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Skinner
Burrhus Frederick Skinner,nasceu em 20/03/1904 em Sisquehanna,no estado norte-americano da Pensilvânia. Psicólogo do condicionamento.
Seu pai era advogado com personalidade forte que criou seu filho segundo padrões exigentes de educação. O que o levou a rebelde e a se interessar na adolescência por poesia e filosofia.
Graduou-se em Letras em Nova York, antes de redirecionar a carreira para a psicologia que cursou em Harvard, onde tomou contato com o behaviorismo. Psicólogo, com mestrado concluído em 19300 e doutorado em 1931.
Tinha problemas de relacionamento.
No jornal da escola criticava colegas, professores
Em 1945 tornou-se chefe do Departamento de Psicologia da Universidade deIndiana.
Seguiram-se anos dedicados a experiências com ratos e pombos, pararelamente a produção de livros. O método desenvolvido para observar os animais de laboratórios e suas reações aos estímulos levou-o a criar pequenos ambientes fechados que ficaram conhecidos como caixas de Skinner, de pois adotadas para experimentos pela industria farmacêutica. Quando sua filha nasceu, Skinner criou um berço climatizado, o que originou um boato de que teria submetido a experiência semelhantes as que faziam em laboratório.
Em 1948, aceitou o convite para ser professor em Harvard, onde ficou até o fim da vida.
Morreu em 18/08/90, em ativa militância a favor do behaviorismo.
Idéias
Historia do comportamento condicionado em laboratório
Precursores da psicologia, como o filosofo norte-americano Wiliam James, já havia previsto a utilidade de um ramo da ciência que estudasse os comportamentos puramente externos, mas a psicologia comportamental (behaviorismo) como a conhecemos começou mesmo com o médico russo Ivan Pavlov. Motivado por experiências com cães, Pavlov criou a teoria dos reflexos condicionados. Foi o primeiro cientista a trabalhar na área psicológica que não utilizou de referencia a estados subjetivos como instrumento teórico. O fundador do behaviorismo como escola, porem, foi o psicólogo norte-americano John B. Watson, que formulou as estritas exigências metodológicas que deveriam nortear seus seguidores. O compromisso de verificação concreta de hipóteses e a recusa da instropecção aproximam o ideário de Watson do positivismo nas ciências humanas. Watson foi professor e principal inspirador de Skinner, por sua vez o maior divulgador do behaviorismo, prevendo a utilização de seus princípios na psicoterapia, na educação e até na formulação de políticas publicas. O behaviorismo clássico abraçou a idéia de que todo comportamento humano é infalivelmente controlável por meio do padrão de estímulo-resposta. Mais recentemente, o principio da infalibilidade estatística foi substituído pelo d probabilidade. No imaginário ficcional do século XX a ênfase nos conceitos de controle e planejamento aproximou o behaviorismo e a táticas dos regimes totalitários – a terapia behaviorista, por exemplo, usou comumente choques elétricos e substancias químicas para condicionar comportamentos. Algumas das principais metáforas do teror de estado do período fizeram referencia a métodos behavioristas, como os romances 1984, de George Orwell e a Laranja Mecânica de Anthony Burgess, adaptado para o cinema por Stanley Kubrick.
Sua obra é a expressão mais célebre do behaviorismo, corrente que dominou o pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos 50.
O behaviorismo restringe seu estudo a comportamento (hebavior, em inglês), tomando como um conjunto de reações dos organismos aos estímulos externos.
Idéias behavioristas onde
• o psicólogo deveria estudar eventos ambientais e comportamentos observáveis;
• experiência: comportamento, aptidões, traços de hereditariedade por razoes e apresenta um tópico e significado para a investigação;
• a instropecção deve ser abandonada em beneficio de métodos objetivos (ou seja, experimentação, observação e testes)
• psicólogos devem visar a descrição do comportamento, devem também empreender tarefas pratica, tais como acompanhamento de pais, legisladores, educadores, homens de negócios;
• o comportamento de animais inferiores ceve ser investigado (junto com o comportamento humano), pois com organismo simples são mais simples de estudar e compreender do que os complexos.
Estruturalista _ instropecção subjetiva
Funcionalista – instropecção subjetiva e objetiva (mente)
Behaviorista – observação
Gestalt – fenomenológico
Psicanálise – associação livre
Caixa de Skinner – (ambiente separada devida perturbação externa interferencia do meio ambiente). A introspecção é mais concreta sem interferência, porque o meio influencia mais que o hereditário.
O condicionamento operante voluntário
O conceito chave de seu pensamento é o de condicionamento operante, que ele acrescentou a noção de reflexo condicionado, formulado pelo cientista russo Ivan Psavlov. Os dois conceitos estão ligados à fisiologia do organismo, seja animal ou humano. O reflexo condicionado é uma reação a um estimulo casual. O condicionamento operante é um mecanismo que premia uma determinada resposta de um individuo até ele ficar condicionado a associa a necessidade à ação. A diferença ente o reflexo condicionado e o condicionamento operante é que o primeiro é uma resposta a um estímulo externo, e o segundo, o hábito gerado por uma ação do individuo. No comportamento respondente ( de Pavlov), a um estimulo segue-se uma resposta. No comportamento operante (de Skinner) o ambiente –e modificado e produz conseqüências que agem de novo sobre ele, alterando a probabilidade de ocorrência futura semelhante.
O condicionamento operante é um mecanismo de aprendizagem de novo comportamento – um processo que Skinner chamou de modelagem. Os objetivos educacionais buscam resultados definidos antecipadamente, par que seja possível, diante de uma criança ou adolescente, projetar uma modelagem de um adulto.O instrumento fundamental de modelagem é o reforço – a conseqüência de uma ação quando ela é percebida por aquele que pratica. Para o behaviorismo em geral, o reforço pode ser:
• positivo (uma recompensa), é fortalecido para ter resposta pra se ter troca, somos condicionados e reforçados constantemente, a seqüência representada a vai repetir sempre o que se fez.
• ou negativo (uma punição),leva a evitar a ação.
No condicionamento operante, um mecanismo é fortalecido no sentido de tornar uma resposta mais freqüente.
Segundo Skinner, a ciência psicológica – e também o senso comum – costumava, antes do aparecimento do behaviorismo, apelar para explicações baseadas nos estados subjetivos por causa da dificuldade de verificar as relações de condicionamento operante, ou seja, todas as circunstancias que produzem e mantem a maioria dos comportamentos dos seres humanos .isso porque elas formam cadeias muito complexas, que desafiam as tentativas de analise se elas não forem baseadas em métodos rigorosos de isolamento de variáveis.
Nos usos que projetou para suas conclusões cientifica, em especial na educação, Skinner pregou a eficiência do reforço positivo, sendo, em principio, contrario a punições e esquemas repressivos. Ele escreveu um romance, WaldenII, que projeta uma sociedade considerada por ele ideal, em que um amplo planejamento global, incumbido de aplicar os princípios do reforço e do condicionamento, garantiria uma ordem harmônica, prática e igualitária. Num de seus livros mais conhecidos, Alem da liberdade e d Dignidade, ele rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do individuo com o meio seja de interação, e não passiva. Para Skinner, a cultura humana deveria rever conceitos como os que ele enuncia no titulo da obra.
Reforço positivo – operante
Cuidado o processo inverso desensibiliza a psicologia tem dificuldade para desensibilizar por causa de traumas.
Reforço negativo – (Filmes: Laranjas Mecânicas/sociedade dos Poetas Mortos – trata de reforços positivos)
Condicionamento operante: precisa refletir, pensar, animais operam – ação de andar – ação – instrumental que operacional.
Responde reposta de algo que se desencadeia, não é ação, depende de um fator que desencadeia o reflexo automático.
Objetivos gerais – comportamental
Específicos- instrumental
Obs.: toda estratégia não é só o resultado.
Supressão do evento operante – aumento da probabilidade, situações semelhantes.
Reforçador negativo: força comportamento para livrar das experiências irritantes.
Condicionamento de fuga – acaba com o evento o que é desagradável par ao organismo, tapar os ouvidos.
Condicionamento de evitação – adia ou evita ocorrência de evento, o organismo antecipa como desagradável.( estudar para não tirar nota baixa)modelado pelas conseqüências.
Variedades de reforçadores positivos e negativos:
Reforço no condicionamento operante- o individual, condições do momento (condições, variação, arte
InstruÇão programada
Indivíduos - reforçador potencial (o que o individuo adquiriu com o reforço, durante o processo não se fecha conclusões só no final).
Reforçadores positivos e negativos em duas classes gerais: intrínsecos: reforçado cada vez que ocorre o comportamento automático- necessidades primárias
Extrínseco – comportamento reforçado por conseqüência externa. Três categorias:
Primários: aos intrísencos, desenvolve novos hábitos, não aprendidos (comer, beber)
sociais, que depende do outro, afeto, rejeição, sorriso, aprovação, atenção.
secundários ou condicionado – condicionamento de resposta mais outros reforçadores sociais apreendidos (lazer, condicionamento favoráveis de vida).
A educação livro Tecnologia do Ensino, de 1968
A educação foi uma das preocupações centrais de Skinner, a qual ele se dedicou com seus estudos sobre a aprendizagem e a linguagem. No livro Tecnologia do Ensino, de 1968, o cientista desenvolveu o que chamou de máquina de aprendizagem, que nada mais eram do que a organização de material didático de maneira que o aluno pudesse utilizar sozinho, recebendo estímulos a medida que avançava no conhecimento. Grande parte dos estímulos se baseavam na satisfação de dar respostas corretas aos exercícios propostos. A idéia nunca chegou a ser aplicada de modo amplo e sistemático, mas influenciou procedimentos da educação norte-americana. Skinner considerava o sistema escolar predominante um fracasso por se basear na presença obrigatória, sob pena de punição. Ele defendia que se dessem aos alunos “razoes positivas” para estudar, como prêmios aos que se destacasse. Para Skinner, o ensino pode e deve ser planejado de forma a levar o aluno a emitir comportamentos progressivamente próximos do objetivo final esperado, sem que para isso precise cometer erros. A maquina de aprendizado não pretenderia substituir o professor. A idéia é que ela se ocupe da questões factuais e deixe ao professor a tarefa fundamental de ensinar o aluno a pensar.
Contribuições de Skinner
Este não se interessa por estruturas mentais. E sim deseja explicar o comportamento e a aprendizagem, como conseqüência dos estímulos ambientais. Fundamenta-se o papel da recompensa e o reforço, condicionamento e reflexos. E condicionar respostas não reflexas, que são as repostas operantes que pode ser reforçada ou recompensada.
Os reforços primários são as necessidades básicas como fome. Sede, sexo, etc.
Os reforços secundários ou condicionais são os que associam repetidas com os estímulos reforçadores primários.
O caminho que Skinner segue é o seguinte:
1. especificar o comportamento final que se deseja implantar;
2. identificar a seqüência de movimentos que se deve executar para chegar ao comportamento final desejado.
3. colocar o organismo em atividade por meio da privação;
4. condicionar o aprendiz a responder a um estimulo substituto como ordem ou apito;
5. aplicar o reforço quando o aprendiz executa movimentos no sentido comportamento desejado.
6. recompensá-lo.
Skinner aplica estes princípios à aprendizagem de qualquer comportamento, físico ou não.A chamada instrução programada é uma aplicação da teoria do condicionamento de respostas operantes.
O aprendiz responde a uma serie de estímulos.

