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Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo
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a) É um mergulho do interior da personagem-narradora , e não há propriamente história. G.H. busca , em si mesma, pela introspecção radical, sua identidade e as razões de viver, sentir e amar. A obra nem começa nem termina ; ela continua. A narradora e personagem do romance está em seu apartamento tomando café, como faz todos os dias. Dirige-se ao quarto da empregada, que acabara de deixar o emprego. Lá ;vê subitamente uma barata, saindo de um armário. Este evento provoca-lhe uma náusea impressionante, mas ao mesmo tempo , é o motivador de uma longa difícil avaliação de sua própria existência, sempre resguardada, sempre muito acomodada. A visão da barata é o seu momento de iluminação após o qual já não é a mesma , já não é a criatura alienada que tomava café distraidamente em seu apartamento. Nesse momento, deflagra-se na narradora a consciência da solidãoa (tanto dela, quanto da barata) . O nojo pelo inseto desafia-se assustadoramente: é preciso que ela se aproxime da barata,, toque na barata, e até (seria possível?) prove o sabor dá barata. Para regressar ao seu estado de um ser primitivo, selvagem- e por isso mais feliz- G.H. deve passar pela experiência de experimentar o gosto do inseto. Atravéx da "provação" (que é a sua nausea física e existencial), G.H. estaria fazendo uma reviravolta em seu mundo condicianado e asséptico; akuebadi e umune. b) A náusea, aqui tomada como "forma emocional violenta da angústia", é o momento que antecede a revelação , a epifania , e resulta da dolorosa sensação da fragilidade da condição humana. A paixão de G.H. , pode ser , biblicamente, interpretada como sofrimento aludindo à Paixão de Cristo, narrada por Mateus, Marcos , Lucas e João. É comum a aproximação da obra de Clarice da corrente filosófica existencialista, especialmente do existencialismo literário-filosófico de Jean Paul Satre (1905-1981) Segundo a R, Sant'Ana, os romances e contos de Clarice percorrem essas quatro etapas: 1) a personagem é disposta numa determinada situação cotidiana. 2) prepara-se um evento que é pressentido discretamente; 3)ocorre o evento , que "ilumina "a vida; 4) ocorre o desfecho, onde se considera a situação da vida da personagem , após o evento. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Bufo & Spallanzani é um romance repleto de citações de e sobre outros autores e livros, além de muitas digressões sobre a arte de escrever narrativas. Enfim, tal obra literária está, sempre que possível, fazendo referências à própria literatura, o que, em outras palavras, costumamos chamar de exercício da função metalingüística. lvan Canabrava narra acontecimentos de sua vida em flash-back. ora a nós leitores ora a Minolta, sua namorada, amiga, amante e confidente. Várias histórias se entrelaçam, se misturam, nesse enredo de Rubem Fonseca. O livro se divide em cinco grandes partes: Foutre ton encrier, Meu passado negro, O refúgio do Pico do Gavião, A prostituta das provas e A maldição. Essas partes correspondem a episódios da vida do narrador. Cada uma delas poderia ser independente caso não houvesse um fio narrativo condutor. No primeiro episódio, Foutre ton encrier, o escritor Gustavo Flávio conta a Minolta sua relação com Madame X. Compõe-se de seis capítulos. Madame X, mais tarde revelada como Delfina Delamare, é uma bela e casada grã-ina por quem o narrador se apaixona. Delfina é encontrada morta. O detetive Guedes suspeita de Gustavo Flávio, porém não tem provas contra ele. A princípio, levanta a hipótese de suicídio, porém após os exames periciais comprova-se o homicídio. O marido de Delfina, o ricaço Eugênio Delamare, tem interesse na idéia de homicídio.

