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Escola,Leitura e Produção de Textos

KAUFMAN, Ana Maria e RODRIGUES, Maria Helena- "Escola, leitura e Produção de Textos" Ed. Artmed.
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GOLDFELD, Márcia. A Criança Surda. Linguagem e Cognição Numa Perspectiva Sócio-Interacionista. São Paulo: Plexus Editora, 2001.

INTRODUÇÃO
A linguagem de sinais despertou defensores e opositores, criações de correntes que no decorrer do tempo foram sendo analisadas e colocadas em prática, trazendo resultados, nem sempre esperados. O mundo se preocupou, neste último século em buscar amenizar as dificuldades das pessoas surdas, o desenvolvimento destas crianças, e o Brasil, buscou dentro destes estudos se incorporar nas pesquisas e nas conseqüentes filosofias educacionais propostas.
Em relação à psicologia educacional, a psicologia sócio-interacionista percebe a linguagem como meio de comunicação essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, onde o desenvolvimento passa primeiro por um nível interpsíquico, e depois, internalizado e vivido intrapsiquicamente, no caso da criança surda, numa visão ampla e cientifica as dificuldades já que a linguagem e diálogo são fatores essenciais para o desenvolvimento fica comprometida, e por conseqüência essa dificuldade comunicativa atinge certas áreas do desenvolvimento infantil.

CAPÍTULO 1 – DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Neste capítulo definições e conceitos são explicitados para que sejam conhecidos e posteriormente refletidos no contexto da pessoa surda, ganhando uma nova conotação e significado, quanto à cultura destas pessoas, e servindo para analises posteriores deste estudo.

Linguagem, Língua e fala
Esses ermos são utilizados por diversos autores com diferentes sentidos. Na área da surdez ganham conotações diferentes das utilizadas usualmente.
Esses conceitos foram usados primeiramente sistematizados pos Saussure, o pai da lingüística, em 1916. A partir dele a lingüística passou a ser reconhecida como ciência. Segundo ele, a linguagem é formada pela língua - sistema de regras compostas por elementos significativos inter-relacionados - e pela fala. A língua é o aspecto social da linguagem e objeto de estudos da Lingüística, e a fala o aspecto individual da linguagem com características individuais, e esta não foi objeto de seus estudos. Sausurre separa a língua, a fala , o social e o individual.
Para Vygotsky, o termo language, serve tanto para linguagem quanto para língua. Nasa traduções fica muito difícil analisar o conceito como língua, linguagem ou fala, assim ele não explica explicitamente esses conceitos. Porem, a sua noção de linguagem como função reguladora do pensamento, a fala como linguagem em ação (seja ela social, egocêntrica ou interior), não deve ser interpretada como ato motor de fonemas e sim como um a produção de interação e diálogo. E a linguagem num sentido amplo envolvendo significação com valor semiótico e não apenas comunicação, mas constituindo o sujeito, a forma como este recorta e percebe o mundo e a si próprio. Estes estudos psicológicos são de grande valia para aprimorar os estudos dos sócios-interacionistas em relação ao desenvolvimento da criança surda.
Bakhtin, no seu livro Marxismo e Filosofia da Linguagem, vê a língua como uma situação de diálogo constante, ininterrupta, relacionada às enunciações anteriores e posteriores a ela. Ele critica a visão ideológica-linguística Objetivista Abstrata representada por Saussure. Segundo ele, esta corrente se preocupa apenas com o aspecto lingüístico normativo, sendo insuficiente para o diálogo. Bakhtin acrescenta o aspecto contextual e social aos estudos, convergindo às idéias de Vygotsky. Para o autor, a língua é o elo entre o psiquismo e a ideologia que formam uma relação dialética indissolúvel, um instrumento que permite receber a cultura de sua comunidade e possibilitando a sua interação e exposição de suas idéias, com ela o individuo influencia o meio social, formulando o Subjetivismo Idealista. No entanto, ele se contra posiciona quando se refere ao termo língua, como código de linguagem artística, musical e outras formas que não se comporta uma língua, já que língua é visto como um termo semiótico, criado e produzido num contexto social e dialógico.
Outro autor citado, Freitas, utiliza o termo linguagem semelhante ao uso de Bakhtin e Vygotsky.
Para a autora Golfeld, linguagem se referirá a qualquer tipo de linguagem, as que utilizam língua ou não; linguagem e língua incluirá a função da constituição do pensamento; e fala ao que se diz respeito a produção da e linguagem,seja em dialogo e também nos diálogos egocêntricos.

O Signo
Para Saussure, o signo é composto pelo significado - conceito- e o significante – imagem acústica, seguindo princípios de arbitrariedade (na relação entre significado e significante), linearidade (referindo ao significante, a imagem acústica, desenvolvida no tempo), mutabilidade ( ao fato das línguas estarem em processo constante de mudanças) e imutabilidade (por ser a língua imposta as comunidades, sem que possam individualmente modificá-las).
Para Vygotsky, não há imutabilidade, não é estável, já que o significado difere no decorrer do desenvolvimento do individuo, há uma evolução do significado, decorrente da aquisição da linguagem e da continua estruturação lingüística que acompanha o desenvolvimento da criança. Ele introduz também, a noção de sentido, a partir das relações interpessoais vivenciadas pelo indivíduo e sua história. O significado sim, é estável, e pode ser compartilhado através da comunicação, no entanto, o sentido atribuído emerge da interação verbal.
Bakhtin difere o significado (signo) – significação – este alcança o tema da enunciação, o sentido e é mutável, onde pode haver substituição de um sinal para outro revelada pelas mudanças históricas e culturais vividas por seus falantes. Já o sentido (sinal) – tema-, alcança apenas o significado, podendo ser imutável, incapaz de sofrer mudanças.
Goldfeld adotará o termo signo para a palavra marcada pela historia e cultura, criada na interação e dependente do contexto e dos falantes que a utilizam, e significados que se modificam no decorrer da vida dependendo de suas vivencias e relações interpessoais que determinarão seu desenvolvimento cognitivo.

Surdez
Os termos utilizados no estudo da surdes são iguais aos utilizados na lingüística e na psicologia, no entanto com conotações diferentes. Assim:
Linguagem: códigos que envolvem significação não precisando necessariamente abranger uma língua.
Língua: para Sausurre, sistema de regras abstratas composto por elementos significativos inter-relacionados;
Língua: para Bakhtin, sistema semiótico criado e produzido o contexto social e dialógico, servindo de elo entre o psiquismo e a ideologia.
Sinal é o signo lingüístico da mesma forma que as palavras da língua portuguesa, é o elemento léxico da língua de sinais.
Fala designa a enunciação produzida através do sistema fonador, chamada de oralização. A fala para Vygotsky, a interiorizada, é aquela simbolização e produzida através das mãos. É a produção da linguagem pelo falante nos momentos d diálogo social e interior, usado tanto no canal audiofonatório, quando o espaço-visual.
Oralização – sistema fonador para expressar palavras e frases da língua;
Sinalização – fala produzida através do canal espaço-visual;
Signo: elemento da língua marcado pela historia e cultura dos falantes com inúmeras possibilidades de sentidos criados no momento e interação, dependendo do contexto e dos falantes que o utilizam.

CAPÍTULO 2 – BREVE RELATO SOBE A EDUCAÇÃO DE SURDOS
Conhecer a história e as filosofias educacionais pra surdos e as relações sociais, a linguagem e a qualidade de interações serve de suporte par analisar criticamente as conseqüências de cada filosofia do desenvolvimento destas crianças.
A idéia que a sociedade da antiguidade fazia de surdos, é que eles foram percebidos como formas de piedade e compaixão ou ainda como pessoas castigadas pelos deuses, por isso eram abandonadas ou sacrificadas. Com isso reforçava a crença que o surdo não poderia ser educador. Essas idéias persistiram até o século XV.
A partir do século XVI, surgem os primeiros educadores para surdos. Cardano foi o primeiro a afirmar que o surdo pode ser instruído (segundo Reis, 1992). Os educadores passam a criar metodologias variadas para ensinar os surdos. Alguns baseados na linguagem oral, outros pesquisaram e defendendo a linguagem de sinais, e outros ainda criando códigos visuais. Essas correntes perpetuam até hoje.
No século XVI, na Espanha um monge beneditino, Pedro Ponde e Leon, ensinou quatro surdos, filhos de nobres a falar grego, latim e italiano, conceitos de física e astronomia, datilografia, escrita e oralização, criando uma escola de professores de surdos.
Em 1620, na Espanha, Juan Martins Pablo Bonet publicou um livro que tratava a invenção do alfabeto manual. Em 1644, J. Bulwer publica o primeiro livro em inglês sobre a língua de sinais, e outro em 1648, onde afirma que a língua de sinais é capaz de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.
Em 1750, na França, Abade Charles Michel de L’Epée, cria os Sinais Metódicos, combinando a língua de sinais com a gramática sinalizada francesa, seu sucesso levou a transformar sua casa em escola publica.. Ele acreditava que todos os surdos deveriam ter acesso a educação publica e gratuita.
Até o final do século dezenove as línguas de sinais foram bastante utilizadas em todo o mundo.

O Oralismo
Em 1750, na Alemanha, surge as primeiras noções do que hoje constitui a filosofia educacional Oralista, esta rejeita a linguagem de sinais e acredita no ensino da língua oral.
O Oralismo percebe a surdez como uma deficiência a ser minimizada pela estimulação auditiva, reabilitado a criança surda em direção a normalidade. A metodologia usada de oralização é de verbo-tonal, áudio-fonatória, aural, acupédico, etc. o Oralismo utiliza como embasamento teórico lingüístico o Gerativismo de Noam Chomsky, que é não só ensinar a linguagem mas dar condições pra que esta se desenvolva espontaneamente na mente, a seu próprio modo.
Há uma preocupação com as regras gramaticais na aprendizagem da língua, como em diferenciar ermos como correr diferente de pular, utilização do tempo no passado e no futuro, onde as crianças surdas têm grande dificuldade de inferir, precisando de muita ajuda. Para amenizar esta dificuldade recomenda-se iniciar a estimulação auditiva precocemente, para que discriminam e distingam os sons que ouvem a través da audição, das vibrações corporais e da leitura oro-facial, a criança chega a uma compreensão da fala dos outros e por ultimo começa a oralizar. Alguns autores ainda citam que a utilização de gestos pode prejudicar o aprendizado da oralização.
No século XVIII, a rápida criação de escolas para surdo, tirou-os da negligência e da obscuridade imitindo responsabilidades, escritores surdos, engenheiros surdos, filósofos surdos, intelectuais surdo, o que antes parecia impossível.
A partir do século XIX, a possibilidade de ensinar o surdo a falar, estimulada pelas novas tecnologias, levou alguns educadores a rejeitarem as línguas e sinais. A partir de 1860, o método oral começa a ganhar força, o mais importante defensor do oralismo foi Alexandre Graham Bell, inventor do telefone, influenciou o Congresso Internacional de Educadores Surdos, em Milão, em 1880, onde se votou este método a ser usado na educação de surdos. Dando uma reviravolta na educação para surdos, a maior parte das escolas deixa de usar a língua de sinais. A Oralização passa a ser o objetivo principal na educação das crianças surdas, com o maior tempo no domínio da linguagem oral, o ensino de disciplinas como história, geografia e matemática foram relegadas, levando a uma queda no nível de escolarização. Isto até a década de sessenta do século passado, quando William Stokoe publicou um artigo defendendo a ASL como a língua com todas as características das línguas orais.
Até hoje, na filosofia educacional, o Oralismo, mantém este tipo de pensamento, sendo que predominou até a década de sessenta. No entanto, a língua oral até o presente momento não pode ser adquirida pela criança surda. Esta filosofia visa integrar a criança surda a comunidade ouvindo, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral e restringindo esta língua como a única forma e comunicação dos surdos, rejeitando qualquer forma de gestualização, bem como as línguas de sinais.

