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A Droga da Obediência é o primeiro livro da série de personagens os Karas. Eles são um incrível grupo de adolescentes que proporcionam toda a aventura desse ótimo livro criado pelo prestigiado Pedro Bandeira." O grupo, criado como uma brincadeira por Miguel - agora com seu mais novo integrante, Chumbinho - acaba se envolvendo em um perigoso enredo com a droga da obediência, uma droga maléfica que faz com que qualquer um que a experimente seja " fiel como um cãozinho". Lute junto com Miguel, o "capitão do time"; Calú, o grande ator dos Karas; Crânio, o cérebro do grupo; Chumbinho, o mais recente dos Karas (que entrou no grupo forçadamente depois de ter descoberto o esconderijo); todos os incríveis códigos secretos dos Karas; Magrí, uma ginasta e única menina do grupo, contra o misterioso doutor Q.I. e sua poderosa droga. O mundo depende dos Karas. Esse livro, muito legal, eu recomendo para quem não gosta de monotonia e sim de suspense misturado com aventura e também grandes surpresas. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Estilo Contemporâneo - estilo que vai do erudito (cientificismo) ao coloquial (línguagem chula). Romance de tese: debate o Evolucionismo e o Humanismo. Enredo Romance escrito em 3ª pessoa - ambientado na Ilha de Itaparica na Bahia. É descoberto na ilha por pescadores locais (João Pedroso - sociólogo amador) e Pe Monteirinho o envolvimento de Lúcio Nemésio (médico pesquisador) com Engenharia Genética; criação de monstros em laboratório. O caso é denunciado porém, por falta de credibilidade e provas é abafado! João Pedroso é morto por ter envolvido com Ana Clara, mulher de Ângelo Marcos. Trecho ...diz dr. Lúcio Nemésio: "-Os animais tem alma? Animal, animal, todo mundo sabe disso. Então só tem alma etimológica ou têm alma mesmo? A alma é privativa dos mamíferos superiores? Dos primatas?" Preste Atenção - Na humanização dos animais: "O Sorriso do Lagarto". - Na animalização dos humanos: Ângelo Marcos, homem sem caráter e de instintos irreprimíveis! veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.

(poema: Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade)

Os poemas de Sentimento do mundo foram produzidos entre 1935 e 1940. São 28 no total. Poema: Sentimento do mundo O primeiro poema (que deu nome ao livro) revela a visão-de-mundo do poeta: não é alegre, antes, é cheia da realidade que sempre nos estarrece, porque, por mais que sonhemos, a realidade geralmente é dura e muito desafiante. O poeta inicia (estrofe 1) indicando suas limitações para ver o mundo: "Tenho apenas duas mãos"; mas aponta, em seguida, alguns elementos auxiliares que o ajudarão a suprir suas deficiências de visão: escravos, lembranças e o mistério do amor (versos 3 a 5); escravos podem ser os meios escusos de que nos utilizamos para tocar a vida e decifrá-la e dela nos aproveitarmos. O pessimismo denuncia-se com as mortes do céu e do próprio poeta, na estrofe 2. Apesar da ajuda incompleta dos companheiros de vida ("Camaradas"), o poeta não consegue decifrar os códigos existenciais e pede, humilde, desculpas. Nas duas últimas estrofes, Drummond pinta uma visão de futuro bem negativo, mas bem real: mortos, lembranças, tipos de pessoas que sumiram nas batalhas da vida ("guerra", na estrofe 3). Conclui, na estrofe 5, que o futuro ("amanhecer") é bem negro, tenebroso. Feita só de dois versos, sintetiza seu sentimento do mundo. Os demais 27 poemas são nuances, explicações dessa amarga visão inicial da vida. Poema: Confidência do Itabirano O poema começa com a saudade profunda de seu lugar de nascimento, traçado em quatro belas, mas sofredoras estrofes. Confessa (estrofe 3) que aprendeu a sofrer por causa de Itabira; mas, paradoxalmente: "A vontade de amor (...) vem de Itabira"; vale dizer que o amor nasce e é servido no sofrimento. De Itabira vem a explicação de Drummond viver de "cabeça baixa" (estrofe 3), verso 6). Afinal, apesar das negatividades, o poeta sente uma incomensurável saudade de sua cidade natal. Poema: O operário do mar O texto número 6 faz o autor escapar da linguagem poética material (versos) e se apropriar dessa linguagem poética sem versos, mas bastante poesia imaterial, em belo painel-definição explicita a grande diferença social entre operários e não-operários. Esta belíssima crônica poética, de base surrealista – tão em voga nos anos trinta, quarenta – serve bem para duas constatações: 1ª) o sentimento socialista de Drummond que iria espraiar-se cinco anos após Sentimento do mundo, na publicação de Rosa do povo, em 1945; 2ª) a visão-de-mundo onírica e bem poética de um operário universalizado em São Pedro; ele anda sobre águas por graça de Deus, enquanto burgueses se espantam por não poderem realizar a mágica; isto é, aos humildes: a magia divina, aos prepotentes: a inveja. Esta crônica poética também pode permitir que se compare a "apreensão do mistério da palavra" nos poemas explícitos de Drummond diante desta prosa poética; por exemplo: "minhas lembranças escorrem" (Sentimento do mundo, estrofe 1, verso 4) e "feixes escorrem" (das mãos do operário, em O operário no mar, linha 26). O mistério poético de lembranças escorrem é bem mais profundo do que peixes escorrerem imaginariamente das mãos do operário. Poema: Privilégio do mar No poema 12, o autor continua detendo-se alegoricamente no problema social das diferenças humanas. Poema: Inocentes do Lelbon Ainda no enfoque da visão social, o poeta fala da riqueza: "inocentes" significa os que querem ignorar; por isto fingem e se aproveitam. Poema: La possession du monde Neste poema 17, Drummond indica o membro da Academia Francesa de Letras, em 1884, Georges Duhamel, pedindo uma risível fruta estragada; como se isso fosse, como diz o título do poema, ter o mundo nas mãos. Poema: Ode no cinqüentenário do poeta brasileiro O belo elogio do poema 18 é a palavra drummondiana a Manuel Bandeira, nascido em 1886 e que, em 1936, completava 50 anos de vida. Drummond pede que "seu canto confidencial (a poesia de Bandeira) ressoe acima dos vãos disfarces do homem"! E para concluir esta fugaz visão do livro Sentimento do mundo, fiquemos com as palavras do último poema, Noturno à janela do apartamento: " A vida na escuridão absoluta, como líquido, circunda." veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Considerações Gerais Romance metaliterário (o narrador fala da obra) em linguagem fragmentária, através da qual o narrador, um crítico de teatro, conta-nos seu envolvimento criminoso com Inês, uma mulher manca e misteriosa. Consciente de que a verdade em si é uma composição de signos (representações), se diverte com o leitor. Afinal, onde a verdade do ocorrido estará? Nas ações do teatro que ele critica? Nas pinceladas do pintor? Nas palavras do escritor? Como espelhos estilhaçados que precisam se unir, ou como linguagens diferentes costurando-se umas às outras, talvez encontremos a(s) resposta(s) para o fato: um crime delicado! E foi através desses espelhos, que refletem uns aos outros, que minha observação se deu, bastante discreta e oblíqua. O que importa, então, é deixar correr solta a mente, e talvez a esse fluxo é que se deva chamar verdadeiramente de vida. Pois mesmo quando nos envolvemos em grandes aventuras, o que é vivê-las senão a subjetividade de quem as vive? Sou crítico profissional de teatro. Mas a profissão talvez explique muitas coisas em meu comportamento e na minha forma de viver, em minha personalidade enfim, embora eu não saiba dizer se foi esta personalidade que me conduziu naturalmente à crítica, ou se foi o exercício desta que terminou por contaminar meu comportamento e minha personalidade. Antônio Martins, ao tentar reconstituir retrospectivamente sua história, representando-a em diferentes linguagens, deixa em aberto várias possibilidades de interpretar o que se passou.

