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O romance é narrado na primeira pessoa pela personagem centra, Belmiro Borba , solteirão tímido e sonhador, dotado de grande capacidade para analisar a si próprio e aos outros, que vive modestamente em Belo Horizonte com duas irmãs, "as velhas". Numa noite de Natal, resolve iniciar uma espécie de diário, para registrar o cotidiano e evocar a infância em Vila Caraibas , cuja saudade o persegue como doce obsessão. Vemos então o desenrolar das suas meditações, o seu convívio com um grupo, de amigos (Jandira, Silviano, Florêncio, Redelvim, Glicério ) ; a sua paixão distante por uma jovem desconhecida da alta roda ( Carmélia); identificada na sua imaginação a uma personagem de lenda ( a Donzela Arabela) e despertando na memória a lembrança de uma namorada juvenil ( Camila) . Em tudo se nota que Belmiro foge a ação por meio do sonho e da reflexão, dissolvendo de certo modo a realidade pela excessiva aplicação da inteligência. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Usando uma linguagem culta, barroca (exagerada), carregada de erudição, nos moldes dos cronistas portugueses, Herberto Sales nos conta a saga das famílias Golfão e Rumecão, instalados no interior da Bahia, precisamente em Cuia D’Água, próximo a Cachoeira e São Félix. Segundo o autor, o tempo passou sobre essas famílias e firmou os seus pareceres (a impressão que ficou de suas odisséias) e, sendo a epopéia de relevo, não deve ser desprezada ou ignorada. Por isso ele nos contará essa história. Herberto se coloca como porta-voz de Braulino José Golfão, o Ancião, um dos filhos gêmeos do casal Policarpo e Liberata que relatou a história dos seus pais ao autor; segundo Herberto Sales, causa estranheza a lucidez de Braulino, uma vez que este Ancião já contava com 132 anos e sabia detalhadamente dos fatos narrados no livro. A estrutura do romance é incomum, pois os capítulos são divididos em 54 livros numerados em algarismos romanos. Cada livro traz um argumento, espécie de sinopse, de resumo do que se narrará no capítulo. Obviamente, muito da narrativa está antecipada nos argumentos, mas a habilidade do narrador, que é onisciente, faz que ele seja limitado em alguns momentos do argumento, visando a criar expectativa no leitor. O próprio autor escreve o seu prefácio, dizendo pretender com isso, ser rigoroso consigo, vez que amigos costumam ser muito benevolentes com os prefaciados. Usa o prefácio para falar do prefácio o que é um excelente exercício metalingúistico. Ao longo da narrativa, o autor se coloca como um "contador de histórias", como se o leitor estivesse ao lado dele e, por isso, necessitasse tantas vezes checar, através da função fática da linguagem, se a mensagem está chegando ao receptor sem ruído. É muito freqüente esta verificação, a exemplo de: "Sabei que Policarpo Golfão chegou à pensão às 12 horas". Esta postura de contador de casos força o autor a usar uma incomum, mas correta construção gramatical no que tange ao uso do possessivo dele(s) / dela(s). Como emissor (narrador) e receptor (eu ou você) estão próximos e o narrador fala se dirigindo ao leitor, para evitar ambigüidade, usa esta estrutura: "Sabei que Policarpo Golfão chegou com seu cavalo dele". Essa construção, pouco usual, está prescrita como correta, de acordo com a norma culta gramatical e deve ser usada toda vez que, numa sentença, o uso do possessivo implicar ambigüidade quanto ao possuidor do elemento referido. O uso de inversões sintáticas (hipérbatos) é uma constante, haja vista que essas inversões aproximam a língua portuguesa do latim clássico, e o autor pretende uma narrativa no estilo cultista (linguagem rebuscada, sinuosa, carregada de erudição). A narrativa configura o texto como pertencente ao gênero épico/narrativo da literatura. O narrador-observador (foco narrativo em 3a pessoa quase na totalidade das vezes) mostra-se onisciente / onipresente, mas impassível diante dos fatos, vez que ele narra o que já aconteceu, sem possibilidade, portanto, de modificar algo na história narrada. No entanto isto não impossibilita a veia irônica de que é dotado o emissor. Apesar de ser apenas porta-voz do Ancião, Herberto Sales emite juízo de valor frente ao narrado, incorrendo na ironia sutil, que passaria despercebida ao leitor desavisado. Com maestria, enfatiza, por exemplo, a "piedade cristã" do capelão dos navios negreiros que, acompanhando o percurso dos negros naquela fatídica viagem – África/ Brasil – evitava que os negros mortos neste trajeto ficassem sem a palavra de Deus. (O Capelão tinha, como recompensa, direito a cinco escravos para serem negociados). Muitos dos negros morriam durante o percurso, mas a presença de Capelão garantia que eles morressem na fé cristã, haja vista que eram batizados dentro dos navios. O argumento histórico da narrativa é o seguinte: Policarpo Golfão, filho único de um fidalgo português que morreu numa batalha servindo ao Rei de Portugal, recebeu a título de indenização, uma sesmaria no Brasil, no interior do estado da Bahia, precisamente junto a Cachoeira e São Félix, lugar conhecido como Cuia D’Água. (Crítica à Metrópole que enxergava a Bahia como feudo da nação lusa.). Policarpo era proprietário de uma bela quinta em Portugal. Ao saber da doação do Rei, vendeu sua quinta e junto com um primo – Quincas Alçada – rumou para o Brasil visando a tomar posse do que era seu. Necessário é dizer que essa indenização do Rei veio a calhar, porque o filho do fidalgo era homem afeito a aventuras e, certamente, aqui, poderia participar de diversos feitos incomuns. Chegando ao Brasil, Policarpo e seu primo bastardo ficaram hospedados numa estalagem de um compatriota, Luis Vicente de Almeida, vulgo Almeidão, um homem de físico avantajado, daí o apelido. Esse português teria importância vital para os acontecimentos vindouros, e o autor nos antecipa isto, mas pretende esclarecer o assunto somente no momento aprazado (o escritor, mais ou menos à moda de Machado de Assis, conversa com o leitor, comentando, emitindo opinião sobre o assunto de que trata ou tratará). Assim que chegaram a Salvador, como eram cristãos, dirigiram-se à Igreja. Em seguida foram recebidos pelo Governador-Geral que oficializou, em cerimônia, a referida doação da "imensa sesmaria. No mesmo dia, Policarpo recebeu do governador o título de capitão-mor, o que lhe garantiria plenos direitos para reger sua sesmaria como se dela fosse o próprio Rei.(Espécie de senhor Feudal) No dia seguinte, Policarpo Golfão e Quincas Alçada foram ao Chega-Nego, lugar onde aportavam os navios negreiros que traziam negros da Costa da Mina, para o Brasil. Os dois portugueses precisavam de mão-de-obra para trabalhar na sesmaria. Almeidão os acompanhou . Antes de irem ao Chega-Nego, passaram na Igreja de Santo Antônio da Barra. (Ironia à prática cristã: antes de comprar homens para escravizá-los, vão receber a bênção de Deus para garantir o sucesso da empreitada.) Os dois primos souberam, através de Almeidão, que São José era uma espécie de patrono dos traficantes de escravos, vez que do alto daquele outeiro da Igreja de Santo Antônio da Barra, o casto esposo de Maria velava pela sorte dos navios que bravamente se arriscavam ao mar, rumo à África, em tão subida missão. (Ironia do autor e crítica ao uso equivocado dos preceitos cristãos adaptados a interesses vis). O Almeidão lhes contou que traficar negros não era vergonhoso para o português ou até para os colonos, e que até havia uma espécie de Irmandade protetora desses comerciantes em tão honrado ofício. O próprio Almeidão complementava sua renda com este comércio e esperava para aquele dia a chegada da corveta Augusta. Esclareceu os trâmites do comércio: os traficantes baianos, forneceram ao capitão da corveta Augusta uma grande quantidade de fumo comprado nas plantações de tabaco da Bahia. Este capitão levou o tabaco para comercializar em terras "d’além mar" e, em pagamento aos amigos, trouxe escravos da África em número anteriormente acertado e suficiente para ficarem quitados na transação. Infelizmente, desta vez, a corveta Augusta não apontou no Chega-Nego, pois estava com diversos negros contaminados de varíola, febres epidêmicas, sarna e doença dos olhos. O navio ficou afastado do porto, de quarentena imposta pela Inspeção de Saúde. Como sempre acontecia quando havia doentes a bordo, a embarcação ficou em Monte Serrat, aguardando que os enfermos melhorassem. Desta forma, os dois primos não puderam comprar escravos do Almeidão, mas no dia seguinte foram aguardar outra corveta, a Salve-Rainha, de onde compraram quinze escravos ao todo; esses escravos faziam parte de um lote pertencente ao Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão. (Notar a crítica irônica à Igreja Católica: os dois navios negreiros têm nomes sagrados – corveta Augusta – ligada a anjo; corveta Salve-Rainha – louvação à Virgem Maria). Herberto aproveita para criticar , sob a forma elogiosa – na verdade, uma grande ironia – o fato de os portugueses serem habilidosos na arte de "socar" tantos escravos – quinhentos – numa corveta muito pequena. Corria até uma legenda de que os navios portugueses eram pequenos por fora, mas grandes por dentro, tendo reconhecido este feito os holandeses , nesta época, seus rivais, neste comércio. A perícia náutica dos portugueses contribuía para isso: Holandeses transportavam trezentos escravos em grandes navios; já os portugueses, em pequenas caravelas, transportavam quinhentos homens. (Evidencia-se, aí, uma grande e irônica crítica ao povo português, avaro e desumano). O capelão de bordo do Salve-Rainha, além de ser parente do Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão, também foi amigo de infância de Quincas Alçada. Reencontraram-se, então, o que muito contribuiu para que os laços de amizade e apreço entre Quincas Alçada, Policarpo Golfão e os Rumecões fossem estreitados. Pe. Salviano contou a Quincas ter sido ajudado por dona Eponina, sua madrinha que, em carta ao parente Ouvidor indicou-lhe Salviano como padre para a colônia. Quincas confidenciou que também chegara à colônia graças à bondade do primo Policarpo Golfão. (Todos são oportunistas. É deste fio que se formará o tecido social brasileiro.) Sabendo que Policarpo havia sido condecorado com a medalha de capitão-mor, Padre Salviano julgou por bem levá-lo a visitar seu tio-avô, o Ouvidor-Geral, Teodoro Rumecão, em cuja casa habitualmente esse padre se hospedava. Depois da escolha de quinze bons negros para escravos, fortes como animais, rumaram para a casa do Ouvidor, conhecida na Bahia como o Solar dos Sete Candeeiros. Assim que chegaram ao solar, Policarpo viu Liberata, a filha solteira do Ouvidor e logo se sentiu atraído pela beleza desta moça. O Padre, observando que a moça prendia a atenção de Policarpo, explicou-lhe quem ela era. A moça desapareceu, enquanto o Padre mandava um escravo da casa guardar seus pertences num quarto do Solar dos Sete Candeeiros, onde costumava se hospedar. Foram recebidos pelo Ouvidor, muito solicitamente. Enquanto isto acontecia, Policarpo tinha o pensamento voltado para a bela jovem que havia visto. Conversaram sobre a colônia, sobre os preços dos escravos de um modo geral e do tempo requerido para o translado África/Brasil: mais ou menos quatro meses. Os negros chegavam em boas condições, na maioria das vezes, o que gerou uma carta do próprio Príncipe D. João, enviada ao então Governador, Francisco da Cunha Menezes, louvando a excelência deste surto de progresso no tráfico de escravos na Bahia. (Ironia do autor ao realçar um feito tão vil dos portugueses. É como se a carta de um Rei pudesse legitimar ato tão desumano). Concordando com o que dissera o Vice-Rei, Conde de Sabugosa em 1731, Policarpo reconheceu, durante sua conversa com o Ouvidor-Geral, que