A Comunicação Total
Em 1817, Clerc fundou a primeira escola permanente para surdos nos EUA, usando um tipo do francês sinalizado, ou seja, a união da língua de sinais com a estrutura da língua francesa adaptado ao inglês. Surgindo assim, uma metodologia que mais tarde será utilizada na filosofia da Comunicação Total.
Em 1821, todas as escolas públicas americanas passaram a mover-se em direção a American Sign Language. Em 1850, a ASL, e não mais o inglês sinalizado passa a ser utilizada nas escolas, assim como ocorria na Europa.
A dificuldade de aprendizagem da linguagem oral levou alguns profissionais nas décadas de sessenta e setenta, a criarem uma nova filosofia educacional para surdos a Comunicação Total, que alia a língua oral a elementos da linguagem de sinais, aproximando essas duas linguagens e criando línguas orais sinalizadas.
A partir dessa publicação surgiram diversas pesquisas sobre as línguas de sinais. Surge neste momento, também Dorothy Shiffekl, professora e mãe de surdo, que começou a usar um método combinando a língua oral e a leitura labial, treino auditivo e alfabeto manual, nomeando seu trabalho de Abordagem Total, que em 1968, Ruy Holcom rebatiza de Comunicação Total dando a ela uma conotação de filosofia. Este método é adotado na Universidade Gallaudet tornando este recinto o maior centro de pesquisa dessa filosofia.
Esta filosofia se preocupa com os processos comunicativos entre surdos e surdos e entre surdos e ouvintes, além da aprendizagem oral, não deixa de lado os aspectos cognitivos, emocionais e sociais da criança surda. Vê cada criança surda como única, assim, defende programas educacionais individualizados; a linguagem oral pode ser motivada. E, na família o importante papel de compartilhar valores e significados, e a ela cabe decidir qual forma de educação seu filho terá.
Defende com isso, o bimodismo, a utilização de recursos espaços-visuais, quaisquer recursos lingüísticos, a datilologia ou alfabeto manual, LIBRAS, no Brasil, o português sinalizado, o pidgin (simplificação gramatical do português e da LIBRA) ou o cued-speech (sinais manuais que representam os sons da língua portuguesa), num uso simultâneo destes códigos, todos como facilitadores da comunicação. Que pode ainda minimizar o bloqueio de comunicação evitando conseqüências no desenvolvimento e possibilitando aos pais ocuparem papéis de interlocutores de seus filhos.

Bilinguismo
Na década de setenta, na Inglaterra e na Suécia, percebe-se que a língua de sinais deveria ser usada independente da língua oral e de outras e não só as duas concomitantes, surgindo então a filosofia bilíngüe, ganhando adeptos no mundo inteiro.
A proposta de não se misturar com a língua oral, surgindo uma nova filosofia educacional para surdos, o Bilingüismo. Nesta filosofia parte-se do pressuposto que o surdo deve ser bilíngüe, ou seja, deve adquirir as línguas maternas, a oficial de seu país, e a língua de sinais, a natural dos surdos. Esta aquisição se adquire através do convívio com a família, com outros ouvintes e com outros surdos.
Na década de oitenta, houve uma valorização do surdo, da aceitação pessoal da deficiência, da formação de uma comunidade própria, com cultura e línguas próprias. É rejeitada, nesta filosofia, a aproximação da normalidade. Deve-se entender o Surdo em suas particularidades, sua cultura, forma de pensar e agir e não apenas os aspectos biológicos ligados a surdez.
Segundo alguns pesquisadores, a Línguas de Sinais é a única língua que o surdo podetia dominar e se servir as suas necessidades, e a não exposição da criança nos primeiros anos de vida trará conseqüências de âmbito emocionais, físicos e cognitivos.

No Brasil
Em 1855, chega aqui o professor surdo francês Hernest Huet, trazido pelo Imperador D. Pedro II, para iniciar um trabalho de educação de duas crianças surdas. Em 18574, é fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que utilizava a língua de sinais.
Em 1911, o INES, seguindo a tendência mundial, estabeleceu o Oralismo puro em todas as disciplinas. Mesmo assim, a linguagem de sinais sobreviver em sala de aula até 1957, quando Ana Rimota de Faria Doria proibiu a língua de sinais oficialmente das escolas. Apesar das proibições essa língua sempre foi utilizada pelos alunos nos pátios e corredores da escola (Reis, 1992).
No final da década de setenta chega ao Brasil a Comunicação Total, influenciada pela Universidade americana Gallaudet. Na década seguinte começa no Brasil o Bilingüismo, a partir de pesquisas da professora Lingüista Lucinda Ferreira Brito que abreviou a Língua de Sinais dos Centros Urbanos da Língua de Sinais Kaapor Brasileira. Em 14994, Brito passa a usar a abreviação libras, Língua Brasileira de Sinais.
Hoje, no país, há profissionais que atuam e produzem conhecimentos nas três filosofias educacionais.
No entanto, a realidade do surdo brasileiro é precária, a maior não tem acesso a tratamento fonoaudiológico, não existem comunidades de surdos organizadas, nem lugares onde a LIBRAS possa ser utilizada e divulgada. O que traz várias dificuldades na escolarização, na socialização e na fase adulta, no mercado de trabalho.

CAPÍTULO 3 – SÓCIO-INTERACIONISMO E SURDEZ
A Psicologia Sócio-Interacionista
A dificuldade em se comunicar do mudo neste contexto é vista numa visão mais ampla, na estruturação do pensamento, estudada por Vygotsky, Luria, Leontiev e Yundovich e o sociolingüístico Bakhtin.
Vygotsky, de 1926 a 1936, estudou os pensamentos e a linguagem contribuindo para um estudo teórico de punho marxista e idealista, sobre a aquisição da linguagem sob a ótica social e a reflexão do estudo de crianças que sofrem atraso da linguagem, quanto a aquisição desta, a formação de conceitos, a relação ente desenvolvimento e aprendizagem, as brincadeiras infantis e também o desenvolvimento de crianças deficientes, inclusive as surdas considerando a influência da situação sócio-econômica sobre o indivíduo.
Bakhtin opôs se as duas correntes lingüísticos ideológicas, não estudando diretamente as crianças com atraso de linguagem, como Vygotsky, seus estudos são de grande relevância, porque aborda o estudo de aspectos lingüísticos, a partir do dialogo com o contexto social, e somente neste contexto a palavra ganha sentido.Assim, para a criança surda, a questão fica mais complexa.
As idéias da filosofia oralista considera importante as relações interpessoais criadas pelo dialogo. Bakhtin parte da relação psiquismo que é individual e da ideologia que é social, concluindo que elas são inseparáveis. Já que, o meio social e o momento histórico determinam a língua, de acordo com as necessidades. Os signos mediam esta relação dando a ela uma constituição consciente. No caso do surdo, a língua de sinais, seu conteúdo e forma representa um signo ideológico. Por ser um modo natural e espontâneo há um maior sucesso na comunicação do uso deste recurso do que a de qualquer outro, devido a ser um instrumento acessível para adquirirem consciência, aprendizado de conceitos e valores.
O pensamento, segundo Vygotsky e Bahktin, é adquirido através da palavra e da linguagem. Mesmo em atividades que não exigem a presença da linguagem, o pensamento é totalmente orientado por ela. A compreensão de fenômenos, não se opera sem a participação do discurso interior, todos os signos não verbais, isto dificulta a aquisição de pensamentos do surdo.
A fala egocêntrica é o inicio da organização e da orientação do pensamento da criança, dela a criança passa pra a fala interior planejando internamente, utilizando o pensamento verbal, com suas próprias leis gramaticais. Essa linguagem é orientada do exte4rior para o interior, provocando o desenvolvimento cognitivo mediando a linguagem que transforma em percepção mediada, atenção voluntária e memória. A cognição é determinada pela linguagem moldada pelas características econômicas e culturais.
E a criança surda? Esta adquire alguma forma de linguagem rudimentar simbolizando e conceituando, já que vivem socialmente. A diferença está na qualidade e quantidade de informações das que os ouvintes recebem e trocam. Porém, o atraso da linguagem dá a eles uma grande dificuldade para compreender assuntos abstratos, lugares diferentes e situações passadas.
A sua linguagem egocêntrica são sinalizadas como o tempo de reação, articulação silenciosa dos lábios, murmúrios, mímica oro-facial, e expressões corporais. Ela cria sua família de signos, os utiliza para a organização de seu pensamento, através de interações sociais utilizada pra comunicação e organização de pensamento. Mas, não se pode concluir que elas utilizam a fala egocêntrica pra planejar ações futuras, antecedendo a ação ao invés só de acompanhá-la, exercendo a função planejadora da linguagem.. Isto por que se desvincular o pensamento do ambiente concreto ela não terá condições de desenvolver as funções organizadora e planejadora da linguagem satisfatória.
O significado e sentido, segundo Vygorsky, de uma palavra está em constante mutação, no decorrer do desenvolvimento infantil., assim como a linguagem. A aquisição de itens léxicos e de regras gramaticais não determina o término da aquisição da linguagem pela criança. Para o autor e Bahktin, o significado é compartilhado socialmente e o sentido é particular para cada indivíduo e este surge no diálogo dependendo da situação contextual e dos interlocutores. Bakhyin introduz também o tema, como uma enunciação completa. Em seu interior, a enunciação possui uma significação formada por elementos sejam eles, abstratos, arbitrários, convencionais, que são reiteráveis e idênticos cada vez que são repetidos, e quando descontextualizado não têm sentidos, mas são parte indispensável da enunciação.. o tema é estágio superior, enquanto a significação é estágio inferior. Dominar a língua é atingir a significação, o tema de enunciação, através do contexto comunicativo, das relações sociais, constituindo a consciência.
Essa compreensão da língua e a relação entre significado e significante é muito difícil para os surdos que recebem estimulação apenas na língua oral.. os aspectos extra-verbais, como a entonação de voz e o volume que influenciam a formação do sentido o surdo não tem acesso. Tendo acesso a língua de sinais, e através dela ele consegue perceber a mudança de significados da língua, adquirir a cultura que esta língua carrega, que é usualmente denominada cultura surda.
O conceito que a palavra assume no discurso interior ou exterior refere-se a uma generalização. O significado é mutável. A criança pequena precisa de auxílio de gestos para compreender o significado de uma palavra. Esse pensamento não é inato, é um processo para alcançar um pensamento, e o papel do adulto nesse processo é fundamental. São nas relações sociais que ela aprende seu maneira de pensar, agir e recortar o mundo e a cultura de sua comunidade. No início da categorização, perceber as semelhanças e as diferenças é mais difícil porque se aplica um grau de abstração, assim como agrupar. No final do estágio de pensamento a fala da criança é semelhante a do adulto, mas o significado diferente, porque ela não percebe as relações lógicas dos conceitos, ela não classifica os objetos. A formação de conceito é uma atividade complexa, indispensável a associação, atenção, a formação de imagens,a inferências ou as tendências determinantes. Mas também as palavras se organizam num eixo horizontal sintagmático, referindo-se a sua estrutura frasal, a síntese da língua, e no eixo pragmático, o que se refere a semântica. Para a criança chegar ao conceito ela precisa da capacidade de abstração e da capacidade de síntese combinada a análise resultando no pensamento. O adulto diferente da criança já é capaz de perceber a generalidade entre conceitos, elaborar novos conceitos, independente da situação concreta, construindo idéias abstratas, onde tempo, espaços e relações lógicas somadas as relações sintáticas permitem o desenvolvimento desses novos conceitos.
A impossibilidade de dominar assuntos abstratos, e de saltar do pensamento sensorial para o pensamento racional, a principal característica do ser humano, na aquisição da linguagem é muito difícil para a criança surda, devido este grau de complexidade.Além disso, se restringir em generalizações menores, palavras concretas, de usar corretamente as palavras mais amplas e abstratas, tanto nos conceitos espontâneos que adquirimos no cotidiano quando no conceito cientifico, adquirido em situações particulares, são outros detalhes que dificultam a aquisição da linguagem.
Quanto ao desenvolvimento e sua relação ao aprendizado, Vygotsky critica as teorias que as considera estes requisitos independentes, ou que se trata da mesma coisa. Para ele, o desenvolvimento de uma capacidade raramente significa o desenvolvimento de outras. A mente é um conjunto de capacidades especificas que independe uma das outras e se desenvolve independentemente. E o aprendizado é a aquisição de capacidades especializadas para pensar sobre várias coisas. Na aprendizagem cria uma Zona de Desenvolvimento Próxima, e esta produção de aprendizado, está a frente do desenvolvimento, passando o aprendizado por um momento interpsíquico e posteriormente num momento intra-psíquico que ocorre após a internalização, correspondendo ao nível de desenvolvimento.
A criança desde seu nascimento recebe informações dos adultos aprende a inter-relacionar estas informações desde os primeiros anos de vida. Esta aprendizagem impulsiona o desenvolvimento, não como um fator biológico natural, mas como um fator relacionado as formas sócio-históricas que a criança está inserida. O atraso da linguagem nas crianças surdas causa um atraso na aprendizagem e consequentemente no desenvolvimento. Este percurso segue um caminho diferente dos das crianças que passam pela aprendizagem formal, escolar, sem dificuldades lingüísticas.
As brincadeiras, como todas as atividades da criança, são influenciadas pelo meio exterior. Esta atividade antecede a fala, e no decorrer do desenvolvimento essa situação se inverte, passando a fala a organizar e planejar a brincadeira. Se trata de simbolizações que passam por internalizações. A manipulação dos objetos é a primeira forma de brincar do bebê, não sendo planejada. Neste estágio a criança surda não se difere da criança ouvinte, saciando seu desejo de lidar com objetos, além disso, gestos que corresponda ao real, e movimentos são imprescindíveis na reprodução da realidade. A participação da criança ouvinte nas conversas com e entre adultos criando informações e significações mais amplas sobre objetos é o que vai diferenciar este desenvolvimento. Na idade pré-escolar, há um processo de mudanças continuas onde o desenvolvimento psíquico da criança prepara o caminho para a transição da criança para outro grau de desenvolvimento, gerando uma nova forma de consciência no desenvolvimento das futuras atividades. A brincadeira passa a ser uma ação lúdica, que passa por uma operação de meios pelas qual a ação é realizada, a operação segue a necessidades, e a imaginação surge.
A criança surda por sua dificuldade de generalizar e classificar, de estar sempre no tempo presente, neste estágio, em seu discurso interior, a dificuldade de comunicar, perceber relações, enfim de planejar a brincadeira, a deixam em desvantagem nesta atividade. A atividade de brincar, por não ser algo planejado, e sim o objetivo em si mesmo, não se torna uma ação, por não constituir de uma operação e de planejamentos, segundo analise de Leontiev. A criança brinca, mas de uma forma diferente.
Esta desvantagem da criança surda os deixa impulsivos e agitados, porque eles não conseguem entender o contexto e se adequar a ele.