Teria ele sido vítima de uma armadilha elaborada pelo artista plástico Vitório Brancatti, protetor e possível amante de Inês? Estaria ele próprio falando a verdade sobre o seu relacionamento com a moça, ou apenas criando o seu texto? O crítico agora é você, leitor! Resumo Romance narrado em 1ª pessoa, em três partes, subdivididas em capítulos e numa linguagem que acompanha o vaivém da memória do narrador, um crítico profissional de teatro, que alguns consideravam excêntrico, solitário: Antônio Martins. Inicia o texto falando que teria visto Inês num café cujas paredes e colunas eram espelhadas. ...uma visão discreta e oblíqua, mas que por vezes, podia jurar que o observado era ele. Inês, uma mulher com rosto de traços finos e delicados, seios pouco salientes, mulher magra, com o corpo bem- proporcionado, cabelos claros, encaracolados - de olhar melancólico e solidão recatada - assim a teria visto, após duas doses de conhaque - o que, segundo o narrador, eram suficientes, pois se continuasse a beber... ...no dia seguinte poderia descambar, acelerar de forma desritmada os fluxos de sua mente, passar de uma exaltação quase feliz para um abatimento cheio de imagens e pensamentos dolorosos - uma tendência que ele procurava controlar: o alcoolismo. Antes de se retirar do café, ele observa que um homem de meia-idade, com cabelos revoltos e grisalhos, inicia uma conversa familiar com a moça, mas percebe que ele os observa, lançando-lhe um olhar firme, mais curioso do que hostil. No capítulo seguinte, certa tarde, Antônio atravessava o largo do Machado, no centro do Rio de Janeiro, e fora acometido por uma premonição, a de que algum incidente estava prestes a ocorrer. No metrô, ainda quando descia os degraus da escada, ao virar-se instintivamente uma mulher cai sobre o seu corpo, e é amparada em seus braços. A moça é manca, mas de uma beleza singular. Antônio a reconhece como a moça que o impressionara no café. Segue-a até a rua Paissandu, local de sua residência. Inês era seu nome, e ela também o reconhece. Num espetáculo teatral, Antônio percebe que o que se passara com Inês e ele no metrô o emocionara - e isso interferiria - embora não devesse, em seu julgamento da peça que analisava. ...dois jovens em crises existenciais que, segundo o crítico, uma simulação do amor beirando a impotência e buscando ostentar-se na própria teatralidade, numa pretensa metalinguagem que não passava de um álibi - uma coisa tediosa e medíocre. Enfim o espetáculo. Folhas de outono (folhas secas que caíam através de uma janela cênica) representavam o aprisionamento da atriz. Podemos ler esse aprisionamento observado na peça como signo- sinal da relação de também aprisionamento entre Inês e Brancatt, ou seja, uma dica do narrador, que retira fragmentos da linguagem do teatro que analisa para construir o seu texto e confundir ou brincar com o leitor. Neste "texto" também há forte comparação da atriz com Inês. ...a imagem de Inês que insistia em pairar, no decorrer da peça, em meu palco interior? Relembrando: Antônio e Inês trocam olhares no café; Inês cai em seus braços no metrô no dia seguinte; Antônio a acompanha até a rua de seu apartamento; marcam um encontro num bar- restaurante no Leblon, onde Inês já o estaria esperando. ...ele que chega 10 minutos antes da hora marcada, depois de haver tomado um uísque em casa, de puro nervosismo. Inês ri ao saber que Antônio era crítico de teatro e, entre goles de uísque, Antônio tem a impressão desconfortável de que ela apenas se deixara tomar pela mão sem nenhum tipo de retorno; mas o induziria a ir a seu apartamento, e que no dia seguinte entre imagens superpostas, lembranças e projeções vagas que lhe vinham em forma de lampejos, ele descreve-nos o local: uma muleta e uma tela sobre o cavalete, sons de um trompete, cheiro de tinta e perfume no ar além de um biombo negro com ramagens prateadas. Embriagado, envolto nos sentimentos que o levavam a desvendar Inês, acreditou na força do destino, mas já em casa questionava: seria ela uma pintora? E o biombo escondia uma Inês com problemas físicos? Seria o local para despir-se fora das vistas mesmo de um amante? Ou preparado por Inês para enciumá-lo? Inês teria neste encontro no Leblon pedido a Antônio que fosse comprar analgésicos e tranqüilizantes enquanto esta daria um telefonema. Antônio sequer a viu andando. Sua perna manca teria sido um artifício para eles se aproximarem? No apartamento, Inês se coloca inerte no divã. Teria misturado o tranquilizante álcool? Sente por ela um arrebatamento de uma força delicada. Antônio a conduz para a cama, despindo-a. Inês abre os olhos, arregalando-os em pânico. Antônio tem a reação de exibir a transparência de suas intenções, mas ao acender a luz, Inês tinha os olhos fechados. Parecia dormir, ou fingia que dormia? Exibir transparência ou como narra Antônio: ...tentava fugir para não ser surpreendido numa situação dúbia? O resto? Ele apenas se erguera e voltara para casa, acordando em sua cama. Antônio teme um reencontro com Inês, preocupa-se com a seqüência dos fatos produzidos por uma memória prejudicada, deixando vazios que possivelmente encobririam algum ato que sua mente não ousava trazer à tona. Antônio a teria despido? E o cheiro de tinta que ainda ficava em sua memória olfática, saíra do biombo? O que Inês pensaria de seu delicado gesto? Despi-la para a cama? Como ela os interpretaria? E o quadro, e o cavalete atrás do biombo? Relembra o encontro no metrô, teme reencontrá-la e se isso ocorresse, como despistá-la da coincidência sem que ela tecesse suspeitas? Em casa constata um pequeno ferimento no joelho; desiste de um contato com Inês, vai ao teatro. Antônio recebe um envelope de Inês Brancatti, levado por um homem de moto e uma moça. Enciumado por imaginar Inês com o motoqueiro , rasga o envelope com raiva e junto a um convite há uma cartinha em papel perfumado e cor-de-rosa, com o endereço e telefone. Trata-se de uma mostra coletiva de pintura com o título de Os Divergentes. Os Divergentes expunham no Centro de Expressão Vida, na rua Viúva Lacerda, no Humaitá. Ao sondar a exposição, crítico que era, não encontra nela valores contemporâneos mas: ...fruto de pincéis de pessoas medianas, talvez normais, com suas figuras, paisagens, naturezas mortas. Antônio encontra Inês próxima a um quadro que revelava o apartamento onde estiveram. Imagens refletidas reproduziam, em detalhes, o cenário em que se encontraram, e Inês ali o concretizava. Ele percebe que ela não os poderia ter pintado (um auto-retrato fazendo uso de um espelho). Fora usada como modelo do pintor Vitorio Brancatti - o homem que a acompanhava no café quando se viram pela primeira vez. Antônio é fotografado em frente ao quadro, e a sensação que tem é que caíra numa armadilha. Na tentativa de encontrar uma confidente entre as muitas amigas que tinha, tenta ligar para Maria Luísa, uma professora universitária, bonita, madura um tanto séria, mas relaciona o telefone a outra Maria Luísa, essa uma atriz de teatro e TV. Luísa atuava em uma adaptação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues - era Lúcia, uma das irmãs que disputavam o mesmo homem: Pedro. Na saída da peça, esperando-a trocar de roupa, Antônio bebe um conhaque para relaxar. Vai ao café com Luísa, e lá não vê Inês. Entre Antônio e Luísa o encontro é um fracasso. Ambos cumpriam um ritual de interesse e sedução. Da parte dele, um equívoco. Antônio procura Maria Clara, uma amiga quarentona e solitária, que o aconselha a transar com Inês, nem que fosse apenas para libertar-se dela. Antônio vai a peça Albertine - uma adaptação livre de temas proustianos , de autoria da paulista Beatriz Sampaio. Nessa peça há algo de traiçoeiro para o leitor: o narrador por meio de códigos, oferece-nos pistas sobre seu envolvimento com Inês. A peça é em pré- texto. Proust sempre numa cama adornada de rendas, enquanto vários de seus personagens - numa movimentação por vezes lenteada, pairavam surgindo e desaparecendo ao redor do leito - numa cenografia móvel, constituída, entre outras coisas, de obras de arte ou pretensamente (como já vulgarizadas reproduções de Monet, Renoir.), além de texto do mestre Proust que podia ser ouvido, ora em off, ora através de personagens. Lembre-se, leitor, do biombo, do perfume, da muleta, da música, enfim... sinais que nos remetem ao apartamento de Inês. Dois dias depois do espetáculo Albertine, Antônio encontra um recado de Inês em sua secretária eletrônica: precisava falar com ele. Ele aceita um convite de Inês para um chá naquela tarde em seu apartamento, e mais confiante não pretendia baixar a guarda emocional e a crítica. Exporia isso ao revelar suas impressões quanto ao quadro de Vitório Brancatti. Veja: modelo em plano desproporcional em relação aos demais elementos da composição; · Perspectiva chapada, aproximando e realçando os elementos de fundo - a tela no cavalete, a muleta e o divã - sem ofuscar o principal; · Desvio estético - Inês devassada em sua intimidade; · O biombo tornava a cena mais poética - cingindo de uma auréola de inocência a modelo, que, atrás daquele compartimento, não estaria supostamente se percebendo observada, e que não teria como se achar presente naquele espaço; · Gosto duvidoso ao macular pela exibição, sobre a borda do biombo, a calcinha branca e o sutiã vermelho, cuja textura em tintas materializava como algo tátil sobre a tela. Tudo isso, pensa Antônio, quase alegre, confiante por ter cercado criticamente a obra de Vitório por todos os ângulos enquanto se aproxima do edifício de Inês. Inês o introduz ao apartamento elegantemente e Antônio ao atingir a sala é assaltado pela sensação... ...vizinha da loucura - de que não penetrava num cômodo real e sim num espaço preparado, onde havia algo de falso, como um cenário, ou mais abissalmente, o interior de um quadro de Vitório Brancatti. Inês agradece, referindo-se à noite em que ela havia sido levada para a cama e que não desgostara do fato. Estaria querendo reviver o que se passou? Ou estaria usando Antônio que teve uma brilhante intuição. ...se Vitório dispunha de Inês, que tentava dispor de mim, Vitório estaria dispondo de mim, caso eu me deixasse levar; e alguém (Vitório?) poderia estar se ocultando atrás do biombo para nos espionar... Durante o chá, Antônio questiona e