sem escravos, a colônia não poderia desenvolver seu trabalho na lavoura das fazendas de cana, tabaco e roças de mandioca. Policarpo comprou dez escravos do Ouvidor e cinco do Padre Salviano, todos provenientes do Salve-Rainha. O padre ficou feliz, pois todos já haviam sido batizados e, portanto, já tinham nomes de gente (crítica à aculturação do negro pelo europeu – além da crítica à escravidão). Herberto Sales chama a atenção do leitor para um molecote chamado Estevão e demais mulheres e homens jovens que sorriam em subserviência ao seu senhor (Policarpo). O Padre Salviano Rumecão disse a Policarpo enquanto observava os negros: "Agora é casá-los. Vão procriar, fácil e muito. Com dois casais desses produz-se toda uma escravatura." Os negros sorriam porque aprenderam que deveriam sorrir quando o padre lhes sorrisse. Havia uma escrava jovem que, por ser bela, Policarpo guardou o seu nome: Gertrudes. O autor antecipa que ela haveria de se tornar muito conhecida, mais adiante. (É marca do romance antecipar fatos e avisar da importância de certas personagens). Policarpo Golfão soube que sua sesmaria ficava situada numa região – Monte Alto – onde um irmão de Liberata – Sezefredo Rumecão – amante do campo e das letras, chamado na região de O Fidalgo, administrava uma fazenda do seu pai, produtora de cana-de-açúcar e fumo. Isto lhe foi dito pelo Ouvidor-Geral. Quando saiu, neste dia, do Solar dos Sete Candeeiros, Policarpo vislumbrou Liberata à distância e teve a certeza de amá-la. Chegando à pensão de Almeidão, o Capitão-Mor tomou conhecimento de que Rosa, esposa do Almeidão, era íntima de Liberata, pois era sua costureira. Coberto de honradez, propôs a Rosa – mulher muito digna – que levasse até à donzela uma carta de amor, pedindo-a em namoro. Policaro e Quincas saíram da hospedaria de Almeidão para viajar, mas antes o Capitão pagou regiamente sua estada por lá. Antes da partida assistiram à missa na Sé, oficiada pelo Padre Salviano, que se queixava de más notícias. O Rei de Portugal havia mandado adaptar (limitando) a lotação dos navios negreiros a depender da capacidade de cada navio. Obviamente, o padre ficou possesso, porque, pelas leis do Reino, não poderiam mais trazer homens amontoados; trariam apenas aqueles que pudessem ser transportados com um mínimo de condição de sobrevivência. (Forte crítica à Igreja, visto que o padre ficou contrariado com o prejuízo). Notar a pressão da Inglaterra sobre a Metrópole. Depois deste contato com o padre, Policarpo, Quincas e Almeidão foram se encontrar com um homem – Mestre Manoel – um competente navegante que singrava as águas da Baía de Todos os Santos. Um descendente desta personagem está no romance Jubiabá, de Jorge Amado (intertexto). Interessante é notar que Herberto Sales é autor neomoderno – publicou Os Pareceres do Tempo em 1997 , enquanto Jorge Amado é autor da 2a fase moderna, tendo publicado o livro Jubiabá em 1935 . Como Herberto Sales ambienta o seu romance no século XVIII, e Jorge Amado no século XX, apesar da precedência literária da publicação de Jorge Amado, num fingimento poético, Herberto Sales diz que "o seu" Mestre Manoel é antecedente dos demais. Caracteriza-o como um português que vivia amigado com uma mulher negra (sua escrava, de nome Maria). Tinham seis filhos, dentre os quais apenas um era homem: Manoelzinho, uma criança já afeiçoada às artes da navegação –. Mestre Manoel disse aos conterrâneos que aquela era a sua Maria – concubina com quem procriava a sua prole baiana, em doce mestiçagem (referência às nossas matrizes étnicas, à formação do povo brasileiro). Policarpo estranhou o nome do barco "Viajante sem Porto". O Mestre disse-lhe que este era o nome de um outro barco que pertencera ao seu pai. Confessou a Policarpo desejar que seu único filho homem, Manoelzinho, seguisse a tradição da família. (Na verdade literária, esse desejo se transforma em realidade, haja vista que o Mestre Manoel, personagem de Jubiabá, é descendente deste navegador que aparece em Os Pareceres do Tempo). Os escravos comprados por Policarpo Golfão foram trazidos acorrentados pelas ruas – costume da época – até o barco do Mestre Manoel; eram puxados pelo capitão do mato de Teodoro Rumecão, homem incumbido de levá-los e deles tomar conta até chegarem à embarcação. Quando chegou ao barco, Policarpo se encontrou com um primo do Mestre Manoel, o José do Vale, que, a partir daí, seria o Capitão do Mato de Policarpo Golfão. Seguiram viagem. O autor, num exercício lúdico, deseja que num futuro que há de vir ("Praza Deus": linguagem dos cronistas portugueses) possa haver um escritor que se encante com as belezas da Bahia e cante-as divulgando-as mundo afora. "Prevê" a possibilidade de esse poeta falar talvez de um novo "Viajante sem Porto" e de um novo Mestre Manoel, – isso acontece com Jorge Amado, em Jubiabá –. Assim, a "previsão" de Herberto, na verdade, é uma "pós-visão". Os viajantes chegaram à Cachoeira, onde haveriam de tomar outra embarcação mais tarde. Mestre Manoel retornou, enquanto os escravos foram para uma senzala pública, amarrados por cuidado e uso. Um espanhol, chamado De La Vara tomaria conta dos negros enquanto os demais ultimariam preparativos para seguirem viagem. Passaram-se nove dias entre compra de animais e objetos necessários à instalação da casa na sesmaria. Contrataram o Mestre de Obras Joaquim Dinis e mais um auxiliar de Capitão do mato, o Bertoldo, português da Ilha da Madeira. O filho do Joaquim Dinis, Serafim, também viajaria na comitiva. O padre Rapalho, exímio pregador contra o Demônio no Recôncavo, benzeu a comitiva e partiram com cavalos e carros de bois repletos de mantimentos e escravos muito apertados. Transcorridos vinte e cinco ou trinta dias, chegaram à Vila de Monte Alto. O jesuíta, Padre Gumercindo, há muito se ocupava da pacificação dos índios maracás, habitantes deste território. Esse padre, português da Companhia de Jesus, mostrava-se bondoso com os índios, mas exercia sua bondade com sabedoria medida para pacificá-los. O padre Salgado era também seu aliado. Policarpo visitou Sezefredo Rumecão, o Fidalgo, na companhia do padre Gumercindo. Ficaram amigos e o Fidalgo disse conhecer as terras da sesmaria de Policarpo que faziam divisas com as suas em Cuia d’Água. Foi convidado a pernoitar com o Fidalgo, juntamente com os padres, na agradável residência de Sezefredo. O Fidalgo acompanhou Policarpo, na manhã seguinte, a uma visita pelas terras da Vila. Ao ouvir o badalar dos sinos da missa, Policarpo, contrito, prometeu a si mesmo mandar construir uma igreja naquele local. Parando sobre o vale das terras de Policarpo, observaram ser aquela a vista mais bela da região, coberta de arbustos em flor. Em especial havia um imenso pé de Ipê Amarelo que, florindo, cobria o chão como tapete natural. Policarpo encantou-se pela árvore e resolveu ao lado dela construir sua casa, no alto de uma bela colina. Notava-se, nas terras, uma trilha e Sezefredo disse a Policarpo que Liberata ficava horas a apreciar a paisagem junto ao Ipê quando ali esteve a passeio. A coincidência tocou fundo o coração apaixonado de Policarpo. Conversaram sobre pecuária, uma das fixações do Capitão-Mor. Disse o Fidalgo que tinha algum gado em suas terras, bem como pastagens. Policarpo avistou do alto algumas cabanas indígenas em suas terras. Reclamou e ouviu do Fidalgo que nada havia o que temer. Eram índios pacificados pelos jesuítas. Antes, eram ferozes, atiravam e matavam muitos portugueses ilustres, mesmo tendo estes apresentado aos silvícolas seus documentos de posse de terra cedidos pelo Rei. Policarpo reconheceu o trabalho nobre executado pelos jesuítas. Mesmo assim, ainda ficou temeroso frente aos silvícolas, até saber que a maioria dos fazendeiros tinham índios como trabalhadores de suas terras, trabalhando em sistema de "meia", embora julgassem os negros mais rijos. Começaram as obras de construção da casa, que em pouco tempo ficou pronta. Apesar de ter trazido dinheiro suficiente de Portugal, Policarpo passaria por apertos financeiros, pois era perdulário e gastava sem reservas. O Fidalgo, pouco a pouco, vai enredando Policarpo em dívidas, deixando para receber o que fornecia ao Capitão-Mor em outra ocasião. Trazia para Policarpo gado e demais objetos para a construção da casa, sempre insistindo que o pagamento fosse deixado para depois. Sem o saber, Policarpo estava sendo vítima de uma trama do Fidalgo que intentava deixá-lo empobrecido para que tivesse necessidade de vender (ao Fidalgo) parte das terras mais produtivas da sesmaria, dotadas de reservas de água em profusão. O Capitão-Mor tornava-se bem quisto nas redondezas, pois era pródigo. Quando passeava pela vila montado em um belo cavalo, era uma figura carismática, o que fazia o povo cantar ao vê-lo: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão" O capitão foi conhecer o acampamento dos índios que, cabisbaixos, saudavam o chefe, receptivos, embora houvesse uma certa tensão no ar. Trabalhavam na lavoura e já haviam sido batizados. Policarpo comunicou a Quincas Alçada, reservadamente que Quincas precisava partir para a Bahia. Entregou-lhe uma carta atada a um laço. Pediu-lhe que fosse entregue a um homem de confiança. Sabia que esta carta, passando por Almeidão e Rosa, chegaria a Liberata. Tudo em segredo. Ele havia resolvido escrever à donzela Liberata, reiterando seu amor e prometendo ir à Bahia, mais tarde, a negócios como dizia, mas sabia que era para vê-la. Partindo Quincas, Policarpo assumiu sozinho o comando da fazenda. Tudo transcorria normalmente. Uma das escravas, a Gertrudes, fazia queijos na cozinha quando foi assediada por Policarpo que, atônito, via em Gertrudes a amada Liberata. Chegaram a se beijar mas Policarpo saiu assustado pela queda moral por que passara. Aproveitou Policarpo o tempo para estreitar laços com os maracás. Padre Gumercindo, muito próximo dos índios, apresentou-o como o legítimo dono das terras onde habitavam os maracás. O Fidalgo sempre se aproximava para apreciar as terras de Policarpo. Embora não demonstrasse, nutria muita inveja por elas. Durante a construção da casa, um trabalhador de Policarpo foi picado por uma cobra. Ao tentar matá-la o capitão se desequilibrou emocionalmente, demonstrando extremo pendor para a violência. Esse aspecto da personalidade do Capitão-Mor ficará patente no clímax do romance. Padre Gumercindo chegou para apresentá-lo aos maracás como senhor deles. (Há forte crítica à Igreja Católica). Um índio – Nicodemus – (ex-Siminu), por entender a língua dos brancos, serviu como porta-voz de Policarpo. Disse aos outros índios o que o padre desejava e Policarpo queria que os índios ouvissem. "Este é o seu Senhor, ele é bom; deverão plantar em meia; se houver sobra na lavoura, ele comprará." Depois de algum tempo chegou à Cuia d’Água o Quincas com uma carta de Liberata aquiescendo com o namoro. Policarpo resolveu ir à Bahia de repente, logo após a festa da cumeeira. Os índios compareceram à festa junto com os negros. Desconfiados, os índios não dançaram durante os festejos da casa grande, ao contrário dos negros que cantavam e dançavam, usando cânticos africanos. Durante esta festa, Quincas se aproximou da bela índia Iuru. Perguntou a Nicodemus quem era ela (aqui, ele não é citado como ex-Siminu, como se houvesse reagido e se tornado de novo índio frente à ameaça à honra da índia-irmã). Nicodemus disse: "Ela é filha da índia Iacina. É minha irmã". Quincas costumava sumir, atrás da índia Iuru. A vida continuava a mesma, com escravos sendo castigados pelo capitão do mato. O negro Estêvão demonstrava nutrir uma paixão por Gertrudes, que nada demonstrava sentir por ele. Esta negra revelava uma paixão mal contida pelo patrão, e Estevão percebeu isto guardando rancor frente a esta trama urdida pelo destino. Estêvão