Surdez
Segundo Vygotsky, a surdez é a deficiência que causa maiores danos para o individuo, devido a utilização da linguagem que permite o salto do sensorial para o racional, impossibilitando a criança de adquiri-la espontaneamente. No entanto, se recorrermos a historia, Luria lembra que no inicio do desenvolvimento da espécie humana, a comunicação era feita por gestos, e com a evolução o sistema fonador passou a ser utilizado para a comunicação. Diversos autores afirmam que a s mãos podem executar com perfeição o mesmo papel que o sistema fonador, através da língua de sinais. O problema do surdo não é orgânico e sim decorrente de questões socio0culturais e a educação dessas crianças deve ter como objetivo a minimização dos danos causados pelo de atraso da linguagem. A surdez não precisa ser considerada uma deficiência que incapacita o indivíduo. A discriminação e a marginalização ocorrem devido as características culturais de nossa sociedade que podem ser modificadas com o crescimento qualitativo da comunidade surda aliada a uma visão da maioria ouvinte.
Segundo Vygotsky, o método oral, predominante nas décadas de vinte e trinta, era o que mais se contradiz a natureza do surdo, mas nenhum outro método está em condições de devolver o surdo a sociedade humana, como pode fazer o método oral. Ele acredita que a criança surda deve adquirir a linguagem da mesma forma que as crianças ouvintes, valorizando a educação pré-escolar e um ambiente propício a estimulação da língua oral que incorpore a criança surda a comunidade ouvinte. O autor propõe uma reformulação deste método, destacando a mímica (língua de sinais) e a escrita, e diferentes formas de linguagem como a melhor alternativa de desenvolvimento da linguagem das crianças surdas. Opondo-se ao oralismo, ele foi um dos primeiros autores a considerar a língua de sinais um sistema específico. E a favor de utilizá-la na educação, sugerindo que a educação ideal pra a criança surda deve ser baseada na poliglossiaótica (uso de diferentes formas de linguagem). Em 1938, quatro anos após a morte de Vygotsky, a União Soviética mudou a filosofia educacional do oralismo e passou a utilizar o alfabeto manual e a língua de sinais russa como auxiliares na educação e na vida dos surdos. Em 1991, a Rússia iniciou o projeto de educação bilíngüe, que é o método que trabalham atualmente.

CAPÍTULO 4 – ANÁLISE CRÍTICA DAS FILOSOFIAS EDUCACIONAIS PARA SURDOS
A análise critica na aquisição da linguagem e desenvolvimento cognitivo, sob o enfoque sócio-interacionista, não é muito comum no estudo da surdez, mas é importante perceber certos aspectos, do desenvolvimento da criança surda, ignoradas ou não percebidas em outros enfoques teóricos.

O Oralismo
A filosofia oralista integra o surdo a comunidade gera, ensinando a este a língua oral de seu país. A criança surda por não ter condições de adquirir esta língua oral apenas através do diálogo ela necessita de terapia fonoaudiológica para a estimulação da língua oral., além disso o estimulo em casa, com a família é sempre preciso pra que haja a compreensão do que é dito. Esta língua será sempre a língua artificial para a criança surda. O aprendizado da língua oral não garante o pleno desenvolvimento da criança e nem a sua integração com a comunidade ouvinte.
O processo de aprendizagem da língua é diferente da internalização da língua por uma criança ouvinte que através deste processo desenvolve o pensamento e a cognição. A criança surda não tem condições de adquirir através do ensino forma, conceitos científicos e espontâneos de maior nível de generalização, e o Oralismo parece ignorar estas dificuldades e continua se fixando exclusivamente na necessidade da criança surda oralizar. A falam para os oralistas só pode ocorrer através da oralização, não significando a linguagem em ação. O ensino de regras gramaticais está aquém das necessidades da criança surda, este não considera os aspectos cognitivos determinados pela linguagem e pela cultura, provavelmente o surdo sofrerá dificuldades em poder falar o português, e terá problemas cognitivos, sociais e emocionais não se integrando a comunidade ouvinte mesmo que consiga oralizar. A qualidade da fala e linguagem se restringe a quantidade de vocabulário. É desconsiderado também critérios apontados por Vygotsky e Bakhtin do desenvolvimento infantil, côo a generalização das palavras e a utilização da linguagem no desenvolvimento cognitivo através das falas egocêntricas e interior.
Para Kelman, a criança surda que não possuem em língua alguma utiliza os recursos semióticos que dominam para pensar, demonstrando uma linguagem egocêntrica. Este tipo de pesquisa não causa interesse dos oralistas, pois não acreditam que a teoria inatista de aquisição da linguagem possua um papel determinante na formação do pensamento, não valorizando o processo de formação do pensamento lingüístico, já que a linguagem é considera a externalização do pensamento preexistente.
A língua materna pé aquela que traz significações para a criança para que ela forme sua consciência não sendo adquirida formalmente, mas sim através de relações interpessoais, num processo continuo.
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc.
O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados
É nas experiências cotidianas, nos estímulos recebidos pela criança surda daqueles que se relacionam família e amigos, nas trocas sócio-afetivas e não o ensino formal que constituirá o sujeito e sua significação de valores e significações para seus atos. Nesta convivência informal, o uso de mímica ou gestos espontâneos para transmitir conceitos concretos é muito utilizado, o que é contrariado nos pressupostos da filosofia oralista. Os pais mesmo que orientados por esta filosofia não conseguem evitar a comunicação gestual para se dirigirem aos seus filhos. Os pais se sentem deficientes em não conseguirem transmitir a seus filhos surdos tudo aquilo que gostariam. Na visão oralista pé o surdo que precisa a qualquer custo aprende uma língua acarretando com isso muitos problemas de auto-imagem a eles. O não domínio da língua, as dificuldades de articulação da fala tornam essas pessoas com graves problemas cognitivos sociais e emocionais., s consideram fracassados, incapazes e perdedores. O tempo de aprendizagem da língua dura cerca de dez anos, dependendo de fatores como o do grau da perda auditiva, época que ocorreu esta perda, se é surdez congênita, a participação da família no tratamento, etc. O atraso da linguagem devido a sistematização da língua é muitas vezes relacionada a surdez com agitação, sua não compreensão no contexto, nas brincadeiras, a difícil aprendizagem de regras e internalização de significados.
No Brasil, no período oralista as crianças cursava obrigatoriamente dois anos ara cada serie escolar quando não havia repetência, sem a língua em comum o professor e aluno não havia como transmitir o conteúdo escolar, o que levava a uma baixa de qualidade e demora na escolarização. Ela pode até oralizar e fazer a leitura labial, mas o desenvolvimento em brincadeiras, abstração, dedução, auto-analise, atenção voluntária, memória adiada, escolarização e a participação ativa e interativa da vida social percebe-se uma limitação. Oralizados, ou não, percebe-se a necessidade de conviver com outros surdos, de falar de assuntos pertinentes a sua realizada e pra isso a extrema importância para que a LIBRAS seja oferecida a crianças surdas desde pequenas.

Comunicação Total
Positivamente a comunicação Total ampliou a visão de surdo e surdez, deslocando a problemática da oralização, e ajudando no processo em prol da utilização de códigos espaço-visuais, mas por outro lado, desvalorizou a língua de sinais, propiciando o surgimento de diversos códigos que não põem ser utilizados em substituição a língua. O foco agora da aprendizagem da língua não é mais a língua oral, mas sim a comunicação propriamente dita. A noção de contexto comunicativo é primordial para o desenvolvimento infantil e o uso a linguagem na constituição do pensamento através do diálogo contextualizado e espontâneo.
Na comunicação total, a criação de códigos visuais acompanha a fala oral do adulto ouvinte possibilitando a maior compreensão à criança. Esses códigos podem se a língua artificial, o português sinalizado, os sinais representam fonemas, letras ou gestos espontâneos que não caracterizam a língua, com a pretensão de garantir uma relação dialógica entre criança surda, adultos ouvintes e a sociedade em geral.
Alguns autores criticam como Ramos considera o código de visuais usado com a oralização na comunicação total, apenas como um facilitador da aprendizagem da língua, mas que ele não permitem uma comunicação mais complexa e não serve de instrumento de internalização de uma cultura. Já a língua sinalizada, que são as línguas artificiais criadas da língua oral, a situação é diferente. A Comunicação Total valoriza a criação desta língua, já que, ao contrário da língua de sinais, ela pode acompanhar a língua oral, possuindo a maioria dos elementos constitutivos da língua, mas não possuem o elemento “produto cultural”, já que é não é criada por uma comunidade falante, desvalorizando a característica histórica e cultural das línguas de sinais. A criança consegue expressar o que deseja, mas não consegue receber o que o adulto quer informar.
Para Bakhtin, a LIBRAS sim, carrega características marcadas pela história dos surdos e sua cultura e através desta que o individuo constitui sua consciência.
Ramos relata que a partir de 1960, devido a insatisfação dos surdos com a educação que recebiam começou uma mudança significativa em diversos pais em direção aos sinais. Da década de sessenta a década de oitenta era comum a língua sinalizada e a criação de códigos visuais, a partir de oitenta e noventa, vários paises começaram a perceber a importância da língua de sinais. No Brasil, o português sinalizado foi criado a partir de uma fusão entre o português e a LIBRAS e não chegou a ser difundido, mas sim o que acabou levando nome de português sinalizado pode ser considerado um pidgin.