Abordagens diversas do processo de ensino

As contribuições de Skinner

Na psicologia behaviorista de Skinner, dá ênfase ao conceito reforço das respostas.
1. O aluno percebe; organização da situação estimuladora – o aluno presta atenção a determinados estímulos do ambiente que o cerca, perceba-os compreende seu significado e relacione-os entre si.
2. 2. o aluno reage: a resposta adequada à situação estimuladora – perante cada estimulo espera-se que o aprendiz responda, escrevendo, fazendo ou indicando alguma coisa. O aluno permite ao professor orientar e controlar a aprendizagem.
3. A realimentação + reforço: o aprendiz confirma a correção de sua resposta
4. O aluno memoriza: retenção versus esquecimento: o ensino deve conter recapitulações para contrabalançar os efeitos do esquecimento caso contrario chama-se de memória de curto prazo que não armazena as reposta ou informações.
5. o aluno aplica transferência do aprendizado e a criatividade: tudo o que se aprende deve ser aplicado chama-se de transferência ou generalização. O emprego de exemplo,s exercícios, problemas tem esta finalidade, e de desenvolver a capacidade de aplicar o aprendido. Este desenvolvimento dae transferência do aprendido tem importância para o crescimento da criatividade e da capacidade de tomar decisões.
Criticas.
. Seu principio é que só é possível teorizar e agir sobre o que é cientificamente observável. Com isso, ficam descartados conceitos e categorias centrais para outras correntesteóricas, como cosnciencia, vontade inteligência, emoção e memória – estados mentais ou subjetivos

Bibliografia
Nova Escola, edição 176, outubro de 2004 veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Mãos de Cavalo, obra de Daniel Galera, começa com capítulos curtos, escritos em terceira pessoa.

O autor intercala duas histórias. A primeira destaca a trajetória de um garoto que - dos dez aos quinze anos de idade, metido em suas aventuras de bairro, entre corridas de bicicleta e campinhos de futebol - vive justamente as primeiras descobertas em relação à sua própria identidade. Na segunda, o foco aponta um jovem cirurgião plástico que, ao chegar aos trinta anos depois de uma rápida, árdua e bem sucedida trajetória de estudos e experiências profissionais, começa então a colocar sua escolhas em cheque, bem no momento em que sai para uma longa viagem com um amigo. Esses acontecimentos vão aos poucos se conectando no tempo e no espaço dramáticos, e compõem uma delicada trama sobre memória, perda e culpa.

Com habilidade, costura os capítulos e mistura as referências de uma maneira que traz ao leitor um grande prazer em acompanhar, ele próprio, o processo de auto-descoberta vivido pelo personagem. Tanto o garoto como o cirurgião vão entender que, tragicamente, só se conhece a própria identidade a partir de eventos-limite, extasiantes ou cruéis, momentos que vão ser carregados pela vida a fora. Entre ritos de passagem e acertos de contas, forma-se um indivíduo.

Durante as duas trajetórias, o escritor não perde a oportunidade de explorar temas bastante interessantes. O fascínio pela violência estética em contraponto à covardia frente a agressividade real, o recalque das emoções, o desejo e a impressão de vermos nossas vidas registradas pelas lentes de uma câmara de cinema.

O protagonista de Mãos de Cavalo não é uma pessoa simples. Talvez ninguém seja mesmo. E pouco a pouco o vemos exposto pelo autor. Através das descrições ultra-detalhistas de cada situação, vemos dissecadas suas impressões frente a cada situação, seja ela o descer vertiginoso de uma ladeira montado numa CaloiCross aro 20', seja testemunhar o ventre de sua esposa ser rasgado durante o parto enquanto a anestesia não fazia efeito.

Primeiramente independentes, as duas tramas vão, aos poucos, ganhando elementos que as aproximam, até que o passado e o presente praticamente se transformam em um só acontecimento, mostrando como foi e como poderia/deveria ter sido determinado fato aos olhos do protagonista. Durante essa trajetória, o autor constrói uma gradativa imersão do personagem do presente em fatos do seu passado que o ajudaram a afirmar sua própria identidade. Em um momento em que dúvidas em relação à vida levam o protagonista a buscar e assumir novas referências de mundo, há uma volta no tempo até um momento traumático, mas que o ajudou a encontrar a si próprio. E essa rememoração é decisiva também para os rumos do seu próprio futuro. Nesse momento as duas histórias se fundem em uma imagem única e definitiva.

Segundo o autor, a obra é uma síntese de diversas histórias que guardou na cabeça durante anos, mas que vieram se transformando e atualizando ao longo do tempo. Algumas cenas e personagens têm origem em coisas que ele imaginava desde os dez ou doze anos de idade, muito antes de sonhar em escrever. Segundo Galera, as primeiras três versões de Mãos de Cavalo foram jogadas fora: somente na quarta tentativa o autor encontrou a forma que lhe pareceu ideal para desenvolver o romance até o fim.

Esse tom se manifesta numa prosa rica em detalhes, em descrições bem trabalhadas de cenas e atmosferas, nas quais a aparente placidez do cenário reforça a intensidade dos sentimentos dos personagens. Nada é gratuito aqui: numa partida de videogame, num parto sem anestesia, na trilha sonora de uma festa de quinze anos, assiste-se à tumultuada trajetória do protagonista rumo ao cotidiano do mundo adulto, preenchido entre o sucesso profissional e o "piloto automático" de um casamento fora dos planos.

O tema principal do livro é a identidade, a obsessão que se tem por defini-la e a inutilidade geral desse esforço. Até que ponto é possível decidir como as pessoas querem ser e que imagem os outros terão delas? Talvez definir isso racionalmente seja tão inviável quanto decidir se se quer ou não amar uma determinada pessoa.
Diante do impasse, Mãos de Cavalo acena com um desfecho surpreendente num relato em que a tragédia se insinua a cada linha. Como nas clássicas histórias sobre segunda chance, está em jogo a possibilidade de o covarde se transformar em herói, ou de quem sempre se definiu como "solitário e renegado" encontrar uma integração possível com o mundo. O futuro aí apontado não é movido por certezas absolutas, mas pela grandeza de saber quando aceitar ou lutar contra as armadilhas do acaso.

