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FERRAZ, Maria Heloisa C. de T.; FUSARI, Maria Felisminda de R. e. Arte na Educação Escolar. São Paulo: Cortez, 1992.

Resumo.
O ensino e a aprendizagem da arte fazem parte da produção artística em todos os tempos.
A mudança da educação tradicional para o processo de aprendizagem do aluno também ocorreu no âmbito do ensino de Arte.
As pesquisas de vários campos das ciências humanas sobre o desenvolvimento da criança e sobre o processo criado, sobre a arte e outras culturas. Na confluência da antropologia, filosofia, psicologia, psicanálise, critica da arte, da psicopedagogia e das tendências estéticas surgiram princípios inovadores para o ensino de artes plásticas, musica, teatro e dança que valorizam a livre expressão e a sensibilização para a experimentação artística visando o potencial criador.
A necessidade e a capacidade da expressão artística enquadrada em palavras de ordem, em aplicação mecânicas das atividades das crianças, geram deformações na idéia original e banalização do deixa fazer, deixar a criança fazer arte, sem nenhuma intervenção. Esse objetivo de facilitar o desenvolvimento criador da criança, no entanto desencadeou uma indiscriminada idéia vaga e imprecisa sobre a função da educação artística.
Na década de 60, arte-educadores, questionava, a idéia do desenvolvimento espontâneo, inaugurando uma nova tendência, com o objetivo era precisar o fenômeno artístico como conteúdo escolar, articulando-se em dois movimentos: a revisão critica da livre expressão e a investigação, na pedagogia, na psicologia cognitivista, na própria produção artística, entre outras.
No inicio dos anos 70, os Estados Unidos afirmavam que o desenvolvimento artístico é resultado de formas complexas de aprendizagem. A tarefa do professor era propiciar essa aprendizagem por meio da instrução, buscando meios para transforma idéias, sentimentos e imagens num objeto material, estabelecimento de conceitos solidificam e fundamentam dentro do currículo escolar, definindo contornos com base em características ao fenômeno artístico. A partir daí, pesquisas ressaltara as que investigam o modo de aprender dos artistas.
O ensino da arte é identificado pela visão humanista e filosófica que demarcou as tendências tradicionais e escolanovistas. Que apesar de contrapor as proposições, métodos e entendimento dos papeis do professor e do aluno, influenciaram ações escolares de Artes.
Na primeira metade do século XX, disciplina de Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto Orfeônico, faziam parte dos programas escolares. O ensino de arte era voltado ao ensino técnico, o professor transmitia aos alunos códigos, conceitos e categorias.
A disciplina de Desenho apresentada sob a forma de Desenho Geométrico, Desenho Natural e Desenho Pedagógico era considerado aplicação imediata e a qualificação para o trabalho.
Teatros e danças eram reconhecidas como parte de festividades e celebração de datas. A musica, o Canto Orfeônico preparado pelo compositor Heitor Villa-Lobos, na década de 30 difundia idéias de coletividade e civismo. Esbarrando na atividade pratica dos professores e transformou-se em aulas de musicas baseada em aspectos matemáticos e visuais com a memorização de peças orfeônicas de caráter folclórico, cívico e exaltação. Isso por 30 anos, quando o Canto Orfeônico é substituído pela Educação Musical, pela LDB de 1961.
Entre os anos 20 e 70 o ensino da Arte volta-se para o desenvolvimento natural da criança valorizando suas formas de expressão e de compreensão do mundo, enfatizando repetições de modelos, e deslocando a ênfase para os processos de desenvolvimento do aluno e sua criação.
Desenho e Artes Plásticas BUSCAM A ESPONTANEIDADE, AUTONOMIA E DESCOBERTA, BASEANDO-SE NA AUT-EXPRESSÃO DOS ALUNOS.
Com a Educação Musical a musica pode ser sentida, tocada dançada, cantada. Utiliza-se jogos, instrumentos de percussão, todas e brincadeiras buscava-se um desenvolvimento auditivo, rítmico, expressão corporal e a socialização das crianças que são estimuladas a experimentar, improvisar e cria.
A semana Da Arte Moderna, em 1922, tenta-se trabalhar-se a arte fora das escolas, cresce os movimentos culturais. As artes plásticas ganham novas expressões, surgem museus em todo o país. Obras deixam de ser só eruditas, mas se popularizam, aproximando e influenciando a Arte escolar. Até 1960, havia poucos cursos de formação de professores nesse campo, e professores de quaisquer matérias ou pessoas com alguma habilidade na área poderiam assumir as disciplinas de Desenho, Desenho Geométrico, Artes Plásticas e Musica.
Em 1971, a LDB, a arte é incluída no currículo escolar com o titulo de Educação ARTÍSTICA, mas é considerada atividade educativa e não disciplina.. foi um avanço, mas os professores não estavam habilitados essa contradição demonstrou o enfrentamento de dificuldades da base na relação entre teoria e pratica.
Faculdades de Educação ARTÍSTICA foram criadas para cobrir o mercado, mas não estavam preparadas, os professores tentavam equacionar objetivos inatingíveis, com atividades múltiplas, envolvendo exercícios musicais, plásticos, corporais, sem conhece-los bem e justificados e divididos apenas por faixas etárias.
Entre 70 e 80, antigos professores e os recém formados viram-se responsáveis em educar alunos em todas as linguagens artísticas tornando-se polivalentes em Artes, o que diminuiu a qualidade de cada forma de arte.
A partir de 80 constituiu-se o movimento Arte-educação com finalidade de conscientizar e organizar profissionais ampliando as discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor. Novos andamentos a ação educativa foram propostas por universidades, associações de arte-educadores, entidades publicas e particulares.
Em 1988, a Constituição Federal retira a obrigatoriedade da área, porem, e a LDB de 1996 revoga e considera a Arte obrigatória na educação básica. O inicio do movimento arte educação evolui-0se pra discussões que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a aprendizagem da arte nas escolas. Identificado por Arte e não mais Educação Artística, é estruturada no currículo escolar como área com conteúdos próprios ligados a cultura artística a não mais atividade. Trata-se de estudos sobre a educação estética do cotidiano, encaminhando o pedagógico-artístico a integração de fazer- artístico, a apreciação da obra de arte e a contextualização histórica ( produção, fruição e reflexão).
Sem uma consciência clara de sua função e da arte como área de conhecimento com conteúdos específicos, professores não conseguem formular um quadro de referencias conceituais e metodológicas para alicerçar sua ação pedagógica. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A não distribuição uniforme dos versos e a despreocupação com a distribuição rítmica dão ao poema um tom confessional, aproximando-o de um texto em prosa. As lembranças relatadas no texto referem-se a uma data específica lembrada pelo eu-poético - o dia do aniversário. Esta data é a propulsora para outras recordações da infância e outras angútias do eu-poético, servindo também como ponto de referencia temporal quando o eu-poético intercala-se e contrapõe-se entre o passado e o presente. A época da infância no poema é marcada pela inocência, pois a criança ainda não tem noção do que se passa à sua volta: "Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma". A passagem da criança para o adulto é marcada por uma perda, pois ele percebe que a vida não tem mais sentido. O poeta hoje "é terem vendido a casa", ou seja, é um vazio, que perdeu, inclusive, o bem mais precioso, a sensação de totalidade, de alegria, de aconchego dado pela vida em família na infância longínqua. Assim, a festa de aniversário toma o aspecto simbólico de um ritual familiar e religioso, dentro do qual a criança se torna o centro de um mundo que a acolhe e protege carinhosamente. "As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa", denota, com esta adjetivação uma característica comum a toda infância: o egocentrismo. No presente, não há mais aniversários nem comemorações: resta ao poeta durar, porque o pensamento amargurado, critico e pessimista da vida o impede de ter a inocência de outrora.

O tom nostálgico e angustiado do poema dá a sensação de que o eu-poético vive uma introspecção conflitiva relembrando um passado supostamente mais feliz que o presente. O trecho "serei velho quando o for. Nada mais." parece querer dar fim a este conflito interno. "Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira !..." conclui o tom confessional do poema e enfatiza uma espécie de conformismo ríspido e amargurado com o presente melancólico e sem perspectiva em relação a vida. "O tempo em que festejavam o dia dos meus anos !" é repetida muitas vezes no texto dando ênfase a importância da data na lembrança do eu-poético, servindo também para marcar a justa contraposição entre passado e presente, respectivamente infância e fase adulta. O ultimo verso do poema sugere uma acomodação amargurada em relação ao passado. Em "Eu era feliz e ninguém estava morto" pode-se notar novamente o conformismo com o presente que pode não ser o idealizado, mas que está alicerçado em um passado inocente, de aspecto virginal, contrapondo-se com a atual falta de perspectivas e a desmotivação para a vida, onde ele diz: "Hoje já não faço anos. Duro." O eu-poético oraliza um tom de amargura versificado de forma clara, coesa e coerente, marcando com precisão verbal os estados temporais e emocionais a que se refere no poema. Por se parecer com uma "auto-confissão poética", pode-se afirmar que o eu-poético insere no texto características comuns às pessoas que estão prestes a deixar o mundo material, ou que neste não sentem mais vontade de estar por muito mais tempo. A reflexão conflitiva e melancólica sobre o passado, a amargura em relação ao presente e sensação de que o tempo passou e algo que deveria ser resgatado perdeu-se em um passado longínquo, são características comuns em pessoas que encontram-se neste estágio da existência humana. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
É sábado, o professor Clarimundo Roxo, solteirão, solitário, de 48 anos, desperta às cinco e meia da manhã para começar o dia dando aulas. Sua preocupação é com o tempo, sabe que o conceito sobre este é algo diferente daquilo que pensa a viúva Mendonça ou o sapateiro Fiorello. Contudo, a escravidão ao tempo é algo marcante. Clarimundo vive sob o tique-taque do relógio. Sente culpa quando se atrasa alguns minutos para as aulas. Pensa no livro que ainda escreverá. Será de cunho científico, nele pretende colocar toda sua cultura e algumas gotas de fantasia. O protagonista escolhido é um homem lá da estrela de Sírio. Com um telescópio mágico, olhará a terra e descobrirá a verdade das coisas. Prepara o café e se senta para os costumeiros 40 minutos de leitura. Às sete da manhã, quem desperta é Honorato Madeira, lembrando-se, também, de chamar a mulher, Virgínia. Ela desperta, mas se entrega aos pensamentos. Relembra que tem um filho de 22 anos e um marido obeso, sem graça, que sempre faz as mesmas coisas, o que lhe causa desgosto. Ele reclama da ida, à noite, ao baile do Metrópole; bem poderia ficar em casa descansando do trabalho. O filho, Noel, já está tomando café e recordando os dias de infância, quando a negra Angélica lhe preparava para ir à escola e levava-o à terceira esquina, onde se encontrava com a menina Fernanda, sempre limpa, bem arrumada e alegre, num contraste flagrante com seu estilo taciturno.