notou a paixão de Gertrudes, ressentiu-se, mas nada pôde fazer. Apenas existia a revolta e a inveja. Um dia, Quincas foi ao aldeamento dos maracás e chegou à cabana de Nicodemus (ex-Siminu). Sabia que ali encontraria Iuru (batizada Joana). Não a encontrou e soube por Iacina que a índia fora ao rio pescar. Quincas a procurou, perguntou se queria se casar com ele e ela procurou fugir dele, dizendo ser ele homem branco. Mesmo que quisesse, não poderia se casar com um branco, pois a tribo não aceitaria. A índia fugiu como animal assustado, e Quincas ficou cada vez mais ligado a ela. Depois de algum tempo, houve a festa de Senhor dos Passos, à qual todos compareceram. A imagem da índia perseguia Quincas, enquanto Policarpo dividia-se entre a idealização de Liberata e a lascívia que nele despertava a negra Gertrudes. Policarpo viajou à Bahia sem deixar claro o motivo. Precisava resolver coisas urgentes. A sesmaria ficou sob o comando de Quincas. Ao chegar a Salvador, o capitão procurou Liberata e teve alguns encontros com ela na Igreja da Barroquinha. Ele queria pedi-la em casamento. Policarpo pretendia trazer tropas de gado do Piauí e Maranhão em parceria com Garcia D’Ávila. Fez contato com Garcia D’Ávila e planejou viajar com vaqueiros levando Almeidão que, em virtude de o tráfico de negros estar em baixa, viu a chance de ficar rico com o gado tropeiro. Policarpo se encontrou com Liberata e o amor puro dos dois cresceu. O Capitão-Mor saiu em longa viagem, foi bem sucedido nos negócios e retornou mais rico. Todos estavam bem de dinheiro. Policarpo doou ao padre Salviano grande soma em dinheiro para que ele fosse a Roma encomendar uma grande imagem de Senhor dos Passos. Policarpo, agora, resolveu pedir Liberata em casamento. Ouviu de Teodoro Rumecão que a moça já estava prometida a um primo, médico, em Portugal. Decepcionado, tramou a fuga com ela. Pediu a Rosa, esposa de Almeidão, que fizesse um enxoval perfeito para uma sobrinha (de Policarpo) que vivia em Portugal. Disse a Rosa que a moça tinha o corpo de Liberata e que a costureira poderia tomar por ela a medida e o gosto. Pagou antecipada e regiamente a Rosa que se esmerou, crendo no Capitão. Policarpo tentou agir de outra forma. Recorreu aos tios de Liberata mas nada resolveu. O pai da moça não permitia o casamento. Ela, muito consciente de sua situação, fugiu da casa dos pais, durante uma madrugada, montada num cavalo com o amado. Como ele a respeitasse, ela ficou hospedada num convento até correrem os papéis para o casamento. Afinal, casaram-se e só depois disto tornam-se realmente marido e mulher. A felicidade durou pouco, pois Liberata soube da morte do pai (de desgosto), ainda durante a sua lua-de-mel. Apesar disto, mantiveram-se unidos e se amando. Partiram para Cuia D’Água. Quando passaram pela Vila, chamaram a atenção dos moradores sem saber por quê. Chegando à fazenda encontraram tudo devastado. Campos destroçados, a casa queimada, os escravos haviam fugido e os índios destruíram com furor o que puderam. Dos empregados, ficaram apenas Gertrudes e o Capitão do Mato José do Vale. Policarpo caiu numa prostração jamais vista; sua ira era imensa. O Capitão do Mato João do Vale contou o ocorrido: os índios encontraram Quincas Alçada com Iuru. Levaram a índia, mataram Quincas e puseram fogo à casa grande. Todos os escravos aproveitaram para fugir, exceto Gertrudes (por razões bem particulares) Policarpo entrou em choque e Liberata se mostrou uma mulher forte. A partir de agora, com humildade, Gertrudes ajudou à senhora. Policarpo chorou a morte do primo que tinha como irmão e prometeu uma vingança contra os maracás jamais pensada. Neste meio tempo, o Fidalgo mandou-lhe cobrar o que era devido. Policarpo transtornou-se. Mandou construir um túmulo suntuoso para o primo e arregimentou homens para saírem em caça aos maracás. A partir daí, vai gastando todo o dinheiro (e era muito) de que dispunha. Saiu em várias expedições deixando Liberata cada vez mais só. Quando passava, o povo cantava essa melodia: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Com Liberata no coração" Liberata engravidou e requereu para si duas pessoas que lhe faziam companhia e o enxoval. Policarpo voltava cada vez mais possesso das expedições, pois apesar de chegar perto, não conseguia pegar os índios. Gastou muito nestas empreitadas e tomou-as como obsessão. Liberata se sentia mais só e triste. Contou com os empregados e com a fidelidade de Gertrudes. Policarpo foi obrigado pelo Fidalgo – neste momento de relações rompidas – a ceder uma parte de suas terras para quitar dívidas que foram contraídas anteriormente. Ficou desolado. Saiu, um dia, numa outra expedição. Encontram um índio que, forçado, levou-os ao acampamento dos maracás. Policarpo conseguiu a sua vingança, pois foi ele quem matou o índio Siminu – "agora sou Siminu ; Nicodemus é nome de branco". Ateou fogo no aldeamento, destruindo tudo. Retornou exultante, muito embora tivesse sido ferido numa perna, o que lhe deixou uma manqueira como seqüela. Ao chegar em casa soube da tragédia que se abateu sobre ele. Liberata dera à luz dois meninos: Braulino José (nome do seu avô paterno) e Joaquim (nome do saudoso Quincas Alçada). Não resistira à série de desenganos; enfraquecida, morrera poucos dias após o parto, sem rever o amado. Policarpo, enlouquecido de dor, não sabia o que fazer. Soube que o Fidalgo dera assistência à irmã. Grato, procurou-o e ele recusou-se a falar com Policarpo. Abatido, envelhecido, Policarpo se dedicou a prestar uma homenagem à morta: mandou erguer um rico mausoléu para a amada. O ferimento na perna de Policarpo se agravava. Ele não conseguia cuidar dos filhos que ficaram sob a proteção de Gertrudes – agora,governanta da casa e sua comadre, para impedi-lo de ser tentado. Recebeu finalmente a imagem de Roma. Houve intrigas para que a Igreja prometida não fosse erguida,pois a família de Liberata estava ressentida com o Capitão e era muito influente junto à Igreja, o que fazia que os padres se opusessem à construção de uma igreja dentro de um território particular (crítica à Igreja Católica, parcial, mestra na arte de jogos de interesse). A música popular mudou: "Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Levando com devoção A sua igreja no coração" Gertrudes passou de escrava a gerente dos bens de Policarpo, mostrando-se uma personagem evolutiva. Cuidava das crianças como se fora sua mãe. A igreja foi se erguendo aos poucos. Policarpo refugiou-se em suas lembranças, preferindo a companhia do Ipê. Um dia, Policarpo sentou-se sob o Ipê Amarelo florido. Abriu as mãos como para abraçar as flores e foi encontrado morto. Nos registros finais, o autor finaliza o romance elucidando, neste epílogo, o que aconteceu com as personagens principais envolvidas na trama. Retorna, então, ao presente, e, numa espécie de "vôo panorâmico", percorre, hoje, os locais que serviram de palco para a trama romanesca, dando-nos o resultado do que "viu" por lá. O autor resume assim o final: Policarpo deixou seu testamento numa cômoda, no "quarto da finada". Lá, havia uma cópia para o Pe. Gumercindo e outra para Gertrudes. Nesta carta-testamento, Policarpo deixava uma quantia em dinheiro para que os dois concluíssem a construção da Igreja de Senhor dos Passos em Cuia D’Água. Também orientava os dois no sentido de levantar fundos, com a venda de terras e gado, caso necessitassem de mais dinheiro para a conclusão da obra, o que não foi necessário, pois Gertrudes se empenhou em fazer que a construção continuasse com a organização que era peculiar a esta personagem. Em pouco tempo a construção ficou pronta. A Igreja demorou de ser inaugurada, porque o bispo da diocese, D. Abelheira, era amigo fiel de Theodoro Rumecão e do Fidalgo. Guardava, por isso, rancor de Policarpo e usou a sua força para impedir que a Igreja fosse reconhecida, alegando que se tratava de uma construção particular, não cabendo ao Vaticano tomá-la como entidade cristã, a si vinculada diretamente. O Pe. Gumercindo, por ter se empenhado na construção e legitimação da Igreja, foi transferido para a paróquia de Caixa-Prego. Segundo vontade expressa de Policarpo, seu corpo foi enterrado no pequeno cemitério da fazenda, junto com a sua inesquecível Liberata. As regiões de Monte Alto e Cuia d’Água acabaram se fundindo numa só cidade. Ao centro desta cidade numa praça que traz o nome de Policarpo Golfão, hoje está situada a Igreja de Senhor dos Passos, erguida pelo Capitão. Os filhos de Liberata e Policarpo tiveram destinos diferentes: Joaquim Rumecão Golfão foi mandado por Gertrudes à Cachoeira e depois à capital para estudar. Não se formou. Foi boêmio e retornava a Cuia D’Água para vender seu patrimônio. Acabou morrendo tuberculoso num sanatório em São Paulo. Braulino José Rumecão Golfão foi estudar na capital, formou-se advogado mas jamais exerceu a profissão. Retornou depois a Cuia D’Água amancebou-se com uma índia maracá, com quem depois se casou (após o nascimento do oitavo filho). Viveu ali até os 132 anos. Meses após seu depoimento ao autor, morreu e hoje, como seu pai, sua mãe e Gertrudes, encontra-se enterrado no cemitério da fazenda em Cuia D’Água. Personagens Principais Policarpo Golfão: recebe uma sesmaria na região de Cuia D'água, no interior da Bahia. Foi uma forma que o governo Português encontrou para idenizá-lo pela morte do pai. Joaquim Manuel Alçada Golfão(Quincas Alçada): Primo de Policarpo, vem com ele ao Brasil. Se apaixona pela índia Iuru. Almeidão: dono de pensão, e depois se torna sócio de Policarpo em negócios de gado. Teodoro Rumecão: ouvidor-geral e pai de Liberata. Liberata: mulher amada por Policarpo. Padre Salviano Rumecão: sobrinho de Teodoro Rumecão, traficava escravos. Sezefredo e Vitorino Rumecão: negociantes de escravos e donos de uma olaria. Padre Gumercindo e Salgado: responsáveis pela catequese dos índios. Nicodemos: índio que foi batizado, pela catequese, e passa a se chamar Sinimu. Assassina Quincas Alçada. Iuru: índia por quem Quincas se apaixona, era irmã de Nicodemos. Garcia D'Ávila: homem mais rico e o maior proprietário de terras do Brasil. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Com empolgante sentido humano, o livro narra as desilusões de um grupo de americanos ricos, "exilados" em Paris logo após a Primeira Guerra Mundial. Em busca de emoções fortes, vão para a Espanha, onde assistem à fiesta, espetáculo composto de danças , missas, procissões, touradas. No meio da alegria que antecede o retorno ao marasmo habitual, um sofrida gistória de amor se desenrola: o amor de Barnes e Brett/ Amor frustado de um mutilado de guerra , touro ferido e incapaz de viver sua própria fiesta. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O livro é composto de duas novelas curtas: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Agua, que é motivo de uma insólida luta: a de família, querendo preservar a memória do verdadeiro Quincas Berro D'Água e dos companheiros de boêmia que preparam o "verdadeiro" velório do amigo organizando uma farra que termina no mar, onde Quincas acaba sendo sepultado como marinheiro. É um dos trabalhos mais "literários" de Jorge Amado, mesclando o humor algo fantástico a uma intriga picaresca surpreendente e insólita. A Segunda novela é A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso. Trata da história do Comandante Vasco Moscoso, motivo de discórdias quanto à sua competência como navegador. Chamado a Belém para substituir o comandante de um navio, o qual havia morrido, recebe a agressão de tripulação que não o aceita. Moscoso consegue manobrar o navio, levando de roldão todos os barcos do porto. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
HERNANDEZ, Fernando.Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho
Porto Alegre. Artmed, 1998.

