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"- Seu merda. Olhe aqui, seu pedaço de merda. E fui empurrando-o, e ele nas pontas dos pés, e eu sentindo que ele estava tremendo. E fui empurrando e dizendo para ele que ele era um pedaço de merda. E eu querendo falar mais coisas, mas não achando. E chegamos na porta que dava para a sala do senhor Mário. Então eu o suspendi pelo paletó e o joguei contra a porta. Ela deu um estalo, abriu e rodou batendo contra a parede. E caíram pelo chão pedaços de ferro do trinco que quebrou, e vidros, da parte de cima que não era de madeira." (Um Romance Rodoviário). Cid Ottoni Bylaardt, professor do Pré-Vestibular Pitágoras Ao final da narrativa de Jorge, um brasileiro, o protagonista-narrador declara: E digo para você que não gosto mais nem de me lembrar dessas coisas, e só me lembro mesmo, quando alguém chega e a gente fica batendo papo. Porque, você sabe, a gente não consegue ficar conversando muito tempo, sem no fim contar do que a gente já fez, ou do que a gente já foi. Jorge narra suas aventuras como se estivesse batendo papo, o que pressupõe um interlocutor, que é colocado na escuta desde a primeira frase do romance: Você sabe como é.

No decorrer dos acontecimentos, a todo momento o leitor é lembrado disso: E vou dizer para você... como eu disse para você... ... e você sabe como é... e digo para você... Pois é, meu amigo... Está entendendo? A narrativa, portanto, pretende se basear na oralidade, que não favorece a sutileza e a complexidade. Ao contrário, a estrutura desse romance rodoviário não comporta divisões em capítulos, o texto é corrido, o ritmo é contínuo; a linguagem é simples, coloquial, a narrativa tem uma forma consecutiva e progressiva, encadeada por articuladores que indicam sucessividade, com predominância da conjunção e: E ela se sentou na minha frente e cruzou as pernas. E ficou falando comigo e perguntando como tinha sido tudo. E eu com aquele cansaço e sem querer falar nada, mas só querendo ficar quieto e sentindo o corpo como se estivesse com sono. A aventura principal é a procura de Jorge, o sentido que dá à vida, como na busca dos heróis das histórias romanescas da tradição medieval. De acordo com o ensaísta Walter Benjamin, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos . E Jorge, um brasileiro é uma história oral de um viajante que tem muito que contar, e a recepção é feita mais por um ouvinte do que por um leitor. Jorge narra suas aventuras baseado em suas próprias experiências, na vivência do dia a dia das estradas por onde rodou. As aventuras são os elementos propulsores da história romanesca narrada por Jorge, entre as quais se distingue a aventura principal e várias outras aventuras menores. A aventura principal é a procura de Jorge, o sentido que dá à vida, como na busca dos heróis das histórias romanescas da tradição medieval. O plano narrativo mais recente é o momento em que Jorge entra na casa do senhor Mário, e conversa com sua esposa, dona Helena. Ele acabou de retornar da viagem, com seis dias de atraso em relação ao que sua missão prescrevia, e dirigiu-se à casa do patrão. Entre o momento em que ele permanece na sala com dona Helena e o momento do beijo e sua retirada, desdobram-se os outros planos narrativos, em camadas. A aventura principal começa em Belo Horizonte, quando o protagonista recebe a missão de buscar oito carretas carregadas com trinta toneladas de milho cada uma que estavam em Caratinga sem poder seguir viagem porque a chuva havia danificado as estradas, e havia uma barreira na saída da cidade com policiais impedindo que os motoristas seguissem viagem. O prazo para as carretas estarem em Belo Horizonte era de uma semana. O herói não tinha como recusar a missão. Define-se aí o antagonista: a chuva, e tudo o que ela provocava (barreiras, pontes caídas, danos aos caminhões) de adverso à consecução do objetivo traçado para o protagonista. A jornada perigosa é antecedida de preparativos. Jorge retira o dinheiro necessário do cofre, sob protestos do contador, pequeno inimigo que faz Jorge assinar um recibo contendo o valor e uma ressalva de que o dinheiro tinha sido apanhado sem que ele tivesse sido notificado para que fim se destinava. Em seguida, organizou o serviço na garagem dos concreteiros, para que nada desse errado em sua ausência. Antes de ir para a rodoviária, encontra-se com Sandra, que é a moça com quem ele vinha saindo, e há o rompimento, como a cortar as ligações do herói com a cidade natal, e desimpedi-lo para que ele pudesse cumprir seu destino. A determinação de Jorge no momento da partida é firme: ele afirmava para si mesmo que iria trazer os caminhões para Belo Horizonte no prazo certo, nem que tivesse que puxar um por um no ombro. A primeira etapa da jornada foi de ônibus, que sofreu um acidente perto de Coronel Fabriciano. A narrativa é entremeada de lembranças da Sandra, do senhor Mário, da amante do senhor Mário. A viagem segue por trem até Governador Valadares, e a narrativa se alterna com lembranças e reflexões. Durante a viagem de trem, a primeira aventura secundária se intromete na narrativa: o comboio de cinco caminhões que Jorge comandou para levar material para um hotel que estava sendo construído bem no meio da ilha do Bananal, servido por uma estrada completamente deserta. Ao chegarem ao local, acharam um antigo companheiro, o Fefeu, que tinha sido preso por roubo. A presença do Fefeu abre mais uma camada narrativa anterior à do episódio do Bananal. Conversa puxa conversa, e o narrador explica como o Fefeu, na época da construção de Brasília, havia liderado um lock out de caminhoneiros para receberem pagamentos atrasados. A narrativa retorna ao caso do Bananal, e descobre-se que o Fefeu havia sido preso por ter sido obrigado a roubar uma correia de ventilador para o seu caminhão, que havia quebrado. O zelador não concordou de maneira alguma em ceder uma para ele, ele tentou tirar e o zelador chamou um soldado e o prendeu. A aventura principal reaparece, o personagem chega a Governador Valadares, onde ele resolve procurar o Altair, antigo companheiro da época em que Jorge havia trabalhado na Rio-Bahia. Altair agora é dono de uma próspera oficina, e está casado e com dois filhos. Altair o recebe efusivamente, o convida para jantar e, conversa vai, conversa vem, intromete-se na narrativa principal a aventura secundária da Rio-Bahia, com destaque para as visitas que eles faziam à casa das prostitutas. Para as visitas, era necessário dinheiro, o que faz Jorge lembrar-se dos lugares onde havia muito atraso de pagamento, deslocando a conversa para um plano mais remoto, a época em que ele havia trabalhado na Brasília-Acre. Lá havia atraso de pagamento, mas a Companhia era boa, fornecia até óleo e gasolina para os caminhões. e, após 46 dias, o senhor Mário apareceu lá com um caminhão que tinha ido para o conserto. O narrador fala da satisfação que ele tinha em trabalhar para o senhor Mário, que trazia até presentes - cervejas e camisas - para os empregados. Faz parte desse plano narrativo o acidente com o Jocimar, que avariou um caminhão. Após transitar pela Brasília-Acre, a narrativa volta para a Rio-Bahia, com o caso do Altair com a dona Olga. O Altair, segundo o narrador, era o maior namorador da Rio-Bahia, e cismou de ficar com a dona da casa de prostituição, a dona Olga. Quando ele a conquistou, ele é que parecia o dono da casa: fazia as contas, recebia o dinheiro, organizava tudo. Terminado o affair dona Olga, a narração retorna à aventura principal, que se encontra em Governador Valadares. Altair consegue para Jorge uma carona num caminhão que ia para Caratinga, onde estavam as carretas carregadas de milho. Durante a viagem no caminhão, vem novamente a lembrança dos tempos na Rio-Bahia, e o narrador conta como ele desmobilizou a equipe ao final da obra, e como teve duas rodas de um caminhão roubadas ali mesmo em Governador Valadares. Afinal, o dono do posto onde os caminhões deviam estar sendo vigiados acabou providenciando novas rodas e pneus para que Jorge pudesse seguir viagem para Belo Horizonte com seus nove caminhões desmobilizados. A narrativa regressa à viagem principal e chega a Caratinga. Iniciam-se os preparativos para a luta crucial, que deve começar. Os caminhões são vistoriados, os defeitos são reparados. Jorge volta a Governador Valadares para ver a possibilidade de embarcar a mercadoria por estrada de ferro. Diante da negativa do chefe da estação, Jorge verificou a viabilidade de passar por uma estrada alternativa, e foi desaconselhado por uma pessoa que tinha feito o percurso havia pouco tempo. Como aos bobos e bufões das histórias romanescas, a narrativa consente ao Oliveira o apelo à realidade que contraria o cumprimento da missão. Jorge resolve ir assim mesmo, e reúne seu pessoal para dar instruções e explicar como eles iam chegar a Ipatinga. O Oliveira manifesta seu medo nesse momento, o momento do perigo, prefere recuar quando prosseguir é difícil. Como aos bobos e bufões das histórias romanescas, a narrativa consente ao Oliveira o apelo à realidade que contraria o cumprimento da missão. O perigo é real, mas o Oliveira é considerado um fraco, a quem não se deve dar ouvidos. Na saída do comboio, o herói comete um erro na passagem de marcha, na presença de um outro motorista. Aquilo estraga o dia de Jorge. E funciona como um