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Considerações sobre a obra: Analisaremos a obra em seu conjunto. Pois é esse conjunto que nos dará uma visão do estilo da escritora Lygia Fagundes Telles. É necessário cautela, atenção... durante as leituras visto que as pontuações são necessárias ás obras do entendimento. Seja o discurso ou monólogo à visão do estilo da autora, a precaução às interpretações exigem reflexões, descobertas e análises oriundas da "leitura tipo". Cautela! Não imagina decorar. Jamais. Sugerimos ao candidato acompanhar a análise utilizando-se dos excertos apresentados nos resumos. Conto N.º 1: O Noivo Um rapaz de nome Miguel estava noivo, de casamento marcado, mas não se lembrava o dia, hora e com quem iria se casar no dia 12 de novembro numa quinta-feira. Interrogou um fraque novo na sala. Viu que era intacto. Reviu um álbum de fotografias, analisou as amigas e se uma delas seria sua noiva. Lembrou uma canção de roda. Frederico vem buscá-lo para ir e diz que ele já está atrasado. Ao chegar à igreja lembra mais mulhers que poderia se uma delas sua noiva. "Mas já são quase nove horas, o casamento não é às dez? O café está aqui, o senhor não quer uma xícara. -Agora não, depois. "Depois", refletiu baixando o olhar para poltrona. Empalideceu. Via agora ao lado do armário um maleta - a maleta que usava para viagens curtas - cuidadosamente preparada, como se daí a alguns instantes devesse embarcar. Ajoelhou-se diante da pilha de roupas. "Mas para onde? Não sei de nada, não sei de nada!..." Examinou os pijamas envoltos em celofantes. Tocou de leve no chão de banho, nos shorts, nos sapatos de lona. Tudo novo, tudo pronto para uma curta temporada na praia, a lua-de-mel ia ser na praia, e quem ia se casar era ele" (p.12) "- Mas, Miguel... você ainda está assim? Faltam só dez minutos, homem de Deus! Como é que você atrasou desse jeito? Descalço, de pijama! Miguel baixou olhar! Frederico era seu amigo mais querido. Contudo, viera busca-lo para aquilo. - Fico pronto num instante, já fiz a barba. - E que barba, olha aí, cortou-se todo. Já tomou banho? - Não. - Ainda não?! Santo Deus. Bom, paciência, toma na volta que agora não vai dar tempo - exclamou Frederico empurrando-o para o quarto. (...) Você está pálido, Miguel, que palidez é essa? Nervoso. - Não. - Acho que a noiva está mais calma. - Você tem ai o convite? - Que convite? - Do casamento. - Claro qu não tenho convite algum, que é que você quer fazer com o convite? - Queria ver uma coisa... - Que coisa? Não tem quer ver nada, Miguel, estamos atrasadíssimos, eu sei onde é a igreja, sei a hora, que mais você quer? Nunca vi um noivo assim - resmungou Frederico atirando o cigarro pela janela. - E esse laço medonho, deixa que eu faço o laço... - Miguel entregou-lhe a gravata. Pensou em Vera! E se fosse a Vera? Verinha, a irmã caçula de Frederico, a mais bonita, a mais graciosa." (p.16) "Miguel encarou. "Que estranho. Lembrei-me de tantas! Mas justamente nela eu não tinha pensado..." Inclinou-se para beijá-la. 1964 (p.19) Conto N.º 2: Natal na Barca O narrador-personagem faz um passeio num barco sem querer lembrar por que estava naquela barca com pessoas humildes e de forte calor humano, crentes. "Era uma mulher com uma criança, um velho e eu." Com essas pessoas, ele aprende ou desperta coisas que até então, não imaginava que existisse a fé: "A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água. - Tão gelada - estranhei, enxugando a mão. - Mas de manhã é quente. Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Vi que suas roupas puídas tinham muito caráter, revestida de uma certa dignidade." "- Seu filho? - É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia consultar um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem, mas de repente piorou. Uma febre, só febre... - Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo, mas o olhar tinha a expressão doce. - Só sei que Deus não vai me abandonar." "- É o caçula? - É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu o muro, estava brincado de mágico quando de repente avisou, vou voar!? "Como não batasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável.Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos e aquelas mãos enérgicas. Inconselência? Uma obscura irritação me fez sorrir. - A senhora é conformada. - Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou. - Deus - repeti vagamente. - A senhora não acredita em Deus? - Acredito - murmurei. E ao, ouvir o som débil da minha afirmatica, sem saber porque, pertubei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela confiança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanha.." "Acordou o dorminhoco! E olha ai, deve estar agora sem nenhuma febre. - Acordou?! Ela teve um sorriso. - Veja... Inclinei-me. A criança abrira os olhos - aqueles olhos que eu vira cerrados. Tão definitivamente. E bocejava, esfrengando a mãozinha na face de novo corada. Fiquei olhando sem conseguir falar. - Então, bom Natal! - disse ela, enfiando a sacola. Encarei-a Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto Resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa. E acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na noite. Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim reiniciando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente." (p.21/23/24/25) Conto N.º 3: Venha ver o pôr-do-sol Ricardo é um rapaz misterioso, cheio de idéias mórbidas. Achou de levar a namorada para ver o pôr-do-sol no cemitério. Lá chengando, Raquel estranhou a idéias, insultou-o de cretino, louco. Passearam po todo o loca, visitaram alguns túmulos. Mas, para ver o pôr-do-sol teria que ser sobre o túmulo da família de Ricardo, pois lá esva sua prima. "- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertam todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo - acrescentou apontando as crianças na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa? Brandamente ele a tomou pela cintura. - Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr-do-sol mais lindo do mundo. Ele encarou-o um instante. Vergou a cabeça para trás numa risada. - Ver o pôr-do-sol!... Ah, meu Deus... Fabuloso!... Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longa para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma vez! E para quê? Para ver o pôr-do-sol num cemitério..." (p.27) "- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende. - Mas eu pago. - Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi esse passeio porque é de graça e muito descente, não pode haver um passeio mais descente, não concorda comigo? Até romântico. Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava." (p.28) "Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás. - Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! - ordenou, torcendo o trinco. - Detesto este tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira estúpida!" (p.33) "Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuindo. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque. - Boa noite, Raquel. - Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo. - Cretinho! Me dá a chave desta porcaria, vamos!" "E, de repente, o grito medonho, inumano: - NÃO! Durantante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou antento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda." (p.34) Conto N.