A estrutura temporal sobre a qual foi montada, o conjunto lexical selecionado e a condução da narrativa em função da construção da personagem são alguns dos aspectos que garantem à obra relevância para ser analisada criteriosamente. Além disso, o valor interpretativo extraído desses aspectos comprova a intencionalidade do autor em desenvolver uma narrativa repleta de significado, justificando sua consagração na literatura.

Um dos fatores da narrativa de Daniel Galera que oferecem oportunidade de proveitosa explanação é a construção da personagem central. Na verdade, todo o percurso do romance concorre para apresentar ao leitor o perfil psicológico e comportamental de Hermano (o “Mãos de Cavalo”). Aliás, percurso seria a palavra-chave dessa narrativa.

Já no primeiro capítulo – O Ciclista Urbano – a narração apresenta-se construída sobre os percursos que Hermano faz, relacionados em algum sentido com o rumo da sua vida.

“(...) O trecho de subida... sairá ileso.” (p. 09-10)

O leitor perceberá ao longo da leitura que todos os obstáculos descritos (árvores, postes, rampas deslizantes, buracos, lombadas, etc.) estão semanticamente ligados aos desafios da vida do próprio Hermano.

A partir do segundo capítulo começamos a entender mais claramente esse jogo com o curso da narrativa relacionado à forma como o personagem guia a sua
vida. Os capítulos intitulados por horários – 6h08, 6h13,... – apresentam Hermano em sua vida adulta atual, dirigindo seu carro por ruas e avenidas até a casa de seu amigo Renan para juntos irem a uma escalada na Bolívia. Enquanto Hermano dirige, o narrador vai apresentando elementos do percurso como monumentos, viadutos, nomes de ruas, que remetem ao pensamento de Hermano alguma lembrança de sua vida.

“Passando por baixo... deu a luz a Nara.” (p. 71)

Quando, no capítulo 6h23, fala-se que Hermano “fantasia que a construção... antes que fosse tarde.” (p. 97), remete-se ao fato de que ele deve ainda agarrar-se a fatos de seu passado (o “asfalto”, as “calçadas”, as “árvores”) para resolvê-los antes de serem encobertos por sua vida atual (“o concreto das novas avenidas”). Vemos aí que o espaço à volta de Hermano está sendo relacionado com as suas sensações e lembranças.

Os outros capítulos vão intercalando a narrativa com flashbacks a partir da mirada e reflexão de Hermano de seu passado.

Outra analogia entre um trajeto difícil de percorrer e a vida acontece no capítulo “A Clareira” no momento em que Hermano, Morsa e Pedreiro se entretinham com um jogo de computador com pistas de corrida:

“O jogo de computador... desmontar o computador.” (p. 164-165).

Diante da pista intransponível, os amigos viam que os acontecimentos das próprias vidas seguiam um curso impossível de se evitar.

A forma dos capítulos onde Hermano está dirigindo reforça a idéia de que a narrativa foi organizada sob a ótica de um trajeto, pois eles em um parágrafo apenas, caracterizando assim, a continuidade, a linearidade da estrada, do caminho, da vida.

O tempo em Mãos de Cavalo é outro fator importante para a análise. Com uma leitura atenta, o leitor perceberá que as histórias se fundem, como já citado, unindo passado e presente, e ainda, que os fatos passados exerceram grande influência sobre Hermano em sua fase adulta. Observa-se isso no episódio em que o personagem se vê em situação semelhante a que havia vivenciado na adolescência, na qual tinha agido covardemente ao não ajudar o amigo que era espancado.

“(...) tinha ficado covardemente escondido... minutos depois.” (p. 173).

Hermano guardou para si o sentimento de culpa que o acompanhou durante anos, como uma verdadeira marca, da qual sempre se envergonhou.

“(...) Hermano sentiu-se imediatamente cúmplice... na testa.” (p. 173).

Agora adulto, ele tem a oportunidade de se livrar desse sentimento de culpa e fazer o que não teve oportunidade no passado.

“(...) Sente gosto de sangue... não da covardia.” (p. 151).

A alternância entre passado e presente leva o leitor a compreender o personagem de forma gradual, assim, o passado não só ilumina o futuro, mas também, o próprio passado de Hermano, simultâneamente. Para entender o Hermano adulto, é essencial emergir em sua adolescência.

Outro aspecto interessante é a finalização do livro, o qual não se dá na metade cronologicamente mais atual da narrativa, mas sim, na fase adolescente do personagem. A história termina no fim da narrativa do passado, com uma decisão convicta do personagem sobre como será seu futuro. Porém, o leitor que acaba de saborear o romance sabe que o futuro do personagem não foi tão livre de conflitos como ele imaginava. Existe uma grande contradição na última frase: “Agora sabia exatamente o que fazer. Não seria necessário fingir nunca mais.” (p.188).

A tensão gerada entre passado e futuro, sobre o que o personagem idealiza e o que o leitor já conhece sobre seu destino, são detalhes decisivos para o sucesso do romance.

Com respeito à narração, pode-se notar que, de acordo com a tipologia desenvolvida por Norman Friedman, o narrador é onisciente intruso, ou seja, age como uma espécie de “voz” que permeia a narrativa, porém permanece de fora da trama – não é um personagem – mas sabe de tudo que se passa nas ações exteriores das personagens e também das interiores (seus pensamentos e intencionalidades); por isso, é capaz de transmitir uma perspectiva mais ampla ao leitor, tanto dos fatos presentes, quanto dos acontecimentos que podem estar por vir. Isso é notado no início do capítulo “6h23”:

“Ao pensar no nome da filha percebe pra onde, na verdade, está guiando seu Mitsubishi Pajero...” (p.96)

Outro ponto de destaque é o constante conflito que Hermano enfrenta consigo mesmo. Desde a infância, quando cai da bicicleta, e adquire marcas não só no corpo, mas também na mente.

Na adolescência, a falta de uma personalidade formada do garoto é latente: a ausência de um apelido face aos amigos, que tinham, cada qual uma denominação diferente; a falta de coragem para enfrentar problemas, como em “Downhill”, em que Hermano nota o desdém por parte de Bonobo e sua trupe, ao que ele retruca saltando e levando mais um tombo histórico; a frustração com a sexualidade na primeira relação afetiva; e, principalmente, sua covardia diante do grupo que se vinga de Bonobo com a surra que o leva à morte, em que Hermano foge e se esconde, e apenas assiste ao massacre:

“Hermano entrou no mato, caiu numa vala do terreno e se escondeu atrás de folhas e galhos. (...) durante um período que pareceu horas.”(pp.169-170).

A fase adulta, por sua vez, corresponde a 1 hora e 56 minutos da vida da personagem nos quais se desdobram todos os traumas: a reação de Hermano, agora médico formado, casado e pai de uma filha, como a súbita desistência da escalada ao Cerro Bonete com um amigo, as indagações que faz para si com relação ao casamento e o nome de sua filha, Nara; a revolta na briga entre adolescentes que encontra na vila onde morou, na qual salva o rapaz acuado e bate em todos os demais; e um estranho reencontro com Naiara. Tudo que Hermano realiza nesse período equivale a um “acerto de contas” consigo mesmo, a uma volta no tempo, para refazer todas as ações que um dia deixou de fazer:

“Aos trinta anos, lhe parecia antes de tudo um constante ensaio para um heroísmo que nunca chega. (...) pelo que gostaria de ter sido no passado ou de ser no futuro.” (p.177)

Por fim, um tópico extremamente relevante é a fixação que o autor demonstra ter por sangue.

Por meio de Hermano, surge, incontáveis vezes, durante a trama, de forma direta ou por meio de associações. No livro, a sensação é a de que cada marca ou cicatriz faz com que ele sinta no corpo o que não sentia com os problemas da vida. As marcas deixadas na infância, a queda no torneio de downhill, a preferência por atuar como médico cirurgião, enfim, tudo isso ajuda a trazer a sensação constante de uma tragédia que vai aos poucos se delineando. Porém, a circunstância mais trágica é a morte de Bonobo após a surra, como já comentado. Ele não tinha medo de sentir dor, não tinha medo de se machucar nem de ver sangue; pelo
contrário, tinha uma fixação por isso. A sensação de dor do corpo compensava a falta de sensações emocionais:

“Estava pronto para sangrar. Era seu talento. (...) agora ele seria capaz de cortar, quebrar, ralar, escoriar, debulhar, raspar, fraturar, arranhar, perfurar e esmagar seu próprio corpo de um jeito que ninguém jamais esqueceria.”(p. 91)

Os demais fatos têm seu desfecho no que ocorre nas cenas da fase madura do personagem, na briga com os meninos de rua, em que apanha, e sangra muito. Mesmo que tal interpretação não seja necessariamente a que o autor pensou, conforme resposta do próprio a tal questão, ele considera esse ponto de vista aceitável.