No capitulo 5, Gustavo Flávio revela a identidade de Madame X a Minolta. Conta também que recebera, antes da morte de Delfina, a visita ameaçadora do marido traído. No último capitulo. Gustavo Flávio é convidado a depor como um dos suspeitos do assassinato de Delfina Delamare. O segundo episódio — Meu passado negro — volta ao passado de Gustavo Flávio. Antes de ser Gustavo Flávio, o escritor havia sido professor primário, amante de Zilda. Seu nome: lvan Canabrava. lvan passa a trabalhar numa firma de seguros, que deverá pagar um prêmio altíssimo a Clara Estrucho, viúva de Maurício Estrucho, que fez o seguro poucos meses antes de morrer. Desconfiado, lvan começa a investigar o caso. Descobre, no lixo encontrado no apartamento abandonado do casal Estrucho, um sapo morto e um ramo de flores murchas. Com a ajuda de Ceresso, presidente da Associação Brasileira de Proteção ao Anfíbio, lvan Canabrava descobre também que o veneno do sapo, da espécie Bufo marinus, associado ao sumo da planta, causa catalepsia profunda. Excitado pela descoberta da fraude, lvan não percebe o descaso de seu chefe e entrega-lhe o relatório completo de suas investigações. No entanto, sob suspeita de loucura, lvan não tem crédito e parte para a experiência da catalepsia. Mesmo com seu próprio atestado de óbito, lvan não consegue convencer o chefe. Não desiste, porém: vai ao cemitério acompanhado por Minolta, Siri e Maria, seus amigos hippies, para abrir o túmulo onde estaria Maurício Estrucho. Na ocasião são surpreendidos pelo coveiro e, para calá-lo, lvan o agride, matando-o sem querer. lvan é preso e considerado louco. Vai para o Manicômio Judiciário, de onde foge com a ajuda de Minolta e Siri. Passa então dez anos escondido com Minolta. lvan Canabrava adota o pseudônimo de Gustavo Flávio (uma homenagem ao escritor francês Gustave Ftaubert), engorda trinta quilos, torna-se escritor famoso e aprende a amar as mulheres. Por sugestão da sua segunda companheira, volta ao Rio de Janeiro. No final da segunda parte, o narrador retoma o relato sobre seu romance com Delfina Delamare. Minolta observa que o escritor está sentindo dificuldades para começar a escrever seu romance Bufo & Spallanzani e sugere a Gustavo Flávio que se recolha ao Refúgio do Pico do Gavião. O terceiro episódio poderia constituir-se em outro história, não fosse também vivenciada por Gustavo Flávio. O Refúgio do Pico do Gavião refere-se à conturbada estada do escritor nesse lugar. Há outros hóspedes: um elegante casal de bailarinos, Roma e Vaslav; um maestro e sua esposa prima-dona, Orion e Juliana Pacheco; um rapaz magro e tímido, Carlos; duas "primas", Suzy e Euridice, que são, na verdade, amantes. Além dos hóspedes, outras personagens participam da trama: Trindade, proprietário do lugar, e D Rizoleta, sua mulher. Numa conversa entre os hóspedes, o maestro questiona o talento dos artistas literário defendendo a idéia de que qualquer um pode ser escritor. A isso Gustavo Flávio responde com um desafio: dá um tema aos presentes, que deverão desenvolvê-lo numa narrativa e apresentá-lo. O maestro, Roma e Suzy aceitam o desafio. O escritor escreve as primeiras linhas de Bufo & Spallanzani: é uma história de homens e sapos. A propósito, começa a perceber-se a ligação do romance com o titulo: Bufo marinus é a espécie de sapo encontrada por lvan Canabrava; Spallanzani foi um biólogo italiano do século XVIII que estudava a circulação sanguínea, a digestão e os animais microscópicos. A Experiência que o escritor deseja relatar em seu romance tem como personagens dois sapos, Bufo e Marina (qualquer semelhança será mera coincidência?), cobaias de Spallanzani. Ao mesmo tempo, os hóspedes do Refúgio separadamente mostram a Gustavo Flávio suas narrativas que, segundo o narrador, são autobiográficas. Constata-se que realmente escrever é muito difícil. Durante este episódio, acontece outro crime: Suzy é encontrada morta. Ao mesmo tempo, Minolta recebe um aviso sobrenatural e resolve procurar Gustavo Flávio no Refúgio. O detetive Guedes também vai ao encontro de Gustavo Flávio. O quarto episódio divide-se em três capítulos: neles começa a ser desvendado o assassinato de Delfina. Guedes descobre que o assassino confesso não matara a grã-fina e deixa-o em liberdade. O farsante fora pago por Eugênio Delamare, o marido traído, para que o caso fosse encerrado na policia. Guedes, em suas andanças pelo local do crime, encontra Dona Bernarda e seu cão Adolfo. Ela é a testemunha de que Guedes precisa para incriminar Gustavo Flávio. A última parte, intitulada A maldição, está reservada para o clímax e o desenlace. Ë dividida em oito capítulos. No primeiro capítulo, o narrador faz considerações sobre o gênero do romance em geral. Faz também reflexões sobre a dificuldade de concluir-se uma história. No segundo capitulo, o relato do Refúgio do Pico do-Gavião é retomado. Descobre-se que o assassino de Suzy é Euridice e que Carlos é a Maria da narrativa que Suzy contara tendo como mote o tema dado por Gustavo Flávio. Segundo Suzy, Maria era casada com José. Os dois fizeram um pacto de amor: quem traísse o companheiro seria morto pelo outro. Maria, então, por ter atentado contra a vida do marido, disfarçara-se em Carlos. Após solucionado o caso, as personagens retornam ao Rio de Janeiro. Guedes avisa a Gustavo Flávio que passará em sua casa. Na visita, Guedes comunica a Gustavo Flávio que o vigarista preso pelo crime da ricaça havia sido assassinado e que a vítima seguinte seria ele. Gustavo Flávio, então, arma-se e aguarda o marido enganado. Nesse interím, o escritor apaga de seu computador os dados do arquivo para o romance que tentara escrever. Eugênio Delamare consegue aprisioná-lo e corta suas bolsas escrotais. Durante a tortura, Guedes chega com policiais. Após o tiroteio, Guedes e Gustavo Flávio sobrevivem, os demais morrem. Finalmente, Gustavo Flávio conta a Minolta quem é o verdadeiro assassino de Delfina. Quando Delfina descobrira que tinha leucemia, decidira que não acabaria da maneira suja, dolorosa e humilhante que a morte escolhera para ela. Resolvera matar-se. Mas a coragem lhe faltava. Convencera, então, Gustavo Flávio a fazer isso por ela. Confessando pormenorizadamente o crime, tenso, ele termina a narrativa dirigindo-se a Minolta. É importante compreender o desdobramento da personagem protagonista para articular os episódios entre si. O fio narrativo, que corresponde ao fato transformador da vida de lvan, encontra-se na figura do sapo. Bufo, além disso, possui outro sentido: significa, segundo o dicionário do Aurélio, "ator ou personagem de comédia ou farsa encarregado de fazer rir o público com mímicas, esgares etc.-". Desde o início da narrativa, o narrador se denomina glutão, sátiro e atacado por satiríase. Sátiro, convém lembrar, é, na mitologia pagã, um semideus lúbrico habitante das florestas, e que tinha chifres curtos e pés e pernas de bode; no sentido figurado significa homem devasso, luxurioso, libidinoso. Satiríase, por sua vez, é um termo da área médica, que significa excitação sexual masculina mórbida. Pode-se fazer, portanto, uma relação entre o impulso de escrever e o impulso ou excitação sexual. A narrativa parece jorrar, em sua complexidade, como um jato em que as partes se articulam e apresentam o quadro fabular e suas personagens. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É um poema narrativo , de feição novelesca , em que as personagens e o assunto são nacionais. O Assunto histórico - a conquista do Algarve - está romanticamente integrado no romance de amor, na paixão irresistível de Dona Branca e do chefe mouro Aben-Afã, personagens a qujem o autor comunica o idealismo característico da escola, que envolve, também , as figuras de Oriana e Mem do Vale - o glorioso e apaixonado cavaleiro de Santiago. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Esta é uma obra pré-romântica; o autor idealiza sua amada e supervaloriza o amor, mas é árcade em todas as outras características. Existe também preocupação com forma. A primeira das três partes de Marília de Dirceu é dividida em 33 liras. Nela, o autor canta a beleza de sua "pastora" "Marília" (na verdade, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas). Descreve sempre apenas sua beleza (que compara a de Afrodite) e nunca sua psique; usa de várias figuras mitológicas; os refrães de cada lira apresentam estruturas semelhantes, mas diferentes de lira para lira. O autor também se dirige a seus amigos "Glauceste" e "Alceu" (Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto), seus "colegas pastores" (os três foram, em algum momento, juizes).O bucolismo nesta parte da obra é extremo, com referências permanentes ao campo e à vida pastoril idealizada pelos árcades. A segunda parte é dividida em 37 liras. Tomás Antônio Gonzaga escreveu esta parte na prisão, após ser preso em 1789. Nela o bucolismo é diminuído, mas a adoração a Marília continua. Nesta parte existe a angústia da separação e o sentimento de ter sido injuriado (as acusações eram falsas e mentirosas). Isto tudo aumenta a declarada paixão por Marília. Aparece também a angústia da separação que sofreu com seu amigo "Glauceste". (Tomás Antônio Gonzaga estava em regime de incomunicabilidade e não sabia do suicídio de Cláudio Manuel da Costa.) A terceira parte não possui apenas suas 8 liras; tem também sonetos e outras formas de poesia. Mas apenas as 8 liras possuem referências a Marília; quando elas acabam começam a aparecer outras poesias de "Dirceu", visto que não escreveu após o degredo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
HOFFMAN, Jussara. Avaliação Mediadora; Uma Pratica da Construção da Pré-escola a Universidade. 17.ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2000.