º 4: As Formigas Umas estudantes chegaram a um pensionato com o fim de ali se alojarem. A dona da casa foi mostrar-lhe o quarto. Em baixo da cama ficou uma caixa de ossos ao estudante anterior que terminara mediciana. Como uma das estudantes fazia medicina, a mulher oferecu-lhe e ela aceitou. A estudante examina os osso e viu que parecia de criança, na verdade eram de um anão. Havia um cheiro indescritível. À noite surgem umas formiguinhas enturmads se dirifiam ao caixotinho de ossos. As moças tentavam matar as formigas, mas tantas outras apareciam para o mesmo fim. Só que os ossinhos não se encontravam na mesma posição que ela deixara. Isso asobrou a estudante de Direito que, vendo os ossinhos formando um "ANÃO", ela se desesperou para sair da pensão mesmo na madrugada já que havia tido um pesadelo com o anão dentro de seu quarto. "- (...) E ficou olhando dentro do caixotinho. - Esquisito. Muito esquisito. - O quê? - Me lembro que botei o crânio em cima da pilha, me lembro que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está ai no chão do caixote, com uma omoplata de cada loado. Por acaso você mexeu aqui? - Deus me livre, tenho nojo de osso. Ainda mais de anão." (p.38) "Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava... - Que foi? Fala de pressa, o que foi? Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama. - Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante. Vamos embora daqui.. -Você está falando sério? - Vamos embora, já arrumei as malas A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados. - Mas sair assim, de madrugada? Pordemos sair assim? - Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde. Vamos, levanta. - E para onde a gente vai? - Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isso, temos que sair antes que o anão fique pronto. Olhei de longe a trilha: nunca elas pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro vinha do quarto, deixamos a porta aberta. Foi o gato que miou comprido ou foi um grito? No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela nos via, o outro olho era pebumbra." 1977 (p.41/42) Conto N.º 5: O jardim selvagem Tio Ed casara-se com Daniela sem avisar à famíla. Era um quarentão, medroso e inseguro. Muito envolvido com a família: Tia Pombinha e a sobrinha. Têm o tempo fofocando sobre a vida da famíla. Tia Pombinha sonha com dente, que isso não é nada bom. Semanas depois ela recebe a notícia do suicídio do Tio ED. "- Ele parece feliz, sem divida, mas ao mesmo tempo me olhou de um jeito... Era como se quisesse me dizer qualquer coisa e não tivesse coragem, senti isso com tanta força, que meu coração até doeu, quis perguntas, oque foi, Ed! Pode me dizer, o que foi? Mas ele só me olhava e não disse nada. Tive a impressão de que estava com medo. - Com medo de que? - Não sei, não sei, mas foi como se eu estivesse vendo Ed menino outra vez. Tinha pavor do escuro, só queria dormir de luz acesa. Papai proibiu essa história de luz e não me deixou mais ir lá fazer copanhia, achava que eu poderia estragá-lo com muito mimo. Mas uma noite não resisti escondida no quarto. Estava acordado, sentado na cama. Quer que eu fique aqui até dormir? Perguntei. Pode ir embora, disse, já não me importo mais de ficar no escuro. Então dei-lhe um beijo, como fiz hoje. Ele me abraçou e me olhou do mesmo jeito que me olhou agora, querendo confessar que estava com medo. Mas se coragem de confessar." (p.44/45) "- Ai é que está... Quem é qque pode saber? Ed sempre foi muito discreto, não é de se abrir com a gente, ele esconde. Que moça será essa?!" - E não é bom? Isso de ser meio velha. Balançou a cabeça com ar de quem podia dizer ainda um montão de coisas sobre essa questão de idade. Mas preferia não dizer. - Hoje de manhã, quando você estava na escola, a cozinheira deles passou po aqui, é amiga de Conceição. Contou que ela se veste nos melhores costureiros, só usa pergume francês, toca piano... Quando estiveram na chácara, nesse último fim de semana, ela tomou banho nua debaixo da cascata. - Nua? - Nuinha. Vão morar lá na chácara, ele mandou reformar tudo, diz que a casa ficou uma casa de cinema. e é isso que me preocupa, Ducha. Que fortuna não estarão gastando nessas loucuras? Cristo-Rei, que fortuna! Onde é que ele foi encontrar essa moça? - Mas ele não é rico? - Ai é que está... Ed não é tão rico quanto se pensa. Dei de ombros. Nunca tinha pensado antes no assunto." "- Diz que anda sempre com uma luva na mão direita, nãot tira nunca a luva dessa mão, nem dentro de casa. Sentei-me na cama. Esse pedaço me interessa. - Usa uma luva? - Na mão direita. Diz que tem dúzias de luva, cada qual de uma cor, combinando com o vestido. - E não tira nem dentro de casa? - Já amanhece com ela. Diz que teve um acidente com essa mão, deve ter ficado algum defeito..." (p.45/46) "Tia Pombinha tinha ido ao mercado, pudemos falar à vontade enquanto Conceição fazia o almoço. - Seu tio é muito bom, coitado. Gosto demais dele - começou ela enquanto beliscava um bolinho que Conceição tirara da frigideira. - Mas não combino com dona Daniela. Fazer aquilo com o pobre cachorro, não me conforma! - Que cachorro? - O Kleber, lá da chácara. Uma cachorro tão engraçadinho, coitado. Só porque ficou doente e ela achou que ele estava sofendo... Tem cabimento fazer isso com um cachorro? Conto N.º 7: Antes do Baile Verde Lulu precisa ir ao baile, fantasiada e escolhe um modelo com muitos bordados em lantejoulas. Foi em busca dos favores de uma preta que já esva pronta para o desfile, aguardando seu amor Raimundo chegar. Enquanto isso o pai de Lu estava muito doente entre a vida e a morte. Tatisa (a preta) não conversava outra coisa senão sobre o estado de saúde do pai de Lu. Esta ficava irritada, porque não queria perder o baile. "- Tenho que ir, Tatisa! - Espera, já disse que estou pronta - repetiu, baixando a voz. - Só vou pegar a bolsa... - Você vai deixar a luz acessa? - Melhor, não? A casa fica mais alegre assim. No topo da escada ficaram mais juntas. Olharam na mesma direção: a porta estava fechada. Imíveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram fechada. Imóveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram fechada. Imóveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram ouvindo o relógio da sala. Foi a preta quem se moveu. A voz era um sopro: - Quer ir dar um espiada, Tatisa? - Vá você, Lu... Trocaram um rápido olhar. Bagas de suor escorriam pelas têmperos verdes da jovem, um suor turvo como sumo de uma casca de limão. O som prolongado de uma buzin foi-se fragmentando lá fora. Subiu poderoso o som do relógio. Brandamente e empregada desprendeu-se da mão da jovem. Foi descendo a escada na ponta dos pés. Abriu a porta da desprendeu-se da mão da jovem. Foi descendo a escada na ponta dos pés. Abriu a porta da rua. - Lu! Lu! - a jovem chamou num sobre salto. Continha-se para não gritar. - Espera ai, já vou indo! E apoiando-se ao corrimão, colada a ele, desceu precipitadamente. Quando bateu a porta atrás de si, rolaram pela escada algumas lantejoulas verdes na mesma direção, como se quisessem alcança-la." (p.68/68) Conto N.