Volta ao presente, recorda que teve uma infância recheada de histórias fantásticas, contadas por Angélica. Nunca correu descalço pelas ruas ao sol. Seu mundo era dos livros, dos soldadinhos de chumbo e a parede do quarto dos brinquedos limitava seu mundo. Este cai com a morte da negra Angélica, quando Noel tinha 15 anos. Sua primeira experiência sexual foi repugnante, viscosa e violenta. Noel sabe que o horário de refeição em sua casa é o momento menos cordial, de raros diálogos. A mãe reclama de tudo: da roupa, do marido, das criadas. Diz que já devia estar trabalhando. Não está estudando Direito? O melhor de sua vida era a amizade com Fernanda, a amiga de infância. Em outro canto da cidade, Salustiano Rosa acorda às 9 horas com o sol batendo em cheio em seu rosto. Dorme ao lado de uma moça loura, Cacilda, que encontrou na noite anterior. Pede-lhe que saia logo do seu prédio, sem ser vista. Veste-se e sai feliz, logo após a moça. Às onze horas, em outro lugar, Chinita pensa em Salustiano. Recorda-se do rapaz tocando-lhe os bicos do seio por cima do vestido e acha a sensação deliciosa. Hoje à noite, vai encontrá-lo no chá dançante do Metrópole. Ela está na casa do pai, Cel. José Maria Pedrosa, onde decoradores embelezam tudo com enfeites dourados e pintura na parede. D.Maria Luísa, a esposa, teme pelos gastos, mas o marido quer que a vivenda dos Moinhos de Vento seja o melhor palacete do bairro. A festa de inauguração será na terça-feira e Chinita redigirá os convites. D. Maria Luísa conserva sempre o ar de vítima, eternamente triste e preocupada. A riqueza do Cel. veio com a sorte tirada num bilhete de loteria, comprado com trezentos mil-réis. A mulher chorou à tarde inteira, quando soube da despesa com aquele pedaço de papel. Souberam da sorte, na véspera de Natal. Pedrosa e os filhos ficaram radiantes, apenas D. Maria Luísa estava triste, brigando por seu rico dinheiro, defendendo-o dos pedintes. O marido resolve se mudar para Porto Alegre e todos da cidade de Jacarecanga vêm dizer adeus à esposa desconsolada, sempre saudosa da vida simples de Jacarecanga. Fernanda mora na Travessa das Acácias. Ela descansa, enquanto espera a hora de ir para o trabalho. Vai pensando na vida dura que tem levado, na morte do pai. A mãe, D.Eudóxia, lhe chama à realidade, lembrando-lhe que não deve dormir. A senhora é extremamente pessimista, crendo que tudo vai dar errado. A filha evita dar muita atenção à mãe, prefere pensar em Noel e chamar o irmão, Pedrinho para o trabalho. Outro morador da Travessa é João Benévolo, leitor dos Três Mosqueteiros. Gosta tanto da leitura que se deixa transportar para a Paris de 1626, quando deixa de ser o fraco Benévolo, tornando-se ágil e ousado. Sua mulher, Laurentina, fica furiosa com a distração do marido. Quer saber se ele não vai procurar emprego; é 1 hora da tarde e lá está ele lendo, já está desempregado há 6 meses! As contas estão atrasadas, a costura que faz para fora pouco ajuda, não dá nem para o aluguel. Eles têm um filho, Napoleão, magro, que chora por qualquer coisa. Da janela da casa, João e a esposa vêem um carro luxuoso estacionar e de dentro dele sai D.Dodó, Doralice Leitão Leiria, esposa do comerciante Teotônio Leitão Leiria, proprietário do Bazar Continental, onde Benévolo trabalhou. A senhora vem visitar Maximiliano, seu empregado que está atacado pela tuberculose. Deixa algum dinheiro, prometendo transferi-lo para um hospital. Parte feliz, certa de que tem seu lugar garantido no céu. Honorato e Noel já saíram. Aliviada, Virgínia desce para o chá, aborrecida porque tudo lhe lembra o marido e o filho. Trata mal as empregadas, fica aborrecida com a juventude de Querubina, grita, ralha, humilha a empregada. Teotônio Leitão Leiria despede o motorista e segue a pé, para se encontrar com a moça dos olhos verdes, Cacilda, que mora na Travessa das Acácias. Teme ser reconhecido, vai cheio de culpa, porque pensa na caridosa esposa, Dodó. Cacilda não apareceu ainda e Leitão fica temeroso, pedindo explicações à viúva Mendonça pela demora. Cacilda chega e entrega-se a Teotônio, pensando no belo rapaz que amou na noite anterior. A volta de Teotônio Leiria para casa repõe a rotina doméstica nos trilhos. A esposa aguarda o querido marido para o baile no Metrópole, preparado por ela, para a comemoração das Damas Piedosas. Depois vai ao quarto da filha, Vera, e pede-lhe para não ler o tipo de livro que anda lendo: A Questão Sexual, de Forel. No salão do Metrópole, Salustiano encontra Chinita e a aperta, com certa violência, contra o peito, convidando-a para darem uma volta lá fora. Dr. Armênio espera que Vera compreenda o sentimento que lhe devota, mas a moça está interessada mesmo é em Chinita. Honorato Madeira está louco para voltar para casa, mas tem que esperar a decisão da esposa. O professor Clarimundo ouve batidas em sua porta. Trata-se da viúva Mendonça, que vem reclamar a falta de pagamento do aluguel por Benóvolo, desempregado há alguns meses. Conta que, toda noite, um sujeito mal encarado vem visitar a esposa de Benévolo. Faz várias reclamações e vai embora. Enquanto isso, às 11 horas da noite, Laurentina, está diante de Ponciano, o visitante mal-encarado, mencionado pela viúva. Em outros tempos, era o candidato preferido das tias de Laurentina, com quem a moça morava. Elas queriam vê-la casada com o moço. Mas João Benévolo apareceu, Ponciano se afastou. Após 10 anos, reaparece e se põe diante dela, todas as noites, esperando um instante de fraqueza da mulher para pedir-lhe que abandone o marido e o siga. Ela já compreendeu seu objetivo, mas não tem ânimo para falar. O visitante pede que fique com 20 mil-réis e os deixa sobre a mesa, sonhando com o dia em que terá Laurentina nos braços. Na casa de Honorato, a esposa Virgínia desperta, decide tomar umas pílulas rejuvenescedoras. Olha-se no espelho e vê, lá do outro lado, Virgínia Matos Madeira, mulher de 45 anos, cabelos meio grisalhos, queixo duplo e princípio de rugas, tão diferente daquela que sente ser. Recorda-se de sua empregada já falecida, Angélica. Ela criou Noel e dirigiu a casa até a morte. Quando o Capitão Brutus começou a fazer-lhe galanteios e aparecer diante de sua janela, Angélica ameaçou contar o fato a Honorato. O tempo passou, o capitão foi transferido e Virgínia continuou levando a vida. O palacete dos Pedrosa continua sendo preparado para a inauguração. Chinita se comporta como uma estrela de Hollywood e o pai paga-lhe todos os luxos que tanto desgostam a mãe, a triste e desconsolada, Maria Luísa. O filho, João Manuel, não leva vida diferente. Às vezes, não dorme em casa ou então só retorna de madrugada, para dormir até o meio da tarde. A família está se acabando, para D. Maria Luísa. Onde irá parar tudo aquilo? O luxo da casa, a mobília, os gastos desnecessários assustam a dona da casa que prefere ser uma estranha e não participar dos desmandos. Assim, se voltar à pobreza não sentirá a diferença. É domingo. Clarimundo está de novo na janela de sua casa, pensando em como será o livro que vai escrever. Qualquer dia irá começá-lo pelo prefácio. Vê Fernanda e seu irmão, Pedrinho, sentados para o almoço. A moça avisa a mãe que irá a Ipanema para se encontrar com Noel. Fernanda deseja modificá-lo. Pensa no duro que dá no escritório do Senhor Leitão Leiria, na luta com o fatalismo da mãe, enquanto o rapaz só pensa em literatura, em escrever livros, sem nada fazer para tornar o projeto realidade. Mais tarde, Pedrinho está no quarto de Cacilda, relutando em deixá-la. Ela diz que ele deve sair logo, pois tem visitas a receber. O rapaz anda perdidamente apaixonado por ela. Não consegue trabalhar, só vê sua figura o tempo todo. Lamenta o tipo de vida que a moça leva. Sonha em lhe dar um colar muito bonito que viu na Sloper. Cacilda fica aborrecida com as constantes visitas do rapazinho, mas não tem coragem para magoá-lo. É segunda-feira, na casa de Benévolo a pobreza é gritante. Almoçam pouco, o filho chora de dor no estômago, a mãe lhe dá elixir paregórico. Benévolo sonha, lendo o livro, comprado com parte do dinheiro deixado por Ponciano. Quando a esposa o irrita ou alguma coisa o aborrece, Benévolo assobia o Carnaval de Veneza. É o que faz, ao ouvir Laurentina lhe mandar procurar emprego. Na casa de Chinita, o vai-e-vém é constante. Todos estão envolvidos com a preparação para a festa inaugural, exceto D.Maria Luísa. Vera beija Chinita, loucamente, no quarto e a moça se entrega às carícias da amiga. Depois, descem para o chá. Noel, trancado em seu quarto, tenta escrever seu romance, segundo o desafio de Fernanda. Enquanto isso, João Benévolo vai ao escritório de Leitão Leiria, tentando ser recontratado. Fernanda o recebe e diz que vai falar com o patrão. Leiria lhe dá uma carta de recomendação, encaminhando-o a um amigo, dono de uma fábrica de mosaicos. Assim que Benévolo se despede, Leiria telefona para a fábrica e pede desculpas por ter envolvido o amigo naquele problema, mas foi forçado, pede-lhe para não se preocupar com o desempregado. Virgínia está em sua janela, esperando por um novo galanteador: Alcides, postado do outro lado da calçada, e vem cortejá-la todos os dias. A cada ruído, no interior da casa ou barulho do bonde, sobressalta-se, deliciada por tudo estar ocorrendo como no tempo de moça. Terça-feira, festa no palacete do Cel.Pedrosa. A orquestra toca no hall. Há doces e salgados sobre as mesas. O proprietário está felicíssimo, vem-lhe à lembrança a imagem do amigo de Jacarecanga, o Madruga, com quem fazia apostas e resmungava. Fica imaginando a cara do amigo, se pudesse ver todo seu sucesso. Toda vez que algo extraordinário lhe acontece sempre pensa na cara do amigo. Salu dança agarrado com Chinita, que sonha que a festa é na casa de Joan Crawford. O namorado lhe diz frases cheias de insinuações e a convida para ir até o parque. Num recanto oculto, junto à piscina, Salu derruba Chinita, entregue definitivamente às suas carícias. Chove forte. Salu desperta, o corpo dói, a cabeça está zonza. Logo recorda da noite com Chinita, da pergunta da moça sobre seu interesse por ela. Vai ao telefone e em surdina, Chinita marca um novo encontro. Está chocada, aturdida com o acontecimento da noite anterior.Teme ficar grávida e ao mesmo tempo, sente vontade de ficar para sempre com Salustiano. Leiria fica enciumado com a festa dada pelo novo rico, Cel. Pedrosa. Pensa numa forma de derrotá-lo sem levantar a menor suspeita. Talvez, uma carta anônima resolva o problema. Recorda-se que o Monsenhor Gross lhe pediu emprego para uma moça, decide despedir Fernanda. Pedrosa está com a amante, Nanette Thibault que lhe pede um automóvel de presente, enquanto, sete andares acima, a filha, Chinita faz amor com Salu. Virgínia, desgostosa com a vida de casada, espera na janela por Alcides, mas ele não aparece. D. Maria Luísa recebe uma carta anônima, dizendo que o marido, Cel.Pedrosa, tem uma amante no Edifício Colombo. Ela analisa toda sua vida até ali; o filho vive entre prostitutas e bebidas, a filha parece ter perdido o respeito, solta pela cidade e, agora, o marido tem uma amante. Quarta-feira, 6 horas da manhã, Clarimundo lê Einstein, enquanto Maximiliano, o tuberculoso, morre sob os olhos da mulher, filhos e vizinhos. Chinita só pensa em Salu e João Benévolo vaga pela rua, sentindo fome e frio; o dinheiro acabou, não há alimento em casa. Cai de fraqueza com o estômago doendo. O carro da assistência o apanha e o coloca numa ambulância. Laurentina chorou o dia inteiro, esperando pelo marido. Os vizinhos dão o que comer a ela e ao filho. Ponciano já está ali sentado, olhando-a e dizendo que nada aconteceu a Benévolo, ele é que não presta mesmo. Laurentina chora. Recorda-lhe que a avisou. Por que não vem morar com ele? Laurentina sabia, há muito, que o convite ia ser feito, mas o que responder, não tem coragem nem para se revoltar.O homem continua insistindo, mostra-lhe a carteira cheia de dinheiro, afirmando que tudo será dela. Pode esperar mais um pouco, afinal, diz Ponciano, já esperou por ela há dez anos. Virgínia já está na janela, mas sabe que Alcides não vai passar. Apanha o jornal e tem um sobressalto, o retrato do rapaz está ali, estampado no jornal, morto por um marido enciumado. Noel, finalmente, consegue fazer Fernanda entender que está apaixonado por ela. Não precisou dizer tudo claramente, mas a moça, como sempre, adivinhou o sentimento do amigo. D.Dodó comemora feliz seu aniversário e a filha Vera, indiferente não consegue tirar Chinita do pensamento. Telefona para a casa da amiga, D.Maria Luísa lhe diz que a filha saiu há 2 horas atrás para ir visitá-la. Vera desliga e D. Maria fica pensando que o marido está com a amante e a filha? Clarimundo chega em casa, depois de dar aulas, e resolve aproveitar o silêncio da noite para começar a escrever o livro que pretende sobre o homem da estrela de Sírio. Na introdução coloca que, após observar de sua janela a vizinhança, resolveu escrever sobre um observador, colocado num ângulo especial que, certamente, terá uma visão diferente do mundo; termina, dizendo: "Pois eu te vou contar, leitor amigo, o que meu observador de Sírio viu na Terra". De repente lembra-se da chaleira fervendo, levanta-se para fazer o café. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
EMÍLIA FERREIRO - evolução da escrita; alfabetização; construtivismo/social; objetos concretos; individual;
Biografia
Psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México desde 1967, Emília Ferreiro, doutorou-se em Psicologia na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget.Desenvolveu a partir de 1974, como docente da Universidade de Buenos Aires, trabalhos experimentais que deram origem aos pressupostos teóricos sobre PSICOGÊNESE DO SISTEMA DE ESCRITA, marco na transformação do conceito de aprendizagem da escrita, pela criança. A autora pesquisou a Psicogênese da Língua Escrita verificando que as atividades de interpretações e da produção da escrita começam antes da escolarização, e que a aprendizagem dessa escrita se insere em um sistema de concepções, elaborado pelo próprio educando, cujo aprendizado não pode ser reduzido a um conjunto de técnicas perceptivo-motoras.
Foi professora em várias universidades latino-americanas e européias. Atualmente é professora titular do Centro de investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico nacional e trabalha como pesquisadora do Centro Internacional de Epistemologia Genética, na cidade do México, onde reside.
A teoria de Emília Ferreiro nasce no auge da América Latina, onde a evasão e a retenção escolares progridem de forma alarmantes. Como uma importante saída para esse problema, Emilia Ferreiro repensa o processo de aquisição da escrita e da leitura.

