviano, sente a náusea típica daquele último instante em que ainda parece viável voltar atrás com relação a algo que, no fundo, sabemos não ter volta, porque já foi decidido e planejado há muito tempo. Essa hesitação inútil é ainda mais incômoda por causa do silêncio duradouro das seis horas da manhã de um sábado. Em vez de girar a chave na ignição, fica à espera de algum ruído, como se isso pudesse dar o peteleco que faltava pra ele ser jogado pra frente, forçado a ligar o carro, buscar Renan em casa no horário combinado e ir ao encontro do que prometia ser a maior aventura de sua vida. A Adri tinha avisado na noite anterior que não levantaria da cama pra se despedir. Por isso, a partir do momento em que o despertador do telefone celular tocou a musiquinha da Família Addams, às cinco e quinze, ele fez o máximo de barulho possível pra mijar, lavar o rosto, vestir uma calça confortável de abrigo, camisa pólo, tênis e boné da clínica cirúrgica, preparar uma tigela de iogurte integral com granola e uma quantidade absurda de mel, escovar os dentes, tropeçar propositalmente na cama e no banquinho do closet, sintonizar o rádio em volume desnecessariamente alto em uma estação AM pra conferir a previsão do tempo, retornar pro quarto do casal sem motivo nenhum e sair dele logo em seguida, abrir a porta do quarto da Nara, cujo sono infantil quase perturbou na esperança de que isso comovesse a esposa, abrir e fechar desnecessariamente a porta do bagageiro pra espiar a bagagem que havia guardado, organizado e checado trocentas vezes na noite passada, voltar pra dentro de casa sem motivo e, finalmente, sair, fechando a garagem pela última vez e batendo a porta do carro com raiva, mas apesar de todo esse esforço a Adri cumpria a ameaça e devia estar fingindo que dormia até agora, aguardando o breve rangido elétrico da ignição iniciar os ciclos de combustão da gasolina dentro dos pistões do Mitsubishi Pajero TR4. Por fim, decide proporcionar a ela essa satisfação e gira a chave, dá a partida no motor e acelera algumas vezes em ponto morto, somente pelo prazer de romper a quietude, fantasiando que naquele exato instante, na cama, ao perceber que ele estava realmente partindo, ela se arrependia mortalmente de não ter dado um beijo de despedida, na bochecha que fosse, e lhe desejado boa sorte. Descendo o carro lentamente pelas faixas paralelas de granito que cortam o gramado uniforme do jardim em frente à casa, decide que vai desligar o celular assim que cair na estrada e esperar dois ou três dias antes de telefonar pra ela dando notícias. Com as ruas da cidade desertas, pretende chegar ao sítio do Renan na Vila Nova em no máximo vinte e cinco minutos. Mantém as janelas do carro fechadas, e o ruído dos pneus sobre o pavimento irregular soa longínquo e fofo, dando a impressão de que está dentro de um aquário, separado do mundo. Abre completamente a janela da porta do motorista e tudo se transforma, a começar pelo barulho crocante dos pneus. O sol, que deve estar despontando por trás de algum edifício, cobre as casas, prédios, árvores e os paralelepípedos das ruas secundárias da Bela Vista com uma luz embaçada entre o amarelo e o rosa. Três estrelas heróicas resistem no céu que deixou de ser noturno há uns cinco, no máximo dez minutos. O ar está fresco e saturado de oxigênio. Enche os pulmões pelo nariz, preenchendo cada alveólo até o limite da capacidade, e prende o fôlego por uns três segundos. Daqui a poucos dias estarão, ele e Renan, quatro mil e setenta metros acima do nível do mar em algum hotelzinho de Potosí, que divide o título de cidade mais alta do planeta com Lhasa, no Tibete, os dois deitados em beliches, repousando e ingerindo volumes imensos de líquido em busca de uma aclimatação adequada, evitando arruinar tudo logo no começo com uma embolia pulmonar. Assim que pega a Carlos Trein Filho pra descer até a Nilo Peçanha, lembra da pergunta que Renan fez de repente, sem mais nem menos, quando descansavam no topo da Pedra da Cruz, no final de tarde de um domingo do