analisa Inês, que aos poucos, cai em contradição - E o apartamento, é de Vitório? Inês ergue-se subitamente, derrubando a xícara, com um resto de chá, sobre a mesa. Eu só a vira assim tão transtornada depois da queda na estação do metrô. - Ele o alugou para mim. Eu sou sua modelo. O que está querendo ensinuar? Depositei minha xícara na mesa. - Desculpe-me, não quis ser indelicado. Mas ele também o reformou para você, não foi? - Sim, reformou a seu gosto e daí? Vitório é um artista. - Será possível que você não se dá conta? - Dou-me conta de quê? - ela disse, com a voz embargada. - De que o apartamento é um cenário para você se movimentar dentro dele segundo um esquema de probabilidades previsto por Vitório de acordo com seus caprichos? E de que a obra que vi na exposição não passa de uma documentação disso? A obra de Vitório, de certa forma é você mesma, Inês, e ele precisa mantê-la encerrada aqui. É diabólico e aviltante. Mas posso dizer que ele está de parabéns. Antes de, pelo menos aparentemente Inês perder os sentidos, julguei ouvi-la sussurrar, quase coincidindo com o fim da música: - Ele me escraviza. Tomado por uma delicadeza e impetuosidade indescritiva, Antônio toma Inês nos braços - como que se a personagem-modelo e personagem da pintura que Antônio via na exposição houvesse se soltado da obra , naquele cenário com seus móveis e adereços, fazendo deles imagens de um quadro em movimento; uma cena para qual Antônio fora tragado. Amam-se sem resistência, mesmo que nos últimos momentos Inês tenha murmurado repentinamente "oh não", "oh não", que Antônio interpreta como um sim de entrega dentro de um código amoroso. Na consciência de estar agindo como autor e ator de uma cena de uma instalação de Vitório, Antônio volta a si e percebe Inês chorando, denunciando a chegada, provavelmente, de Brancatti, Nilton, o motoqueiro e Lenita - o que faz Antônio, às pressas, deixar o apartamento. Ao passar pela portaria, Antônio está com uma aparência suspeita – roupas e cabelos desgrenhados, o colete vestido pelo avesso - e enfrenta o olhar do porteiro, que o faz sentir-se como alguém que foge depois de ter cometido alguma ação criminosa. No entanto, Antônio está comendo um biscoitinho! Raivoso com o ato de Inês e já em seu apartamento, percebe no canto dos lábios um resquício ínfimo de sangue, sente-se dominado por Inês, e num impulso, escreve-lhe uma carta que mais tarde seria publicada nos jornais, dando margem a chacotas no meio teatral. Veja leitor como um ato aparentemente viril segundo Antônio como uma dose de agressividade e até de maneira brutal) isso serve aos envolvidos à Inês como para Brancatti principalmente como fato para uma acusação judicial contra Antônio: estupro. É intimado portanto a comparecer à 9º DP, no catete, para justificar seu envolvimento com Maria Inês de Jesus. Fim do 2º Capítulo Antônio é submetido a exames legais: mostras seminais, resquícios de pele colhidos nas unhas de Inês, arranhões, enfim marcas que corroboravam terem sido produzidos por Inês. Antônio rejeita a hipótese de ter coagido ou muito menos violentado Inês, mas sim ter havido entrega sem reservas por parte de Inês, que aliás não trazia em seu corpo marcas à exceção de um corte na orelha – aliás fato importante pois na falta de provas Antônio tem chances de responder em liberdade à acusação: " – Não estariam eles na presença de um criminoso delicado, refinado"? Antônio duvida de si mesmo, "teria usado Inês, uma prostituta evitando assim, ser usado por ela e o amante Brancatti?" Na sala de audiência o olhar de ambos se encontram como da primeira vez no café." Antônio percebe não ter realmente conhecido Inês, o que ela pensava de tudo aquilo e dele? Uma nova realidade abre-se a percepção de Antônio: Brancatti usava Inês e Lenita como fachadas para esconder seu relacionamento com Nílton – Veja sua crítica: "um pintor europeu do terceiro escalão que se refugia artisticamente num país provinciano e toma como esposa e ornamento uma beleza exótica dos trópicos; como amante elege um motociclista primitivo e, como modelo ou enteada e até quem sabe eventual amante uma frágil e bela jovem coxa." E para ele, qual teria sido seu papel nessa teia diabólica? Para Antônio parecia uma luta estética: um jogo de xadrez entre o crítico e o pintor. "Este escravizando a modelo num cárcere privado, físico, psicológico e artístico, e pior condenando Antônio por um pretenso crime sexual se auto prevalecia, enfim ......empenhava-se em convencer as pessoas do alto valor artístico de sua obra – propaganda em suma – o crítico teatral manipulado num cenário em plena performance entre o casal!" Fora bem sucedido em grande parte em seus objetivos escusos, conclui Antônio. Durante o inquérito será acusado também de ter saído do apartamento praguejando contra Inês – enraivecido, mordendo um biscoitinho – argumento rejeitado por seu advogado como sinal da calma, da paz de espírito dos que nada têm a temer, depois de um encontro amoroso consentido. Nessa fase processual Antônio vem a saber que os desmaios de Inês tinham uma causa cerebral definida – que sua lesão na perna, se originava de um atropelamento na infância; fato esse que legitima a idéia dela ter desmaiado ao ser possuída e a coloca como vítima de Antônio, que por sua vez percebe a força de sedução de tal desmaio, o que valorizou ainda mais a relação de ambos. Tentando reverter seu papel, Antônio contra-argumenta: " _ Não serão o verdadeiro amor e a sexualidade mais autêntica, sempre, o encontro de dois incoscientes? No que o advogado de acusação responde: - "No caso das violações, não estaremos diante da imposição do inconsciente de um sobre o incosciente de outro? Antônio tenta um novo argumento dizendo que Inês foi subjugada pela força psíquica de Brancatti e que ele a teria libertado em momentos preciosos, possuindo e sendo correspondido por ela – e tudo ocorrendo dentro de um cenário – instalação, portanto fazendo parte da mesma, ou seja, tudo fora maquinalmente enquadrado por Brancatti, e Antônio e Inês vítimas. Segundo o juiz, aturdido em face dos argumentos inusitados – e até esdrúxulos utilizados por ambas partes, absolve Antônio por falta de provas. As conseqüências do fato: Antônio perde seu lugar de consultor na fundação cultural do estado, já afastado do jornal que trabalhava, ruas a índole sensacionalista fez com que o jornal concorrente o contratasse para ser seu colunista de teatro e o caso Inês esmiuçado em seus páginas – Antônio foi criticado severamente por seus colegas como: " exemplo vivo e eloqüente dos extremos patológicos a que pode ser conduzida uma personalidade que se destaca pela contenção de seus sentimentos por meio de uma racionalidade exacerbada, a qual de repente, libera-se através do crime. Brancatti conquista renome e reconhecimento artístico – a obra A Modelo foi exibida como instalação com grande alarido crítico, na Alemanha. Quanto à Nilton abre uma academia de psicultura, bastante concorrida. Antônio não deixou de considerar o jato ou seja as duas hipóteses sedutoras – afinal como o próprio tribunal apontou – um sedutor ou violador muito especial e delicado? Claro sem deixar de lado o escutor que também era - "nessa tarefa que é narrar todas as contradições, truques e divergências e conclui. " – tanto na obra de Brancatti ou neste relato – encontra-se o absurdo, a loucura da arte, essa tentativa ansiosa, desesperada e as vezes vã, que nos alucina, de, à parte toda vaidade, registramos, no breve tempo em que estamos na vida, nossa passagem por ela, em momentos que realmente estivemos vivos e merecem ser perpetuados. Personagens - Antônio Martins: crítico profissional de teatro, narrador. Alguns o consideram excêntrico – solitário – cinquentão. - Maria Inês de Jesus, modelo do pintor Vitório Brancatti, mulher com rosto de traços finos e delicados, magra, cabelos claros, encaracolados, de olhar melancólico e solidão recatada com pequeno defeito na perna – manca. - Vitório Brancatti – pintor que envolveria Antônio e Inês em suas performances, meia idade, com cabelos revoltos e grisalhos, vestia-se com a desenvoltura de um jovem, calça jeans e camiseta branca. - Nílton – motociclista que conduzira Inês ao edifício de Antônio Martins, provável amante de Vitório Brancatti. - Lenita – jovem negra, bonita, esposa – álibi de Vitório? - Maria Luísa I – professora universitária séria, amiga e confidente de Antônio. - Maria Luísa II – jovem atriz de teatro e tv, atlética e exuberante. - Maria Clara – ex jornalista, quarentona, também amiga de Antônio. Enredo: Romance narrado em terceira pessoa. A ação desenvolve-se em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, trazendo à tona os conflitos de uma geração em busca da própria identidade e de um sentido para a vida. Eduardo, protagonista deste drama existencial, sentindo-se esmagado por uma sociedade opressiva e aniqualadora, tenta desesperadamente, até o fim, encontrar uma saída. Preste atenção: no misterioso homem de smoking que por três vezes aparece na narrativa. Estilo: Contemporâneo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
As Cartas Portuguesas consistem em cinco curtas cartas de amor. Publicadas em sua tradução francesa em 1669, são supostamente as cartas de amor de uma freira portuguesa a um oficial francês. Nelas transparece um amor incondicional e exacerbado da jovem Mariana, que diz sofrer horrores com a distância do amado. Aos poucos as cartas vão perdendo o tom de esperança numa reunião, que já era mínimo, e vão se tornando pedidos incessantes de notícias e correspondência equivalente. A solidão de Mariana, seu sentimento de repressão, e sua vontade de reter o amado ao seu lado são constantes. Ao que parece o oficial, chamado DeChamilly, não correspondia igualmente: Mariana pede respostas maiores, mais afetuosas. Este amor total de Mariana Alcoforado é impregnado de todos os sentimentos que a transformariam numa autora romântica, mas sua pequena obra encontra-se entre autores barrocos meramente por esse ser o estilo da época em que vivia. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Escrito em 1940, Bichos é um clássico da literatura portuguesa. O grande escritor português - também poeta, teatrólogo, contista e memorialista - Miguel Torga, inventa um mundo de bichos humanizados.