presságio. Outro presságio foi o quase atropelamento de uma criança. O acontecimento enseja o abandono da aventura principal para o narrador contar o caso de um atropelamento em que ele havia matado um homem e fugido em Brasília. Dois erros e uma transgressão na partida da luta maior. O narrador reflete que uma jornada trabalhosa deve apresentar as dificuldades logo de início, para não deixar o empreendedor acomodado: Tem coisa difícil que você começa, que já no começo dá trabalho, e você então já começa com disposição para ir até o fim. E tem coisa difícil que começa sem trabalho, e aí seu corpo se acostuma, e você fica torcendo para a coisa não apertar, e quando aperta, você está mole e então reclama. e foi desse modo naquela estrada depois de Inhapim. As dificuldades começaram então a se apresentar. A estrada estreita e lamacenta fazia o motorista ter de descer a todo momento para ver se dava passagem, ou alguém tinha de ir à frente nas curvas para sinalizar se algum carro viesse em sentido contrário. Num determinado local, um carro carregado de carvão atrapalhava a estrada, com problema no motor de arranque. Teve de ser empurrado. Quando havia água na estrada, eles tinham que descer e marcar o lugar da estrada depois de um exame do local com os pés. Já noite, a carreta de Jorge prendeu num barranco, e tiveram que pernoitar ali. O dia seguinte quase todo foi gasto com o corte do barranco para as carretas passarem. O narrador começa a se preocupar com o cumprimento do prazo, e principia a admitir que a sua procura pode não dar resultado: Olhei para a estrada estreita e enlameada e, e pensei que a gente tinha levado um dia para passar uma curva, e que faltavam cinco dias para a tal inauguração, e eu não estava com certeza se chegaríamos a tempo. E digo que tem hora que dá vontade de você se convencer que, às vezes, por mais força que você faça, as coisas podem não acontecer como você quer. Em seguida um mata-burro exigiu reforço, o caminhão de Jorge atolou na saída de Bugre, e uma ponte suspeita deteve o comboio. Teve de ser feito um desvio por dentro do rio, que não estava muito cheio. Quase dois dias de interrupção. Jorge começa a acreditar que a missão seria cumprida: Fiz a conta e faltavam três dias para a data que o senhor Mário havia marcado para entregar aquele milho. Pensei e achei que a gente ia chegar no dia certo. Que era até capaz da gente chegar antes, porque de Ipatinga a Belo Horizonte a estrada era asfaltada e nova. Daí a pouco, furou um pneu traseiro da carreta do Toledo. O Toledo era um tipo mais delicado, meio extravagante, que usava calças apertadas em cima e boca-de-sino em baixo, e camisa de manga comprida colorida e botinhas de salto alto. Tinha um jeito esquisito de andar, como se estivesse apagando cigarros com o pé. De todos, era o que tinha mãos mais finas, e fazia um esforço tremendo para trocar o pneu da carreta. O inimigo é associado às trevas, ao inverno, à confusão, à desordem; o inimigo é a chuva, que deforma o mundo e barra os movimentos do herói. As mãos finas do Toledo remetem o narrador novamente à pedreira em Brasília, onde ele havia atropelado o homem. Segundo o sócio do senhor Mário, candidato a trabalhador de pedreira não pode ter mãos finas, porque pau-de-arara de mãos finas era cantador ou ladrão. Tornando à aventura principal, Jorge reflete que daqueles motoristas ali com as carretas, o de mão mais delicada era o melhor deles. E isso era engraçado. Chegando a Ipatinga, Jorge tenta usar um estratagema para passar na barreira, que estava com a guarda abaixada e dois policiais tomando conta com ordem para não deixar ninguém passar sem autorização. Jorge tenta convencer um dos guardas de que as oito carretas continham material para ser entregue no acampamento da Companhia que estava consertando as estrada. Em vão. Jorge tenta intimidar o guarda ameaçando passar a força, mas este reage puxando a arma. Jorge volta a Ipatinga para tentar conseguir uma ordem com o delegado, que ele conhecia da outra vez que estivera lá, quando o ônibus batera num caminhão. mais uma vez, não consegue nada, e resolvem tentar outro caminho. Volta a assaltar Jorge a preocupação com o cumprimento de sua missão: E faltavam três dias para a data que o senhor Mário tinha falado como sendo o limite para entregar aquele milho, e fiquei com medo de não dar. E a distância era pouca, um quase nada. Saindo de Timóteo, o carro do Fábio fica sem óleo de freio. Eles têm que consertar e arranjar um pouco de óleo de cada uma das outras carretas para abastecer a que ficara sem. Mais adiante, aparece uma ponte com desnível em relação à estrada, nova parada para reparos. Mais paradas para consertar um radiador e um semi-eixo. E o herói começa a esmorecer diante dos perigos da jornada: Saí fazendo as contas na cabeça de quanto a gente ainda poderia demorar. E havia trechos em que não estávamos indo nem a dois, três quilômetros por hora. Era aquela vagareza, passando devagar nas curvas, devagar nas subidas, nas descidas. E parando. E vendo se as rodas iam atolar naquela lama que aparecia na frente. E medindo o tamanho do buraco que a água estava encobrindo. (...) E ficando com aquele medo nas horas em que sentíamos os pneus derrapando. O inimigo é associado às trevas, ao inverno, à confusão, à desordem; o inimigo é a chuva, que deforma o mundo e barra os movimentos do herói. Mas ele vai em frente, até chegar a Dionísio, onde uma ponte danificada segurou irremediavelmente o grupo, enquanto os homens da prefeitura tentavam consertá-la. No momento em que a missão está definitivamente comprometida, ocorre o idílio, o divertimento do herói com a donzela que ele encontra no bar de beira de estrada, que se oferece a ele. A sedução da moça faz o herói esquecer seu fracasso, prendendo-o ao local de obstáculo intransponível. E o herói esqueceu que havia uma ponte que devia ser consertada para seu grupo passar. O prazo já estava vencido: No dia seguinte, quando olhei a ponte e vi que não ia dar para ficar pronta, e o "mestre" me perguntou qual era mesmo o peso que a gente levava, eu disse, e falei que ali nunca tinha passado carro com um peso daqueles. E não liguei de não dar para passar naquele dia. E aquilo era coisa que eu nem sabia como era. Já estávamos atrasados cinco dias, e o "mestre" falou que naquele dia não ia dar, e eu nem com raiva fiquei. No dia seguinte, a ponte ficou pronta, e o herói se despediu da donzela, com muitas promessas de que ia voltar para vê-la. E, após alguns atoleiros, o grupo chega a São Domingos do Prata. O protagonista se conforma com a idéia de que não conseguiu cumprir a missão, que seu ato de heroísmo era impossível. E assume sua condição humana, o real está ali: E íamos devagar e já estávamos atrasados seis dias. E não havia outro meio de ir. E não senti mais raiva disso. E sabia que se fosse possível, iríamos chegar em Belo Horizonte com as oito carretas. E isso me pareceu que bastava. A entrada triunfal da comitiva na avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte, mais de nove horas da noite, é uma espécie de exaltação do herói, que não cumpriu um desígnio superior e impossível, mas que, assumindo sua condição humana, consegue terminar vivo sua grande luta. O não cumprimento da missão faz as coisas transformarem-se em seu retorno. O chuveiro estava estragado. A cama onde ele sempre dormia tinha sido interditada verbalmente pelo senhor Mário. Transgredindo a ordem, ele dorme nela assim mesmo. A chave da Kombi, o vigia a entrega a ele dizendo que não podia entregar, por ordem do senhor Mário. Até o contador, criatura insignificante, havia-se magnificado para cobrar dele notas e acerto de contas. O supremo gesto de libertação é a conquista da rainha, consorte do dominador: E tornei a apertá-la, e enfiei minha língua lá dentro de sua boca. E digo que nunca beijei uma mulher como aquela. Aí começa a se efetivar a libertação do herói, que já se havia delineado nas pequenas transgressões anteriores, da cama, do chuveiro e da Kombi. Ele agride o contador, e o joga contra a porta da sala do senhor Mário, que estava vazia, e aquele pedaço de merda quebra a porta de entrada do espaço da dominação. O pedaço de merda é o homem que toma conta do patrimônio do patrão. O supremo gesto de libertação é a conquista da rainha. Jorge se dirige à casa do senhor Mário, para esclarecer tudo definitivamente. O patrão não se encontra lá; apenas sua mulher, dona Helena. A confirmar a ruptura ocorre a sedução da consorte do dominador: O cabelo dela brilhava ali perto do meu rosto, naquela sombra da sala, e eu olhei e vi sua boca, e era uma boca que parecia que tinha bebido água. E tornei a apertá-la, e enfiei minha língua lá dentro de sua boca, e digo que nunca beijei uma mulher como aquela. O ato final do herói foi sair dali, dirigir-se à garagem dos concreteiros, pegar suas coisas, colocar dentro de suas duas bolsas, e abandonar o local. Definitivamente? Uma das características da narrativa oral é a possibilidade de se fazer a pergunta: o que aconteceu depois? Pode-se imaginar então que há um Jorge em um ponto qualquer a recontar sua história, ou a inventar alguma, ou a reproduzir outra que ouviu de alguém. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
FERRAZ, Maria Heloisa C. de T.; FUSARI, Maria Felisminda de R. e. Arte na Educação Escolar. São Paulo: Cortez, 1992.