Bilingüismo
O bilingüismo divulga e estimula à utilização de uma língua que pode ser adquirida espontaneamente pelos surdos, a língua de sinais, bem como sua cultura. Ela se originou da insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais e a mobilização de comunidades em prol do uso desta língua.
No Brasil, o Bilingüismo começou a ser estudado a partir da década de 80 e implantando em escolas e clinicas na década de noventa.
Esta filosofia refere-se as questões das língua e sinais , utiliza a teoria inatista e fundamenta-sena teoria sócio-interacionista. O INES que atende em torno de oitocentas crianças e adolescentes surdos, ainda que com a filosofia educacional oficial o Oralismo, não proíbe mais a língua e ela é estimulada pelos profissionais e seguindo uma tendência mundial, será oficialmente uma escola bilíngüe. O importante desta filosofia é sua relação com o desenvolvimento da criança surda. Esta língua é a única que pode ser adquirida espontaneamente em suas relações social, nos diálogos, adquirindo da mesma força e velocidade que a criança ouvinte adquire a língua oral, não sofrendo nenhum dano cognitivo ou emocional decorrente do atraso da linguagem.
A comunidade surda com suas característica próprias por ser um grupo minoritário exposto a sociedade maior que é a ouvinte que possui cultura e língua própria, passam a se engajarem e participarem das duas culturas, no biculturalismo. Este sujeito age e pensa como um sujeito bicultural, compreendendo o mundo e a si próprio a partir de uma mistura dos recortes do mundo que essas duas culturas fazem. A língua de sinal é adquirida mais rapidamente que língua oral, e o sistema conceitual da criança formado de início através das LIBRAS. O ideal é a criança receber os dois sistemas conceituais, a de sinais e a oral, não criando sinônimos entre as duas línguas.
Provavelmente a língua de sinais será a língua que mais utilizada na construção da fala interior e na função planejadora.
Mas, no Brasil, a prática não foi alcançada devido ao Oralismo que proibiu a utilização desta bilíngüe nas escolas. Atualmente há uma retomada em sua busca que esbarra em problemas políticos e econômicos.
Em suma, percebe-se que a LIBRAS pode e deve resolver dificuldades côo o desenvolvimento das funções mentais superiores que necessitam da linguagem como mediadora, como a memória mediada, atenção voluntária, analise e síntese, abstração, dedução, auto-análise e outros.
Assim, para a autora, a melhor solução para a criança surda é o bilingüismo e o biculturalismo. O respeito as diferenças, a procura de uma melhor4 integração, as línguas oral e de sinais trabalhando sempre juntas, uma vez que a língua oral se torna mais simples após o domínio de funções comunicativas e cognitivas da linguagem garante também a integração na comunidade ouvinte.

Capítulo 5 - Descrição de caso
Neste capítulo a autora faz uma análise sobre o desenvolvimento cognitivo e da aquisição de uma criança surda inserida sua família, escola e clinica fonoaudiológica, em contato com as pessoas que convive. Trata de uma família composta pelos pais, uma criança surda, Gustavo, e seus dois irmãos gêmeos onde um tem uma surdez e problemas de comportamento, Jorge e André que é ouvinte. Na época eles tinham cinco anos e meio.
A surdez de Gustavo e Jorge foram percebidas por sua mãe aos oito meses de idade e aos dez meses foi confirmada pelo médico, diagnosticado como surdez neurossensorial bilateral profunda. Começaram a usar o aparelho com um ano de idade e iniciaram o tratamento fonoaudiológico com uma profissional da linha oralista. Aos um ano e três meses a terapia era feira numa escola especializada . Aos dois anos passara para uma terapia particular com atendimento em grupo na filosofia bilíngüe.
Jorge aos dois anos e meio começou a apresentar distúrbios de comportamento e passou a ser também atendido por um psicólogo parou o atendimento fonoaudiológico e as aulas de línguas de sinais,. Apenas aos cinco anos recomeçou as aulas de LIBRAS.
André, o irmão ouvinte começou a aprender línguas de sinais aos dois anos em conjunto com as crianças da clinica, juntamente com a família e amigos que freqüentam a casa dos avós.
Na pré-escola, matriculados num regime regular que recebia varias crianças surdas adotava a comunicação total. Em 1992, a escola fechou e Gustavo e Jorge passaram para uma escola onde são os únicos surdos. Nesta escola os profissionais e as outras crianças se comunicavam com eles com bastantes gestos espontâneos e mímicos.
Foi opção dos pais a educação bilíngüe e a Língua de sinais. Os pais trabalhavam durante todo o dia. A mãe fica de final de semana com os filhos. E o pai sai os finais de semana para estudar. As crianças têm pessoas importantes no seu convívio como a baba, alguns parentes próximos adultos e uns primos crianças..
Na gravação do convívio das crianças foi analisada a rotina e feito um paralelo das relações dialógicas no desenvolvimento das mesmas.
Com Gustavo as pessoas interagem utilizando LIBRAS, o português a misturas das línguas e ainda outros códigos como a mímica. Nenhum dos ouvintes domina plenamente a LIBRAS, concluindo que orientação bilíngüe não é utilizada concomitante com a língua de sinais e a língua oral.
Em casa, há dificuldade de comunicação com todos, os assuntos que ele compreende é o aqui e agora. Nas refeições, apenas há comunicação no pedido de comida ou bebida, não há uma atenção para que ele esteja na conversa, ele se distrai com objetos na mesa, o que conclui-se que há uma fala egocêntrica. Com o irmão ouvinte André, eles brincam lado a lado, assistem televisão, mas com uma ausência de comunicação, percebe-se que ambos têm falas egocêntricas, Gustavo utilização vocalização e onomatopéias. As falas egocêntricas parecem restritas há então o indicativo que não há internalização Quando há outras crianças ouvintes na casa, André só se dirige as outras crianças e não a seu irmão. Enfim, nos eventos que precisam e ex0licação não há estimulação em casa com Gustavo. Nem seu irmão André se sente estimulado a conversar com seu irmão, talvez por ele não dominarem uma língua em comum, ou por repetir a reação dos adultos da casa.
Na escola, os professores demonstram dificuldades pra se relacionar com Gustavo e ele de compreender. Na clinica com outras crianças surdas há uma farta interação com gestos espontâneos que não são compreendidos por intérpretes e não se é possível saber se elas conversaram, elas demonstram bastantes desejo de comunicar e de brincarem juntas. Nas aulas de LIBRAS há muita participação dessas crianças, mas com poucos situaçõe4s de diálogos espontâneos, em alguns momentos percebe a dificuldade das crianças em compreende o professor.
As brincadeiras em conjunto, as regras, as dramatizações, o ato de planejar, dividir papeis são de difícil participação de Gustavo, que demonstra dificuldade de participar de4stas atividades, se isolando de seu irmão ou de outros colegas.
Gustavo não consegue centrar a atenção em períodos longos na escola, provavelmente pela falta de compreensão das atividades e consequentemente a falta de interesse. Concentrar em detalhes, seqüências, recontar historias, utilizar a memória, conceitos abstratos de tempos passados e futuro, memorização, mesmo em atividades não lingüísticas, onde a linguagem interior está presente, e portanto há uma organização verbal, abstrair e generalizar, são outras atividades que Gustavo demonstrou-se em desvantagem.
Essa desvantagem é causada pela falta de estímulos lingüísticos que recebeu. É preciso que a família de Gustavo e de outras crianças surdas tenha consciência da necessidade de estimular, dar informações para que se desenvolvam. A linguagem, a comunicação, a consciência de esclarecer todas as situações da qual a criança está inserida são fundamentais pra o desenvolvimento de internalização de conceitos, da constituição do individuo, de utilização da língua para pensar, enfim, da criança ter condições de generalizar, abstrair, memorizar, ter atenção, aprender e se desenvolver cognitiva, emocional e socialmente.
Conclusão
O homem se diferencia dos outros animais devido à linguagem e as possibilidades de a cada nova geração surjam novas idéias, invenções e descobertas.
Cada comunidade guarda em sua língua, a memória, o passado e a língua é tão importantes para um povo e pra o individuo pra orientar o seu pensamento e formar sua consciência.
Os surdos e suas comunidades foram proibidos de utiliza suas línguas e dividirem as suas idéias. Essa proibição causou a queda da escolarização e da qualidade do emprego dos surdos em todo o mundo. O Oralismo e a Comunicação Total apareceram como formas artificiais de inseri-los na sociedade.O bilingüismo que parte do dialogo e por possibilita a internalização da linguagem e do desenvolvimento das funções mentais superiores e o uso das Libras, somada a estimulação em participação de todos os momentos interativos, propicia a proximidade entre as crianças surdas e seus pais ouvintes.
Percebe-se a necessidade de grandes mudanças na visão da surdez, da criança surda, por parte dos profissionais, família e meios social que está inserido. Além da consciência das conseqüências da surdez, da dificuldade auditiva, e de desenvolvimento das funções mentais decorrentes desta deficiência. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Com este título, o famoso livro de utopia/ficção científica do escritor inglês Aldous Huxley descreve um mundo futuro (não tão admirável), onde as crianças serão concebidas e gestadas em laboratórios, em linhas de produção artificiais, com um controle total sobre o desenvolvimento dos embriões pelos cientistas do Estado. Na década dos 30, quando o livro foi escrito, o espectro de um governo autoritário, armado de recursos de alta tecnologia, obsessionado com a uniformidade e com o controle total da população, eram temas comuns na literatura, devido, evidentemente, ao surgimento apavorante de ideologias totalitárias modernas, como o fascismo e o comunismo de estado. A idéia de clonagem do ser humano, ou seja, a produção científica de milhares de seres humanos perfeitamente iguais uns aos outros, era outro tema recorrente, inspirado em parte pelos avanços da genética, e por outro, pela visão proporcionada pelas fileiras infindas de soldados inteiramente iguais, marchando com passo de ganso nas manifestações de massa do nazismo em Nüremberg. Visões desse pesadelo distópico, brilhantemente imaginado por Huxley vieram à tona nesta semana, com o anúncio, por cientistas escoceses, de que tinham obtido clones perfeitos em duas ovelhas. Os pesquisadores, Keith Campbell e David Solter, do Roslin Institute, de Edinburgh, utilizaram uma técnica bastante conhecida, que já tinha sido usada anteriormente com dezenas de espécies, desde plantas até sapos, mas nunca em mamíferos tão complexos como uma ovelha.
Esta técnica foi inventada por um cientista chamado Gurdon, na década dos 70. Utilizando avanços na cultura de células vivas fora do corpo, e de novos aparelhos de micromanipulação, que permitem ao pesquisador operar delicadamente uma única célula, sem matá-la, Gurdon retirou células já diferenciadas (isto é, formadas embriologicamente) do intestino de uma perereca, extirpou seus núcleos, onde existe o DNA e os cromossomas (o material genético), e os implantou em óvulos, dos quais o núcleo tinha sido previamente retirado. Como resultado, notou que os genes do novo núcleo se desdiferenciavam e produziam um novo ser, totalmente idêntico ao que tinha doado o núcleo. A clonagem, então se tornava possível (no ser humano, a única situação natural em que isso ocorre é nos gêmeos univitelinos). No experimento com as ovelhas, os cientistas fizeram exatamente a mesma, coisa, tendo aperfeiçoado o método de cultura de células, e de implante do embrião recém formado no útero de ovelhas-mães, uma técnica já perfeitamente dominada, e utilizada em grande escala na pecuária para aumentar a qualidade dos rebanhos. Teoricamente, o trabalho abre as portas para a produção em massa de animais clonados. E qual seria a vantagem disso ? Evidentemente, os pesquisadores podem selecionar um doador de núcleos que seja um exemplar perfeito da espécie, para fins econômicos, e "brincar de Deus", como diz o título da reportagem da revista "Veja", ou seja, derrotar os mecanismos lentos e imprevisíveis da seleção artificial por reprodução, e chegar diretamente a milhares de cópias desse exemplar. Outra vantagem é, que conhecendo bem um exemplar, a menor variabilidade biológica do rebanho facilitará sua alimentação, prevenção e tratamento de doenças, e previsão de ganhos ponderais, de produção de lã, etc. A pergunta que todo mundo está fazendo é se isso seria possível crianças com genomas idênticos (é o caso dos gêmeos univitelinos, ou seja, originários da divisão do mesmo óvulo fecundado) têm muitíssimas coisas em comum, inclusive vários aspectos da personalidade e inteligência. É como se uma fosse uma cópia quase perfeita da outra. Atemorizante, porque abre caminho para muitos abusos, principalmente em sociedades autoritárias ou grupos anti-sociais, como aquela seita japonesa que soltou gás no metrô de Tóquio. Do ponto de vista de um casal que quer ter vários filhos, a clonagem poderá ter várias aplicações interessantes. Uma possibilidade medica e eticamente justificada seria aquela em que os pais têm risco genético alto de terem filhos deficientes ou com doenças congênitas. Caso eles tenham a sorte de ter um filho inteiramente normal, poderão clonar o genoma deste para gerar um segundo filho, o qual correrá um risco muitíssimo menor de ter a doença. Creio, mesmo, que esta será uma conduta recomendada rotineiramente pelos geneticistas em tais casos. Uma outra possibilidade correlata é quando os pais estão tão encantados com um filho já nascido (se a criança for excepcionalmente bonita e/ou inteligente, por exemplo), que desejam uma cópia idêntica do mesmo. Assim, correrão menos riscos de ter um segundo filho fora das características desejadas. Esta, evidentemente, já cria alguns problemas de ordem ética e moral; mas não legal, pois se a técnica existe e é segura, não deve cair, a meu ver, sob o escrutínio da justiça: afinal ninguém necessita permissão de um juiz para ter filhos gêmeos univitelinos. Uma polêmica maior é criada quando uma pessoa deseja ter um filho que seja uma cópia perfeita de si mesma. Isso poderá ocorrer em vários casos, de gravidade ética cada vez maior. Primeiro, o da mãe biológica que deseja clonar um filho com o genoma de seu marido ou uma filha a partir de si mesma (neste caso a clonagem eqüivale a uma partenogênese, um evento comum em muitos animais, mas teoricamente muito difícil de ocorrer naturalmente no ser humano). Segundo, o de uma mãe solteira que deseja clonar o genoma de algum grande homem ou mulher (um artista de cinema admirado, um prêmio Nobel super-inteligente, etc.). Será que a Sharon Stone gostaria de doar algumas cé ;lulas suas para essa finalidade ? Teoricamente, ela poderia ter muitas e muitas filhas tão bonitas e inteligentes quanto ela...Terceiro, o de um homem solteiro que deseja clonar a si mesmo, usando uma "barriga de aluguel" (uma mãe não biológica, implantada artificialmente com o embrião). Até aqui, eu ainda acho é tudo relativamente aceitável, do ponto de vista da Ética médica. Nada que seja muito grave ou danoso para a sociedade e para as pessoas. Enquanto estivermos nesse nível, não estaremos invertendo grandemente a ordem natural das coisas (eu até acharia interessante, por exemplo, ter um filho idêntico ao que eu sou. Seria a mesma coisa que tomar conta de mim mesmo, me ver quando era bebezinho, acompanhar e influenciar meu próprio crescimento !). O Papa, evidentemente, não deve concordar muito comigo nesse aspecto, e a Igreja deverá, previsivelmente, ser totalmente contrária a essas idéias. Os problemas ficam realmente feios se um regime autoritário começar a fazer clonagem em massa. Algo, por exemplo, como , estabelecer "linhas de produção" de super-elites inteligentes, fazendo nascer centenas de milhares de Einsteins... Ou então, pegar um super-soldado geneticamente perfeito e absolutamente sociopata, e replicar seu genoma aos milhares. Ou pior, um Sadam Hussein ou um Idi Amim produzindo sucessores idênticos a eles mesmos. Imaginem só o que Adolf Hitler teria feito se tivesse essa tecnologia em suas mãos... veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
O romance se faz sobretudo com situações e fatos tomados como elementos de ambientaÇão, num presídio de interior, no Nordeste, em que avulta a figura de João Miguel. Pela sua presença e com suas relações humanas na cadeia, ele se torna o eixo do romance e o principal ângulo de observação e pesquisa da romancista. Forma-se assim um agrupamento humano, que continua a manter no presídio o sentido e os hábitos da vida cotidiana em liberdade. Compõem-no : Santa, companheira de João Miguel, e que o abandona pelo cabo Salu, maria Elói, Filó, Zé Milagreiro, uma visitante diária, Angélica - filha do coronel Nonato, também criminoso, mas preso somente pro ser inimigo do delegado ou por ser da oposição política - além de outros. Nesse caso, a prisão vigra apenas restrições circunstancial do espaço de relações, mas sem nenhum reflexo corretivo ou punitivo sobre os que aí vivem. É destacável a linguagem romancista, pela riqueza psicológica da frase, notadamente no diálogo. Considereda do ponto de vista regionaista, apresenta acentuadas características peculiares ao linguajar caboclo ou próprio da massa sertaneja. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
HERNANDEZ, Fernando.Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho
Porto Alegre. Artmed, 1998.