São catorze contos, onde o mistério da vida nos aparece no seu esplendor, perfilando bicho, homem e natureza numa comunhão fraternal, em que todas as peças são necessárias ao puzzle da vida.

Bichos é, também, o retrato fiel do viver trasmontano; uma vida de suor e lágrimas, por entre escolhos e lobos, mas sempre repleta daquela alegria que só o sofrimento pode justificar: a alegria de ser, de viver em comunhão total coma natureza, em fusão permanente com os elementos.

Miguel Torga fez desta obra um testemunho impar da união natural entre os Homens e os Bichos – a simbiose da vida. No meio dos dois, a terra, o traço que lhes dá vida. No trabalho, nas paixões e nas dores, os bichos compartilham com os homens as esperanças e as desgraças.

Curiosa a palavra: “bichos” e não “animais”. Bichos são, talvez, os animais humanizados, irmanados com o homem na mesma luta; na vida.

A rudeza das torgas, a aspereza das montanhas, a magreza das terras e a solidão do tempo, misturam-se num universo, cantado em poesia por um mestre que foi apenas um homem. Um homem que viveu e lutou contra um mundo ainda mais agreste, ainda mais hostil: o mundo da ditadura.

São Bichos animais e Bichos homens que se entrelaçam nas páginas deste livro de contos. Bichos personagens, mas sentindo e agindo como se de humanos se tratassem, tornando o leitor seu cúmplice.

Amizade, traição, amor, ódio e ambição desfilam pelo livro, sendo tratados como uma lição essencial de vida.

Linguagem

A linguagem, simples mas cuidada é uma das mais belas expressões da cultura popular: um vocabulário fidelíssimo à realidade trasmontana. Quem conhece aquelas terras, reconhece-se em Torga. Mas a poesia latente por detrás destas estórias não é de Torga. É da terra. Por isso, este livro não é só uma criação do seu autor; é muito mais do que isso: é uma emanação da terra. E neste conceito de “terra” podemos englobar os homens e os seus irmãos “bichos” – os três elementos constituem um todo, um cosmos único onde Torga participa como mensageiro, personagem e intérprete.

Livro simples, transparente, honesto e sentido. Um grito amargo e profundo da terra que encerra os homens. Uma fusão total entre a terra e o ser humano, como se tudo emergisse de uma amálgama onde terra, bichos e homem fossem a pasta de onde nasceu a ordenação universal das coisas e dos seres.

Enredo

É através dessa pequena arca de Noé, feita de bichos e gente, que Torga aponta as injustiças do dia-a-dia, trazendo novos modos de olhar. Esta coletânea constitui um marco do conto em Portugal. Encontramos na obra, um Miguel Torga paradoxal, contraditório, inexplicável, que mistura o sagrado e o profano, que é simultaneamente fruto e espelho das fragas maternas.

Animais com sentir humano ou seres humanos vestidos de animais. Ou uma irmandade de animais e homens. Tudo numa argamassa de vida. O cão Nero, o galo Tenório, o jerico Morgado, o Ladino, o Ramiro. E a Madalena, caminhando na contra mão da contradição entre cultura e vida. A salvação do Homem e da Humanidade reside, para Miguel Torga, num regresso às origens e ao seio da Natureza-Mãe, “dama de grande senhoria” que dignifica tudo o que vive na sua intimidade, para que ela devolva ao Homem a naturalidade, a grandeza, a verticalidade e a natureza instintiva que caracterizam os animais íntegros e monolíticos que povoam a coletânea Bichos. É também impossível não observar o papel da natureza e do espaço amplo do campo na vida dos personagens.

Conto escolhido:

Mago

Mago respirou fundo. Abriu o nariz e encheu o peito de ar ou de luar, não podia saber ao certo, porque a noite era clara como o dia e parada como uma montanha. Mas fosse de frescura ou de luz a onda que bebera num trago, de tal modo o inundou, que em todo o corpo lhe correu logo um frêmito de vida nova. Esticou-se então por inteiro, firmado nas quatro patas, arqueou o lombo, e deixando-se ficar assim por alguns instantes, só músculos, tendões e nervos, com os ossos a ranger de cabo a rabo. Arre, que não podia mais! Aquele mormaço da sala dava cabo dele. Deixava-o sem ação, bambo, mole e morno como o cobertor de papa onde dormia. A que baixezas a gente pode chegar! Ah, mas tinha que acabar semelhante degradação! Não pensasse lá agora a senhora D. Maria da Glória Sância que estava disposto a deixar-se perder para sempre no seu regaço macio de solteirona. Não faltava mais nada! E, se lhe restavam dúvidas, reparasse no que estava a acontecer naquele momento: ela a ressonar sozinha, na cama fofa, enquanto ele enchia os pulmões de oxigênio e de liberdade. É certo que a deixara primeiro adormecer, e só então, brandamente, deslizara de seus braços para o tapete e do tapete para a rua, através do postigo da cozinha. Uma questão de delicadeza, apenas. Porque, afinal, não havia vantagem nenhuma em fazer as coisas à bruta e ofender quem só lhe queria bem... Que diabo, sempre a senhora D. Maria Sância, a que até um fio de oiro lhe comprara para o pescoço! Que, considerando bem, por essas e por outras é que chegara àquela linda situação...

- Ouvi dizer que já nem sardinhas comes?!

- Essa agora! É todos os dias...

- E que nunca mais caçaste?

- Ainda esta manhã...

Piadinhas do Lambão. É claro que os mimos de D. Sância lhe haviam deformado o gosto... Metia-lhe os petiscos ao focinho, tentava-se! E havia por onde escolher, de mais a mais! Quanto a ratos, que necessidade tinha de perder o tempo, debruçado três horas sobre um buraco, sem mexer sequer a menina dos olhos, à espera dum pobre diabo qualquer que ressonava lá no fundo? Deixá-los viver! As coisas são o que são. Em todo o caso, ainda comia a sua pescada crua e deitava honradamente a mão a uma ou outra borboleta branca, sem falar nas andorinhas novas e nos pardalecos que filava por desfastio na primavera. Que demónio!

- Mas que não saias de casa, sempre agarrado às saias...

Na verdade, saía pouco. Outros tempos, outros hábitos. Banqueteava-se e ficava-se pelas almofadas... Digestões difíceis, vinha-lhe um migalho de sonolência... Às vezes tentava reagir. Mas o raio da velha, mal o via pôr o pé na soleira da porta, perdia a cabeça! Parecia uma sineta!

- Mago! Mago! Bicho, bichinho!

Regressava aos lençóis, claro. Contrariado, evidentemente. Mas quê! Era o pão... O pãozinho na boca! Que remédio senão torcer caminho e, com as unhas discretamente recolhidas, continuar as carícias de algodão em rama no cachaço da dona...

- E que deixaste a Faísca!...

- Eu?

- Que anda metida com o Zimbro... Pelo menos é o que consta. Que teve até cinco pequenos dele...

- Meus! Muito meus! Do meu sangue!

Pantominice. Um triste chanato na honra do convento. Paleio de chavelhudo manso... a ninhada pertencia inteirinha ao Zimbro. Até pela pinta se via. Todos com o mesmo olhinho remelão... O que ele era era um parrana, um infeliz, embora o não confessasse. Os mimos de D. Sância tinham-no desgraçado. Ah, mas a coisa ia mudar de figura! Estava farto de ser desfeiteado. Ainda há pouco... chegara-se ao pé da mulher, disposto a impor sua autoridade.

- Ouve lá: disseram-se que mos andas a pôr para aí com todo mundo?

E recebe esta pelas ventas:

- Bem haja eu!

- Bem hajas tu?!

- Nunca guardei respeito a maricas!

Só a tiro! Mas a verdade é que a Faísca tinha razão. Lá de ano a ano é que vinha procurá-la, e isso de gado fêmeo quer assistência.

Além disso, pesadão, desconsolado. E até esquecido dos ganidos dessas horas... Uma vergonha!

- Aparece logo à noite, pelo Tinoco... Há reunião. E adeusinho...

- Adeus, Lambão.

Foi no quintal, à tarde, quando a D. Sância dormia a sesta. O Lambão, empoleirado no muro, rondava a cozinha da vizinhança, onde assavam carapaus. Por acaso chegara à janela nesse momento, vira-o e fizera-lhe sinal. E o outro, de boa ou má fé, abrira o saco. Mas há males que vêm por bem. Depois da conversa, pensara maduramente no caso, e ali estava agora disposto a ressuscitar daquela vida perdida em que o destino o metera.

Sim, ali estava, a dois passos do Tinoco, o clube da gataria de meia-idade. Bem situado, com saída para dois bairros da cidade, fora fundado pelo maior valdevinos da geração: o Hilário. Era um telhado corrido, quase plano, amplo, alto, mas de onde se podia cair de qualquer maneira numa aflição. Um achado. Como a casa servia de armazém, o Hilário viu de relance as condições do local. E logo no outro dia, os beijos, as mordedelas, os arranhões e os queixumes do cio foram ali.