Em Mãos de Cavalo, o foco está nas questões de caráter psicológico, embora não seja psicologizante, e induz o leitor a pensar na própria vida, bem como na do autor, por trazer em si um caráter confessadamente autobiográfico, e falar das coisas que ele gosta. Vale salientar que o escritor trata o personagem como alguém externo a ele, conforme palavras do próprio: “A relação do Hermano com o corpo é cheia de simbologias – ele procura controlar e afligir no corpo o que não consegue obter e praticar na vida, acho.”

Trecho da obra:

Segurando com firmeza o volante do automóvel que está prestes a dirigir ao longo de quatro dias e três noites até a região mais elevada do Altiplano Boliviano, sente a náusea típica daquele último instante em que ainda parece viável voltar atrás com relação a algo que, no fundo, sabemos não ter volta, porque já foi decidido e planejado há muito tempo. Essa hesitação inútil é ainda mais incômoda por causa do silêncio duradouro das seis horas da manhã de um sábado. Em vez de girar a chave na ignição, fica à espera de algum ruído, como se isso pudesse dar o peteleco que faltava pra ele ser jogado pra frente, forçado a ligar o carro, buscar Renan em casa no horário combinado e ir ao encontro do que prometia ser a maior aventura de sua vida. A Adri tinha avisado na noite anterior que não levantaria da cama pra se despedir. Por isso, a partir do momento em que o despertador do telefone celular tocou a musiquinha da Família Addams, às cinco e quinze, ele fez o máximo de barulho possível pra mijar, lavar o rosto, vestir uma calça confortável de abrigo, camisa pólo, tênis e boné da clínica cirúrgica, preparar uma tigela de iogurte integral com granola e uma quantidade absurda de mel, escovar os dentes, tropeçar propositalmente na cama e no banquinho do closet, sintonizar o rádio em volume desnecessariamente alto em uma estação AM pra conferir a previsão do tempo, retornar pro quarto do casal sem motivo nenhum e sair dele logo em seguida, abrir a porta do quarto da Nara, cujo sono infantil quase perturbou na esperança de que isso comovesse a esposa, abrir e fechar desnecessariamente a porta do bagageiro pra espiar a bagagem que havia guardado, organizado e checado trocentas vezes na noite passada, voltar pra dentro de casa sem motivo e, finalmente, sair, fechando a garagem pela última vez e batendo a porta do carro com raiva, mas apesar de todo esse esforço a Adri cumpria a ameaça e devia estar fingindo que dormia até agora, aguardando o breve rangido elétrico da ignição iniciar os ciclos de combustão da gasolina dentro dos pistões do Mitsubishi Pajero TR4. Por fim, decide proporcionar a ela essa satisfação e gira a chave, dá a partida no motor e acelera algumas vezes em ponto morto, somente pelo prazer de romper a quietude, fantasiando que naquele exato instante, na cama, ao perceber que ele estava realmente partindo, ela se arrependia mortalmente de não ter dado um beijo de despedida, na bochecha que fosse, e lhe desejado boa sorte. Descendo o carro lentamente pelas faixas paralelas de granito que cortam o gramado uniforme do jardim em frente à casa, decide que vai desligar o celular assim que cair na estrada e esperar dois ou três dias antes de telefonar pra ela dando notícias. Com as ruas da cidade desertas, pretende chegar ao sítio do Renan na Vila Nova em no máximo vinte e cinco minutos. Mantém as janelas do carro fechadas, e o ruído dos pneus sobre o pavimento irregular soa longínquo e fofo, dando a impressão de que está dentro de um aquário, separado do mundo. Abre completamente a janela da porta do motorista e tudo se transforma, a começar pelo barulho crocante dos pneus. O sol, que deve estar despontando por trás de algum edifício, cobre as casas, prédios, árvores e os paralelepípedos das ruas secundárias da Bela Vista com uma luz embaçada entre o amarelo e o rosa. Três estrelas heróicas resistem no céu que deixou de ser noturno há uns cinco, no máximo dez minutos. O ar está fresco e saturado de oxigênio. Enche os pulmões pelo nariz, preenchendo cada alveólo até o limite da capacidade, e prende o fôlego por uns três segundos. Daqui a poucos dias estarão, ele e Renan, quatro mil e setenta metros acima do nível do mar em algum hotelzinho de Potosí, que divide o título de cidade mais alta do planeta com Lhasa, no Tibete, os dois deitados em beliches, repousando e ingerindo volumes imensos de líquido em busca de uma aclimatação adequada, evitando arruinar tudo logo no começo com uma embolia pulmonar. Assim que pega a Carlos Trein Filho pra descer até a Nilo Peçanha, lembra da pergunta que Renan fez de repente, sem mais nem menos, quando descansavam no topo da Pedra da Cruz, no final de tarde de um domingo do mês de abril, quase sete meses atrás. Tinham acabado de escalar a via Prosciutto Crudo, conquistada e batizada pelo próprio Renan. Desde que tinha passado duas semanas em férias escalando no litoral da Sardenha, em agosto de 2002, Renan batizava suas vias com expressões aleatórias em italiano. Aquele foi provavelmente o melhor fim de semana que passaram em Minas do Camaquã, uma vila fantasmagórica perto da qual se ergue um conjunto de formações rochosas que parece uma seqüência de quatro gigantescas ondas de pedra maciça rasgando uma paisagem de morros suaves e rios. Situada no sudoeste do Rio Grande do Sul, a vila se desenvolveu a partir do início do século XX, com a descoberta de jazidas de cobre, ouro e prata. As reservas se esgotaram, e a mineração foi encerrada em meados dos anos 1990. Hoje a vila é habitada por algo entre uma e duas centenas de famílias, em boa parte de mineradores aposentados, e suas casas e ruas abandonadas, cercadas de uma geografia mutilada pela extração de minérios, dão um adorável ar de fim do mundo a um recanto já naturalmente isolado. A turma da qual fazem parte ele, Renan e mais um punhado de alunos da academia foi uma das primeiras a freqüentar a região pra praticar montanhismo. Percorriam os trezentos quilômetros entre Porto Alegre e Minas do Camaquã no sábado cedinho, passavam o dia escalando e a noite traçando um churrasco, escalavam mais um pouco no domingo e retornavam pra Porto Alegre à noite, Renan de volta pras paredes artificiais indoor da Condor, a academia esportiva na Tristeza da qual era dono, e ele pro seu consultório na Quintino Bocaiúva e pras salas de cirurgia do Mãe de Deus Center. A escalada, pra ele, sempre foi antes de tudo um método de exploração dos limites físicos e mentais, um exercício prazeroso de resistência muscular e concentração, praticado com disciplina e regularidade, que acabou entranhado em sua rotina, mas quando consegue se livrar de suas pacientes e acompanhar as saídas da turma da Condor nos finais de semana, a prática se torna algo além disso, um parêntese que interrompe o fluxo mais ou menos previsível de sua vida profissional e familiar. Já pro Renan a escalada é a própria rotina. Quando não está trabalhando como instrutor e sócio administrativo na Condor ou dando aulas de escalada técnica pra grupos particulares e instituições diversas, está em algum lugar do Brasil, da América Latina ou de outras partes do globo, escalando vias dificílimas de nível 9 ou 10, acumulando gigabytes de fotos digitais que registram alguns feitos consideráveis do montanhismo nacional, como a encadenação em tempo recorde da "Massa Crítica", na Barra da Tijuca, e a conquista da sua "Francobolo", considerada até a presente data a via esportiva mais difícil do Sul do Brasil, uma 10b repleta de passadas explosivas no teto da Gruta da Terceira Légua, em Caxias do Sul. Apesar da relação de seus egos com a escalada ser um tanto diferente, ele e Renan se tornaram grandes amigos logo que se conheceram na Condor, e desde então, sempre que as brechas das agendas coincidem, viajam juntos de carro nos finais de semana e feriados pra escalar na rocha, numa média de dez vezes por ano nos últimos três anos. Estiveram no Itacolomi, em Torres, Cotiporã, Salto Ventoso, Pico da Canastra e Ivoti. Mas seu destino favorito vinha sendo as Minas do Camaquã, onde os acampamentos montados pra passar a noite de sábado pra domingo se tornaram tão divertidos, com fogueiras e conversas madrugada adentro, que numa ocasião a Adri tinha consentido em deixar a Nara com os pais dele pra lhe fazer companhia na saída de fim de semana, apesar do terror que sentia de ver outros seres humanos pendurados nas alturas, terror que ele definia, em tom de brincadeira, como "acrofobia derivada", enquanto Renan dizia que era cagaço mesmo. No fim ela se encantou com a natureza do lugar, perguntou pra que serviam os mosquetões, o freio oito, o magnésio, quis saber o comprimento das cordas, o método de fixação dos grampos na rocha, e chegou a escalar uns quatro ou cinco metros de altura, antes de começar a berrar de pavor. À noite, ela fumou muita maconha, bebeu muito vinho e ajudou todo mundo a tirar sarro da cara dele por não beber nem fumar maconha. Fez amizade e passou cerca de uma hora trocando confidências e segredinhos com a Keyla, namorada e aluna do Renan. Ao presenciar a rápida intimidade das respectivas companheiras, Renan ficou balbuciando em seu ouvido frases ininteligíveis nas quais se destacava a palavra "suingue", e isso era bem a cara do Renan. Naquela noite a Adri ficou implicante, incoerente, desfigurada e alegre, e ele ficou feliz em ver ela daquele jeito. Mas aquela foi a primeira e última vez que a Adri foi escalar com ele. Ela simplesmente perdeu o interesse, como se tivesse esgotado todas as possibilidades de fruição numa única viagem. Ele e Renan, entretanto, prosseguiram. Precisava cada vez mais