O autor enfoque A aprendizagem
A transgressão enfoca aqui é o salário e o reconhecimento social do professor.
A primeira proposta é a psicologia instrucional que vê a mente como computador e não como instrumento de capacidade de dar sentido à realidade, de interpretá-la e transformá-la.
A segunda transgressão é a visão de aprendizagem vinculada no desenvolvimento. Construtivismo não é adequado a esta metodologia, mas acredita em significar a instituição social que é a escola. O construtivismo não é trocas simbólicas nas salas de aulas sobre os valores que o professor promove ou exclui construção de identidade. Os fatores não podem ser reduzidos a visão psicológica e o conhecimento cientifico vistos com entidades compactas.
A terceira transgressão é a visão do currículo escolar centrada nas disciplinas fragmentadas e afastada das realidades sociais dos alunos, e manter a função de controle por parte de julgarem serem educadores especiais.
A quarta transgressão é dirigir-se a escola marcada por idéia de que o objetivo da infância é chegar a vida adulta ou passar no vestibular é o objetivo básico da educação.
A quinta transgressão é a perda da autonomia no discurso dos docentes, desvalorização do conhecimento e a incapacidade escolar.

O autor divide em e capítulos essas transgressões.

Capítulo I – Um Mapa Para Iniciar Um Percurso

A construção da realidade: o todo é mais do que a soma das partes de um único ponto de vista, desta forma deve-se levar em conta a dupla perspectiva: a organização escolar e as concepções do ensino aprendizagem.
A escola promove a descontextualização do discurso cientifico e sua fonte de origem e converte no discurso de regulador e simplificado – discurso instrucional, produz a irrelevância da organização curricular. Um currículo de subjetividade e habilidade de interpretação de interpretar o mundo subordinado ao conteúdo descontextualizado.
Defende as experiências como projeto de trabalho. Um projeto que implioca na colaboração e exploração de alternativas de dar formas às idéias que estão no horizonte.
A noção e a prática da globalização situadas em três eixos:
-como forma de sabedoria;
-como referências epistemológica e operacional;
-como concepção do currículo, desenvolvendo estratégias.

Capítulo II – A Transdisciplinaridade Como Marco Para A Organização De Um Currículo Integrado.

A transdisciplinaridade como marco de um currículo integrado. Este questiona “verdade sagrada” da organização do ensino que parte das disciplinas ou da transformação de conhecimento por meio de didáticas.
O primeiro protesto está no currículo da Escola Média em se basear nas disciplinas e na transmissão de conteúdos sem se preocupar com a construção da subjetividade dos estudantes e a interpretação das estratégias de informações e no desenvolver das pesquisas.
A pós-modernidade obriga a diversidade de pensamentos da vida social e pessoal. Tendo de ser vista como condição social e com expressões radicais de transformações históricas. Eis algumas características de pós modernidade:
-a sociedade globalizada com desregulamentação de economia de mercado;
-as opções políticas e econômicas são homogeneizadas;
-os valores e símbolos culturais são transnacionalizados devido a mundialização dos meios de comunicação;
-as transformações no emprego;
-o volume da produção de informação cresce em progressão geométrica;
-a primazia da tecnologia como fator dominante de evolução humana.
Já o trabalho opõe a essa idéia de Escola Nova e ao interesse do aluno no trabalho escolar-ensinar-conectá-lo com o mundo externo e para elaborar esse projeto de trabalho, há a necessidade de:
-conhecimento psicopedagógico destacando os saberes e as experiências;
-temas e estudos relacionados com a construção da subjetividade e transformações da suicidai e da natureza;
-o papel do diálogo pedagógico – pesquisa/crítica na aprendizagem;
-busca para educação, compreensão, atitude globalizada.
Devendo incorporar as indignações tornando as públicas e compartilhadas com o grupo. Formando mais corrente critica de indagação, compreensão-transformação da realidade escolar e social.
Essa compreensão de educação deve relacionar a vida dos alunos/professores e de interesse, mas sem confundir a trasdição, mas permitir a concepção de estratégias de conhecimentos que permitem ir além, são códigos estabelecidos de bagagem cultural dentro do grupo social.
A cultura tem função de refazer o mundo e ensinar o aluno a interpretar o significado das diferentes culturas e nos diversos tempos históricos, abrindo as portas para duas compreensões da realidade. Sendo colocado dentro de um relativismo que vacine contra o fundamentalismo como proposta de resolver todos os problemas.
A escola geradora de cultura não é só aprendizagem, mas o desafio de questionar a forma de pensar e induzir a verdade absoluta, reconhecer diferentes concepções incorporar uma visão critica que questione a quem beneficia e quem marginaliza, visão dos fatos, opiniões diferenciada e colocar as perspectiva certo relativismo.
Essa situação estabelece os desafios e a escola responde por selecionar critérios de avaliação, decidir o aprender, como e para quê, ao internacionalismo e a valores de solidariedade e tolerância, saber interpretar opções ideológicas do mundo. A proposta educativa vinculam aos projetos do trabalho, sendo a compreender/responder a situação mudança.

Reflexão Sobre o Limite das Disciplinas

A transdisciplinaridade – caracteriza fenômeno, pesquisa e requer formulação de terminologia e metodologia compartilhada – disciplinas e tradições de campo de estudo de maneira fechada. Ela acompanha interpretação recíproca das teorias do conhecimento (epistemologia) de cada disciplina. A diferença entre pesquisa pura aplicada e universidades/indústrias. Atenção voltada para o alvo do objeto de estudo, valorizando a colaboração da atuação individual.
Estabelecer paralelismo – planejamento transdisciplinar, pesquisa e o ensino de interpretação do currículo integrado. Ensinar a relacionar conceitos de forma compartimentada: centro de discussões. O currículo integrado organiza os conhecimentos escolares e a partir de temas-problemas que permitem explorar o campo do saber fora da escola ensinar aos alunos estratégias de investigações e interpretações da informaçaão, permitindo explorar temas de forma autônoma.
A opção currículo integrado a critica do tradicional currículo acadêmico. Os argumentos são:
-a integração de várias matérias;
-a limitação dos professores ao ensinar e o currículo integrado;
-o tempo dedicado no ensino integrado e centrado;
-é necessária a dedicação dos professores;
-as disciplinas armazenam o conhecimento útil, arcam as linhas, geram novo conhecimento e produzem o intercâmbio entre debates-idéias.
Os defensores do currículo integrado dizem que há uma eficácia em relação ao tempo e ao estímulo dos professor e os estudantes em evitar a repetição de termos e conceitos freqüentes a vida escolar e a falta de coordenação dos professore, mas fazer o intercambio para repercutir a qualidade do ensino.
O objetivo do currículo integrado não é favorecer conteúdo, mas interpretar os conhecimentos através das experiências. “Só se interpreta quando se entende o produto como portador de um conteúdo, como objeto gerado por alguém em determinadas circunstâncias, com a intenção de manifestar algo.” ; e que o objetivo dela é interpretar e buscar vestígios da existência de um fenômeno para os objetos e fatos, isto é, significa interessar-se para diferentes versões dos fenômenos.
Mostraremos assim a diferença entre currículo disciplinar e transdisciplinar.