Bons tempos esses! Namorava então a Boneca, uma gatinha borralheira de a gente se perder.

- Ora viva!

- Miiau...

- Seja bem aparecida, a minha bonequinha!

- Miiau...

Mimo da cabeça aos pés. Mas um rebuçadinho! Depois enrodilhara-se com a Moira-Negra, um coiro velho, curtido e batido. Cada guincho que abria a noite!

- Cala-te lá com isso, mulher!

Isso calava ela! Acabou por se aborrecer. Por fim veio a lambisgóia da Perricha... Uns trabalhos. Ciúmes, fraqueza, dores de cabeça, o diabo!

- Matas-te, filho, arruinas-te...

Palavras sensatas da mãe.

- Muda de vida, homem! Essa excomungada leva-te à sepultura.

Mas quê! O vício pode muito.

Até que a mãe morreu de velhice e desgosto, a Perricha desapareceu do bairro e ele foi cair por acaso no quintal da D. Sância.

- O bichinho está doente. Se calhar é fome...

E a ternura da senhora nunca mais o largou. A princípio ainda tentou reagir, mas, por fim, o corpo, o miserável corpo, acostumou-se ao ripanço. A parva da santanaria cuidava que era amor correspondido. Palerma! Amizade sincera não é com gatos. Simplesmente, quem brinca aos afogados, afoga-se. Com o andar do tempo, a moleza foi tomando conta dele... E pronto. Quando reparou, estava perdido. Às vezes tinha tentações do inferno. Infelizmente, as vidas iam ruins. Virava-se um balde de restos, e não se aproveitava uma espinha. Que remédio, pois, senão contemporizar... Mas cara aposentadoria! Considerando bem, melhor fora que o estafermo de solteirona nunca lhe tivesse aparecido. Mais valia andar pelado e a cair de fome e ser capaz de responder ao pé da letra aos sarcasmos que agora lhe atiravam.

- Olha o Mago!... Olha o milionário!...

O patife do Tareco. Era de o derreter logo ali! A desgraça é que não podia passar da mansa indignação que o roía. Nem forças, nem coragem para mais. E, logo por azar, com o clube à cunha! Parecia de propósito. Raios partissem a D. Sância, e mais quem lhe gabava as almofadas! Por causa delas, pouco faltava para lhe cuspirem na cara!

- Com que então de visita aos bairros pobres? Obra de assistência ao desvalidos, não?

Até o bandido do Zimbro. Vejam lá! O engraçado! Não contente de lhe roubar a mulher, de lhe pregar um par deles do tamanho duma procissão, vinha ainda com provocações à vista de toda a gente. Ah, mas estava redondamente enganado, se cuidava que não recebia o troco devido.

- O cavalheiro seja mais delicado...

- Reparem nas falinhas dele... A tratar os amigos por cavalheiros!

- Amigos? Eu não tenho amigos da sua laia!

- Pesam-lhe na testa, coitado!

Desembestou. Cego da cabeça aos pés, atirou-se ao abismo. Infelizmente as ensanchas do Zimbro eram outras. Tinha raiva, tinha dentes, tinha unhas e fôlego. Contra tais armas, que podia a simples indignação dum pobre mortal, gordo e lustroso? Servir de bombo da festa... É que nem a primeira acertou! Ágil e musculado, e com a maleabilidade de uma cobra, o inimigo furtou-se à sua fúria, e ripostou a valer ao golpe esboçado. Depois, foi o bom e o bonito! A seguir, uma saraivada de investidas traiçoeiras, meia dúzia de navalhadas de liquidar um homem. Só visto! No fim da luta, quando já não podia mais e se confessou derrotado, sangrava e gemia tanto, que até um polícia, em baixo, na rua estreita, se comoveu. O clube, esse, parecia doido de alegria. A Faísca rebolava-se no chão, de contente.

Fugiu desvairado pelos telhados. A lua, cada vez mais branca lá no alto, olhava-o com desdém. A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim. Da torre duma igreja, saía um pio agoirento.

Jogara naquele lance o resto da dignidade. E perdera. Dali por diante, seria apenas uma humilhação, sem esperança. Ele, que tivera nas mãos possantes e nervosas o corpo fino e submisso da Boneca, ele, o escolhido da Moira-Negra, ele, o companheiro de noitadas do Hilário, ele, Mago, relegado definitivamente para o mundo das pantufas e dos tapetes! Proibido para o resto da existência de pensar sequer numa baforada da úmida frescura que agora lhe atravessava as ventas e lhe deixava cantarinhas no bigode... Condenado para sempre ao bafio da maldita sala de visitas da D. Sância! Negra sorte! E tudo obra do coirão da velha... Se não fosse ela, em ver de ir ali esquadrilhado e a mancar da mão esquerda, estaria no Tinoco a soltar ganidos com os outros, depois de ter feito o Zimbro em pedaços... Assim, arrastava-se penosamente por aquele caminho de desespero, tal e qual um moribundo a despedir-se da vida... Miséria de destino! Vexado, vencido, retalhado no corpo e na alma...E tudo obra do estupor da sanataria!

Vinha rompendo a manhã. Um sino ao longe deu cinco horas. Abriam-se as primeiras janelas. Grandes laivos avermelhados anunciavam a chegada próxima do sol.

Parou. Lambeu a pata doente e sacudiu-se, num arrepio. Uma lassidão profunda começava a invadi-lo. Maldita D. Sância! Se nunca tivesse conhecido a tal sujeita...

Olha, olha, a enevoar-se-lhe a vista! Queriam ver que ia desmaiar?!

Encostou-se a uma chaminé, e ficou algum tempo sem dar acordo de si, a arfar penosamente. Até que uma onda de energia o trouxe de novo ao mundo. Arregalou os olhos. Estava melhor, felizmente! Já enxergava claro outra vez. Podia continuar.

Em que trabalhos o metera o raio da senhoreca! E louvar a Deus safar-se com vida da brincadeira... Coça valente... Por um triz que não se ficava... Muita resistência tinha ele ainda!

A alguns metros apenas do jardim da casa, cuidou que tornava a desfalecer. E só então é que reparou: deixava um rastro de sangue por onde passava...

Fez das tripas coração e lá conseguiu equilibrar-se e chegar ao pequeno muro que vedava o paraíso da sua perdição. Saltava? Não saltava? Que infâmia, regressar aos mimos da D. Sância! Que nojo! Que ordinarice!

Mas a que propósito vinham agora as perplexidades e as recriminações? Sim, a que propósito? Fartinho de saber que nem sequer lhe passara pela cabeça a idéia de resolver o caso doutra maneira! Ao menos fosse sincero! De resto, que esforço concreto fizera para se libertar? Nenhum. Ainda não havia uma dúzia de horas, ouvira a voz de Lambão como um eco da própria consciência... E, afinal, ali estava outra vez! E viera de livre vontade... Ninguém o obrigara... Já roído de remorsos? Ora, ora! Outro fosse ele, nem aquela casa encarava mais. E voltara! Sim, voltara miseravelmente... E à procura de quê? Da paz podre, dum conforto castrador... Que abjeção! Que náusea!

E, sem querer, sem poder aceitar a sua degradação, Mago entrou pelo postigo da cozinha e foi-se deitar entre os braços balofos da D. Sância. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Como já dito anteriormente o romance é muito desfragmentado, pois possui constantes mudanças de enfoques. Para facilitar o nosso trabalho proporemos que se faça duas leituras: 1. uma primeira que almeja desvendar o mistério da garota do maiô dourado ( a Hilda que desfilava sua beleza pelo Minas Tênis e depois tornou-se prostituta); 2. uma segunda que mistura ficção e realidade histórica brasileira (ditadura militar e censura); o mais brilhante é que tudo começa e termina no dia 1° de abril que simboliza o dia da mentira_ eis então a grande proposta ficcional do autor. Roberto começa narrando em 1° pessoa a sua própria condição jovem de comunista e idealista. pretendo ser um grande jornalista e irritadiço por compararem seu sobrenome com o grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Pelo que o narrador fala de si e da cidade observamos que o tempo precede os anos de 64 (época do golpe militar). Nesse interím, o narrador trava correspondência com as tias de Santana dos Ferros - Tia Ciana e Çãozinha, que são as interlocutoras do relato. A grande trama da obra verifica-se no encontro entre o santo Frei Malthus e a bela Hilda no qual aquele, ao tentar expurgar o mal da zona boêmia acaba enredado pela paixão que estabelece-se entre ele e Hilda.