º 8: Menino Um menino conversador, saiu para acompanhar a mãe no cinema. Não se acamodou bem no lugar escolhido pela mãe e tratou de mudar de posição sempre que não estivesse vendo a tela. Impaciente, ele ainda se depara com um homem que se senta ao lado de sua mãe. Ele procura atrapalhar as explicações da mãe porque não estava se sentindo bem. Ao retornar a casa, teve vontade de contar tudo ao pai. Mas, eles não se relacionavam muito bem. O pai demonstra-lhe muita confiança na mulher e ele concluiu que seus pais são felizes mesmo que houvesse traição. "- E então, meu amor, lendo o seu jornalzinho? - perguntou ela, beijando o homem na face. - Mas a luz está muito fraca? - A lâmpada maior queimou, liguei essa por enquanto - disse ele, tomando a mão da mulher. Beijou-a demoradamente. - Tudo bem? - Tudo bem. O menino mordeu o lábio até sentir gosto de sangue na boca. Como nas outras noites, igual. - Então, meu filho? Gostou da fita? - perguntou o pai, dobrando jornal. Estendeu a mão ao menino e com a outra começou a acariciar o braço da mulher. - Pela sua cara, desconfio que não. - Gostei, sim. - Ah, confessa, filhote, você detestou, não foi? - contestou ela. - Nem eu entendi direito, uma complicação dos diabos, espionagem, guerra, mágia... Você não podia ter entendido. - Entendi. Entendi tudo - eles quis gritar e vaoz saiu um sopro tão débil que só ele ouviu. - E ainda com dor de dente! - acrescentou ela, desprendendo-se do homem e subindo a escada. - Ah, já ia esquecendo a aspirina! O menino voltou para a escada os olhos cheios de lágrimas. - Que é isso? - estranhou o pai. - Parece até que você viu assombração. Que foi? O menino encarou-o demoradamente. Aquele era o pai. O pai. Os cabelos grisalhos. Os óculos pesados. O rosto feio e bom. - Pai... - murmurou, aproximando-se. E repetiu num fio de voz: - Pai... - Mas meu filho, que aconteceu? Vamos, diga! - Nada, nada. Fechou os olhos para prender as lágrimas. Envolveu o pai num apertado abraço." (p.78) veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Obra-chave dentro da produção de Drummond, A rosa do povo, publicada em 1945, reflete a maturidade que o poeta alcançou desde sua estréia. Nela, conforme já se afirmou, além de acentuado progresso técnico-formal, estão presentes duas conquistas decisivas para a evolução de nossa literatura: o realismo social, particularmente penetrante e que não se restringe, apenas ao lirismo da poesia engajada; a poesia metapoética, alimentada pela reflexão introspectiva sobre o sentido da escrita como obra de arte. Este é o mais extenso e o mais variado dos livros de Drummond ( 55 poemas, alguns longos). Nele desfilam os principais temas de sua obra; o verso livre e a estrofação irregular alternam com versos de métrica tradicional dispostos em estrofes regulares; o estilo ora é "puro"(elevado, "poético" ), ora é "mesclado"(mistura de elevado e vulgar, sério e grotesco). Livro difícil, é dos mais discutidos e apreciados da poesia moderna brasileira. Obra de linguagem poética com participação social. Os poemas de A rosa do povo foram escritos nos anos sombrios da ditadura de Vargas e da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos provocam o poeta, que se aproxima da ideologia revolucionária anticapitalista de inspiração socialista, e manifesta sua revolta e sua esperança em poemas indignados e intenso.

Temas: eu-estar no mundo ( o amor, a família, o tempo, a velhice), a metapoesia (poesia pela própria poesia), eu igual ao mundo,... Portanto, em A rosa do povo, o poeta testemunha sua reação ante a dor coletiva e a miséria do mundo moderno, com seu mecanismo, seu materialismo, sua falta de humanidade. Essa fase enriqueceu sua essencialidade lírica e emocional, e, através da profunda consciência artística, o poeta atingiu a plenitude, a cristalização, a humanização, sob a forma suave e terna, em que o itabirano mergulha no lençol profundo de sua província e de seus antepassados, para melhor compreender a "máquina do mundo", a angústia de seu tempo, o desarvoramento do homem contemporâneo, com um largo sentimento de fraternidade. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


Vasco da Silva deseja matar Lopo Mendes, que tinha casado com Leonor , sua bem- amada; também queria vingar o pai, ofendido por um cavaleiro que, ainda por cima, tinha abusado de sua irma Beatriz. Depois que assassina o rival, Vasco se arrepende profundamente, e torna-se padre. Enquanto isso , o sedutor de Beatriz - Fernando Afonso - a abandona. D. João de Ornelas , abade de Alcobaça, incentiva o ódio de Vasco, dizendo - lhe que Fernando Afonso era amante de Leonor ( a mulher que Vasco nunca deixara de amar) . Beatriz morre e Vasco conta ao rei D. João Ï o tenebroso, nefando, terrível e maldoso, além de maléfico, passado de Fernando Afonso, que é condenado a morrer queimado, ou seja na fogueira. Por fim - uff! - Vasco morre e a narrativa acaba . A ação do romance transcorre no século XIV ( 1385). Com seus 3 romances históricos - Eurico, o Presbítero , O Monge de Cister e O Bobo - Herculano pretendia reconstituir a história de Portugal, desde as lutas da reconquista do território aos árabes invasores, até o final da Idade Média, com a formação do Estado português. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Tamino é um jovem príncipe que está prestes a se tornar rei. Para isso, precisa passar por uma prova de sabedoria no templo do temível bruxo Sarastro, na qual terá que enfrentar muitos perigos. Perigo ainda maior é a paixão proibida por Pamina, a princesa prisioneira de Sarastro, filha da poderosa Rainha da Noite. Será que a flauta mágica ajudará Tamino a vencer tantos obstáculos? veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Mais do que meros pseudônimos, outros nomes com os quais um autor assina sua obra, os heterônimos são invenções de personagens completos, que têm uma biografia própria, estilos literários diferenciados, e que produzem uma obra paralela à do seu criador. Fernando Pessoa criou várias dessas personagens. Três deles foram excelentes poetas e seus poemas estão nesta antologia, lado a lado com os que Pessoa assinava com seu próprio nome. Os estudiosos seguem discutindo por que Pessoa teria criado seus heterônimos. Seria esquizofrenia? Psicografia? Uma grande piada? Um genial jogo de marketing poético? De certo, sabemos que a genialidade de Fernando Pessoa é grande demais para caber em um só poeta. Como bem o sintetizou o seu heterônimo mais atribulado, Álvaro de Campos: "Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas, Quanto mais personalidades eu tiver, Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver, Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas, Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento, Estiver, sentir, viver, for, Mais possuirei a existência total do universo, Mais completo serei pelo espaço inteiro fora." Além disso, Fernando Pessoa viveu durante os primórdios do Modernismo, uma época em que a arte se fragmentava em várias tendências simultâneas, as chamadas Vanguardas: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo e muitas outras.