POR UMA ESCOLA DE QUALIDADE
São vários os fatores que dificultam a superação da prática tradicional, como: a crença que a manutenção da avaliação classificatória garante ensino de qualidade, resistência das escolas em mudar por causa da possibilidade de cancelar matriculas, a crença que escolas tradicionais são mais exigentes.
Sobre a avaliação tradicional, ela legitima uma escola elitista, alicerçada no capitalismo e que mantém uma concepção elitista do aluno.
Entretanto, uma escola de qualidade se da conta de que todas as crianças devem ser concebidas sua realidade concreta considerando toda a pluralidade de seu jeito de viver. Deve se preocupar com o acesso de todos, promovendo-os como cidadãos participantes nessa sociedade.
O desenvolvimento máximo possível do ser humano depende de muitas coisas além das da escola tradicional como memorizar, notas altas, obediência e passividade, depende da aprendizagem, da compreensão, dos questionamentos, da participação.
O sentido da avaliação na escola, seja ela qual for a proposta pedagógica, como a de não aprovação não pode ser entendida como uma proposta de não avaliação, de aprovação automática. Ela tem que ser analisada num processo amplo, na observação do professor em entender suas falas, argumentos, perguntas debates, nos desafios em busca de alternativas e conquistas de autonomia.
A ação mediadora é uma postura construtivista em educação, onde a relação dialógica, de troca discussões, provocações dos alunos, possibilita entendimento progressivo entre professor/aluno.
O conhecimento dos alunos é adquirido com a interação com o meio em que vive e as condições deste meio, vivências, objetos e situações ultrapassam os estágios de desenvolvimento e estabelecem relações mais complexas e abstratas, de forma evolutiva a partir de uma maturação. O meio pode acelerar ou retardar esse processo. Compreender essa evolução é assumir compromisso diante as diferenças individuais dos alunos.
Quanto ao erro, na concepção mediadora da avaliação, a correção de tarefas é um elemento positivo a se trabalhar numa continuidade de ações desenvolvidas. O momento da correção passa a existir como momento de reflexão sobre as hipóteses construídas pelo aluno, não por serem certas ou erradas, problematizando o dialogo, trocando idéias. Os erros construtivos caracterizam-se por sua perspectiva lógico-matemática.
A avaliação mediadora possibilita investigar, mediar, aproximar hipóteses aos alunos e provocá-los em seguida; perceber pontos de vistas para construir um caminho comum para o conhecimento científico aprofundamento teórico e domínio do professor. Pressupõe uma análise qualitativa, uma avaliação não de produto, mas do processo, se dá constantemente através de cadernos, observações do dia a dia, é teórica usa-se registros.
A avaliação mediadora passa por três princípios: a de investigação precoce (o professor faz provocações intelectuais significativas), a de provisoriedade (sem fazer juízos do aluno), e o da complementaridade (complementa respostas velhas a um novo entendimento). Cabe ao pesquisador descobrir o mundo, mas cabe ao avaliador torná-lo melhor.
A mediação se dá relacionando experiências passadas às futuras, relacionado propostas de aprendizagens a estruturas cognitivas do educando, organizando experiências, refletivo sobre o estudo, com participação ativa na solução de problemas com a apreciação de valores e diferenças individuais. O educador toma consciência do estudante no alcance de metas individuais, promovendo interações a partir da curiosidade intelectual, originalidade, criatividade, confrontações. 
Bento Teixeira Pinto (Português radicado no Brasil) é o autor de Prosopopéia, que foi a obra que propagou o estilo barroco no Brasil e é, também, a primeira obra literária que aconteceu entre nós, sendo, por isto, um marco da nossa literatura. É poema épico, laudatório a Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, publicado em 1601, em versos decassílabos, dispostos em oitava rima. Freqüentemente imita os Lusíadas e reflete pouco o ambiente da Colônia. Algumas descrições da natureza como "Descrição do Recife de Pernambuco" e "Olinda Celebrada" não permitem atribuir qualquer sentimento de nativismo ao autor, que se situa entre os autores de pouca expressão do barroco brasileiro. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Modernismo de segunda fase. Gabriela Cravo e Canela é dividido em duas partes, que são em si divididas em outras duas. A história começa em 1925, na cidade de Ilhéus. A primeira parte é Um Brasileiro das Arábias e sua primeira divisão é O langor de Ofenísia. Vai centrando-se a história nesta parte em dois personagens: Mundinho Falcão e Nacib. Mundinho é um jovem carioca que emigrou para Ilhéus e lá enriqueceu como exportador e planeja acelerar o desenvolvimento da cidade, melhorar os portos e derrubar Bastos, o inepto governante. Nacib é um sírio ("turco é a mãe!") dono do bar Vesúvio, que se vê em meio a uma grande tragédia pessoal: a cozinheira de seu partiu para ir morar com o filho e ele precisa entregar um jantar para 30 pessoas em comemoração a inauguração de uma linha automotiva regular para a cidade de Itabuna. Ele encomenda com um par de gêmeas careiras, mas passa toda a parte procurando por uma nova cozinheira. No final desta pequena parte aparece Gabriela, uma retirante que planeja estabelecer-se em Ilhéus como cozinheira ou doméstica, apesar dos pedidos do amante que planeja ganhar dinheiro plantando cacau. A segunda parte desta primeira parte é A solidão de Glória e passa-se apenas em um dia. O dia começa com o amanhecer de dois corpos na praia, frutos de um crime passional (todo mundo dá razão ao marido traído/assassino), segue com as preparações do jantar e a contratação de Gabriela por Nacib.