Roberto é o jornalista que relatará ao leitor como estão acontecendo os fatos na zona boêmia (lembre-se que Malthus, Aramel e Roberto são os três mosqueteiros - amigos de infância e desta forma Roberto terá maior possibilidade de levantar dados para o leitor). Após o desaparecimento do seu sapato, Hilda lança um concurso para que o devolvam - então inicia-se um conto de cinderela às avessas pois Malthus acabará por reconhecer o seu amor pela bela. Contudo o final é triste pois ambos desencontram-se quando da fuga para viverem um grande amor - Malthus será preso no primeiro dia de vigência do golpe militar de 64. Outras estórias entrecortam a narrativa - a cidade de Santana dos Ferros e seus caso hilários demonstram a habilidade deste escritor - o episódio do Adão nu pintado pela artista Yara Tupinambá no painel da Igreja que foi fiel aos moldes do modelo escandaliza a cidade entre elas está a tia Ciana, que passa a entrar na igreja de costas. Ou quando do milagre do choro da santa que tia Ciana descobriu e que depois configurou um erro pois era urina do sobrinho do padre. A história do Brasil ficcionada, apaixonada e brilhantemente pinçada pelas habilidosas tintas do escritor Roberto Drummond fazem desta obra um marco da literatura contemporânea nacional. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário

10. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário. Porto Alegre. Artmed. 2002

Introdução

Embora seja difícil e demande tempo, a escola necessita de trans-formações profundas no que concerne ao aprendizado da leitura e da es-crita, que só serão alcançadas através da compreensão profunda de seus problemas e necessidades, para que então seja possível falar de suas possibilidades.
Capítulo 1
Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário
Aprender a ler e escrever na escola deve transcender a decodificação do código escrito, deve fazer sentido e estar vinculado à vida do sujeito, deve possibilitar a sua inserção no meio cultural a qual pertence, tornando-o capaz de produzir e interpretar textos que fazem parte de seu entorno.
Torna-se então necessário reconceitualizar o objeto de ensino tomando por base as práticas sociais de leitura e escrita, re-significando seu aprendizado para que os alunos se apropriem dele 'como práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir'.
Para tornar real o que compreendemos ser necessário é preciso conhecer as dificuldades que a escola apresenta, distinguindo as legítimas das que fazem parte de 'resistências sociais' para que então se possa propor soluções e possibilidades.
A tarefa é difícil porque, a própria especificidade do aprendizado da leitura e da escrita que se constituem em construções individuais dos sujeitos agindo sobre o objeto (leitura e escrita) torna a sua escolarização difícil, já que não são passíveis de se submeterem a uma programação sequencial. Por outro lado, trata-se de práticas sociais que historicamente foram, e de certo modo continuam sendo, patrimônio de certos grupos, mais que de outros, o que nos leva a enfrentar e tentar buscar caminhos para resolver as tensões existentes na instituição escolar entre a tendência à mudança (democratização do ensino) e a tendência à conservação (reprodução da ordem social estabelecida).
É difícil ainda, porque o ato de ensinar a ler e escrever na escola tem finalidade puramente didática: a de possibilitar a transmissão de saberes e comportamentos culturais, ou seja, a de preservar a ordem pre-estabelecida, o que o distancia da função social que pressupõe ler para se comunicar com o mundo, para conhecer outras possibilidades e refletir sobre uma nova perspectiva.
É difícil também, porque a estruturação do ensino conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear acumulativa e irreversível entra em contradição com a própria natureza da aprendizagem da leitura e da escrita, que como vimos ocorre por meio de aproximações do sujeito com o objeto, provocando coordenações e reorganizações cognitivas que lhe permite atribuir um novo significado aos conteúdos aprendidos.
E, finalmente, a necessidade da escola em controlar a aprendizagem da leitura faz com que se privilegie mais o aspecto ortográfico do que os interpretativos do ato de ler, e o sistema de avaliação, onde cabe somente ao docente o direito e o poder de avaliar, não propicia ao aluno a oportuni-dade de autocorreção e reflexão sobre o seu trabalho escrito, e conseqüentemente não contribui para a construção da sua autonomia intelectual.
Diante desses fatos, o que é possível fazer para que se possa conciliar as necessidades inerentes a instituição escolar e, ao mesmo tempo, atender as necessidades de formar leitores e escritores competentes ao exercício pleno da cidadania?
Em primeiro lugar devem se tornar explícitos aos profissionais da edu-cação os aspectos implícitos nas práticas educativas que estão acessíveis graças aos estudos sociolingüísticos, psicolingüísticos, antropológicos e históricos, ou seja, aqueles que nos mostram como a criança aprende a ser leitora e escritora; o que facilita ou quais são as prerrogativas essen-ciais a esse aprendizado.
Em segundo lugar, é preciso que se trabalhe com projetos como fer-ramenta capaz de articular os propósitos didáticos com os comunicativos, já que permitem uma articulação dos saberes sociais e os escolares. Além disso, o trabalho com projetos estimula a aprendizagem, favorece a au-tonomia, já que envolve toda a classe, e evita o parcelamento do tempo e do saber, já que tem uma abordagem multidisciplinar.
"É assim que se torna possível evitar a justaposição de atividades sem conexão - que abordam aspectos também sem conexão com os conteúdos -, e as crianças tem oportunidade de ter acesso a um trabalho suficientemente duradouro para resolver problemas desafiantes, construindo os conhecimentos necessários para isso, para estabelecer relações entre diferentes situações e saberes, para consolidar o aprendido e reutilizá-lo... ".(p.23).
Finalmente, é possível repensar a avaliação, sabendo que esta é neces-sária, mas que não pode prevalecer sobre a aprendizagem. Segundo a au-tora, 'ao diminuir a pressão do controle, toma-se possível avaliar aprendi-zagens que antes não ocorriam [...]' já que no trabalho com projetos os alunos discutem suas opiniões, buscam informações que possam auxiliá-los e procuram diferentes soluções, fatores importantíssimos a formação de cidadãos praticantes da cultura escrita.

Capítulo 2 - Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita
"O desafio [...] é formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida, explicita ou implicitamente, pelos autores dos textos com os quais interagem em vez de persistir em formar indivíduos dependentes da letra do texto e da autoridade dos outros", (p.27)
Para que haja uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da escrita, a escola precisa favorecer a aprendizagem significativa, abandonando as atividades mecânicas e sem sentido que levam o aluno a compreender a escrita como uma atividade pura e unicamente escolar. Para isso, a escola necessita propiciar a formação de pessoas capazes de apreciar a literatura e de mergulhar em seu mundo de significados, formando escritores e não meros copistas, formando produtores de escrita conscientes de sua função e poder social. Precisa também, prepa-rar as crianças para a interpretação e produção dos diversos tipos de texto existentes na sociedade, conseguindo que a escrita deixe de ser apenas um objeto de avaliação e passe a ser um objeto de ensino, capaz não apenas de reproduzir pensamentos alheios, mas de refletir sobre o seu próprio pensamento, enfim, promovendo a descoberta da escrita como instrumento de criação e não apenas de reprodução. Para realmente transformar o ensino da leitura e da escrita na escola, é preciso, ainda, acabar com a discriminação que produz fracasso e abandono na escola, assegurando a todos o direito de 'se apropriar da leitura e da escrita como ferramentas essenciais de progresso cognoscitivo e de crescimento pessoal'.
É possível a mudança na escola?
Ensinar e ler e escrever faz parte do núcleo fundamental da instituição escolar, está nas suas raízes, constitui a sua missão alfabetizadora e sua função social, portanto, é a que mais apresenta resistência a mudanças. Além disso, nos últimos anos, foi a área de que mais sofreu com a invasão de inovações baseadas apenas em modismos.
"... O sistema de ensino continua sendo o terreno privilegiado de todos os voluntarismos - dos quais talvez seja o último refúgio. Hoje, mais de que ontem, deve suportar o peso de todas as expectativas, dos fantasmas, das exigências de toda uma sociedade para a qual a educação é o ultime portador de ilusões"2.
Sendo assim, para que seja possível uma mudança profunda da prática didática vigente hoje nas instituições de ensino, capaz de tornar possível a leitura na escola, é preciso que esta esteja fundamentada na evolução histórica do pensamento pedagógico, sabendo que muito do que se propõe pode ser encontrado nas ideias de Freinet, Dewey, Decroly e outros pensadores e educadores, o que significa estarem baseadas no avanço do conhecimento científico dessa área, que como em outras áreas do conhecimento científico, teve suas hipóteses testadas com o objetivo de desvendar a gênese do conhecimento humano - como os estudos realizados por Jean Piaget. É preciso compreender também, que essas mudanças não dependem apenas da capacitação adequada de seus pro-fissionais, já que esta é condição necessária, mas não suficiente, é preciso conhecer o cotidiano escolar em sua essência, buscando descobrir os mecanismos ou fenômenos que permitem ou atravancam a apropriação da leitura e da escrita por todas as crianças que ali estão inseridas.
O que vimos até hoje, por meio dos trabalhos e pesquisas que temos realizado no campo da leitura e da escrita, é que existe um abismo que separa a prática escolar da prática social da leitura e da escrita - lê-se na escola trechos sem sentido de uma realidade desconhecida para a crian-ça, já que foi produzido sistematicamente para ser usado no espaço es-colar - a fragmentação do ensino da língua (primeiro sílabas simples, de-pois complexas, palavras, frases...) não permite um espaço para que o aluno possa pensar no que aprendeu dentro de um contexto que lhe faça sentido, e ainda, fazem com que esta perca a sua identidade.
"Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazer funcionar o aprendido fora da escola, em situações que já não serão didáticas, será necessário manter uma vigilância epistemológica que garanta uma semelhança fundamental entre o que se ensina e o objeto ou prática social que se pretende que os alunos aprendam. A versão escolar da leitura e da escrita não deve afastar-se demasiado da versão social não-escolar". (p.35)
O "Contrato Didático"
O Contrato Didático aqui é considerado como as relações implícitas estabelecidas entre professor e aluno, sobretudo porque estas exercem influência sobre o aprendizado da leitura e da escrita, já que o aluno deve concentrar-se em perceber ou descobrir o que o professor deseja que ele 'saiba' sobre aquele texto que o professor escolheu para que ele leia e não em suas próprias interpretações: "A 'cláusula' referente à interpretação de textos parece estabelecer [...] que o direito de decidir sobre a validade da interpretação é privativo do professor...".
Se o objetivo da escola é formar cidadãos praticantes da leitura e da escrita, capazes de realizar escolhas e de opinar sobre o que leem e veem em seu entorno social, é preciso que seja revisto o Contrato Didático, prin-cipalmente no âmbito da leitura e da escrita, e essa revisão é encargo dos pesquisadores de didática - divulgando os resultados obtidos bem como os elementos que podem contribuir para as mudanças necessárias -, é responsabilidade dos organismos que regem a educação - que devem levar em conta esses resultados -, é encargo dos formadores de professores e de todas as instituições capazes de comunicar à comunidade e particularmente aos pais, da importância que tem a análise, escolha e exercício de opinião de seus filhos quando do exercício da leitura e da escrita.