A arte, no momento da explosão das inúmeras vanguardas modernistas por todo o mundo, também se dividia e se multiplicava. Fernando Pessoa, introdutor das vanguardas modernistas em Portugal, ao se dividir, levou a fragmentação da arte moderna às últimas conseqüências. Alberto Caeiro (1889 - 1915) Fernando Pessoa explicou em detalhes a "vida"de cada um de seus heterônimos. Assim apresenta a vida do mestre de todos, Alberto Caeiro: "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso." Pessoa cria uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia, como podemos observar nos 49 poemas da série O Guardador de Rebanhos, incluída por inteiro nesta antologia. Segundo Pessoa, foram escritos na noite de 8 de março de 1914, de um só fôlego, sem interrupções. Esse processo criativo espontâneo traduz exatamente a busca fundamental de Alberto Caeiro: completa naturalidade. "Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem por que ama, nem o que é amar..." Caeiro escreve com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista. Assim, constantemente opõe à metafísica o desejo de não pensar. Faz da oposição à reflexão a matéria básica das suas reflexões. Esse paradoxo aproxima-o da atitude zen-budista de pensar para não pensar, desejar não desejar: "Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber que o não sabem?" Caeiro coloca-se, portanto, como inimigo do misticismo, que pretende ver "mistérios" por trás de todas as coisas. Busca precisamente o contrário: ver as coisas como elas são, sem refletir sobre elas e sem atribuir a elas significados ou sentimentos humanos: "Os poetas místicos são filósofos doentes, E os filósofos são homens doidos. Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem E dizem que as pedras têm alma E que os rios têm êxtases ao luar. Mas as flores, se sentissem, não eram flores, Eram gente; E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras; E se os rios tivessem êxtases ao luar, Os rios seriam homens doentes." É importante lembrar que os poetas simbolistas, que antecederam Fernando Pessoa, estavam impregnados de forte misticismo, herdado da poesia romântica. Enquanto românticos e simbolistas carregavam seus poemas de religiosidade, Alberto Caeiro procura, de forma coerente e lógica, afastar-se da reflexão sobre Deus. "Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou..." Seguindo esta linha de pensamento religioso, Caeiro escreve um poema muito ousado sobre o menino Jesus. No poema VIII de O Guardador de Rebanhos, destituído de santidade, Cristo é representado como uma criança normal: espontânea, levada, brincalhona e alegre. Nisso, está a religiosidade de Caeiro. Em perfeita consonância com sua busca de simplicidade e espontaneidade, Alberto Caeiro escreve versos livres (sem métrica regular) e brancos (sem rimas). Ricardo Reis (1887 - 1935?) Se Alberto Caeiro era um camponês autodidata desprovido de erudição, seu discípulo Ricardo Reis era um erudito que insistia na defesa dos valores tradicionais, tanto na literatura quanto na política. De acordo com Pessoa: "Ricardo Reis nasceu no Porto. Educado em colégio de jesuítas, é médico e vive no Brasil desde 1919, pois expatriou-se espontaneamente por ser monárquico. É latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria." Discípulo de Caeiro, Reis retoma o fascínio do mestre pela natureza pelo viés do neoclassicismo. Insiste nos clichês árcades do Locus Amoenus (local ameno) e do Carpe Diem (aproveitar o momento). Neoclássico, Reis busca o equilíbrio, a "Aurea Mediocritas" ( equilíbrio de ouro) tão prezada pelos poetas do século XVIII. A busca da espontaneidade de Caeiro transforma-se em Reis, na procura do equilíbrio contido dos clássicos. Deixa de ser uma simplicidade natural e passa a ser estudada, forjada através do intelecto: "Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim como em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive." A linguagem de Ricardo Reis é clássica. Usa um vocabulário erudito e, muito apropriadamente, seus poemas são metrificados e apresentam uma sintaxe rebuscada. Os poemas de Reis são odes, poemas líricos de tom alegre e entusiástico, cantados pelos gregos, ao som de cítaras ou flautas, em estrofes regulares e variáveis. Nelas, convida pastoras como Lídia, Neera ou Cloe para desfrutar de prazeres contemplativos e regrados: "Prazer, mas devagar, Lídia, que a sorte àqueles não é grata Que lhe das mãos arrancam. Furtivos, retiremos do horto mundo Os deprendandos pomos." As odes de Reis, como as de Píndaro, recorrem sempre aos deuses da mitologia grega. Este paganismo, de caráter erudito, afasta-se da convicção de Alberto Caeiro de que não se deve pensar em Deus. Para Ricardo Reis, os deuses estão acima de tudo e controlam o destino dos homens: "Acima da verdade estão os deuses. Nossa ciência é uma falhada cópia Da certeza com que eles Sabem que há o Universo. Álvaro de Campos (1890 - 1935?) Fernando Pessoa nos informa que Álvaro de Campos: "Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inatividade." Como normalmente acontece com os poetas de carne e osso, o heterônimo Álvaro de Campos apresenta três fases distintas em sua poesia. De início é influenciado pelo decadentismo simbolista, depois pelo futurismo e por fim, amargurado, escreve poemas pessimistas e desiludidos. No poema Opiário, o engenheiro Campos, influenciado pelo simbolismo, ainda metrifica e rima. Escreve quadras, estrofes de quatro versos, de teor autobiográfico e já se apresenta amargurado e insatisfeito: "Eu fingi que estudei engenharia. Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda. Meu coração é uma avozinha que anda Pedindo esmolas às portas da alegria." Campos em seguida envereda pelo futurismo, adotando um estilo febril, entre as máquinas e a agitação da cidade, do que resultam poemas como Ode Triunfal: "À dolorosa luz das lâmpadas elétricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos." Desta fase são também a Ode Marítima e a Saudação a Walt Whitman. Homenageando o grande escritor norte-americano, Campos, além de se referir ao conhecido homossexualismo de Whitman, de que parece comungar, revela uma das mais fortes influências sobre o seu estilo: Os poemas de Álvaro de Campos são marcados pela oralidade e pela prolixidade que se espalha em versos longos, próximos da prosa. Despreza a rima ou métrica regular. Despeja seus versos em torrentes de incontrolável desabafo. A última fase do heterônimo Álvaro de Campos, em que pontifica o poema Tabacaria, apresenta um poeta amargurado, refletindo de forma pessimista e desiludida sobre a existência: "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Assim como Ricardo Reis, também Álvaro de Campos confessa-se discípulo de Alberto Caeiro. Mas se Reis envereda pelo neoclassicismo ao tentar imitar o mestre, Campos se revela inquieto e frustrado por não conseguir seguir os preceitos de Caeiro. No poema que se inicia pelo verso "Mestre, meu mestre querido", dialoga com Caeiro, revelando toda sua angústia: "Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade. Meu coração não aprendeu nada. (...) A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Um dos romances bastantes brasileiros em que Alencar dá expansão ao seu gênero de pincelador retratando com belas e radiantes cores a paisagem do sertão um destemido vaqueiro a serviço capitão-mor Arnaldo Campelo que enfrenta os mais sérios riscos na esperança de constar a simpatia da filha do fazendeiro. Arnaldo tem destaque nas cavalhadas a maneira medieval de Ivone famosas liças. Marcos Fragoso se faz seu único rival. Afinal Dona Flor é prometida a Leandro Barbilho. No instante casamento, surge os inimigos de Campelo. Encerra o tiroteio, morre Leandro Barbalho, Dona Flor lamente enquanto Arnaldo tenta consolá-la. O trecho selecionado permitirá a análise do relacionamento exixtente entre Arnaldo e D. Flôr. Possibilitando-nos a comparação com o trecho de Inocência. "Já tinham soado no sino da capela as últimas badaladas do toque de recolher. Por toda a fazenda da Oiticica , sujeita a um certo regime militar, apagavam-se os fogos e cessava o burburinho da labutação quotidiana. Só nas noites de festa dispensava o capitão-mor essa rigorosa disciplina, e dava licença oara is sanbasm que então por desforra atravessavam de sol a sol. Era uma noite de escuro; mas como o são as noites do sertão, recamadas de estrelas rutilantes, cujas centelhas se cruzam e urdem como a finíssima teia de uma lhama acetinada. A casa principal acabava de fechar-se e das portas e janelas apenas escapavam-se pelos interstícios uma réstias de luz, que iam a pouco extinguindo-se . Nesse momento um vulto oscilou na sombra, e coseu-se à parece que olhava para o nascente. Era Arnaldo. Resvalando ao longo do outão, chegara à janela do camarim de D. Flôr, e uma força irresistível o deteve ali. No gradil das rótulas recendia um breve perfume, como se por ali tivesse coado a brisa carregada das exalações da baunilha. Arnaldo adivinhou que a donzela antes de recolher-se, viera respirar a frescura da noite e encostara a gentil cabeça na gelosia , onde ficara a fraguância de seus cabelos e de sua cútis acetinada. Então o sertanejo, que não se animaria nunca a tocar esses cabelos e essa cútis, beijou as grades para colher aquela emanação de D. Flôr, e não trocaria decerto a delícia daquela adoração pelas voluptuosas carícias da mulher mais formosa. Aplicando o ouvido percebeu o sertanejo no interior do aposento um frolico de roupas, acompanhado pelo rumor de um passo breve e sutil. D. Flôr volvia pelo aposento. Naturalmente ocupada nos vários aprestos do repouso da noite. Um doce sussuro,como da abelha ao seio do rosal, advertiu a Arnaldo que a donzela rezava antes de deitar-se e involuntariamente também ajoelhou-se para rogar a Deus por ela. Mas acabvou suplicando a flôr perdão para a sua ternura. Terminada a prece a donzela aproximou-se do leito. O amarrotar das cambraias a atulharem-se indicou ao sertanejo que Flor despia as suas vestes e ia trocá-las pela roupa de dormir. Atraves das abas da janela, que lhe escondiam o aposento, enxergou com os olhos d'álma a donzela, naquele instante em que os castos véus a abandonavam; porém seu puro o céu azul ao deslize de uma nuvem branca de jaspe surgisse uma estrela. A trepidação da luz cega; e tece um véu cintilante, porém mais espesso do que a seda e o linho. Cessaram de todo os rumores do aposento, sinal de que D.Flôr se havia deitado/ Ouvindo um respiro brando e sutil como de um passarinho, conheceu Arnaldo que a donzela dormia o sono plácido e feliz. Só então afastou-se para acudir ao emprazamento que recebera" veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Escrita em apenas 15 dias, no ano de 1978, Um copo de cólera é a novela essencial da literatura moderna e contemporânea. Nas palavras do escritor: "Disse que escrevi a narrativa em quinze dias, mas esses quinze dias foram só o tempo de descarga. É que a novela deveria estar em estado de latência na cabeça, e sabe-se lá quanto tempo levou se carregando, ou se nutrindo - de coisas amenas, está claro - e se organizando em certos níveis, até que aflorasse à consciência". Mais uma vez, a exemplo de Lavoura Arcaica, a carga ideológica opositiva entre amantes - neste caso - marca e dá consistência à obra de Raduan Nassar. Aqui, não mais um filho adolescente descobrindo a delinqüência corporal e moral da existência, e sim um adulto, calcado, machucado pelos reversos do tempo. Seria talvez esse adulto o adolescente que fora André em Lavoura Arcaica? Muito se indaga a esse respeito, mas evidências ainda estão por vir à tona para corroborar a questão. Mas semelhanças, de fato, existem. Na contramão do discurso ideológico do adulto está sua amante, afeita às causas sociais, e aos discursos cristalizados da modernidade em geral, lutando para imprimir seu verbo latente, e vice-e-versa. O estopim do "esporro" entre os dois se dá num dia aparentemente calmo, após uma convulsiva noite de sexo, ao se encontrarem na mesa do café, num silêncio constrangedor, pela manhã. O que tira a ordem do dia é justamente um bando de formigas que estraga a cerca viva que ele havia feito no quintal.