Resumo.
O ensino e a aprendizagem da arte fazem parte da produção artística em todos os tempos.
A mudança da educação tradicional para o processo de aprendizagem do aluno também ocorreu no âmbito do ensino de Arte.
As pesquisas de vários campos das ciências humanas sobre o desenvolvimento da criança e sobre o processo criado, sobre a arte e outras culturas. Na confluência da antropologia, filosofia, psicologia, psicanálise, critica da arte, da psicopedagogia e das tendências estéticas surgiram princípios inovadores para o ensino de artes plásticas, musica, teatro e dança que valorizam a livre expressão e a sensibilização para a experimentação artística visando o potencial criador.
A necessidade e a capacidade da expressão artística enquadrada em palavras de ordem, em aplicação mecânicas das atividades das crianças, geram deformações na idéia original e banalização do deixa fazer, deixar a criança fazer arte, sem nenhuma intervenção. Esse objetivo de facilitar o desenvolvimento criador da criança, no entanto desencadeou uma indiscriminada idéia vaga e imprecisa sobre a função da educação artística.
Na década de 60, arte-educadores, questionava, a idéia do desenvolvimento espontâneo, inaugurando uma nova tendência, com o objetivo era precisar o fenômeno artístico como conteúdo escolar, articulando-se em dois movimentos: a revisão critica da livre expressão e a investigação, na pedagogia, na psicologia cognitivista, na própria produção artística, entre outras.
No inicio dos anos 70, os Estados Unidos afirmavam que o desenvolvimento artístico é resultado de formas complexas de aprendizagem. A tarefa do professor era propiciar essa aprendizagem por meio da instrução, buscando meios para transforma idéias, sentimentos e imagens num objeto material, estabelecimento de conceitos solidificam e fundamentam dentro do currículo escolar, definindo contornos com base em características ao fenômeno artístico. A partir daí, pesquisas ressaltara as que investigam o modo de aprender dos artistas.
O ensino da arte é identificado pela visão humanista e filosófica que demarcou as tendências tradicionais e escolanovistas. Que apesar de contrapor as proposições, métodos e entendimento dos papeis do professor e do aluno, influenciaram ações escolares de Artes.
Na primeira metade do século XX, disciplina de Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto Orfeônico, faziam parte dos programas escolares. O ensino de arte era voltado ao ensino técnico, o professor transmitia aos alunos códigos, conceitos e categorias.
A disciplina de Desenho apresentada sob a forma de Desenho Geométrico, Desenho Natural e Desenho Pedagógico era considerado aplicação imediata e a qualificação para o trabalho.
Teatros e danças eram reconhecidas como parte de festividades e celebração de datas. A musica, o Canto Orfeônico preparado pelo compositor Heitor Villa-Lobos, na década de 30 difundia idéias de coletividade e civismo. Esbarrando na atividade pratica dos professores e transformou-se em aulas de musicas baseada em aspectos matemáticos e visuais com a memorização de peças orfeônicas de caráter folclórico, cívico e exaltação. Isso por 30 anos, quando o Canto Orfeônico é substituído pela Educação Musical, pela LDB de 1961.
Entre os anos 20 e 70 o ensino da Arte volta-se para o desenvolvimento natural da criança valorizando suas formas de expressão e de compreensão do mundo, enfatizando repetições de modelos, e deslocando a ênfase para os processos de desenvolvimento do aluno e sua criação.
Desenho e Artes Plásticas BUSCAM A ESPONTANEIDADE, AUTONOMIA E DESCOBERTA, BASEANDO-SE NA AUT-EXPRESSÃO DOS ALUNOS.
Com a Educação Musical a musica pode ser sentida, tocada dançada, cantada. Utiliza-se jogos, instrumentos de percussão, todas e brincadeiras buscava-se um desenvolvimento auditivo, rítmico, expressão corporal e a socialização das crianças que são estimuladas a experimentar, improvisar e cria.
A semana Da Arte Moderna, em 1922, tenta-se trabalhar-se a arte fora das escolas, cresce os movimentos culturais. As artes plásticas ganham novas expressões, surgem museus em todo o país. Obras deixam de ser só eruditas, mas se popularizam, aproximando e influenciando a Arte escolar. Até 1960, havia poucos cursos de formação de professores nesse campo, e professores de quaisquer matérias ou pessoas com alguma habilidade na área poderiam assumir as disciplinas de Desenho, Desenho Geométrico, Artes Plásticas e Musica.
Em 1971, a LDB, a arte é incluída no currículo escolar com o titulo de Educação ARTÍSTICA, mas é considerada atividade educativa e não disciplina.. foi um avanço, mas os professores não estavam habilitados essa contradição demonstrou o enfrentamento de dificuldades da base na relação entre teoria e pratica.
Faculdades de Educação ARTÍSTICA foram criadas para cobrir o mercado, mas não estavam preparadas, os professores tentavam equacionar objetivos inatingíveis, com atividades múltiplas, envolvendo exercícios musicais, plásticos, corporais, sem conhece-los bem e justificados e divididos apenas por faixas etárias.
Entre 70 e 80, antigos professores e os recém formados viram-se responsáveis em educar alunos em todas as linguagens artísticas tornando-se polivalentes em Artes, o que diminuiu a qualidade de cada forma de arte.
A partir de 80 constituiu-se o movimento Arte-educação com finalidade de conscientizar e organizar profissionais ampliando as discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor. Novos andamentos a ação educativa foram propostas por universidades, associações de arte-educadores, entidades publicas e particulares.
Em 1988, a Constituição Federal retira a obrigatoriedade da área, porem, e a LDB de 1996 revoga e considera a Arte obrigatória na educação básica. O inicio do movimento arte educação evolui-0se pra discussões que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a aprendizagem da arte nas escolas. Identificado por Arte e não mais Educação Artística, é estruturada no currículo escolar como área com conteúdos próprios ligados a cultura artística a não mais atividade. Trata-se de estudos sobre a educação estética do cotidiano, encaminhando o pedagógico-artístico a integração de fazer- artístico, a apreciação da obra de arte e a contextualização histórica ( produção, fruição e reflexão).