No jantar acirram-se as diferenças políticas e, na prática, declara-se a guerra pelo poder em Ilhéus entre Mundinho Falcão (oposição) e os Bastos (governo). Quando o jantar acaba (em paz), Nacib volta para casa e, quando ia deixar um presente para Gabriela silenciosa mas não inocentemente, tem com ela a primeira noite de amor/luxúria. A segunda parte chama-se propriamente Gabriela Cravo e Canela e sua primeira parte, o capítulo terceiro, chama-se O segredo de Malvina, terceiro capítulo, passa-se cerca de três meses após o fim do outro capítulo, e três problemas existem: o caso Malvina-Josué-Glória-Rômulo, as complicações políticas e o ciúmes de Nacib. Vamos pela ordem. Josué era admirador de Malvina, filha de um coronel com espírito livre. Esta começa a namorar Rômulo, um engenheiro chamado por Mundinho Falcão para estudar o caso da barra (que impedia que navios grandes atracassem no porto de Ilhéus). Josué se desaponta e se interessa por Glória, amante de um outro coronel. Rômulo foge após um escândalo feito pelo machista (tão machista quanto o resto da sociedade ilheense) pai de Malvina, Malvina faz planos de se libertar e Josué começa um caso em segredo com Glória. Na política, acirra-se a disputa por votos ao ponto do coronel Bastos mandar queimar toda uma tiragem do jornal de Mundinho. Mas Mundinho ganha terreno com a chegada do engenheiro. E perde quando esse foge covarde. E ganha com a promessa da chegada de dragas a Ilhéus. Nacib enquanto isso desenvolveu um caso com Gabriela. Mas está sendo atacado pelo ciúmes (todos querem Gabriela, perfume de cravo, cor de canela). Aos poucos ele percebe que é amor e acaba propondo casamento a Gabriela após a última investida do juiz (alarme falso, ele já havia desistido). Mas foi a tempo, já que até roças do poderoso cacau de Ilhéus já haviam sido oferecidas a Gabriela. O capítulo acaba durante a festa de casamento de Nacib e Gabriela (no civil, já que Nacib é muçulmano não-praticante), quando chegam as dragas no porto de Ilhéus. A quarta e última parte chama-se O luar de Gabriela. Nesta resolvem-se todos os casos. Pela ordem: Josué e Glória oficializam a relação e Glória é expulsa de sua casa por seu coronel. Na parte da política, após o coronel Ramiro Bastos perder o apoio de Itabuna (e mandar matar, sem sucesso, seu ex-aliado; o quase assassino foge com a ajuda de Gabriela, que o conhecia), ele morre placidamente em seu sono, seus aliados reconhecem que estavam errados (a lealdade era com o homem, não suas idéias) e a guerra política acaba com Mundinho e seus candidatos vencedores. Quanto a Nacib e Gabriela... Gabriela não se adapta de jeito nenhum à vida de "senhora Saad", para desespero de Nacib. Nacib acaba anulando o casamento ao pegá-la na cama com Tonico Bastos, seu padrinho de casamento. Mas ninguém ri de Nacib; pelo contrário, Tonico é humilhado e sai da cidade, o casamento é anulado sem complicações (os papéis de Gabriela eram falsos) e Gabriela sai de casa. Nacib fica amargurado e vai se recuperando. As obras na barra se completam com sucesso e Nacib e Mundinho abrem um restaurante juntos. O cozinheiro chamado pelos dois é... convidado a se retirar da cidade por admiradores de Gabriela, que acaba sendo recontratada por Nacib. Semanas depois, Nacib e ela reiniciam seu caso, tão ardente como era no começo e deixara e ser após o casamento. Num epílogo, o coronel, assassino dos dois amante da primeira parte, é condenado à prisão. Cheio de uma crítica à sociedade ilheense, a própria linguagem do autor muda quando foca-se a atenção em Gabriela. Torna-se mais cantada, mais típica da região (como é a fala de todos), deixando a leitura cada vez mais saborosa. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística. São Paulo: Scipione, 1997.

Alfabetização e a Língua Portuguesa
É habitual pensar na Língua Portuguesa em dois estágios:
1. o que dura um ano - o professor ensina o sistema alfabético de escrita (correspondência fonografia) e convenções ortográficas.
2. desenvolver exercícios de redação e trinos ortográficos e gramaticais.
Por trás da prática desses dois estágios, esta a teoria que concebe a capacidade de produzir textos como dependente da capacidade de grafá-los de próprio punho.
Na Antigüidade grega, o autor era quem compunha e ditava para ser escrito ao escriba.
Na compreensão natural, redigir e grafar rompe com a crença arraigada do domínio do be-a-bá para início do ensino da língua, mostrando que redigir - aprendizagem do conhecimento-e grafar- aprendizagem da linguagem - podem e devem ocorrer de forma simultânea.
A conquista da escrita alfabética não garante ao aluno a possibilidade de compreender e produzir testos em linguagem escrita. Essa aprendizagem exige um trabalho pedagógico sistemático. Ao ler históricas ou noticias do jornal, ensina-se como são organizados na escritas esses gêneros, o vocabulário adequado e os recursos que são característicos. O aluno que dita, está produzindo-o criando um discurso, grafando o ou não.
Todo texto pertence a um gênero literário, com forma própria, e essa diversidade textual deve estar a serviço da expansão do conhecimento letrado do aluno.
Decifrar o escrito é um saber de grande valor social, alfabetizar exige ação e reflexão do aluno, e a intervenção pedagógica permite ao professor ajustar a informação oferecida as condições de interpretação em cada momento do processo.
O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado em ensinar a juntar silabas ou letras, formar palavras, frases e textos. Levando a escola a trabalhar com textos que só sevem pra ensinar a ler.
Um texto não se define por sua extensão. O nome que assina um desenho, a lista do que deve ser comprado, um conto ou romance, todos são textos. A palavra Pare escrita no asfalto, por exemplo pode ser trabalhado pelo professor.
Um texto adequado a um leitor iniciante, tem sido equivocadamente escolhidos pela sua simplicidade, deixando de aproximar as crianças de textos de qualidade. Não se forma bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidas. As pessoas aprendem a gostar de ler quando de alguma forma, a qualidade de sus vidas melhora com a leitura.
É importante que se trabalhe textos literários no cotidiano da sala de aula.. a literatura não é a copia do real, sua ligação com pó real é indireta, mediado por signos verbais.
Pensar a literatura a partir dessa autonomia ante o real implica dizer que diante de um tipo de dialogo há jogos de aproximações e afastamentos em que a invenção de linguagem, expressões subjetivas, sensações podem se misturar a processos racionalizantes.
O ensino da literatura envolve exercícios de reconhecimento das singularidades e de propriedades compositivas de escrita. Com isso, equívocos costumam estar presentes quando colocados de forma descontextualizadas, não contribuindo para formação de leitores.
Pensar e falar sobre linguagem realiza-se uma atividade reflexiva. Por isso é necessário o planejamento de situações que possibilitem a reflexão sobre is recursos expressivo utilizados pelo produtor autor do texto, quanto aos aspectos gramáticas dos discursos não se deve se preocupar com a categorização, classificação ou a regularização sobre essas questões.
As atividades metalingüísticas estão relacionadas a analises voltada para descrição, por meio de categorização e sistematização de elementos lingüísticos, não estão vinculadas ao processo discursivo.
O ensino da Língua Portuguesa nas práticas habituais trata a fala e a linguagem cmo conteúdo em si e não modo de melhorar a qualidade da produção lingüística. A gramática de forma descontextualizada serve pra ir bem na prova e passar de ano. Por isso tem se discutido a necessidade de ensiná-la, porem a questão é como ensiná-la.
Nos primeiros ciclos deve se centrar em atividades epilingüísticas na reflexão sobre a língua em situações de produção e interpretação no caminho de aprimorar o controle de sobre a própria produção lingüística.
Ai longo dos oito anos de ensino fundamento espera-se que os aluno adquiram uma competência em relação a linguagem que lhes permitam resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso a bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado. Para isso, o ensino da Língua Portuguesa deve organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de:
• Expandir o uso da linguagem utilizando com eficácia assumindo a palavra e produzindo textos;
• Utilizar diferentes registros, sabendo adequá-los a situações comunicativas que participa;
• Conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado;
• Compreender os textos orais e escritos;
• Valorizar a leitura como fonte de informação;
• Utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem;
• Valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoas;
• Usar os conhecimentos adquiridos por reflexão sobre a língua pra expandirem as possibilidades do uso da linguagem a capacidade de analises criticas;
• Conhecer e analisar criticamente o uso da língua como veiculo de valores e preconceitos de classes, credo, gênero ou etnia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Escrito em 1940, Bichos é um clássico da literatura portuguesa. O grande escritor português - também poeta, teatrólogo, contista e memorialista - Miguel Torga, inventa um mundo de bichos humanizados.