O impulso voraz com que se envolve com o acontecido provoca na amante indignação suficiente para indagar a respeito do desvairio. Daí se cria o terreno propício para o verbo escandalizado vir à tona. Ele se enlouquece com a organização ordeira das formigas, transportando todo esse furor à amante que, não menos desvairada, enfrenta a discussão armada com alfinetes politizados: "Só um idiota recusaria a precariedade sob controle, sem esquecer que no rolo da vida não interessam os motivos de cada um - essa questãozinha que vive te fundindo a cuca - o que conta mesmo é mandar a bola pra frente, se empurra também a história co'a mão amiga dos assassinos; aliás teus altíssimos níveis de aspiração, tuas veleidades tolas de perfeccionista tinham mesmo de dar nisso: no papo autoritário dum reles iconoclasta - o velho macaco na casa de louças, falando ainda por cima nesse tom trágico como protótipo duma classe agônica... sai de mim, carcaça" A cólera a que remete o título da novela corresponde ao fluxo verbal que toma conta das personagens nesse momento de fúria, onde razão e emoção não mais se dissociam, e tornam-se, sobretudo, uma massa amorfa que tem como alvo a destruição do outro, ou ainda, a autodestruição. Como resultado do embate, restam, nas almas desgastadas, um barulhento silêncio e um abarrotado vazio. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Fogo Morto (1943) é a obra-prima de José Lins do Rego. Como romance de feição realista, esse livro procura penetrar a superfície das coisas e revelar o processo de mudanças sociais por que passa o Nordeste brasileiro, num largo período que vai desde o Segundo Reinado, incluindo a Revolução Praieira e a Abolição, até as primeiras décadas do século XX. O tema central de Fogo Morto é o desajuste das pessoas com a realidade resultante do declínio do escravismo nos engenhos nordestinos, nas primeiras décadas do século XX. O romance conta a história de um poderoso engenho, o Santa Fé, desde sua fundação até o declínio, quando se transforma em "fogo morto", expressão com que, no Nordeste, designam-se os engenhos inativos. Retomando o espírito de observação realista, o autor produz um minucioso levantamento da vida social e psicológica dos engenhos da Paraíba. Em virtude do apego ao cotidiano da região, Fogo Morto apresenta não apenas valor estético, mas também interesse documental. Fogo Morto não se esgota na classificação de romance regionalista, embora essa seja uma noção correta. Há outros componentes importantes na obra, a partir dos quais se pode enquadrá-la numa tipologia consagrada. Talvez o mais ilustre antecedente de Fogo Morto na literatura brasileira seja O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo.

Em que sentido? No sentido de tomar uma personagem coletiva como objeto de análise. Assim como Aluísio investiga o nascimento, vida e morte de um cortiço do Rio de Janeiro, José Lins penetra no surgimento, plenitude e declínio do Engenho Santa Fé, localizado na zona da mata da Paraíba. Com efeito, o engenho parece possuir vida própria, embora suas células sejam as pessoas que o formam. Como análise quer dizer decomposição, o autor decompõe as pessoas como forma de expor a constituição do todo. Por essa perspectiva, Fogo Morto tanto pode ser entendido como um romance social quanto psicológico. Em rigor, uma categoria não existe sem a outra. O livro é forte em ambas as dimensões. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Pedro Bandeira (de Luna Filho) nasceu em Santos, SP, em 9 de março de 1942, onde dedicou-se ao teatro amador, até mudar para São Paulo a fim de estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Morando então na capital, casou-se com Lia, com quem teve três filhos: Rodrigo (31) e Marcelo e Maurício (28). Ah! E tem duas netinhas: Melissa e Michele.

Além de professor, trabalhou em teatro profissional até 1967 como ator, diretor, cenógrafo e com teatro de bonecos. Mas desde 62, Pedro já trabalhava também na área de jornalismo e publicidade, começando na revista Última Hora e depois na editora Abril, onde escreveu para diversas revistas e foi convidado a participar de um coleção de livrinhos infantis.

O primeiro livro O dinossauro que fazia au-au, voltado para as crianças, fez um grande sucesso. Mas foi com A Droga da Obediência, voltado para adolescentes - que ele considera seu público alvo - que ele se consagrou. Até julho do ano passado, o livro estava prestes a atingir a marca de 1 milhão de exemplares vendidos em todo o País.

Desde então, a partir de 1983, Pedro Bandeira dedicou-se inteiramente à literatura. Ele garante que a experiência em jornais e revistas o ajudaram como escritor, uma vez que o jornalista é obrigado a estar preparado para escrever sobre quase tudo. "Eu fazia de tudo: escrevia para revista de adolescente e para publicações técnicas. Fui aprendendo a criar um estilo para cada público. Também fui estudar psicologia e educação para entender em que faixa etária a criança acha o pai herói, com qual idade acha ele um idiota e quando está pronta para questionar tudo e todos. Sem esse conhecimento é impossível criar um personagem com o qual o leitor que você pretende atingir se identifique".

A inspiração para cada história, segundo o autor, vinha de livros que leu e nos acontecimentos de sua própria vida. Criatividade nunca faltou ao santista, mas quando isso acontece, Pedro abre o e-mail de seu computador e começa a ler as mais de 300 mensagens e cartas que recebe semanalmente de seus leitores de todo Brasil. "Às vezes tiro idéias das cartas porque o conteúdo das mensagens são os mais diversos. Tem quem pede conselho sentimental, outros dizem que não se dão bem com os pais e já recebi até carta de presidiário. Tento responder a todas".