Sua teorização

Idéias

Os resultados das pesquisas desenvolvidas por Emília Ferreiro e colaboradores a partir da década de 70 vêm constituindo importante referencial para a reorganização gradativa da prática da sala de aula, na qual o eixo central muda radicalmente , passando de como se ensina para como se aprende. Rumo a essa organização, surgiram iniciativas desde há muito tempo, mas não tiveram continuidade. Também não contaram com a participação do professor e do aluno, aqueles que deveriam construir a proposta pedagógica e a prática escolar num contexto de mudanças, no sentido de uma reformulação curricular, como queria Decroly, ou numa revisão de prática pedagógica, como apontava Freinet.
A questão que colocamos, e que emergiu naturalmente no fim do século XX é a construção de uma proposta educacional que leve o aluno a adquirir e desenvolver novas competências em função dos novos saberes que se produzem e que demandam um novo tipo de profissional, preparado pra lidar com as novas tecnologias e linguagens, para responder a novos ritmos e processos. Exige, portanto, estudo e reflexão contínuo sobre as experiências acumuladas, evitando a repetição de rotinas construída ao acaso, sem definições de metas, pontos de chegada e marcos do caminho a ser percorrido por professores e alunos. Reconhece-se a necessidade de preparar o aluno para o exercício da cidadania, qualificando-o pra o trabalho e possibilitando-lhe amplas condições e oportunidades de aprendizagem.
É função da escola criar tais condições, adotar uma proposta que permita a todos os alunos desenvolver suas capacidades e aprender os conteúdos necessários pra compreender e intervir na própria realidade. Mas qualquer proposta só contribuirá para melhoria da qualidade do ensino se não se apresentar como uma receita metodológica a se seguida. As pesquisas de Emília Ferreiro tratam de aplicação da teoria psicogenética de Piaget e dos conceitos da psicolingüística contemporânea na compreensão dos processos de aquisição de conhecimento e da língua escrita.
Ao recuperar os resultados dos seus estudos, que se dúvida contribuíram (e contribuem para uma revolução conceitual, mudando a maneira de encarar a prática em sala de aula e mais especificamente, a prática da alfabetização, nosso intuito é tão somente desvelar a fae oculta da alfabetização que Ferreiro, mesmos em intenção nos deu a conhecer. Como Rousseau, Decroly, Freinet e muitos outros filósofos e pedagogos, ela mostra que o problema principal da alfabetização é político.
Ao discutir as aprendizagens básicas, Emília Ferreiro ressalta que a mais básica de todas as aprendizagens continua sendo a alfabetização, e que é difícil de falar desta sem reproduzir as posturas dominantes: de um lado, o discurso oficial, e de outro, o discurso meramente ideológico da denúncia. Considera que os pesquisadores não podem ter uma perspectiva estritamente técnica porque a persistência do analfabetismo na região da América Latina e Caribe é antes de tudo um problema político, reconhecido como tal não apenas por grupos de uma só tendência política, mas também de várias. Ainda que seu discurso não possa ser neutro, o pesquisador deve cumprir com os requisitos elementares de seu oficio: distinguir as afirmações que podem sustentar-se com evidencia empírica satisfatória daquelas que só podem apresentar-se como hipótese plausível; distinguir entre o dado e as leituras possíveis dos dados; não trabalhar das intenções pra integrar essas informações; descobrir os pressupostos subjacentes a certo modo de descrever ou avaliar um fenômeno ou uma situação; não confundir as expressões verbais utilizadas com as distinções conceituais estabelecidas.
Ao analisar as propostas para reduzir as altas taxas de retenção e evasão escolar, especialmente nos três primeiros anos do ensino fundamental, destaca como causa e justificativa principal da repetência a não-aquisição dos rudimentos de leitura e escritas. Não adianta a criança freqüentar a escola e ser promovida mediante a exigência de um mínimo de alfabetização, ou seja, receber apenas a técnica da leitura e da escrita pra poder codificar e decodificar textos breves e escrever algumas palavras, sem significação real de comunicação ou intenção de atingir a língua escrita para expressar-se.

“As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização. - apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao professor, organizar atividades que favoreça a reflexão sobre a escrita”.

Sabemos que até a década de 70, poucos eram os estudos e documentos sobre a natureza dos sistemas de leitura e escrita. O que encontramos são iniciativas e reflexões individuais. Emília Ferreiro mostra que o sucesso da alfabetização requer a superação da visão estreita que considera a aprendizagem inicial da leitura e da escrita como uma técnica, pois o fato de recitar o alfabeto não assegura a ninguém o acesso a leitura ou a escrita, isto é, ser alfabetizado. Até então não se dava mínima atenção ao significado da escrita embutida nos rabiscos artísticos das crianças, nem havia preocupação em identificar os processos cognitivos infantis subjacentes a aquisição da escrita. Também recebia pouca atenção dos educadores a constatação de que, alem da leitura e da escrita, existe um universo de conhecimentos, de novas linguagens e recursos da tecnologia moderna que precisamos dominar durante toda a vida e a de escrever é uma tarefa de ordem conceitual que precisa ser retraduzida.
O processo alfabetizador te uma tradição de séculos ligada a idéia de aprender o alfabeto, que só recentemente veio a ser desmistificada. A preocupação era como ensinar a ler e a escrever, como estabelecer a correspondência ente a oralidade e a escrita ou decodificar as grafias em sons, e não acompanhar o processo ou obter informações sobe o que a escrita já dominava em relação a escrita e suas hipóteses antes de iniciar a aprendizagem escolar.
Ao pesquisar o desenvolvimento dos conceitos infantis sobre a língua escrita, Emília Ferreiro conclui que as crianças são facilmente alfabetizáveis, foram os adultos que dificultaram o processo de alfabetização delas.
O resultado de duas pesquisas apontam pra o início deste processo, a necessidade de trabalhar ambos, leitura e escrita, com base na co preensão de suas funções na sociedade, evitando ao máximo a fragmentação do conhecimento. Eles nos fazem rever a psicogênese eu até então vinha sendo reduzido a uma seqüência cronológica e a noção de estágio de noções.
Para compreender o desenvolvimento da leitura e da escrita do ponto de vista dos processos de apropriação de um objeto social, Emília Ferreiro conclui que há uma série de modos de representação da linguagem. Sua psicogênese da língua distingue cinco níveis:
Níveis I e II: pré-silábico;
Nível III: silábico
Nível IV: silábico-alfabético
Nível V: alfabético
Cada um deles apresenta uma fase de evolução, que procuramos sintetizar em quadros com base em 4 tópicos principais: a hipótese central, a construção gráfica, os níveis de conceitualização da escrita e os da leitura.
Respeitando o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo de leitura e da escrita eles estão. Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, de Emília e Ana Teberowsky. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:
- Pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada:
- Silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra:
- Silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas:
- Alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.
Analisar que representações sobre a escrita o estudante tem é importante pra o professor saber como agir. Não é porque o aluno participa de forma direta da construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. Cabe ao professor organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.
O trabalho de Emília não dá indicações de como produzir o ensino, não existe o método Emília Ferreiro, com passos pré-determinados.

A Aprendizagem da Leitura e da Escrita

Entre as propostas metodológicas e as concepções infantis existe uma distância que pode medir-se em termos escolas ensina e a criança aprende. Nem sempre o que a escola ensina coincide com o que a criança consegue aprender. Esse mistério de desvendar os código alfabético, o docente procede passo a passo, do ¨ simples ao complexo, ¨ uma condição que é imposta a ele, o que é próprio do sistema alfabético. Parte-se de que toda as crianças estão preparadas para aprender o código com a condição do professor possa ajudá-las no processo, ajuda esta considerada básica, em transmitir-lhes o equivalente e sonoro das letras e exercitá-los a realização da grafia e da cópia. O que a criança aprende - os nossos dados assim demonstram – é função do modo em que vai se apropriando do objeto, através de lenta construção de critérios que lhe permitam compreendê-los, os critérios das crianças somente coincidem com os do professor no ponto terminal do processo. Portanto a escola dirigiu-se a quem já sabe, admitindo com clareza que o método percorre um longo e prévio caminho e que o êxito da aprendizagem depende das condições em que se encontra a criança no momento de receber o ensino. As que se encontram em momentos avançados conceitualização são as únicas que podem tirar proveito do ensino tradicional e aprender o que o professor propõe a ensinar. O resto são aqueles em que a escola acusa de incapacidade de aprender ou de “dificuldade de aprendizagem”, porém atribuir as dificuldades do método à incapacidade da criança é negar que toda a aprendizagem supera o processo, é ver o déficit onde existem diferenças em relação do momento do desenvolvimento conceitual em que se situam.
Nenhum sujeito parte do zero ao ingressar a escola de primeiro grau, nem as crianças de classe baixa, os desfavorecidos de sempre. Aos 6 anos as crianças sabem muitas coisas sobre a escrita e resolveram sozinhas os problemas para compreender as regras da escrita. Enquanto a escola supõe que:
- é através da técnica de uma exercitação adequada que se supera o difícil transe da aprendizagem das língua escrita, a “leitura mecânica, compreensiva, expressiva” para a leitura e a exercitação na cópia gráfica supõe que o segredo da escrita consiste em produzir sons e reproduzir formas.
- o sujeito quem a escola dirige é um sujeito passivo, que não sabe a quem ensinar, e não um sujeito ativo que não somente define seus próprios problemas, mas que além disso constrói o objeto para dele apropriar-se através do desenvolvimento de um conhecimento e não dá exercitação de uma técnica.
Quando podemos a seguir de perto esses modos de conhecimento, estamos no :
- terreno dos processos de conceitualização que diferem dos processos atribuídos por metodologia tradicional. Os processos de aproximação ao objeto seguem caminhos diferentes dos propostos pelo docente.
A ignorância da escola a respeito dos processos subjacentes implica:
- pré-suposições atribuídas à criança em termos de:
a) “a criança nada sabe” , com o que é subestimada, ou
“a escrita remete , de maneira óbvia e natural, à linguagem”, com o que é superestimada, porque, como temos visto, não é uma pré-suposição natural para a criança e isto é assim porque parte de uma definição adulta do objeto a conhecer e se expõe o problema sob o ponto de vista terminal. Além disso, a definição de ler e escrever está errada, acreditamos que à luz dos conhecimentos atuais a escola deve revisar a definição desses conceitos. E ao revisar os conceitos dos “erros” Piaget mostrou a necessária passagem por “erros construtivos” em outros domínios do conhecimento, a leitura e a escrita não podem ser uma exceção encontramos também muitos “erros” no processo de conceitualização, é óbvio que tentando evitar tais erros o professor evita que a criança pense.
No outro extremo temos erros que é produtos do métodos resultado da aplicação cega de uma mecânica. Isso obriga também a revisar o conceito de “maturidade” para a aprendizagem assim como os fundamentos das provas psicológicas que pretendem medi-la, e finalmente, é necessário que nos coloquemos também os critérios de avaliação de progressos bem como a concepção sobre a preparação do pré-escolar para aprendizagem da leitura e escrita, ambas são dependentes de uma teoria associacionista, ambas estão pensadas em termos de performance na destreza mecânica da cópia gráfica e o decifrado.
Em resumo, a leitura e a escrita se ensinam como algo estranho à criança e de forma mecânica em lugar de pensar que se constituem num objeto de seu interesse do qual se aproxima de forma inteligente, como Vygotsky (1978): “às crianças se ensina a traçar letras e fazer palavras com elas, mas não esse ensina a linguagem escrita, a mecânica de ler o que está escrito é tão enfatizada que afoga a linguagem escrita como tal”. E logo acrescenta: “É necessário levar a criança a uma compreensão interna da escrita e conseguir que esta se organize mais como um desenvolvimento do que como uma aprendizagem” .