São catorze contos, onde o mistério da vida nos aparece no seu esplendor, perfilando bicho, homem e natureza numa comunhão fraternal, em que todas as peças são necessárias ao puzzle da vida.

Bichos é, também, o retrato fiel do viver trasmontano; uma vida de suor e lágrimas, por entre escolhos e lobos, mas sempre repleta daquela alegria que só o sofrimento pode justificar: a alegria de ser, de viver em comunhão total coma natureza, em fusão permanente com os elementos.

Miguel Torga fez desta obra um testemunho impar da união natural entre os Homens e os Bichos – a simbiose da vida. No meio dos dois, a terra, o traço que lhes dá vida. No trabalho, nas paixões e nas dores, os bichos compartilham com os homens as esperanças e as desgraças.

Curiosa a palavra: “bichos” e não “animais”. Bichos são, talvez, os animais humanizados, irmanados com o homem na mesma luta; na vida.

A rudeza das torgas, a aspereza das montanhas, a magreza das terras e a solidão do tempo, misturam-se num universo, cantado em poesia por um mestre que foi apenas um homem. Um homem que viveu e lutou contra um mundo ainda mais agreste, ainda mais hostil: o mundo da ditadura.

São Bichos animais e Bichos homens que se entrelaçam nas páginas deste livro de contos. Bichos personagens, mas sentindo e agindo como se de humanos se tratassem, tornando o leitor seu cúmplice.

Amizade, traição, amor, ódio e ambição desfilam pelo livro, sendo tratados como uma lição essencial de vida.

Linguagem

A linguagem, simples mas cuidada é uma das mais belas expressões da cultura popular: um vocabulário fidelíssimo à realidade trasmontana. Quem conhece aquelas terras, reconhece-se em Torga. Mas a poesia latente por detrás destas estórias não é de Torga. É da terra. Por isso, este livro não é só uma criação do seu autor; é muito mais do que isso: é uma emanação da terra. E neste conceito de “terra” podemos englobar os homens e os seus irmãos “bichos” – os três elementos constituem um todo, um cosmos único onde Torga participa como mensageiro, personagem e intérprete.

Livro simples, transparente, honesto e sentido. Um grito amargo e profundo da terra que encerra os homens. Uma fusão total entre a terra e o ser humano, como se tudo emergisse de uma amálgama onde terra, bichos e homem fossem a pasta de onde nasceu a ordenação universal das coisas e dos seres.

Enredo

É através dessa pequena arca de Noé, feita de bichos e gente, que Torga aponta as injustiças do dia-a-dia, trazendo novos modos de olhar. Esta coletânea constitui um marco do conto em Portugal. Encontramos na obra, um Miguel Torga paradoxal, contraditório, inexplicável, que mistura o sagrado e o profano, que é simultaneamente fruto e espelho das fragas maternas.

Animais com sentir humano ou seres humanos vestidos de animais. Ou uma irmandade de animais e homens. Tudo numa argamassa de vida. O cão Nero, o galo Tenório, o jerico Morgado, o Ladino, o Ramiro. E a Madalena, caminhando na contra mão da contradição entre cultura e vida. A salvação do Homem e da Humanidade reside, para Miguel Torga, num regresso às origens e ao seio da Natureza-Mãe, “dama de grande senhoria” que dignifica tudo o que vive na sua intimidade, para que ela devolva ao Homem a naturalidade, a grandeza, a verticalidade e a natureza instintiva que caracterizam os animais íntegros e monolíticos que povoam a coletânea Bichos. É também impossível não observar o papel da natureza e do espaço amplo do campo na vida dos personagens.

Conto escolhido:

Mago

Mago respirou fundo. Abriu o nariz e encheu o peito de ar ou de luar, não podia saber ao certo, porque a noite era clara como o dia e parada como uma montanha. Mas fosse de frescura ou de luz a onda que bebera num trago, de tal modo o inundou, que em todo o corpo lhe correu logo um frêmito de vida nova. Esticou-se então por inteiro, firmado nas quatro patas, arqueou o lombo, e deixando-se ficar assim por alguns instantes, só músculos, tendões e nervos, com os ossos a ranger de cabo a rabo. Arre, que não podia mais! Aquele mormaço da sala dava cabo dele. Deixava-o sem ação, bambo, mole e morno como o cobertor de papa onde dormia. A que baixezas a gente pode chegar! Ah, mas tinha que acabar semelhante degradação! Não pensasse lá agora a senhora D. Maria da Glória Sância que estava disposto a deixar-se perder para sempre no seu regaço macio de solteirona. Não faltava mais nada! E, se lhe restavam dúvidas, reparasse no que estava a acontecer naquele momento: ela a ressonar sozinha, na cama fofa, enquanto ele enchia os pulmões de oxigênio e de liberdade. É certo que a deixara primeiro adormecer, e só então, brandamente, deslizara de seus braços para o tapete e do tapete para a rua, através do postigo da cozinha. Uma questão de delicadeza, apenas. Porque, afinal, não havia vantagem nenhuma em fazer as coisas à bruta e ofender quem só lhe queria bem... Que diabo, sempre a senhora D. Maria Sância, a que até um fio de oiro lhe comprara para o pescoço! Que, considerando bem, por essas e por outras é que chegara àquela linda situação...