mês de abril, quase sete meses atrás. Tinham acabado de escalar a via Prosciutto Crudo, conquistada e batizada pelo próprio Renan. Desde que tinha passado duas semanas em férias escalando no litoral da Sardenha, em agosto de 2002, Renan batizava suas vias com expressões aleatórias em italiano. Aquele foi provavelmente o melhor fim de semana que passaram em Minas do Camaquã, uma vila fantasmagórica perto da qual se ergue um conjunto de formações rochosas que parece uma seqüência de quatro gigantescas ondas de pedra maciça rasgando uma paisagem de morros suaves e rios. Situada no sudoeste do Rio Grande do Sul, a vila se desenvolveu a partir do início do século XX, com a descoberta de jazidas de cobre, ouro e prata. As reservas se esgotaram, e a mineração foi encerrada em meados dos anos 1990. Hoje a vila é habitada por algo entre uma e duas centenas de famílias, em boa parte de mineradores aposentados, e suas casas e ruas abandonadas, cercadas de uma geografia mutilada pela extração de minérios, dão um adorável ar de fim do mundo a um recanto já naturalmente isolado. A turma da qual fazem parte ele, Renan e mais um punhado de alunos da academia foi uma das primeiras a freqüentar a região pra praticar montanhismo. Percorriam os trezentos quilômetros entre Porto Alegre e Minas do Camaquã no sábado cedinho, passavam o dia escalando e a noite traçando um churrasco, escalavam mais um pouco no domingo e retornavam pra Porto Alegre à noite, Renan de volta pras paredes artificiais indoor da Condor, a academia esportiva na Tristeza da qual era dono, e ele pro seu consultório na Quintino Bocaiúva e pras salas de cirurgia do Mãe de Deus Center. A escalada, pra ele, sempre foi antes de tudo um método de exploração dos limites físicos e mentais, um exercício prazeroso de resistência muscular e concentração, praticado com disciplina e regularidade, que acabou entranhado em sua rotina, mas quando consegue se livrar de suas pacientes e acompanhar as saídas da turma da Condor nos finais de semana, a prática se torna algo além disso, um parêntese que interrompe o fluxo mais ou menos previsível de sua vida profissional e familiar. Já pro Renan a escalada é a própria rotina. Quando não está trabalhando como instrutor e sócio administrativo na Condor ou dando aulas de escalada técnica pra grupos particulares e instituições diversas, está em algum lugar do Brasil, da América Latina ou de outras partes do globo, escalando vias dificílimas de nível 9 ou 10, acumulando gigabytes de fotos digitais que registram alguns feitos consideráveis do montanhismo nacional, como a encadenação em tempo recorde da "Massa Crítica", na Barra da Tijuca, e a conquista da sua "Francobolo", considerada até a presente data a via esportiva mais difícil do Sul do Brasil, uma 10b repleta de passadas explosivas no teto da Gruta da Terceira Légua, em Caxias do Sul. Apesar da relação de seus egos com a escalada ser um tanto diferente, ele e Renan se tornaram grandes amigos logo que se conheceram na Condor, e desde então, sempre que as brechas das agendas coincidem, viajam juntos de carro nos finais de semana e feriados pra escalar na rocha, numa média de dez vezes por ano nos últimos três anos. Estiveram no Itacolomi, em Torres, Cotiporã, Salto Ventoso, Pico da Canastra e Ivoti. Mas seu destino favorito vinha sendo as Minas do Camaquã, onde os acampamentos montados pra passar a noite de sábado pra domingo se tornaram tão divertidos, com fogueiras e conversas madrugada adentro, que numa ocasião a Adri tinha consentido em deixar a Nara com os pais dele pra lhe fazer companhia na saída de fim de semana, apesar do terror que sentia de ver outros seres humanos pendurados nas alturas, terror que ele definia, em tom de brincadeira, como "acrofobia derivada", enquanto Renan dizia que era cagaço mesmo. No fim ela se encantou com a natureza do lugar, perguntou pra que serviam os mosquetões, o freio oito, o magnésio, quis saber o comprimento das cordas, o método de fixação dos grampos na rocha, e chegou a escalar uns