Pedro Bandeira é o autor de Literatura Juvenil mais vendido no Brasil (8,6 milhões de exemplares até 2002) e, como especialista em letramento e técnicas especiais de leitura, profere conferências para professores em todo o Brasil. Já escreveu mais de 50 livros, entre eles a série Os Karas, A marca de uma lágrima, Agora estou sozinha..., A hora da verdade e Prova de Fogo. Atualmente vive em São Roque. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Paulo Freire
INTRODUÇÃO
“Qual a herança que posso deixar? Exatamente uma. Penso que poderá ser dito quando já não esteja no mundo: Paulo Freire foi um homem que amou. Ele não podia compreender a vida, a existência humana sem amor e sem a busca de conhecimento. Paulo Freire viveu, amou tentou saber. Por isso mesmo, foi um ser constantemente curioso. É isto o que espero seja a expressão de minha passagem pelo mundo. Mesmo quando tudo o que tenha dito e escrito sobre educação possa haver mergulhado no silêncio”.
(Paulo Freire)
BIOGRAFIA
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.
Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular.
Durante toda a década de 1950. Paulo Freire vinha acumulando experiência no campo da alfabetização de adultos em áreas urbanas e rurais próxima a Recife, experimentando novos métodos,. Técnicas e processos de comunicação. A partir de 1961, o método já estruturado foi posto em pratica no Recife.
Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países.
Em 1962, estendeu-se a João Pessoa, Paraíba, e a Natal no /Rio Grande do Norte, onde se desenvolveu a campanha “de pé no chão também se aprende a ler”. Mas a experiência que deu divulgação nacional ao novo método foi a realizada em Angicos, no Rio grande do Norte, cujo encerramento contou com a presença do Presidente da Republica. Essas foram suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.
Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.
Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram na época, para a superação do analfabetismo.
Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina do PT.
Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.
Pedagogia do Oprimido
Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar a vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade.
O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.
A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem cheias; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.
Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objeto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.
Método Paulo Freire
A idéia básica do Método Paulo Freire é a educação do processo educativo as características do meio. O método era simples, começa a por localizar e recruta os analfabetos residentes na área escolhida para os trabalhos de alfabetização. As palavras dos entrevistados, respondidas nas questões sobre as experiências vividas na família, no trabalho, nas atividades religiosas, políticas, recreativa, etc.o conjunto das entrevistas fornece a equipe de educadores uma extensa relação das palavras de uso corrente na localidade. Essa relação era entendida como representativa do universo vocabular local. E dela se extraiam as palavras geradoras – unidade básica na organização do programa de atividades e na futura orientação dos debates que teriam lugar nos círculos de cultura.
As palavras geradoras selecionadas eram aproximadamente dezessete. Dentre elas, eram mais freqüentes: eleição, voto polvo, governo, tijolo, enxada, panela, cozinha. Cada uma dessas palavras era dividida em sílabas; estas eram reunidas em composição diferentes, formando novas palavras. A discussão das situações sugeridas pelas palavras geradoras permitia que o indivíduo se conscientizasse da realidade em que vivia e de sua participação na transformação dessa realidade, o que tornava mais significativo e eficiente o processo de alfabetização. Era o próprio adulto que se educava, orientado pelo coordenador de debates, o professor, mediante a discussão de suas experiências de vida com outros indivíduos que participavam, das mesmas experiências.
No método PAULO FREIRE as palavras geradoras são escolhidas após pesquisa no meio ambiente. Assim, por exemplo, numa comunidade que vive em favela, a palavra FAVELA é geradora porque, evidentemente, está associada às necessidades fundamentais do grupo, tais como: habitação, alimentação, vestuário, transporte, saúde e educação.

Se houver possibilidade de utilizar um “slide”, projeta-se a palavra FAVELA e, logo em seguida a sua separação em sílabas: FA-VE-LA. O educador passa, então, a pronunciar as sílabas em voz alta, o que é repetido, várias vezes, pelos educandos.

Em seguida, projeta-se a palavra dividida em sílabas, na posição vertical :
FA
VE
LA
Completando o quadro com os respectivos fonemas:
FA FE FI FO FU
VA VE VI VO VU
LA LE LI LO LU
A partir daí, o grupo passa a criar outras palavras, como FALA, VALA, VELA, VOVO, VIVO, LUVA, LEVE, FILA, VILA.
Outro exemplo, adaptável ao meio ambiente, é a palavra TRABALHO OU SALÁRIO.
TRA TRE TRI TRO TRU
BA BE BI BO BU
LHA LHE LHI LHO LHU
E assim por diante, vai-se fazendo, também a formação de palavras com fonemas já usados em palavras apresentadas anteriormente. Essas palavras constituem o que se chama FICHAS DE CULTURA, que podem ser acompanhadas de desenhos respectivos, por exemplo: CA – SA.
As palavras geradoras não precisam ser muitas: de 16 a 23 é o bastante. No conjunto, elas devem atender a três critérios básicos de escolha :
• a riqueza fonêmica da palavra geradora;
• as dificuldades fonéticas da língua;
• e do sentido pragmático dos exercícios.
Na medida em que o aprendizado vai se desenvolvendo, forma-se um “circuito de cultura entre educadores e educandos, possibilitando a colocação de temas geradores para discussão através do diálogo. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos vai levando a educando a conscientização dos problemas que o cercam, à compreensão do mundo e ao conhecimento da realidade social. Fica claro, então, que a alfabetização é o do programa de educação. Uma idéia desse contexto pode ser visualizada na discussão da palavra geradora SALÁRIO, vejamos: 1) Idéias para discussão :
1) Idéias para discussão :
• valorização do trabalho e recompensa;
• finalidade do salário: manutenção do trabalhador e de sua família;
• horário de trabalho;
• o salário mínimo, o 13º salário;
• repouso semanal e férias. 2)Finalidade da conversa:
2) Finalidade da conversa :
• discutir a situação do salário dos trabalhadores;
• despertar no grupo o conhecimento das leis trabalhistas;
• levar o grupo a exigir salários justos.