da endorfina, da adrenalina e do estado mental quase meditativo que a escalada na rocha proporcionava. Renan precisava seguir fazendo aquilo que fazia melhor: vencer desafios em boulders com a graça de uma aranha bailarina, abrindo novas vias que seriam repetidas e respeitadas por inúmeros outros escaladores. E naquele dia de abril, quando já estavam sentados na pedra, descansando e admirando a vista do cume da Pedra da Cruz, Renan perguntou, sem desviar os olhos da paisagem: "Tá a fim de fazer um lance totalmente Coração das Trevas?". Ainda meio zonzo, extasiado pelo esforço e pela conquista, ele seguia com os olhos um gavião que estava empoleirado na enorme cruz branca que dá nome à Pedra da Cruz e tinha recém levantado vôo, batendo as asas contra um céu laranja estriado de nuvens brancas. "Fazer o quê?", perguntou, arrancado de seu devaneio. Ao invés de dar bola pro Renan, começou a mentalizar etapas do rapel que fariam em breve pra descer daquela altura antes que ficasse escuro demais. A descida era sempre a parte que o deixava mais nervoso. Assim como a maioria dos acidentes de carro ocorre a menos de cinco minutos do destino do motorista, a descida é a parte em que um escalador está mais à vontade, mais apressado e distraído. Renan demorou alguns segundos antes de falar de novo. "Já pensou alguma vez em escalar no gelo?" Sabia que Renan tinha feito curso de escalada em gelo em Bariloche e que havia chegado ao cume de algumas montanhas nevadas dos Andes argentinos, por isso imaginou que ele tinha em mente mais alguma investida naquela região. "Nunca pensei, mas seria interessante." "Tô com uma idéia fixa, véio, um projeto que tá me deixando totalmente obcecado." "Escalar o Aconcágua com as mãos amarradas nas costas?" Esperava que Renan fosse rir, mas em vez disso o amigo cruzou os dedos e usou a força da mão direita pra estalar as articulações metacarpofalangianas da mão esquerda, que estouraram como um conjunto de pequenas cápsulas cheias de ar de um plástico bolha. "Preciso de um parceiro pra uma viagem, uma expedição, na verdade. Alguém com tempo e vontade pra pegar dias de estrada, investir num equipamento, se enfiar no meio do nada e passar um tempo na montanha. Tá a fim de encarar algo assim?" A pergunta parecia prever uma resposta negativa e tinha um toque muito sutil de desafio, coisa comum entre os dois quando o assunto era escalada, já que Renan era melhor no esporte em todos os sentidos e tinha como principal motivação a superação de marcas e façanhas, de preferência as alheias. "Onde?" "Cordilheira dos Andes." "Sim, mas tá pensando em alguma montanha específica?" Renan tirou os olhos do horizonte e o encarou. "Já ouviu falar no Cerro Bonete?" Alguns neurônios faiscaram, porque sim, já tinha ouvido falar nessa montanha, em um artigo da revista canadense Gripped, se não estava enganado. Um pico vulcânico de quase sete mil metros de altura, próximo ao Aconcágua, no Noroeste da Argentina. "Sim, já ouvi", emendou com satisfação, se sentindo um especialista, "não é um vulcão na Argentina?" "Pois é, existe esse Cerro Bonete, que fica perto do Aconcágua, na província de La Rioja. Tem seis mil setecentos e não sei quantos metros e sempre foi meio esnobado pelos escaladores, mas ultimamente tem sido mais procurado. Só que não é desse que eu tô falando, não." Renan enunciava suas frases com um falso tom de pouca importância, mas era claro que estava querendo chegar em algum lugar, falar de algo que vinha sendo objeto de fascínio em sua imaginação fazia um bom tempo. Queria fazer suspense, tanto que ficou quieto e o forçou a perguntar: "Existe outro Cerro Bonete, então?" "Existem pelo menos três ou quatro, que eu saiba. ‘Bonete’ em espanhol significa um tipo de chapéu, e os caras deram esse nome pra uma porrada de montanhas nos Andes. Mas o Bonete que eu tô falando é especial. Pra começar, fica na Bolívia. Bem no sul, quase fronteira com a Argentina." "Fora isso, o que ele tem de especial?" "Difícil dizer, porque ninguém nunca subiu lá. Aparece em alguns mapas e nas fotos de satélite, mas não se sabe a altura exata. Encontrei uma página na internet que diz que tem dezoito mil, duzentos e quarenta pés, uns cinco mil e seiscentos metros." "Não é dos mais altos." "O que importa é que é desconhecido. Não existe quase nada documentado sobre a região. Não tem estrada, cidade, porra nenhuma. O desgraçado fica na borda de uma cratera vulcânica com uns seis ou sete quilômetros de diâmetro. Tu precisa ver as fotos aéreas. Dá pra achar alguma coisa na internet. É impressionante." Soube na hora que o papo do Renan era pra valer. Subir os picos mais elevados de cada continente já tinha se tornado algo banal aos olhos dele, não que fosse fácil, mas muita gente já tinha feito. "Existem pacotes turísticos pro cume do Everest" era uma frase que Renan vivia usando pra ilustrar sua tese de que os verdadeiros desafios do alpinismo hoje em dia estão nos boulders de alta dificuldade e nas pouquíssimas montanhas do planeta que ainda têm um cume ou uma face intocada por piolets e grampões. O que motivaria ele a sair de casa e investir numa expedição seria uma montanha desconhecida, misteriosa. Algo que fosse inédito e merecesse registro. Os olhos dele brilhavam ao falar. Piscava diversas vezes seguidas e depois mantinha as pálpebras abertas por um longo tempo. "E aí? O que te parece? Nunca teve vontade de fazer uma indiada dessas? É possível, véio, perfeitamente possível. Precisa de tempo, dinheiro e um bom estado de espírito. Além de colhões. É isso que não tenho certeza se tu tem", disse, meio brincando, meio pra valer. "É de se pensar, é de se pensar", respondeu. Naquela ocasião a idéia pareceu tão mirabolante que não levou a sério. Mas na segunda-feira seguinte baixou seus e-mails em casa e havia meia dúzia de mensagens do Renan, com links e imagens sobre o tal de Cerro Bonete. Eram informações limitadas e fotografias de satélite de baixa qualidade encontradas em sites obscuros de estudos geológicos e relatórios governamentais. Um dos e-mails continha um par de coordenadas e um link pra fazer o download de um programa chamado Google Earth. Instalou e seguiu as instruções da mensagem: digitou a latitude 21º45’0.00"S e a longitude 66º29’0.00"W num campo da interface do programa e apertou Enter. O globo terrestre tridimensional começou a girar devagar e a tela foi se aproximando cada vez mais rápido da América do Sul, da Bolívia, e depois de alguns segundos de transferência de dados surgiu a imagem nítida de um cume nevado na borda da cratera de um vulcão inativo. Sua primeira impressão foi de estar vendo um mapa de algum jogo muito antigo de computador, mas aos poucos foi compreendendo que era uma imagem de satélite legítima, colorida e detalhada, de um trecho inacreditavelmente inóspito da superfície do planeta, a vista aérea das cordilheiras lembrando a textura da casca de uma velha araucária, a crosta terrestre vista como a crosta de um bolo, quase palpável na tela do computador. E foi nesse instante que a idéia da expedição desmiolada se gravou na sua mente de forma definitiva. Fossem quais fossem as motivações pessoais do Renan, agora tinha a sua própria: precisava estar lá. Precisava que aquele exato retalho da Terra se tornasse um lugar onde estivera, que sua presença ali fosse algo realizado. A imagem da tela do computador evocou fotografias mentais de diversos locais que tinham provocado nele um desejo semelhante, como se lhe reservassem uma revelação de qualquer tipo. Lembrou de uma pequena ilha que viu durante um passeio de barco pelo sul da ilha de Santa Catarina, no primeiro ano de casamento com a Adri, quando ela estava grávida de três meses. Era uma ilha de rocha entre tantas outras daquele litoral, coberta de vegetação na metade mais elevada, mas nessa havia três ou quatro cabanas de madeira completamente isoladas, voltadas pro oceano e escondidas do continente. Ficou imaginando quem havia construído aquilo, como tinham chegado lá, se alguém morava de fato naquelas habitações precárias ou se eram apenas galpões de pescadores usados como depósitos ou abrigos eventuais. Fosse como fosse, teve vontade de estar naquela casinha isolada numa ilha sem civilização. Pareceu, por um instante, algo simples e acessível. O que podia haver de tão misterioso em escolher um lugar vazio da superfície do planeta, mandar construir uma pequena casa e ir pra lá de vez em quando? Depois, aos poucos, a idéia foi adquirindo outra cara, se revelando inviável, muito mais inacessível do que parecia, e deixar isso de lado foi como perder uma oportunidade valiosa, embora não pudesse definir exatamente o que haveria de tão único e revelador naquele lugar específico. Outra ocasião, viajando de carro pela BR-101 entre Torres e Osório, enxergou uma figueira magnífica em um sítio na margem da estrada e teve a mesma sensação de urgência. Teria sido a coisa mais simples do mundo estacionar o carro e percorrer a pé os quinhentos metros que o separavam da árvore. Sentar encostado em seu tronco e atingir dentro de minutos alguma epifania, ou simplesmente deixar a aura daquela figueira naquele sítio naquela estrada evanescer vagarosamente, retornar pro seu carro e seguir viagem até Porto Alegre. Perdeu aquela oportunidade e dezenas de outras. O que a imagem de satélite na tela do computador oferecia era mais uma chance de eleger um instante no tempo e no espaço em detrimento de todos os outros. Era preciso estar lá. Se pudesse, se teletransportaria pro Cerro Bonete boliviano naquele exato instante. Como era impossível, apenas respondeu pro Renan: "Vi as imagens. tô dentro (sério)".