Sem uma consciência clara de sua função e da arte como área de conhecimento com conteúdos específicos, professores não conseguem formular um quadro de referencias conceituais e metodológicas para alicerçar sua ação pedagógica. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Bufo & Spallanzani é um romance repleto de citações de e sobre outros autores e livros, além de muitas digressões sobre a arte de escrever narrativas. Enfim, tal obra literária está, sempre que possível, fazendo referências à própria literatura, o que, em outras palavras, costumamos chamar de exercício da função metalingüística. lvan Canabrava narra acontecimentos de sua vida em flash-back. ora a nós leitores ora a Minolta, sua namorada, amiga, amante e confidente. Várias histórias se entrelaçam, se misturam, nesse enredo de Rubem Fonseca. O livro se divide em cinco grandes partes: Foutre ton encrier, Meu passado negro, O refúgio do Pico do Gavião, A prostituta das provas e A maldição. Essas partes correspondem a episódios da vida do narrador. Cada uma delas poderia ser independente caso não houvesse um fio narrativo condutor. No primeiro episódio, Foutre ton encrier, o escritor Gustavo Flávio conta a Minolta sua relação com Madame X. Compõe-se de seis capítulos. Madame X, mais tarde revelada como Delfina Delamare, é uma bela e casada grã-ina por quem o narrador se apaixona. Delfina é encontrada morta. O detetive Guedes suspeita de Gustavo Flávio, porém não tem provas contra ele. A princípio, levanta a hipótese de suicídio, porém após os exames periciais comprova-se o homicídio. O marido de Delfina, o ricaço Eugênio Delamare, tem interesse na idéia de homicídio.

No capitulo 5, Gustavo Flávio revela a identidade de Madame X a Minolta. Conta também que recebera, antes da morte de Delfina, a visita ameaçadora do marido traído. No último capitulo. Gustavo Flávio é convidado a depor como um dos suspeitos do assassinato de Delfina Delamare. O segundo episódio — Meu passado negro — volta ao passado de Gustavo Flávio. Antes de ser Gustavo Flávio, o escritor havia sido professor primário, amante de Zilda. Seu nome: lvan Canabrava. lvan passa a trabalhar numa firma de seguros, que deverá pagar um prêmio altíssimo a Clara Estrucho, viúva de Maurício Estrucho, que fez o seguro poucos meses antes de morrer. Desconfiado, lvan começa a investigar o caso. Descobre, no lixo encontrado no apartamento abandonado do casal Estrucho, um sapo morto e um ramo de flores murchas. Com a ajuda de Ceresso, presidente da Associação Brasileira de Proteção ao Anfíbio, lvan Canabrava descobre também que o veneno do sapo, da espécie Bufo marinus, associado ao sumo da planta, causa catalepsia profunda. Excitado pela descoberta da fraude, lvan não percebe o descaso de seu chefe e entrega-lhe o relatório completo de suas investigações. No entanto, sob suspeita de loucura, lvan não tem crédito e parte para a experiência da catalepsia. Mesmo com seu próprio atestado de óbito, lvan não consegue convencer o chefe. Não desiste, porém: vai ao cemitério acompanhado por Minolta, Siri e Maria, seus amigos hippies, para abrir o túmulo onde estaria Maurício Estrucho. Na ocasião são surpreendidos pelo coveiro e, para calá-lo, lvan o agride, matando-o sem querer. lvan é preso e considerado louco. Vai para o Manicômio Judiciário, de onde foge com a ajuda de Minolta e Siri. Passa então dez anos escondido com Minolta. lvan Canabrava adota o pseudônimo de Gustavo Flávio (uma homenagem ao escritor francês Gustave Ftaubert), engorda trinta quilos, torna-se escritor famoso e aprende a amar as mulheres. Por sugestão da sua segunda companheira, volta ao Rio de Janeiro. No final da segunda parte, o narrador retoma o relato sobre seu romance com Delfina Delamare. Minolta observa que o escritor está sentindo dificuldades para começar a escrever seu romance Bufo & Spallanzani e sugere a Gustavo Flávio que se recolha ao Refúgio do Pico do Gavião. O terceiro episódio poderia constituir-se em outro história, não fosse também vivenciada por Gustavo Flávio. O Refúgio do Pico do Gavião refere-se à conturbada estada do escritor nesse lugar. Há outros hóspedes: um elegante casal de bailarinos, Roma e Vaslav; um maestro e sua esposa prima-dona, Orion e Juliana Pacheco; um rapaz magro e tímido, Carlos; duas "primas", Suzy e Euridice, que são, na verdade, amantes. Além dos hóspedes, outras personagens participam da trama: Trindade, proprietário do lugar, e D Rizoleta, sua mulher. Numa conversa entre os hóspedes, o maestro questiona o talento dos artistas literário defendendo a idéia de que qualquer um pode ser escritor. A isso Gustavo Flávio responde com um desafio: dá um tema aos presentes, que deverão desenvolvê-lo numa narrativa e apresentá-lo. O maestro, Roma e Suzy aceitam o desafio. O escritor escreve as primeiras linhas de Bufo & Spallanzani: é uma história de homens e sapos. A propósito, começa a perceber-se a ligação do romance com o titulo: Bufo marinus é a espécie de sapo encontrada por lvan Canabrava; Spallanzani foi um biólogo italiano do século XVIII que estudava a circulação sanguínea, a digestão e os animais microscópicos. A Experiência que o escritor deseja relatar em seu romance tem como personagens dois sapos, Bufo e Marina (qualquer semelhança será mera coincidência?), cobaias de Spallanzani. Ao mesmo tempo, os hóspedes do Refúgio separadamente mostram a Gustavo Flávio suas narrativas que, segundo o narrador, são autobiográficas. Constata-se que realmente escrever é muito difícil. Durante este episódio, acontece outro crime: Suzy é encontrada morta. Ao mesmo tempo, Minolta recebe um aviso sobrenatural e resolve procurar Gustavo Flávio no Refúgio. O detetive Guedes também vai ao encontro de Gustavo Flávio. O quarto episódio divide-se em três capítulos: neles começa a ser desvendado o assassinato de Delfina. Guedes descobre que o assassino confesso não matara a grã-fina e deixa-o em liberdade. O farsante fora pago por Eugênio Delamare, o marido traído, para que o caso fosse encerrado na policia. Guedes, em suas andanças pelo local do crime, encontra Dona Bernarda e seu cão Adolfo. Ela é a testemunha de que Guedes precisa para incriminar Gustavo Flávio. A última parte, intitulada A maldição, está reservada para o clímax e o desenlace. Ë dividida em oito capítulos. No primeiro capítulo, o narrador faz considerações sobre o gênero do romance em geral. Faz também reflexões sobre a dificuldade de concluir-se uma história. No segundo capitulo, o relato do Refúgio do Pico do-Gavião é retomado. Descobre-se que o assassino de Suzy é Euridice e que Carlos é a Maria da narrativa que Suzy contara tendo como mote o tema dado por Gustavo Flávio. Segundo Suzy, Maria era casada com José. Os dois fizeram um pacto de amor: quem traísse o companheiro seria morto pelo outro. Maria, então, por ter atentado contra a vida do marido, disfarçara-se em Carlos. Após solucionado o caso, as personagens retornam ao Rio de Janeiro. Guedes avisa a Gustavo Flávio que passará em sua casa. Na visita, Guedes comunica a Gustavo Flávio que o vigarista preso pelo crime da ricaça havia sido assassinado e que a vítima seguinte seria ele. Gustavo Flávio, então, arma-se e aguarda o marido enganado. Nesse interím, o escritor apaga de seu computador os dados do arquivo para o romance que tentara escrever. Eugênio Delamare consegue aprisioná-lo e corta suas bolsas escrotais. Durante a tortura, Guedes chega com policiais. Após o tiroteio, Guedes e Gustavo Flávio sobrevivem, os demais morrem. Finalmente, Gustavo Flávio conta a Minolta quem é o verdadeiro assassino de Delfina. Quando Delfina descobrira que tinha leucemia, decidira que não acabaria da maneira suja, dolorosa e humilhante que a morte escolhera para ela. Resolvera matar-se. Mas a coragem lhe faltava. Convencera, então, Gustavo Flávio a fazer isso por ela. Confessando pormenorizadamente o crime, tenso, ele termina a narrativa dirigindo-se a Minolta. É importante compreender o desdobramento da personagem protagonista para articular os episódios entre si. O fio narrativo, que corresponde ao fato transformador da vida de lvan, encontra-se na figura do sapo. Bufo, além disso, possui outro sentido: significa, segundo o dicionário do Aurélio, "ator ou personagem de comédia ou farsa encarregado de fazer rir o público com mímicas, esgares etc.-". Desde o início da narrativa, o narrador se denomina glutão, sátiro e atacado por satiríase. Sátiro, convém lembrar, é, na mitologia pagã, um semideus lúbrico habitante das florestas, e que tinha chifres curtos e pés e pernas de bode; no sentido figurado significa homem devasso, luxurioso, libidinoso. Satiríase, por sua vez, é um termo da área médica, que significa excitação sexual masculina mórbida. Pode-se fazer, portanto, uma relação entre o impulso de escrever e o impulso ou excitação sexual. A narrativa parece jorrar, em sua complexidade, como um jato em que as partes se articulam e apresentam o quadro fabular e suas personagens. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O robô errou os calculos!!! Azar para Delon, um estudante do sec. XXX que acabou se deslocando no tempo e foi parar em 1987. Pior ainda para os seus amigos B-Hor, Thera e Plick, que resolveram procura-lo no ano de 1710, quando piratas franceses havia imvadido o Rio de Janeiro. Será que a turma conseguirá se reunir e retornar ao futuro? Aperte os cintos e embarque nesta fantastica aventura.