O autor enfoque A aprendizagem
A transgressão enfoca aqui é o salário e o reconhecimento social do professor.
A primeira proposta é a psicologia instrucional que vê a mente como computador e não como instrumento de capacidade de dar sentido à realidade, de interpretá-la e transformá-la.
A segunda transgressão é a visão de aprendizagem vinculada no desenvolvimento. Construtivismo não é adequado a esta metodologia, mas acredita em significar a instituição social que é a escola. O construtivismo não é trocas simbólicas nas salas de aulas sobre os valores que o professor promove ou exclui construção de identidade. Os fatores não podem ser reduzidos a visão psicológica e o conhecimento cientifico vistos com entidades compactas.
A terceira transgressão é a visão do currículo escolar centrada nas disciplinas fragmentadas e afastada das realidades sociais dos alunos, e manter a função de controle por parte de julgarem serem educadores especiais.
A quarta transgressão é dirigir-se a escola marcada por idéia de que o objetivo da infância é chegar a vida adulta ou passar no vestibular é o objetivo básico da educação.
A quinta transgressão é a perda da autonomia no discurso dos docentes, desvalorização do conhecimento e a incapacidade escolar.

O autor divide em e capítulos essas transgressões.

Capítulo I – Um Mapa Para Iniciar Um Percurso

A construção da realidade: o todo é mais do que a soma das partes de um único ponto de vista, desta forma deve-se levar em conta a dupla perspectiva: a organização escolar e as concepções do ensino aprendizagem.
A escola promove a descontextualização do discurso cientifico e sua fonte de origem e converte no discurso de regulador e simplificado – discurso instrucional, produz a irrelevância da organização curricular. Um currículo de subjetividade e habilidade de interpretação de interpretar o mundo subordinado ao conteúdo descontextualizado.
Defende as experiências como projeto de trabalho. Um projeto que implioca na colaboração e exploração de alternativas de dar formas às idéias que estão no horizonte.
A noção e a prática da globalização situadas em três eixos:
-como forma de sabedoria;
-como referências epistemológica e operacional;
-como concepção do currículo, desenvolvendo estratégias.

Capítulo II – A Transdisciplinaridade Como Marco Para A Organização De Um Currículo Integrado.

A transdisciplinaridade como marco de um currículo integrado. Este questiona “verdade sagrada” da organização do ensino que parte das disciplinas ou da transformação de conhecimento por meio de didáticas.
O primeiro protesto está no currículo da Escola Média em se basear nas disciplinas e na transmissão de conteúdos sem se preocupar com a construção da subjetividade dos estudantes e a interpretação das estratégias de informações e no desenvolver das pesquisas.
A pós-modernidade obriga a diversidade de pensamentos da vida social e pessoal. Tendo de ser vista como condição social e com expressões radicais de transformações históricas. Eis algumas características de pós modernidade:
-a sociedade globalizada com desregulamentação de economia de mercado;
-as opções políticas e econômicas são homogeneizadas;
-os valores e símbolos culturais são transnacionalizados devido a mundialização dos meios de comunicação;
-as transformações no emprego;
-o volume da produção de informação cresce em progressão geométrica;
-a primazia da tecnologia como fator dominante de evolução humana.
Já o trabalho opõe a essa idéia de Escola Nova e ao interesse do aluno no trabalho escolar-ensinar-conectá-lo com o mundo externo e para elaborar esse projeto de trabalho, há a necessidade de:
-conhecimento psicopedagógico destacando os saberes e as experiências;
-temas e estudos relacionados com a construção da subjetividade e transformações da suicidai e da natureza;
-o papel do diálogo pedagógico – pesquisa/crítica na aprendizagem;
-busca para educação, compreensão, atitude globalizada.
Devendo incorporar as indignações tornando as públicas e compartilhadas com o grupo. Formando mais corrente critica de indagação, compreensão-transformação da realidade escolar e social.
Essa compreensão de educação deve relacionar a vida dos alunos/professores e de interesse, mas sem confundir a trasdição, mas permitir a concepção de estratégias de conhecimentos que permitem ir além, são códigos estabelecidos de bagagem cultural dentro do grupo social.
A cultura tem função de refazer o mundo e ensinar o aluno a interpretar o significado das diferentes culturas e nos diversos tempos históricos, abrindo as portas para duas compreensões da realidade. Sendo colocado dentro de um relativismo que vacine contra o fundamentalismo como proposta de resolver todos os problemas.
A escola geradora de cultura não é só aprendizagem, mas o desafio de questionar a forma de pensar e induzir a verdade absoluta, reconhecer diferentes concepções incorporar uma visão critica que questione a quem beneficia e quem marginaliza, visão dos fatos, opiniões diferenciada e colocar as perspectiva certo relativismo.
Essa situação estabelece os desafios e a escola responde por selecionar critérios de avaliação, decidir o aprender, como e para quê, ao internacionalismo e a valores de solidariedade e tolerância, saber interpretar opções ideológicas do mundo. A proposta educativa vinculam aos projetos do trabalho, sendo a compreender/responder a situação mudança.

Reflexão Sobre o Limite das Disciplinas

A transdisciplinaridade – caracteriza fenômeno, pesquisa e requer formulação de terminologia e metodologia compartilhada – disciplinas e tradições de campo de estudo de maneira fechada. Ela acompanha interpretação recíproca das teorias do conhecimento (epistemologia) de cada disciplina. A diferença entre pesquisa pura aplicada e universidades/indústrias. Atenção voltada para o alvo do objeto de estudo, valorizando a colaboração da atuação individual.
Estabelecer paralelismo – planejamento transdisciplinar, pesquisa e o ensino de interpretação do currículo integrado. Ensinar a relacionar conceitos de forma compartimentada: centro de discussões. O currículo integrado organiza os conhecimentos escolares e a partir de temas-problemas que permitem explorar o campo do saber fora da escola ensinar aos alunos estratégias de investigações e interpretações da informaçaão, permitindo explorar temas de forma autônoma.
A opção currículo integrado a critica do tradicional currículo acadêmico. Os argumentos são:
-a integração de várias matérias;
-a limitação dos professores ao ensinar e o currículo integrado;
-o tempo dedicado no ensino integrado e centrado;
-é necessária a dedicação dos professores;
-as disciplinas armazenam o conhecimento útil, arcam as linhas, geram novo conhecimento e produzem o intercâmbio entre debates-idéias.
Os defensores do currículo integrado dizem que há uma eficácia em relação ao tempo e ao estímulo dos professor e os estudantes em evitar a repetição de termos e conceitos freqüentes a vida escolar e a falta de coordenação dos professore, mas fazer o intercambio para repercutir a qualidade do ensino.
O objetivo do currículo integrado não é favorecer conteúdo, mas interpretar os conhecimentos através das experiências. “Só se interpreta quando se entende o produto como portador de um conteúdo, como objeto gerado por alguém em determinadas circunstâncias, com a intenção de manifestar algo.” ; e que o objetivo dela é interpretar e buscar vestígios da existência de um fenômeno para os objetos e fatos, isto é, significa interessar-se para diferentes versões dos fenômenos.
Mostraremos assim a diferença entre currículo disciplinar e transdisciplinar.

Disciplina-centrado nas matérias;
Transdisciplinar-problemas transdisciplinares;

-conceitos disciplinares;
-metas curriculares;
-conhecimento canônico;
-lições;
-estudo individual;
-livros-textos;
-centrado na escola;
-professor como especialista. -temas ou problemas;
-perguntas, pesquisa;
-conhecimento construído;
-projetos;
-projetos em grupo;
-fontes diversas;
-centrado no mundo real;
-professor como facilitador.
Efland oferece alternativa para o currículo transdisciplinar que é a idéia-chave que vai além da disciplina e com a coordenação do professor, este projeto pode vincular ao currículo básico existente no país.