Evidentemente, o sentido pedagógico do método Paulo Freire é a politização do trabalhador, único meio de fortalecer a classe dos oprimidos e dar-lhe armas para lutar pela revolução social, contra as desigualdades e a favor da liberdade.
PRINCIPAIS IDÉIAS
Segundo Paulo Freire, a educação é uma prática política tanto quanto qualquer prática política é pedagógica. Não há educação neutra. Toda educação é um ato político.
Assim, sendo, os educadores necessitam construir conhecimentos com seus alunos tendo como horizonte um projeto político de sociedade. Os professores, são, portanto, profissionais da pedagogia da política, da pedagogia da esperança.
Sua pedagogia tem sido conhecida como Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Liberdade, Pedagogia da Esperança. Paulo Freire é autor de uma vasta obra, traduzida em vários idiomas.
Em seus trabalhos, Freire defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de informações do professor sobre o aluno. Esta "pedagogia bancária" , segundo Freire, não leva em consideração os conhecimentos e a cultura dos educadores.
Respeitando-se a linguagem, a cultura e a história de vida dos educandos pode-se levá-los a tomar consciência da realidade que os cerca, discutindo-a criticamente. Conteúdos, portanto, jamais poderão ser desvinculados da vida.
Tanto quanto Freinet, Paulo Freire cultiva o nexo escola/vida, respeitando o educando como sujeito da história.
As pessoas podem não ser letradas mas todas estão imersas na cultura e, quando o educador consegue fazer a ponte entre a cultura dos alunos, estabelece-se o diálogo para que novos conhecimentos sejam construídos.
A base da pedagogia de Paulo Freire é o diálogo libertador e não o monólogo opressivo do educador sobre o educando.
Na relação dialógica estabelecida entre o educador e o educando faz-se com que este aprenda a aprender.
Paulo Freire afirma que a "leitura do mundo precede a leitura da palavra", com isto querendo dizer que a realidade vivida é a base para qualquer construção de conhecimento.
Respeita-se o educando não o excluindo da sua cultura, fazendo-o de mero depositário da cultura dominante.
Ao se descobrir como produtor de cultura, os homens se vêem como sujeitos e não como objetos da aprendizagem. A partir da leitura de mundo de cada educando, através de trocas dialógicas, constróem-se novos conhecimentos sobre leitura, escrita, cálculo. Vai-se do senso comum do conhecimento cientifico num continuum de respeito.
A educação, segundo Freire, deve ter como objetivo maior desvelar as relações opressivas vividas pelos homens, transformando-os para que eles transformem o mundo.
Paulo Freire é um educador com profunda consciência social. Mais do que ler, escrever e contar, a escola tem tarefas mais sérias - desvelar para os homens as contradições da sociedade em que vivem.
Paulo Freire além de sua obra de pensador, tornou-se conhecido pelo método de alfabetização de adultos que criou, conhecido como Método de Alfabetização Paulo Freire.
Paulo Freire – “É preciso pôr fim à educação bancária, em que o professor deposita em seus alunos os conhecimentos que possui. – a técnica de silabação utilizada por ele em seu método de alfabetização de adultos está ultrapassada, ainda que a idéia de trabalhar com palavras geradoras permaneça bastante atual”.
O processo educativo seria um ato político uma ação que resultaria em relação e domínio ou de liberdade entre as pessoas. Se opunha ao que chamava de educação bancária. Esse tipo de ensino se caracteriza pela presença de um professor depositante e um aluno depositário da educação. Quem é educado assim tende a tornar-se incapaz de ler o mundo criticamente. Acreditava que o educador deve se comportar como um provocador de situações, um animador cultural num ambiente em que todos aprendem em comunhão. A preparação da criança para tomar uma decisão à necessidade de cada escola ter um projeto pedagógico que reconheça a cultural local. Foi previsto aa democratização da educação em que a inclusão de todos não só dos portadores de deficiência é fator fundamental. O projeto pedagógico de cada escola de Betim, Minas Gerais, é definido com a participação dos alunos e comunidade, que escolhemos diretores pelo voto direto. Conselhos pedagógicos discutem currículo, avaliações, conteúdo, calendário e metodologia. Foi criada também a escola de pais. Formados eles podem participar mais ativamente dos fóruns de decisão. O município mantém ainda um programa de alfabetização de adultos, porém a técnica de alfabetização está ultrapassada. Ele dizia que antes de ensinar uma pessoa a ler as palavras era preciso ensiná-las a ler o mundo. Essa é a essência de suas idéias.
Conclusão
Paulo Freire foi mais que um educador, foi um pensador, legado de sua inteligência a serviço dos mais humildes. “Pedagogia do Oprimido”,uma de suas obras mais significativas, nos remete ao ser humano sem recursos e submetido à opressão cotidiana e que encontra saída pela consciência e pela ação, ele é uma dessas pessoas que ficarão na história por ter pensado no povo oprimido com uma teoria e a prática para que essa gente recuperasse a dignidade devida com seu Método de alfabetização de adultos. Revolucionário porque o aprendizado foge das formas mecânicas, valorizando as experiências e percepções pessoais e regionais.
Paulo Freire tornou-se referencia mundial. Hoje há centros de estudos e difusão de seu método em todo planeta.
Principais Obras
• A propósito de uma administração. Recife: Imprensa Universitária, 1961.
• Conscientização e alfabetização: uma nova visão do processo. Estudos Universitários – Revista de Cultura da Universidade do Recife. Núm 4, 1963: 5-22.
• Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.
• Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
• Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.
• A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez Editora, 1982.
• A educação na cidade. São Paulo: Cortez Editora, 1991.
• Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992.
• Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993.
• Cartas a Cristina. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1974.
• À sombra desta mangueira. São Paulo: Editora Olho d’Água, 1995.
•Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
• Mudar é difícil, mas é possível (Palestra proferida no SESI de Pernambuco). Recife: CNI/SESI, 1997-b.
• Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000.
• Educação e atualidade brasileira. São Paulo: Cortez Editora, 2001.
Bibliografia
Freire.Paulo.Educação Como Prática de Liberdade.23ed.Paz e Terra.1966.
Freire.Paulo.A importância do ato de ler.Cortez.1982.
Barreto.Motta José.Centro de Estudos em Educação.Vereda.1982.
Gadotti. Moacir. Convite à leitura de Paulo Freire. Scipione. 1989.
Brandão. Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. Brasiliense. 1981. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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