Resumo enviado por Jorge Lima
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A temática da peça está profundamente ligada à realidade vivida pela sociedade portuguesa da época de Gil Vicente: o desejo de ascensão social da pequena burguesia, que vê no casamento numa forma de consegui-la, o oportunismo, o desprezo pela vida camponesa e o prestígio das maneiras cortesãs, a ignorância do rústico, embora rico camponês e sua ingenuidade, a falta de escrúpulos (núcleo da peça). O desenvolvimento do capitalismo reforçou o poder do monarca e provocou a decadência da nobreza feudal. A riqueza vinda do comércio ultramarino tendia a ser grande base do prestígio social. A aristocracia dependia dessa riqueza e procurou diminuir sua importância desprezando-a e valorizando a origem de sangue, a educação, a fineza, as boas maneiras, a honra e a coragem, enfim os ideais cavaleirescos. E como a nobreza mesmo decadente, ainda conservava grande prestígio social, acabou por impor o estereótipo do cavaleiro como modelo a que deviam aspirar todos aqueles que queriam pertencer à classe superior. A burguesia (comércio e finanças) procurou imitar esse figurino com desejo de ascensão social. Passaram então a imitar os nobres sonhando subir na escala social, mas isso tornou-se cômico e ridículo. É mais ou menos o que acontece em Inês Pereira. Inês, jovem cansada de trabalhar, quer casar.

Lianor Vaz lhe arranja um noivo, Pêro Marques, que ela recusa por ser falastrão (quer um marido discreto, mesmo que pobre). Então Latão e Vidal, dois judeus casamenteiros, lhe arranjam o escudeiro Brás da Mata, com quem se casa. Brás é caloteiro e nunca paga seu moço, Fernando. Logo após o casamento Brás vai para o Norte da África tornar-se cavaleiro, mas é morto por um pastor mouro ao fugir da batalha. Livre deste casamento Inês se casa com Pêro Marques. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Riobaldo, fazendeiro do estado de Minas Gerais, conta sua vida de jagunço a um ouvinte não identificado. Trata-se de um monólogo onde a fala do outro interlocutor é apenas sugerida. São histórias de disputas, vinganças, longas viagens, amores e mortes vistas e vividas pelo ex-jagunço nos vários anos que este andou por Minas, Goiás e sul da Bahia. Toda a narração é intercalada por vários momentos de reflexão sobre as coisas e os acontecimentos do sertão. O assunto parece sempre girar na existência ou inexistência do diabo, já que Riobaldo parece Ter vendido sua alma numa certa ocasião... Riobaldo era um dos jagunços que percorriam o sertão abrindo o caminho à bala. Entre seus companheiros, havia um que muito lhe agradava: Reinaldo, ou Diadorim. Conhecera-o quando menino e mantinha com ele uma relação que muitas vezes passava de uma simples amizade. O jagunço, que admirava e cultivava um terno laço com Diadorim, perturbava-se com toda aquela relação, mas a alimentava com uma pureza que ia contra toda a rudeza do sertão, beirando inclusive o amor e os ciúmes. Nas longas tramas e aventuras dos jagunços, Riobaldo conhece um dos seus heróis: o chefe Joca Ramiro, verdadeiro mito entre aqueles homens, que logo começa a mostrar certa confiança por ele. Isso dura pouco tempo, já que Riobaldo logo perde seu líder: Joca Ramiro acabou sendo traído e assassinado por um dos seus companheiros chamado Hermógenes. Riobaldo jura vingança e persegue Hermógenes e seus homens por toda aquela árida região.

Como o medo da morte e uma curiosidade sobre a existência ou não do diabo toma cada vez mais conta da alma de Riobaldo, evidencia-se um pacto entre o jagunço e o príncipe das trevas, apesar de não explícito. Acontecido ou não o tal pacto, o fato é que Riobaldo começa a mudar à medida que o combate final contra Hermógenes se aproxima. E a crescente raiva do jagunço só é contida por uma relação mais estreita com Diadorim, que já mostra marcas de amor completo. Segue-se, então, o encontro com Hermógenes e seus homens, e a vingança é enfim saboreada por Riobaldo. Vingança, aliás, que se tornou amarga: Hermógenes mata, durante o combate, o grande amigo Diadorim... A obra reserva, nas últimas páginas, uma surpreendente revelação: na hora de lavar o corpo de Diadorim, Riobaldo percebe que o velho amigo de aventuras que sempre lhe cativou de uma forma especial era, na verdade, uma mulher. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Publicado em 1887, o volume A Relíquia substitui a literatura predominantemente de observação de Eça de Queirós para dar vazão a um veio irônico e cômico que já aparecera na novela O Mandarim. Trata-se de um volume de crítica social contra a beatice e a hipocrisia. Pode ser visto dividido em três partes. A parte principal é apresentada como reminiscências de viagens e as outras duas constituem um traçado da vivência exageradamente beata da personagem D. Maria Patrocínio das Neves; e um apanhado psicológico da hipocrisia, representada pelo sobrinho de D. Patrocínio, Teodorico Raposo, homem de tendências liberais e libertinas. Narrado em primeira pessoa, traz Teodorico, apelidado Raposão, recordando-se de uma visita que fizera à Terra Santa. Teodorico é órfão desde a infância e criado por uma endinheirada tia materna, D. Patrocínio, a titi. Faz Direito em Coimbra e freqüenta com assiduidade as rodas boêmias, mas não deixa de adular a tia, na esperança de conseguir ser seu herdeiro universal. O herdeiro mantém, portanto, duas faces, a libertina e a "beata". Depois de uma briga com a amante, parte para a Palestina, em excursão financiada pela tia. Surgem personagens interessantes como o alemão Tópsuis e o português Alpedrinha. No Egito é apresentado à inglesa Mary, com quem tem um intenso relacionamento amoroso. Ao partir para Jerusalém, Mary o presenteia com uma camisola. Teodorico compra uma imitação da coroa de Cristo para levar de relíquia à tia beata e garantir assim sua herança. Ao retornar a Portugal, o rapaz entrega o pacote em que supõe estar a camisola de Mary a uma mendiga e ao chegar em Lisboa vê-se diante da titi e sua corte eclesiástica, presenteando-as com uma série de relíquias e relatando detalhadamente a viagem. No momento de maior expectativa, entrega o pacote com a suposta relíquia da tia, é desmascarado e deserdado. Consegue um emprego, casa- se, mas aparentemente continua um oportunista, como relata em páginas finais: "E tudo isto perdera! Por quê? Porque houve um momento em que me faltou esse descarado heroísmo de afirmar..." que a camisola de Mary era a camisa de dormir de Santa Maria Madalena. Se isso ocorresse, não teria ele herdado a fortuna de titi? veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Publicado em 1919, pela Revista do Brasil, este segundo livro de Lobato levava o subtítulo " Contos e Impressões " e reunia trabalhos bastante antigos , alguns do tempo de estudante de Lobato. Em edições subsequentes, novo textos acrescentaram-se à obra. O título do livro é tomado de um texto de 1906. Numa espécie de crônica ou ensaio, num tom entre irônico e saudosista, Lobato delineia o espaço de sua obra: o norte paulista do vale do Paraíba, "onde tudo foi e nada é: Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. "(...) cidades moribundas arrastam um viver decrépito. Gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes". É , portanto num cenário de decadência representado por ruas ermas , casarões em ruínas e armazéns desertos, que o livro introduz o leitor, fazendo-o acompanhar de um ponto de vista irônico figuras igualmente decadentes de homens e mulheres. Cabelos Compridos e o Espião Alemão são os dois contos mais conhecidos do livro. Os contos de Cidades Mortas entremeiam-se com digressões, como a aguda crítica aos ficcionistas românticos (Alencar, Macedo, Bernardo Guimarães) , que transcrevemos: "No concerto de nossos romancistas, onde Alencar é o Piano querido das moças e Macedo a Sensaboria relambória dum flautim piegas, Bernardo é a sanfona. Lê-lo é ir para o mato , para a roça- mas uma roça adjetivada por menina de caudalosos, as matas virentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonoros , as rolinhas meigas.