Disciplina-centrado nas matérias;
Transdisciplinar-problemas transdisciplinares;

-conceitos disciplinares;
-metas curriculares;
-conhecimento canônico;
-lições;
-estudo individual;
-livros-textos;
-centrado na escola;
-professor como especialista. -temas ou problemas;
-perguntas, pesquisa;
-conhecimento construído;
-projetos;
-projetos em grupo;
-fontes diversas;
-centrado no mundo real;
-professor como facilitador.
Efland oferece alternativa para o currículo transdisciplinar que é a idéia-chave que vai além da disciplina e com a coordenação do professor, este projeto pode vincular ao currículo básico existente no país.

Capítulo III – Os Projetos de Trabalho e a Necessidade de Mudança na Educação e na Função da Escola

Os projetos de trabalho enfoca o ensino vinculado as mudanças sociais que situa a concepção e a prática da educação como meio de organizar a gestão do espaço e de tempo entre docentes/alunos sobre o discurso do saber escolar.
A isso se deve a mudanças da realidade vivida em relação a quantidade fazendo a Escola uma redescoberta sobre os conteúdos do saber.
Devido às informações não se restringir apenas nos livros-textos e sim aprender a selecionar e pesquisar e relacionar com outras práticas.
As diferenças no contexto entre a Independência e culturas em desenvolvimento tecnológico na qual as fontes de informação são múltiplas em relação a psicopedagógica ao saber social e a função social da escola.
Eis alguns significados dos projetos em diferentes épocas.
Nos anos 20 os métodos de projetos eram:
-aproximar a escola da vida cotidiana;
-os alunos não deveria sentir diferença entre vida externa e interna da escola;
-sendo viável para o meio de uma Nova Escola e
-contrária a fragmentação de matérias.
Isso dava idéia denominada “ocupações construtivas” de formuladas para o método de projeto, assim:
-o interesse do aluno não basta, se o objetivo não ter definição;
-a atividade deve ter valor intrínseco;
-a atividade deve despertar curiosidade e criar a demanda pra informações novas.
Isso era o contrário de uma escola compartimentada e oprimida pra multiplicação das matéria e a base autoritária.
Na Segunda Guerra Mundial, a racionalidade tecnológica se configura na Ideologia dominante no Ocidente, favorecendo o êxito de condutismo e psicometria fazendo com que as iniciativas co gelassem no imaginário. Que acabam voltando quando se percebe que as promessas da visão tecnológica não se cumprem.
Nos anos 60 há um fluxo de interesses por projetos chamados de trabalho por temas. Então a expansão econômica e os conflitos sociais dão ênfase as idéias de Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência e o papel da aprendizagem dos conceitos. Brunner sugere que o ensino deveria centrar no desenvolvimento de conceitos-chaves das estruturas das disciplinas, criando a idéia de currículo em Espiral em que o aluno tenha contato com a idéia-chave de forma primitiva e complexa.
A crítica ao método de idéias-chaves não representada de forma simples para que os alunos aprendam e compreendam sem base organizada de conhecimento. Essa idéia leva a confundir aprendizagem com desenvolvimento de conteúdos.
Já nos anos 80, o auge está no construtivismo e os projetos de trabalho, que contribuem para a aquisição de capacidade relacionada em auto direção, a criatividade , a formulação e resolução do problema, a tomada de decisões e a comunicação interpessoal.
O enfoque está no objetivo de estabelecer interferências e transferências entre os conhecimentos de problemas-situações (Prawat). As idéias-chaves são fundamentais a uma situação de aprendizagem. E que o papel do professor passa ser o intérprete facilitar. Os projetos não devem ser comparados com “métodos” por não serem aplicados com regras e não havendo seqüências únicas, pois os projetos não são lineares, nem previsíveis, chocando se com a idéia de ensinar o fácil para o difícil. O projeto de trabalho é comum com as estratégias e ensino e que todos vão ale dos limites curriculares e implicam nas atividades práticas e de pesquisa individuais ou e grupos, são características de uma proposta da Nova Escola, vinculada a Dewey, a importância da aprendizagem conceitual e a Brunner, uma proposta de currículo Espiral e idéias-chaves.
O sentido é tema de negociação onde se parte de um processo de pesquisa, selecionam as fontes, estabelecem critérios e ordenação, recolhem as dúvidas e elabore o processo de conhecimento, recapitulando o aprendido e conecta com o novo tema, não se fixando no percurso, mas que seja um fio condutor da atuação do docente dessa forma:
-por um tema-problema-de análise de interpretação crítica;
-com predomínio de atitude de cooperação professor/aluno;
-que estabelece conexões entre o fenômeno e questionamento;
-em que cada projeto é singular;
-em que há diferentes formas de aprender o que quer ensinar;
-com aproximação atualizada dos problemas disciplinares;
-e que todos alunos podem aprender num determinado lugar;
--e que a aprendizagem é vinculada a prática.
Indo por esse caminho, observamos que se parece com um projeto mas não é: um percurso descritivo e linear sem problematização; professor protagonista do saber, apresenta matérias escolares, conversão de matérias de estudo do gosto do aluno. os projetos apontam porá forma de basear do conhecimento escolar na aprendizagem, para desenvolver estratégias de indagação interpretação e apresentação do processo em sua complexidade favorecer o conhecimento do mundo.

Capítulo IV – A Avaliação Como Parte Do Processo Dos Projetos De Trabalho

A finalidade da educação era proporcionar uma retrospectiva sobre a aprendizagem do aluno, antes do início de nova série ou para conceder a qualificação.
Podemos distinguir três fases no processo de avaliação:
1- avaliação inicial – detecta conhecimentos sobre o tema, recolhe evidencia da forma de aprendizado, erros e pré-concepções dos alunos.
2- Avaliação formativa – o progresso do aluno e pra o professor é a tarefa de ajuste constante entre o ensino-aprendizagem;
3- Avaliação recapitulativa – processo de síntese do tema. Este é o momento de reconhecimento em que estudantes alcançam os resultados e adquiram as destrezas e as habilidades.
E o que se pretende é que a avaliação estimule a capacidade de pesquisa e que os alunos aplicam em situações reais os conhecimentos adquiridos e respondam em carater produtivo. Mais que medir, avaliar, entender e interpretar.
É necessário que os professores abram as frentes de análise:
-conceitual para avaliar resultados não previstos;
-investigadora; para levantar evidencias do processo e dos resultados;
-ético-político: para encontrar o caminho que vai da avaliação burocrática á democracia.
Essa mudança de visão fez recordar as informações de interesse e transferi-la a memorização de formulas e a necessidade de encontrar estratégias para resolução do problema; a importância do resultado ao interesse no processo e na quantidade de informação em prol da capacidade de interpretá-la.
A avaliação vem se tornando a peça chave do ensino. O porta-fólio surge como modalidade de avaliação no campo da arte sendo possível selecionar e ordenar e refletir a trajetória de aprendizagem.
Fazendo dos seus alunos sentir aprendizagem institucional como algo próprio.
No porta-fólio se identifica as questões relacionado ao modo de alunos e professores refletirem sobre os objetivos de aprendizagem criando um processo de reflexão.

Capítulo V – Três Projetos De Trabalho Como Exemplos, Não Como Pauta A Seguir

Há varias opções de adaptação dos conteúdos educativos. Por exemplo:
- partir de temas que destacam e apresentam propostas de atividades;
-planejar a trajetória por tema, uma histórica com vários finais;
-apresentar a própria experiência de forma geral: avaliando, comparando, para enfocar e ordenar o resultado.
Antes, iremos tornar explicitas as concepções que se inter –relacionam por aprendizagens de produção ativa dos conhecimentos sociais e a bagagem do aprendiz.
O ensino é uma atividade de objetivos que facilitam o dialético das estruturas do conhecimento e a subjetividade/individual. A ordenação dos conteúdos é a definição da atuação que modificam a interação dialética da classe.

Capítulo VI – As Informações nos Servem Para Aprender e Nos Provocar Novas Interrogações

O mais relevante deste projeto é mostrar o desenvolvimento da criança, do interesse e a observação de como elas enfrentam o problema dentro de aprendizagem.
Quando o assunto foi interessante envolve todo o grupo. Assunto que se pode levar por meio de pesquisa, curiosidades, jornais, etc. a família deve-se envolver nesse coleta de informações abrindo assim a reflexão fazneo a histórica tomar outro rumos em geral. A criança segue um fio condutor (diálogo) envolvendo toda a classe.
Afinal o trabalho fará ter uma idéia-chave a ser desenvolvida.

Capítulo VII – Eu Aprendi O Que Queria dizer Um “Símbolo”

Envolve pó projeto El Greco que é a visita a uma exposição de obras, onde se discute sobre o autor, da obra o contexto de vida, fazendo surgir questões em relação ao autor a sua obra, a composição delas, a época, a sociedade, o século, etc.
Quando a exposição houve um questionamento entre alunos e monitores num jogo de perguntas e respostas gerando o significado dos símbolos. A primeira noção de símbolos é a transferência e o reforçamento da aprendizagem.E através da auto reflexão reconstrói e rememorizam e incorporam os elementos.