- Ouvi dizer que já nem sardinhas comes?!

- Essa agora! É todos os dias...

- E que nunca mais caçaste?

- Ainda esta manhã...

Piadinhas do Lambão. É claro que os mimos de D. Sância lhe haviam deformado o gosto... Metia-lhe os petiscos ao focinho, tentava-se! E havia por onde escolher, de mais a mais! Quanto a ratos, que necessidade tinha de perder o tempo, debruçado três horas sobre um buraco, sem mexer sequer a menina dos olhos, à espera dum pobre diabo qualquer que ressonava lá no fundo? Deixá-los viver! As coisas são o que são. Em todo o caso, ainda comia a sua pescada crua e deitava honradamente a mão a uma ou outra borboleta branca, sem falar nas andorinhas novas e nos pardalecos que filava por desfastio na primavera. Que demónio!

- Mas que não saias de casa, sempre agarrado às saias...

Na verdade, saía pouco. Outros tempos, outros hábitos. Banqueteava-se e ficava-se pelas almofadas... Digestões difíceis, vinha-lhe um migalho de sonolência... Às vezes tentava reagir. Mas o raio da velha, mal o via pôr o pé na soleira da porta, perdia a cabeça! Parecia uma sineta!

- Mago! Mago! Bicho, bichinho!

Regressava aos lençóis, claro. Contrariado, evidentemente. Mas quê! Era o pão... O pãozinho na boca! Que remédio senão torcer caminho e, com as unhas discretamente recolhidas, continuar as carícias de algodão em rama no cachaço da dona...

- E que deixaste a Faísca!...

- Eu?

- Que anda metida com o Zimbro... Pelo menos é o que consta. Que teve até cinco pequenos dele...

- Meus! Muito meus! Do meu sangue!

Pantominice. Um triste chanato na honra do convento. Paleio de chavelhudo manso... a ninhada pertencia inteirinha ao Zimbro. Até pela pinta se via. Todos com o mesmo olhinho remelão... O que ele era era um parrana, um infeliz, embora o não confessasse. Os mimos de D. Sância tinham-no desgraçado. Ah, mas a coisa ia mudar de figura! Estava farto de ser desfeiteado. Ainda há pouco... chegara-se ao pé da mulher, disposto a impor sua autoridade.

- Ouve lá: disseram-se que mos andas a pôr para aí com todo mundo?

E recebe esta pelas ventas:

- Bem haja eu!

- Bem hajas tu?!

- Nunca guardei respeito a maricas!

Só a tiro! Mas a verdade é que a Faísca tinha razão. Lá de ano a ano é que vinha procurá-la, e isso de gado fêmeo quer assistência.

Além disso, pesadão, desconsolado. E até esquecido dos ganidos dessas horas... Uma vergonha!

- Aparece logo à noite, pelo Tinoco... Há reunião. E adeusinho...

- Adeus, Lambão.

Foi no quintal, à tarde, quando a D. Sância dormia a sesta. O Lambão, empoleirado no muro, rondava a cozinha da vizinhança, onde assavam carapaus. Por acaso chegara à janela nesse momento, vira-o e fizera-lhe sinal. E o outro, de boa ou má fé, abrira o saco. Mas há males que vêm por bem. Depois da conversa, pensara maduramente no caso, e ali estava agora disposto a ressuscitar daquela vida perdida em que o destino o metera.

Sim, ali estava, a dois passos do Tinoco, o clube da gataria de meia-idade. Bem situado, com saída para dois bairros da cidade, fora fundado pelo maior valdevinos da geração: o Hilário. Era um telhado corrido, quase plano, amplo, alto, mas de onde se podia cair de qualquer maneira numa aflição. Um achado. Como a casa servia de armazém, o Hilário viu de relance as condições do local. E logo no outro dia, os beijos, as mordedelas, os arranhões e os queixumes do cio foram ali.

Bons tempos esses! Namorava então a Boneca, uma gatinha borralheira de a gente se perder.

- Ora viva!

- Miiau...

- Seja bem aparecida, a minha bonequinha!

- Miiau...

Mimo da cabeça aos pés. Mas um rebuçadinho! Depois enrodilhara-se com a Moira-Negra, um coiro velho, curtido e batido. Cada guincho que abria a noite!

- Cala-te lá com isso, mulher!

Isso calava ela! Acabou por se aborrecer. Por fim veio a lambisgóia da Perricha... Uns trabalhos. Ciúmes, fraqueza, dores de cabeça, o diabo!

- Matas-te, filho, arruinas-te...

Palavras sensatas da mãe.

- Muda de vida, homem! Essa excomungada leva-te à sepultura.

Mas quê! O vício pode muito.

Até que a mãe morreu de velhice e desgosto, a Perricha desapareceu do bairro e ele foi cair por acaso no quintal da D. Sância.

- O bichinho está doente. Se calhar é fome...

E a ternura da senhora nunca mais o largou. A princípio ainda tentou reagir, mas, por fim, o corpo, o miserável corpo, acostumou-se ao ripanço. A parva da santanaria cuidava que era amor correspondido. Palerma! Amizade sincera não é com gatos. Simplesmente, quem brinca aos afogados, afoga-se. Com o andar do tempo, a moleza foi tomando conta dele... E pronto. Quando reparou, estava perdido. Às vezes tinha tentações do inferno. Infelizmente, as vidas iam ruins. Virava-se um balde de restos, e não se aproveitava uma espinha. Que remédio, pois, senão contemporizar... Mas cara aposentadoria! Considerando bem, melhor fora que o estafermo de solteirona nunca lhe tivesse aparecido. Mais valia andar pelado e a cair de fome e ser capaz de responder ao pé da letra aos sarcasmos que agora lhe atiravam.

- Olha o Mago!... Olha o milionário!...

O patife do Tareco. Era de o derreter logo ali! A desgraça é que não podia passar da mansa indignação que o roía. Nem forças, nem coragem para mais. E, logo por azar, com o clube à cunha! Parecia de propósito. Raios partissem a D. Sância, e mais quem lhe gabava as almofadas! Por causa delas, pouco faltava para lhe cuspirem na cara!

- Com que então de visita aos bairros pobres? Obra de assistência ao desvalidos, não?