quatro ou cinco metros de altura, antes de começar a berrar de pavor. À noite, ela fumou muita maconha, bebeu muito vinho e ajudou todo mundo a tirar sarro da cara dele por não beber nem fumar maconha. Fez amizade e passou cerca de uma hora trocando confidências e segredinhos com a Keyla, namorada e aluna do Renan. Ao presenciar a rápida intimidade das respectivas companheiras, Renan ficou balbuciando em seu ouvido frases ininteligíveis nas quais se destacava a palavra "suingue", e isso era bem a cara do Renan. Naquela noite a Adri ficou implicante, incoerente, desfigurada e alegre, e ele ficou feliz em ver ela daquele jeito. Mas aquela foi a primeira e última vez que a Adri foi escalar com ele. Ela simplesmente perdeu o interesse, como se tivesse esgotado todas as possibilidades de fruição numa única viagem. Ele e Renan, entretanto, prosseguiram. Precisava cada vez mais da endorfina, da adrenalina e do estado mental quase meditativo que a escalada na rocha proporcionava. Renan precisava seguir fazendo aquilo que fazia melhor: vencer desafios em boulders com a graça de uma aranha bailarina, abrindo novas vias que seriam repetidas e respeitadas por inúmeros outros escaladores. E naquele dia de abril, quando já estavam sentados na pedra, descansando e admirando a vista do cume da Pedra da Cruz, Renan perguntou, sem desviar os olhos da paisagem: "Tá a fim de fazer um lance totalmente Coração das Trevas?". Ainda meio zonzo, extasiado pelo esforço e pela conquista, ele seguia com os olhos um gavião que estava empoleirado na enorme cruz branca que dá nome à Pedra da Cruz e tinha recém levantado vôo, batendo as asas contra um céu laranja estriado de nuvens brancas. "Fazer o quê?", perguntou, arrancado de seu devaneio. Ao invés de dar bola pro Renan, começou a mentalizar etapas do rapel que fariam em breve pra descer daquela altura antes que ficasse escuro demais. A descida era sempre a parte que o deixava mais nervoso. Assim como a maioria dos acidentes de carro ocorre a menos de cinco minutos do destino do motorista, a descida é a parte em que um escalador está mais à vontade, mais apressado e distraído. Renan demorou alguns segundos antes de falar de novo. "Já pensou alguma vez em escalar no gelo?" Sabia que Renan tinha feito curso de escalada em gelo em Bariloche e que havia chegado ao cume de algumas montanhas nevadas dos Andes argentinos, por isso imaginou que ele tinha em mente mais alguma investida naquela região. "Nunca pensei, mas seria interessante." "Tô com uma idéia fixa, véio, um projeto que tá me deixando totalmente obcecado." "Escalar o Aconcágua com as mãos amarradas nas costas?" Esperava que Renan fosse rir, mas em vez disso o amigo cruzou os dedos e usou a força da mão direita pra estalar as articulações metacarpofalangianas da mão esquerda, que estouraram como um conjunto de pequenas cápsulas cheias de ar de um plástico bolha. "Preciso de um parceiro pra uma viagem, uma expedição, na verdade. Alguém com tempo e vontade pra pegar dias de estrada, investir num equipamento, se enfiar no meio do nada e passar um tempo na montanha. Tá a fim de encarar algo assim?" A pergunta parecia prever uma resposta negativa e tinha um toque muito sutil de desafio, coisa comum entre os dois quando o assunto era escalada, já que Renan era melhor no esporte em todos os sentidos e tinha como principal motivação a superação de marcas e façanhas, de preferência as alheias. "Onde?" "Cordilheira dos Andes." "Sim, mas tá pensando em alguma montanha específica?" Renan tirou os olhos do horizonte e o encarou. "Já ouviu falar no Cerro Bonete?" Alguns neurônios faiscaram, porque sim, já tinha ouvido falar nessa montanha, em um artigo da revista canadense Gripped, se não estava enganado. Um pico vulcânico de quase sete mil metros de altura, próximo ao Aconcágua, no Noroeste da Argentina. "Sim, já ouvi", emendou com satisfação, se sentindo um especialista, "não é um vulcão na Argentina?" "Pois é, existe esse Cerro Bonete, que fica perto do Aconcágua, na província de La