Capítulo VIII – Ter Saúde é Viver de Acordo com Nós Mesmos

O objetivo do professor é levar o aluno a aprender a elaborar o caminho e a porta-fólio é o meio que reflete na trajetória valorizando a diversidade.
Sempre partir de um tema chave para se desenvolver a pesquisa levando a indagar as diferentes opiniões e relacioná-las as mudanças e chegar a seu objetivo, e o aluno conscientizar e interpretar as informações recebidas. A conexão com os conteúdos do currículo escolar é a tarefa com o qual o professor finaliza sua participação no projeto.
A noção de globalização – a idéia de “aprender a estabelecer e interpretar relações e superar limites das disciplinas escolares” é um convite a não divisão de conhecimentos e o aprender constante dos docentes e um esforço dos alunos sem aprender globalizar sem confundir a idéia de totalidade, além de ter vinculado a economia tem como pensamento a visão do mundo. O ensino globalizado não deve ser confundido com educação que promove valores econômicos e aceita a supremacia do mercado sobre os cidadãos veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Os Contos Gauchescos são uma coleção de contos que tem como ambientação no pampa gaúcho. Contado pelo envelhecido vaqueano Blau Nunes, as histórias contam de aventuras de peões e soldados. Ora protagonizadas, ora testemunhadas por Blau, as histórias narram sempre sobre o gaúcho, guerreiro, trabalhador, rústico. Nelas a linguagem é sempre um dialeto característico do interior do Rio Grande do Sul e existe um enorme respeito pelos elementos deste estilo de vida: os animais, os instrumentos, a paisagem. Existe também uma grande exaltação do espírito guerreiro do gaúcho, especialmente nas narrativas de guerra, ambientadas na maioria das vezes na Revolução Farroupilha. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Aqui está, o último livro do escritor, Tutaméia, publicado poucos meses antes da sua morte, a exigir leitura e reflexão. Por mais que o procure encarar como mero texto literário, desligado de contingências pessoais, apresenta-se com agressiva vitalidade, evocando inflexões de voz, jeitos e maneiras de ser do homem e amigo. A leitura de qualquer página sua é um conjuro. Como entender o título do livro? No Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa encontramos tuta-e-meia definida por mestre Aurélio como "ninharia, quase nada, preço vil, pouco dinheiro". Numa glosa da coletânea o próprio contista confirma a identidade dos dois termos, juntando-lhes outros equivalentes pitorescos, tais como "nonada, baga, ninha, inânias, ossos de borboleta, quiquiriqui, mexinflório, chorumela, nica". Atribuiria ele realmente tão pouco valor ao volume fórmula como antífrase carinhosa e, talvez, até supersticiosa? Inclino-me para esta última suposição. Em conversa comigo (numa daquelas conversas esfuziantes, estonteantes, enriquecedoras e provocadoras que tanta falta me hão de fazer pela vida afora), deixando de lado o recato da despretensão, ele me segredou que dava a maior importância a este livro, surgido em seu espírito como um todo perfeito não obstante o que os contos necessariamente tivessem de fragmentário. Entre estes havia inter-relações as mais substanciais, as palavras todas eram medidas e pesadas, postas no seu exato lugar, não se podendo suprimir ou alterar mais de duas ou três em todo o livro sem desequilibrar o conjunto. A essa confissão verbal acresce outra, impressa no fim da lista dos equivalentes do título, como mais uma equação: "meaomnia'". Essa etimologia, tão sugestiva quanto inexata, faz tutaméia vocábulo mágico tipicamente rosiano, confirmando a asserção de que o ficcionista pôs no livro muito, senão tudo, de si. Mas também em nenhum outro livro seu cerceia o humor a esse ponto as efusões, ficando a ironia em permanente alerta para policiar a emoção. – Por que Terceiras estórias – perguntei-lhe – se não houve as segundas? – Uns dizem: porque escritas depois de um grupo de outras não incluídas em Primeiras estórias. Outros dizem: porque o autor, supersticioso, quis criar para si a obrigação e a possibilidade de publicar mais um volume de contos, que seriam então as Segundas estórias. – E que diz o autor? – O autor não diz nada – respondeu Guimarães Rosa com uma risada de menino grande, feliz por ter atraído o colega a uma cilada. Mostrou-me depois o índice no começo do volume, curioso de ver se eu lhe descobria o macete. – Será a ordem alfabética em que os títulos estão arrumados – Olhe melhor: há dois que estão fora da ordem. – Por quê? – Senão eles achavam tudo fácil. "Eles" eram evidentemente os críticos. Rosa, para quem escrever tinha tanto de brincar quanto de rezar, antegozava-lhes a perplexidade encontrando prazer em aumentá-la. Dir-se-ia até que neste volume quis adrede submetê-los a uma verdadeira corrida de obstáculos. Seria esse o motivo principal da multiplicação dos prefácios, de que o livro traz não um, mas quatro? Prefácio por definição é o que antecede uma obra literária. Mas no caso do leitor que não se contenta com uma leitura só, mesmo um prefácio colocado no fim poderá ter serventia. Estórias à primeira vista, num segundo relance os prefácios hão de revelar uma mensagem. Juntos compõem ao mesmo tempo uma profissão de fé e uma arte poética em que o escritor, através de rodeios, voltas e perífrases, por meio de alegorias e parábolas, analisa o seu gênero, o seu instrumento de expressão, a natureza da sua inspiração, a finalidade da sua arte, de toda arte. Assim "Aletria e hermenêutica" é pequena antologia de anedotas que versam o absurdo; mas é, outrossim, uma definição de "estória" no sentido especificamente guimaraes-rosiano, constante de mostruário e teoria que se completam. Começando por propor uma classificação dos subgêneros do conto, limita-se o autor a apontar germes de conto nas "anedotas de abstração", isto é, nas quais a expressão verbal acena a realidades inconcebíveis pelo intelecto. Suas estórias, portanto, são "anedóticas" na medida em que certas anedotas refletem, sem querer, "a coerência do mistério geral que nos envolve e cria" e faz entrever "o supra-senso das coisas". "Hipotrélico" aparece como outra antologia, desta vez de divertidas e expressivas inovações vocabulares, não lhe faltando sequer a infalível anedota do português. E é a discussão, às avessas, do direito que tem o escritor de criar palavras, pois o autor finge combater "o vezo de palavrizar", retomando por sua conta os argumentos de que já se viu acossado como deturpador do vernáculo e levando-os ao absurdo: põe maliciosamente a vista as inconseqüências dos que professam a partenogênese da língua e se pasmam ante os neologismos do analfabeto, mas se opõem a que "uma palavra nasça do amor da gente", assim "como uma borboleta sai do bolso da paisagem". A "glosação em apostilas" que segue esta página reforça-lhe a aparência pilhérica, mas em Guimarães Rosa zombaria e pathos são como o reverso e o anverso da mesma medalha. O primeiro "prefácio" bastou para nos fazer compreender que em suas mãos até o trocadilho vira em óculo para espiar o invisível. "Nós os temulentos" deve ser mais que simples anedota de bêbado, como se nos depara. Conta a odisséia que para um borracho representa a simples volta a casa. Porém os embates nos objetos que lhe estorvam o caminho envolvem-no em uma sucessão de prosopopéias, fazendo dele, em rivalidade com esse outro temulento que é o poeta, um agente de transfigurações do real. Finalmente confissões das mais íntimas apontam nos sete capítulos de Sobre a escova e a dúvida, envolvidas não em disfarces de ficção, como se dá em tantos narradores, mas, poeticamente, em metamorfoses léxicas e sintáticas. É o próprio ficcionista que entrevemos de início num restaurante chic de Paris a discutir com um alter ego, também escritor, também levemente chumbado, que lhe censura o alheamento a realidade: "Você evita o espirrar e o mexer da realidade, então foge-não-foge." Surpreendidos de se encontrarem face a face, os dois eus encaram-se reciprocamente como personagens saídas da própria imaginativa, perturbados e ao mesmo tempo encantados com a sua "sociedade" (sic!), tecendo uma palestra rapsódica de ébrios em que o tema do engagement ressurge volta e meia como preocupação central. O Rosa comprometido sugere ao Rosa alheado escreverem um livro juntos; este não lhe responde a não ser através da ironia discreta com que sublinha o contraste do ambiente luxuoso com o ideal "da rude redenção do povo". Mas a resposta é acusação de alheamento deve ser buscada também e sobretudo nos capítulos seguintes. Em primeiro lugar, põe-se em dúvida a natureza da realidade através da parábola da mangueira, cada fruta da qual reproduz em seu caroço o mecanismo de outra mangueira; e o inacessível nos elementos mais óbvios do cotidiano real e aduzido, afirmado, exemplificado. Depois de tentar encerrar em palavras o cerne de uma experiência mística, sua, o autor procura captar e definir os eflúvios de um de seus dias "aborígenes" a oscilar incessantemente entre azarado e feliz, até enredá-lo numa decisão irreparável. Possivelmente há em tudo isto uma alusão à reduzida influência de nossa vontade nos acontecimentos, as decorrências totalmente imprevisíveis de nossos atos. A seguir, evoca o escritor o seu primeiro inconformismo de menino em discordância com o ambiente sobre um assunto de somenos, o uso racional da escova de dentes; o que explicaria a sua não-participação numa época em que a participação do escritor é palavra de ordem. Nisto, passa a precisar (ou antes a circunscrever) a natureza subliminar e supraconsciente da inspiração, trazendo como exemplo a gênese de várias de suas obras, precisamente as de mais valor, antes impostas do que projetadas de dentro para fora. Para arrematar a série de confidências, faz-se o contista intermediário da lição de arte que recebeu de um confrade não sofisticado, o vaqueiro poeta em companhia de quem seguira as passadas de uma boiada. Ao contar ao trovador sertanejo o esboço de um romance projetado, este lhe exprobrou decididamente o plano (talvez, excogitado de parceria com o sósia de Montmartre), numa condenação implícita da intencionalidade e do realismo: "Um livro a ser certo devia de se confeiçoar da parte de Deus, depor paz para todos." Arrependido de tanto haver revelado de suas intuições, o escritor, noutro esforço de despistamento, completou o quarto e último prefácio com um glossário de termos que nele nem figuram, mas que representam outras tantas idiossincrasias suas, ortográficas e fonéticas, a exigir emendas nos repositórios da língua. Absorvidos pelos prefácios, ei-nos apenas no limiar dos quarenta contos merecedores de outra tentativa de abordagem. Quantas vezes, mesmo nesta breve cabra-cega preliminar, terei passado ao lado das intenções esquivas do contista, quantas vezes as suas negaças me terão levado a interpretações erradas? Só poderia dizê-lo quem não mais o pode dizer; mas será que o diria? Descontados os quatro prefácios, Tutaméia, de Guimarães Rosa, contém quarenta "estórias" curtas, de três a cinco páginas, extensão imposta pela revista em que a maioria (ou todas) foram publicadas. Longe de constituir um convite à ligeireza, o tamanho reduzido obrigou o escritor a excessiva concentração. Por menores que sejam, esses contos não se aproximam da crônica; são antes episódios cheios de carga explosiva, retratos que fazem adivinhar os dramas que moldaram as feições dos modelos, romances em potencial comprimidos ao máximo. Nem desta vez a tarefa do leitor é facilitada. Pelo contrario, quarenta vezes ha de embrenhar-se em novas veredas, entrever perspectivas cambiantes por trás do emaranhado de outros tantos silvados. Adotando a forma épica mais larga ou gênero mais epigramático, Guimarães Rosa ficava sempre (e cada vez mais) fiel à sua fórmula, só entregando o seu legado e recado em troca de atenção e adesão totais. A unidade dessas quarenta narrativas está na homogeneidade do cenário, das personagens e do estilo. Todas elas se desenrolam diante dos bastidores das grandes obras anteriores; as estradas, os descampados, as matas, os lugarejos perdidos de Minas, cuja imagem se gravara na memória do escritor com relevo extraordinário. Cenários ermos e rústicos, intocador pelo progresso, onde a vida prossegue nos trilhos escavados por uma rotina secular, onde os sentimentos, as reações e as crenças são os de outros tempos. Só por exceção aparece neles alguma pessoa ligada ao século XX, à civilização urbana e mecanizada; em seus caminhos sem fim, topamos com vaqueiros, criadores de cavalos, caçadores, pescadores, barqueiros, pedreiros, cegos e seus guias, capangas, bandidos, mendigos, ciganos, prostitutas, um mundo arcaico onde a hierarquia culmina nas figuras do fazendeiro, do delegado e do padre. A esse mundo de sua infância o narrador mantém-se fiel ainda desta vez; suas andanças pelas capitais da civilização, seus mergulhos nas fontes da cultura aqui tampouco lhe forneceram temas ou motivos, o muito que vira e aprendera pela vida afora serviu-lhe apenas para aguçar a sua compreensão daquele universo primitivo, para captar e transmitir-lhe a mensagem com mais perfeição. Através dos anos e não obstante a ausência, o ambiente que se abrira para seus olhos deslumbrados de menino conservou sempre para ele suas cores frescas e mágicas. Nunca se rompeu a comunhão entre ele e a paisagem, os bichos e as plantas e toda aquela humanidade tosca em cujos espécimes ele amiúde se encarnava, partilhando com eles a sua angustia existencial. A cada volta do caminho suas personagens humildes, em luta com a expressão recalcitrante, procuram definir-se, tentam encontrar o