Capítulo III – Os Projetos de Trabalho e a Necessidade de Mudança na Educação e na Função da Escola

Os projetos de trabalho enfoca o ensino vinculado as mudanças sociais que situa a concepção e a prática da educação como meio de organizar a gestão do espaço e de tempo entre docentes/alunos sobre o discurso do saber escolar.
A isso se deve a mudanças da realidade vivida em relação a quantidade fazendo a Escola uma redescoberta sobre os conteúdos do saber.
Devido às informações não se restringir apenas nos livros-textos e sim aprender a selecionar e pesquisar e relacionar com outras práticas.
As diferenças no contexto entre a Independência e culturas em desenvolvimento tecnológico na qual as fontes de informação são múltiplas em relação a psicopedagógica ao saber social e a função social da escola.
Eis alguns significados dos projetos em diferentes épocas.
Nos anos 20 os métodos de projetos eram:
-aproximar a escola da vida cotidiana;
-os alunos não deveria sentir diferença entre vida externa e interna da escola;
-sendo viável para o meio de uma Nova Escola e
-contrária a fragmentação de matérias.
Isso dava idéia denominada “ocupações construtivas” de formuladas para o método de projeto, assim:
-o interesse do aluno não basta, se o objetivo não ter definição;
-a atividade deve ter valor intrínseco;
-a atividade deve despertar curiosidade e criar a demanda pra informações novas.
Isso era o contrário de uma escola compartimentada e oprimida pra multiplicação das matéria e a base autoritária.
Na Segunda Guerra Mundial, a racionalidade tecnológica se configura na Ideologia dominante no Ocidente, favorecendo o êxito de condutismo e psicometria fazendo com que as iniciativas co gelassem no imaginário. Que acabam voltando quando se percebe que as promessas da visão tecnológica não se cumprem.
Nos anos 60 há um fluxo de interesses por projetos chamados de trabalho por temas. Então a expansão econômica e os conflitos sociais dão ênfase as idéias de Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência e o papel da aprendizagem dos conceitos. Brunner sugere que o ensino deveria centrar no desenvolvimento de conceitos-chaves das estruturas das disciplinas, criando a idéia de currículo em Espiral em que o aluno tenha contato com a idéia-chave de forma primitiva e complexa.
A crítica ao método de idéias-chaves não representada de forma simples para que os alunos aprendam e compreendam sem base organizada de conhecimento. Essa idéia leva a confundir aprendizagem com desenvolvimento de conteúdos.
Já nos anos 80, o auge está no construtivismo e os projetos de trabalho, que contribuem para a aquisição de capacidade relacionada em auto direção, a criatividade , a formulação e resolução do problema, a tomada de decisões e a comunicação interpessoal.
O enfoque está no objetivo de estabelecer interferências e transferências entre os conhecimentos de problemas-situações (Prawat). As idéias-chaves são fundamentais a uma situação de aprendizagem. E que o papel do professor passa ser o intérprete facilitar. Os projetos não devem ser comparados com “métodos” por não serem aplicados com regras e não havendo seqüências únicas, pois os projetos não são lineares, nem previsíveis, chocando se com a idéia de ensinar o fácil para o difícil. O projeto de trabalho é comum com as estratégias e ensino e que todos vão ale dos limites curriculares e implicam nas atividades práticas e de pesquisa individuais ou e grupos, são características de uma proposta da Nova Escola, vinculada a Dewey, a importância da aprendizagem conceitual e a Brunner, uma proposta de currículo Espiral e idéias-chaves.
O sentido é tema de negociação onde se parte de um processo de pesquisa, selecionam as fontes, estabelecem critérios e ordenação, recolhem as dúvidas e elabore o processo de conhecimento, recapitulando o aprendido e conecta com o novo tema, não se fixando no percurso, mas que seja um fio condutor da atuação do docente dessa forma:
-por um tema-problema-de análise de interpretação crítica;
-com predomínio de atitude de cooperação professor/aluno;
-que estabelece conexões entre o fenômeno e questionamento;
-em que cada projeto é singular;
-em que há diferentes formas de aprender o que quer ensinar;
-com aproximação atualizada dos problemas disciplinares;
-e que todos alunos podem aprender num determinado lugar;
--e que a aprendizagem é vinculada a prática.
Indo por esse caminho, observamos que se parece com um projeto mas não é: um percurso descritivo e linear sem problematização; professor protagonista do saber, apresenta matérias escolares, conversão de matérias de estudo do gosto do aluno. os projetos apontam porá forma de basear do conhecimento escolar na aprendizagem, para desenvolver estratégias de indagação interpretação e apresentação do processo em sua complexidade favorecer o conhecimento do mundo.

Capítulo IV – A Avaliação Como Parte Do Processo Dos Projetos De Trabalho

A finalidade da educação era proporcionar uma retrospectiva sobre a aprendizagem do aluno, antes do início de nova série ou para conceder a qualificação.
Podemos distinguir três fases no processo de avaliação:
1- avaliação inicial – detecta conhecimentos sobre o tema, recolhe evidencia da forma de aprendizado, erros e pré-concepções dos alunos.
2- Avaliação formativa – o progresso do aluno e pra o professor é a tarefa de ajuste constante entre o ensino-aprendizagem;
3- Avaliação recapitulativa – processo de síntese do tema. Este é o momento de reconhecimento em que estudantes alcançam os resultados e adquiram as destrezas e as habilidades.
E o que se pretende é que a avaliação estimule a capacidade de pesquisa e que os alunos aplicam em situações reais os conhecimentos adquiridos e respondam em carater produtivo. Mais que medir, avaliar, entender e interpretar.
É necessário que os professores abram as frentes de análise:
-conceitual para avaliar resultados não previstos;
-investigadora; para levantar evidencias do processo e dos resultados;
-ético-político: para encontrar o caminho que vai da avaliação burocrática á democracia.
Essa mudança de visão fez recordar as informações de interesse e transferi-la a memorização de formulas e a necessidade de encontrar estratégias para resolução do problema; a importância do resultado ao interesse no processo e na quantidade de informação em prol da capacidade de interpretá-la.
A avaliação vem se tornando a peça chave do ensino. O porta-fólio surge como modalidade de avaliação no campo da arte sendo possível selecionar e ordenar e refletir a trajetória de aprendizagem.
Fazendo dos seus alunos sentir aprendizagem institucional como algo próprio.
No porta-fólio se identifica as questões relacionado ao modo de alunos e professores refletirem sobre os objetivos de aprendizagem criando um processo de reflexão.

Capítulo V – Três Projetos De Trabalho Como Exemplos, Não Como Pauta A Seguir

Há varias opções de adaptação dos conteúdos educativos. Por exemplo:
- partir de temas que destacam e apresentam propostas de atividades;
-planejar a trajetória por tema, uma histórica com vários finais;
-apresentar a própria experiência de forma geral: avaliando, comparando, para enfocar e ordenar o resultado.
Antes, iremos tornar explicitas as concepções que se inter –relacionam por aprendizagens de produção ativa dos conhecimentos sociais e a bagagem do aprendiz.
O ensino é uma atividade de objetivos que facilitam o dialético das estruturas do conhecimento e a subjetividade/individual. A ordenação dos conteúdos é a definição da atuação que modificam a interação dialética da classe.

Capítulo VI – As Informações nos Servem Para Aprender e Nos Provocar Novas Interrogações

O mais relevante deste projeto é mostrar o desenvolvimento da criança, do interesse e a observação de como elas enfrentam o problema dentro de aprendizagem.
Quando o assunto foi interessante envolve todo o grupo. Assunto que se pode levar por meio de pesquisa, curiosidades, jornais, etc. a família deve-se envolver nesse coleta de informações abrindo assim a reflexão fazneo a histórica tomar outro rumos em geral. A criança segue um fio condutor (diálogo) envolvendo toda a classe.
Afinal o trabalho fará ter uma idéia-chave a ser desenvolvida.

Capítulo VII – Eu Aprendi O Que Queria dizer Um “Símbolo”

Envolve pó projeto El Greco que é a visita a uma exposição de obras, onde se discute sobre o autor, da obra o contexto de vida, fazendo surgir questões em relação ao autor a sua obra, a composição delas, a época, a sociedade, o século, etc.
Quando a exposição houve um questionamento entre alunos e monitores num jogo de perguntas e respostas gerando o significado dos símbolos. A primeira noção de símbolos é a transferência e o reforçamento da aprendizagem.E através da auto reflexão reconstrói e rememorizam e incorporam os elementos.

Capítulo VIII – Ter Saúde é Viver de Acordo com Nós Mesmos

O objetivo do professor é levar o aluno a aprender a elaborar o caminho e a porta-fólio é o meio que reflete na trajetória valorizando a diversidade.
Sempre partir de um tema chave para se desenvolver a pesquisa levando a indagar as diferentes opiniões e relacioná-las as mudanças e chegar a seu objetivo, e o aluno conscientizar e interpretar as informações recebidas. A conexão com os conteúdos do currículo escolar é a tarefa com o qual o professor finaliza sua participação no projeto.
A noção de globalização – a idéia de “aprender a estabelecer e interpretar relações e superar limites das disciplinas escolares” é um convite a não divisão de conhecimentos e o aprender constante dos docentes e um esforço dos alunos sem aprender globalizar sem confundir a idéia de totalidade, além de ter vinculado a economia tem como pensamento a visão do mundo. O ensino globalizado não deve ser confundido com educação que promove valores econômicos e aceita a supremacia do mercado sobre os cidadãos veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Maria Moisés é dividido em duas partes. A primeira parte começa em 1813 com a história de um jovem pastor que, procurando por uma rês perdida, vê a filha do patrão se suicidar de modo misterioso. Então revelam-se os motivos: Josefa, a jovem suicida está apaixonada e tem um caso com um jovem militar. Seu pai é casto e sua mãe carola; quando ela engravida passa a ser escondida dentro de casa. Quando o namorado lhe anuncia que vai fugir, dá a luz (prematuramente, como se descore depois) e carrega a criança. Quando a criança cai no rio, ela se atira para salvá-la e acaba morrendo. A segunda parte começa com uma menina sendo encontrada rio abaixo da cidade onde Josefa morreu por um caseiro. A criança é nomeada Maria Moisés em honra ao patriarca bíblico que teve história análoga. Ela cresce e passa a cuidar de jovens enjeitados. No começo são dois, mas o número logo cresce. Com o tempo Marai vai empobrecendo por causa de sua caridade. Quando pai de Josefa, voltando general do Brasil, chega na cidade, ele começa a montar as peças do quebra-cabeça da morte de sua amada que nunca esqueceu. Ele vai descobrindo a história de Maria e seu estado financeiro, com a quinta hipotecada, em 1850. Ele se dirige então a quinta, paga a Maria mais do que as dívidas e revela então ser seu pai. A história acaba com ambos emocionados, chorando abraçados. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Na melhor tradição romântica, Lucíola é um livro onde se debatem paixões tórridas e contraditórias. O amor que não resiste às barreiras sociais e morais. Assim é o romance da bela Lúcia, a mais rica e cobiçada cortesã do Rio de Janeiro, e Paulo, um jovem modesto e frágil. Um romance que sacode a corte e provoca um excitado burburinho na sociedade. De um lado a mulher que, sendo de todos, jurava não prender-se a nenhum homem, de outro o homem em dúvida entre o amor e o preconceito.José de Alencar utiliza este instigante argumento para descrever a enorme atração física entre um homem e uma mulher. A pena moralizadora do escritor busca a idealização espiritual da prostituta que quer se modificar e a alma pura de Paulo cuja amor arrebatador supera todas as barreiras. Lucíola é um dos mais curiosos trabalhos de José de Alencar. Há nele um clima de sensualidade constante combinado com o ardor e sofrimento, bem no clima da literatura romântica que predominava na segunda metade do século passado quando foi escrito este romance. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Modernismo de segunda fase. A história é dividida em 5 partes (cada uma aberta por uma lição de culinária de Flor, que é professora desta arte, com exceção da quarta parte, aberta por um programa para o concerto de Teodoro) e um intervalo. A primeira começa com a morte de Vadinho em pleno Domingo de Carnaval. Vestido de baiana, Vadinho cai enquanto dançava e seu funeral é muito concorrido. Nele voltam as lembranças de todos sobre o falecido: os amigos de farra, as possíveis (prováveis) amantes, os conhecidos e principalmente da esposa, Flor. Flor lembra do marido infiel, cheio de lábia, espertalhão, jogador e malicioso que era Vadinho, mas ainda assim extremamente adorável. Na definição de um dos presentes no funeral, Vadinho "Era um porreta". O anteriormente referido intervalo se trata da discussão que ocorreu na cidade sobre a autoria da elegia a Vadinho, poesia anônima picante. A segunda parte passasse-se durante o período de luto de Flor. Inconsolável com a morte de Vadinho, sua mãe volta para a cidade e a situação piora. Dona Rozilda é o mais perfeito modelo de sogra: odeia o genro, é chata, controladora, exibida e pretende sempre escalar na vida social. Passa a fazer intriga sobre o falecido ("era morte para festa") com várias beatas, enquanto algumas poucas defendem Vadinho (não seus atos) por ele ser uma pessoa excepcional (no sentido de incomum, não o de maravilhoso ou com deficiência mental).