Rioja. Tem seis mil setecentos e não sei quantos metros e sempre foi meio esnobado pelos escaladores, mas ultimamente tem sido mais procurado. Só que não é desse que eu tô falando, não." Renan enunciava suas frases com um falso tom de pouca importância, mas era claro que estava querendo chegar em algum lugar, falar de algo que vinha sendo objeto de fascínio em sua imaginação fazia um bom tempo. Queria fazer suspense, tanto que ficou quieto e o forçou a perguntar: "Existe outro Cerro Bonete, então?" "Existem pelo menos três ou quatro, que eu saiba. ‘Bonete’ em espanhol significa um tipo de chapéu, e os caras deram esse nome pra uma porrada de montanhas nos Andes. Mas o Bonete que eu tô falando é especial. Pra começar, fica na Bolívia. Bem no sul, quase fronteira com a Argentina." "Fora isso, o que ele tem de especial?" "Difícil dizer, porque ninguém nunca subiu lá. Aparece em alguns mapas e nas fotos de satélite, mas não se sabe a altura exata. Encontrei uma página na internet que diz que tem dezoito mil, duzentos e quarenta pés, uns cinco mil e seiscentos metros." "Não é dos mais altos." "O que importa é que é desconhecido. Não existe quase nada documentado sobre a região. Não tem estrada, cidade, porra nenhuma. O desgraçado fica na borda de uma cratera vulcânica com uns seis ou sete quilômetros de diâmetro. Tu precisa ver as fotos aéreas. Dá pra achar alguma coisa na internet. É impressionante." Soube na hora que o papo do Renan era pra valer. Subir os picos mais elevados de cada continente já tinha se tornado algo banal aos olhos dele, não que fosse fácil, mas muita gente já tinha feito. "Existem pacotes turísticos pro cume do Everest" era uma frase que Renan vivia usando pra ilustrar sua tese de que os verdadeiros desafios do alpinismo hoje em dia estão nos boulders de alta dificuldade e nas pouquíssimas montanhas do planeta que ainda têm um cume ou uma face intocada por piolets e grampões. O que motivaria ele a sair de casa e investir numa expedição seria uma montanha desconhecida, misteriosa. Algo que fosse inédito e merecesse registro. Os olhos dele brilhavam ao falar. Piscava diversas vezes seguidas e depois mantinha as pálpebras abertas por um longo tempo. "E aí? O que te parece? Nunca teve vontade de fazer uma indiada dessas? É possível, véio, perfeitamente possível. Precisa de tempo, dinheiro e um bom estado de espírito. Além de colhões. É isso que não tenho certeza se tu tem", disse, meio brincando, meio pra valer. "É de se pensar, é de se pensar", respondeu. Naquela ocasião a idéia pareceu tão mirabolante que não levou a sério. Mas na segunda-feira seguinte baixou seus e-mails em casa e havia meia dúzia de mensagens do Renan, com links e imagens sobre o tal de Cerro Bonete. Eram informações limitadas e fotografias de satélite de baixa qualidade encontradas em sites obscuros de estudos geológicos e relatórios governamentais. Um dos e-mails continha um par de coordenadas e um link pra fazer o download de um programa chamado Google Earth. Instalou e seguiu as instruções da mensagem: digitou a latitude 21º45’0.00"S e a longitude 66º29’0.00"W num campo da interface do programa e apertou Enter. O globo terrestre tridimensional começou a girar devagar e a tela foi se aproximando cada vez mais rápido da América do Sul, da Bolívia, e depois de alguns segundos de transferência de dados surgiu a imagem nítida de um cume nevado na borda da cratera de um vulcão inativo. Sua primeira impressão foi de estar vendo um mapa de algum jogo muito antigo de computador, mas aos poucos foi compreendendo que era uma imagem de satélite legítima, colorida e detalhada, de um trecho inacreditavelmente inóspito da superfície do planeta, a vista aérea das cordilheiras lembrando a textura da casca de uma velha araucária, a crosta terrestre vista como a crosta de um bolo, quase palpável na tela do computador. E foi nesse instante que a idéia da expedição desmiolada se gravou na sua mente de forma definitiva. Fossem quais fossem as motivações pessoais do Renan, agora tinha a sua