sentido da aventura humana: "Viver é obrigação sempre imediata"; "Viver seja talvez somente guardar o lugar de outrem, ainda diferente, ausente." "A gente quer mas não consegue furtar no peso da vida." "Da vida sabe-se: o que a ostra percebe do mar e do rochedo." "Quem quer viver, faz mágica." A transliteração desse universo opera-se num estilo dos mais sugestivos, altamente pessoal e no entanto determinado em sua essência pelas tendências dominantes, às vezes contraditórias, da fala popular. O pendor do sertanejo para o lacônico e sibilino, o pedante e o sentencioso, o tautológico e o eloqüente, a facilidade com que adapta o seu cabedal de expressões as situações cambiantes, sua inconsciente preferência pelos subentendidos e elipses, seu instinto de enfatizar, singularizar e impressionar são aqui transformados em processos estilisticos. Na realidade o neologismo desempenha nesse estilo papel menor do que se pensa. Inúmeras vezes julga-se surpreender o escritor em flagrante de criação léxica, recorre-se, porém, ao dicionário, lá estará o vocábulo insólito (acamonco, alarife, avejão, brujajara, cara fuz, chuchorro, esmar, ganja, grinfo, gueta, jaganata, marupiara, nomina, panema, pataratesco, quera, safio, seresma, sessil, uca, vogoroca etc) rotulado de regionalismo, plebeísmo, arcaísmo ou brasileirismo, outras vezes, não menos freqüentes, a palavra nova representa apenas uma utilização das disponibilidades da língua, registrada por uma memória privilegiada ou esguichada pela linspiração do momento (associoso, borralheirar, convidatividade, de extraordem, inaudimento, infinição, inteligentudo, inventação, mal-entender-se, mirificacia, orabolas deles!, reflor!, reminisção etc) Com freqüência bem menor há, afinal, as criações de inegável cunho individual, do tipo dos amálgamas, abusufruto, fraternura, lunático de mel, metalurgir, orfandade, psiquepiscar, utopiedade com que o espírito lúdico se compraz a matizar infinitamente a língua. Porém, as maiores ousadias desse estilo, as que o tornam por vezes contundente e hermético são sintáticas: as frases de Guimarães Rosa carregam-se de um sentido excedente pelo que não dizem, num jogo de anacolutos, reticências e omissões de inspiração popular, cujo estudo está por fazer. Estonteado pela multiplicidade dos temas, a polifonia dos tons, o formigar de caracteres, o fervilhar de motivos, o leitor naturalmente há de, no fim do volume, tentar uma classificação das narrativas. é provável que a ordem alfabética de sua colocação dentro do livro seja apenas um despistamento e que a sucessão delas obedeça a intenções ocultas. Uma destas será provavelmente a alternância, pois nunca duas peças semelhantes se seguem. A instantâneos mal esboçados de estados de alma sucedem densas microbiografias; a patéticos atos de drama rápidas cenas divertidas; incidentes banais do dia-a-dia alternam com episódios lírico-fantásticos. Entre os muitos critérios possíveis de arrumação vislumbra-se-me um sugerido pelo que, por falta de melhor termo, denominaria de atonímia metafísica. Essa figura estilística, de mais a mais freqüente nas obras do nosso autor, surge em palavras que não indicam manifestação do real e sim abstrações opostas a fenômenos percebíveis pelos sentidos, tais como: antipesquisas, acronologia, desalegria, improrrogo, irriticencia, desverde, incogitante, descombinar (com alguém), desprestar (atenção), inconsiderar, indestruir, inimaginar, irrefotar-se etc, ou em frases como "Tinha o para não ser célebre." Dentro do contexto, tais expressões claramente indicam algo mais do que a simples negação do antônimo: aludem a uma nova modalidade de ser ou de agir, a manifestações positivas do que não é. Da mesma forma, na própria contextura de certos contos o inexistente entremostra a vontade de se materializar. Em conversa ociosa, três vaqueiros inventam um boi cuja idéia há de lhes sobreviver consolidada em mito incipiente ("Os três homens e o boi"). Alguém, agarrado a um fragmento de frase que lhe sobrenada na memória, tenta ressuscitar a mocidade esquecida ("Lá nas campinas"). Ameaça demoníaca de longe, um touro furioso se revela, visto de perto, um marrua manso ("Hiato"). Noutras peças, o que não é passa a influir efetivamente no que é, a moldá-lo, a mudar-lhe a feição. O amante obstinado de uma megera, ao morrer, transmite por um instante aos demais a enganosa imagem que dela formara "Reminisção"). A idéia da existência, longe, de um desconhecido benfazejo ajuda um desamparado a safar-se de suas crises ("Rebimba o bom"). Um rapaz ribeirinho consome-se de saudades pela outra margem do rio, até descobrir o mesmo mistério na moça que o ama ("Ripuaria"). Alguém ("João Porém, o criador de perus") cria amor e mantém-se fiel a uma donzela inventada por trocistas. Num terceiro grupo de estórias por trás do enredo se delineia outra que poderia ter havido, a alternativa mais trágica a disponibilidade do destino. O povo de um lugarejo livra-se astutamente de um forasteiro doente em quem se descobre perigoso cangaceiro ("Barra de Vaca"). Um caçador vindo da cidade com intuito de pesquisas escapa com solércia há armadilhas que lhe prepara a má vontade do hospedeiro bronco ("Como ataca a sucuri"). Enganado duas vezes, um apaixonado prefere perdoar à amada e, para depois viverem felizes, reabilita a fugitiva com paciente labor junto aos vizinhos ("Desenredo"). Noutros contos o desenlace não e um "desenredo", mas uma solução totalmente inesperada. Atos e gestos produzem resultados incalculáveis num mundo que escapa às leis da causalidade: daí a multidão de milagres esperando a sua vez em cada conto. Por entender de través uma frase de sermão, um lavrador ("Grande Gedeão") pára de trabalhar; e melhora de sorte. Um noivo amoroso que sonhava com um lar bonito e abandonado pela noiva; mas o sonho transmitiu-se ao pedreiro ("Curtamão") e nasce uma escola. Para que a vocação de barqueiro desperte num camponês é preciso que uma enchente lhe desbarate a vida ("Azo de almirante"). Nessa ordem de eventos, uma personagem folclórica ("Melim-Meloso"), cuja força consiste em desviar adversidades extraindo efeitos bons de causas ruins, apoderou-se da imaginação do escritor a tal ponto que ele promete contar mais tarde as aventuras desse novo Malasarte. Infelizmente não mais veremos essa continuação que, a julgar pelo começo, ia desabrochar numa esplêndida fábula; nem a grande epopéia cigana de que neste livro afloram três leves amostras ("Faraó e a Água do rio", "O outro ou o outro", "Zingaresca"), provas da atracão especial que exercia sobre o erudito e o poeta esse povo de irracionais, ébrios de aventura e de cor, refratários é integração social, artistas da palavra e do gesto. Muito tempo depois de lidas, essas histórias, e outras que não pude citar, germinam dentro da memória, amadurecem e frutificam, confirmando a vitória do romancista dentro de um gênero menor. Cada qual descobrira dentro das quarenta estórias a sua, a que mais lhe desencadeia a imaginação. Seja-me permitido citar as duas que mais me subjugaram pela sua condensação, dos romances em embrião que fazem descortinar os horizontes mais amplos. "Antiperipléia" e o relatório feito em termos ambíguos por um aleijado, ex-guia de cego, do acidente em que seu chefe e protegido perdeu a vida. Confidente, alcoviteiro e rival do morto, o narrador ressuscita-o aos olhos dos ouvintes enquanto tenta fazê-los partilhar seus sentimentos alternados de ciúme, compaixão e ódio; "Esses Lopes" é a história, também contada pela protagonista, de um clã de brutamontes violentos que perecem um após outro, vítimas da mocinha indefesa a quem julgavam reduzir a amante e escrava. Duas obras-primas em poucas páginas que bastavam para assegurar a seu autor uma posição excepcional. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
SKILAR, Carlos (org.) Educação e exclusão: Abordagens Sócio-antropológicas em educação especial. Porto Alegre: Mediação, 1997. p.7 a 79
A educação especial atravessa uma crise que reside em saber a qual crise se refere e sua interpretação ideologia. São diferentes interpretações do fracasso e opostos tipologias e perspectivas de analise.
O problema surge na definição sobre o que é educação especial. No sentido de deficientes, impõe restrições e um corte da educação; são diferentes da educação geral, como sinônimo de uma educação menor, irrelevante e incompleta tanto pro sujeito quanto para as instituições.
Se acreditar na deficiência como eixo que define e domina toda a vida pessoal e social dos sujeitos, então não se estará construindo um verdadeiro processo educativo, mas um processo clinico.
Se a instituição escolar é especial, por ter sujeitos especiais, não se trata de escola e sim de um hospital.
Se a instituição é especial por pretender desenvolver uma didática especial para sujeitos deficientes, pode ocorrer que os processos interativos de educação exista uma aplicação sistemática de recursos exercitações e metodologias neutras e desideologizadas.
Se é especial porque é menor, deve se discutir o significado de uma educação maior, para sujeitos maiores, uma educação completa e absoluta.
A necessidade de definir com clareza perspectivas educativas aliada a praticas e discurso da medicina ou uma pedagogia somada a estratégias terapêuticas, trazem contradições nos modelos educativos e nos clinico-terapeuticos. Já que a concepção do sujeito, a imagem de Homem, a construção social da pessoa, etc., desenvolvem-se em linhas opostas ao contrastar a versão incompleta de sujeito que oferece o modelo clinico terapêutico e a versão de diversidade que deveria oferecer o modelo sócio-antropológico da educação. Defini-lo como pessoa incompleta faz parte de uma concepção etnocêntrica do homem e da humanidade, que reflete uma tolerância e racismo, gerado por meios de comunicação, que reflete um paternalismo. A diversidade se alia a medicina dentro da educação.
O papel da deficiência no começo da vida de um sujeito é a força motriz de seu dewenvolvimento. Seu cérebro compensa seu déficit. A criança não vive a partir de sua deficiência, mas a partir daquilo que para ela resulta ser um equivalente funcional.
A insistência do modelo clínico constitui um ponto de partida para uma série de problemas que existe dentro da educação especial, como a construção de uma prática, e uma teoria.
Se a escola especial parte de um pressuposto de que os sujeitos estão limitados, toda a educação educativa está obrigada a orientar-se em direção a essa idéia.
O fracasso na educação especial é resultante de uma pressão metafísica que se exerce sobre sujeitos especiais, eles estão presos a uma falsa ideologia pedagógica que condiciona através de falsa representações sociais regulados por normas e hábitos medievais. De um complexo mecanismo que reúne fatos sociais, políticos, lingüísticos, históricos e culturais que provem de profissionais que representam e reproduzem a idéia de um mundo homogêneo.
O uso do termo educação significa por em relevo uma necessidade especifica incluindo analise de fatos que governam a educação de crianças especiais dentro dos problemas educativos gerais e não como se faz habitualmente, fora deles e quanto mais longe melhor.
A educação das crianças especiais deve ser visto como outras que são minorias que sofrem exclusões no processo educativo.
A fronteira entre educação e educação especial constitui numa discriminação, a de impedir que a pedagogia especial discuta afazeres educativos, por se tratar de um tema sem importância, excluindo de debates. Exemplo disso, quanto a alfabetização, esta não constitui um pe-requisito inquietável para o acesso a leitura, na educação especif o ensino da correspondência entre fonema e grafema ocupa o centro de todas as preocupações em questão da língua escrita.
Afirma-se que esse direito deve ser analisado, avaliado e planificado junto com o conceito de educação plena, significativa, justa participativa, sem restringi-la a caridade, sem obsessão curativa da medicina.
Incluir a educação das crianças especiais dentro de uma discussão educativa global significa hierarquizar os objetivos filosóficos, ideológicos e pedagógicos da educação especial.
As políticas de interação tem produzido um maior isolamento e menor possibilidade educativas a estas crianças. Escolas especial e a inclusão as escolas regulares constituem em adornos para cobrir um rosto debilitado.
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O romance se inicia com a narração de alguns casos insólitos - Joana Carda e a vara de negrilho, Joaquim Sassa e o arremesso de uma pedra ao mar, José Anaiço e os estorninhos e Pedro Orce e o tremor da terra e Maria Guavaira e o fio de lã - onde são interligados mais adiante na narrativa. A Península Ibérica acaba por se soltar do continente europeu. Joaquim Sassa fica sabendo do fenômeno ocorrido com José Anaiço, indo em sua procura para saber a correlação desses fatos com a desagregação da Península. Joaquim Sassa e José Anaiço partem em Dois Cavalos ( carro de Joaquim Sassa ) rumo à Venta Micena (Espanha) à procura de Pedro Orce , que sente constantemente a terra tremer. As autoridades, comprovando tal fenômeno, e, embora não consigam explicá-lo, pedem a Pedro Orce que não comente isso com ninguém. No encontro dos três, viajam à região fronteiriça da Espanha com a França para verem o fenômeno. Decidem por ir à Lisboa. A caminho da capital portuguesa, fazem uma pequena estada em Albufeira. O caos nesta e noutras cidades se torna generalizado. A população, sem ter moradia, começa a invadir os hotéis, que estão vazios por falta de turistas. Choques entre o povo e as tropas do governo geram um clima de intranqüilidade.