Características da escrita pré-silábica (nível I)

Hipótese Central
Escrever é reproduzir os traços típicos da escrito, identificados pela criança como a forma básica da escrita.

Construção Gráfica

Escrita não formada por grafias formais.
Formas utilizadas:
- grafismos primitivos: predomínio de garatujas ou pseudoletras;
- escrita unigráficas: uma só grafia pra cada nome (quantidade constante). Pode ser sempre a mesma grafia (repertório fixo) ou diferente (repertorio variável);
- escrita convencional, mas sem controle de quantidade: sucessões de grafias só interrompidas pelo limite da folha;
- presença de letras e números;
Formas básicas utilizadas:
- grafismos separados, compostos de linhas curvas e retas e suas combinações (grafia de imprensa);
- grafismo ligado entre si com uma linha um do lado, na qual se inserem curvas fechadas e semi fechadas (grafia cursiva);
- surgimento da ordem linear da escrita (traçado linear de diferentes formas: ondulados ou descontínuos).
No uso da letra de imprensa aparecem duas hipóteses:
- as grafias são variadas;
- a quantidade de grafia é constante.

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança acredita que a escrita é outra maneira de desenhar as coisas ou que escrever é produzir um traçado que se diferencia do desenho por possuir alguns traços típicos da escrita. Há a intenção subjetiva da criança quanto ao significado atribuído a escrita ou existe intenção de escrever.
• A escrita do nome próprio é impossível ou se realiza segunda as características das outras escritas, com um número indefinido ou variável de grafismos.
• As diferenças dos significados não são modeladas objetivamente na produção gráfica, por se encontrarem escritas iguais para palavras diferentes.
• Ocorrem tentativas de correspondência entre o tamanho do objeto e a escrita. A escrita representa os nomes dos objetos e a criança a imagina como um dos atributos do objeto: coisas grandes devem ter escritas grandes; coisas pequenas, escritas menores.
• Todas as escritas se assemelham, mas as crianças a consideram diferente.

Leitura

• A leitura é sempre global: correspondência do todo sonoro com o todo gráfico.
• A leitura do nome também é global, sem buscar correspondência entre as partes.
• Cada um pode interpretar sua prioriza escrita mas não as dos outros: a escrita é individual e instável.
• Não há definição quanto a orientação espacial dos caracteres.
• A representação é alheia quanto a qualquer busca de correspondência entre a pauta sonora de uma emissão e a escrita.
• As relações entre as partes e o todo não são analisáveis: cada letra vale pelo todo.
• A criança pensa que, quando alguém lê, lê as figuras.

Características da escrita pré-silábica (nível II)

Hipótese central

Para ler coisas diferentes, isto é, atribuir significados diferentes, deve haver uma diferença objetiva nas escritas.

Construção gráfica

- a forma dos grafismos é mais definida, mais próxima das letras;
- predomínio da escrita de imprensa em maiúscula (influência dos estímulos do meio);
- formas estáveis e fixas de escrita: relacionadas com contingências culturais e pessoais (estes não são usados pra produzir diferenças objetivas na escrita, mas simplesmente para garantir o significado diferente pra escritas idênticas).

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança antecipa a hipótese silábica; não lhe basta a intenção subjetiva. Chega a conclusão de que para ler coisas diferentes deve haver diferenças objetivas nas escritas, e que essa diferença pode ser marcada pelo uso de letras diferentes pra cada palavra (de seu repertório ou inventadas).
Elabora duas hipóteses:
- necessidade de quantidade mínima de grafias pra que se possa ler algo, que em geral se situa em termos de três grafias ou caracteres;
- necessidade de uma variedade de caracteres para que uma série de letras sirva para ler.
• Descobre os antecessores da análise combinatória, ou seja, que as grafias podem variar na ordem linear e que pode se mantida a quantidade constante.
• Aparecem reações de bloqueio com base no seguinte raciocínio: se aprender a escrever copiando a escrita do outro, na ausência do modelo não haverá possibilidade de escrita.
• Ao resolver problemas que a escrita lhes apresenta, as crianças enfrentam necessariamente problemas gerais de classificação, seriação e ordenação.
• O nome próprio geralmente é o ponto de partida (primeira forma estável dotada de significação) pra o uso de letras na escrita.
• A criança descobre a possibilidade de uma correspondência termo a termo entre cada letra e uma parte do seu nome completo. A correspondência se estabelece entre as partes-palavra a do nome próprio e as letras, mas não entre partes-sílaba do nome próprio e as letras.

Leitura
Leitura Global, sem correspondência entre as partes sonoras e grafias

Cada letra vale como parte de um todo e não tem valor em si mesma. A correspondência entre a escrita e o nome é ainda global e não analisável: a totalidade da escrita corresponde o nome.

Características das escritas silábicas

Hipótese central

Tentativa de dar um valor sonoro a cada uma das letras que compõe a escrita.

Construção gráfica

- podem aparecer grafias distantes das formas das letras e também e também grafias bem diferenciadas;
- escrita de letras com ou se valor sonoro convencional;
- uso da primeira letra da palavra, cujo valor sonoro é importante.

Escrita (níveis de conceitualização)

• Tentativa de fonetização da escrita: a criança estabelece uma livre (simples) correspondência entre aspectos sonoros e gráficos em sua escrita. Porém, os valores atribuídos as letras não são fonéticos, mas silábicos.
• Ao atribuir a cada grafia o valor de uma sílaba, a criança antecipa progressiva e regularmente a quantidade de grafias e escreve tantas letras quantas forem as sílabas das palavras.
• As escritas são construídas com base na análise silábica da palavra, mas em alguns casos podem apresentar mais grafias do que as exigidas, como para os monossílabos e dissílabos.
• Quando a criança começa a trabalhar com a hipótese silábica, a exigência da quantidade de grafias (três letras) pode desaparecer.
• Uma vez instalada a hipótese silábica, a exigência de variedade volta a aparecer.
• Conflito cognitivo entre a quantidade mínima de caracteres e a hipótese silábica, por ocasião da escrita de dissílabos ou monossílabos.
• Esses conflitos obrigam a criança a abandonar progressivamente a hipótese silábica em favor de uma análise fonética silábica aplicada ao nome próprio.

Leitura

• Na leitura, a criança tenta passar da correspondência global para a correspondência termo a termo, isto é, do todo para as partes da expressão oral (recorte silábico do nome).
• Na leitura de monossílabos e dissílabos nos quais sobram letras, a criança tende a atribuir significados complementares a interpretação da palavra ou a sua omissão na leitura.
A mudança qualitativa em relação ao nível anterior justifica-se por:
• Superação da correspondência global entre escrita e expressão oral, que passa a ser recortada (sílabas orais) pra expressar-se em partes do texto (cada letra).
• Pela primeira vez a criança trabalha a hipótese de que a escrita representa aos sons da fala. As formas fixas aprendidas do meio geram novos conflitos quando a criança propõe a leitura destas e forma de hipótese silábica. O mesmo acontece com relação a leitura do nome ( forma fixa recebida do meio). Esses conflitos ajudam a criança a ir mais além da sílaba para encontrar uma correspondência satisfatória.
• A leitura tende a limitar-se ao nome (sem sobrenome), a não ser nos casos dos mesmos dissílabos ou quando há sobra silábica na leitura (correspondência de uma sílaba pra cada letra).

Características das escritas silábico-alfabéticas

Hipótese central

Coexistência de duas formas de corresponder sons e grafias: fonemas para algumas partes das palavras e silabas para as outras.

Construção gráfica

- Escritas diferenciadas com valor sonoro inicial;
- quantidade e repertório variável;
- escrita na qual algumas grafias representam uma sílaba e outras, um fonema. Na perspectiva da psicogenética, não se trata de omissão de letras, mas de um tipo de escrita que procura incorporar grafias rumo a escrita alfabética;
- a construção total não é determinada por uma intenção de correspondência sonora.

Escrita (níveis de conceitualização)

• A criança abandona a hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise que mais além de sílaba. Surge um conflito entre a hipótese silábica e a exigência de quantidade mínima de grafias (conflito entre uma exigência interna e uma realidade exterior ao próprio sujeito).Passo intermediário entre a ausência de correspondência sonora e o começo dessa correspondência ou passagem da hipótese silábica para a alfabética.
• A escrita aparece com a característica de omissões de letras pela coexistência da hipótese alfabética e silábica.
• A letra que inicia cada escrita não é fixa nem aleatória: é uma das letras que correspondem ao valor sonoro da primeira sílaba da palavra.
• Surgem perguntas e pedidos de ajuda em relação a qual fonema ou sílaba usar.

Leitura

São feitas seguidas análises sonoras das palavras. É típica a mistura, na leitura do nome, da hipótese silábica e de um começo da hipótese alfabética.

Características da escrita alfabética

Hipótese central

Compreensão de que:
- Cada som (fonema) corresponde a uma letra;
- as letras combinam-se para formar sílabas e palavras.

Construção gráfica

Escrita alfabética com valor sonoro convencional.

Escrita (níveis de conceitualização)

A criança compreende que:
• Os caracteres da escrita correspondem a valores menores que as sílabas (antecipação quantitativa).
• Devem-se escrever tantas grafias quantos fonemas tenha a palavra.
• A criança elabora sistematicamente uma análise dos fonemas da palavra que vai escrever.
• Esse nível constitui o final da evolução, pois a criança já compreendeu o modo de construção do código.
A criança não terá problemas de escrita (no sentido, conceitual), mas se defrontará ainda com duas dificuldades:
- a ortografia das palavras;
- a separação entre palavras: pode escrever orações (frases) sem deixar espaços entre as palavras ou fazer cortes que não corresponde a separação convencional da escrita.

Leitura

• A criança já lê alfabeticamente.
• A escrita e a leitura do nome próprio operam sobre os princípios alfabéticos, aparecendo, no entanto, problemas ortográficos. A leitura de partes do nome já não oferece nenhuma dificuldade.

A pedagoga Ana Teberowsky, vem acompanhando o estudo e a pesquisa de Emília Ferreiro. Para elas o uso de cartilha na alfabetização é obsoleto, pois a criança já dispõe de conhecimento sobre a escrita antes de entrar na escola, é a partir desses estágios de conhecimentos que o educador deve desenvolver sua prática pedagógica.

Obras de Emília Ferreiro

- Alfabetização em processo - ed. Cortez
- Atualidade de Jean Piaget - ed. Artmed.
- Com todas as letras - ed. Cortez
- Cultura, escrita e educação - ed. Artmed.
- Os processos de leitura e escrita - ed. Artmed.
- Passado e presente dos verbos ler e escrever - ed. Cortez.
- Psicogênese da língua escrita - ed. Artmed.
- Reflexões sobre alfabetização - ed. Cortez.

Bibliografia

COM ELES E MELHOR
REVISTA NOVA ESCOLA - jan/fev de 2001 e maio de 2003
Pp. 19 a 23
ELIAS, Marisa Del Cioppo, De Emílio a Emília, 1.ª edição, São Paulo. Editora Scipione/2000.