Sobre o autor:

Wilson Rocha é um carioca de multiplas atividades: advogado, autor e diretor teatral, roterista cinematrografico, roteirista diretor de televisão e o mais importante um escritor especialmente apaixonado pela literatura infanto-juvenil. Sua carrera começou cedo quando ainda era estudante que montava peças teatrais na escola e posteriormente na universidade. Essa esperiencia amadora ajudou a ser descoberto pela televisão e assim foi contratado pela tv Globo em 1964, no cargo de produtor e redator. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Juiz de Paz da Roça é uma peça teatral que se passa, logicamente, na roça e tem apenas um ato. Conta sobre Aninha e José.
Aninha e José amam-se e planejam casar em segredo, mas José é capturado para tornar-se soldado contra a Revolução Farroupilha. Após algumas deliberações sobre as disputas locais entre os lavradores, o juiz ordena Manuel João, pai de Aninha, a levar José a manter-lhe em casa por um dia e levá-lo quartel a seguir (ninguém sabe do amor do casal). No meio da noite o Aninha e José fogem e casam-se em segredo. Após descobrirem o fato consumado os pais perdoam a jovem e vão até o juiz esclarecer o caso. O rapaz fica assim desobrigado de servir e a peça acaba com todos comemorando. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Igreja do Diabo (publicado no livro Histórias sem Data) é uma nova idéia do diabo: fundar uma Igreja e organizar seu rebanho, tal qual Deus. Após comunicar Deus de seu futuro ato, vai à Terra e funda com muito sucesso uma Igreja que idolatra os defeitos humanos. Mas aos poucos os homens vão secretamente exercitando virtudes, Furioso, o Diabo vai falar com Deus, que lhe aponta que aquilo faz parte da eterna contradição humana. Anedota Pecuniária (publicado no livro Histórias sem Data) é uma pequena crítica a ganância. Nela um homem "vende" suas sobrinhas aos homens que as amam por causa de sua fascinação com o dinheiro. Capítulo dos Chapéus (publicado no livro Histórias sem Data) é um conto onde aparece a frivolidade e ostentação da época de Machado. Mariana, após pedir ao marido que troque o seu simples chapéu, testemunha a sociedade (na famosa rua do Ouvidor) e acaba pedindo que ele permaneça com seu chapéu. Fulano (publicado no livro Histórias sem Data) Beltrão é um homem que vai aos poucos se tornando mais um homem público que privado após receber elogios públicos e acaba deixando seu dinheiro para a posteridade e não a família. Galeria Póstuma (publicado no livro Histórias sem Data) é uma crítica a hipocrisia, onde o sobrinho de um falecido recente lê em seu diário as verdadeiras opiniões do tio sobre aqueles que o cercavam em vida, incluindo o rapaz. Singular Ocorrência (publicado no livro Histórias sem data) é o relato de um homem a um amigo sobre o caso extraconjugal de outro amigo. Ele conta que esse amigo e a amante eram apaixonados (ela abandonou a difícil vida fácil por ele) e que, numa única vez, o traiu. E foi este caso que gerou um grande turbilhão emocional que quase acabou no rompimento e suicídio dela, mas eles por fim se reconciliam e vivem felizes até que ele muda de província e morre antes de voltar. Último Capítulo (publicado no livro Histórias sem data) é o bilhete de um suicida. Azarado a vida toda (ele literalmente caiu de costas e quebrou o nariz), sua vida foi povoada de desgraças. Quando estava inventariando os bens da esposa morta, achou cartas de amor de seu sócio. Decidiu matar-se e deixar em seu testamento a cláusula que deveriam ser comprados sapatos e distribuídos, já que vira um pobre coitado (mais que ele) feliz a contemplar seus calçados. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Considerações Gerais Romance metaliterário (o narrador fala da obra) em linguagem fragmentária, através da qual o narrador, um crítico de teatro, conta-nos seu envolvimento criminoso com Inês, uma mulher manca e misteriosa. Consciente de que a verdade em si é uma composição de signos (representações), se diverte com o leitor. Afinal, onde a verdade do ocorrido estará? Nas ações do teatro que ele critica? Nas pinceladas do pintor? Nas palavras do escritor? Como espelhos estilhaçados que precisam se unir, ou como linguagens diferentes costurando-se umas às outras, talvez encontremos a(s) resposta(s) para o fato: um crime delicado! E foi através desses espelhos, que refletem uns aos outros, que minha observação se deu, bastante discreta e oblíqua. O que importa, então, é deixar correr solta a mente, e talvez a esse fluxo é que se deva chamar verdadeiramente de vida. Pois mesmo quando nos envolvemos em grandes aventuras, o que é vivê-las senão a subjetividade de quem as vive? Sou crítico profissional de teatro. Mas a profissão talvez explique muitas coisas em meu comportamento e na minha forma de viver, em minha personalidade enfim, embora eu não saiba dizer se foi esta personalidade que me conduziu naturalmente à crítica, ou se foi o exercício desta que terminou por contaminar meu comportamento e minha personalidade. Antônio Martins, ao tentar reconstituir retrospectivamente sua história, representando-a em diferentes linguagens, deixa em aberto várias possibilidades de interpretar o que se passou.