A parcela rica da Península ibérica acaba por abandoná-la, levando consigo boa parte de seus capitais por receio dos movimentos populares que aconteciam. Ao chegarem à Lisboa, hospedam-se no Hotel Bragança. O fenômeno dos estorninhos chama a atenção da imprensa, que descobre os nossos protagonistas. Manchetes nas redes de televisão, rádios e jornais levam as autoridades a buscarem Joaquim Sassa e Pedro Orce para averiguações. Joana Carda vai ao encontro do grupo por ser portadora de outro fenômeno (aludido no início do enredo). Joana Carda hospeda-se no Hotel Borges. O grupo empreende uma viagem à Ereira, onde Joana passou a viver depois de separada e se dá o fenômeno da vara de negrilho. Inicia-se um romance entre Joana e José Anaiço. Ao chegarem ao local do risco, encontram o Cão Constante, carregando um fio de lã azul à boca, que se junta ao grupo, afeiçoando-se a Pedro Orce. Os quatro seguem o cachorro que os leva à região da Galiza, hospedando-se no caminho na casa de Joaquim Sassa no Porto. O destino do grupo é a casa de Maria Guavaira, viúva há três anos, portadora de outro fenômeno: "... não fiz mais do que desmanchar uma meia velha, dessas que serviam para guardar dinheiro, mas a meia que desmanchei daria um punhado de lã, ora o que aí está corresponde à lã de cem ovelhas, e quem diz cem diz cem mil, que explicação se encontrará para este caso,...". Começa um idílio amoroso entre Maria Guavaira e Joaquim Sassa . O rádio noticia a probabilidade de colisão entre a Península e o arquipélago de Açores. Inicia-se outra etapa da viagem, em direção ao oeste peninsular. A viagem é feita pelo grupo em uma galera, pois Dois Cavalos não funcionara mais. Maria Guavaira conduz a galera que é puxada inicialmente por um, posteriormente por dois cavalos (Pigarço e Alasão). A evacuação do leste português é generalizada, deixando cidades abandonadas e a população em desespero. Os governos português e espanhol se mostram ineficientes quanto ao amparo desse grande contigente de emigrantes. Já distantes da Europa, os Estados Unidos e o Canadá se preparam para dar as boas vindas à Península, começando a idealizar as novas relações estrangeiras entre esses dois grupos. Acontece o inesperado - a Península acaba por se desviar do arquipélago de Açores, mudando naturalmente seu curso ao norte. Todos reiniciam o retorno às suas casas. Nossos viajantes, entretanto, resolvem continuar viajando - agora em direção aos Pirineus. As duas mulheres do grupo acabam por ter relações com Pedro Orce, o que provoca um clima instável nos viajantes. Os viajantes permanecem juntos,mesmo com um certo ressentimento que predominava. Chegam ao fim da Península, extasiados com o espetáculo natural que presenciam. A Jangada de Pedra pára. Portugal fica voltado aos Estados Unidos e a Espanha para a Europa. Pedro Orce ainda afirma que a terra treme, o que acaba por se confirmar com a retomada do movimento peninsular, que fica a girar em torno de seu próprio eixo durante um mês. "Dois Cavalos seguia devagar (...), agora os viajantes demoravam-se nos lugares (...)". Por essa ocasião, as mulheres percebem que estão grávidas, não sabendo ao certo sobre a paternidade. O grupo encontra Roque Lozano, o qual viera em seu burro ( Platero) para ver o desregramento. Roque Lozano junta-se aos viajantes para retornar à sua casa (Zufre), como era idéia de todos. A Península começa a vagar rumo ao sul. Os Estados Unidos perdem o interesse de antes pelos povos peninsulares, onde "todas" as mulheres ficam grávidas. Joana Carda tem pressentimentos quanto a Pedro Orce . Este morre no momento em que a galera pára e ele não sente mais o tremor da terra. O grupo descansa para retomar a viagem. O tempo da narrativa é psicológico. Embora haja referências cronológicas, elas não predominam, além de serem em grande parte imprecisas. O espaço é a Península Ibérica a vagar pelo Oceano Atlântico. Os narradores são múltiplos e alternados (variando entre 10 pessoa do singular e plural e 30 pessoa ), o que anula um pouca a presença do narrador tradicional. Personagens principais: Joana Carda Portuguesa divorciada que mora na região de Ereira. Ao riscar o chão com uma vara de negrilho, os cachorros de Cerbère começam a ladrar, ação que não faziam a séculos. Joaquim Sassa Português (Porto), trabalha em um escritório, estando de férias por uma praia ao norte de Portugal. Lança uma pesada pedra no mar, espantando-se com a grande distância que ela vem a tomar antes de afundar. José Anaiço Português (Ribatejo) com o ofício de professor que fica sendo acompanhado constantemente por uma nuvem de estorninho. Pedro Orce Próximo dos sessenta anos, espanhol da região de Orce, farmacêutico no vilarejo de Venta Micena. Ele sente a terra tremer enquanto que os sismógrafos não conseguem detectar nenhum tremor. Maria Guavaira Habitante da região rural da Galiza, puxa um fio azul de lã de uma meia que se multiplica exageradamente em comprimento. É este fio, através do cão Constante, que traz os outros personagens acima à sua casa. A linguagem e o estilo da obra O autor se utiliza de períodos e parágrafos muito longos (estes chegando às vezes a uma página ou mais). Há uma total erradicação dos sinais de pontuação (usando predominantemente a vírgula e o ponto). As falas de narrador e personagens são às vezes confundidas, onde o uso do discurso indireto livre é bastante influenciador. A metalinguagem também se faz presente no romance, onde se percebe leves doses de ironia. Dividida em 23 capítulos, a obra preserva o português lusitano (imposição do autor aos países de língua portuguesa), fazendo-se valer de expressões populares típicas de Portugal. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O livro "Cuidado, Escola!", lançado em 1980 pela editora brasiliense, 32º edição sob a autoria da equipe componente do IDAC ( Instituto de Ação Cultural )Babette Harper, Claudius Ceccon, Miguel Darcy de Oliveira e Rosiska Darcy de Oliveira, apresentado pelo grande escritor pernambucano Paulo Freire, traz um estudo crítico sobre a educação desde sua origem até sua sitematização com o surgimeto das instituições de ensino. É com uma linguagem acessível e criativas ilustrações que o estudo crítico busca refletir sobre o processo educativo, abordando temáticas como a crise escolar, a origem da escola atual, o seu funcionamento, as desigualdades sócio-culturais que envolvem o processo de ensino-aprendizagem, as alternativas pedagógicas e um questinamento sobre a origem dos problemas que envolvem o sistema educacinal. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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