Bernardo descreve a natureza como qualificativos surrados do mau contador. Não existe nele o vinco enérgico de impressão pessoal. Vinte vergéis que descreva são vinte perfeitas invariáveis amenidades. Nossas desajeitadíssimas caipiras são sempre lindas morenas cor de jambo. Bernardo falsifica o nosso mato. Onde toda gente vê carrapatos , pernilongos espinhos, Bernardo aponta doçuras insetos maviosos, flores olentes. Bernardo mente." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O romance se passa entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. Tangidos pelo sol implacável, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Encaminham-se para as regiões dos engenhos, no rejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio. Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade, e por ela se apaixona. O estudante retorna à academia e quando de novo volta, em férias, à companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor Manuel Broca, suposto sedutor e amante de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Velentim e informa o pai do seu propósito : casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho. Tudo é esclarecido : Soledade é prima de Lúcio, e Dagoberto foi quem realmente a seduziu. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica ao padrinho (Valentim) e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho (Dagoberto), até que ele possa executar o seu "dever": matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor do engenho Marzagão, herdado por Lúcio, com a morte do pai. Em 1915, por outro período de seca, Soledade, já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio, para lhe entregar o filho, fruto do seu amor com Dagoberto. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O personagem título é Mayer "Capitão Birobidjan" Guiznburg, um judeu que chegou ainda menino da Rússia. Mayer era marxista e sonhava fundar uma nova Birobidjan (Birobidjan era o nome de uma colônia coletiva de judeus na Rússia), uma utopia socialista. Jovem, era muito rebelde, e deu muitos desgostos ao pai que lhe queria ver rabino. Tinha outros amigos marxistas, incluindo a jovem Léia com quem se casa. Após algum tempo abandona tudo e vai viver na propriedade de um desses amigos, que, como todos a essas alturas, já havia abandonado suas convicções. Em Nova Birobidjan, como ele batiza sua terra, passa a viver para o trabalho acompanhado pelo Companheiro Porco, Companheira Cabra e Companheira Galinha, a última a qual ele não gostava por ser improdutiva, lia Rosa Luxemburgo e dava discursos a homenzinhos que só ele via. Depois de algum tempo aparecem inimigos, quatro vagabundos a quem ataca após ser atacado, e cuja amante coletiva passa a se tornar a segunda cidadã. Mais tarde ela sai de Nova Birobidjan e Mayer volta para casa. Ele se reforma, após algum tempo até mesmo abandona o ateísmo, e passa a trabalhar duro. Troca de ramo para a construção e enriquece, mas complica-se ao se tornar amante da secretária e acaba se divorciando após abandoná-la.

Sua companhia fale e ele acaba numa pensão (localizada no terreno de Maykir, sua antiga empresa, que por sua vez se localizava no terreno da Nova Birobidjan), onde tenta reiniciar Nova Birobidjan, mas acaba falhando. Acuado, abandonado, triste, muito ligado a religião e quase sem esperança (os homenzinhos para quem discursava agora já eram só três), o Capitão Birobidjan tem um ataque do coração ao ensaiar uma resistência, mas como descobrimos no começo do livro, ele sobrevive. A história, no entanto, acaba aqui. Contado em terceira pessoa, cada capítulo deste livro nos remete a um ano ou conjunto de anos. O primeiro e último é 1970, mas recua-se logo apara 1928, 1916, 1929, 1930... até voltar-se para 1970, contando sempre com o humor irônico e amargo de Scliar, a saga do Capitão Birobidjan, um louco humanista, Don Quixote do bairro do Bonfim de Porto Alegre, tentando construir uma sociedade melhor e coletivista, apesar de tudo e de todos que se opõe a ele, ridicularizado por todos aqueles a quem chama Companheiro, ele é um exército de um homem só lutando por um mundo mais justo que no final não vale a pena. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
No capítulo “A abordagem inatista-maturacionista” autoras abordam a perspectiva pscológica “inatista-maturacionista” que entende os fatores hereditários ou de maturação como determinantes para as aptidões individuais e de inteligência. È nesse contexto que surgem o francês Alfred Binet e o norte-americano Arnold Gessell que orientam seus estudos para descrever comportamentos e habilidades típicas de cada faixa etária, ou seja, o que é próprio para cada idade. São esses experimentos que Binet utilizará para a construção dos testes para determinar a idade mental e o quociente de inteligência (QI) da criança. Gessell por outro lado emprega câmeras cinematográficas para registrar os comportamentos da criança e assim estabelece comportamentos típicos de cada faixa etária. Desse modo, a criança “normal” deve apresentar tais comportamentos tenha nascido em qualquer lugar e época. A abordagem inatista-maturacionista marca a relação entre psicologia científica e a educação. No Brasil o primeiro teste para avaliar a prontidão de crianças para alfabetização foi desenvolvido por um educador e colocou em destaque as noções de prontidão, maturidade e aptidão que englobam a teoria.


FONTANA, Roseli; CRUZ, Nazaré. Psicologia e Trabalho Pedagógico. Atual, 1997
Informações bibliográficas
PSICOLOGIA E TRABALHO PEDAGOGICO
Título PSICOLOGIA E TRABALHO PEDAGOGICO
Autores ROSELI FONTANA, NAZARE CRUZ
Editora ATUAL EDITORA
ISBN 8570569025, 9788570569028
Num. págs. 232 páginas
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1. Compreender que a avaliação formativa não passa de uma utopia promissora
Avaliação:
-multidimensional;
-tem por objetivos contribuir para o êxito da aprendizagem: avaliação formativa;
-é o horizonte da prática avaliativa em terreno escolar.

Avaliação distingue-se:
-implícita: se revela por meio de seus efeitos;
-espontânea: formula-se e é subjetiva;
-instruída: operacionaliza-se por meio de instrumentação para produzir as informações sobre as quais se baseará o julgamento.

Avaliação de referência normativa, avaliação de referência criteriada

Normativa: impõe normas de comportamento. A avaliação livre de normas é utopia, sem possibilidade lógica. A norma não é subjugante nem libertador, é um modelo valorizado pelo grupo. A avaliação normativa tem por objetivo situar os indivíduos com relação aos outros.
Criteriada: aprecia determinado comportamento situando-o em relação a um alvo – critério ou objetivo a ser atingido.
Se de um lado elas se opõem, por outro a normativa é em parte criteriada, porque situa alguns desempenhos com relação aos outros e refere-se a critérios de conteúdo. A criteriada pode levar a normativa, e ambas podem ser ou não formativas.

Avaliação prognóstica, formativa e cumulativa

Prognóstica: precede a ação de formação, identificando no aprendiz seus pontos fortes e fracos;
Cumulativa: feita depois da ação, ela e verifica se as aquisições, com vistas a expedir ou não, o “certificado” de formação;
Formativa: situa-se no centro da formação, porque sua principal função é contribuir para uma regulação da atividade de ensino, de levantar informações úteis a regulação do processo ensino-aprendizagem.
Toda avaliação tem uma dimensão cumulativa e prognóstica. O conteúdo e as formas de ensino deveriam e adaptar as características dos alunos reveladas pela avaliação (pedagogia diferenciada).