Teria ele sido vítima de uma armadilha elaborada pelo artista plástico Vitório Brancatti, protetor e possível amante de Inês? Estaria ele próprio falando a verdade sobre o seu relacionamento com a moça, ou apenas criando o seu texto? O crítico agora é você, leitor! Resumo Romance narrado em 1ª pessoa, em três partes, subdivididas em capítulos e numa linguagem que acompanha o vaivém da memória do narrador, um crítico profissional de teatro, que alguns consideravam excêntrico, solitário: Antônio Martins. Inicia o texto falando que teria visto Inês num café cujas paredes e colunas eram espelhadas. ...uma visão discreta e oblíqua, mas que por vezes, podia jurar que o observado era ele. Inês, uma mulher com rosto de traços finos e delicados, seios pouco salientes, mulher magra, com o corpo bem- proporcionado, cabelos claros, encaracolados - de olhar melancólico e solidão recatada - assim a teria visto, após duas doses de conhaque - o que, segundo o narrador, eram suficientes, pois se continuasse a beber... ...no dia seguinte poderia descambar, acelerar de forma desritmada os fluxos de sua mente, passar de uma exaltação quase feliz para um abatimento cheio de imagens e pensamentos dolorosos - uma tendência que ele procurava controlar: o alcoolismo. Antes de se retirar do café, ele observa que um homem de meia-idade, com cabelos revoltos e grisalhos, inicia uma conversa familiar com a moça, mas percebe que ele os observa, lançando-lhe um olhar firme, mais curioso do que hostil. No capítulo seguinte, certa tarde, Antônio atravessava o largo do Machado, no centro do Rio de Janeiro, e fora acometido por uma premonição, a de que algum incidente estava prestes a ocorrer. No metrô, ainda quando descia os degraus da escada, ao virar-se instintivamente uma mulher cai sobre o seu corpo, e é amparada em seus braços. A moça é manca, mas de uma beleza singular. Antônio a reconhece como a moça que o impressionara no café. Segue-a até a rua Paissandu, local de sua residência. Inês era seu nome, e ela também o reconhece. Num espetáculo teatral, Antônio percebe que o que se passara com Inês e ele no metrô o emocionara - e isso interferiria - embora não devesse, em seu julgamento da peça que analisava. ...dois jovens em crises existenciais que, segundo o crítico, uma simulação do amor beirando a impotência e buscando ostentar-se na própria teatralidade, numa pretensa metalinguagem que não passava de um álibi - uma coisa tediosa e medíocre. Enfim o espetáculo. Folhas de outono (folhas secas que caíam através de uma janela cênica) representavam o aprisionamento da atriz. Podemos ler esse aprisionamento observado na peça como signo- sinal da relação de também aprisionamento entre Inês e Brancatt, ou seja, uma dica do narrador, que retira fragmentos da linguagem do teatro que analisa para construir o seu texto e confundir ou brincar com o leitor. Neste "texto" também há forte comparação da atriz com Inês. ...a imagem de Inês que insistia em pairar, no decorrer da peça, em meu palco interior? Relembrando: Antônio e Inês trocam olhares no café; Inês cai em seus braços no metrô no dia seguinte; Antônio a acompanha até a rua de seu apartamento; marcam um encontro num bar- restaurante no Leblon, onde Inês já o estaria esperando. ...ele que chega 10 minutos antes da hora marcada, depois de haver tomado um uísque em casa, de puro nervosismo. Inês ri ao saber que Antônio era crítico de teatro e, entre goles de uísque, Antônio tem a impressão desconfortável de que ela apenas se deixara tomar pela mão sem nenhum tipo de retorno; mas o induziria a ir a seu apartamento, e que no dia seguinte entre imagens superpostas, lembranças e projeções vagas que lhe vinham em forma de lampejos, ele descreve-nos o local: uma muleta e uma tela sobre o cavalete, sons de um trompete, cheiro de tinta e perfume no ar além de um biombo negro com ramagens prateadas. Embriagado, envolto nos sentimentos que o levavam a desvendar Inês, acreditou na força do destino, mas já em casa questionava: seria ela uma pintora? E o biombo escondia uma Inês com problemas físicos? Seria o local para despir-se fora das vistas mesmo de um amante? Ou preparado por Inês para enciumá-lo? Inês teria neste encontro no Leblon pedido a Antônio que fosse comprar analgésicos e tranqüilizantes enquanto esta daria um telefonema. Antônio sequer a viu andando. Sua perna manca teria sido um artifício para eles se aproximarem? No apartamento, Inês se coloca inerte no divã. Teria misturado o tranquilizante álcool? Sente por ela um arrebatamento de uma força delicada. Antônio a conduz para a cama, despindo-a. Inês abre os olhos, arregalando-os em pânico. Antônio tem a reação de exibir a transparência de suas intenções, mas ao acender a luz, Inês tinha os olhos fechados. Parecia dormir, ou fingia que dormia? Exibir transparência ou como narra Antônio: ...tentava fugir para não ser surpreendido numa situação dúbia? O resto? Ele apenas se erguera e voltara para casa, acordando em sua cama. Antônio teme um reencontro com Inês, preocupa-se com a seqüência dos fatos produzidos por uma memória prejudicada, deixando vazios que possivelmente encobririam algum ato que sua mente não ousava trazer à tona. Antônio a teria despido? E o cheiro de tinta que ainda ficava em sua memória olfática, saíra do biombo? O que Inês pensaria de seu delicado gesto? Despi-la para a cama? Como ela os interpretaria? E o quadro, e o cavalete atrás do biombo? Relembra o encontro no metrô, teme reencontrá-la e se isso ocorresse, como despistá-la da coincidência sem que ela tecesse suspeitas? Em casa constata um pequeno ferimento no joelho; desiste de um contato com Inês, vai ao teatro. Antônio recebe um envelope de Inês Brancatti, levado por um homem de moto e uma moça. Enciumado por imaginar Inês com o motoqueiro , rasga o envelope com raiva e junto a um convite há uma cartinha em papel perfumado e cor-de-rosa, com o endereço e telefone. Trata-se de uma mostra coletiva de pintura com o título de Os Divergentes. Os Divergentes expunham no Centro de Expressão Vida, na rua Viúva Lacerda, no Humaitá. Ao sondar a exposição, crítico que era, não encontra nela valores contemporâneos mas: ...fruto de pincéis de pessoas medianas, talvez normais, com suas figuras, paisagens, naturezas mortas. Antônio encontra Inês próxima a um quadro que revelava o apartamento onde estiveram. Imagens refletidas reproduziam, em detalhes, o cenário em que se encontraram, e Inês ali o concretizava. Ele percebe que ela não os poderia ter pintado (um auto-retrato fazendo uso de um espelho). Fora usada como modelo do pintor Vitorio Brancatti - o homem que a acompanhava no café quando se viram pela primeira vez. Antônio é fotografado em frente ao quadro, e a sensação que tem é que caíra numa armadilha. Na tentativa de encontrar uma confidente entre as muitas amigas que tinha, tenta ligar para Maria Luísa, uma professora universitária, bonita, madura um tanto séria, mas relaciona o telefone a outra Maria Luísa, essa uma atriz de teatro e TV. Luísa atuava em uma adaptação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues - era Lúcia, uma das irmãs que disputavam o mesmo homem: Pedro. Na saída da peça, esperando-a trocar de roupa, Antônio bebe um conhaque para relaxar. Vai ao café com Luísa, e lá não vê Inês. Entre Antônio e Luísa o encontro é um fracasso. Ambos cumpriam um ritual de interesse e sedução. Da parte dele, um equívoco. Antônio procura Maria Clara, uma amiga quarentona e solitária, que o aconselha a transar com Inês, nem que fosse apenas para libertar-se dela. Antônio vai a peça Albertine - uma adaptação livre de temas proustianos , de autoria da paulista Beatriz Sampaio. Nessa peça há algo de traiçoeiro para o leitor: o narrador por meio de códigos, oferece-nos pistas sobre seu envolvimento com Inês. A peça é em pré- texto. Proust sempre numa cama adornada de rendas, enquanto vários de seus personagens - numa movimentação por vezes lenteada, pairavam surgindo e desaparecendo ao redor do leito - numa cenografia móvel, constituída, entre outras coisas, de obras de arte ou pretensamente (como já vulgarizadas reproduções de Monet, Renoir.), além de texto do mestre Proust que podia ser ouvido, ora em off, ora através de personagens. Lembre-se, leitor, do biombo, do perfume, da muleta, da música, enfim... sinais que nos remetem ao apartamento de Inês. Dois dias depois do espetáculo Albertine, Antônio encontra um recado de Inês em sua secretária eletrônica: precisava falar com ele. Ele aceita um convite de Inês para um chá naquela tarde em seu apartamento, e mais confiante não pretendia baixar a guarda emocional e a crítica. Exporia isso ao revelar suas impressões quanto ao quadro de Vitório Brancatti. Veja: modelo em plano desproporcional em relação aos demais elementos da composição; · Perspectiva chapada, aproximando e realçando os elementos de fundo - a tela no cavalete, a muleta e o divã - sem ofuscar o principal; · Desvio estético - Inês devassada em sua intimidade; · O biombo tornava a cena mais poética - cingindo de uma auréola de inocência a modelo, que, atrás daquele compartimento, não estaria supostamente se percebendo observada, e que não teria como se achar presente naquele espaço; · Gosto duvidoso ao macular pela exibição, sobre a borda do biombo, a calcinha branca e o sutiã vermelho, cuja textura em tintas materializava como algo tátil sobre a tela. Tudo isso, pensa Antônio, quase alegre, confiante por ter cercado criticamente a obra de Vitório por todos os ângulos enquanto se aproxima do edifício de Inês. Inês o introduz ao apartamento elegantemente e Antônio ao atingir a sala é assaltado pela sensação... ...vizinha da loucura - de que não penetrava num cômodo real e sim num espaço preparado, onde havia algo de falso, como um cenário, ou mais abissalmente, o interior de um quadro de Vitório Brancatti. Inês agradece, referindo-se à noite em que ela havia sido levada para a cama e que não desgostara do fato. Estaria querendo reviver o que se passou? Ou estaria usando Antônio que teve uma brilhante intuição. ...se Vitório dispunha de Inês, que tentava dispor de mim, Vitório estaria dispondo de mim, caso eu me deixasse levar; e alguém (Vitório?) poderia estar se ocultando atrás do biombo para nos espionar... Durante o chá, Antônio questiona e analisa Inês, que aos poucos, cai em contradição - E o apartamento, é de Vitório? Inês ergue-se subitamente, derrubando a xícara, com um resto de chá, sobre a mesa. Eu só a vira assim tão transtornada depois da queda na estação do metrô. - Ele o alugou para mim. Eu sou sua modelo. O que está querendo ensinuar? Depositei minha xícara na mesa. - Desculpe-me, não quis ser indelicado. Mas ele também o reformou para você, não foi? - Sim, reformou a seu gosto e daí? Vitório é um artista. - Será possível que você não se dá conta? - Dou-me conta de quê? - ela disse, com a voz embargada. - De que o apartamento é um cenário para você se movimentar dentro dele segundo um esquema de probabilidades previsto por Vitório de acordo com seus caprichos? E de que a obra que vi na exposição não passa de uma documentação disso? A obra de Vitório, de certa forma é você mesma, Inês, e ele precisa mantê-la encerrada aqui. É diabólico e aviltante. Mas posso dizer que ele está de parabéns. Antes de, pelo menos aparentemente Inês perder os sentidos, julguei ouvi-la sussurrar, quase coincidindo com o fim da música: - Ele me escraviza. Tomado por uma delicadeza e impetuosidade indescritiva, Antônio toma Inês nos braços - como que se a personagem-modelo e personagem da pintura que Antônio via na exposição houvesse se soltado da obra , naquele cenário com seus móveis e adereços, fazendo deles imagens de um quadro em movimento; uma cena para qual Antônio fora tragado. Amam-se sem resistência, mesmo que nos últimos momentos Inês tenha murmurado repentinamente "oh não", "oh não", que Antônio interpreta como um sim de entrega dentro de um código amoroso. Na consciência de estar agindo como autor e ator de uma cena de uma instalação de Vitório, Antônio volta a si e percebe Inês chorando, denunciando a chegada, provavelmente, de Brancatti, Nilton, o motoqueiro e Lenita - o que faz Antônio, às pressas, deixar o apartamento. Ao passar pela portaria, Antônio está com uma aparência suspeita – roupas e cabelos desgrenhados, o colete vestido pelo avesso - e enfrenta o olhar do porteiro, que o faz sentir-se como alguém que foge depois de ter cometido alguma ação criminosa. No entanto, Antônio está comendo um biscoitinho! Raivoso com o ato de Inês e já em seu apartamento, percebe no canto dos lábios um resquício ínfimo de sangue, sente-se dominado por Inês, e num impulso, escreve-lhe uma carta que mais tarde seria publicada nos jornais, dando margem a chacotas no meio teatral. Veja leitor como um ato aparentemente viril segundo Antônio como uma dose de agressividade e até de maneira brutal) isso serve aos envolvidos à Inês como para Brancatti principalmente como fato para uma acusação judicial contra Antônio: estupro. É intimado portanto a comparecer à 9º DP, no catete, para justificar seu envolvimento com Maria Inês de Jesus. Fim do 2º Capítulo Antônio é submetido a exames legais: mostras seminais, resquícios de pele colhidos nas unhas de Inês, arranhões, enfim marcas que corroboravam terem sido produzidos por Inês. Antônio rejeita a hipótese de ter coagido ou muito menos violentado Inês, mas sim ter havido entrega sem reservas por parte de Inês, que aliás não trazia em seu corpo marcas à exceção de um corte na orelha – aliás fato importante pois na falta de provas Antônio tem chances de responder em liberdade à acusação: " – Não estariam eles na presença de um criminoso delicado, refinado"? Antônio duvida de si mesmo, "teria usado Inês, uma prostituta evitando assim, ser usado por ela e o amante Brancatti?" Na sala de audiência o olhar de ambos se encontram como da primeira vez no café." Antônio percebe não ter realmente conhecido Inês, o que ela pensava de tudo aquilo e dele? Uma nova realidade abre-se a percepção de Antônio: Brancatti usava Inês e Lenita como fachadas para esconder seu relacionamento com Nílton – Veja sua crítica: "um pintor europeu do terceiro escalão que se refugia artisticamente num país provinciano e toma como esposa e ornamento uma beleza exótica dos trópicos; como amante elege um motociclista primitivo e, como modelo ou enteada e até quem sabe eventual amante uma frágil e bela jovem coxa." E para ele, qual teria sido seu papel nessa teia diabólica? Para Antônio parecia uma luta estética: um jogo de xadrez entre o crítico e o pintor. "Este escravizando a modelo num cárcere privado, físico, psicológico e artístico, e pior condenando Antônio por um pretenso crime sexual se auto prevalecia, enfim ......empenhava-se em convencer as pessoas do alto valor artístico de sua obra – propaganda em suma – o crítico teatral manipulado num cenário em plena performance entre o casal!" Fora bem sucedido em grande parte em seus objetivos escusos, conclui Antônio. Durante o inquérito será acusado também de ter saído do apartamento praguejando contra Inês – enraivecido, mordendo um biscoitinho – argumento rejeitado por seu advogado como sinal da calma, da paz de espírito dos que nada têm a temer, depois de um encontro amoroso consentido. Nessa fase processual Antônio vem a saber que os desmaios de Inês tinham uma causa cerebral definida – que sua lesão na perna, se originava de um atropelamento na infância; fato esse que legitima a idéia dela ter desmaiado ao ser possuída e a coloca como vítima de Antônio, que por sua vez percebe a força de sedução de tal desmaio, o que valorizou ainda mais a relação de ambos. Tentando reverter seu papel, Antônio contra-argumenta: " _ Não serão o verdadeiro amor e a sexualidade mais autêntica, sempre, o encontro de dois incoscientes? No que o advogado de acusação responde: - "No caso das violações, não estaremos diante da imposição do inconsciente de um sobre o incosciente de outro? Antônio tenta um novo argumento dizendo que Inês foi subjugada pela força psíquica de Brancatti e que ele a teria libertado em momentos preciosos, possuindo e sendo correspondido por ela – e tudo ocorrendo dentro de um cenário – instalação, portanto fazendo parte da mesma, ou seja, tudo fora maquinalmente enquadrado por Brancatti, e Antônio e Inês vítimas. Segundo o juiz, aturdido em face dos argumentos inusitados – e até esdrúxulos utilizados por ambas partes, absolve Antônio por falta de provas. As conseqüências do fato: Antônio perde seu lugar de consultor na fundação cultural do estado, já afastado do jornal que trabalhava, ruas a índole sensacionalista fez com que o jornal concorrente o contratasse para ser seu colunista de teatro e o caso Inês esmiuçado em seus páginas – Antônio foi criticado severamente por seus colegas como: " exemplo vivo e eloqüente dos extremos patológicos a que pode ser conduzida uma personalidade que se destaca pela contenção de seus sentimentos por meio de uma racionalidade exacerbada, a qual de repente, libera-se através do crime. Brancatti conquista renome e reconhecimento artístico – a obra A Modelo foi exibida como instalação com grande alarido crítico, na Alemanha. Quanto à Nilton abre uma academia de psicultura, bastante concorrida. Antônio não deixou de considerar o jato ou seja as duas hipóteses sedutoras – afinal como o próprio tribunal apontou – um sedutor ou violador muito especial e delicado? Claro sem deixar de lado o escutor que também era - "nessa tarefa que é narrar todas as contradições, truques e divergências e conclui. " – tanto na obra de Brancatti ou neste relato – encontra-se o absurdo, a loucura da arte, essa tentativa ansiosa, desesperada e as vezes vã, que nos alucina, de, à parte toda vaidade, registramos, no breve tempo em que estamos na vida, nossa passagem por ela, em momentos que realmente estivemos vivos e merecem ser perpetuados. Personagens - Antônio Martins: crítico profissional de teatro, narrador. Alguns o consideram excêntrico – solitário – cinquentão. - Maria Inês de Jesus, modelo do pintor Vitório Brancatti, mulher com rosto de traços finos e delicados, magra, cabelos claros, encaracolados, de olhar melancólico e solidão recatada com pequeno defeito na perna – manca. - Vitório Brancatti – pintor que envolveria Antônio e Inês em suas performances, meia idade, com cabelos revoltos e grisalhos, vestia-se com a desenvoltura de um jovem, calça jeans e camiseta branca. - Nílton – motociclista que conduzira Inês ao edifício de Antônio Martins, provável amante de Vitório Brancatti. - Lenita – jovem negra, bonita, esposa – álibi de Vitório? - Maria Luísa I – professora universitária séria, amiga e confidente de Antônio. - Maria Luísa II – jovem atriz de teatro e tv, atlética e exuberante. - Maria Clara – ex jornalista, quarentona, também amiga de Antônio. Enredo: Romance narrado em terceira pessoa. A ação desenvolve-se em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, trazendo à tona os conflitos de uma geração em busca da própria identidade e de um sentido para a vida. Eduardo, protagonista deste drama existencial, sentindo-se esmagado por uma sociedade opressiva e aniqualadora, tenta desesperadamente, até o fim, encontrar uma saída. Preste atenção: no misterioso homem de smoking que por três vezes aparece na narrativa. Estilo: Contemporâneo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O livro é composto de duas novelas curtas: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Agua, que é motivo de uma insólida luta: a de família, querendo preservar a memória do verdadeiro Quincas Berro D'Água e dos companheiros de boêmia que preparam o "verdadeiro" velório do amigo organizando uma farra que termina no mar, onde Quincas acaba sendo sepultado como marinheiro. É um dos trabalhos mais "literários" de Jorge Amado, mesclando o humor algo fantástico a uma intriga picaresca surpreendente e insólita. A Segunda novela é A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso. Trata da história do Comandante Vasco Moscoso, motivo de discórdias quanto à sua competência como navegador. Chamado a Belém para substituir o comandante de um navio, o qual havia morrido, recebe a agressão de tripulação que não o aceita. Moscoso consegue manobrar o navio, levando de roldão todos os barcos do porto. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É proibido miar (1983) - Editora Moderna

Neste livro, o desafio principal foi criar um narrador na terceira pessoa que não sabe tudo; narra apenas aquilo que as personagens podem compreender. E, como as personagens são cães, muitas das ocorrências são narradas do modo equivocado como aqueles cães as interpretam.