Assim em flashback é mais detalhado o passado do casal. A mãe de Flor queria que as filhas se casassem com homens ricos, e Vadinho apareceu. Eles se conheceram numa festa chique (Vadinho entrou de penetra, com a ajuda do tio) e começaram o namoro com a benção de Dona Rozilda, até que ela descobriu quem era o genro. Mais tarde Flor sai de casa e se casa (de azul, porque não teve coragem de por o branco) e começa o casamento. Vadinho é um marido ausente, sempre gastando o dinheiro (dos outros) no jogo e nas mulheres. Certa vez Flor quase adotou um menino que ela achava ser filho de Vadinho (Flor é estéril; o filho era do "xará"). E assim são mostrados os vários acontecimentos, em flashback, da vida matrimonial com aquele adorável cafajeste, generoso gastador, infiel e amantíssimo marido que era Vadinho. O capítulo acaba com Flor pondo flores sobre o túmulo do falecido, superando melhor o passamento dele. A terceira parte é passada nos meses seguintes. Flor está mais alegre, apesar de manter ainda a fachada de viúva. Todas as beatas competem para achar-lhe um bom pretendente e quem aparece é Eduardo, o Príncipe, calhorda que enganava viúvas para roubar-lhes as economias. Descoberto, Flor passa a se retrair. Seu sono torna-se mais agitado, seu desejo cresce na medida em que ela deixa os homens fora de sua vida pessoal. Mas então o farmacêutico Teodoro Madureira, respeitado solteirão (ele ficara solteiro para cuidar da mãe paralítica, que morreu pouco antes), ele propõe casamento a Dona Flor e eles tem o mais casto dos noivados, nunca ficando juntos sozinhos. O capítulo acaba com o casamento de Flor, desta vez aprovado por sua mãe (que havia saído da cidade no começo do capítulo; nem as outras beatas agüentavam Dona Rozilda). A quarta parte começa com a lua-de-mel de Dona Flor. Teodoro é diferente do falecido em tudo. Fiel (não compreende mesmo quando uma cliente da farmácia levanta o vestido BEM alto para tentá-lo), regular (sexo às quartas e sábados, bis aos sábados e facultativo às quartas) e inteligente, Teodoro trás a paz de volta à vida de Dona Flor. Teodoro toca fagote numa orquestra de amadores e o maestro compõem uma linda música para ela que Teodoro toca solo (o convite abre o capítulo) e no dia do aniversário de casamento, após os convidados partirem Flor vê Vadinho, nu como o viu na cama no dia de sua morte, a puxá-la e tentá-la. Ela se recusa naquele momento, fiel ao marido. Teodoro vai dormir e Vadinho sai logo depois, qundo Flor ia procurá-lo. Começa aqui a parte do livro que o deixou famoso: Flor, Teodoro e Vadinho, vivendo em matrimônio ao mesmo tempo, Vadinho nu, invisível a todos menos Flor. A quinta parte, que tornou famoso livro, filme, seriado e tantas quanto foram as adaptações desta obra, começa com o Vadinho vindo de volta dos mortos, tentando Flor. Flor sente-se dividida entre o esposo atual e Vadinho, mas este diz-lhe que não há por que o estar: são colegas, casados frente ao juiz e ao padre. Flor vai aos poucos perdendo a resistência e chega a encomendar um trabalho para mandar Vadinho de volta para onde estava. Enquanto isso se passa Vadinho vai manipulando as mesas de jogo, favorecendo velhos amigos, levando Pellanchi Moulas, rei do jogo em Salvador, ao desespero e a todos os "místicos" da Bahia para se livrar do azar. Vadinho só para quando seus amigos cansam (Mirandão, companheiro seu quando era vivo, para de jogar definitivamente, assustado com o repetir de vezes que caía no 17, número de sorte de Vadinho). Por fim Dona Flor sucumbe a Vadinho e passam a viver harmoniosamente os três uma vida conjugal (mesmo que Teodoro não o saiba). Vadinho chega a fazer o milagre de expulsar a sogra quando ela chega de mala e cuia para ficar. Vadinho começa então a desaparecer e Flor se dá conta de que era por causa do feitiço por ela encomendado. Há uma batalha entre vários deuses contra Exu (identificado por alguns como sendo o diabo católico), que protege Vadinho. Quando Exu estava perdendo, o amor e a volúpia de Vadinho ganham a batalha. A obra acaba com Flor andando feliz com Teodoro e Vadinho (nu, como sempre) ao seu lado, pelas ruas de Salvador. Esta parte acentua duas características gerais da obra: a religiosidade que mistura ao mesmo tempo o catolicismo e o candomblé, pondo todas as figuras míticas das duas religiões junto e eficientemente simultâneas (algo como é a religiosidade baiana, já que Salvador tem mais igrejas que qualquer outra cidade do Brasil e ainda assim é centro das religiões de origem africana). A outra característica vem a ser o fato de que Vadinho e Teodoro são metáforas para o id e o superego, respectivamente. Vadinho é rebelde, impulsivo, espontâneo e dado ao caos (no seu caso, o jogo); Teodoro é metódico e controlado ("Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar" é seu lema, pendurado na farmácia). Assim, a imagem de Flor pacificamente com os dois, totalmente feliz, invoca o ideal de equilíbrio entre os dois. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Em Pau-Brasil, põe em prática as propostas do manifesto do mesmo nome. Na primeira parte do livro, "História do Brasil", Oswald recupera documentos da nossa literatura de informação, dando-lhe um vigor poético surpreendente. Na segunda parte de Pau-Brasil - "Poemas da colonização" -, o escritor revê alguns momentos de nossa época colonial. O que mais chama a atenção nesses poemas é o poder de síntese do autor. No Pau-Brasil há ainda a descrição da paisagem brasileira, de cenas do cotidiano, além de poemas metalingüísticos. (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) O Verso livre, o tom de prosa, a simplicidade da linguagem e a extrema condensação, ou síntese, são os principais elementos de modernidade deste poema-metalinguístico, poesia sobre poesia. Ele sugere a idéia da poesia como ingenuidade, surpresa, e também imaginação, invenção, magia, liberdade, na medida em que é associada ao universo infantil: um universo sem fronteiras entre sonho e realidade, um universo poético, portanto, que pode ensinar ao adulto, talvez não exatamente a descoberta, mas a redescoberta da poesia. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Aqui, a valorização da linguagem coloquial, popular, próxima da vida, opõe a gramática, o professor e o mulato sabido ( ou seja, a escola, a regra, a norma, o pedantismo), ao bom negro e ao bom branco da Nação brasileira: nacionalismo e crítica ao "mestiço", que lembra Gregório de Matos. O Capoeira - Qué apanhá sordado? - O quê? - Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) A idéia de luta é sugerida apenas por um diálogo-relâmpago, tipicamente popular (note o texto escrito copia a oralidade) e pela metonímia (pernas e cabeças na calçada - a parte pelo todo), que ilustra o estilo teegráfico, extremamente sintético, de Oswald de Andrade. Segundo Antônio Cândido , Oswald foi o inaugurador, em nossa literatura, da transposição de técnicas de cinema - "montagem" de cenas, tentativa de descontinuidade para causar a impressão de "imagens simultâneas" - para o texto literário. Relicário No baile da corte Foi o conde d'Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de Suruí Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê bebê pitá e caí (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Este poema é representativo da proposta Pau-Brasil de poesia de exportação. Recontar momentos significativos da história da colonização do Brasil de maneira irônica, crítica, como na cena de Relicário . Nela, um personagem histórico, o Conde d'Eu, no baile da Corte, conversa com Dona Benvinda uma "conversa de cozinha": rítmica, folclórica, engraçada, surpreendente para o contexto do baile da Corte. Note que o relicário significa recinto ou lugar especial, próprio. Está na impropriedade, então, este contexto e tipo de conversa, a ironia e a blague (a piada) oswaldianas. Canção de Regresso à Pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo (Oswald de Andrade - Pau-Brasil) Esta é a primeira paródia modernista da Canção do Exílio de Gonçalves Dias, poeta romântico. Hino à nacionalidade, o poema original apresenta uma visão ufanista, idealizadora da pátria. Em sua paródia, Oswald de Andrade troca palmeiras por palmares, mostrando, assim, o nacionalismo crítico dos modernistas: minha terra tem opressão, escravidão, dominação e também lutas pela libertação. Palmares é o nome do mais famoso quilombo para onde fugiam os escravos. Há, também, uma referência clara, ao progresso de São Paulo - símbolo do desenvolvimento econômico do país - que se opõe à valorização da natureza presente no poema de Gonçalves Dias. Ao dizer que os passarinhos daqui, isto é, do estrangeiro, não cantam como os de lá - os do Brasil - Oswald relativiza o juízo de valor, a idéia da superioridade de nossa fauna e de nossa flora em relação à Europa, afirmando a diferença em oposição ao que se encontra em Gonçalves Dias. O verso E quase que mais amores acentua a relativização do patriotismo romântico a que nos referimos e, finalmente, a ausência de pontuação, especialmente em Ouro terra amor e rosas, acaba de configurar a modernidade da Canção de Regresso à Pátria: poema paródico que, aparentemente imitando o texto a partir do qual foi escrito, o que faz, na verdade, é inverter o seus sentidos através da sátira. A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de Jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho. A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária. Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas sopradas. Rebentaram. A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, critica, donas de casa tratando de cozinha. A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem. Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo : o teatro de tese e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris. Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Agil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia. A poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma criança. Uma sugestão de Blaise Cendrars : - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino. Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias. A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros. Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: Poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação. Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadros de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho... Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado - o artista fotógrafo. Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Stravinski. A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas. Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano. Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: 10) a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne e Malarmé, Rodin e Debussy até agora. 20) o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva. O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil. Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatores destrutivos. A síntese O equilíbrio O acabamento de carrosserie A invenção A surpresa Uma nova perspectiva Uma nova escala. Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil O trabalho contra o detalhe naturalista - pela síntese; contra a morbidez romântica - pelo equilíbrio geômetra e pelo acabamento técnico; contra a cópia, pela invenção e pela surpresa. Uma nova perspectiva. A outra, a de Paolo Ucello criou o naturalismo de apogeu. Era uma ilusão ética. Os objetos distantes não diminuíam. Era uma lei de aparência. Ora, o momento é de reação à aparência. Reação à cópia. Substituir a perspectiva visual e naturalista por uma perspectiva de outra ordem: sentimental, intelectual, irônica, ingênua. Uma nova escala: A outra, a de um mundo proporcionado e catalogado com letras nos livros, crianças nos colos. O redame produzindo letras maiores que torres. E as novas formas da indústria, da viação, da aviação. Postes. Gasômetros Rails. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O correspondente da surpresa física em arte. A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de idéias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido. Nossa época anuncia a volta ao sentido puro. Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz. A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres. Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a algebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações. Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil. Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil. O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional. Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época. O estado de inocência substituindo o estada de graça que pode ser uma atitude do espírito. O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica. A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna. Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia. Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  
Análise da obra

O livro O caso da Chacára Chão foi inspirado num episódio real, um assalto ao sítio do próprio autor, Domingos Pellegrini, que decidiu romancear o fato e criar a história.