www.uerj.br/proalfa
www.centrorefereducacional.com.br

Anexo: Entrevista concedida por Emília Ferreiro para a Revista Nova Escola
Denise Pelegrini
O que é ser alfabetizado hoje?
Considero a alfabetização não um estado, mas um processo. Ele tem início bem cedo e não termina nunca. Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer situação de uso da língua escrita. Temos mais facilidade para ler determinados textos e evitamos outros. O conceito também muda de acordo com as épocas, as culturas e a chegada da tecnologia.
A senhora sustenta a importância de levar o estudante a refletir sobre a escrita, já que é assim que ele aprende. Qual sua opinião sobre o método fônico (baseado no treinamento prévio da correspondência entre grafemas e fonemas)?
Eu não aceito discutir alfabetização hoje nos mesmos termos que se discutia nos anos 1920. Os defensores do método fônico não levam em conta um dado que sabemos hoje ser fundamental, que é o nível de conscientização da criança sobre a escrita. Ignorar que ela pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso. Eu não admito que a proíbam de escrever. A tradição fônica sempre foi dominante nos países anglo-saxões. E lá se aprende a ler antes de escrever. Felizmente não é o que acontece nos países latinos.
O que é essa consciência fonológica?
É a possibilidade de fazer voluntariamente certas operações com a oralidade que não são espontâneas. É possível dizer uma palavra, "lado", por exemplo, e depois omitir o primeiro segmento fônico. "Ado" não significa nada. Isso pode ser um jogo divertido. A língua tem a propriedade de ser partida em unidades de distintos tipos até chegar às letras. Aí não posso dividir mais. Essa é uma habilidade humana. A divisão em sílabas se dá praticamente em todas as culturas.
"Ignorar que a criança pensa e tem condições de escrever desde muito cedo é um retrocesso"
De que maneira se adquire a consciência fonológica?
Desde pequenos participamos naturalmente de jogos em que cada sílaba corresponde a uma palma, por exemplo. A única divisão que não surge naturalmente no desenvolvimento é em unidades menores que uma sílaba, ou seja, em fonemas. Um adulto analfabeto e uma criança analfabeta não conseguem fazer isso de maneira espontânea. Quando eu adquiro a linguagem oral, tenho uma certa capacidade de distinção fônica, senão não distinguiria pata de bata. Mas parece que isso funciona num universo completamente inconsciente.
O que vem primeiro, a aquisição do sistema alfabético ou a consciência fonológica?
À medida que a criança se aproxima da escrita alfabética, sua capacidade de análise do oral também permite análises de pedaços cada vez menores do que é falado. A discussão é a seguinte: já que as duas coisas ocorrem ao mesmo tempo, tenho de desenvolver primeiro a consciência fonológica esperando que ela se aplique à escrita? Ou posso introduzir o aluno na escrita para que haja uma contribuição à sua consciência fonológica? Acredito na segunda opção. Isso se dá em virtude do contato dele com os textos, do seu esforço para escrever e do trabalho em pequenos grupos, onde ele discute com os colegas a necessidade de utilizar determinadas letras.
Essa relação entre a consciência fonológica e a aquisição do sistema alfabético tem sido estudada por pesquisadores?
Publiquei um artigo em 1999 sobre um estudo realizado com crianças com média de idade de 5 anos e 7 meses, no México. Eram passadas tarefas que verificavam a consciência fonológica dos estudantes, isto é, se eles eram capazes de analisar palavras em pedaços menores que sílabas. Ao mesmo tempo, eles realizavam exercícios que investigavam seu nível de conceituação da escrita. As crianças eram da pré-escola e não estavam sendo alfabetizadas. Os resultados mostraram correlações altíssimas entre o nível de conscientização da escrita e os recortes em contextos orais. Duas pesquisadoras americanas acabaram de publicar um estudo com crianças inglesas em que as mesmas conclusões são apresentadas.
Com a internet, o perfil do leitor mudou. No contato com a rede, há alguma diferença no desempenho dos estudantes alfabetizados nessas duas metodologias?
Sempre defendi o acesso imediato da criança a jornais, revistas, livros de literatura, dicionários, enciclopédias. A tendência de quem não compartilha da minha opinião é ter livros com níveis de dificuldades seriados. Com o advento da internet nasceu também o espaço mais intertextual e mais variado que existe, mais até que uma biblioteca. Ou seja, quem está alfabetizando com textos variados prepara sua turma muitíssimo mais para a internet do que quem faz um trabalho mostrando primeiro uma letrinha e depois a outra. Para utilizar o computador e a internet é preciso enfrentar todo o alfabeto ao mesmo tempo. No teclado, as letras aparecem juntas — e, como se não bastasse, fora de ordem.
"Letramento no lugar de alfabetização, tudo bem. A coexistência dos dois termos é que não funciona"
Além da alfabetização, hoje se fala muito em letramento. De onde vem o termo?
A palavra letramento é tradução de literacy. Em sua origem, ela significa alfabetização e muito mais. Se entrarmos em qualquer site de busca e digitarmos "literacy" aparecem muitos endereços. Encontra-se uma série de combinações com esse termo, como computer literacy, mostrando que o significado atual dessa palavra em inglês é expertise, é ter conhecimento. Mas é muito importante compreender que a expressão computer literacy não designa a habilidade de usar a língua escrita por meio de um computador. Seu significado é a habilidade para usar os comandos da máquina, para entrar num processador de texto e nos programas elementares.
Letramento é a melhor tradução para literacy?
Não. É cultura escrita. E isso não tem início depois da aprendizagem do código. Se dá, por exemplo, no momento em que um adulto lê em voz alta para uma criança — e nas famílias de classe média isso ocorre muito antes do início da escolaridade. Ou seja, o processo de alfabetização é desencadeado com o acesso à cultura escrita.
O letramento representa um conceito novo ou é apenas um modismo?
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se podia usar a expressão letramento. E o que aconteceu com a alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê. Isso é um retrocesso. Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica.
É indispensável usar o termo letramento, então?
Eu não uso a palavra letramento. Se houvesse uma votação e ficasse decidido que preferimos usar letramento em vez de alfabetização, tudo bem. A coexistência dos termos é que não dá. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O Menino é o título de uma coletânea de contos e é também o ponto mais alto da prosa de ficção de João Uchôa Cavalcanti Netto. O livro tem como epígrafe, célebre passagem do Evangelho. Jesus diz aos discípulos que o modelo de vida deve ser o dos meninos: "Não entrareis no reino dos céus se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos". Para exemplificar o ensinamento, chama uma criança e a põe na roda da conversa.

O primeiro conto, "A mãe", descreve o nascimento. Serve-se de viés absolutamente original, não no conceito, mas na forma de expressá-lo, já que a dependência que os meninos têm da mãe tem sido matéria tratada à exaustão por profissionais de diversos ofícios, alguns até apresentando os meninos como parricidas natos, como é o caso de Freud ao examinar o mito de Édipo e operá-lo como metáfora esclarecedora dos conflitos iniciais de nossa existência.

Neste conto o menino vê a mãe como "o primeiro deus": "Aquele Ser o completa e apaga num instante todas as dores. E nasce o medo (de perder), o desejo (de receber), o amor (se integrar, se identificar), o ódio (pela ausência), a culpa (sim, pois odiou), todos os sentimentos se endereçam àquele Ser indispensável, poderoso. Poderoso". O fechamento do conto, um dos três momentos decisivos de qualquer narração - os outros dois são a abertura e as tramas que se sucedem para preparar o fim - traz um ensinamento que lembra o "claro raio ordenador", de que Drummond fala num poema.

O conto seguinte, "O velho", trata de junção já famosa em tantas literaturas, as tais "duas pontas da vida" que Machado de Assis quer atar em Dom Camurro, quando narra os amores de Capitu, cujo amor é partilhado por dois meninos, Bentinho e Escobar. As "duas pontas da vida" neste conto celebram outro amor, aquele que vige entre avô e neto, talvez o mais puro dos amores, já que um dos mais desinteressados. O avô nada quer do neto, o neto nada quer do avô, querem apenas o amor um do outro.

Com efeito, o amor dos pais, conquanto incomensurável, não pode contudo deixar de lado a responsabilidade de educar os filhos, criando um clima de direitos e deveres mútuos. Para avós e netos, não. O avô pode ter a alegre irresponsabilidade de deixar a tarefa para os filhos. Eles que eduquem seus filhos. Os avós querem convívio sem obrigações. Nem todos conseguem, mas este é o projeto.

No conto, porém, o avô tem com o neto, de mãos dadas com ele, o estilo que Dalton Trevisan disse que o contista busca a vida inteira, o estilo escorreito e sintético do suicida. Mas o neto já dorme, e o velho fala de si para si mesmo, lembrando o suicídio do sócio, que se enforcou aos 89 anos. No velório, certa moça dissera: "nessa idade se suicidar: já não custava esperar". Mas custava e muito. O avô, aproveitando que o interlocutor mirim está dormindo, exala recomendação impossível de ser acolhida: "meu neto, meu neto, um conselho: não cresça, e não há mais o que acrescentar".

Em "O cachorro", a narrativa é simplesmente vertiginosa. Um homem leva ao veterinário um cachorro atropelado: "o senhor falando em mártires, os mártires, e enchendo a boca, mas os mártires são felizes, quem me dera ser mártir, duro é sacrifício sem direção, como o dos meninos e dos bichos, e no entanto reparou? são os únicos que agonizam mansamente".

A coletânea O menino, é terna sem ser piegas. Verdadeira e profunda, nos conduz a uma leitura agradável, entretanto sem concessões. A última frase do conto que fecha o volume, "A morte", é: "Deus precisava ter piedade do mundo". Deus um dia se fez menino. Naquele tempo, parece que tinha compaixão pelo mundo. Como os meninos são imortais, pode ser que ainda tenha.