própria: precisava estar lá. Precisava que aquele exato retalho da Terra se tornasse um lugar onde estivera, que sua presença ali fosse algo realizado. A imagem da tela do computador evocou fotografias mentais de diversos locais que tinham provocado nele um desejo semelhante, como se lhe reservassem uma revelação de qualquer tipo. Lembrou de uma pequena ilha que viu durante um passeio de barco pelo sul da ilha de Santa Catarina, no primeiro ano de casamento com a Adri, quando ela estava grávida de três meses. Era uma ilha de rocha entre tantas outras daquele litoral, coberta de vegetação na metade mais elevada, mas nessa havia três ou quatro cabanas de madeira completamente isoladas, voltadas pro oceano e escondidas do continente. Ficou imaginando quem havia construído aquilo, como tinham chegado lá, se alguém morava de fato naquelas habitações precárias ou se eram apenas galpões de pescadores usados como depósitos ou abrigos eventuais. Fosse como fosse, teve vontade de estar naquela casinha isolada numa ilha sem civilização. Pareceu, por um instante, algo simples e acessível. O que podia haver de tão misterioso em escolher um lugar vazio da superfície do planeta, mandar construir uma pequena casa e ir pra lá de vez em quando? Depois, aos poucos, a idéia foi adquirindo outra cara, se revelando inviável, muito mais inacessível do que parecia, e deixar isso de lado foi como perder uma oportunidade valiosa, embora não pudesse definir exatamente o que haveria de tão único e revelador naquele lugar específico. Outra ocasião, viajando de carro pela BR-101 entre Torres e Osório, enxergou uma figueira magnífica em um sítio na margem da estrada e teve a mesma sensação de urgência. Teria sido a coisa mais simples do mundo estacionar o carro e percorrer a pé os quinhentos metros que o separavam da árvore. Sentar encostado em seu tronco e atingir dentro de minutos alguma epifania, ou simplesmente deixar a aura daquela figueira naquele sítio naquela estrada evanescer vagarosamente, retornar pro seu carro e seguir viagem até Porto Alegre. Perdeu aquela oportunidade e dezenas de outras. O que a imagem de satélite na tela do computador oferecia era mais uma chance de eleger um instante no tempo e no espaço em detrimento de todos os outros. Era preciso estar lá. Se pudesse, se teletransportaria pro Cerro Bonete boliviano naquele exato instante. Como era impossível, apenas respondeu pro Renan: "Vi as imagens. tô dentro (sério)".


Resumo enviado por Jorge Lima
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Escrita em apenas 15 dias, no ano de 1978, Um copo de cólera é a novela essencial da literatura moderna e contemporânea. Nas palavras do escritor: "Disse que escrevi a narrativa em quinze dias, mas esses quinze dias foram só o tempo de descarga. É que a novela deveria estar em estado de latência na cabeça, e sabe-se lá quanto tempo levou se carregando, ou se nutrindo - de coisas amenas, está claro - e se organizando em certos níveis, até que aflorasse à consciência". Mais uma vez, a exemplo de Lavoura Arcaica, a carga ideológica opositiva entre amantes - neste caso - marca e dá consistência à obra de Raduan Nassar. Aqui, não mais um filho adolescente descobrindo a delinqüência corporal e moral da existência, e sim um adulto, calcado, machucado pelos reversos do tempo. Seria talvez esse adulto o adolescente que fora André em Lavoura Arcaica? Muito se indaga a esse respeito, mas evidências ainda estão por vir à tona para corroborar a questão. Mas semelhanças, de fato, existem. Na contramão do discurso ideológico do adulto está sua amante, afeita às causas sociais, e aos discursos cristalizados da modernidade em geral, lutando para imprimir seu verbo latente, e vice-e-versa. O estopim do "esporro" entre os dois se dá num dia aparentemente calmo, após uma convulsiva noite de sexo, ao se encontrarem na mesa do café, num silêncio constrangedor, pela manhã. O que tira a ordem do dia é justamente um bando de formigas que estraga a cerca viva que ele havia feito no quintal.