Até o bandido do Zimbro. Vejam lá! O engraçado! Não contente de lhe roubar a mulher, de lhe pregar um par deles do tamanho duma procissão, vinha ainda com provocações à vista de toda a gente. Ah, mas estava redondamente enganado, se cuidava que não recebia o troco devido.

- O cavalheiro seja mais delicado...

- Reparem nas falinhas dele... A tratar os amigos por cavalheiros!

- Amigos? Eu não tenho amigos da sua laia!

- Pesam-lhe na testa, coitado!

Desembestou. Cego da cabeça aos pés, atirou-se ao abismo. Infelizmente as ensanchas do Zimbro eram outras. Tinha raiva, tinha dentes, tinha unhas e fôlego. Contra tais armas, que podia a simples indignação dum pobre mortal, gordo e lustroso? Servir de bombo da festa... É que nem a primeira acertou! Ágil e musculado, e com a maleabilidade de uma cobra, o inimigo furtou-se à sua fúria, e ripostou a valer ao golpe esboçado. Depois, foi o bom e o bonito! A seguir, uma saraivada de investidas traiçoeiras, meia dúzia de navalhadas de liquidar um homem. Só visto! No fim da luta, quando já não podia mais e se confessou derrotado, sangrava e gemia tanto, que até um polícia, em baixo, na rua estreita, se comoveu. O clube, esse, parecia doido de alegria. A Faísca rebolava-se no chão, de contente.

Fugiu desvairado pelos telhados. A lua, cada vez mais branca lá no alto, olhava-o com desdém. A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim. Da torre duma igreja, saía um pio agoirento.

Jogara naquele lance o resto da dignidade. E perdera. Dali por diante, seria apenas uma humilhação, sem esperança. Ele, que tivera nas mãos possantes e nervosas o corpo fino e submisso da Boneca, ele, o escolhido da Moira-Negra, ele, o companheiro de noitadas do Hilário, ele, Mago, relegado definitivamente para o mundo das pantufas e dos tapetes! Proibido para o resto da existência de pensar sequer numa baforada da úmida frescura que agora lhe atravessava as ventas e lhe deixava cantarinhas no bigode... Condenado para sempre ao bafio da maldita sala de visitas da D. Sância! Negra sorte! E tudo obra do coirão da velha... Se não fosse ela, em ver de ir ali esquadrilhado e a mancar da mão esquerda, estaria no Tinoco a soltar ganidos com os outros, depois de ter feito o Zimbro em pedaços... Assim, arrastava-se penosamente por aquele caminho de desespero, tal e qual um moribundo a despedir-se da vida... Miséria de destino! Vexado, vencido, retalhado no corpo e na alma...E tudo obra do estupor da sanataria!

Vinha rompendo a manhã. Um sino ao longe deu cinco horas. Abriam-se as primeiras janelas. Grandes laivos avermelhados anunciavam a chegada próxima do sol.

Parou. Lambeu a pata doente e sacudiu-se, num arrepio. Uma lassidão profunda começava a invadi-lo. Maldita D. Sância! Se nunca tivesse conhecido a tal sujeita...

Olha, olha, a enevoar-se-lhe a vista! Queriam ver que ia desmaiar?!

Encostou-se a uma chaminé, e ficou algum tempo sem dar acordo de si, a arfar penosamente. Até que uma onda de energia o trouxe de novo ao mundo. Arregalou os olhos. Estava melhor, felizmente! Já enxergava claro outra vez. Podia continuar.

Em que trabalhos o metera o raio da senhoreca! E louvar a Deus safar-se com vida da brincadeira... Coça valente... Por um triz que não se ficava... Muita resistência tinha ele ainda!

A alguns metros apenas do jardim da casa, cuidou que tornava a desfalecer. E só então é que reparou: deixava um rastro de sangue por onde passava...

Fez das tripas coração e lá conseguiu equilibrar-se e chegar ao pequeno muro que vedava o paraíso da sua perdição. Saltava? Não saltava? Que infâmia, regressar aos mimos da D. Sância! Que nojo! Que ordinarice!

Mas a que propósito vinham agora as perplexidades e as recriminações? Sim, a que propósito? Fartinho de saber que nem sequer lhe passara pela cabeça a idéia de resolver o caso doutra maneira! Ao menos fosse sincero! De resto, que esforço concreto fizera para se libertar? Nenhum. Ainda não havia uma dúzia de horas, ouvira a voz de Lambão como um eco da própria consciência... E, afinal, ali estava outra vez! E viera de livre vontade... Ninguém o obrigara... Já roído de remorsos? Ora, ora! Outro fosse ele, nem aquela casa encarava mais. E voltara! Sim, voltara miseravelmente... E à procura de quê? Da paz podre, dum conforto castrador... Que abjeção! Que náusea!

E, sem querer, sem poder aceitar a sua degradação, Mago entrou pelo postigo da cozinha e foi-se deitar entre os braços balofos da D. Sância. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Exemplo de romance afro-brasileiro, falando da identidade negra, Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, vai de encontro à tese segundo a qual a escrita dos descendentes de escravos estaria restrita ao conto e à poesia. Além de estabelecer um saudável contraponto com o abolicionismo branco do século XIX e com o negrismo modernista de um Jorge Amado, um José Lins do Rego ou Josué Montello, Ponciá Vicêncio remete ao Isaías Caminha, de Lima Barreto; em menor escala, ao Brás Cubas, de Machado de Assis; e, com certeza, ao memorialismo de Carolina Maria de Jesus e ao Ai de vós, de Francisca Souza da Silva, entre outros.

Em todo o romance percebe-se a prosa recheada de linguagem poética. A obra nos narra pequenos acontecimentos do cotidiano, mas o seu olhar transcende o automatismo viciado com que se observam as coisas do dia-a-dia para olhar com essência a poesia da vida.

O texto de Ponciá Vicêncio destaca-se também pelo território feminino de onde emana um olhar outro e uma discursividade específica. É desse lugar marcado pela etnicidade que provém a voz e as vozes-ecos das correntes arrastadas. Vê-se que no romance fala um sujeito étnico, com as marcas da exclusão inscritas na pele, a percorrer nosso passado em contraponto com a história dos vencedores e seus mitos de cordialidade e democracia racial. Mas, também, fala um sujeito gendrado, tocado pela condição de ser mulher e negra num país que faz dela vítima de olhares e ofensas nascidas do preconceito. Esse ser construído pelas relações de gênero se inscreve de forma indelével no romance de Conceição Evaristo, que, sem descartar a necessidade histórica do testemunho, supera-o para torná-lo perene na ficção.