Observação: O Menino tem frases com 78 palavras. Por exemplo: Mas o funcionamento porco da morte, a preguiça da transformação, a rigidez medonha, a fedentina da carne apodrecida misturada ao cheiro das flores murchas machucadas, o colarinho branco engomado sob rosto em carniça, o cadáver sórdido em trajes solenes comido e comido pelos vermes no vazio da tumba, os beiços devorados e a dentadura exibida, o silêncio brutal enquanto à noite lá fora os vivos, contentes, esqueciam a condição natural, e a gratuidade do desassistido show infernal. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Modernismo de segunda fase. A história começa com o leiteiro ameaçando cortar o fornecimento caso Naziazeno, um modesto funcionário público, não lhe pague os $53000. Naziazeno passa então o dia atormentado, tentando conseguir o dinheiro: pede emprestado ao chefe (que lhe nega), joga (não consegue na roleta ou no bicho) e acaba conseguindo um empréstimo com o amigo Alcides. À noite, não consegue dormir preocupado com o dinheiro e com a idéia (quase certeza) de que os ratos roem o dinheiro para o leite de seu filho. Só dorme quando ouve o leiteiro despejar o leite. Numa prosa urbana (a história se passa na cidade), regionalista (porto-alegrenses reconhecem facilmente sua cidade) e intimista (o drama de Naziazeno, embora banal, é sempre apresentado detalhadamente), Os Ratos passa-se apenas em um dia de muito drama para seu protagonista. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
São 101 crônicas - pequenas estórias sobre as ironias do cotidiano- humor - piada crônicas divididas em 6 capítulos, a saber:
1. Fidelidade e infidelidades - 14 crônicas
2. Encontros e desencontros - 16 crônicas.
3. Eles e ou Elas - 41 crônicas.
4. Família - 13 crônicas.
5. Pais e Filhos - 5 crônicas.
6. Metafísicas - 8 crônicas.
1. Fidelidades e Infidelidades
A fidelidade
Em plena terça-feira, mulher e filhos descansavam na praia. Chegou o marido e contou que recebera um telefonema anônimo revelando que a esposa tinha um amante surfista. Ela negou e pediu que ele nunca desconfiasse da fidelidade dela. Ele
voltou para Porto Alegre, pois teria um compromisso no dia seguinte. Mas o compromisso era naquela noite mesmo: ela se chamava Maitê. Na verdade, com toda essa história, conseguira um habeas-corpus preventivo.
Zona Norte, Zona Sul
Depois de muito tempo, Vânia aceitou encontrar-se com Rogério, seu amante, no apartamento dele. Saiu de casa dizendo que ia a Copacabana fazer compras. Quando os dois já estavam tirando a roupa, ouviram um rebuliço no corredor. Em seguida, batidas na porta. Era a polícia procurando Gatão, um famoso bandido que morava no apartamento vizinho e que conseguira fugir. No quarto, os policiais encontram Vânia seminua. Ela corre para a cozinha onde Gatão a agarra. Ele exigia um carro para a fuga. Nesta altura, já havia repórteres e câmeras de TV por todo lado. Gatão consegue fugir levando Vânia. Quando ele a liberta, ela pensa no marido, nos filhos e nos amigos naquele momento já deveriam estar sabendo de tudo. Então, pede ao bandido que a leve junto. Hoje, vive com Gatão em Rezende e jamais o trai. Outro final: Vânia chega em casa preparada para tudo, mas se surpreende com a animação da família por terem visto-a na televisão.
Infidelidade
Um homem conta a seu médico que para conseguir fazer sexo com a sua mulher tinha que pensar em outras mulheres, alguns objetos ... E passado algum tempo, isso já não adiantava mais. Ele agora só se excitava quando pensava numa mulher madura, com o cabelo começando a ficar grisalho, olhos castanhos...E esta era a sua própria mulher.
O encontro
Um casal que havia se separado há pouco tempo, reencontra-se por acaso num supermercado. Era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Os dois estavam embaraçados. Ele perguntou se ela costumava fazer compras de madrugada. Ela respondeu que estava lá aquela hora porque tinha alguns amigos em casa. Ele usou a mesma desculpa quando ela perguntou sobre ele. Na verdade os dois estavam sozinhos.
Sala de espera
Uma mulher jovem e muito bonita e um homem com seus quarenta anos encontram-se na sala de espera do dentista. Os dois interessam-se um pelo outro. Pensam em falar muita coisa. Mas no fim acabam não dizendo nada. Aí a enfermeira abre a porta e diz: - O próximo. E eles nunca mais se vêem.
Cantada
Um homem e uma mulher tentam "desvendar o mistério" de onde já se conheciam. Ambos mentem dizendo que poderia ser em Nice, Nova York, Londres, Paris... Depois de passarem a noite juntos eles confessam que nunca estiveram nesses lugares. Na verdade, eles já haviam se conhecido, mas na praia de Guarapari.
Lixo
Um casal se encontrava-se na área de serviço do prédio onde morava. Cada um trazia o seu pacote de lixo. Depois de alguma conversa descobrem que, já há algum tempo, um analisava o lixo do outro. Sabiam muitas coisas a respeito do outro através do lixo. Ela o convida para jantar camarões. Ele não quer dar trabalho. Ela diz que rapidamente limpa tudo e põe os restos fora. No seu lixo ou no meu?
02) Eles &/ou Elas
A comadre
Aquele veraneio terminou mal. Tudo porque o Itaborá tinha soltado um omnahnmon! ao ver a comadre Mirna de biquíni fio-dental. Isamara, a esposa exigiu explicações. O compadre Adélio, deixou passar. Afinal, eram amigos demais e o aluguel da casa já estava pago para um mês. Mas até o fim ficou aquela coisa chata entre os quatro. O Itaborá não podia tossir que todos olhavam desconfiados.
O Mendoncinha
Um casal estava tendo uma conversa durante o ato sexual. Falavam que parecia haver outras pessoas ali com eles naquele momento: pai, mãe, o analista, o superego de cada um... Ela diz que parecia que Mendoncinha, o seu primeiro namorado, também estava ali. A reação dele foi imediata: Bota o Mendoncinha para fora desta cama. (...) Ou sai o Mendoncinha, ou saímos eu e a minha turma!
O brinco
Maurão, às três horas da manhã, liga para a casa do Russo, querendo falar com a sua esposa, Moira. Russo responde que ela não está com ele. Maurão insiste. Não acredita. tinha visto o Russo comprar um brinco e este apareceu na orelha de Moira. Na verdade, quem tinha recebido os brincos era Roberto. E era ele que estava deitado com Russo. Quem fica intrigado, agora, é o próprio Russo. Como os brincos foram parar nas orelhas de Moira? Roberto explica que dera os brincos a Lise, sua esposa. E concluindo: Lise deu-os a Moira. - Você acha que a Lise e a Moira...
Flagrante de praia
Uma mulher bonita está na praia passando óleo para bronzear. Faltavam as costas. Perto dela, um homem lia jornal. De repente, ela pergunta por que ele estava olhando. Ela diz que nem olhou para os lados. Ele continua a conversa perguntando se ele não estava pensando em propor-lhe um programa ou caisa parecida. Ele responde que não. Não queria nenhum envolvimento emocional naquele momento. Perfeito. Ela levantou-se, caminhou até onde ele estava, sentou ao seu lado e pediu: - Me passa óleo nas costas?
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e pergunta à enfermeira se foi tudo bem na operação. Esta dá resposta positiva. Ele estranha, pois a sua vida sempre fora rodeada de trocas. Trocaram-no na maternidade; no cartório, ao invés de Lauro, escreveram Lírio; na escola pagava por aquilo que não tinha feito; passara no vestibular, mas o computador se enganara e seu nome não aparecera na lista; contas telefônicas astronômicas para pagar e ele nem tinha telefone; fora preso por engano. E agora a sua operação de apendicite tinha sido um sucesso. A enfermeira parou de sorrir. - Apendicite? - perguntou, hesitante. - É. A operação era para tirar o apêndice. - Não era para trocar de sexo?
03) Família
A rocha
Dona Mimosa, aos 100 anos, adquirira uma sólida autoridade moral sobre a família. Todos vinham pedir conselhos a ela, sobreeducação, aplicação de dinheiro, etc, e tudo era resolvido por ela. Mas certo dia Dona Mimosa sentiu que o mundo lhe escapava. - A Berenice vai sair de casa. - Não deixa. - Não adianta. Ela vai juntar. - O quê? - Com a Valdirene. - Ah, bom. Vai morar com uma amiga. - Não. Vão formar um casal. Silêncio. - O que a senhora acha? Dona Mimosa sentiu que o mundo lhe escapava. Seu nariz não lhe diz mais nada. Era preciso, no entanto, resguardar a autoridade. Com um esforço, recompôs-se e perguntou: - E essa Valdirene, tem uma posição?
Reencontro
Frederico encontra, no elevador, o amigo Parra que não via há vinte anos. Leva-o para seu apartamento e apresenta-o à mulher. Começam a conversar sobre os velhos tempos. No meio da conversa, Frederico diz que está velho, que a Sandra, já tinha noivo. Parra disse que sabia. Frederico pergunta se ele conhece a sua filha. Parra disse que ele era o noivo de Sandra. Os dois começam a discutir e Parra vai embora. A mulher que pegara a conversa pela metade, não entende nada.
Tios
A primeira história é sobre tio Paulito. Era um homem quieto que sempre almoçava com a família de sua irmã. Certo dia, a filha mais moça foi à conferência do Prestes no PT e encontrou o tio Paulito, que se mostrava íntimo do político. No outro dia, tio Paulito foi o centro da admiração de todos na mesa do almoço. Já tio Dedé fazia questão de contar a sua vida. Era muito falador. Sempre falava que tinha feito um filme em Hollywood, aparecia numa cena do filme "Island of Love". Certo dia, o filme passou na televisão; juntou-se muita gente na casa da família, todos ansiosos para verem o tio Dedé. Mas ele não apareceu. Então, ele pulou da cadeira e bradou aos céus: Cortaram! Cortaram!
Férias
A família está discutindo sobre onde passar as férias. O pai tenta uma proposta que não seja muito cara. Decidem passar uma semana na praia e outra na serra. Vão a um hotel numa praia ainda não desenvolvida, pois é mais barato. O pai fica o dia inteiro lendo Agatha Christie e falando mal do general. Em seguida, viajam para a serra. O pai permanece no hotel, mas descobre que o general também está hospedado ali. Então anuncia para a família: Vamos passear no mato!
04) Pais e Filhos
Pai não entende nada
A filha pede um biquíni novo para o pai. Este lhe pergunta se ela não tinha comprado um no ano passado. Ela diz que cresceu, que passou de 14 para 15 anos. Enfim, ele deixa a filha comprar um maior. Maior não, pai. Menor!
Suflê de chuchu
Duda viajara para a França sozinha. Os pais estavam aflitos, aqui no Brasil, pois ela nunca fizera nada em casa. Lá, começou a trabalhar de empregada e, às vezes, ligava para seus pais para pedir alguma receita de comida. Duda estava indo bem. Certo dia, a mãe deu a receita errada de um suflê de chuchu, com esperança do fracasso da filha por lá que assim voltaria ao Brasil. Provavelmente Duda foi despedida da casa. Mas dias depois ligou para pedir a letra de uma música ao pai. O pai foi categórico: Diz pra essa menina voltar pra casa. Já.
A bola
Um pai dá uma bola de presente ao filho e esse não se entusiasma muito. Outro dia, o pai vê o menino com um jogo de bola no video game. O pai ainda tenta animar o filho com a bola que lhe dera de presente fazendo embaixadas, mas este mal desvia os olhos da tela. Talvez um manual de instrução fosse uma boa idéia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.
A descoberta
O pai chega de surpresa no apartamento do filho que mora em outra cidade. Este sempre mandava cartas dizendo que precisava de dinheiro para gastar em bebida, som e mulheres. O pa orgulha-se do filho por causa disso. Mas tem uma decepção quando descobre que o filho gastava tudo em materiais para pesquisa, livros e material didático.
O mundo restaurado
Um pai de família adora brincar com os brinquedos das crianças e lembrar da sua infância. Mas os adultos não o entendem; falam e agem num tom muito sério. Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.
05) No Bar
Dezesseis chopes
Estão cinco amigos num bar conversando e bebendo chope. Nos primeiros copos a conversa é normal. Depois passam por vários assuntos diferentes, alguns, já sem qualquer nexo. Nos últimos copos, começam a falar de coisas nostálgicas. Um deles afirma não ser feliz porque nunca teve um canivete decente. Outro levanta-se e diz que teve um bom canivete. Ali está o melhor dos homens, o homem completo, e eles não sabiam.
Conversas de bar
Dois amigos, sentados num bar, conversam. Era um reencontro e eles relembravam as coisas boas da juventude. Reconhecem que o garçom também tinha sido um grande amigo deles, mas não falam nada.De tudo que Mafra falava Tarol duvidava. Eram inseparáveis, mas viviam brigando. Mafra contava histórias absurdas, impossíveis. Certo dia, os dois foram viajar. Quando voltaram, Mafra contou para a turma que tinha um apito de chamar mulheres e para não desmerecer o amigo, Tarol confirmou, mas revelou que só chamava bagulho.A mesa Cinco amigos, cada um com sua família, iam todos os dias a um bar para um chope, mas logo voltavam para casa. Certo dia, um deles jantou lá. Com o tempo os outros foram jantando também. Passado mais um tempo, Gordo (o primeiro que tinha jantado no bar) resolveu dormir por lá. Decidiu, ainda, não sair mais do bar. Os outros gostaram da idéia e também resolveram viver lá, comendo, bebendo e conversando. Os familiares tentam convencê-los a ir para casa, mas estes não dão bola. Já perderam os empregos e certamente não terão dinheiro para pagar a conta, mas é pouco provável que peçam a conta num futuro próximo. O papo está cada vez mais animado.
06) Metafísicas
Borgianas
O narrador estava jogando "xadrez" com Jorge Luís Borges, no escuro. Este ficava contando várias histórias. Ouvia barulho na rua e inventava mais coisas. Também falou do Antigo Egito. Outra vez, jogava xadrez com peças invisíveis e tabuleiro imaginário. Conversavam sobre a importância da experiência para o escritor. Borges não achava importante. Soubera da história de um tigre que tinha entrado na biblioteca de um escritor e que nunca mais saiu de lá. Esse escritor não poderia escrever de maneira convincente sobre o tigre, pois teria que voltar à biblioteca para pesquisar e isso ele não pode fazer pois tem um tigre na sua biblioteca.
Contículos
Jorge Luís Borges está sonhando, mas pensa que está acordado, pois até fala com dois homens que já tinham morrido. Tinham avisado Sandrinha sobre o mau comportamento do rapaz. Mesmo assim Sandrinha se aproximou. Depois pôde perceber que todos tinham razão.O desejo da Madre de começar um conto com um palavrão. Um dia o pai saiu de casa, afirmando que voltaria muito rico e os buscaria. Ele voltou amarrado na balsa todo ensangüentado com uma tabuleta no peito. O filho tem curiosidade de saber o que estava escrito na tabuleta. Dois fatos que não se relacionam: Marisa abrindo uma lata de pêssego e o desmoronamento do Himalaia.Encontraram-se 25 anos depois. Um deles chamou o outro de kid. Este diz que não era o kid. O primeiro tem certeza de que ele era o Kid. Agora não é mais. Maria José casou com José Maria por uma certa fascinação intelectual. Foram muito felizes.
Gravações
No fim do dia, um homem escuta todas as conversas que foram gravadas no seu telefone durante o dia. Espera ansioso pela última. E ouve: Alô, aqui é o Mário. Algum recado para mim?
Conto Erótico
O chefe tenta fazer uma ligação, mas não consegue porque instalaram um novo sistema telefônico. No começo ele pensa que é a secretária falando. Mais tarde descobre que é uma gravação. Tem pensamentos eróticos com a "gravação", pois acha a voz linda. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
A Morte do Lidador passa-se em julho de 1170. O Lidador referido no título é o cavaleiro Gonçalo Mendes da Maia, 95 anos de idade e 80 de luta. Ele e um pequeno grupo de cavaleiros lutam contra os mouros e ele é ferido. Em nova batalha contra os mouros, que receberam reforços, ele mata um dos líderes e morre; quando um dos cavaleiros mata o líder dos reforços, os mouros fogem. Neste conto Alexandre Herculano desafia a verossimilhança: quase 1000 soldados mouros fogem de alquebrados 70 portugueses apenas porque seu líder morreu.