O impulso voraz com que se envolve com o acontecido provoca na amante indignação suficiente para indagar a respeito do desvairio. Daí se cria o terreno propício para o verbo escandalizado vir à tona. Ele se enlouquece com a organização ordeira das formigas, transportando todo esse furor à amante que, não menos desvairada, enfrenta a discussão armada com alfinetes politizados: "Só um idiota recusaria a precariedade sob controle, sem esquecer que no rolo da vida não interessam os motivos de cada um - essa questãozinha que vive te fundindo a cuca - o que conta mesmo é mandar a bola pra frente, se empurra também a história co'a mão amiga dos assassinos; aliás teus altíssimos níveis de aspiração, tuas veleidades tolas de perfeccionista tinham mesmo de dar nisso: no papo autoritário dum reles iconoclasta - o velho macaco na casa de louças, falando ainda por cima nesse tom trágico como protótipo duma classe agônica... sai de mim, carcaça" A cólera a que remete o título da novela corresponde ao fluxo verbal que toma conta das personagens nesse momento de fúria, onde razão e emoção não mais se dissociam, e tornam-se, sobretudo, uma massa amorfa que tem como alvo a destruição do outro, ou ainda, a autodestruição. Como resultado do embate, restam, nas almas desgastadas, um barulhento silêncio e um abarrotado vazio. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Auto da Barca do Inferno é um auto onde o barqueiro do inferno e o do céu esperam à margem os condenados e os agraciados. Os que morrem chegam e são acusados pelo Diabo e pelo Anjo, ma apenas o Anjo absolve. O primeiro a chegar é um Fidalgo, a seguida um agiota, um Parvo (bobo), um sapateiro, um frade, uma cafetina, um judeu, um juiz, um promotor, um enforcado e quatro cavaleiros. Um a um eles aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca; ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e se dizem merecedores do Céu. Aproximam-se então do Anjo que os condena ao inferno por seus pecados. O Fidalgo, o Onzeneiro (agiota), o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira Brísida Vaz (cafetina e bruxa), o judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador (promotor) e o enforcado são todos condenados ao inferno por seus pecados, que achavam pouco ou compensados por visitas a Igreja e esmolas. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. Os cavaleiros sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja. O texto do Auto é escrito em versos rimados, fundindo poesia e teatro, fazendo com que o texto, cheio de ironia, trocadilhos, metáforas e ritmo, flua naturalmente. Faz parte da trilogia dos Autos da Barca (do Inferno, do Purgatório, do Céu) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Edifício (RUBIÃO, 1997: 159- 167)

Pode-se dizer que este conto é quase uma reedição contemporânea do mito de Babel. O Edifício é a história de um engenheiro a quem é entregue a tarefa de executar a obra de um edifício de infinitos andares:



Ao engenheiro responsável, recém-contratado, nada falaram das finalidades do prédio. Finalidades, aliás, que pouco interessavam a João Gaspar, orgulhoso como se encontrava de, no início da carreira, dirigir a construção do maior arranha-céu de que se tinha notícia (pp. 159-160).



Obviamente é a ele recomendado que não tenha a vaidade de pretender chegar ao termo do empreendimento. Vencidas várias dificuldades da obra, inclusive uma maldição envolvendo a conclusão do 800° andar, João Gaspar decide visitar o Conselho responsável pela elaboração e confecção da construção a fim de obter novas diretrizes e metas para seu trabalho, e as felicitações por ter resistido à maldição! Qual não é sua surpresa quando descobre que todos os membros do Conselho haviam morrido e não haviam sido designados outros, restando apenas ele e um burocrata menor como empregados diretos dos empreendedores originais:



Em vez dos cumprimentos que julgava merecer, uma surpresa o aguardava: haviam morrido os últimos conselheiros e de acordo com as normas estabelecidas após a desmoralização da lenda, não se preencheram as vagas abertas. Ainda duvidando do que ouvira, o engenheiro indagou ao arquivista - único auxiliar remanescente do enorme corpo de funcionários da entidade- se lhe tinham deixado recomendações especiais para a continuação do prédio. De nada sabia, nem mesmo por que estava ali, sem patrões e serviços a executar (p.164).



De posse desta informação, João decide interromper e cancelar as obras. Ao comunicar sua decisão aos trabalhadores, fica estupefato pela reação dos mesmos: não acatavam a ordem, foram contratados pelos membros do Conselho e só eles poderiam demiti-los:



‘Falta-nos, agora, um plano diretor. Sem este não vejo razões para se construir um prédio interminável- concluiu’. Os operários ouviram tudo com respeitoso silêncio e, em nome deles, respondeu firme e duro um especialista em concretagem: ’Acatamos o senhor como chefe, mas as ordens que receberam partiram de autoridades superiores e não foram revogadas (p.165).



As obras prosseguiram. João Gaspar, desesperadamente, tenta dissuadir os operários de sua insana iniciativa, mas fracassa e quase enlouquece no processo. As obras seguem. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Castelo de Faria é sitiado em 1373. O alcaide fora capturado pelos espanhóis e seu filho Gonçalo Nunes está como interino. O capturado diz aos captores que quer convencer o filho a entregar o castelo sem derramamento de sangue, mas o incita a se defender e é assassinado pelos espanhóis. Seu filho vence a sangrenta batalha, mas, pesaroso, toma o sacerdócio e mais tarde o castelo torna-se mosteiro. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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