Ferramentas para transformar o ensino
Vimos que transformar o ensino vai além da capacitação dos profes-sores, passa pela sua revalorização pessoal e profissional; requer uma mudança de concepção da relação ensino-aprendizagem para que se possa conceber o estabelecimento de objetivos por ciclos que abrangem os conhecimentos - objeto de ensino -de forma interdisciplinar, visando diminuir a pressão do tempo didático e da fragmentação do conhecimento.
Requer que não se perca de vista os objetivos gerais e de prioridade absoluta, aqueles que são essenciais à educação e lhe conferem significado. Requer ainda, que se compreenda a alfabetização como um processo de desenvolvimento da leitura e da escrita, e que, portanto, não pode ser desprovido de significado.
Essa compreensão só será alcançada na medida em que forem conhecidos e compreendidos os estudos científicos realizados na área, e que nos levaram a descobrir a importância da atividade mental construtiva do sujeito no processo de construção de sua aprendizagem, re-significando o papel da escola. Colocando em destaque o aprendizado da leitura e da escrita, consideramos fundamental que sejam divulgados os resultados apresentados pelos estudos psicogenéticos e psicolingüísticos, não apenas a professores ou profissionais ligados à educação, mas a toda soci-edade, objetivando conscientizá-los da sua validade e importância, levando-os a perceber as vantagens das estratégias didáticas baseadas nesses estudos, e, sobretudo, conscientizando-os de que educação também é objeto da ciência.
Voltando a capacitação, enfatizando sua necessidade, é preciso que se criem espaços de discussão e troca de experiências e informações, que dentre outros aspectos servirão para levar o professor a perceber que a diversidade cultural não acontece apenas em sua sala de aula, que ela faz parte da realidade social na qual estamos inseridos, e que sendo assim, não poderia estar fora da escola, e ainda, que esta diversidade tem muito a contribuir se o nosso objetivo educacional consistir em preparar nossos alunos para a vida em sociedade. No que concerne a leitura e escrita, parece-nos essencial ter corno prioritária a formação dos professores como leitores e produtores de texto, capazes de aprofundar e atualizar seus saberes de forma permanente'.
Nossa experiência nos levou a considerar que a capacitação dos professores em serviço apresenta melhores resultados quando é realizada por meio de oficinas, sustentadas por bibliografias capazes de dar conta das interrogações a respeito da prática que forem surgindo durante os encontros, que devem se estender durante todo o ano letivo, e que contam com a participação dos coordenadores também em sala de aula, mas que, à longo prazo, capacitem o
professor a seguir autonomamente, sem que seja necessário o acompanhamento em sala de aula.
Capítulo 3 – Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular
É importante que, ao propor uma transformação dídática a uma instituição de ensino, seja considerada a sua particularidade, o que se dá através do conhecimento de suas necessidades e obstáculos, implícitos ou explícitos, que caberá a proposta suprir ou superar. É imperativo que a elaboração de documentos curriculares esteja fortemente amparada na pesquisa didática, já que será necessário selecionar os conteúdos que serão ensinados o que pressupõe uma hierarquização, já que privilegiará alguns em detrimento de outros.
"Prescrever é possível quando se está certo daquilo que se prescreve, e se está tanto mais seguro quanto mais investigada está a questão do ponto de vista didático".(p. 55).
As escolhas de conteúdos devem ter como fundamento os propósitos educativos', ou seja, se o propósito educativo do ensino da leitura e da escrita é o de formar os alunos como cidadãos da cultura escrita, então o objeto de ensino a ser selecionado deve ter como referência fundamental às práticas sociais de leitura e escrita utilizadas pela comunidade, o que supõe enfatizar as funções da leitura e da escrita nas diversas situações e razões que levam as pessoas a ler e escrever, favorecendo seu ingresso na escola como objeto de ensino.
Os estudos em torno das práticas de leitura existentes ou preponderantes no decorrer da história da humanidade mostraram que em determinados momentos históricos privilegiavam-se leituras intensas e profundas de poucos textos, como por exemplo, os pensadores clássicos, seguidos de profundas reflexões realizadas por meio de debates ou conversas entre pequenos grupos de pessoas ou comunidades, se tomarmos como exemplo a leitura da Bíblia.
Com o avanço das ciências e o aumento da diversidade literária disponível - nas sociedades mais abastadas - as práticas de leitura passaram a se alternar entre intensivas ou extensivas (leitura de vários textos com menor profundidade), mas sempre mantendo um fator comum: elas, leitura e escrita, sempre estiveram inseridas nas relações com as outras pessoas, discutindo hipóteses, ideias, pontos de vista ou apertas indicando a leitura de algum título ou autor.
O aspecto mais importante que podemos tirar acerca dos estudos históricos é que aprende-se a ler, lendo (ou a escrever, escrevendo), por-tanto, é preciso que os alunos tenham contato com todos os tipos de texto que veiculam na sociedade, que eles tenham acesso a eles, que esses materiais deixem de ser privilégio de alguns, passando a ser patrimônio de todos. Didaticamente, isto significa que os alunos precisam se apropriar destes textos através de práticas de leitura significativas que propiciem reflexões individuais e grupais, que embora demandem tempo, são essenciais para que o sujeito possa, no futuro, ser um praticante da leitura e da escrita.
"...É preciso assinalar que, ao exercer comportamentos de leitor e de escritor, os alunos têm também a oportunidade de entrar no mundo dos textos, de se apropriar dos traços distintivos[...] de certos gêneros, de ir detectando matizes que distinguem a 'linguagem que se escreve' e a diferenciam da oralidade coloquial, de pôr em ação [...] recursos linguísticos aos quais é necessário apelar para resolver os diversos problemas que se apresentam ao produzir ou interpretar textos [...[é assim que as práticas de leitura e escrita, progressivamente, se transformam em fonte de reflexão metalingüística". (p. 64).
Capítulo 4
E possível ler na escola?
"Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita...".(p.73).
Ensinar a ler e escrever foi, e ainda é, a principal missão da escola, no entanto, dois fatores parecem contribuir para que a escola não obtenha sucesso:
1. A tendência de supor que existe uma única interpretação possível a cada texto;
2. A crença - como diria Piaget - de que a maneira como as crianças aprendem difere da dos adultos, e que, portanto, basta ensinar-lhes o que julgarem pertinente, sem que haja preocupação com o sentido ou significado que tais conteúdos tem para as crianças, o que, além de tudo, facilita o controle da aprendizagem, já que essa concepção permite uma padronização do ensino.
Para que seja possível ler na escola, é necessário que ocorra uma mudança nessas crenças, é preciso, como já vimos, que sejam conside-rados os resultados dos trabalhos científicos em torno de como ocorre o processo de aprendizagem nas crianças: que ele se dá através da ação da criança sobre os objetos (físicos e sociais), sendo a partir dessa ação que ela (a criança) lhe atribuirá um valor e um significado.
Sabendo que a leitura é antes de tudo um objeto de ensino que na escola deverá se transformar em um objeto de aprendizagem, é importante não perder de vista que sua apropriação só será possível se houver sentido e significado para o sujeito que aprende, que esse sentido varia de acordo com as experiências prévias do sujeito e que, portanto, não são suscetíveis a uma única interpretação ou significado e que o caminho para a manutenção desse sentido na escola está em não dissociar o objeto de ensino de sua função social.
O trabalho com projetos de leitura e escrita cujos temas são dirigidos à realização de algum propósito social vem apresentando resultados positivos. Os temas propostos visam atender alguma necessidade da co-munidade em questão e são estruturados da seguinte forma:
a) Proposta do projeto às crianças e discussão do plano do trabalho;
b) Curso de capacitação para as crianças visando prepará-las para a busca e consulta autônoma dos materiais a serem utilizados quando da realização das etapas do projeto;
c) Pesquisa e seleção do material a ser utilizado e/ou lugares a serem visitados;
d) Divisão das tarefas em pequenos grupos;
e) Participação dos pais e da comunidade;
f) Discussão dos resultados encontrados pelos grupos;
g) Elaboração escrita dos resultados encontrados pelos grupos (que passará pela revisão de outro grupo e depois pelo professor);