A história de Ponciá Vicêncio, contada no romance, descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Descendente de escravos africanos, Ponciá surge já de início despojada do nome de família, pois o "Vicêncio", que todos os seus usam como sobrenome, provém do antigo dono da terra e era como lâmina afiada a torturar-lhe o corpo. Essa marca de subalternidade, que denuncia a ausência entre os remanescentes de escravos dos mínimos requisitos de cidadania, estende-se pelo penoso circuito de vazios e derrotas, no qual tanto a menina quanto a mulher vão sendo alijadas dos entes queridos e de tudo o que possa significar enraizamento identitário. E depois de perder também os sete filhos que gerou, Ponciá cai na letargia que a faz perder-se de si mesma.

Ponciá vai em busca de dias melhores na cidade, mas acaba desterritorializada numa favela, vegetando ao lado de um marido que não a compreende. Sua descendência escrava vai se confirmando na vida difícil que leva, nos sonhos apagados pela discriminação e pela marginalização que tanto ela, quanto os outros de sua família sofrem. Sua condição social e cultural continua, portanto, sendo regida pelo passado africano. Sua trajetória do espaço rural para o urbano representa sua condição diaspórica. A passagem em que a menina faz a viagem de trem para a cidade confirma isso:

O inspirado coração de Ponciá ditava futuros sucessos para a vida da moça. A crença era o único bem que ela havia trazido para enfrentar uma viagem que durou três dias e três noites. Apesar do desconforto, da fome, da broa de fubá que acabara ainda no primeiro dia, do café ralo guardado na garrafinha, dos pedaços de rapadura que apenas lambia, sem ao menos chupar, para que eles durassem até ao final do trajeto, ela trazia a esperança como bilhete de passagem. Haveria, sim, de traçar o seu destino.

Também o irmão de Ponciá, Luandi, vai para a cidade em busca de sonhos como achar a irmã que há muito havia partido e juntar dinheiro. Sua viagem também marca a diáspora daqueles que, desterritorializados, perpetuam as histórias do navio negreiro. Luandi chega à cidade sem eira nem beira. Tinha perdido pelo caminho o endereço da irmã. Chegou num dia de chuva e frio. Trazia muita fome também.

Outra personagem que embarca no trem negreiro em busca dos filhos é a mãe de Ponciá e de Luandi: Maria Vicêncio. Em um dos capítulos do livro, o narrador nos diz que ela sabia que, por mais que relutasse, um dia a cidade também faria parte de sua travessia. Não sentia desejo algum pela aventura da viagem. Se a sua vida era a da terra, em que ela vivia, o que faria longe de lá?

E a viagem de Maria Vicêncio ocorre semelhante a dos filhos: Quando o trem, depois de intermináveis dias e noites, parou na estação, Maria Vicêncio esticou as pernas com dificuldade. Ficara todo tempo da viagem encolhida com a trouxa no colo, rezando suas orações. Sentiu a bexiga pesada, estava com vontade de urinar, mas o medo não permitira que ela se levantasse e fosse ao banheirinho do trem ou mesmo dos lugarejos em que máquina parava.

Em Ponciá Vicêncio, a autora retoma o procedimento que arriscaria chamar de brutalismo poético ao narrar, numa linguagem concisa e densa de sentido, a vida de uma mulher oriunda do mundo rural, desde a infância até a "maturidade" desterritorializada na favela em que vegeta junto ao companheiro. A narrativa configura-se como um Bildusgsroman feminino e negro ao dramatizar a busca quase intemporal da protagonista, a fim de recuperar e reconstituir família, memória, identidade. No entanto, o ímpeto antropofágico se faz presente na postura de rasurar o modelo europeu para conformá-lo às peculiaridades da matéria representada. Assim, a apropriação feita por Conceição Evaristo ganha contornos paródicos, pois em lugar da trajetória ascendente do personagem em formação, oriunda de Goethe e tantos mais, o que se tem é um percurso de perdas materiais, familiares e culturais. E, em lugar da linearidade triunfante do herói romanesco, temos uma narrativa complexa e entrecortada, a mesclar de forma tensa passado e presente, recordação e devaneio.

O interesse da narrativa cresce justamente nos gestos de resistência a esse processo de espoliação. Nele, vão surgindo as histórias dolorosas como a do pai, que, quando criança e já no período posterior à Lei Áurea, tinha que ser o pajem do filho do patrão, o cavalo no qual este montava, e até aparar com a boca o mijo do sinhô-moço... A passagem retoma de forma ampliada e crua a cena do menino Brás Cubas, de Machado de Assis, reposicionando-a num nível inédito de violência. Já o avô, suicida frustrado, decepara parte do braço e matara a própria esposa depois de ver quatro de seus filhos serem vendidos em plena vigência da Lei do Ventre Livre... Essas histórias surgem desgarradas umas das outras, e vão sendo evocadas em meio aos hiatos de racionalidade da protagonista. Formam, todavia, uma rede discursiva pela qual se recupera a memória de uma dor que é física e moral, individual e coletiva. E o corpo feito de ausências de Ponciá se recupera na arte da cerâmica, reatando no barro moldado o fio da existência. A terra, antes paliativo para a fome da menina, passa a matéria-prima para a afirmação da mulher. Ao final, o desterro na cidade grande se ameniza no reencontro com a mãe e o irmão, que parece pôr fim à errância sofrida da personagem.

Herdeira da memória familiar, Ponciá Vicêncio segue os passos de Conceição Evaristo, também esta herdeira de uma forte linhagem memorialística existente na literatura afro-brasileira. Como Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus, Conceição traz a narrativa dos despojados da liberdade, mas não da consciência. E a repetição insistente dessa presença desvalida nos incomoda e nos diz de uma aurora ainda à espera do sol... A fala diaspórica desses condenados da terra se articula de forma sincrônica e a posteriori, desconhecendo a encarnação do espírito de nacionali-dade que marca boa parte da literatura canônica.

A força e o poder das mulheres ficam também evidenciados no romance, mesmo quando há uma aparente fraqueza ou mesmo quando as mulheres sofrem até um visível domínio, como no caso de Biliza, nas mãos do cafetão. Só a eliminação física de Biliza acaba com os sonhos e a determinação da moça. O pai de Ponciá, mesmo resmungando, tinha suas ações orientadas pela mãe de Ponciá. Nêngua Kainda, uma velha mulher, era a consciência do grupo. O romance destaca as dores, as angústias, as violências que as mulheres sofrem, a solidão que elas enfrentam, mas ao mesmo tempo mostra essas mulheres em busca da vida, exibe o eterno ato de se reconstruir que elas executam no dia-a-dia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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