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O livro é composto de duas novelas curtas: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Agua, que é motivo de uma insólida luta: a de família, querendo preservar a memória do verdadeiro Quincas Berro D'Água e dos companheiros de boêmia que preparam o "verdadeiro" velório do amigo organizando uma farra que termina no mar, onde Quincas acaba sendo sepultado como marinheiro. É um dos trabalhos mais "literários" de Jorge Amado, mesclando o humor algo fantástico a uma intriga picaresca surpreendente e insólita. A Segunda novela é A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso. Trata da história do Comandante Vasco Moscoso, motivo de discórdias quanto à sua competência como navegador. Chamado a Belém para substituir o comandante de um navio, o qual havia morrido, recebe a agressão de tripulação que não o aceita. Moscoso consegue manobrar o navio, levando de roldão todos os barcos do porto. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O gênero A crônica é fruto do jornal, onde aparece entre notícias efêmeras. Trata-se de um gênero literário que se caracteriza por estar perto do dia-a-dia, seja nos temas, ligados à vida cotidiana, seja na linguagem despojada e coloquial do jornalismo. Mais do que isso, surge inesperadamente como um instante de pausa para o leitor fatigado com a frieza da objetividade jornalística. De extensão limitada, essa pausa se caracteriza exatamente por ir contra as tendências fundamentais do meio em que aparece, o jornal diário. Se a notícia deve ser sempre objetiva e impessoal, a crônica é subjetiva e pessoal. Se a linguagem jornalística deve ser precisa e enxuta, a crônica é impressionista e lírica. Se o jornalista deve ser metódico e claro, o cronista costuma escrever pelo método da conversa fiada, do assunto- puxa- assunto, estabelecendo uma atmosfera de intimidade com o leitor. A obra Os melhores contos de Rubem Braga (1985) na verdade são 39 crônicas, selecionadas pelo professor Davi Arrigucci Jr., que podem ser divididas em: 1. Passado interiorano ou em Cachoeiro do Itapemirim - reunindo as crônicas em que o narrador aborda, de forma lírica e nostálgica, a vida na cidade pequena do interior, entre caçadas de passarinho, encontro com moradores da cidade grande, peladas na rua, pescarias, cachorros amigos, e a vegetação abundante do meio quase rural: 1. Tuim criado no dedo - Menino, durante férias em cidade do interior, cria um tuim, o menor dos periquitos brasileiros, "no dedo", ou seja, o ensina a obedecer seus chamados e deixa-o viver livre, fora da gaiola. Quando a família retorna a São Paulo, o tuim foge e é aprisionado por outra família. Recuperando-o, o menino corta-lhe as asas. Mas, no instante seguinte, o tuim é devorado por um gato. 2. Diário de um subversivo - No "remoto ano de 1936", durante a perseguição getulista aos comunistas após a Intentona de 35, o narrador apresenta sua fuga da repressão, em forma de diário, do dia 15 de fevereiro ao dia 1o de março. Adotando pseudônimo, finge-se alienado em conversas com integralistas que vivem na pensão onde mora. Procurado pela polícia na pensão, é auxiliado por velho conhecido, Edgar, que o abriga em sua casa. Ao poucos vai se envolvendo com a mulher de Edgar, Alice. Afirma que se "tivesse qualquer coisa com essa mulher, seria o último dos canalhas." Termina a crônica afirmando laconicamente: "Sou." 3. A moça rica - Relincho de cavalo desperta em pescador humilde a memória de uma moça rica que viera do Rio. Usando calças, caçando e pescando, a moça de início o assusta, mas, em seguida, ao cantar, o encanta. Dois anos mais velha do que ele, pára um dia na praia solitária para conversar com o rapaz, que, assustado e ingênuo, esquiva-se de suas tentativas de aproximação e deixa escapar a chance de se envolver com a moça bonita e rica. 4. O jovem casal - Casal jovem espera o bonde. Lutam contra a miséria vivendo em uma pensão barata e suja. Vivem na feiúra de uma "vida estreita". Não podem pegar o ônibus por ser muito caro, sofrem de dores de cabeça e dentes, mas tratam-se com carinho e amor. Pára, à sua frente, um automóvel de luxo com um casal. A mulher diz, no momento em que o carro partia, que iria comprar um anel por quinze contos. O rapaz ouve isto como se fosse um soco em seu estômago mal alimentado. Com esse dinheiro, poderia pagar anos de pensão e aliviar o sofrimento de sua amada. Chega o bonde. 5. Negócio de menino - Diálogo entre um menino e o narrador, vendedor de passarinhos. O garoto vai intercalando perguntas sobre os pássaros e pausas até pedir ao narrador um passarinho de presente e depois sair correndo. 6. Coração de mãe - Marina e Dorinha são irmãs e moram com sua mãe, dona de pensão no bairro do Catete , no Rio de Janeiro. Loiras, de olhos azuis, vivem cantando. Certa noite, as moças chegam já de madrugada e "um pouco tontas". A mãe, dona Rosalina, briga com as filhas. No dia seguinte, ouve Marina ao telefone referindo-se a ela como "a velha" e as expulsa de casa. Na rua, o "cavalheirismo do bairro" se manifesta e as moças recebem várias propostas de ajuda dos "bondosos homens". Porém, são interrompidos pela mãe, que manda as filhas de volta para casa. Conclusão do narrador: não há nada no mundo como o coração de mãe. 7. Marinheiro na rua - De madrugada, na rua deserta, um "pequeno marinheiro" bate à porta de um edifício às escuras, observado do alto e à distância pelo narrador. O som da batida chega uma fração de segundo após o gesto, o que desperta no narrador uma recordação da infância e, depois, uma série de idéias, como a suspeita de que talvez o marinheiro fosse seu filho ou ele mesmo e dentro do prédio estivesse sua amada. A porta não abre e o marinheiro, cansado de bater, segue pela calçada até o narrador o perder de vista. O narrador olha, então, para a fachada do prédio e todas as luzes se acendem. O edifício fica maior e começa a se mover como um grande navio, partindo lentamente. 8. O homem da estação - Numa aldeia, na França, o narrador procura hospedagem para passar a noite. Ninguém lhe dá abrigo. Anda pelo campo e um homem de bicicleta pára e lhe pergunta se precisa de alguma coisa. Responde que não achou lugar para dormir e está indo para outra aldeia. O homem indica ao narrador onde fica a estação da estrada de ferro em que trabalha e informa que virá um trem em duas horas. Quando chega na estação, o homem lhe preparou uma cama e lhe oferece vinho. O narrador bebe "em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem. 9. Falamos de carambolas - Narrador conta uma conversa com uma amiga (?) em um bar. Falam de sorvetes e frutas até que ele pergunta o que o médico disse. Ela responde vagamente que era uma síndroma e não iria se enganar. O narrador afirma que é pessimismo dela. Ela nega, hesita, mas não pronuncia o nome da doença, para alívio do narrador. Mudam de assunto e, enquanto conversam, o narrador pensa que é insuportável saber que ela morreria. Ela critica o seu bigode e ele pergunta por que ela não toma conta dele. Ela "ri uma risada... clara, alegre, ... como o cristal..., que se parte tão fácil." 10. Era uma noite de luar - O narrador conta sobre uma noite, na época da repressão do Estado Novo, em que foi levar notícias à Marina, mulher de Alberto, um militante comunista preso. Descreve as precauções que tinha que tomar e a conversa com Marina, que está sem dinheiro, solitária, triste e cansada de se esconder. Durante a conversa, o narrador abre uma banda da janela para jogar o cigarro e comenta que o luar está bonito. Ela se aproxima da janela e ele abre a outra banda. Então ela fecha a janela com brutalidade, chama-o de estúpido, pois "está sozinha desde a prisão do marido", manda-o embora, atira-se na cama e começa a chorar. 11. Viúva na praia - Narrador conta que viu a viúva na praia com o filho e deitou-se na areia para contemplá-la. Conhecera vagamente o marido dela no café da esquina, onde soube que ele ficara muito tempo doente antes de morrer. Descreve a beleza da mulher e pensa que, se fosse ele o marido, ficaria ressentido ao saber que, poucos dias depois da sua morte, um estranho estaria olhando o corpo de sua mulher, mesmo que discretamente. Mas ele é o outro homem, está vivo, e sente-se, por isso, superior. Descreve a viúva depois de um mergulho e conclui que o sol ama a viúva. 12. A navegação da casa - O narrador é um senhor, brasileiro, que saiu do hotel e está numa casa antiga, em Paris. É abril, início da primavera. Seus amigos fazem uma festa. O narrador sente-se alegre e diz que a casa parece uma velha fragata tripulada por bêbados. Quando a festa termina, anda sozinho pela casa, imaginando os invernos difíceis que os antigos moradores lá passaram. No dia seguinte está muito frio. Os amigos chegam e ele acende todas as lareiras. As luzes são apagadas e o narrador - diante do fogo - imagina que lá estão também os fantasmas dos antigos amigos. Lembra de um sagüi - presente para a sua noiva, que ele, por distração, deixara morrer de frio em Belo Horizonte, assim como "matamos, por distração, muitas ternuras". Por fim, pensa em meninos, "em um menino". 13. Aula de inglês - Crítica ao famoso "método Berlitz ", de ensino de línguas através de perguntas e respostas. A professora pergunta em inglês, ao aluno (o narrador), se determinado objeto é um elefante. Após uma cuidadosa análise, ele responde que não. Pergunta, então, se é um livro; prontamente o narrador responde que não. Pergunta se é um handkerchief (lenço) , palavra que o aluno não conhece, mas acha antipática e responde que não. À última pergunta, se é um cinzeiro (ash-tray ), o aluno responde que sim. A reação eufórica da professora faz o narrador sair satisfeito da sua primeira aula. Pensa em comprar um cachimbo inglês e, se encontrasse o embaixador britânico, imagina "entabular uma longa conversação", em que diria que o cachimbo não é um "ash-tray". 14. Caçada de paca - O narrador conta que uma conversa sobre paca o levou a abandonar a rede, onde descansava, embaixo da mangueira e sair à noite para caçar paca, acompanhado por Anti. Depois de muito andar na noite escura, subindo e descendo morro, pensam que viram uma paca, atiram e matam um cachorro. Discutem se havia paca mesmo, mas na verdade estavam bêbados. Chegam de madrugada e as mulheres ainda riem deles. Para o narrador, Deus fez o domingo, o brasileiro armou a rede e o Diabo inventou a paca. 15. A partilha - Dois irmãos se separam e o narrador transcreve o que um deles, o mais velho, diz, enquanto fazem a partilha dos objetos da casa. Ele deseja ficar com a rede, o retrato da mãe e, principalmente, o canivete do irmão mais novo. Enquanto argumenta, as características de cada um vão sendo descritas, do ponto de vista do mais velho, que sabe pescar e lidar com o canivete, além de fazer os consertos da casa. O mais novo ganha mais dinheiro, escreve cartas e tem namorada. Através do monólogo, nota-se que o mais novo ameaça o irmão com o canivete e este lhe dá o conselho de nunca puxar canivete para outro homem, pois é arma de menino. É melhor dar um tiro com garrucha. Diz que se o matasse naquele momento estaria matando um inimigo, não seria como ele "que levantou a arma contra um irmão". Pega o canivete, reclama que o irmão não presta nem para limpá-lo, mas é bom para outras coisas e despede-se. 16. Noite de chuva - Homem está em casa em noite de temporal, após um dia difícil. Antes de dormir, pensa que há muitos anos adia consertar as coisas, dos dentes a um caso sentimental. Começa a dormir quando Joaquina Maria, "negra velha" que lavava as suas roupas, bate na porta e pede ajuda para tirar o corpo do neto dos escombros do barraco, que fora derrubado pelo temporal. Nada está funcionando na cidade. Deixa a velha na entrada da casa, tenta parar uns carros, bebe uma bagaceira e conta a história num botequim , sentindo que era ridículo o que fazia. Volta para casa pensando que de nada ia adiantar se conseguisse telefonar, pois não conseguiria assistência com aquela chuva. Encontra a velha chorando e diz secamente que arrumou tudo "para amanhã de manhã". Ela vai embora, com um ar desamparado. 17. Os perseguidos - Durante a repressão do Estado Novo, o narrador, acompanhado de Moreira, que ficara um mês preso e fora torturado, chegam ao apartamento indicado. O narrador "tem pena e desgosto" de Moreira, que está sujo e mal vestido. Uma empregada de uniforme os atende, pede que entrem e se sentem. É uma sala luxuosa com uma janela imensa com vista para o mar, que surpreende o narrador: o mar dos ricos é mais amplo, puro e azul do que o mar dos pobres, visto lá embaixo. O narrador inspira o ar salgado e limpo e tem a impressão de que aquele ar não é dele e ele nem o merece, já que o ar dos pobres é quente e parado, com poeira e fumaça. 