h) Redação coletiva do trabalho final;i) Apresentação do projeto à comunidade interessada.
j) Avaliação dos resultados.
Nesses projetos tem-se a oportunidade de levar a criança a extrair in-formações de diversas fontes, inclusive de textos que não foram escritos exclusivamente para elas, e que, portanto, apresentam um grau maior de dificuldade. A discussão coletiva das informações que vão sendo coletadas propicia a troca de ideias e a verificação de diferentes pontos de vista, como acontece na vida real, e, ainda, durante a realização desses projetos as crianças não leem e escrevem só para 'aprender', a leitura as-sume um propósito, um significado, que atende também aos propósitos do docente - de inseri-las no mundo de leitores e escritores. Os projetos permitem ainda, uma administração mais flexível do tempo, porque pro-piciam o rompimento com a organização linear dos conteúdos já que costumam trabalhar com os temas selecionados de forma interdisciplinar, o que possibilita a retomada dos próprios conteúdos em outras situações e ainda, a análise destes a partir de um referencial diferente.
Acontecem concomitantemente e em articulação com a realização dos projetos, atividades habituais, como 'a hora do conto' semanal ou momen-tos de leitura de outros gêneros, como o de curiosidades científicas e ativi-dades independentes que podem ter caráter ocasional, como a leitura de um texto que tenha relevância pontual ou fazer parte de situações de sistematização: passar a limpo uma reflexão sobre uma leitura realizada durante uma atividade habitual ou pontual. Todas essas atividades con-tribuem com o objetivo primordial de 'criar condições que favoreçam a formação de leitores autônomos e críticos e de produtores de textos adequados à situação comunicativa que os torna necessário' já que em todos eles observam-se os esforços por produzir na escola as condições sociais da leitura e da escrita.
"É assim que a organização baseada em projetos permite coordenar os propósitos do docente com os dos alunos e contribui tanto para preservar o sentido social da leitura como para dotá-la de um sentido pessoal para as crianças". (p.87).
Ainda, o trabalho com projetos, por envolver grupos de trabalho e, abrir espaço para discussão e troca de opiniões, permite o estabelecimento de um novo contrato didático, ou seja, um novo olhar sobre a avaliação, porque admite novas formas de controle sobre a aprendizagem, nas quais todos os sujeitos envolvidos tomam parte, o que contribui para a formação de leitores autônomos, já que estes devem justificar perante o grupo as conclusões ou opiniões que defendem. É importante ressaltar, que essa modalidade de trabalho torna ainda mais importante o papel das intervenções do professor - fazendo perguntas que levem a ser conside-rados outros aspectos que ainda não tenham sido levantados pelo grupo, ou a outras interpretações possíveis do assunto em questão. Em suma, é importante que a necessidade de controle, inerente a instituição escolar, não sufoque ou descaracterize a sua missão principal que são os propósi-tos referentes à aprendizagem.
O professor: um ator no papel de leitor
É muito importante que o professor assuma o papel de leitor dentro da sala de aula.
Com esta atitude ele estará propiciando a criança a oportunidade participar de atos de leitura. Assumir o papel de leitor consiste em ler para os alunos sem a preocupação de interrogá-los sobre o lido, mas de conseguir com que eles vivenciem o prazer da leitura, a experiência de seguir a trama criada pelo autor exatamente para este fim, e ao terminar, que o professor comente as suas impressões a respeito do lido, abrindo espaço para o debate sobre o texto -seus personagens, suas atitudes.
Assumir o papel de leitor é fator necessário, mas não suficiente, cabe ao professor ainda mais, cabe-lhe propor estratégias de leitura que aproximem cada vez mais os alunos dos textos.
A Instituição e o sentido da leitura
Quando os projetos de leitura atingem toda a instituição educacional, cria-se um clima leitor que atinge também os pais, e que envolvem os professores numa situação de trabalho conjunta que tem um novo valor: o de possibilitar uma reflexão entre os docentes a respeito das ferramentas de análise que podem contribuir para a resolução dos problemas didáticos que por ventura eles possam estar vivendo.
As propostas de trabalho e as reflexões aqui apresentadas mostram que é possível sim! Ler e escrever na escola, desde que se promova uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático, reconsiderando as formas de avaliação, não deixando que estas interfiram ou atrapalhem o propósito essencial do ensino e da aprendizagem. Desde que se elaborem projetos onde a leitura tenha sentido e finalidade social imediata, trans-formando a escola em uma 'micros-sociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pais e professores...". (p. 101).

Capítulo 5
O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor
"O saber didático é construído para resolver problemas próprios da comunicação do conhecimento, é o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre o professor, os alunos e o objeto de ensino; é produto da análise das relações entre o ensino e a aprendizagem de cada conteúdo específico; é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas". (p. 105).
É importante considerar que o saber didático, como qualquer outro objeto de conhecimento, é construído através da interação do sujeito com o objeto, ele se encontra, portanto, dentro da sala de aula, e não é exclu-sividade dos professores que trabalham com crianças, ele está presente também em nossas oficinas de capacitação. Então, para apropriar-se desse saber é preciso estar em sala de aula, buscando conhecer a sua realidade e as suas especificidades.
A atividade na aula como objeto de análise
O registro de classe apresenta-se como principal instrumento de análise do que ocorre em sala de aula. Esses registros podem ser utilizados durante a capacitação objetivando um aprofundamento do conhecimento didático, já que as situações nele apresentadas permitem uma reflexão conjunta a respeito das situações didáticas requeridas para o ensino da leitura e escrita.
Optamos por utilizar, a princípio, os registros das 'situações boas' ocor-ridas em sala de aula, porque percebemos, através da experiência, que a ênfase nas 'situações más' distanciava capacitadores e educadores, e para além, criavam um clima de incerteza, por enfatizar o que não se deve fazer, sem apresentar direções do que poderia ser feito, em suma, quando enfatizamos 'situações boas´ estamos mostrando o que é possível realizar em sala de aula, o que por si só, já é motivador.
É importante destacar que as 'situações boas' não se constituem em situações perfeitas, elas apresentam erros que, ao serem analisados, en-riquecem a prática docente, pois são: considerados como importantes ins-trumentos de análise da prática didática - ponto de partida de uma nova reflexão - sendo vistos como parte integrante do processo de construção do conhecimento.
"... a análise de registros de classe opera como coluna vertebral no processo de capacitação, porque é um recurso insubstituível para a comunicação do conhecimento didático e porque é a partir da análise dos problemas, propostas e intervenções didáticas que adquire sentido para os docentes se aprofundarem no conhecimento do objeto de ensino e de s processos de aprendizagem desse objeto por parte das crianças", (p. 116).
Palavras Finais

Quanto mais os profissionais capacitadores conhecerem a prática pedagógica e os que exercitam essa prática no dia-a-dia: as crenças que os sustentam e os mecanismos que utilizam; quanto mais conhecerem como se dá o processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita na escola, mais estarão em condições de ajudar o professor em sua prática docente. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O robô errou os calculos!!! Azar para Delon, um estudante do sec. XXX que acabou se deslocando no tempo e foi parar em 1987. Pior ainda para os seus amigos B-Hor, Thera e Plick, que resolveram procura-lo no ano de 1710, quando piratas franceses havia imvadido o Rio de Janeiro. Será que a turma conseguirá se reunir e retornar ao futuro? Aperte os cintos e embarque nesta fantastica aventura.

Sobre o autor:

Wilson Rocha é um carioca de multiplas atividades: advogado, autor e diretor teatral, roterista cinematrografico, roteirista diretor de televisão e o mais importante um escritor especialmente apaixonado pela literatura infanto-juvenil. Sua carrera começou cedo quando ainda era estudante que montava peças teatrais na escola e posteriormente na universidade. Essa esperiencia amadora ajudou a ser descoberto pela televisão e assim foi contratado pela tv Globo em 1964, no cargo de produtor e redator. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Obra-prima da carpintaria literária, O risco do bordado vem percorrendo desde seu lançamento, em 1970, o caminho típico de um clássico contemporâneo, alcançando um notável sucesso de público e crítica, suscitando inúmeras teses universitárias e sendo adotado como leitura curricular. O próprio Autran Dourado considera-o o eixo central de sua obra pela forma com que conjuga sua obsessiva construção de uma mítica mineira. "Escrevo para compreender Minas", declarou ele. Ambientado na mítica Duas Pontes, cidade que retornaria em outros livros como uma síntese do universo interiorano de seus personagens, O risco do bordado é uma viagem ao passado do escritor João da Fonseca Ribeiro, que volta ao cenário de sua infância. Ao encontrar antigos moradores da cidade, parentes e companheiros de infância, ele vai montando uma espécie de quebra-cabeças entre o vivido e o imaginado, completando e expandindo fragmentos de memória que são sua narrativa de infância e adolescência. Como num típico romance de formação, em que o principal interesse está no crescimento e desenvolvimento do protagonista, o leitor vai sabendo, aos poucos, como João se tornou o que é, sua dura trajetória na descoberta da sexualidade, da amizade, da traição e, também, da literatura. Prostitutas, jagunços, antepassados mortos, parentes velhos, figuras características de Duas Pontes cruzam o caminho de João, que desta forma vai enxergando, retrospectivamente, o risco sob o bordado que, afinal, é a sua própria história de vida. Autran Dourado dá à sua narrativa o ritmo descontínuo da memória. Trabalhando idas e vindas e histórias fragmentadas que, num primeiro momento, podem se assemelhar a contos sutilmente interligados. Arquitetado paciente e minuciosamente a partir de gráficos e esquemas, O risco do bordado tem um similar na obra do autor: Uma poética do romance. Neste ensaio, que também será reeditado pela Rocco, ele explica cada detalhe da construção do romance, publica os desenhos e plantas-baixas que auxiliaram sua construção e reflete sobre seu processo de criação como um todo. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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