Por exemplo: no Canil Municipal, alguém, com um revólver, mata um cão hidrófobo. Os cães jamais tinham visto alguém morrer e jamais tinham visto um revólver disparar. Assim, eles confundem o ruído do tiro com o ruído das descargas dos canos de escapamento dos automóveis, do qual eles têm medo, e comentam: "Por que o vira-lata amarelo ficou quietinho depois daquele barulho de escapamento de automóvel? Vai ver ficou com medo. Eu também tenho medo de barulho de escapamento...".

Desse modo, o jovem leitor, aí entre os oito e os dez anos, deve ler o livro compreendendo o engano das personagens, descobrindo a verdade por trás desses enganos, e até concluindo que a ingenuidade deles pode ser a responsável pelas agruras de que eles são vítimas.

Em "O dinossauro que fazia au-au" já não há final feliz mas, neste É proibido miar o final é realmente infeliz, uma vez que o cãozinho protagonista, perseguido e expulso de casa por que resolve miar, termina a história fugindo para longe e não voltando para casa e sendo novamente aceito pelos pais. Ser separada dos pais é, para uma criança, a pior das infelicidades e o livro causa, assim, um impacto muito grande nos leitores. Eu sabia disso e mesmo assim resolvi arriscar.

Eu procurava mostrar os preconceitos que perseguem as pessoas de raças, idéias e comportamentos diferentes dos dominantes. Desse modo, se eu terminasse o livro com o cãozinho sendo aceito por todos, eu estaria mostrando à criança que o problema do preconceito estava resolvido. Como eu já disse acima, jamais poderia pregar tal mentira aos meus leitores.
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Biografia
Filho de português e mãe sueca, Manoel Berstron Lourenço Filho nasceu em 1897, em Porto Ferreira, interior de São Paulo. Cursou duas vezes a escola Normal (em Pirassununga e em São Paulo), fez dois anos de Medicina e formou-se em Direito. Antes mesmo de concluir o curso, foi indicado, aos 24 anos, para diretor da instrução Pública do Ceará, com a incumbência de reorganizar o ensino do Estado. O trabalho, que durou dois anos e meio, foi uma das primeiras realizações da Escola Nova e obteve grande repercussão do período passado no Ceará resultou o livro Juazeiro do Padre Cícero, análise do fanatismo religioso para a qual se utilizou seu conhecimento de psicologia. Em Fortaleza, propôs ainda uma orientação na formação de professores para a prática em sala de aula e par ao domínio das competências profissionais. Pelo trabalho, recebeu um prêmio da academia Brasileira de Letras.
Junto com Anisio Teixeira e Fernando de Azevedo, idealizou a revolução do movimento da Escola Nova. Em 1932, o professor paulista teve intensa atividade teórica e administrativa, sempre ligado a democratização e a profissionalização.
Até o fim da vida Lourenço filho escreveu e publicou grande numero de artigos e livros de psicologia, pedagogia, gestão educacional e literatura infantil, além de obras didáticas. Traduziu títulos importantes de autores como Émile Durkheim e Edouard Claparede. Entre outros cargos públicos que ocupou, foi diretor-geral da instrução Publica do Estado e São Paulo, chefiou o gabinete do ministro da Educação e Saúde, no governo Getulio Vargas, dirigiu o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos INEP, a frente do qual criou, em 1944, a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Morreu em 1970, no Rio de Janeiro.

Idéias
Suas idéias quanto a formação de professores é preservada pela Leis de Diretrizes e Bases de 1996. frente ao Instituto de Educação do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, até então, ele reformulou a estrutura curricular do curso Normal tornando-o profissionalizante, criando o modelo para as demais unidades da federação.
Para ele, o problema da educação estava na própria organização social, que faltava emancipação técnica, reordenação com princípios racionais e científicos. Seus conceitos sobre educação tem como base saberes que estavam sendo desenvolvidos no exterior. Conhecedor de Lev Vygotsky e de Piaget, como psicólogo, se identificava com as escolas norte-americanas influenciadas pelo principio da determinação biológica.- o esquema fundamental do reflexo condicionado explica toda a aprendizagem. Sua obra foi marcada pela possibilidade de modificação do ser humano e o principal instrumento par isso seria a educação.
Via a educação como um conjunto de técnicas desligadas de ideologia e injunções históricas, porem, sua obra se subordina a idéia de ensino como instrumento a transformações sociais.
Para ele, o domínio de técnicas e métodos científicos permitiria o conhecimento da realidade par que fossem superadas as deficiências do ensino, como os sintomas de atraso, entre eles o coronelismo e as ingerências políticas na educação, que o impressionaram quando trabalhou no Ceará
Ele combinou a estatística a psicologia pra criar uma técnica de avaliação de habilidades e prever as possibilidades de aprendizado: os Testes AABC. O objetivo do material era verificar a maturidade necessária a alfabetização, que formava as classes homogêneas. Foi o trabalho mais difundido do educador, tanto no Brasil como no exterior.
Hoje, tanto a aplicação de testes caiu em descrédito entre os psicólogos quando as idéias de classes homogêneas é criticada pelos educadores. Considerava o aluno como individuo, com características pessoais, um ser ativo que se educa, reagindo ao contato com o meio ambiente.
Ele defendia a necessidade da elevação dos níveis de instrução de toda a população como condição para o desenvolvimento da nação.
Em 1940, sua iniciativa na administração publica como a Campanha de Educação de Adultos, visava instituir políticas globais para tornar possível solucionar problemas (o analfabetismo) e não remediá-los. Eliminar o analfabetismo e democratizar o ensino erma vistos como requisitos pra desenvolver a capacidade produtiva do educando e integrá-lo a sociedade.


Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova
A maior influência teórica do movimento da Escola Nova se sustentava em dois princípios básicos: o ensino universal público e gratuito e o primado da experiência na formação do conhecimento. o documento Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, de 1932, surgiu de um chamado do presidente Getulio Vargas aos profissionais do Ensino para que colaborassem com o governo. A intenção do manifesto foi distinguir os educadores liberais dos ligados ao ensino católico e conservador. O ministro Francisco Campos acabara de favorecer o ultimo grupo ao reintroduzir o ensino religioso facultativo. O Manifesto defende a laicidade do ensino e a obrigação do Estado de tornar efetivo “o principio do direito biológico de cada individuo a sua educação integral.”
Critica
Critica a escola tradicional por conceber um tipo de criança em abstrato, uma criança de tipo ideal por todos os aspectos, na vida real inexistente, antecipando assim o atual conceito de diversidade. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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