18. A mulher que ia navegar - Mulher é observada pelo narrador, enquanto se desenrola, numa roda de intelectuais, conversa sobre pintura. Além da mulher e do narrador, participam da roda o marido dela, "todo bovino", um pintor, uma senhora, um físico e uma outra senhora desquitada. A mulher, junto à janela, está atenta às mudança de cor em seu braço, provocadas por um anúncio luminoso de um edifício em frente. Quando o marido refere-se a certo pintor com uma palavra vulgar, a mulher o olha com "menos zanga do que tédio" e o narrador sente que ela se preparava para enganá-lo, como "um belo barco prestes a se fazer ao mar". Ela procura e escolhe o físico para ser o " piloto de longo, longo curso" com quem vai navegar. 19. Força de vontade - Narrador conhece comerciante em hotel em Foz do Iguaçu. Ele não tem vícios, é solteiro e mora em São Paulo, com os pais. Durante a conversa, o comerciante comenta que está realizando o último dos seus três ideais: visitar pelo menos um país estrangeiro. Outro ideal, já cumprido, era ter um diploma. Depois do jantar, o narrador cumprimenta o comerciante por ter realizado seu ideal "em duplicata", afinal visitara dois países, Argentina e Paraguai. O comerciante afirma que provou a sua força de vontade e que, para isso, passara por muitas dificuldades. Mais tarde, o narrador o convida para um passeio de carro, ele recusa e fica no saguão do hotel. Quando o narrador volta para buscar a sua lanterna, o comerciante está com um ar "vazio como quem não tivesse coisa alguma a fazer na vida e acabasse de descobrir isto". 20. O espanhol que morreu - Em um bar no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, o amigo do narrador é confundido com um espanhol, já falecido, que freqüentava o lugar, era amigo de todos e amado de Sueli. As mulheres, Sueli e Betty, dizem que são idênticos, com a mesma cara triste e jeito de falar. O amigo do narrador se aborrece, diz que "não é espanhol, não trabalha no comércio e nem sequer está morto". As mulheres contam casos do Espanhol e como foi o seu enterro. O garçom pergunta se ele é irmão do Espanhol. Quando saem, algumas mulheres acompanham os amigos até a escada e o narrador diz ao amigo que aquela despedida era o enterro dele. O amigo, bêbado, sai andando na chuva, falando espanhol e some. O narrador o procura, mas não o encontra e conclui que "na verdade ele é o Espanhol, e morreu". 21. O rei secreto de França - Em Paris, na primavera, o narrador tem um encontro marcado com uma mulher. Enquanto espera chegar a hora, visita o túmulo de Maria Antonieta e conversa, distraído, com o guarda do lugar. Está ansioso e pensa que se sentia o rei secreto da França porque a "mais fina e bela mulher da França" viria ao seu encontro. Corre ao casarão, local do encontro, toma mais dois conhaques. A mulher chega e diz que aquele seria uma despedida, pois partiria para "remotas suécias". Ao sair, vai telefonar, enquanto ele entrega a chave do apartamento 14 à velha "concierge"e paga em dobro. A velha diz para ele nunca perder uma mulher como aquela. A mulher sai da cabine , ele beija a sua mão, ela entra no táxi chorando e o narrador a descreve como "a futura Rainha da Suécia, das distantes suécias e noruegas do nunca mais." 22. Visita de uma senhora - O narrador atende a porta e entra uma moça bonita. Segue-se um diálogo em que o narrador responde "claro" às três primeiras perguntas. A mulher afirma que ele não a conhece, que mora no bairro, é casada, já tinha visto o narrador na praia e pergunta se ele só sabe dizer "claro". Diz que há muito tempo lia o que o narrador escrevia, e que uma vez ele escreveu algo como se conhecesse todos os segredos dela. Depois pergunta se ele é homem mesmo, chama-o de cínico e afirma ser uma pena ele ser tão velho Então o narrador pergunta o que ela deseja, ela responde que "que gosta muito do marido" e de repente começa a chorar. O narrador sugere que ela vá embora. Ela retoca a pintura, despede-se e vai "embora para nunca mais". 23. Praga de menino - O narrador conta que, quando menino, ele e seus amigos jogavam bola na rua, em frente à casa das irmãs Teixeiras . Elas eram "suas inimigas" porque brigavam com eles devido ao barulho que faziam e o receio de que quebrassem alguma das inúmeras janelas da casa. Um garoto trouxe uma bola maior e colorida e um dia essa bola quebrou uma vidraça. Uma das irmãs, depois de brigar com eles, cortou a bola com um canivete. Os garotos se vingaram entrando na casa delas quando não havia ninguém, fizeram uma grande bagunça e roubaram um anel sem valor, uma lata de goiabada, uma faca de cozinha e um martelo. Ninguém descobriu quem foi. Os meninos nunca mais jogaram bola diante da casa das Teixeiras e deixaram de cumprimentar aquela que havia cortado a bola. O narrador não sabe se ela foi feliz, mas "se foi, é porque praga de menino não tem força." 24. Um braço de mulher - Em um vôo Rio de Janeiro- São Paulo, o narrador ocupa-se em acalmar uma senhora sentada ao seu lado, aflita porque o avião, sobrevoando São Paulo, demora a descer. Quando sugere trocar de lugar com a amiga da senhora, ela diz que prefere ter um homem ao seu lado. Ele sente-se útil e responsável. A senhora se acalma e o narrador começa a pensar que realmente estava demorando muito para pousar. Tem a idéia de que a morte deveria ser assim: um nevoeiro imenso... para sempre". No entanto, a senhora volta a se preocupar e o narrador de repente repara que ela tem um braço "belo, harmonioso e musculado ". Então sente-se despertar, e a idéia da morte, antes agradável, agora é "uma coisa sem a delicadeza e o calor, a força macia de um braço ou de uma coxa..." No aeroporto, o marido da senhora agradece formalmente ao narrador, que se sente um intruso, como se tivesse traído aquele senhor. A senhora lhe dá um pequeno sorriso, "vagamente cúmplice". O narrador diz que certamente não a verá mais, mas vai demorar para esquecer de seu belo braço que, "durante um instante, foi a própria imagem da vida". 25. Conto de Natal - Despedidos da fazenda em que trabalhavam, casal de colonos com filho de seis anos caminha em direção à Fazenda Boa Vista, a duas léguas e meia do lugar em que se encontram. A mulher está grávida de oito meses. Começa a chover, ela não pode mais andar. Conseguem carona num carro de bois e chegam à noite na fazenda, que está fechada. Alojam-se junto a um burro e a uma vaca num lugar coberto. Durante a noite, o menino nasce. O carreiro chega e lembra que é Natal. O marido, Faustino, sugere à mulher que chamem o recém-nascido de Jesus Cristo. A mulher não acha graça. O menino de seis anos chama o pai para ver o irmão, embrulhado em trapos em cima do capim. O pai olha. A criança está morta. 26. Lembrança de Zig - O narrador lembra de Zig , o cachorro de sua família, quando era criança em Cachoeiro do Itapemirim. O cachorro era conhecido na cidade por Zig Braga, mordia a todos que estivessem de farda e tinha um profunda amizade por uma gata, com a qual dormia. Essa amizade só se esfriou quando a gata teve cria e os filhotes incomodavam o cachorro. Também seguia pela rua quem saísse da casa e, principalmente, a mãe do narrador, que tinha de prendê-lo quando ia à missa aos domingos. Muitas vezes, ele se soltava e, para desgosto do padre e dos fiéis, cheirava a todos na igreja até encontrar a mãe do narrador, quando então latia e abanava o rabo. Hoje a mãe do narrador está velha e não vai mais à igreja, que é distante. O narrador conclui que Deus deve mandar um santo de vez em quando visitar a sua mãe, na antiga casa e, ao voltar, este deve "se demorar um pouco sob o velho pé de fruta-pão", onde Zig foi enterrado. 27. Os amantes - O narrador conta sobre os seis dias que passou trancado no apartamento com sua amada, sem atender telefone ou abrir a porta, desfrutando de "um entendimento que era além do amor". Na manhã que a fome os deixa tontos, ele sai e compra uvas. No entanto, quando volta, o "pequeno mundo" dos amantes foi invadido (o carteiro está lá, o telefone toca e "agora é preciso atender", as janelas estão escancaradas) e "o milagre se acabara". No "lento olhar" da mulher, entretanto, "ainda havia uma inútil, resignada esperança." 28. O sino de ouro - O narrador conta que, em uma localidade no sertão de Goiás, há um sino de ouro numa pequena igreja, cujo som puro se estende, à tarde, pelas matas e cerrados e dá aos homens pobres do lugar uma "ração de alegria". Os habitantes acham que vivem do sino de ouro, não se importam com nada, fazendo somente o essencial para viver. Não estão interessados em progresso, negócios ou corrupção. O narrador afirma que ouviu essa história de um homem velho, que a contou com espanto e desprezo. Depois, o narrador contou a história para uma criança, cujos olhos diziam que "a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro". O narrador acredita que Deus, mesmo que não exista, deve ter a mesma opinião. E conclui que nós, quando crianças, temos, dentro da alma, um sino de ouro que com o tempo vai virando "lama e podridão". 29. A primeira mulher do Nunes - Na praça Serzedelo Correia, em Copacabana, o narrador vai tomar um táxi e vê uma mulher bonita, com ar de estrangeira, sentada num banco do ponto de táxi. Tem a impressão de que a mulher o segue com os olhos quando se dirige para o táxi e, ao partir, tem a certeza de que tinha visto Marissa , a primeira mulher do Nunes. Explica que nunca a conhecera, devido a uma série de desencontros, mas chegara a se apaixonar, há uns quatro ou cinco anos, graças à descrição que faziam dela e ao momento ruim porque estava passando. Ela ficou sendo um mito e aquela mulher vista na praça em Copacabana correspondia à imagem que o narrador fazia de Marissa. No rápido olhar que trocaram, o narrador acredita ter "lido" a irônica mensagem de que o destino deles era o de nunca se conhecerem. 30. O cajueiro - Uma carta da irmã do narrador contando sobre a queda do velho cajueiro que ficava no alto do morro, atrás da casa de seus pais, desperta lembranças da sua infância. Ele descreve como os meninos, à medida que cresciam, iam conhecendo a árvore e que, no último verão, levou Carybé para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo um parente querido. 31. Encontro - O narrador encontra casualmente, em um bar, antiga namorada. Compara a sua beleza e jeito de mulher com a imagem que trazia dela quando jovem. Ao despedir-se, o seu olhar lhe dá a certeza "de que nem tudo se perde na confusão da vida e que uma vaga mas imperecível ternura é o prêmio dos que muito souberam amar." 32. O afogado - Homem consegue se salvar de morrer afogado, sem pedir ajuda. Esgotado, deita-se na areia da praia e sente-se superior às pessoas que estão conversando sobre cinema numa barraca próxima - "uma idiota superioridade de quem não morreu, mas podia estar morto". 33. Madrugada - O narrador sonha com a mulher que estivera na festa na sua casa. Acorda de madrugada, vai até a varanda e descreve o nascer do dia, o mar, os pescadores preparando-se para a pesca, os pássaros despertando, o silêncio da casa e as sensações que a madrugada despertava nele. 34. História de pescaria - O narrador conta a pescaria feita por ele, Zé Carlos e Manuel, motivados pela notícia de que um marlin fora visto na Praia Azedinha. Não encontraram o marlin, mas ele fisgou "um olho-de-boi que tinha seus vinte e cinco quilos" e ficou lutando com o peixe durante mais de uma hora. Porém, o peixe quebrou a linha quando a hélice do barco foi ligada, e fugiu. 35. O mato - No entardecer de um dia chuvoso, no Rio de Janeiro, homem se afasta da cidade e anda lentamente por um morro próximo à sua casa. Pensa na nervosa vida da cidade, depois volta a sua atenção para a natureza, sente paz e vontade de se tornar uma árvore, sem desejos e sentimentos - "forte, quieto, imóvel, feliz". 36. Do Carmo - Na praia, o narrador encontra um velho amigo. Conversam sobre o passado, lembram de amigos de vinte anos antes e falam de Maria do Carmo, sua beleza e seu encanto. Esta lembrança os aproxima mais. De repente, correm para o mar e mergulham, com o sentimento de que a água limpa também a poeira que a passagem do tempo vai deixando na alma. 37. Visão - O narrador descreve como, no meio de um dia cinzento, no centro do Rio, a visão de uma mulher que, por um instante, lhe fitou e sorriu de dentro de um carro fez com que se sentisse como um preso que visse "uma parede se abrir sobre uma paisagem úmida e brilhante de todos os sonhos de luz." 38. As luvas - O narrador encontra um par de luvas atirado atrás de uns livros e imagina que sejam de uma mulher que o visitara duas vezes e sumira há mais de uma semana, dizendo que telefonaria. O telefone toca, mas não é a dona das luvas. Ao sair para um jantar, segura as luvas "como se tivesse na mão um problema" e as joga atrás dos livros, "onde estavam antes." 39. As meninas - Narrador recorda a imagem de duas meninas em uma praia, com vestidos compridos, azul e verde, brincando no mar, acontecida há muito tempo. Evoca o sentimento de angústia "leve, quase suave" que a cena produziu nele. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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