Publicado em 2000, O Caso da Chácara Chão, segue, até no título, o que há de mais chamativo no mercado editorial, do qual o autor é um dos seus expoentes, famosamente conhecido por sua produção juvenil.

A obra tem, na opinião do autor, ingredientes bem brasileiros como violência, drogas, corrupção policial, jornalismo sensacionalista, racismo, conformismo mas também amor, perdão e amizade. Traça painéis críticos da realidade brasileira.

Segundo Pellegrini, a obra "é um policial social, mas no fundo, como sempre, trata dos conceitos de caráter e de conduta".

Linguagem / Tempo

Sua linguagem é simples, direta, despojada de enfeites artificiais. Há beleza em suas imagens poéticas, principalmente àquelas ligadas à descrição de elementos da Natureza, mas sem o emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.

O narrador-personagem usa alguns ingredientes bem brasileiros são forças presentes na narrativa, tais como - violência, drogas, corrupção policial, burocracia, jornalismo sensacionalista, racismo, conformismo e também amor, perdão, revolta e amizade.

Há beleza em suas imagens poéticas, principalmente àquelas ligadas à descrição de elementos da Natureza, mas sem o emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.

Outro elemento digno de nota é a movimentação das cenas, ágil, precisa, quase que dotada de um caráter cinematográfico. Os flashbacks estão nos locais exatos e na medida correta. A manipulação do tempo da narrativa é quase sinfônica (quanto a esse aspecto, não se deve esquecer que a obra, num esquema de diário, muitas vezes metalingüístico, acaba tendo uma proximidade muito forte entre o tempo da narrativa (tempo da história, dos fatos narrados – passado não muito remoto em muitas das vezes) e o tempo da enunciação (tempo do ato contar a história, sempre presente). Aliada à já citada limpeza de sua linguagem, contribui para que a degustação da obra seja fluente, sem obstáculos inúteis e desnecessários.

Personagens

O protagonista da obra é um jornalista e escritor que mora numa chácara, como o próprio Pellegrini: há três anos e meio, para fugir do barulho do centro da cidade, Pellegrini mudou para a Chácara Chão, nos arredores de Londrina, onde pretende passar o resto de seus dias.

Deve-se também elogiar a forma coerente com que o narrador consegue dar vida e caráter às suas personagens, até mesmo nas que se apresentam caricaturizadas, como a família Filipov, à qual pertence a cônjuge do narrador. Há inclusive atenção na substanciação da caracterização dos animais, como Miau (a gata assassinada), Minie (cadela idosa) e Morena (cadela que havia chegado filhote e que cresce no decorrer da narrativa).

Para reforçar o que se apresentou quanto ao domínio na construção das personagens, basta observar Verali, filha do narrador, que, de menina urbana e, portanto, isolada e dona de amigas invisíveis, torna-se a garota feliz, realizada quando vai para a chácara. Outra personagem é Olga, ex-militante de esquerda e que “cai” para preocupações mais ligadas ao chão, como ter uma filha praticamente por produção independente com Manfredini, esforçando-se por manter-se por meio da confecção de chocolates.

Mas a personagem mais rica é o narrador, um sujeito decepcionado com a esquerda, ou mais precisamente com os militantes, que, ao invés da luta aberta, preocupavam-se em se encostar no funcionalismo público.

Seu desencanto, no entanto, não significa inércia. Torna-se uma figura que tem um pouco de misantropo, impaciente e quixotesco ao lutar pelos direitos do cidadão, pela aplicação da lei, principalmente no que se refere ao silêncio. O ruído urbano é a mais simbólica forma de invasão e agressão do mundo moderno.

Enredo

Alfredo Manfredi, um escritor de livros juvenis, ex-exilado, cansado da pasmaceira do povo, além de amadurecido seu relacionamento com Olga e depois de ter ganhado muito dinheiro trabalhando na redação de discursos de uma campanha política, resolve morar com Olga. Compram, para tanto, uma chácara, a que dá título ao livro. Tal imóvel se torna a utopia, o grande sonho de mundo e de vida dos dois, o que se percebe pelo nome. Baseia-se na idéia de que tudo o que foi gerado pelo chão, por ele será aproveitado. É, pois, um microcosmo perfeito (já que o macrocosmo fracassou) em que se dedicam na reciclagem e aproveitamento de tudo. Tudo natural, ecológico, planejado, perfeito. Até a invasão urbana, representada pelo assalto realizado durante o Carnaval.

Quer fugir do estresse dos centros urbanos e refugia-se com a família na chácara, em busca de tranqüilidade. Mas não será isso que ele terá: um assalto à propriedade transforma completamente a vida do escritor e de sua família.

A história básica passa-se, como citado, durante o Carnaval. A chácara do personagem-narrador, Manfredini (é praticamente um alter-ego do autor, pois ambos mantêm muitos pontos de contato em relação à personalidade e ao histórico de vida), é invadida por dois bandidos, que estão em busca de jóias e dólares. Crentes que o ambiente estaria vazio, começam a ver seus planos frustrados quando encontram os donos. Descontrolam-se, chegando, para ameaçar, a matar a gata de estimação do casal, Miau.

A situação piora quando são ouvidos os gritos do caseiro João, que, ao não ser respondido, pula o mulo da propriedade. O narrador consegue escapar, mas é perseguido por um dos malfeitores, até que consegue se trancar em um cômodo, não sem antes ferir gravemente com um facão o opositor que tentava impedir o fechamento da porta. Machucado, foge.

Seguindo o caminho mais simples, os donos registram queixa na delegacia e esperam a atuação da polícia para a captura dos criminosos, o que de fato foi feito. No entanto, obteve-se um resultado completamente diferente. Os bandidos alegaram que a esposa do narrador os havia convidado para um encontro conjugal no momento em que o marido não estava presente. Este, voltando inesperadamente, surpreendera a dupla e, ferido na honra, vingara-se ferindo um dos supostos traidores.

O que piora a situação é que o aparelho do Estado começa, ao invés de defender a vítima, a permitir que esta tivesse sua reputação atacada. É nesse momento que entra em ação o melhor aspecto dos romances policiais: a exposição crua das feridas do sistema social.

Esse episódio só piora a relação do personagem com o Estado, pois, como se disse, mostra a violência se voltando contra eles. Pedem ajuda para punir bandidos e acabam sendo castigados de várias formas. Em primeiro lugar, pela possibilidade de se tornarem de vítimas a réus. Há ainda a indiferença, a zombaria e o desrespeito com que são atendidos. Além disso, a polícia faz uma perícia completamente incompetente, como se estivesse mais interessada em não resolver o caso (não procuram direito a arma do crime. Não fazem autópsia da gata, não retiram na hora correta as balas incrustadas no teto e no chão da sala da chácara. Nem sequer verificam a presença de resíduos de pólvora das mãos dos bandidos). Sem contar que são pressionados por um ação de indenização, o que constitui um acinte típico da literatura de Kafka.

Conforme se luta por mais justiça, mais lama vai sendo jogada. Acaba-se esbarrando em obstáculos gigantescos. Um dos bandidos, Florindo dos Santos, era policial licenciado. Entra em jogo, portanto, toda a força de uma corporação protegendo um dos seus integrantes. O pior é que ele faz parte de um esquema gigantesco arquitetado por uma máfia dentro da própria polícia, responsável pelo desvio de material apreendido, inclusive drogas. Detalhe sórdido: o soldado tinha desvios graves de comportamento, sendo até toxicômano.

O outro bandido, Pedro Paulo Machado de Mello Cavalcante, como a extensão do nome indica, é de família tão rica quanto poderosa, acostumada a usar um advogado por demais eficiente que sempre afasta o jovem de crimes ligados ao vício, como o presente caso.

Esse advogado vai ser responsável por mais decepções. Eficientíssimo (não se deve esquecer que o advogado do narrador é incompetente, mais preocupado em seguir protocolos – em busca de um arquivamento – do que em resolver o problema), conseguirá armar esquemas para salvar seus clientes e prejudicar mais ainda Manfredini. Fica a idéia de que o que funciona no Judiciário não é a justiça em si, mas a manipulação, armação.

O clímax surge quando a história vaza para a Imprensa, tão preocupada com escândalo, sensacionalismo. Cria-se uma mancha gritante na reputação daqueles que deveriam ser vistos como vítimas. Sempre que se lembrava do caso da Chácara Chão, associava-se à imagem de Olga como tarada ou de Manfredini como o Louco do Facão a fazer justiça com as próprias mãos, imagem esta que é piorada quando investe de maneira explosiva (atira pedras e machado) contra os inúmeros carros de som que poluem auditivamente aquele que deveria ser um bairro residencial.

Apesar dessa confusão toda, há alguns pontos de apoio. O primeiro é um amigo ligado à Imprensa, Binho, que lhe permitirá, além do acesso a informações importantes, que sua versão seja veiculada na mídia. O resultado é, de certa forma, torto. Se num primeiro instante é visto como um vilão, um louco, depois passa a ser visto como um herói, pois encarnou o desejo de todo um povo massacrado: fazer justiça pelas próprias mãos. Em suma, não é entendido, mas visto como uma caricatura.

O fundo do poço surge quando há com a Justiça uma audiência, eufemisticamente chamada de “entrevista”. Nela, fica consagrada a incompetência do Estado, que não consegue representar e nem defender o cidadão. O processo está para ser arquivado. O narrador, como sempre, explode, quase sendo preso por desacato.

A reviravolta, a princípio tímida, surge quando encontra, ainda no fórum, outro decepcionado ex-militante esquerdista, Arcanjo. Tornara-se advogado de porta de cadeia não para fazer sacanagem contra o sistema ao ajudar criminosos, mas para evitar que este atrapalhasse os direitos daqueles que não têm como se defender. E em tal situação encontrava-se Manfredini.

Sua primeira ação, imediata, já se mostra útil. Evita que o “homem-bomba” seja preso. Ainda impede a derrota fragorosa da ação. Contribui também para que seja bloqueado o processo de indenização. Mas, diante de todo o quadro que se é apresentado, pois estão lidando com bandidos do mais pesado calibre, consegue convencer o casal a retirar a queixa, na esperança de que a outra parte também o faça.

No fim, um ano se passa. Reforça-se a descrença em relação ao sistema, o que fica representado no fato de a chácara, o paraíso, ter os muros agora todo coberto de plantas dotadas de espinhos. A decepção é tão grande que o narrador já não abre mais tanto escândalo quando um salão de festas, por demais barulhento, é inaugurado ao lado da chácara (é interessante lembrar que a fiscalização, quando aparece, fica mancomunada com o salão. Note a tirada amarga quando o protagonista relata que os fiscais saíram alegres e com alguns “presentes”).

O clímax surge num duplo combate. Os vizinhos armam uma barulheira musical para competir com o baile de Carnaval do salão. A polícia baixa. E é nesse instante que Florindo surge, para se vingar, pois com toda a questão judicial, não havia agüentado e cometera delitos, acabando por perder muitos dos seus direitos na corporação. Acha que a culpa pelo fracasso recai sobre Manfredini e sua família.

Suas intenções criminosas são, no entanto, frustradas. Olga e Verali evadem-se. Manfredini consegue fugir pela chácara. Sua enorme vantagem é que o vilão não conhece o terreno e, em meio à escuridão, acaba-se ferindo sucessivamente pelas plantas, muitas delas espinhosas. Consegue a vitória humilhante ao mesmo tempo em que o povo, irado, faz com que o salão respeite os vizinhos.

Tal final parece lembrar o campo juvenil em que o autor se especializou. Jogou-se tanta lama na cara do leitor a ponto de poder sufocar sua visão de mundo. Essa vitória da natureza é uma luz de expectativa positiva. O mundo está podre, mas não é motivo para desistência, derrotismo. É uma luta individualista, mas é a melhor arma que se tem, na presente situação social. É a alimentação de esperanças diante da vida, mais simples e mais natural possível, distante da doença em que se transformou a vida moderna. veja os vídeos do Programa Zmaro: Humor inteligente de forma descontraída. Acesse www.Zmaro.com.br  


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