Avaliação formativa como utopia promissora

Intenção do avaliador: tornar a avaliação formativa, modelo ideal.
Perrenoud diz que é “formativa toda avaliação que auxilia o aluno a aprender e a se desenvolver, ou seja, que colabora para a regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de u projeto educativo”.
Na avaliação formativa:
-o professor será informado dos efeitos reais de seu trabalho e poderá regular sua ação; terá flexibilidade, vontade de adaptar-se, variabilidade didática.

-o aluno saberá onde anda, tomará consciência de suas dificuldades, reconhecer e corrigir seus próprios erros.
A avaliação é contínua, e as correções a serem feitas dizem respeito a ação de ensino do professor e a atividade de aprendizagem do aluno.

Obstáculos a emergência da avaliação formativa

1. existência de representações inibidoras na perspectivas administrativas e na pedagogia destinada a selecionar. A avaliação é a medida contínua e viva – notas - , e o professor deve contribuir com todas as forças pra o progresso dos alunos.
2. a pobreza atual dos saberes necessários: no trabalho das interpretações coletadas e das interpretações que exige referencia teórica que dê conta dos múltiplos aspectos (cognitivos, afetivo e social).
3. a preguiça ou medo dos professores:não imaginam mediações.

2. Compreender que avaliar não é medir, mas confrontar em processo de negociação

Avaliação não é medida. A prova pela notação

O objeto ou o acontecimento não pode ser visto sob uma única dimensão. A medida é não pode ser objetiva. As variações de nota que se verificam entre um examinador e outro para o mesmo trabalho vão bem além da incerteza normal.

A impossível reforma do instrumento avaliador

Para melhorar o instrumento, é preciso corrigir seus defeitos:
-a subjetividade do corretor;
-acreditar em possível neutralização.
A melhoria implica melhor preparação da prova: designar o objeto de modo a estabelecer normas de competência dos candidatos.
A avaliação é um ato que se inscreve no processo geral de comunicação / negociação. O avaliador é um ator na comunicação social, e avaliação é interação, troca entre o avaliador e o avaliado, o aluno desempenha através do resultado da interação professor, avaliador e situação social. A percepção do examinador ao desempenho é dependente do contexto social.
A correção verifica-se as notas anteriores e a influencia do trabalho sobre o produtor, a avaliação é influenciada por informações a priori. Nela transparece a pregnância do que já foi socialmente julgado, traduzidos por arranjos de negociação entre professor e alunos, fruto de confronto com os julgamentos produzidos pelos outros; relação do corretor mantem a nota, do passado do aluno, e da relação com os alunos e do nível médio da turma.
A avaliação escolar precisa para progredir de um “contrato Social” que determine e fixe as regras do jogo.
Avaliação é ato de confronto entre uma situação real e expectativas referentes a essa situação. Não é operação científica. Ela só legitima no seio de determinada instituição. Ela expressa a adequação (ou não) entre a relação atual do aluno com o saber e do objeto de desejo institucional.

Avaliação é operação de leitura da realidade

A leitura é sempre seletiva, não é medida. E a avaliação, como toda leitura, é orientada. Por sua essência, a avaliação não pode ser objetiva. O avaliador tem um pé no “deve ser”, que representa o conteúdo de uma expectativa especifica. Assim, avaliar implica dizer em que medida ele é adequado, ou não, ao desempenho que se podia esperar desse aluno. A relação de avaliação é de não-diferença com o objeto avaliado.
A avaliação e a leitura da realidade se fazem pela construção critérios elaborados a partir de um sistema plural de expectativas (da comunidade), e a seleção obedecerá a um critério de prioridades.

3. compreender que é possível responder a três questões pertinentes:
a) Deve-se abandonar toda pretensão quantitativa?

A avaliação não é neutra, expressa e traduz preferências, sempre discutíveis.
A instrumentação quantificativa não é garantia de mais eqüidade e de justiça do que a objetividade. Os julgamentos dos professores são baseados em instituições globais. Não se deve levar a rejeição do qualitativo, mas recolocá-lo em seu lugar. Apreciar mais o êxito das aprendizagens do que o grau de conformidade com o modelo social dominante. Avaliar é fazer agir a descontinuidade dos valores, no sentido filosófico. Medir consiste em produzir um ‘descritivo organizado’ da realidade que se apreende e se encerra em cadeia quantitativa.

b) deve-se recusar a julgar?

Não se deve julgar o êxito do aluno, mas dar-lhe a informação de que precisa para compreender e corrigir seus erros. A avaliação descritiva é a única compatvivel com tal relação de ajuda. Toda relação de ajuda exclui o julgamento. Contribuir para tornar o aluno autor de sua aprendizagem.

c) deve-se continuar a avaliar?

A AUTO-AVALIAÇÃO torna-se a chave do sistema. É a preocupação de facilitar a aprendizagem que lhe dá sentido e coerência.

Pistas para a ação – avaliação formativa:

Objetivos: privilegiar a auto-regulação, construir por meio do ensino, de maneira que o aluno perceba o “alvo”visado, aproprie-se dos critérios de realização e de êxito, e esteja em condições de julgar sua situação, tornando-se o professor capaz de fundamentar as remediações feitas sobre o diagnóstico elaborados e de diversificar sua prática pedagógica.
Modalidades: o professor não deve limitar sua criatividade e sua imaginação; deve ter a preocupação de falar correta e pertinentemente.
Condições técnicas: relacionar o exercício de avaliação ao objeto avaliado; explicar os exercícios; especificar o sistema de expectativas e os critérios; ampliar o campo das observações; tornar a avaliação informativa.
Deontologia do trabalho do avaliador: não se pronunciar levianamente; construir “contrato social”, fixando as regras do jogo, refletir e identificar o que julga poder esperar dos alunos; desconfiar de evidencias; denunciar valores em nome dos quais se tomam decisões; não se deixar levar pelo dever de reserva ou de retenção, desconfiar dos entusiasmos e dos abusos de poder.
Proposta para uma avaliação com intenção formativa, para o professor:
-desencadear comportamentos a observar;
-interpretar os comportamentos observados;
-comunicar os resultados da análise;
-remediar as dificuldades analisados.

4. Agir desencadeando de maneira adequada

Avaliar significa escolher provas e exercícios, construir uma avaliação e determinar condições. Dizer sobre o que será a avaliação, quando ocorrerá, o tempo que lhe será concedido, as tarefas que o aluno deverá realizar, que atuação será levado em conta, etc. Toda avaliação instituída exige dispositivo elaborado.


A avaliação só é formativa se for informativa, tem por função preparar uma tomada de decisão de ordem didática. É essencial articular conteúdos sobre a aquisição dos quais há um questionamento com exercícios capazes de informar sobre essa aquisição.

A tarefa como desencadeador privilegiado

O exercício –desencadeador deve obedecer exigências e significância.
Analisar a tarefa em torno:
-do alvo (objetivo), resultado material da atividade desenvolvida;
-os critérios de realização, procedimentos das tarefas e ações de cada tarefa especifica;
-critérios de êxito aceitabilidade para resultados das operações;
-condições de realização externos (tempo, documentos, trabalho individual, grupo) e internas (conhecimentos imobilizados).
A tarefa é meio e não o fim.

5. Agir observando/interpretando de maneira pertinente

Os exercícios –desencadeadores são instrumentos para a avaliação, resultado do trabalho do aluno deverá ser lido e exigirá interpretação. Avaliar requer observar e interpretar.

Tensão sobre observável/inobservável

Análise de comportamento: centrada sobre os observáveis (factual e descritiva);
Análise de conduta: necessário a interpretação onde raciocínio e representações (inobserváveis) do sujeito devem ser inferidos.

O problema da análise dos erros

O erro pode se expressar por dificuldades (de leitura, com os tempos dos verbos, com os advérbios, com as relações, com a análise) ou confusões entre a ordem de apresentação e a ordem cronológica. É essencial compreendê-lo para superá-lo, deve ser um meio para tornar a avaliação informativa.

Facilitar o procedimento de auto-avaliação

Contar com a participação do aluno.
Processo de construção da auto-avaliação como habilidade:
Autocontrole espontâneo ou regulação cognitiva implícita: autonotação – autobalanço – autocontrole crítico –regulação instrumentalizada e metacognitiva.

6. Agir, comunicando de modo útil

o professor deve tomar cuidado para que sua comunicação seja clara, preocupar-se em formular frases, designar objetivamente o que se quer descrever, esforçar-se para abrir diálogo com o aluno, sugerir sugestões para melhorar o seu desempenho.

Comunicação, deontologia, ética

Para a avaliar é preciso ter a sensação do que as coisas valem, o que implica relação não indiferente com o mundo. O professor deve estabelecer bases de confiança no sentido ético, pois a avaliação formativa envolve afetividade. Com isso ele deve aceitar o principio da discussão e do questionamento e buscar imperativos válidos para se alcançar os objetivos, fazer o que for necessário e legitimo pela comunidade se fazer referência a pessoa humana. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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